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terça-feira, 15 de agosto de 2017

Macron chega aos 100 dias com impopularidade recorde

Ao completar 100 dias no cargo, o jovem presidente Emmanuel Macron registra a maior queda de popularidade de um chefe da Estado da França. Em junho, quando seu partido República em Marcha conquistou maioria absoluta na Assembleia Nacional, Macron tinha o apoio de 64%. Hoje, só 36% estão satisfeitos com o presidente francês, enquanto 64% o desaprovam.

Na mesma pesquisa do Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop), em julho, Macron tinha 54% a favor. Isso indica que a queda mais forte foi recente. Seu antecessor, François Hollande, chegou aos 100 dias com 46% de aprovação e 54% da rejeição.

A lua de mel foi rápida. O mais jovem líder francês desde o imperador Napoleão Bonaparte foi acusado de bonapartismo e perdeu apoio à direita ao discutir publicamente com o comandante-em-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Pierre de Villiers, que criticou os cortes orçamentários e caiu.

Em setembro, depois da volta dos franceses das férias de verão no Hemisfério Norte, Macron terá de enfrentar os protestos dos sindicatos e das ruas contra sua proposta da reforma da Lei do Trabalho, que na França é maior do que a Bíblia. A reforma trabalhista foi uma das promessas de campanha de Macron.

domingo, 7 de maio de 2017

Emmanuel Macron é o presidente mais jovem da história da França

Com mais de 65% dos votos, o ex-ministro da Economia e candidato independente Emmanuel Macron foi eleito hoje aos 39 anos como o presidente mais jovem da história da França, anunciou a televisão francesa France 2 com base em pesquisas de boca de urna, derrotando a neofascista Marine Le Pen, da ultradireitista Frente Nacional. 

O general Napoleão Bonaparte coroou-se imperador em 1804 aos 34 anos, quando a Revolução Francesa de 1789 havia dizimado a classe dirigente. Desde então, a França não teve um chefe de Estado tão jovem.

No final da apuração, o centrista Macron teve 20.30.964 votos (66%) contra 10.637.120 (34%) para a ultranacionalista Marine. O índice de abstenção, de 25%, foi recorde para a 5ª República, fundada em 1958 pelo general Charles de Gaulle.

Macron é um presidente acidental. Há um ano, deixou o governo François Hollande, o mais impopular da 5ª República, e lançou seu movimento Em Marcha! de olho no Palácio do Eliseu. Mas tinha poucas chances. Jovem, preparava-se para o futuro.

Depois das eleições primárias de centro-direita e centro-esquerda, com 30% das preferências, o favorito era o ex-primeiro-ministro conservador François Fillon, do partido gaulista Os Republicanos, o mais tradicional do país, que presidiu a França com De Gaulle, Georges Pompidou, Jacques Chirac e Nikolas Sarkozy.

Quando o jornal satírico Le Canard enchainé revelou que Fillon empregara a mulher e os filhos como funcionários-fantasmas do Senado, sua candidatura desabou, mas ele se negou a sair. Ao aceitar mantê-lo, Os Republicanos deram um tiro no pé.

Fillon ainda teve 20% dos votos no primeiro turno, apenas 465 mil a menos do que Le Pen, mas boa parte do eleitorado de centro-direita migrou para o candidato independente e centrista. Macron pretende se equilibrar entre os moderados à direita e à esquerda. Seu desafio agora é conseguir maioria na Assembleia Nacional nas eleições legislativas de 11 e 18 de junho de 2017.

Uma pesquisa divulgada depois da eleição presidencial indica que 61% dos franceses não querem dar maioria absoluta ao novo presidente, que teria de formar uma coalizão entre centro, direita e esquerda moderada, um equilíbrio difícil e inédito na 5ª República.

Com a impopularidade do presidente Hollande, seu ex-primeiro-ministro Manuel Valls perdeu a eleição primária socialista para o ex-ministro da Educação Benoît Hamon, que nunca teve chance. Dentro do partido, Macron era considerado liberal demais.

O eleitorado de esquerda também migrou para o ex-ministro da Economia ou para a candidatura de ultraesquerda de Jean-Luc Mélenchon, que teve 19,58% no primeiro turno, dando apenas 6,36% dos votos a Hamon no primeiro turno.

No segundo turno, Fillon e Hamon apoiaram Macron para barrar a ascensão da Frente Nacional. Mélenchon se negou a endossar Macron. Chegou a pedir que o candidato centrista desistisse da reforma trabalhista. Foi ironizado por um humorista:

- Onde você estava quando os fascistas chegaram ao poder?

- O outro candidato ia fazer uma reforma trabalhista.

O PS, dividido pela candidatura social liberal de Macron, é o partido que mais deve perder deputados para Em Marcha! nas eleições do próximo mês.

Neste momento, ao reconhecer a derrota, Marine Le Pen agradeceu aos "11 milhões de franceses" (na verdade, 10,6 milhões) que votaram na extrema direita e declarou que a Frente Nacional é hoje a maior força de oposição da França, em defesa da segurança, da identidade nacional e da luta contra a globalização e a imigração, as grandes bandeiras do partido.

"Este segundo turno faz uma grande recomposição política em torno da clivagem entre patriotas e mundialistas", afirmou Marine, marcando posição. Mas dificilmente seu partido terá uma bancada capaz de liderar a oposição na Assembleia Nacional.

O presidente eleito fez campanha em defesa da democracia liberal, da economia de mercado, da globalização e da União Europeia, em claro contraste com as propostas isolacionistas e protecionistas dos ultranacionalistas. Sua vitória é uma derrota do neopopulismo que levou à aprovação da saída britânica da União Europeia e o magnata imobiliário Donald Trump à Casa Branca, no ano passado.

No discurso da vitória, diante da pirâmide de vidro da entrada do Museu do Louvre, Macron prometeu trabalhar para que os extremismos voltem para a margem da política francesa. Em Paris, ele teve 90% dos votos, anunciou a prefeita socialista Anne Hidalgo.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Partido Socialista cai para 5º lugar na eleição presidencial da França

Com o avanço de Jean-Luc Mélenchon, candidato da frente de esquerda França Insubmissa, a um mês do primeiro turno da eleição presidencial na França, o ex-ministro da Educação Benoît Hamon, candidato oficial do Partido Socialista, caiu para quinto lugar numa pesquisa de opinião realizada na terça-feira para a televisão BFMTV e a revista L'Express.

O líder na pesquisa sobre o primeiro turno, marcado para 23 de abril de 2017, é o ex-ministro da Economia do atual governo, Emmanuel Macron, considerado liberal demais dentro do PS, com avanço de 0,5 ponto percentual e 26% das preferências. 

Em segundo lugar, vem a chefe da neofascista Frente Nacional, Marine Le Pen, com queda de meio ponto percentual e 24,5%. Ela promete acabar com a "imigração legal e ilegal", e tirar a França da União Europeia.

Marine Le Pen se inspira nas vitórias do plebiscito sobre a saída do Reino Unido do bloco europeu e a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. Tem o apoio do presidente da Rússia, Vladimir Putin. Um banco russo emprestou 8 milhões de euros a seu partido de ultradireita. É a maior ameaça nesta eleição.

Todos os partidos devem se unir contra Le Pen no segundo turno. Foi que aconteceu com seu pai, Jean-Marie Le Pen, quando ele superou o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, em 21 de abril de 2002, e foi para o segundo turno contra o presidente Jacques Chirac, vencedor no final por ampla margem.

De acordo com as pesquisas, Macron e Le Pen devem disputar o segundo turno, em 7 de maio, deixando de fora os grandes partidos que dominaram a 5ª República, o PS e o partido gaulista, herdeiro das ideias do general Charles de Gaulle, grande herói da Segunda Guerra Mundial e principal dirigente do país no pós-guerra, que hoje se chama Os Republicanos.

O candidato gaulista, o ex-primeiro-ministro François Fillon, era o favorito depois de ganhar a eleição primária do partido até a imprensa denunciar que ele empregou a mulher os filhos como funcionários-fantasmas do Senado. Apesar do escândalo e de estar sendo processado, Fillon se recusa a abandonar a candidatura. Está em queda e perdeu mais 0,5 ponto desde a pesquisa anterior. Tem 17%.

Mélenchon é o quarto, com um avanço de meio ponto e 13,5% do total, ultrapassando o socialista Hamon, que caiu 2 pontos para 11,5%, o pior resultado da história do PS.

Por causa de sua impopularidade, o presidente François Hollande desistiu de concorrer e o ex-primeiro-ministro Manuel Valls foi derrotado pela esquerda, que optou por Hamon. Mas cada vez mais os socialistas embarcam na candidatura Macron. O próprio presidente Hollande pediu outro dia a desistência de Fillon, numa clara jogada para beneficiar a candidatura de seu jovem ex-ministro.

sábado, 18 de março de 2017

França projeta crescimento de 1,1% em 2017

A França, segunda maior economia da Zona do Euro e sexta do mundo, deve crescer 0,3% no primeiro trimestre de 2017 e 1,1% no ano inteiro, a mesma taxa do ano passado, previu ontem o Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos).

O crescimento previsto para o segundo trimestre foi revisado de 0,4% para 0,5%. A queda do desemprego iniciada no fim de 2016 deve continuar no primeiro semestre de 2017. O índice, ainda elevado, deve baixar de 9,7% para 9,5% na França metropolitana e de 10% para 9,8% incluindo as províncias ultramarinhas. São as menores taxas de desemprego desde o terceiro trimestre de 2012

Ao crescer 1,1% em 2016, a França saiu de um período de estagnação. Nos três anos anteriores, ficara abaixo da média da Eurozona. Agora, equipara-se aos países vizinhos. Mas o consumo das famílias, principal motor da economia francesa, continua fraco. Deve avançar 0,2% no primeiro trimestre e 0,4% no segundo.

A melhora relativa no crescimento e no emprego chega tarde demais para o presidente François Hollande e o Partido Socialista. Seu candidato, Benoît Hamon, está em quarto lugar nas pesquisas e deve ser eliminado no primeiro turno da eleição presidencial francesa em 23 de abril.

Por ironia, o favorito no momento é o ex-ministro da Economia do governo socialista, Emmanuel Macron, um jovem de 37 anos que trabalhou no mercardo financeiro, não é considerado suficientemente de esquerda pelo partido e nunca havia disputado uma eleição.

Com a resistência do candidato do partido gaulista Os Republicanos, François Fillon, acusado de contratar a mulher e os filhos como funcionários-fantasmas do Senado, Macron é o favorito para enfrentar a neofascista Marine Le Pen, da Frente Nacional, no segundo turno, em 7 de maio.

Como Marine Le Pen não deve passar de um terço dos votos, quem quer que a enfrente no segundo turno deve derrotar a extrema direita. O fracasso da ultradireita na Holanda deu novo ânimo aos franceses, mas as vitórias do não à União Europeia no Reino Unido e a eleição de Donald Trump animaram a Frente Nacional.

A exemplo de Trump, Le Pen tem o apoio do homem-forte da Rússia, Vladimir Putin. Bancos russos emprestaram pelo menos 8 milhões de euros. Em sua guerra cibernética contra o Ocidente e a UE, o alvo do Kremlin hoje deve ser Macron.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Desemprego na França caiu para 9,7% em 2016

A taxa de desemprego caiu 0,2 ponto percentual em 2016 na França. Ficou em 97% na França metropolitana e em 10% considerando-se as províncias ultramarinhas, revelou ontem a Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos).

Por causa do desemprego elevado, o presidente socialista François Hollande desistiu de concorrer à reeleição. O candidato escolhido na eleição primária do partido, o ex-ministro da Educação Benoît Hamon, está em quarto lugar. Dificilmente chega ao segundo turno.

No quarto trimestre, o desemprego cedeu mais um ponto percentual. No fim do ano passado, cerca de 2,78 milhões de pessoas estavam procurando trabalho no Hexágono, como os franceses chamam a França europeia.

Entre os jovens, a queda anual foi de 1,7 ponto percentual, mas o índice de desemprego ainda é muito alto. Ficou em 23,3%.

Com o desgaste dos partidos tradicionais, a impopularidade do governo Hollande e a denúncia de que a mulher do candidato da direita republicana, François Fillon, foi sua funcionária-fantasma durante anos, a favorita hoje as pesquisas é a líder da extrema direita Marine Le Pen, da Frente Nacional, neofascista.

Se Marine Le Pen ganhar, promete convocar um plebiscito para retirar a França da União Europeia. Seria o fim do bloco. Defensora de um nacionalismo antiquado antiglobalização, ela tem apoio dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin. Ambos querem enfraquecer o bloco europeu, uma organização supranacional e pós-nacionalista que não se encaixa na visão de mundo autoritária dos atuais chefões do Kremlin e da Casa Branca.

Seu adversário mais provável no segundo turbo no momento é o ex-ministro da Economia Emmanuel Macron, um ex-funcionário do mercado financeiro. Liberal demais para ser o candidato socialista, criou seu própria movimento e se beneficia com o colapso da candidatura Fillon, que ainda ser substituída pelos Republicanos, o maior e mais tradicional partido de centro-direita da França, herdeiro da ideologia política do general Charles de Gaulle, o grande lider da reconstrução do país depois da ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial.

A Rússia já lançou contra Macron a mesma guerra cibernética que ajudou a derrotar Hillary Clinton.

O ex-ministro François Bayrou e o ex-primeiro-ministro Alain Juppé são cotados para assumir a candidatura republicana.

A eleição presidencial francesa será realizada em 23 de abril e 7 de maio de 2017.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Bernard Cazeneuve é o novo primeiro-ministro da França

Numa reforma ministerial minimalista, o presidente François Hollande nomeou hoje Bernard Cazaneuve para primeiro-ministro da França, em substituição a Manuel Valls, que deixou ontem a chefia do governo para se candidatar à Presidência da República.

Ex-ministro do Interior durante um período de estado de emergência por causa dos atentados terroristas, Cazeneuve foi descrito pelo jornal francês Le Monde como o "homem das missões difíceis.

O novo ministro do Interior Bruno Le Roux. André Vallini será ministro das Relações com o Parlamento e Jean-Marie Le Guen, ministro do Desenvolvimento e da Francofonia.

Ao escolher Cazeneuve, ex-prefeito de Cherbourg, Hollande optou pela estabilidade. É um dos assessores que o acompanham desde o início do governo, em 2012. De acordo com aliados do presidente, ele preenche do requisitos necessários para a chefia do governo: "eficiência, coesão e confiança".

O presidente desistiu na semana passada de tentar a reeleição, abrindo caminho para uma eleição primária disputada do Partido Socialista em 22 e 29 de janeiro.

Com a impopularidade de Hollande, que chegou a apenas 4% de aprovação, no momento as pesquisas indicam que o PS deve ser eliminado no primeiro turno da eleição presidencial de 2017, em 23 de abril. O segundo turno, em 7 de maio, seria disputado pelo ex-primeiro-ministro conservador François Fillon, do partido Os Republicanos, de centro-direita, e pela líder da neofascista Frente Nacional, de extrema direita, Marine Le Pen.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Valls deixa governo para ser candidato na França

O primeiro-ministro Manuel Valls anunciou hoje que vai entregar o cargo de chefe do governo amanhã ao presidente François Hollande para se dedicar exclusivamente à sua candidatura à Presidência da França em 2017. É uma esperança de uma candidatura forte de esquerda capaz de chegar ao segundo turno.

Em pronunciamento de 20 minutos, Valls se apresentou como um candidato pronto para enfrentar o autoritarismo da direita e da extrema direita no país e no mundo: "Quero uma França independente, inflexível em seus valores diante da China de Xi Jinping, da Rússia de Vladimir Putin, dos Estados Unidos de Donald Trump e da Turquia de Recep Erdogan."

Dentro do Partido Socialista, Valls é considerado um centrista com tendências econômicas liberais. Ele apelou cinco vezes para o artigo 49, inciso 3, da Constituição da França, uma medida de exceção para aprovar projetos de interesse do governo sem a necessidade de voto na Assembleia Nacional, inclusive a reforma trabalhista repudiada pelas grandes centrais sindicais.

Valls deverá disputar a eleição primária do PS, em 22 e 29 de janeiro, com vários candidatos mais à esquerda, entre eles o ex-ministro da Economia Arnaud Montebourg.

No momento, com a impopularidade do presidente François Hollande, que desistiu da reeleição, as pesquisas indicam sério risco de que o PS seja eliminado no primeiro turno, em 23 de abril de 2017. O ex-primeiro-ministro conservador François Fillon, do partido Os Republicanos, enfrentaria e venceria Marine Le Pen, da neofascista Frente Nacional, no segundo turno, em 7 de maio.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Fillon lidera pesquisa sobre eleição presidencial na França

Depois de ganhar a eleição primária da centro-direita, o ex-primeiro-ministro conservador François Fillon desponta como favorito à eleição presidencial de 2017 na França. A seis meses da eleição, Fillon tem 32% das preferências contra 22% para a líder da neofascista Frente Nacional, Marina Le Pen, indica uma pesquisa divulgada pela televisão francesa.

Em terceiro lugar, aparece o ex-ministro da Economia Emmanuel Macron (13%), que lançou uma candidatura independente, seguido pelo candidato de ultraesquerda, Jean-Luc Mélenchon (12%) e pelo presidente François Hollande (8%).

O presidente anunciou dia 1º de dezembro que não será candidato à reeleição, abrindo espaço para uma eleição primária competitiva da esquerda em 22 e 29 de janeiro..

No segundo turno, Fillon teria uma vitória esmagadora com 79% dos votos válidos contra 21% para Marine Le Pen. A pesquisa foi realizada via Internet em 25 de novembro, dois dias antes da eleição primária do partido Os Republicanos, de centro-direita, vencida por Fillon.

Diante de surpresa não detectadas nas pesquisas, como a vitória da saída do Reino Unido da União no referendo de 23 de junho e o triunfo de Donald Trump na eleição presidencial nos Estados Unidos, aumentou o temor de ascensão da extrema direita na Europa.

Há um risco de que o candidato neonazista seja eleito presidente da Áustria. Uma vitória da antieuropeia Marine seria um terremoto capaz de destruir a União Europeia.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Hollande desiste da reeleição à Presidência da França

Em uma decisão inesperada, o presidente François Hollande anunciou hoje que não será candidato à reeleição à Presidência da França na eleição de 23 de abril e 7 de maior de 2017. O primeiro-ministro Manuel Valls passa a ser o favorito para ser o candidato do Partido Socialista.

Com a queda da popularidade do presidente abaixo de 10%, até um mínimo de 4%, a esquerda francesa se inquieta com as pesquisas que apontam um segundo turno entre a ultradireita e a centro-direita no próximo ano.

Seria uma repetição do primeiro turno da eleição presidencial de 2002. Em 21 de abril daquele ano, o líder da neofascista Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen, bateu o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, que adotara medidas econômicas impopulares para enquadrar a França na união monetária que criou o euro, por menos de 200 mil votos (16,86% a 16,18%).

A ultraesquerda negou apoio a Jospin e teve 11%, abrindo caminho Le Pen, que perderia no segundo turno para o presidente Jacques Chirac, que teve 82% dos votos.

Se esse quadro se repetir em 2017, com derrota da esquerda no primeiro turno e união de todas as forçcas democráticas contra o neofascismo no segundo turno, o ex-primeiro-ministro François Fillon, do partido Os Republicanos, herdeiro de Chirac, será o próximo presidente da França.

Para ter uma chance, o PS propôs a realização de uma eleição primária da esquerda. De início, seria apenas uma manobra para legitimar a candidatura de Hollande, quando o presidente seria candidato natural à reeleição.

No fim de semana, o presidente da Assembleia Nacional, o deputado socialista Claude Bortolone, defendeu a ampliação da primária da esquerda e convidou Hollande, Valls, o ex-ministro liberal Emmanuel Macron e Jean-Luc Mélenchon, líder da Frente de Esquerda, que reúne grupos à esquerda do PS.

A primária está marcada para 22 e 29 de janeiro. É a última esperança da centro-esquerda de ter um candidato forte e competitivo em 2017 na França. O ex-ministro da Economia Arnaud Montebourg manifestou a intenção de participar. Macron, por enquanto, mantém sua candidatura independente pelo movimento Em Marcha.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Fillon venceria primeiro turno hoje na França, indica pesquisa

O ex-primeiro-ministro conservador François Fillon, candidato do partido de centro-direita Os Republicanos venceria hoje o primeiro turno da eleição presidencial na França, batendo a líder da Frente Nacional, de ultradireita, Marine Le Pen, indicou uma pesquisa do instituto Harris Interactive divulgada ontem.

A vantagem é pequena, dentro da margem de erro da pesquisa. Fillon teve 26% das preferências contra 24% para Marine. Ambos ficaram muito à frente do candidato do Partido Socialista. Tanto o presidente François Hollande quanto o primeiro-ministro Manuel Valls ficaram com 9%.

Fillon foi escolhido ontem. Ele venceu o ex-primeiro-ministro Alain Juppé por ampla vantagem, de 66,5% a 33,5%, na eleição primária da centro-direita, que pela primeira vez foi aberta a todos os franceses e não apenas aos filiados ao partido gaulista, herdeiro da tradição política do general Charles de Gaulle, o governador da França no exílio durante a Segunda Guerra Mundial.

Com De Gaulle (1958-69), Georges Pompidou (1969-74), Jacques Chirac (1995-2007) e Nicolas Sarkozy (2007-12), é o partido que ficou mais tempo no poder na 5ª República.

O PS convocou uma eleição primária para legitimar a candidatura do presidente Hollande. Com sua popularidade abaixo de 10%, o presidente da Assembleia Nacional, Claude Bortolone, defendeu a ampliação da primária, com a participação do primeiro-ministro Valls, do ex-ministro da Economia Emmanuel Macron e até mesmo do líder da Frente de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon, que no fim de semana recebeu o apoio do Partido Comunista Francês (PCF).

A primária da esquerda será realizada em 22 e 29 de janeiro. A esperança é que produza uma candidatura competitiva para a esquerda não ficar fora do segundo turno da eleição presidencial, marcada para 23 de abril e 7 de maio de 2017.

No fim de semana, Valls manifestou a intenção de ser candidato e criticou Hollande. Como não foi demitido hoje, o presidente começa a aceitar a possibilidade de não ser candidato à reeleição.

domingo, 27 de novembro de 2016

Líder do PS quer Hollande, Valls e Macron na primária da esquerda

O presidente da Assembleia Nacional da França, o deputado socialista Claude Bartolone, defendeu no fim de semana a participação do presidente François Holande, do primeiro-ministro Manuel Valls, do ex-ministro da Economia Emmanuel Macron e do líder da Frente de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon, na eleição primária da esquerda, marcada para 22 e 29 de janeiro. O objetivo é ter uma candidatura forte, capaz de chegar ao segundo turno.

Com a impopularidade de Hollande pouco acima de 10%, as pesquisas indicam que o Partido Socialista pode perder a eleição presidencial de 2017 no primeiro turno, marcado para 23 de abril. Marine Le Pen, da neofascista Frente Nacional, disputaria o Palácio Eliseu com o ex-primeiro-ministro François Fillon, consagrado ontem como o candidato de centro-direita.

Em condições normais, não haveria uma eleição primária do PS. O presidente seria candidato natural à reeleição, mas a expectativa de uma derrota esmagadora assusta o partido. Com um debate entre presidente e primeiro-ministro, argumentou Bortolone, haveria um "eletrochoque" numa esquerda que parece aceitar a derrota como inevitável.

"Eu não sei em que votar, mas sei uma coisa: não será uma pequena primária que pode nos salvar", declarou no sábado o presidente da Assembleia Nacional. "Gostaria que Macron participasse da primária, que Valls participasse da primária, que Hollande participasse da primária, que Mélenchon venha exprimir suas diferenças no seio da primária."

Hollande prometeu anunciar sua decisão até 15 de dezembro. Ele apostava numa queda do desemprego para turbinar sua candidatura. O anúncio do primeiro-ministro Valls de que vai participar da primária da esquerda é de certa forma uma traição ao chefe, mas dá um alívio ao partido, que pode assim ter um candidato mais competitivo.

Dificilmente Mélenchon vai se aproximar de um PS que usou um mecanismo excepcional para reformar a lei do trabalho sem votação na Assembleia Nacional, reduzindo direitos, algo inaceitável para a ultraesquerda. No fim de semana, 54% do Partido Comunista Francês (PCF) preferiram apoiar Mélenchon e sua Frente de Esquerda em vez de lançar seu próprio candidato ao Palácio do Eliseu.

sábado, 29 de outubro de 2016

França admite internação de ciganos durante Segunda Guerra Mundial

Pela primeira vez, um presidente da França aceitou a responsabilidade do país pela internação de ciganos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). O presidente François Hollande visitou hoje o antigo campo de concentração de Montreuil-Bellay, em Maine-et-Loire.

"A República reconhece o sofrimento dos nômades que foram internados e admite sua responsabilidade neste grande drama", declarou Hollande, homenageando os ciganos internados pelo regime de Vichy, que colaborou com a ocupação nazista. Muitos ficaram detidos até 1946, depois do fim da guerra.

Entre 6 e 6,5 mil ciganos foram internados em 31 campos de concentração administrados por autoridades francesas. Montreuil-Bellay era o maior de todos. Mais de 2 mil nômades e sem-teto de Nantes foram internados lá de novembro de 1941 a janeiro de 1945. Pelo menos cem morreram.

Paris foi libertada em 25 de agosto de 1944, mas os ciganos só em 1946.

sábado, 3 de setembro de 2016

Marine Le Pen promete plebiscito para tirar França da UE

Se for eleita presidente da França em 2017, a líder da neofascista Frente Nacional, Marine Le Pen, vai convocar um plebiscito sobre a permanência da França na União Europeia, a exemplo do realizado no Reino Unido em 23 de junho de 2016, anunciou hoje o jornal francês The Gazette.

A primeiro turno da eleição presidencial francesa está marcado para 23 de abril. Diante da impopularidade do presidente socialista François Hollande, que tem apenas 12% de aprovação, no momento, todas as pequisas indicam que Marine chegará ao segundo em 7 de maio.

O desemprego de quase 10% e de 25% entre os jovens, o fraco crescimento econômico, com estagnação no segundo trimestre deste ano, e o terrorismo favorecem a Frente Nacional e empurram o partido de centro-direita Os Republicanos mais para a direita.

A Grã-Bretanha é uma ilha. Não fez parte do núcleo inicial fundador da Comunidade Econômica Europeia, em 1957. Só entrou em 1973, depois de dois vetos do presidente francês Charles de Gaulle. A saída da França, que forma com a Alemanha o eixo central do processo de integração europeia, seria o fim da UE.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Ministro liberal deixa governo socialista de olho na Presidência da França

Sob a alegação de se "dedicar inteiramente" a seu movimento político Em Marcha, o ministro da Economia, Emmanuel Macron, pediu demissão hoje ao presidente François Hollande de olho numa candidatura à Presidência da França em 2017. Será substituído por Michel Sapin, que vai acumular o cargo com o de ministro das Finanças.

Desde que lançou o movimento a favor da liberalização da economia, Macron era visto com suspeita, sobretudo pela ala mais à esquerda do Partido Socialista. Ele é considerado a "direita da esquerda", mas tem problemas para conseguir apoio eleitoral à esquerda.

Com aprovação popular de apenas 12%, o presidente Hollande é candidato à reeleição, mas corre sério risco de não chegar ao segundo turno, como aconteceu com o PS em 2002, por causa do avanço da Frente Nacional, de extrema direita, e da maior popularidade do partido de centro-direita Os Republicanos.

Nas pesquisas de opinião, Macron era o terceiro ministro mais popular do governo, depois dos ministros da Defesa, Jean-Yves Le Drian, e do Interior, Bernard Cazeneuve.

A Lei Macron ou Lei do Crescimento, da Atividade e da Igualdade de Oportunidades causou grande divisão interna no PS e foi aprovada por decreto no ano passado, sem votação na Assembleia Nacional. Entre outras medidas, ela facilitou o trabalho noturno e aos domingos, acabou com o monopólio da rede ferroviária estatal e autorizou privatizações parciais no valor de 10 bilhões de euros.

Um dos políticos mais populares da França, Macron dificilmente obteria a candidatura socialista. Se o presidente Hollande desistir por causa da impopularidade, o candidato natural será o primeiro-ministro Manuel Valls. Há uma eleição prévia talhada sob medida para validar a candidatura Hollande.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Sarkozy lança candidatura à Presidência da França

O ex-presidente Nicolas Sarkozy nunca aceitou a derrota para o presidente François Hollande na eleição presidencial de 2012 na França. No livro Tudo pela França, a ser lançado em 24 de agosto, oficializa sua ambição de voltar ao Palácio do Eliseu em 2017.

"Eu decidi ser candidato à eleição presidencial de 2017", escreveu Sarkozy. Quem acompanha a política francesa sabia disso há muito tempo. Um repórter da televisão France 2 confirmou hoje.

Sarkozy vai deixar a presidência do partido Os Republicanos, de centro-direita, e terá de disputar a eleição interna do partido com outros 12 aspirantes em 20 e 27 de novembro de 2016. Seu maior adversário é o ex-primeiro-ministro Alain Juppé.

Entre os desafios que Sarkozy discute no livro, estão como manter a identidade e a competitividade da França no mundo globalizado e como manter a autoridade e preservar a liberdade na luta contra o terrorismo.

Com a baixíssima popularidade do presidente Hollande, em torno de apenas 12%, o Partido Socialista corre sério risco de perder, como em 2002, a vaga no segundo turno para a neofascista Frente Nacional, desta vez sob a liderança de Marine Le Pen. Ela tem a preferência de cerca de 25% do eleitorado francês.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Hollande prorroga estado de emergência por três meses

Em pronunciamento à nação neste momento, pouco antes das 4h em Paris, o presidente François Hollande acaba de anunciar a prorrogação do estado de emergência na França por 90 dias a partir de 26 de julho por causa do atentado terrorista que matou pelo menos 80 pessoas hoje à noite em Nice.

O terrorista, morto pela polícia, seria um homem de 31 anos com dupla nacionalidade, francês e tunisiano, informou o jornal local Nice-Matin. Esses dados são de uma carteira de identidade encontrada no caminhão. Sua autenticidade não foi confirmada. A Tunísia é o país que mais forneceu voluntários para lutar pela milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante nas guerras civis do Iraque e da Síria.

Hollande prometeu um combate sem trégua ao terrorismo e à milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, mantendo a mobilização de 10 mil soldados e policiais para garantir a segurança. A França participa dos ataques aéreos contra o grupo na Síria e no Iraque.

"É toda a França que está sob ameaça do terrorismo islamista. Assim, nestas circunstâncias, devemos fazer uma demonstração de vigilância absoluta e de uma determinação sem falha", afirmou Hollande, abrindo o flanco para críticas. Afinal, é mais um desafio à autoridade do Estado francês.

"Nós devemos reforçar ainda mais nosso nível de proteção", declarou o presidente da França. "Assim, decidi, sob proposição do primeiro-ministro e dos ministros da Defesa e do Interior, que vamos manter em nível elevado a Operação Sentinela, que permite mobilizar 10 mil soldados e policiais."

Mais cedo, antes do ataque, o presidente francês revelou que assessores militares vão participar da ofensiva do Exército do Iraque para retomar a cidade de Mossul, em poder do Estado Islâmico desde junho de 2014. Ele também havia anunciado a suspensão do estado de emergência a partir de 26 de julho.

O problema é que o estado de emergência, agora mantido, não tem sido suficiente para evitar ações terroristas na França.

Amanhã, às 9h da manhã (4h em Brasília), o presidente reúne o Conselho de Segurança e Defesa Nacional no Palácio do Eliseu. Depois, vai a Nice com o primeiro-ministro Manuel Valls.

Caminhão investe contra multidão que festejava Revolução Francesa

Pelo menos 84 pessoas foram mortas e centenas feridas por um caminhão de 19 toneladas jogado contra uma multidão hoje à noite no Sul da França, noticiou o jornal francês Le Figaro.

Dezoito feridos estão em estado gravíssimo. Milhares de pessoas participavam das festividades do Dia da Bastilha, 14 de julho, marco do início da Revolução Francesa de 1789, no Passeio dos Ingleses, na cidade de Nice. 

A maior suspeita é de ataque terrorista. O motorista foi morto pela polícia. A TV BFM fala em mais de 80 mortos, citando como fonte o Ministério Público. O promotor Jean-Michel Prêtre avisou que o balanço é provisório.

Logo depois do espetáculo de fogos de artifício para celebrar a data nacional da França, o caminhão avançou contra a multidão, atropelando pessoas por uma distância de cerca de dois quilômetros. Quando o caminhão parou, o terrorista ainda atacou a multidão a tiros. A polícia encontrou pistolas, bombas e granadas dentro do veículo, mas disse que algumas eram falsas e não representavam perigo.

O jornalista Damien Allemand, editor da versão digital do jornal local Nice-Matin, estava no local: "Quando o show terminou, todos se levantaram ao mesmo tempo. Em direção às escadas, espremidos como sardinhas. Eu ziguezagueiei entre as pessoas atrás do meu scooter, que estava a poucos passos de distância. Ao longe, um ruído. Gritos. Meu primeiro pensamento: alguma pessoa maligna trouxe seus próprios fogos e não os controlou...

"Mas, não", acrescentou o jornalista. "Uma fração de segundo mais tarde, um enorme caminhão branco avançava numa velocidade louca contra as pessoas com golpes de direção para para ceifar o maior número de vidas. Esse caminhão da morte passou a metros de mim e não me dei conta. Vi corpos voarem como peças de boliche, os ruídos, os uivos que não esquecerei jamais. Fiquei paralisado. Não me mexi nem disse nada. Segui com os olhos aquele cortejo fúnebre. Ao redor de mim, o pânico. As pessoas corriam, gritavam, choravam. Aí me dei conta. E corri junto com elas."

Em entrevista à televisão, o vice-governador do departamento dos Alpes Marítimos, Sébastian Humbert, declarou que "o balanço é muito pesado", com "dezenas de mortos", provavelmente "uma trintena", na estimativa inicial. Ele acrescentou que "o motorista foi abatido" porque foi "um ataque criminoso".

O presidente François Hollande estava no Festival de Teatro de Avignon, no Sul do país. Voltou às pressas para Paris, onde participa daqui a pouco de uma reunião de emergência do gabinete de crise no Ministério do Interior. Amanhã, às 9h, o presidente vai reunir o Conselho de Segurança e Defesa no Palácio do Eliseu.

Horas antes, ao discursar na cerimônia oficial em Paris desde 14 de julho, o presidente havia anunciado a suspensão a partir de 26 de julho do estado de emergência decretado depois dos atentados que mataram 132 pessoas na capital francesa em 13 de novembro de 2015. Em janeiro do ano passado, a capital francesa também foi aterrorizada pelo ataque ao jornal humorístico Charlie Hebdo e outras ações nos dias seguintes, que deixaram um total de 17 mortos.

Hollande revelou que assessores militares da França estarão ao lado das forças do Iraque na ofensiva para retomar a segunda maior cidade do país, Mossul, em poder da milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante desde 10 de junho de 2014. O Estado Islâmico foi responsável pelos atentados de Paris e é o maior suspeito agora em Nice.

O departamento dos Alpes Marítimos é um dos principais focos do jihadismo na França, observaram vários meios de comunicação regionais. Grande parte do contingente de extremistas muçulmanos franceses que lutam voluntariamente nas guerras civis do Iraque e do Iraque saiu de Nice.

Durante a Euro 2016, a copa europeia de seleções de futebol, encerrada no domingo passado, o ex-prefeito de Nice, Christian Estrosi, atual governador da região da Provença-Alpes-Costa Azul (Paca), instalou detetores de bombas e metais na entrada do chamada zona dos fãs, onde as pessoas assistiram aos jogos em telões. Nice foi a única cidade-sede a fazer isso.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Popularidade de Hollande cai a recorde negativo de 12%

A menos de um ano da eleição presidencial na França, a popularidade do presidente socialista François Hollande caiu a novo recorde negativo. Só 12% confiam no chefe de Estado, indica uma pesquisa do instituto TNS para o jornal Le Figaro.

Hollande insiste em dizer que o país está melhor, com crescimento maior e uma pequena queda no desemprego, deu aumentos a professores e outros funcionários públicos, deixou o ônus da rejeição dos sindicatos à reforma trabalhista com o primeiro-ministro Manuel Valls e se apresenta como o torcedor número da seleção de futebol da França, uma das favoritas da Eurocopa.

O presidente promete anunciar no fim do ano se vai concorrer à reeleição. O Partido Socialista propôs a realização de uma eleição primária com o aval do Palácio do Eliseu. É uma tentativa de legitimar a reeleição.

A ameaça do terrorismo, a estagnação da economia, o desemprego elevado e a onda de greves e manifestações em rejeição à reforma das leis do trabalho contribuem para o que o Figaro chama de "o calvário de Hollande".

No momento, as pesquisas indicam que o PS pode ficar fora do segundo turno da eleição presidencial, como aconteceu em 2002, quando o neofascista Jean-Marie Le Pen, da Frente Nacional, superou o então primeiro-ministro socialista Lionel Jospin e foi derrotado pelo então presidente Jacques Chirac.

Agora, Marine Le Pen, filha de Jean-Marie, aparece como favorita nas pesquisas, disputando a ponta com os favoritos do partido Os Republicanos, o ex-presidente Nicolas Sarkozy e o ex-primeiro-ministro Alain Juppé, que devem disputar a eleição primária da centro-direita.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Últimas pesquisas indicam que Reino Unido fica na União Europeia

Com o resultado final do plebiscito de amanhã sobre a permanência ou não do Reino Unido na União Europeia nas mãos dos indecisos, as últimas pesquisas divulgadas hoje indicam uma pequena vantagem a favor de ficar no bloco europeu, noticiou a agência Bloomberg.

Uma pesquisa da TNS realizada via Internet de 16 a 22 de junho mostrou uma vantagem de 2% para quem quer ficar, enquanto outra, da Opinium, feita de 20 a 22 de junho, apresentou uma vantagem de 1%.
A poucas horas do início da votação, os dois lados fizeram seus últimos apelos. Os presidentes do Conselho Europeu, Jean-Claude Juncker, e da França, François Hollande, deixaram claro que um voto para sair vai deflagrar um processo sem retorno.

Na pesquisa das pesquisas, que faz a média de seis pesquisas realizadas entre 16 e 23 de junho, continua um empate em 50%. Mas o mercado financeiro acredita na permanência e as casas de apostas dão 75% a 25% de probabilidade de ficar na UE.

Durante a campanha, o grupo favorável a ficar na UE advertiu para o risco econômico de deixar o bloco europeu e a possibilidade de que leve a um novo plebiscito sobre a independência da Escócia, dividindo o Reino Unido.

Por outro lado, os defensores da saída argumentaram que o país retomaria o controle sobre suas leis e fronteiras, e barraria a entrada de imigrantes. No fundo, é um sonho de grandeza de ingleses conservadores que não entendem que o Império Britânico acabou. Podem ficar restritos à pequena Inglaterra.

sábado, 18 de junho de 2016

Partido Socialista convoca eleição primária na França

Em acordo com o Palácio do Eliseu, o Conselho Nacional do Partido Socialista convocou hoje a realização de uma eleição primária da coalizão Bela Aliança para escolher o candidato à eleição presidencial de 2017. Para o jornal Le Monde, é uma "manobra tática" feita sob medida para legitimar a candidatura à reeleição do presidente François Hollande.

Com apenas 14% de popularidade, Hollande teria assim uma oportunidade de entrar logo na campanha. A Frente de Esquerda já relançou Jean-Luc Mélenchon para tentar galvanizar as forças de esquerda anti-Hollande e anti-PS.

Ao fazer o anúncio, o primeiro-secretário do PS, Jean-Christophe Cambadélis, observou que comunistas e parte dos verdes se recusaram a participar de uma eleição prévia com o presidente da República. A coligação governista Bela Aliança reúne socialistas, o Partido Radical de Esquerda e a União dos Democratas e Ecologistas.

As candidaturas devem ser oficializadas de 1º a 15 de dezembro de 2016. A eleição primária será realizada em dois turnos, em 22 e 29 de janeiro de 2017.

A eleição presidencial está marcada para 23 de abril e 7 de maio. No momento, as pesquisas indicam que o PS ficaria fora do segundo turno, como aconteceu em 21 de abril de 2002, quando o líder da extrema direita, Jean-Marie Le Pen, superou o então primeiro-ministro socialista Lionel Jospin e foi para o segundo turno com o então presidente Jacques Chirac.

Agora, a neofascista Marina Le Pen, filha de Jean-Marie, iria para o segundo turno contra o candidato do partido Os Republicanos, de centro-direita, onde os favoritos são o ex-primeiro-ministro Alain Juppé e o ex-presidente Nicolas Sarkozy. Se a líder da Frente Nacional chegar na frente, será mais um choque na política francesa.

Na última pesquisa sobre a eleição primária republicana, marcada para 20 e 27 de novembro de 2016, publicada pela revista Paris Match, Sarkozy liderava com 54% contra 28% para Juppé, 9% para o ex-primeiro-ministro François Fillon e 7% para Bruno Le Maire.