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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Mélenchon não apoia Macron mas não quer voto na Frente Nacional

O candidato da ultraesquerda à Presidência da França, Jean-Luc Mélenchon, se nega a apoiar o independente Emmanuel Macron, um defensor da economia de mercado, mas não quer que nenhum de seus mais de 7 milhões de eleitores (19,6%) vote na neofascista Frente Nacional.

Desde domingo, os candidatos derrotados no primeiro turno da eleição presidencial francesa estão sob pressão para definir suas posições para o segundo turno, marcado para 7 de maio. O ex-primeiro-ministro conservador François Fillon e o ex-ministro da Educação socialista Benoît Hamon declararam apoio a Macron.

Mélenchon, uma das surpresas desta eleição, chegou a sonhar com uma vaga no segundo turno. Ganhou com o descontentamento da esquerda com a presidência de François Hollande. No primeiro momento, ele se negou a orientar seus eleitores, alegando não ter mandato para isso.

Agora, seu movimento França Insubmissa desceu parcialmente do muro sem assumir o apoio a Macron: "Nenhum voto deve ir para a Frente Nacional", declarou hoje Alexis Corbière, porta-voz de Mélenchon.

A reação vem porque a ultradireitista Marine Le Pen tenta aproveitar o sentimento antiglobalização dos eleitores de Mélenchon para tentar conquistar seus votos para o segundo turno.

Na sua estratégia de caracterizar Macron como candidato das oligarquias e da "globalização selvavem", Le Pen tenta captar o voto operário. Hoje ela fez uma visita de surpresa à fábrica da empresa Whirlpool em Amiens, enquanto o ex-ministro participava um encontro intersindical na Câmara de Comércio da cidade.

A fábrica está em greve. Os trabalhadores tentam impedir seu fechamento e reabertura na Polônia. Le Pen afirmou que "está no meio dos trabalhadores que resistem à globalização selvagem".

Há uma certa inquietação na França com a possibilidade de uma vitória da extrema direita. Em 21 de abril de 2002, quando Jean-Marie Le Pen, pai de Marine, derrotou o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, todas as outras forças políticas se mobilizaram para apoiar a reeleição do presidente Jacques Chirac, inclusive Mélenchon.

Chirac teve 20% no primeiro turno e 80% no segundo. Agora, Mélenchon é contra a FN, mas não pede voto para Macron. O eleitorado direitista cristão que se mobilizou contra o casamento gay e apoiou Fillon tende a votar em Le Pen. Prefere o antiliberalismo ou casamento gay.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Marine Le Pen deixa presidência do partido para ampliar eleitorado

Em grande desvantagem nas primeiras pesquisas depois do segundo turno, a candidata de extrema direita à Presidência da França, Marine Le Pen, anunciou hoje que vai deixar a presidência da Frente Nacional. 

É uma jogada para vender uma imagem mais centrista e tentar captar os votos, por exemplo, dos eleitores de Jean-Luc Mélenchon, da ultraesquerda, descontentes com as políticas pró-mercado do favorito, Emmanuel Macron, a quem ela acusa de apoiar uma "globalização selvagem".

Candidato independente, o ex-ministro da Economia Macron venceu o primeiro turno com 8.657.326 ou 24% dos votos com propostas a favor da globalização, do internacionalismo liberal, da União Europeia e da economia de mercado.

Le Pen ficou em segundo com 21,3% com uma plataforma ultranacioanalista, prometendo combater o terrorismo islâmico, expulsar os imigrantes, deixar o euro, convocar um plebiscito para sair da UE, fechar as fronteiras e proteger a economia. Ela obteve 7.679.593 votos, batendo o recorde do pai, Jean-Marie Le Pen. Ele obteve 6,8 milhões em 2012, quando derrotou o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin e foi para o segundo turno.

Os candidatos conservador François Fillon (20%) e socialista Benoît Hamon (6,36%) deram apoio a Macron para vencer a ameaça da extrema direita. O presidente François Hollande, o mais impopular da história recente da França, também declarou apoio a seu ex-ministro da Economia.

As pesquisas dão 60% a 64% das preferências para Macron no segundo turno, marcado para 7 de maio de 2017.

Marine tenta reagir apresentando o adversário como "filho do hollandismo", liberal e pró-europeu. Na visão da ultradireita, isso significa que "as fronteiras continuaram abertas e a França e sua cultura continuarão sendo invadidas".

Macron é o grande vencedor. Há um ano, estava no governo. Saiu e criou o movimento Em Marcha para lançar a candidatura. Foi beneficiado pelo escândalo que abalou o favorito, o ex-primeiro-ministro conservador Fillon, acusado de empregar mulher e filhos como funcionários-fantasmas do Senado.

O grande derrotado é o Partido Socialista, que teve a pior votação de sua história, apenas 6,36% dos votos no primeiro turno. A ala mais moderada apoiou Macron e a mais radical votou em Mélenchon. Mas o partido gaulista Os Republicanos também perdeu muito ao insistir num candidato manchado pela corrupção e rejeitado pelo eleitoral.

A Europa e o mercado festejaram o resultado, com alta generalizada nas bolsas de valores. O fantasma da ascensão da extrema direita, alimentado pelo plebiscito que decidiu pela saída do Reino Unido da UE e pela vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, não assombrou a eleição presidencial francesa.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Eleição presidencial da França embola na reta final

A oito dias do primeiro turno da eleição presidencial na França, quatro candidatos estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro e podem chegar ao segundo turno, indica pesquisa divulgada pelo jornal francês Le Monde.

Os dois favoritos até agora, o ex-ministro da Economia Emmanuel Macron, independente, e a líder da extrema direita, Marine Le Pen, lideravam com 24% das preferências.
Eles perderam dois pontos e caíram para 24%.

Ao mesmo tempo, Jean-Luc Mélenchon, da Aliança França Insubmissa, de ultraesquerda, subiu, 1,5 ponto percentual e chegou a 20%, enquanto o ex-primeiro-ministro François Fillon, ganhou um ponto e tem agora 19% das intenções de voto. O socialista Benoît Hamon caiu para 7,5%.

A pesquisa ouviu 1.509 eleitores inscritos em 12 e 13 de abril. Cerca de dois terços dos eleitores franceses pretendem votar. O segundo turno será realizado em 7 de maio.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Ex-primeiro-ministro Valls apoia Macron na França

Mais um líder do Partido Socialista anuncia que vai apoiar o ex-ministro da Economia e candidato independente Emmanuel Macron no primeiro turno da eleição presidencial da França, em 23 de abril de 2017. É o ex-primeiro-ministro Manuel Valls, derrotado na eleição prévia do PS pelo ex-ministro da Educação Benoît Hamon, que está em quinto lugar nas pesquisas.

Em entrevista na manhã de hoje à televisão BFMTV, Valls declarou estar na hora de "tomar uma posição responsável" e não de simples "alinhamento". "Não quero, na noite do primeiro turno, ficar diante de uma escolha entre François Fillon e Marine Le Pen. Não podemos correr esse risco."

Macron foi ministro do governo Valls, mas é considerado liberal demais pela velha guarda socialista. Ele lidera as pesquisas sobre o primeiro turno com 26,5% votos, um pouco acima da candidata neofascista Marine Le Pen, da Frente Nacional, com 25%.

O ex-primeiro-ministro conservador François Fillon era o favorito até ser revelado que empregou a mulher e os filhos como funcionários-fantasmas do Senado. Só a mulher, Penelope Fillon, ganhou 800 mil euros. Ambos estão sendo processados. Seu marido caiu para 17%.

Enquanto Macron agradeceu, Hamon acusou Valls de "não manter a palavra empenhada" e "não respeitar o veredito das urnas". O deputado Patrick Mennucci disse ter "vergonha" de Valls.

"O que vale daqui para a frente um acordo assinado por um homem como Manuel Valls?", perguntou o ex-ministro da Economia Arnaud Montebourg, também derrotado na primária socialista. "Nada. É o que vale um homem sem honra."

Valls negou que esteja traindo o PS ao não apoiar o vencedor da prévia: "O interesse superior da França está acima das regras de um partido, de uma primária, de uma comissão." Outros líderes socialistas e o presidente François Holland apoiam Macron discretamente.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Partido Socialista cai para 5º lugar na eleição presidencial da França

Com o avanço de Jean-Luc Mélenchon, candidato da frente de esquerda França Insubmissa, a um mês do primeiro turno da eleição presidencial na França, o ex-ministro da Educação Benoît Hamon, candidato oficial do Partido Socialista, caiu para quinto lugar numa pesquisa de opinião realizada na terça-feira para a televisão BFMTV e a revista L'Express.

O líder na pesquisa sobre o primeiro turno, marcado para 23 de abril de 2017, é o ex-ministro da Economia do atual governo, Emmanuel Macron, considerado liberal demais dentro do PS, com avanço de 0,5 ponto percentual e 26% das preferências. 

Em segundo lugar, vem a chefe da neofascista Frente Nacional, Marine Le Pen, com queda de meio ponto percentual e 24,5%. Ela promete acabar com a "imigração legal e ilegal", e tirar a França da União Europeia.

Marine Le Pen se inspira nas vitórias do plebiscito sobre a saída do Reino Unido do bloco europeu e a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. Tem o apoio do presidente da Rússia, Vladimir Putin. Um banco russo emprestou 8 milhões de euros a seu partido de ultradireita. É a maior ameaça nesta eleição.

Todos os partidos devem se unir contra Le Pen no segundo turno. Foi que aconteceu com seu pai, Jean-Marie Le Pen, quando ele superou o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, em 21 de abril de 2002, e foi para o segundo turno contra o presidente Jacques Chirac, vencedor no final por ampla margem.

De acordo com as pesquisas, Macron e Le Pen devem disputar o segundo turno, em 7 de maio, deixando de fora os grandes partidos que dominaram a 5ª República, o PS e o partido gaulista, herdeiro das ideias do general Charles de Gaulle, grande herói da Segunda Guerra Mundial e principal dirigente do país no pós-guerra, que hoje se chama Os Republicanos.

O candidato gaulista, o ex-primeiro-ministro François Fillon, era o favorito depois de ganhar a eleição primária do partido até a imprensa denunciar que ele empregou a mulher os filhos como funcionários-fantasmas do Senado. Apesar do escândalo e de estar sendo processado, Fillon se recusa a abandonar a candidatura. Está em queda e perdeu mais 0,5 ponto desde a pesquisa anterior. Tem 17%.

Mélenchon é o quarto, com um avanço de meio ponto e 13,5% do total, ultrapassando o socialista Hamon, que caiu 2 pontos para 11,5%, o pior resultado da história do PS.

Por causa de sua impopularidade, o presidente François Hollande desistiu de concorrer e o ex-primeiro-ministro Manuel Valls foi derrotado pela esquerda, que optou por Hamon. Mas cada vez mais os socialistas embarcam na candidatura Macron. O próprio presidente Hollande pediu outro dia a desistência de Fillon, numa clara jogada para beneficiar a candidatura de seu jovem ex-ministro.

sábado, 18 de março de 2017

França projeta crescimento de 1,1% em 2017

A França, segunda maior economia da Zona do Euro e sexta do mundo, deve crescer 0,3% no primeiro trimestre de 2017 e 1,1% no ano inteiro, a mesma taxa do ano passado, previu ontem o Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos).

O crescimento previsto para o segundo trimestre foi revisado de 0,4% para 0,5%. A queda do desemprego iniciada no fim de 2016 deve continuar no primeiro semestre de 2017. O índice, ainda elevado, deve baixar de 9,7% para 9,5% na França metropolitana e de 10% para 9,8% incluindo as províncias ultramarinhas. São as menores taxas de desemprego desde o terceiro trimestre de 2012

Ao crescer 1,1% em 2016, a França saiu de um período de estagnação. Nos três anos anteriores, ficara abaixo da média da Eurozona. Agora, equipara-se aos países vizinhos. Mas o consumo das famílias, principal motor da economia francesa, continua fraco. Deve avançar 0,2% no primeiro trimestre e 0,4% no segundo.

A melhora relativa no crescimento e no emprego chega tarde demais para o presidente François Hollande e o Partido Socialista. Seu candidato, Benoît Hamon, está em quarto lugar nas pesquisas e deve ser eliminado no primeiro turno da eleição presidencial francesa em 23 de abril.

Por ironia, o favorito no momento é o ex-ministro da Economia do governo socialista, Emmanuel Macron, um jovem de 37 anos que trabalhou no mercardo financeiro, não é considerado suficientemente de esquerda pelo partido e nunca havia disputado uma eleição.

Com a resistência do candidato do partido gaulista Os Republicanos, François Fillon, acusado de contratar a mulher e os filhos como funcionários-fantasmas do Senado, Macron é o favorito para enfrentar a neofascista Marine Le Pen, da Frente Nacional, no segundo turno, em 7 de maio.

Como Marine Le Pen não deve passar de um terço dos votos, quem quer que a enfrente no segundo turno deve derrotar a extrema direita. O fracasso da ultradireita na Holanda deu novo ânimo aos franceses, mas as vitórias do não à União Europeia no Reino Unido e a eleição de Donald Trump animaram a Frente Nacional.

A exemplo de Trump, Le Pen tem o apoio do homem-forte da Rússia, Vladimir Putin. Bancos russos emprestaram pelo menos 8 milhões de euros. Em sua guerra cibernética contra o Ocidente e a UE, o alvo do Kremlin hoje deve ser Macron.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Ex-presidente Sarkozy será julgado por financiamento ilegal de campanha

Um juiz da França instaurou hoje um processo contra ex-presidente Nicolas Sarkozy e outras 13 pessoas por esconder US$ 20 milhões em gastos da sua campanha à reeleição, em 2012, noticiou a imprensa francesa.

Sarkozy rejeita a denúncia de que seu partido conspirou com a empresa de relações públicas Bygmalion para manipular as cifras e desrespeitar o limite legal de despesas numa campanha presidencial.

Na época, o partido Os Republicanos, de centro-direita, se chamava União por um Movimento Popular (UMP).

O ex-presidente tentou concorrer à eleição presidencial deste ano, mas ficou em terceiro lugar na eleição primária do partido. O vencedor foi o ex-primeiro-ministro François Fillon, que está sendo pressionado a desistir depois que o jornal semanal Canard Enchaîné revelou que sua mulher e seus filhos foram funcionários-fantasmas.

Este escândalo abala ainda mais a imagem dos partidos tradicionais e favorece a campanha da neofascista Marine Le Pen, que promete convocar um plebiscito para tirar a França da União Europeia e conta com o apoio dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin.

Extremamente impopular, o presidente socialista François Hollande decidiu não disputar a reeleição. Seu ex-primeiro-ministro Manuel Valls perdeu a eleição primária do PS para o ex-ministro da Educação Benoît Hamon, da ala mais esquerdista do partido. Sem argumentos para defender o atual governo, o candidato socialista parece condenado à derrota.

Quem desponta como alternativa à extrema direita é o ex-ministro da Economia Emmanuel Macron, um ex-funcionário do mercado financeiro com uma visão econômica liberal. Sem chances de conquistar a candidatura socialista, Macron criou seu próprio movimento, Em Marcha, para levar adiante seu projeto. Sem um partido por trás, sua candidatura foi desprezada inicialmente.

No momento, as pesquisas apontam a vitória de Marine Le Pen no primeiro turno e sua derrota no segundo, seja qual for o rival. Com o escândalo envolvendo Fillon, que já liderou as pesquisas, Macron subiu para o segundo lugar.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Ségolène Royal volta como ministra do Meio Ambiente

A ex-candidata à Presidência da França derrotada por Nicolas Sarkozy em 2007 e ex-mulher e mãe dos quatro filhos do presidente François Hollande está de volta ao centro das atenções. Ségolène Royal será ministra do Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Energia do governo do primeiro-ministro, Manuel Valls, nomeado depois da derrocada do Partido Socialista nas eleições municipais dos dois últimos domingos.

Com a indicação de Pierre Moscovici para comissário de Finanças da União Europeia, Arnaud Montebourg será o novo ministro da Economia e Michel Sapin, das Finanças. Benoît Hamon vai para o Ministério da Educação.

Serão mantidos o ex-primeiro-ministro Laurent Fabius como ministro do Exterior e Christiane Taubira como ministra da Justiça, apesar das acusações que sofreu por causa do vazamento de gravações de telefonemas do ex-presidente Sarkozy.