De local ignorado, o presidente Recep Tayyip Erdogan fez hoje à noite um apelo à população da Turquia para que saia às ruas e resista ao golpe militar que tenta derrubar seu governo. Os golpistas decretaram lei marcial e afirmaram agir em defesa da democracia.
Pelo menos 17 policiais foram mortos no quartel-general das forças especiais, informa agência oficial de notícias Anatólia. Aviões de caça da Força Aérea da Turquia teriam derrubado um helicóptero que transportava militares golpistas. Soldados teriam disparado contra populares numa das pontes que ligam a Europa à Asia em Istambul.
Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama e o secretário de Estado, John Kerry, divulgaram uma declaração apoiando o governo democraticamente eleito da Turquia.
Erdogan chegou ao poder em 2003 como primeiro-ministro, eleito pelo Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), considerado islamista moderado, depois de uma série golpes de Estado durante a Guerra Fria (1960, 1971 e 1980) e um último em 1997 para garantir o secularismo da República Turca, fundada em 1923 por Mustafá Kemal Ataturk, com dissolução do Império Otomano, derrotado na Primeira Guerra Mundial.
Nos seus primeiros governos, Erdogan levou crédito pelo rápido desenvolvimento econômico e a modernização do país, submetendo pela primeira vez os militares ao poder civil. Com o veto da França à adesão à União Europeia, Erdogan reorientou a Turquia para a Ásia e viu no islamismo uma ideologia para legitimá-lo, acirrando o conflito com os militares secularistas.
Em 2013, uma tentativa de reconstruir um quartel do Império Otomano como museu na principal área verde do centro de Istambul provocou uma reação popular e a ocupação da Praça Taksim e do Parque Guézi. Era evidente o autoritarismo crescente de Erdogan.
Para não deixar o poder depois de três mandatos como primeiro-ministro, ele foi eleito presidente em 2014, com o apoio do eleitorado mais conservador e religioso do interior. Desde então, luta para aumentar os poderes do chefe de Estado.
Nas eleições de 7 de junho de 2015, Erdogan pretendia conquistar uma maioria de dois terços para mudar a Constituição, criando uma presidência executiva e esvaziando os poderes do primeiro-ministro. Mas a entrada de um partido curdo moderado na Assembleia Nacional esvaziou a vitória do AKP, que teve apenas 40% dos votos.
Erdogan acabou com o processo de paz e reiniciou a guerra civil contra os guerrilheiros ligados ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão, que luta pela independência do povo curdo, maioria no Sudeste da Turquia. Ao mesmo tempo, aumentou a censura e a repressão aos dissidentes.
Em julho do ano passado, diante de um atentado que matou 32 pessoas em Suruç, Erdogan declarou guerra à milícia jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante depois de anos de tolerância e convivência com a passagem de armas e voluntários do martírio, e com o contrabando de petróleo do EI pela fronteira com a Síria. A conivência se deve em parte à vontade de derrubar o ditador sírio, Bachar Assad.
Desde o início deste ano, a Turquia foi alvo de 14 atentados terroristas.
Ao entrar diretamente na guerra civil da Síria, Erdogan bombardeou mais os curdos, que lutam na linha de frente contra o Estado Islâmico com o apoio dos EUA, do que os jihadistas. Em 24 de novembro de 2015, a Turquia abateu um avião de caça da Rússia, gerando um conflito com Moscou.
Nas últimas semanas, a Turquia anunciou a normalização das relações diplomáticas com a Rússia e Israel. A ruptura com Israel foi causada pelo ataque israelense a uma flotilha que tentava furar o bloqueio naval à Faixa de Gaza em 31 de maio de 2010, quando dez turcos foram mortos.
Sob ameaça de isolamento, Erdogan decidiu acabar com esses conflitos, mas foi mais um sinal de fraqueza. O golpe revela a profunda divisão do país e das Forças Armadas.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador Islamitas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Islamitas. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 15 de julho de 2016
terça-feira, 24 de novembro de 2015
França tem 10,5 mil islamitas radicais
A França tem 20 mil pessoas consideradas suspeitas pelos serviços secretos, entre as quais 10,5 mil muçulmanos, admitiu hoje o primeiro-ministro socialista, Manuel Valls, em entrevista a um telejornal do Canal+ da televisão francesa.
"Todos os outros podem estar ligados a movimentos considerados terroristas: o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), a liga dos movimentos tamis, o braço armado do Hesbolá e militantes violentos ligados à extrema esquerda ou à extrema direita", revelou o primeiro-ministro francês.
Cada suspeito exige pelo menos dez agentes para controlá-lo, o que está muito além da capacidade dos serviços de segurança. Vários terroristas responsáveis pelos atentados e tentativas de atentados na França estiveram sob vigilância e saíram da lista dos mais perigosos.
"Todos os outros podem estar ligados a movimentos considerados terroristas: o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), a liga dos movimentos tamis, o braço armado do Hesbolá e militantes violentos ligados à extrema esquerda ou à extrema direita", revelou o primeiro-ministro francês.
Cada suspeito exige pelo menos dez agentes para controlá-lo, o que está muito além da capacidade dos serviços de segurança. Vários terroristas responsáveis pelos atentados e tentativas de atentados na França estiveram sob vigilância e saíram da lista dos mais perigosos.
Marcadores:
Extrema Direita,
extrema esquerda,
extremistas muçulmanos,
França,
Hesbolá,
Islamitas,
Manuel Valls,
PKK,
suspeitos,
Terrorismo
sábado, 8 de agosto de 2015
Forças do Mali atacam hotel onde jihadistas mantinham reféns
As forças de segurança do Mali atacaram hoje o Hotel Byblos, na cidade de Sévaré, no centro do país, onde rebeldes islamitas mantinham reféns desde ontem, noticiou a televisão pública britânica BBC. Pelo menos cinco soldados, três milicianos, três civis e um funcionário das Nações Unidas foram mortos.
Quatro funcionários da ONU, dois sul-africanos, um russo e um ucraniano, foram resgatados, informou o porta-voz da missão de paz no Mali.
Antes de tomar o hotel, os rebeldes mataram outras 13 pessoas nas ruas e numa importante base aérea. Podem ser ligados ao grupo de Amadou Koufa, que matou 10 soldados num ataque em Nampala em janeiro de 2015.
Um dos países mais pobres do mundo, o Mali enfrenta uma rebelião dos tuaregues, conhecidos como os nômades do Deserto do Saara, que querem criar um país independente chamado Azawade. Com o apoio de milícias extremistas muçulmanas como Al Caeda no Magrebe Islâmico, dominaram as principais cidades do Norte do Mali em 2012.
Em janeiro de 2013, quando os rebeldes e aliados jihadistas ameaçavam marchar até a capital, Bamako, a França interveio militarmente no Norte do Mali, mas o Exército Nacional nunca conseguiu reimpor sua autoridade na região.
Quatro funcionários da ONU, dois sul-africanos, um russo e um ucraniano, foram resgatados, informou o porta-voz da missão de paz no Mali.
Antes de tomar o hotel, os rebeldes mataram outras 13 pessoas nas ruas e numa importante base aérea. Podem ser ligados ao grupo de Amadou Koufa, que matou 10 soldados num ataque em Nampala em janeiro de 2015.
Um dos países mais pobres do mundo, o Mali enfrenta uma rebelião dos tuaregues, conhecidos como os nômades do Deserto do Saara, que querem criar um país independente chamado Azawade. Com o apoio de milícias extremistas muçulmanas como Al Caeda no Magrebe Islâmico, dominaram as principais cidades do Norte do Mali em 2012.
Em janeiro de 2013, quando os rebeldes e aliados jihadistas ameaçavam marchar até a capital, Bamako, a França interveio militarmente no Norte do Mali, mas o Exército Nacional nunca conseguiu reimpor sua autoridade na região.
quarta-feira, 6 de maio de 2015
Anistia Internacional denuncia "atrocidades impensáveis" em Alepo
Ao bombardear sistematicamente a população civil com bombas de barril e destruir a infraestrutura de Alepo, que era a cidade mais rica da Síria, a ditadura de Bachar Assad está cometendo crimes de guerra e contra a humanidade, denunciou ontem a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional.
A acusação foi feita dois dias depois do bombardeio de uma escola e um centro comunitário num bairro da cidade em poder dos rebeldes, informa o jornal inglês The Guardian.
Com base em mais de 100 entrevistas, inclusive com sobreviventes, e análise de imagens e vídeos, o relatório de 74 páginas Morte por todos os lados: crimes de guerra e abusos de direitos humanos em Alepo documenta o que descreve como "atrocidades impensáveis", como bombardeios aéreos indiscriminados, detenções arbitrárias e torturas de responsabilidade do governo sírio.
Os rebeldes islamitas que disputam o controle de Alepo também são acusados de crimes de guerra ao usar peças de artilharia e bombas improvisadas e imprecisas colocando em risco a população civil, prender arbitrariamente, torturar e matar.
A acusação foi feita dois dias depois do bombardeio de uma escola e um centro comunitário num bairro da cidade em poder dos rebeldes, informa o jornal inglês The Guardian.
Com base em mais de 100 entrevistas, inclusive com sobreviventes, e análise de imagens e vídeos, o relatório de 74 páginas Morte por todos os lados: crimes de guerra e abusos de direitos humanos em Alepo documenta o que descreve como "atrocidades impensáveis", como bombardeios aéreos indiscriminados, detenções arbitrárias e torturas de responsabilidade do governo sírio.
Os rebeldes islamitas que disputam o controle de Alepo também são acusados de crimes de guerra ao usar peças de artilharia e bombas improvisadas e imprecisas colocando em risco a população civil, prender arbitrariamente, torturar e matar.
Marcadores:
atrocidades,
Bachar Assad,
bombardeios,
bombas de barril,
Crimes contra a Humanidade,
Crimes de Guerra,
Direitos Humanos,
Ditadura,
Guerra Civil,
Islamitas,
Rebeldes,
Síria
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Síria acusa Turquia de ajudar rebeldes a tomar Idlibe
A Turquia deu apoio logístico e militar à tomada da cidade de Idlibe pelos rebeldes islamitas na guerra civil da Síria, declarou o ditador sírio, Bachar Assad, em entrevista ao jornal sueco Expressen, informou hoje a agência Reuters. O Ministério do Exterior turco desmentiu a notícia.
Em 5 de março de 2015, vários grupos extremistas muçulmanos, inclusive a Frente al-Nusra, braço da rede terrorista Al Caeda na guerra civil síria, conquistaram a cidade de Idlibe. Desde então, os rebeldes controlam parte da rodovia M5, que leva para Alepo, a capital econômica do país.
Quando os Estados Unidos entraram na guerra, em agosto de 2014, para atacar a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, negou-se a participar da aliança liderada por Washington alegando que o problema era a ditadura de Assad.
Sem um compromisso claro do governo Obama com a queda de Bachar Assad, a Turquia não entraria na guerra.
Pelo jeito, está perseguindo seus objetivos de outras formas.
Em 5 de março de 2015, vários grupos extremistas muçulmanos, inclusive a Frente al-Nusra, braço da rede terrorista Al Caeda na guerra civil síria, conquistaram a cidade de Idlibe. Desde então, os rebeldes controlam parte da rodovia M5, que leva para Alepo, a capital econômica do país.
Quando os Estados Unidos entraram na guerra, em agosto de 2014, para atacar a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, negou-se a participar da aliança liderada por Washington alegando que o problema era a ditadura de Assad.
Sem um compromisso claro do governo Obama com a queda de Bachar Assad, a Turquia não entraria na guerra.
Pelo jeito, está perseguindo seus objetivos de outras formas.
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Tunísia faz primeiras eleições parlamentares desde a Primavera Árabe
Cerca de 60% dos 5,2 milhões de eleitores da Tunísia participaram ontem das primeiras eleições parlamentares desde a queda do ditador Zine al-Abidine Ben Ali, em 14 de janeiro de 2011, na primeira e única revolta bem-sucedida da chamada Primavera Árabe. Estão em jogo 217 cadeiras na Assembleia Nacional.
O grande duelo é entre o partido islamita Nahda e a aliança secularista de centro-esquerda Nidaa Tounis. Para abafar as críticas de radicalismo muçulmano, o líder do Nahda, Rachid Ghanouchi, prometeu formar a coalizão mais ampla possível, se vencer as eleições.
O grande duelo é entre o partido islamita Nahda e a aliança secularista de centro-esquerda Nidaa Tounis. Para abafar as críticas de radicalismo muçulmano, o líder do Nahda, Rachid Ghanouchi, prometeu formar a coalizão mais ampla possível, se vencer as eleições.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Governo provisório da Líbia renuncia
O governo interino da Líbia, liderado pelo primeiro-ministro Abdullah al-Thani, pediu demissão coletivamente ontem, depois que o Congresso Nacional Geral, com sede na capital, Trípoli, nomeou um governo rival dominado por islamitas.
Por causa da violência na capital, o governo provisório estava instalado no Leste da Líbia. Há três, o Congresso Nacional Geral, que desde junho tinha sido oficialmente substituído por um novo parlamento, com sede em Tobruk, apontou Omar al-Hassi para formar um governo de "salvação nacional" islamita.
Na semana passada, as Forças Aéreas do Egito e dos Emiradores Árabes Unidos bombardearam milícia extremistas muçulmanas na Líbia, onde a situação é de virtual anarquia desde a queda do ditador Muamar Kadafi, há três anos.
Por causa da violência na capital, o governo provisório estava instalado no Leste da Líbia. Há três, o Congresso Nacional Geral, que desde junho tinha sido oficialmente substituído por um novo parlamento, com sede em Tobruk, apontou Omar al-Hassi para formar um governo de "salvação nacional" islamita.
Na semana passada, as Forças Aéreas do Egito e dos Emiradores Árabes Unidos bombardearam milícia extremistas muçulmanas na Líbia, onde a situação é de virtual anarquia desde a queda do ditador Muamar Kadafi, há três anos.
Marcadores:
Abdullah al-Thani,
Congresso Nacional Geral,
EAU,
Egito,
Extremismo muçulmano,
governo interino,
Islamitas,
Kadafi,
Líbia,
Milícias,
Omar al-Hassi,
Parlamento
domingo, 10 de agosto de 2014
Erdogan é eleito presidente da Turquia
O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan tornou-se o primeiro presidente da Turquia eleito diretamente. Ele teve cerca de 52% dos votos válidos, indicam projeções dos resultados parciais, informou a TV americana CNN.
No poder desde 2003, Erdogan não poderia se candidatar a um quarto mandato de chefe de governo. Tido como islamita moderado, ele se tornou mais radical nos últimos anos, desagradando a classe média urbana que teme a islamização do país, mas se elege com os votos do eleitorado conservador do interior da Turquia.
Sob seu governo, a Turquia triplicou o produto interno bruto, mas as longas negociações para aderir à União Europeia estagnaram, em parte pela oposição da França, empurrando Erdogan para uma postura mais oriental. Seu sonho é estender a influência da Turquia pelo antigo Turquestão, que inclui as antigas repúblicas de maioria muçulmana da União Soviética.
Em seu projeto de restaurar a glória do Império Otomano, dissolvido no fim da Primeira Guerra Mundial, Erdogan tentou reconstruir um quartel numa das últimas áreas verdes do centro de Istambul, a maior cidade do país, deflagrando uma onda de protestos no ano passado.
Nem isso nem as denúncias de corrupção envolvendo diretamente o presidente eleito e seu filho abalaram a popularidade de Erdogan entre o eleitorado conservador do interior do país. Seu plano agora é reforças os poderes do presidente para mandar autocraticamente na Turquia por mais dez anos.
No poder desde 2003, Erdogan não poderia se candidatar a um quarto mandato de chefe de governo. Tido como islamita moderado, ele se tornou mais radical nos últimos anos, desagradando a classe média urbana que teme a islamização do país, mas se elege com os votos do eleitorado conservador do interior da Turquia.
Sob seu governo, a Turquia triplicou o produto interno bruto, mas as longas negociações para aderir à União Europeia estagnaram, em parte pela oposição da França, empurrando Erdogan para uma postura mais oriental. Seu sonho é estender a influência da Turquia pelo antigo Turquestão, que inclui as antigas repúblicas de maioria muçulmana da União Soviética.
Em seu projeto de restaurar a glória do Império Otomano, dissolvido no fim da Primeira Guerra Mundial, Erdogan tentou reconstruir um quartel numa das últimas áreas verdes do centro de Istambul, a maior cidade do país, deflagrando uma onda de protestos no ano passado.
Nem isso nem as denúncias de corrupção envolvendo diretamente o presidente eleito e seu filho abalaram a popularidade de Erdogan entre o eleitorado conservador do interior do país. Seu plano agora é reforças os poderes do presidente para mandar autocraticamente na Turquia por mais dez anos.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Mursi rejeita ultimato do Exército do Egito
Em discurso na televisão, o presidente Mohamed Mursi rejeitou a ultimato das Forças Armadas do Egito para chegar a um acordo com a oposição até amanhã para acabar com o impasse político. Ele insistiu que seu governo é legítimo e prometeu dar a vida para defendê-lo.
Pelo menos 23 pessoas foram mortas em confrontos entre oposicionistas e ativistas da Irmandade Muçulmana, de Mursi. Seis ministros pediram demissão, inclusive o porta-voz do presidente.
Os militares estariam prestes a dissolver o Parlamento e convocar novas eleições. Seu objetivo maior seria a formação de um governo de união nacional. Como convencer um país tão dividido? Eis a questão.
A Irmandade Muçulmana decidiu lutar pelo espaço político consultado. Apesar do fracasso do governo, concluiu que tem mais a ganhar se resistir do que se ceder.
Pelo menos 23 pessoas foram mortas em confrontos entre oposicionistas e ativistas da Irmandade Muçulmana, de Mursi. Seis ministros pediram demissão, inclusive o porta-voz do presidente.
Os militares estariam prestes a dissolver o Parlamento e convocar novas eleições. Seu objetivo maior seria a formação de um governo de união nacional. Como convencer um país tão dividido? Eis a questão.
A Irmandade Muçulmana decidiu lutar pelo espaço político consultado. Apesar do fracasso do governo, concluiu que tem mais a ganhar se resistir do que se ceder.
domingo, 30 de junho de 2013
Multidão retoma praça e pede queda de Mursi
Um ano depois de sua eleição, o presidente Mohamed Mursi foi hoje o alvo principal de uma gigantesca manifestação na Praça da Libertação, no Centro do Cairo, a maior desde a queda de Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011. A oposição exige sua renúncia sob o argumento de que a revolução no Egito não derrubou uma ditadura militar para aceitar outra da Irmandade Muçulmana.
Pelo menos uma pessoa morreu e outras saíram feridas em confrontos entre governistas e oposicionistas.
O mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 no Egito por Hassan al-Bana, beneficiou-se de sua organização para vencer as eleições da chamada Primavera Árabe. No momento, controla a Presidência e o Parlamento do país com o beneplácito das Forças Armadas.
As manifestações são organizadas por um novo movimento chamado Tamarod (Rebelde, em árabe), que alega ter coletado 15 milhões de assinaturas pedindo a saída de Mursi e a antecipação das eleições presidenciais. O presidente e a Irmandade Muçulmana alegam que sua legitimidade vêm das urnas.
Se não conseguir pacificamente, o Tamarod pretende criar um clima de confrontação e violência política para provocar uma ruptura na aliança tácita entre islamitas e militares e uma nova intervenção das Forças Armadas na política egípcia.
Com o caos e o desgoverno resultantes da revolução que derrubou Mubarak, os turistas fugiram e a economia, um dos motivos da revolta popular em 2011, está numa crise cada vez pior. A Irmandade Muçulmana perde popularidade por não conseguir administrar um país ainda em estado revolucionário, e as multidões frustradas pelo sequestro de sua revolução retomam as ruas na esperança de fazer valer seus ideais.
Pelo menos uma pessoa morreu e outras saíram feridas em confrontos entre governistas e oposicionistas.
O mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 no Egito por Hassan al-Bana, beneficiou-se de sua organização para vencer as eleições da chamada Primavera Árabe. No momento, controla a Presidência e o Parlamento do país com o beneplácito das Forças Armadas.
As manifestações são organizadas por um novo movimento chamado Tamarod (Rebelde, em árabe), que alega ter coletado 15 milhões de assinaturas pedindo a saída de Mursi e a antecipação das eleições presidenciais. O presidente e a Irmandade Muçulmana alegam que sua legitimidade vêm das urnas.
Se não conseguir pacificamente, o Tamarod pretende criar um clima de confrontação e violência política para provocar uma ruptura na aliança tácita entre islamitas e militares e uma nova intervenção das Forças Armadas na política egípcia.
Com o caos e o desgoverno resultantes da revolução que derrubou Mubarak, os turistas fugiram e a economia, um dos motivos da revolta popular em 2011, está numa crise cada vez pior. A Irmandade Muçulmana perde popularidade por não conseguir administrar um país ainda em estado revolucionário, e as multidões frustradas pelo sequestro de sua revolução retomam as ruas na esperança de fazer valer seus ideais.
Marcadores:
Egito,
Forças Armadas,
Irmandade Muçulmana,
Islamitas,
militares,
Mohamed Mursi,
Praça da Libertação,
Primavera Árabe,
Protesto,
Tamarod
sábado, 6 de abril de 2013
Manifestantes enfrentam polícia em protesto no Egito
Várias passeatas convocadas pelo Movimento Jovem 6 de Abril seguiram hoje rumo à sede da Procuradoria-Geral da República do Egito, no Cairo, para protestar contra o governo da Irmandade Muçulmana e exigir que a indicação do procurador-geral deixe de ser uma decisão exclusiva do presidente, informa o jornal egípcio Al Ahram.
Os manifestantes, que festejavam o aniversário do movimento, gritavam "não ao Catar, não à Irmandade", numa rejeição ao apoio do emirado rico em petróleo aos islamitas, e "o povo quer a queda do regime".
A polícia reagiu disparando bombas de gás lacrimogênio de dentro do Tribunal Superior e usou blindados para isolar o prédio. Pelo menos oito pessoas saíram feridas.
Em uma situação completamente diferente, quatro muçulmanos e um cristão morreram numa briga entre cristãos e muçulmanos que começou porque crianças cristãs desenhavam no muro de uma escola islâmica em Khusus, uma cidade próxima do Cairo.
Os manifestantes, que festejavam o aniversário do movimento, gritavam "não ao Catar, não à Irmandade", numa rejeição ao apoio do emirado rico em petróleo aos islamitas, e "o povo quer a queda do regime".
A polícia reagiu disparando bombas de gás lacrimogênio de dentro do Tribunal Superior e usou blindados para isolar o prédio. Pelo menos oito pessoas saíram feridas.
Em uma situação completamente diferente, quatro muçulmanos e um cristão morreram numa briga entre cristãos e muçulmanos que começou porque crianças cristãs desenhavam no muro de uma escola islâmica em Khusus, uma cidade próxima do Cairo.
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Jihadistas contra-atacam no Norte do Máli
Os extremistas muçulmanos que dominavam o Norte do Máli nos últimos nove meses lançaram hoje contra a cidade de Gao o contra-ataque mais forte contra a intervenção militar iniciada há um mês pela França para devolver ao governo malinês o controle de todo o seu território.
Gao, de 85 mil habitantes, é a cidade mais importante da região ocupada inicialmente pelo Movimento Nacional de Libertação de Azawade, que luta pela criação de um país para o povo tuaregue, e seus aliados jihadistas ligados à rede terrorista Al Caeda.
Houve tiroteio perto da chefiatura da polícia, no centro da cidade e em bairros do sul da cidade. Os rebeldes atacaram com rifles AK-47 e foram repelidos por soldados malineses apoiados por helicópteros e militares franceses.
No início da tarde de domingo, os franceses haviam cercado os rebeldes, reporta o jornal The New York Times.
O combate é um sinal de que a rápida vitória francesa pode ser ilusória. Sem condições de enfrentar uma força mais poderosa, os rebeldes recuaram para o Deserto do Saara, onde podem se reagrupar para lançar novos ataques de surpresa no estilo característico da guerra de guerrilha.
A França anunciou a retirada de suas forças em março e abril. Em seu lugar, deve ficar uma força de paz das Nações Unidas formada por soldados africanos de países vizinhos, sob a liderança da Nigéria, a grande potência regional.
Gao, de 85 mil habitantes, é a cidade mais importante da região ocupada inicialmente pelo Movimento Nacional de Libertação de Azawade, que luta pela criação de um país para o povo tuaregue, e seus aliados jihadistas ligados à rede terrorista Al Caeda.
Houve tiroteio perto da chefiatura da polícia, no centro da cidade e em bairros do sul da cidade. Os rebeldes atacaram com rifles AK-47 e foram repelidos por soldados malineses apoiados por helicópteros e militares franceses.
No início da tarde de domingo, os franceses haviam cercado os rebeldes, reporta o jornal The New York Times.
O combate é um sinal de que a rápida vitória francesa pode ser ilusória. Sem condições de enfrentar uma força mais poderosa, os rebeldes recuaram para o Deserto do Saara, onde podem se reagrupar para lançar novos ataques de surpresa no estilo característico da guerra de guerrilha.
A França anunciou a retirada de suas forças em março e abril. Em seu lugar, deve ficar uma força de paz das Nações Unidas formada por soldados africanos de países vizinhos, sob a liderança da Nigéria, a grande potência regional.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Islamitas rejeitam governo de união na Tunísia
Os partidos islamitas que dominam a Assembleia Nacional da Tunísia rejeitaram ontem a proposta do primeiro-ministro Hamadi Jebali para formar um governo de união nacional e assim enfrentar a crise gerada pelo assassinato do líder esquerda Cokri Belaïd, um advogado marxista de 48 anos defensor dos direitos humanos.
Belaïd foi assassinado quando saía de casa em 6 de fevereiro de 2013. Ele era o mais eloquente porta-voz da oposição. Denunciava a ação crescente de milícias islamitas que querem sequestrar a revolução que derrubou, em 14 de janeiro de 2011, o ditador Zine ben Ali, que estava no poder havia 23 anos.
Há meses, a violência aumenta. Pelo menos desde outubro, há denúncias regulares de ameaças e ataques a liberais, esquerdistas, feministas, jornalistas e artistas, que são considerados infiéis ao Islã pelos integristas.
Como no caso da Irmandade Muçulmana no Egito, o partido dominante da Tunísia, o Nahda, não mostra interesse e num diálogo amplo e aberto com a sociedade. Ao não aceitar a proposta de união nacional, sente-se no direito de representar toda a sociedade. Mas a revolta popular está nas ruas e a polícia age com a mesma brutalidade do antigo regime.
Os sindicatos convocaram uma greve geral para hoje. Há riscos de novos conflitos violentos.
Como disse ontem o jornal francês Libération, a esperança é que o país onde nasceu a Primavera Árabe não seja o primeiro a enterrá-la.
Belaïd foi assassinado quando saía de casa em 6 de fevereiro de 2013. Ele era o mais eloquente porta-voz da oposição. Denunciava a ação crescente de milícias islamitas que querem sequestrar a revolução que derrubou, em 14 de janeiro de 2011, o ditador Zine ben Ali, que estava no poder havia 23 anos.
Há meses, a violência aumenta. Pelo menos desde outubro, há denúncias regulares de ameaças e ataques a liberais, esquerdistas, feministas, jornalistas e artistas, que são considerados infiéis ao Islã pelos integristas.
Como no caso da Irmandade Muçulmana no Egito, o partido dominante da Tunísia, o Nahda, não mostra interesse e num diálogo amplo e aberto com a sociedade. Ao não aceitar a proposta de união nacional, sente-se no direito de representar toda a sociedade. Mas a revolta popular está nas ruas e a polícia age com a mesma brutalidade do antigo regime.
Os sindicatos convocaram uma greve geral para hoje. Há riscos de novos conflitos violentos.
Como disse ontem o jornal francês Libération, a esperança é que o país onde nasceu a Primavera Árabe não seja o primeiro a enterrá-la.
sábado, 12 de janeiro de 2013
Piloto francês morre em intervenção militar no Máli
O tenente Damien Boiteux, piloto de helicóptero do 4º Regimento de Forças Especiais da França, é a primeira vítima da intervenção militar francesa no Norte do Máli, dominado há 10 meses por rebeldes muçulmanos da rede terrorista Al Caeda no Magrebe.
É a primeira vez que a França entra em guerra sob a presidência de François Hollande. Os Estados Unidos apoiam a ação militar, planejada durante meses.
A França entrou em combate ontem na região de Konna para impedir que os jihadistas de tomar o aeroporto de Sévaré e a cidade de Mopti, informa o jornal francês Libération, que descreveu a ação como o início de uma longa guerra.
Durante a noite de sexta-feira e a manhã de sábado, caças-bombardeiros franceses F1 e Mirage 2000 saíram de bases no Chade para atacar as milícias fundamentalistas muçulmanas que tomaram o poder no Máli depois de um golpe militar na capital, Bamako.
É a primeira vez que a França entra em guerra sob a presidência de François Hollande. Os Estados Unidos apoiam a ação militar, planejada durante meses.
A França entrou em combate ontem na região de Konna para impedir que os jihadistas de tomar o aeroporto de Sévaré e a cidade de Mopti, informa o jornal francês Libération, que descreveu a ação como o início de uma longa guerra.
Durante a noite de sexta-feira e a manhã de sábado, caças-bombardeiros franceses F1 e Mirage 2000 saíram de bases no Chade para atacar as milícias fundamentalistas muçulmanas que tomaram o poder no Máli depois de um golpe militar na capital, Bamako.
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Egito aprova nova Constituição repudiada por liberais
A nova Constituição do Egito, formulada pelos partidos islamitas, foi aprovada com 63,8% de votos favoráveis no referendo realizado nos dias 15 e 22 de dezembro, anunciou hoje a Comissão Nacional Eleitoral.
"Esta Constituição será de todos os egípcios", declarou o primeiro-ministro Hicham Kandil, da Irmandade Muçulmana, o mais antigo movimento fundamentalista islâmico do mundo. Nem todos pensam assim
Com a abstenção foi de 67,1%, a oposição liberal deve contestar o resultado, alegando que os direitos das mulheres e das minorias não foram contemplados e que há risco de implantação de uma ditadura teocrática.
"Esta Constituição será de todos os egípcios", declarou o primeiro-ministro Hicham Kandil, da Irmandade Muçulmana, o mais antigo movimento fundamentalista islâmico do mundo. Nem todos pensam assim
Com a abstenção foi de 67,1%, a oposição liberal deve contestar o resultado, alegando que os direitos das mulheres e das minorias não foram contemplados e que há risco de implantação de uma ditadura teocrática.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Oposição egípcia teme violência dos islamitas
Duas grandes manifestações estão sendo realizadas hoje no Egito, uma contra e outra a favor do referendo marcado para sábado para aprovar uma nova Constituição. Enquanto a oposição considera o texto inaceitável por não garantir a liberdade de expressão, os direitos das mulheres e das minorias, a Irmandade Muçulmana luta pela sua aprovação. Os liberais temem a violência dos islamitas.
O presidente Mohamed Mursi revogou parcialmente o decreto que lhe dava poderes ditatoriais, excluindo suas decisões da apreciação do Poder Judiciário, mas manteve o referendo e adotou a lei marcial, mandando o Exercito reprimir os manifestantes antigovernistas.
Hoje é mais um dia decisivo para o Egito. A batalha pela democracia está nas ruas.
O presidente Mohamed Mursi revogou parcialmente o decreto que lhe dava poderes ditatoriais, excluindo suas decisões da apreciação do Poder Judiciário, mas manteve o referendo e adotou a lei marcial, mandando o Exercito reprimir os manifestantes antigovernistas.
Hoje é mais um dia decisivo para o Egito. A batalha pela democracia está nas ruas.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Choque entre liberais e islamitas deixa 5 mortos no Egito
Pelo menos cinco pessoas morreram e mais de 600 foram feridas hoje quando islamitas e liberais se enfrentaram numa violenta batalha de rua perto do palácio presidencial do Egito. Três altos assessores do presidente Mohamed Mursi renunciaram, responsabilizando-o pela violência.
Desde o golpe branco dado por Mursi, da Irmandade Muçulmana, ao se avocar poderes excepcionais, a multidão voltou a tomar a Praça da Libertação, no centro do Cairo, a capital egípcia.
Mursi recuou parcialmente, mas acelerou o processo de redação de uma nova Constituição a ser submetida a um referendo em 15 de dezembro de 2012. Mas os jovens e as massas que fizeram a revolução que derrubou Hosni Mubarak em 11 de fevereiro de 2011 não aceitam um projeto constitucional que não garante a liberdade de expressão, os direitos das mulheres, dos cristãos e dos cidadãos comuns.
Onze jornais não circularam hoje em protesto contra a Constituição. Hoje à noite, quatro estações de televisão vão parar suas transmissões.
O movimento de oposição, coordenado pelo ex-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica Mohamed ElBaradei, promete continuar nas ruas em defesa da revolução. Ele não acredita em democracia com a Irmandade Muçulmana.
ElBaradei acusa o Conselho Supremo das Forças Armadas de ceder às pressões dos islamitas para convocar eleições antes que as outras forças políticas estivessem organizadas. O resultado foi um Parlamento dominado por islamitas, que fez um projeto de Constituição que acaba de deflagrar uma batalha nas ruas.
Como acusou ElBaradei, "Mursi deixou o Egito à beira do abismo".
Desde o golpe branco dado por Mursi, da Irmandade Muçulmana, ao se avocar poderes excepcionais, a multidão voltou a tomar a Praça da Libertação, no centro do Cairo, a capital egípcia.
Mursi recuou parcialmente, mas acelerou o processo de redação de uma nova Constituição a ser submetida a um referendo em 15 de dezembro de 2012. Mas os jovens e as massas que fizeram a revolução que derrubou Hosni Mubarak em 11 de fevereiro de 2011 não aceitam um projeto constitucional que não garante a liberdade de expressão, os direitos das mulheres, dos cristãos e dos cidadãos comuns.
Onze jornais não circularam hoje em protesto contra a Constituição. Hoje à noite, quatro estações de televisão vão parar suas transmissões.
O movimento de oposição, coordenado pelo ex-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica Mohamed ElBaradei, promete continuar nas ruas em defesa da revolução. Ele não acredita em democracia com a Irmandade Muçulmana.
ElBaradei acusa o Conselho Supremo das Forças Armadas de ceder às pressões dos islamitas para convocar eleições antes que as outras forças políticas estivessem organizadas. O resultado foi um Parlamento dominado por islamitas, que fez um projeto de Constituição que acaba de deflagrar uma batalha nas ruas.
Como acusou ElBaradei, "Mursi deixou o Egito à beira do abismo".
Marcadores:
Cairo,
Constituição,
Cristãos,
direitos das mulheres,
Egito,
Irmandade Muçulmana,
Islamitas,
Liberais,
Liberdade de expressão,
Revolução
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Islamitas rejeitam Coalizão Nacional Síria
O que é bom para a França e os Estados Unidos não é bom para os grupos extremistas muçulmanos que lutam contra a ditadura de Bachar Assad na guerra civil da Síria. Eles rejeitam a Coalizão Nacional de Forças Revolucionárias e de Oposição Sírias, apresentada como uma ampla aliança das oposições ao atual regime.
A Turquia e várias monarquias petroleiras do Golfo Pérsico também reconheceram a coalizão, formada para "criar uma alternativa ao atual regime" e ser o embrião de um futuro governo. Para isso, precisava ser aceitável para os EUA, que relutam em armar os rebeldes temendo que suas armas caiam em mãos de terroristas.
Na segunda-feira, a União Europeia prometeu apoio à coalizão desde que "continue a trabalhar pela inclusão, subscrevendo os princípios da democracia e dos direitos humanos e se engajando com todos os grupos de oposição e todos os setores da sociedade civil da Síria", reporta o jornal The New York Times.
A Turquia e várias monarquias petroleiras do Golfo Pérsico também reconheceram a coalizão, formada para "criar uma alternativa ao atual regime" e ser o embrião de um futuro governo. Para isso, precisava ser aceitável para os EUA, que relutam em armar os rebeldes temendo que suas armas caiam em mãos de terroristas.
Na segunda-feira, a União Europeia prometeu apoio à coalizão desde que "continue a trabalhar pela inclusão, subscrevendo os princípios da democracia e dos direitos humanos e se engajando com todos os grupos de oposição e todos os setores da sociedade civil da Síria", reporta o jornal The New York Times.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Islamitas retomam assalto ao patrimônio de Timbuktu
LONDRES - Os extremistas muçulmanos que tomaram o poder no Norte do Máli, na África, em abril de 2012 reiniciaram seus ataques ao patrimônio histórico da cidade de Timbuktu. Depois de arrasar pelo menos oito dos 16 mausoléus sufistas, os jihadistas destruíram agora a porta de uma mesquita do século 15 que deveria permanecer fechada até o fim do mundo.
"Há mausoléus, mesquitas e manuscritos de grande valor para a humanidade. É totalmente inaceitável o que está acontecendo lá", declarou a diretora-geral da UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura), Irina Bokova.
Como salafistas ou wahabitas, os jihadistas são inimigos dos sufistas, e os monumentos históricos de Timbutku são sufistas.
"Há mausoléus, mesquitas e manuscritos de grande valor para a humanidade. É totalmente inaceitável o que está acontecendo lá", declarou a diretora-geral da UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura), Irina Bokova.
Como salafistas ou wahabitas, os jihadistas são inimigos dos sufistas, e os monumentos históricos de Timbutku são sufistas.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Liberais consolidam liderança nas eleições na Líbia
Com uma vitória esmagadora em Bengázi, onde começou a revolução contra o ditador Muamar Kadafi, Aliança das Forças Nacionais, liderada pelo ex-primeiro-ministro do governo provisório dos rebeldes Mahmoud Jibril, amplia sua vantagem sobre os partidos religiosos nas primeiras eleições livres na Líbia desde 1954.
Até agora, o resultado das eleições realizadas no sábado é uma derrota para o Partido da Justiça e Construção, braço político da Irmandade Muçulmana na Líbia. Nas eleições realizadas nos outros dois países do Norte da África que derrubaram ditadores, a Tunísia e o Egito, os partidos religiosos conquistaram a maioria absoluta dos votos.
Mesmo assim, é improvável que o partido de Jibril tenha maioria na futura Assembleia Nacional. Dos 200 deputados, apenas 80 serão eleitos através de listas partidárias. Os outros 120 serão independentes. Seus objetivos serão formar um governo e redigir uma nova Constituição que vai levar a novas eleiçõs parlamentares.
O ex-primeiro-ministro rejeita o rótulo de liberal, informa a agência de notícias Reuters. Desde a vitória da revolução, diz que o Islã deve ser a base da nova Constituição porque a Líbia é um país conservador onde os valores religiosos são um elemento central da vida social e do debate político.
Até agora, o resultado das eleições realizadas no sábado é uma derrota para o Partido da Justiça e Construção, braço político da Irmandade Muçulmana na Líbia. Nas eleições realizadas nos outros dois países do Norte da África que derrubaram ditadores, a Tunísia e o Egito, os partidos religiosos conquistaram a maioria absoluta dos votos.
Mesmo assim, é improvável que o partido de Jibril tenha maioria na futura Assembleia Nacional. Dos 200 deputados, apenas 80 serão eleitos através de listas partidárias. Os outros 120 serão independentes. Seus objetivos serão formar um governo e redigir uma nova Constituição que vai levar a novas eleiçõs parlamentares.
O ex-primeiro-ministro rejeita o rótulo de liberal, informa a agência de notícias Reuters. Desde a vitória da revolução, diz que o Islã deve ser a base da nova Constituição porque a Líbia é um país conservador onde os valores religiosos são um elemento central da vida social e do debate político.
Marcadores:
Aliança das Forças Nacionais,
Egito,
Eleições,
Irmandade Muçulmana,
Islamitas,
Líbia,
Mahmoud Jibril,
Norte da África,
Partido da Justiça e Construção,
Tunísia
Assinar:
Postagens (Atom)