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quarta-feira, 29 de março de 2017

Ex-primeiro-ministro Valls apoia Macron na França

Mais um líder do Partido Socialista anuncia que vai apoiar o ex-ministro da Economia e candidato independente Emmanuel Macron no primeiro turno da eleição presidencial da França, em 23 de abril de 2017. É o ex-primeiro-ministro Manuel Valls, derrotado na eleição prévia do PS pelo ex-ministro da Educação Benoît Hamon, que está em quinto lugar nas pesquisas.

Em entrevista na manhã de hoje à televisão BFMTV, Valls declarou estar na hora de "tomar uma posição responsável" e não de simples "alinhamento". "Não quero, na noite do primeiro turno, ficar diante de uma escolha entre François Fillon e Marine Le Pen. Não podemos correr esse risco."

Macron foi ministro do governo Valls, mas é considerado liberal demais pela velha guarda socialista. Ele lidera as pesquisas sobre o primeiro turno com 26,5% votos, um pouco acima da candidata neofascista Marine Le Pen, da Frente Nacional, com 25%.

O ex-primeiro-ministro conservador François Fillon era o favorito até ser revelado que empregou a mulher e os filhos como funcionários-fantasmas do Senado. Só a mulher, Penelope Fillon, ganhou 800 mil euros. Ambos estão sendo processados. Seu marido caiu para 17%.

Enquanto Macron agradeceu, Hamon acusou Valls de "não manter a palavra empenhada" e "não respeitar o veredito das urnas". O deputado Patrick Mennucci disse ter "vergonha" de Valls.

"O que vale daqui para a frente um acordo assinado por um homem como Manuel Valls?", perguntou o ex-ministro da Economia Arnaud Montebourg, também derrotado na primária socialista. "Nada. É o que vale um homem sem honra."

Valls negou que esteja traindo o PS ao não apoiar o vencedor da prévia: "O interesse superior da França está acima das regras de um partido, de uma primária, de uma comissão." Outros líderes socialistas e o presidente François Holland apoiam Macron discretamente.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Valls é o favorito da eleição primária da esquerda na França

O ex-primeiro-ministro Manuel Valls desponta como favorito para a eleição primária para escolher o candidato da centro-esquerda à Presidência da França em 2017, seguido pelo ex-ministro da Economia Arnaud Montebourg.

Em pesquisa do instituto Harris Interactive para a televisão francesa, Valls teve 45% das preferências e Montebourg, 28%. Depois, vieram Benoît Hamon (11%), Gérard Filoche (6%), Marie-Noëlle Lieneman (5%), Pierre Larrouturou (3%), Jean-Luc Bennahmias (1%) e François de Rugy (1%).

A eleição primária do Partido Socialista será realizada em dois turnos, em 22 e 29 de janeiro. Até lá, mais candidatos podem se inscrever.

Antes da desistência do presidente François Hollande de concorrer à reeleição, o presidente da Assembleia Nacional da França, o deputado socialista Claude Bortolone, pediu a Hollande, Valls, ao ex-ministro da Economia Emmanuel Macron e o líder da Frente de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon, participem da primária socialista para que a esquerda tenha um candidato forte no próximo ano.

No momento, por causa da baixíssima popularidade do presidente, que caiu a 4%, as pesquisas indicam que a esquerda não passa do primeiro turno, marcado para 23 de abril. O segundo turno, em 7 de maio, seria disputado pelo candidato de centro-direita, François Fillon, do partido Os Republicanos, e a líder da neofascista Frente Nacional.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Bernard Cazeneuve é o novo primeiro-ministro da França

Numa reforma ministerial minimalista, o presidente François Hollande nomeou hoje Bernard Cazaneuve para primeiro-ministro da França, em substituição a Manuel Valls, que deixou ontem a chefia do governo para se candidatar à Presidência da República.

Ex-ministro do Interior durante um período de estado de emergência por causa dos atentados terroristas, Cazeneuve foi descrito pelo jornal francês Le Monde como o "homem das missões difíceis.

O novo ministro do Interior Bruno Le Roux. André Vallini será ministro das Relações com o Parlamento e Jean-Marie Le Guen, ministro do Desenvolvimento e da Francofonia.

Ao escolher Cazeneuve, ex-prefeito de Cherbourg, Hollande optou pela estabilidade. É um dos assessores que o acompanham desde o início do governo, em 2012. De acordo com aliados do presidente, ele preenche do requisitos necessários para a chefia do governo: "eficiência, coesão e confiança".

O presidente desistiu na semana passada de tentar a reeleição, abrindo caminho para uma eleição primária disputada do Partido Socialista em 22 e 29 de janeiro.

Com a impopularidade de Hollande, que chegou a apenas 4% de aprovação, no momento as pesquisas indicam que o PS deve ser eliminado no primeiro turno da eleição presidencial de 2017, em 23 de abril. O segundo turno, em 7 de maio, seria disputado pelo ex-primeiro-ministro conservador François Fillon, do partido Os Republicanos, de centro-direita, e pela líder da neofascista Frente Nacional, de extrema direita, Marine Le Pen.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Valls deixa governo para ser candidato na França

O primeiro-ministro Manuel Valls anunciou hoje que vai entregar o cargo de chefe do governo amanhã ao presidente François Hollande para se dedicar exclusivamente à sua candidatura à Presidência da França em 2017. É uma esperança de uma candidatura forte de esquerda capaz de chegar ao segundo turno.

Em pronunciamento de 20 minutos, Valls se apresentou como um candidato pronto para enfrentar o autoritarismo da direita e da extrema direita no país e no mundo: "Quero uma França independente, inflexível em seus valores diante da China de Xi Jinping, da Rússia de Vladimir Putin, dos Estados Unidos de Donald Trump e da Turquia de Recep Erdogan."

Dentro do Partido Socialista, Valls é considerado um centrista com tendências econômicas liberais. Ele apelou cinco vezes para o artigo 49, inciso 3, da Constituição da França, uma medida de exceção para aprovar projetos de interesse do governo sem a necessidade de voto na Assembleia Nacional, inclusive a reforma trabalhista repudiada pelas grandes centrais sindicais.

Valls deverá disputar a eleição primária do PS, em 22 e 29 de janeiro, com vários candidatos mais à esquerda, entre eles o ex-ministro da Economia Arnaud Montebourg.

No momento, com a impopularidade do presidente François Hollande, que desistiu da reeleição, as pesquisas indicam sério risco de que o PS seja eliminado no primeiro turno, em 23 de abril de 2017. O ex-primeiro-ministro conservador François Fillon, do partido Os Republicanos, enfrentaria e venceria Marine Le Pen, da neofascista Frente Nacional, no segundo turno, em 7 de maio.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Hollande desiste da reeleição à Presidência da França

Em uma decisão inesperada, o presidente François Hollande anunciou hoje que não será candidato à reeleição à Presidência da França na eleição de 23 de abril e 7 de maior de 2017. O primeiro-ministro Manuel Valls passa a ser o favorito para ser o candidato do Partido Socialista.

Com a queda da popularidade do presidente abaixo de 10%, até um mínimo de 4%, a esquerda francesa se inquieta com as pesquisas que apontam um segundo turno entre a ultradireita e a centro-direita no próximo ano.

Seria uma repetição do primeiro turno da eleição presidencial de 2002. Em 21 de abril daquele ano, o líder da neofascista Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen, bateu o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, que adotara medidas econômicas impopulares para enquadrar a França na união monetária que criou o euro, por menos de 200 mil votos (16,86% a 16,18%).

A ultraesquerda negou apoio a Jospin e teve 11%, abrindo caminho Le Pen, que perderia no segundo turno para o presidente Jacques Chirac, que teve 82% dos votos.

Se esse quadro se repetir em 2017, com derrota da esquerda no primeiro turno e união de todas as forçcas democráticas contra o neofascismo no segundo turno, o ex-primeiro-ministro François Fillon, do partido Os Republicanos, herdeiro de Chirac, será o próximo presidente da França.

Para ter uma chance, o PS propôs a realização de uma eleição primária da esquerda. De início, seria apenas uma manobra para legitimar a candidatura de Hollande, quando o presidente seria candidato natural à reeleição.

No fim de semana, o presidente da Assembleia Nacional, o deputado socialista Claude Bortolone, defendeu a ampliação da primária da esquerda e convidou Hollande, Valls, o ex-ministro liberal Emmanuel Macron e Jean-Luc Mélenchon, líder da Frente de Esquerda, que reúne grupos à esquerda do PS.

A primária está marcada para 22 e 29 de janeiro. É a última esperança da centro-esquerda de ter um candidato forte e competitivo em 2017 na França. O ex-ministro da Economia Arnaud Montebourg manifestou a intenção de participar. Macron, por enquanto, mantém sua candidatura independente pelo movimento Em Marcha.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Fillon venceria primeiro turno hoje na França, indica pesquisa

O ex-primeiro-ministro conservador François Fillon, candidato do partido de centro-direita Os Republicanos venceria hoje o primeiro turno da eleição presidencial na França, batendo a líder da Frente Nacional, de ultradireita, Marine Le Pen, indicou uma pesquisa do instituto Harris Interactive divulgada ontem.

A vantagem é pequena, dentro da margem de erro da pesquisa. Fillon teve 26% das preferências contra 24% para Marine. Ambos ficaram muito à frente do candidato do Partido Socialista. Tanto o presidente François Hollande quanto o primeiro-ministro Manuel Valls ficaram com 9%.

Fillon foi escolhido ontem. Ele venceu o ex-primeiro-ministro Alain Juppé por ampla vantagem, de 66,5% a 33,5%, na eleição primária da centro-direita, que pela primeira vez foi aberta a todos os franceses e não apenas aos filiados ao partido gaulista, herdeiro da tradição política do general Charles de Gaulle, o governador da França no exílio durante a Segunda Guerra Mundial.

Com De Gaulle (1958-69), Georges Pompidou (1969-74), Jacques Chirac (1995-2007) e Nicolas Sarkozy (2007-12), é o partido que ficou mais tempo no poder na 5ª República.

O PS convocou uma eleição primária para legitimar a candidatura do presidente Hollande. Com sua popularidade abaixo de 10%, o presidente da Assembleia Nacional, Claude Bortolone, defendeu a ampliação da primária, com a participação do primeiro-ministro Valls, do ex-ministro da Economia Emmanuel Macron e até mesmo do líder da Frente de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon, que no fim de semana recebeu o apoio do Partido Comunista Francês (PCF).

A primária da esquerda será realizada em 22 e 29 de janeiro. A esperança é que produza uma candidatura competitiva para a esquerda não ficar fora do segundo turno da eleição presidencial, marcada para 23 de abril e 7 de maio de 2017.

No fim de semana, Valls manifestou a intenção de ser candidato e criticou Hollande. Como não foi demitido hoje, o presidente começa a aceitar a possibilidade de não ser candidato à reeleição.

domingo, 27 de novembro de 2016

Líder do PS quer Hollande, Valls e Macron na primária da esquerda

O presidente da Assembleia Nacional da França, o deputado socialista Claude Bartolone, defendeu no fim de semana a participação do presidente François Holande, do primeiro-ministro Manuel Valls, do ex-ministro da Economia Emmanuel Macron e do líder da Frente de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon, na eleição primária da esquerda, marcada para 22 e 29 de janeiro. O objetivo é ter uma candidatura forte, capaz de chegar ao segundo turno.

Com a impopularidade de Hollande pouco acima de 10%, as pesquisas indicam que o Partido Socialista pode perder a eleição presidencial de 2017 no primeiro turno, marcado para 23 de abril. Marine Le Pen, da neofascista Frente Nacional, disputaria o Palácio Eliseu com o ex-primeiro-ministro François Fillon, consagrado ontem como o candidato de centro-direita.

Em condições normais, não haveria uma eleição primária do PS. O presidente seria candidato natural à reeleição, mas a expectativa de uma derrota esmagadora assusta o partido. Com um debate entre presidente e primeiro-ministro, argumentou Bortolone, haveria um "eletrochoque" numa esquerda que parece aceitar a derrota como inevitável.

"Eu não sei em que votar, mas sei uma coisa: não será uma pequena primária que pode nos salvar", declarou no sábado o presidente da Assembleia Nacional. "Gostaria que Macron participasse da primária, que Valls participasse da primária, que Hollande participasse da primária, que Mélenchon venha exprimir suas diferenças no seio da primária."

Hollande prometeu anunciar sua decisão até 15 de dezembro. Ele apostava numa queda do desemprego para turbinar sua candidatura. O anúncio do primeiro-ministro Valls de que vai participar da primária da esquerda é de certa forma uma traição ao chefe, mas dá um alívio ao partido, que pode assim ter um candidato mais competitivo.

Dificilmente Mélenchon vai se aproximar de um PS que usou um mecanismo excepcional para reformar a lei do trabalho sem votação na Assembleia Nacional, reduzindo direitos, algo inaceitável para a ultraesquerda. No fim de semana, 54% do Partido Comunista Francês (PCF) preferiram apoiar Mélenchon e sua Frente de Esquerda em vez de lançar seu próprio candidato ao Palácio do Eliseu.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

França ficou estagnada no segundo trimestre de 2016

A economia da França, a segunda maior da Zona do Euro, ficou estagnada no segundo trimestre deste ano, com crescimento zero, confirmou hoje a segunda estimativa do Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos).

Depois de uma expansão de 0,7% no primeiro trimestre, a expectativa era de uma alta de 0,3% no produto interno bruto francês. Além da estagnação do consumo doméstico, o mau desempenho se explica pela baixa nos investimentos, atribuída à mobilização das centrais sindicais contra a reforma na lei trabalhista.

O investimento avançou apenas 0,2%, depois de registrar alta de 1,3% no primeiro trimestre. O consumo doméstico ficou em zero. E o setor de construção civil recuou 0,5%.

Com crescimento zero no consumo, a produção de bens cresceu apenas 0,1%, em contraste com 1,5% no primeiro trimestre, e o setor de serviços recuou 0,1% depois de uma alta de 0,7% no início do ano.

A estagnação atrapalha os planos de ajuste fiscal do governo socialista, que previu no orçamento uma expansão de 1,5% neste ano. Ontem, o primeiro-ministro Manuel Valls havia reafirmado a previsão oficial de crescimento.

Na sua última análise conjuntural, em junho, o Insee previu crescimento de 0,3% no terceiro trimestre e de 0,4% no quarto. O Banco da França espera um avanço de 0,3% no terceiro trimestre e de 1,4% no ano.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Popularidade de Hollande cai a recorde negativo de 12%

A menos de um ano da eleição presidencial na França, a popularidade do presidente socialista François Hollande caiu a novo recorde negativo. Só 12% confiam no chefe de Estado, indica uma pesquisa do instituto TNS para o jornal Le Figaro.

Hollande insiste em dizer que o país está melhor, com crescimento maior e uma pequena queda no desemprego, deu aumentos a professores e outros funcionários públicos, deixou o ônus da rejeição dos sindicatos à reforma trabalhista com o primeiro-ministro Manuel Valls e se apresenta como o torcedor número da seleção de futebol da França, uma das favoritas da Eurocopa.

O presidente promete anunciar no fim do ano se vai concorrer à reeleição. O Partido Socialista propôs a realização de uma eleição primária com o aval do Palácio do Eliseu. É uma tentativa de legitimar a reeleição.

A ameaça do terrorismo, a estagnação da economia, o desemprego elevado e a onda de greves e manifestações em rejeição à reforma das leis do trabalho contribuem para o que o Figaro chama de "o calvário de Hollande".

No momento, as pesquisas indicam que o PS pode ficar fora do segundo turno da eleição presidencial, como aconteceu em 2002, quando o neofascista Jean-Marie Le Pen, da Frente Nacional, superou o então primeiro-ministro socialista Lionel Jospin e foi derrotado pelo então presidente Jacques Chirac.

Agora, Marine Le Pen, filha de Jean-Marie, aparece como favorita nas pesquisas, disputando a ponta com os favoritos do partido Os Republicanos, o ex-presidente Nicolas Sarkozy e o ex-primeiro-ministro Alain Juppé, que devem disputar a eleição primária da centro-direita.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Hollande tem só 14% em pesquisa sobre eleição de 2017 na França

O presidente François Hollande larga mal na luta pela reeleição na França. Em sondagem feita pelo Centro de Pesquisas Políticas da Sciences Po, a faculdade de ciências políticas e sociais de Paris, Hollande tem a preferência de apenas 14% do eleitorado contra 41% para o ex-primeiro-ministro conservador Alain Juppé e 28% para a candidata da extrema direita, Marine Le Pen.

Com estes números, Hollande seria eliminado no primeiro turno da eleição presidencial, em 23 de abril de 2017. Não chegaria ao segundo turno, em 7 de maio, a exemplo do que aconteceu em 21 de abril de 2002, quando o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin teve 16,11% dos votos e perdeu a vaga no segundo turno para o neofascista Jean-Marie Le Pen, pai de Marine, que conquistou 16,86% dos votos. O presidente Jacques Chirac foi reeleito no segundo turno.

Só 4% dos franceses estão "muito satisfeitos" com o atual presidente. Apesar de uma aceleração do crescimento para 0,6% no primeiro trimestre do ano e de uma pequena queda no desemprego por dois meses consecutivos, 53% dos franceses não estão "nada satisfeitos" com Hollande.

O fantasma de um novo 21 de abril assombra o Partido Socialista. A pesquisa eleitoral reflete a impopularidade de Hollande. Sua aprovação caiu a 13%, a pior de um presidente francês até hoje.

Se o candidato do partido de centro-direita Os Republicanos for o ex-presidente Nicolas Sarkozy, teria 27%. Poderia ficar atrás de Marine Le Pen, que aparece com 28% sejam quem forem os adversários.

Os atentados terroristas de janeiro e novembro de 2015 em Paris criaram um sentimento de união nacional em torno do presidente. Mas a atual onda de greves contra a reforma trabalhista, que atinge sobretudo os setores de transportes e energia, desgasta ainda mais o PS.

Sob pressão da globalização e do desemprego elevado, a nova lei trabalhista facilita as demissões. Na prática, poucos franceses conseguem hoje um contrato de prazo indeterminado (CDI). As empresas só querem fazer contratos de prazo determinado (CDD) por causa das dificuldades para demitir.

É um sistema que dá muitas garantias a quem está empregado, mas dificulta o acesso ao mercado de trabalho, especialmente dos jovens. Com desemprego acima de 10%, muito acima da Alemanha e do Reino Unido, o governo socialista do primeiro-ministro Manuel Valls decidiu flexibilizar a lei trabalhista.

A maior central sindical, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), e a trotskista Luta Operária (LO) lideram os protestos que paralisaram refinarias, usinas nucleares, ferrovias e aeroportos. A greve ameaça a Euro 2016, a copa europeia de seleções, marcada para começar em 10 de junho.

Hollande prometeu não ceder. Valls admite negociar, mas não os pontos centrais da reforma. A CGT e a LO exigem a retirada do projeto de lei, aprovado por uma manobra constitucional do primeiro-ministro Valls, sem votação na Assembleia Nacional.

Além disso, o governo dos Estados Unidos fez um alerta a cidadãos americanos sobre o risco de atentados terroristas na Europa, especialmente na França durante a Euro 2016.

terça-feira, 17 de maio de 2016

França cresceu 1,3% em 2015

A economia da França, a terceira maior da Europa e sexta do mundo, avançou 1,3% em 2015. O resultado de 2014 foi revisado para cima de 0,4% para 0,6% e o de 2013 para baixo, de 0,7% para 0,6%, anunciou hoje o Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos).

O aumento do consumo das famílias cresceu de 0,7% em 2014 para 1,5% no ano passado, enquanto o investimento passou de uma contração de 0,3% para alta de 1%.

Em 2015, o déficit público foi de 3,6%, um pouco acima da estimativa anterior de 3,5% anunciada em 25 de março de 2016. A dívida pública ficou em 96,1% do produto interno bruto, um pouco acima dos 95,7% do cálculo anterior. Os gastos públicos consumiram 57% do PIB.

A retomada do crescimento e a queda no desemprego são fundamentais para a candidatura à reeleição em 2017 do presidente socialista François Hollande, no momento o mais impopular da história da França, com apoio de apenas 13% do eleitorado.

Dezenas de milhares de pessoas voltaram a sair hoje às ruas das principais cidades francesas para protestar contra a reforma trabalhista aprovada numa manobra do primeiro-ministro Manuel Valls sem votação na Assembleia Nacional. Novas manifestações serão realizadas amanhã.

Também hoje o presidente Hollande anunciou a intenção de cortar impostos. Mais detalhes devem ser revelados em julho, informou o jornal econômico Les Echos.

Por outro lado, o ex-presidente Nicolas Sarkozy, líder do partido de centro-direita Os Republicanos, declarou que o referendo sobre a permanência ou não do Reino Unido na União Europeia cria uma oportunidade para rediscutir o projeto de integração do continente. Ele propõe a criação de um conselho de ministros do interior e com um presidente estável e mais autoridade para controlar as fronteiras externas do bloco

terça-feira, 19 de abril de 2016

Socialistas franceses querem renda mínima de 400 euros por mês

O primeiro-ministro socialista Manuel Valls recebeu ontem um relatório propondo que o governo da França garanta uma renda mínima mensal de 400 euros (R$ 1.612,53) para todos os cidadãos entre 18 e 65 anos. Os idosos teriam direito a mais 400 euros mensais.

A reforma custaria 6,6 bilhões de euros por ano. O relatório Repensar as mínimas sociais sugere a unificação de dez benefícios sociais distintos para pessoas de baixa renda. A idade mínima para receber a ajuda estatal seria baixada de 25 para 18 anos, de modo a combater o desemprego e a pobreza entre os jovens.

Para Os Republicanos, o principal partido de oposição, a medida, a ser implantada a partir de 1º de janeiro de 2017, seria um desincentivo aos jovens, que poderiam se acomodar no desemprego. Na opinião do deputado Christophe Sirugue, autor da proposta, a revisão seria o "começo de uma luta eficaz contra a probreza entre os jovens.

A taxa de pobreza entre os jovens de 18 a 29 anos era de 18,6% em 2013, último dado disponível, em contraste com 12,3% para a população francesa como um todo.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Ministra da Justiça da França pede demissão

Em protesto contra a decisão do governo de cassar a nacionalidade de franceses com dupla cidadania condenados por terrorismo, a ministra da Justiça da França, Christiane Taubira, pediu demissão hoje. Ela será substituída pelo deputado Jean-Jacques Urvoas, que presidia a Comissão de Justiça da Assembleia Nacional, noticiou o jornal Le Monde.

"Escolhi ser fiel a mim mesma, a meus engajamentos, a meus combates e a minhas relações com os outros", declarou Taubira, alegando ter um "desacordo político maior" em relação ao projeto defendido pelo primeiro-ministro Manuel Valls.

Ao fazer um balanço de sua atuação como ministra, ele citou avanços como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, as reformas penal e da justiça, e o aumento do orçamento do Ministério da Justiça. "Às vezes, resistir é ficar; às vezes, resistir é partir. Por fidelidade a si e a nós. Pela última palavra à ética e ao direito", escreveu Taubira no Twitter.

Sua saída fortalece a posição do primeiro-ministro Valls, considerado liberal demais pela ala mais à esquerda do Partido Socialista, à qual pertence Taubira. É mais um sinal da marcha do governo socialista para o centro em busca dos votos dos independentes e de barrar o avanço da neofascista Frente Nacional.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

França tem 10,5 mil islamitas radicais

A França tem 20 mil pessoas consideradas suspeitas pelos serviços secretos, entre as quais 10,5 mil muçulmanos, admitiu hoje o primeiro-ministro socialista, Manuel Valls, em entrevista a um telejornal do Canal+ da televisão francesa.

"Todos os outros podem estar ligados a movimentos considerados terroristas: o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), a liga dos movimentos tamis, o braço armado do Hesbolá e militantes violentos ligados à extrema esquerda ou à extrema direita", revelou o primeiro-ministro francês.

Cada suspeito exige pelo menos dez agentes para controlá-lo, o que está muito além da capacidade dos serviços de segurança. Vários terroristas responsáveis pelos atentados e tentativas de atentados na França estiveram sob vigilância e saíram da lista dos mais perigosos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Assembleia Nacional da França prorroga estado de emergência

Por 551 a 6 votos, pedido do presidente François Hollande, a Assembleia Nacional da França decidiu hoje prorrogar por três meses o estado de emergência decretado depois da onda de terror em Paris. A medida permite à polícia revistar residências e prender suspeitos sem autorização judicial, dissolver grupos radicais, bloquear sítios de Internet e redes sociais.

Como o jornal americano The Washington Post, citado por este blog, antecipou ontem, o suposto mandante dos atentados na capital francesa, Abdelhamid Abaaoud, foi morto no ataque da polícia e do Exército da França contra um apartamento alugado por terroristas na cidade de Saint-Denis, na Grande Paris. O anúncio oficial foi feito hoje à Assembleia pelo primeiro-ministro Manuel Valls.

Além da onda de terror em Paris, Abaaoud seria responsável por quatro de seis atentados frustrados nos últimos meses, declarou o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve. Em seu discurso, o primeiro-ministro Valls advertiu para o risco de ataques químicos ou biológicos.

Neste momento, a polícia francesa realiza uma operação em Aulnay-sous-Bois, no apartamento da mãe da jovem terrorista suicida que se autodetonou ontem em Saint-Denis depois de tentar atrair policiais para uma cilada alegando ter sido sequestrada.

"Todo o bairro está cercado pela polícia. Eles não deixam entrar nem sair ninguém. A Rua Edgar Degas está totalmente fechada", contou à Agência France Presse (AFP) um morador da cidade de 3 mil habitantes.

A Festa das Luzes, que seria realizada no início de dezembro na cidade francesa de Lyon, foi cancelada. Será transformada numa série de homenagens às vítimas do terrorismo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Governo da França sobrevive a moção de desconfiança

O governo do primeiro-ministro socialista Manuel Valls sobreviveu hoje a um voto de desconfiança da Assembleia Nacional da França por ter aprovado uma reforma trabalhista por decreto..

A moção precisava de 289 votos. Teve 234. Foi proposta porque o governo aprovou por decreto a chamada Lei Macron, que autoriza a abertura do comércio aos domingos em certas áreas e traz benefícios a empresa na expectativa de reduzir o desemprego.

Com a derrota da moção de desconfiança, a Lei do Crescimento, da Atividade e da Igualdade de Oportunidades está aprovada em primeira votação. É mais conhecida como Lei Macron, por ter sido apresentada pelo atual ministro da Economia, Emmanuel Macron, considerado liberal demais pela esquerda do Partido Socialista.

O projeto semeou a discórdia no PS entre centristas como o presidente François Hollande e o primeiro-ministro Valls e a esquerda. É uma amostra de como é difícil reformar o pesado Estado francês, especialmente as relações trabalhistas.

Durante o debate na Assembleia Nacional, Macron acusou a ala mais esquerdista de ser a favor da situação atual, em que o índice de desemprego está em 10% e, entre os jovens, em 25%. O projeto segue agora para o Senado.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Reação ao terrorismo aumenta popularidade do governo da França

A reação aos atentados terroristas de 7 a 9 de janeiro de 2015 melhorou a popularidade do governo socialista da França, abalado pela estagnação econômica. A aprovação ao presidente François Hollande subiu dez pontos para 31%, enquanto o primeiro-ministro Manuel Valls ganhou oito pontos e chegou a 53%, indica pesquisa do instituto Odoxa divulgada hoje.

Pela análise do instituto, a popularidade de Hollande parou de subir. Seu avanço teria sido resultado da grande Marcha Republicana que reuniu mais de 1,5 milhão de pessoas em Paris em 11 de janeiro. Passado o efeito, não cresceu mais.

Em 7 de janeiro, os irmãos Saïd e Chérif Kouachi metralharam a redação do jornal satírico Charlie Hebdo, matando 11 pessoas e um policial que tentou interceptar sua fuga, em vingança pela publicação de caricaturas do profeta Maomé. No dia seguinte, outro extremista muçulmano, Amédy Coulibaly, matou uma policial na periferia de Paris.

Em 9 de janeiro, enquanto os irmãos Kouachi eram encurrados numa gráfica ao norte da capital, Coulibaly ocupou um supermercado de comida judaica em Paris, e matou quatro judeus antes de ser morto pela polícia.

Num primeiro momento, havia expectativa de um fortalecimento da extrema direita, que não pode ser descartado. Mas as propostas da Frente Nacional para combater o terrorismo não agradam muito nem trazem nada de novo: pena de morte, deixar a União Europeia e restringir a imigração.

Os partidos tradicionais podem ganhar com respostas mais equilibradas.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Primeiro-ministro admite que há apartheid étnico e social na França

Dez anos depois de admitir que havia "guetos" e "segregação" na França, o primeiro-ministro socialista Manuel Valls declarou hoje que há um "apartheid territorial, social e étnico" no país, reporta o jornal Le Monde.

"Os últimos dias sublinharam bem os males que rondam nosso país e os desafios que temos de enfrentar. A eles, temos de acrescentar todas as fraturas, as tensões acumuladas há muito tempo de que só se fala de vez em quando", afirmou o primeiro-ministro em entrevista em Paris, enquanto a França faz um exame de consciência para tentar entender a origem dos ataques terroristas que mataram 17 pessoas duas semanas atrás.

Valls lembrou a revolta da periferia em 2005, quando 10 mil carros foram incendiados numa onda de protestos depois que um jovem inocente morreu eletrocutado ao se esconder numa casa de força para escapar da polícia: "Quem se lembra dos acontecimentos de 2005? E, no entanto, o estigma está presente até hoje."

Na época, o governo francês decretou estado de emergência pela primeira vez desde 1955, durante a guerra da independência da Argélia.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Mais de 700 mil marcham na França em memória das vítimas do terror

Mais de 700 mil pessoas participaram hoje de passeatas de protesto contra o terrorismo em várias cidades da França, informou o Ministério do Interior francês, citado pelo jornal Le Monde. Uma grande marcha republicana convocada para amanhã em Paris deve reunir mais de 1 milhão de pessoas.

Ao lado do presidente François Hollande e do primeiro-ministro francês, Manuel Valls, confirmaram presença os primeiros-ministros do Reino Unido, David Cameron; da Alemanha, Angela Merkel; e da Espanha, Mariano Rajoy.

A presidente Dilma Rousseff orientou o embaixador José Maurício Bustani a representar o Brasil na manifestação em defesa da república, da democracia e da liberdade.

À noite, Le Monde publicou que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, iriam a Paris, mas a imprensa israelense indicou que Netanyahu não iria por questões de segurança.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

França prende sete suspeitos e tem outros incidentes suspeitos

Sete pessoas ligadas aos suspeitos de atacar ontem o jornal humorístico Charlie Hebdo em Paris, matando 12 pessoas, foram presas, anunciou hoje de manhã o primeiro-ministro da França, Manuel Valls, mas não os principais suspeitos, Chérif e Saïd Kouachi, que teriam sido vistos num posto de gasolina no Norte do país.

Uma policial foi morta a tiros num subúrbio da periferia da capital francesa. O caso está sendo tratado como terrorismo. Também houve a explosão de uma bomba perto de um restaurante especializado em kebabs no interior do país.

Os franceses acordaram num pesadelo já comparado aos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Paris, uma cidade-símbolo da cultura e da civilização ocidental está sitiada. E os jornalistas têm consciência de que alguém os espreita pela mira de fuzis Kalashnikov.