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sexta-feira, 16 de março de 2018

Civis fogem em massa de regiões sob ataque na Síria

Cerca de 20 mil civis fugiram ontem do distrito de Guta Oriental, alvo há semanas de uma ofensiva do Exército da Síria e aliados, inclusive a Força Aérea da Rússia. No Norte da Síria, milhares de curdos fogem de uma ofensiva da Turquia para evitar a criação de um enclave em sua fronteira.

A guerra civil síria completou sete anos com um total de 500 mil. Cerca de 12 milhões, mais metade da população, fugiram de casa e 5,5 milhões saíram do país. A tragédia humanitária continua sem trégua. 

Com a cobertura dos bombardeios aéreos, as forças leais à ditadura de Bachar Assad avançam por terra. Já controlam mais da metade do território de Guta Oriental, uma região agrícola na periferia de Damasco, último reduto dos rebeldes nos arredores da capital síria.

Só da cidade de Hamuriê saíram 10 mil pessoas nos últimos dias. Quem ficou se esconde em ruínas, túneis e cavernas. "Fugi através do campo", contou um sírio via Skype ao jornal americano The Washington Post. "Havia um intenso bombardeio a meu redor. A fuga é um renascimento porque o suplício aqui era igualmente perigoso."

Outra testemunha contou que "famílias inteiras foram assassinadas. Seus corpos estão jogados nas ruas. Ninguém pode ajudar por causa dos bombardeios."

A Batalha de Guta Oriental é das mais encarniçadas da guerra civil síria. O total de mortos é estimado em 1,8 mil.

Em Ancara, a Turquia repudiou uma moção aprovada no Parlamento Europeu para exigir a retirada imediata da região de Afrin. Quando uma milícia árabe-curda financiada, treinada e armada pelos Estados Unidos para combater o Estado Islâmico ocupou a área, o governo turco viu uma ameaça por causa da ligação dos guerrilheiros curdos com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que luta pela autonomia dos curdos da Turquia.

O ditador turco, Recep Tayyip Erdogan, teme que os curdos da Síria se juntem aos do Iraque para proclamar a independência do Curdistão e reivindicar a soberania sobre a região de maioria curda na Turquia.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Bombardeio do governo mata mais 250 pessoas na Síria

Pelo menos 250 pessoas morreram ontem e hoje, inclusive 50 crianças, em ataques aéreos e de artilharia da ditadura de Bachar Assad contra um reduto dos rebeldes em Guta, um cinturão verde nos arredores de Damasco, a capital da Síria, noticiou a televisão pública britânica BBC.

Seis hospitais foram bombardeados nos últimos dois dias, denunciou um porta-voz das Nações Unidas. É o pior ataque a Guta Oriental desde que a área foi alvejada com armas químicas em 21 de agosto de 2013, quando 1.729 pessoas foram mortas, sendo apenas 51 combatentes. Hoje dez cidades e vilas da região foram atacadas.

Ao mesmo tempo, o Exército da Síria entrou em Afrin, uma região invadida pelo Exército da Turquia no Norte do país para combater as Forças Democráticas Sírias (FDS), uma milícia árabe-curda de maioria curda financiada e armada pelos Estados Unidos na luta contra a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Com o fim do califado proclamado em junho de 2014 pelo Estado Islâmico, o regime de Assad vê uma oportunidade de acabar com a guerra civil, que completa sete anos em março. A ditadura intensificou o bombardeio para tornar inabitáveis as regiões onde ocupadas pelos rebeldes.

O regime sírio corria sério risco quando a Rússia interveio militarmente com sua poderosa Força Aérea, em 30 de setembro de 2015. Com a ajuda russa e de seu outro aliado, o Irã, e suas milícias, inclusive do grupo extremista xiita libanês Hesbolá (Partido de Deus), Assad retomou o controle de quase todo o país, com a exceção de alguns bastiões rebeldes e da área retomada do Estado Islâmico pelas FDS.

Cerca de 500 mil pessoas morreram em sete anos de guerra civil na Síria. Dos 23 milhões de habitantes, 12 milhões tiveram de sair de casa e 5 milhões fugiram do país.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

ONU teme destruição total do Leste de Alepo até fim do ano

Com a política de terra arrasada do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e de seu protegido Bachar Assad, a zona leste de Alepo, dominada por rebeldes, pode ser totalmente destruída até o fim do ano, advertiu hoje o enviado especial das Nações Unidas para a guerra civil síria, Staffan de Mistura.

"Em dois meses, dois meses e meio no máximo, neste ritmo, parte de Alepo corre o risco de ser totalmente destruída. Falamos particularmente da cidade antiga e milhares de civis serão mortos", lamentou o enviado especial da ONU.

Depois de um breve cessar-fogo em que o regime de Assad impediu a entrega de ajuda humanitária na área dominada pelos rebeldes, com o apoio da Força Aérea da Rússia e da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá, a ditadura da Síria lançou em 22 de setembro uma grande ofensiva para tentar retomar o Leste de Alepo.

Desde então, o intenso bombardeio aéreo matou pelo menos 376 pessoas e deixou mais de 1,2 mil, acrescentou De Mistura. A Batalha de Alepo é a mais violenta da guerra no momento.

A cidade está dividida desde 2012, com os setores oeste, norte e sul sob o controle da ditadura e o leste em poder dos rebeldes, onde vivem cerca de 250 mil civis, sendo 100 mil crianças.

O embaixador ítalo-sueco apelou aos cerca de 900 guerrilheiros da Frente de Luta do Levante, a antiga Frente al-Nusra, braço da rede terrorista Al Caeda na guerra civil síria, para que deixem a cidade oferecendo-se para escoltá-los sob a proteção da ONU.

"Se vocês decidirem partir em dignidade e com suas armas, estou pronto a acompanhá-los pessoalmente", prometeu o enviado da ONU, sugerindo que talvez a presença dos rebeldes seja um "álibi fácil" para justificar a destruição total do Leste de Alepo pelas forças do regime.

De Mistura fez um apelo aos governos da Rússia e da Síria para que anunciem uma cessação dos bombardeios caso os rebeldes saiam da cidade.

Ele comparou a situação do Leste de Alepo com a cidade bósnia de Srebrenica, onde toda a população adulta masculina foi massacrada em junho de 1995, num total de 8.373 pessoas, e com o genocídio de Ruanda, na África, de abril a junho de 1994, quando 800 mil a 1 milhão de pessoas foram mortas.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Trégua na Síria se sustenta com violações esporádicas

Apesar de algumas violações, o cessar-fogo se mantém no segundo dia da trégua na Síria, negociada pelos Estados Unidos, a Rússia e as Nações Unidas, noticiou a agência Reuters.

A Rússia denunciou nove violações do cessar-fogo, afirmando que parou de atacar ontem, mas prometeu retomar os bombardeios contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante e a Frente al-Nusra, braço da rede terrorista Al Caeda, excluídos da trégua. Grupos rebeldes acusaram a Rússia de atacar com bombardeios aéreos pelo menos sete comunidades nas províncias de Alepo e Hama.

Um representante dos rebeldes admitiu que o acordo criou uma situação mais calma como não se via desde o início da guerra civil síria, em março de 2011.

O cessar-fogo iniciado à zero hora de sábado, 27 de fevereiro, visa a facilitar o acesso de ajuda humanitária a populações sitiadas e criar um clima favorável às negociações de paz marcadas para recomeçar em 7 de março.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Negociação sobre a paz na Síria é adiada

Diante da intensificação dos bombardeios da Rússia e do avanço do Exército e de milícias aliados na cidade de Alepo, as negociações sobre a paz na Síria foram adiadas para 25 de fevereiro. Em Londres, uma conferência prometeu US$ 11 bilhões para ajudar a Síria, os países vizinhos e os refugiados sírios.

Para participar das negociações, os rebeldes exigem a suspensão dos bombardeios e acesso das equipes de ajuda humanitária às populações sitiadas.

Londres realizou a quarta conferência internacional para arrecadar recursos para as vítimas da guerra civil na Síria, onde mais de 260 mil pessoas foram mortas desde 15 de março de 2011. A União Europeia ofereceu US$ 3,3 bilhões; a Alemanha, US$ 2,6 bilhões; e o Reino Unido, US$ 1,7 bilhão. O Brasil deu uma contribuição simbólica de US$ 1,3 milhão.

Ontem, a UE aprovou uma ajuda de US$ 3,32 para a Turquia, o país que mais recebeu refugiados da guerra civil síria, mais de 2,7 milhões. Em troca, o governo turco se comprometeu a conter a onda de refugiados.

O primeiro-ministro turco Ahmet Davutoglu, foi eloquente ao responsabilizar a ditadura de Bachar Assad pela tragédia humanitária na Síria. Com o cerco de Alepo, "a população está comendo grama, quando encontra grama. Os refugiados que estão no exterior estão em situação muito melhor."

Desde 2011, 5,3 milhões de sírios fugiram do país. Dos 16 milhões de habitantes da Síria, cerca de 6,5 milhões são flagelados que não saíram do país. Cerca de 10 milhões de pessoas estão em situação vulnerável.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Governo sírio lança ofensiva sob cobertura aérea da Rússia

Sob a proteção de bombardeios aéreos da Rússia, que passou a usar também mísseis de cruzeiro, as forças leais à ditadura de Bachar Assad lançaram hoje uma ofensiva terrestre, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos, uma organização não governamental de oposição que monitora a guerra civil na Síria.

O combate, descrito como o mais intenso dos últimos meses, começou na cidade de Morek, que fica na estrada entre a capital, Damasco, e Alepo, que era o principal centro econômico do país antes do início da guerra civil há quatro anos e meio.

Antes, navios de guerra russo estacionados no Mar Cáspio, a uma distância de 1,5 mil km, dispararam 26 mísseis de cruzeiros de última geração contra 11 alvos na Síria, passando pelo Irã e o Iraque.

Ontem, um grupo rebelde revelou que a Rússia instalou uma base na semana passada na cidade de Hama. Com a ajuda de assessores russos e iranianos, e da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus), a ditadura de Bachar Assad espera retomar a iniciativa, enquanto a Turquia, a Arábia Saudita e outras monarquias petroleiras do Golfo Pérsico reforçam grupos rebeldes para resistir à intervenção militar russa.

A Rússia e o Irã tentam fortalecer o regime sírio para terem vozes mais fortes nas negociações para acabar com a maior tragédia humanitária em andamento hoje no mundo, que no momento estão alimentando.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

França vai bombardear Estado Islâmico na Síria

O presidente François Hollande ordenou à Força Aérea da França que inicie preparativos para bombardear posições do Estado Islâmico do Iraque e do Levante na Síria, noticiou a televisão pública britânica BBC.

Quando a França aderiu à coalizão aérea articulada pelos Estados Unidos para atacar o Estado Islâmico, o presidente deixou claro que atuaria apenas no Iraque, evitando se envolver na guerra civil síria.

Amanhã, começam os voos de reconhecimento para identificar alvos na Síria. O presidente francês descartou o envio de forças terrestres para intervir na guerra civil da Síria e prometeu continuar os esforços para uma transição política para um futuro regime que exclua o ditador Bachar Assad.

Em entrevista coletiva em Paris, Hollande alegou que estão sendo planejados na Síria atentados terroristas contra vários países, inclusive a França: "Minha responsabilidade é nos informar tanto quanto possível sobre as ameaças a nosso país. Então, pedi ao ministro da Defesa que faça voos de reconhecimento para considerar a possibilidade de atacar o Estado Islâmico pelo ar."

Mais de 230 mil pessoas foram mortas e 9 milhões fugiram de casa desde o início do conflito, que completa quatro anos e meio no dia 15 de setembro.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Anistia Internacional denuncia "atrocidades impensáveis" em Alepo

Ao bombardear sistematicamente a população civil com bombas de barril e destruir a infraestrutura de Alepo, que era a cidade mais rica da Síria, a ditadura de Bachar Assad está cometendo crimes de guerra e contra a humanidade, denunciou ontem a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional.

A acusação foi feita dois dias depois do bombardeio de uma escola e um centro comunitário num bairro da cidade em poder dos rebeldes, informa o jornal inglês The Guardian.

Com base em mais de 100 entrevistas, inclusive com sobreviventes, e análise de imagens e vídeos, o relatório de 74 páginas Morte por todos os lados: crimes de guerra e abusos de direitos humanos em Alepo documenta o que descreve como "atrocidades impensáveis", como bombardeios aéreos indiscriminados, detenções arbitrárias e torturas de responsabilidade do governo sírio.

Os rebeldes islamitas que disputam o controle de Alepo também são acusados de crimes de guerra ao usar peças de artilharia e bombas improvisadas e imprecisas colocando em risco a população civil, prender arbitrariamente, torturar e matar.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Pentágono confirma bombardeios do Irã ao Estado Islâmico

O Departamento da Defesa dos Estados Unidos afirmou ontem pela primeira vez que a Força Aérea do Irã também está atacando a milícia extremista muçulmana Estado Islâmico do Iraque e do Levante, informa o jornal francês Le Monde.

Em entrevista coletiva, o porta-voz do Pentágono, contra-almirante John Kirby, admitiu ter "indicações" de que o governo iraniano "fez bombardeios aéreos com aviões Phantom F-4 nos últimos dias" na província de Diala, no Iraque.

Em Teerã, o porta-voz do Ministério do Exterior do Irã, Marzieh Afkham, não deu maiores detalhes sobre a notícia, divulgada inicialmente pela televisão árabe especializada em notícias Al Jazira: "Realizamos missões áreas a pedido do Iraque e em coordenação com o Iraque. Cabe ao governo iraquiano abrir seu espaço aéreo. A política iraniana é dar apoio e conselhos aos responsáveis iraquianos na luta contra o EI."

Do lado americano, o porta-voz do Pentágono negou que haja qualquer coordenação com o Irã para evitar encontros inesperados dos aviões de guerra dos dois países.

O regime fundamentalista iraniano é um inimigo histórico dos EUA, mas, desde o ano passado, há uma reaproximação marcada por negociações em torno do programa nuclear do Irã para evitar que o país faça armas atômicas. Não houve acordo até o prazo-limite de 24 de novembro de 2014. As negociações foram prorrogadas até 30 de junho de 2015.

De 1980 a 1988, o Irã e o Iraque travaram a guerra mais sangrenta até hoje entre dois países muçulmanos, com total de mortos estimado em 1 milhão. Na época, o Irã foi invadido pelo então ditador iraquiano, Saddam Hussein, com o apoio dos EUA, da União Soviética, da Europa e do mundo árabe - todos preocupados com o radicalismo da revolução islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini.

A queda de Saddam Hussein na invasão americana ao Iraque, em 2003, abriu espaço político para a afirmação da maioria árabe xiita, que têm laços com o Irã e hoje domina o governo central iraquiano. Em última análise, o Irã foi um dos grandes beneficiários da aventura fracassada de George W. Bush ao tentar remodelar o Oriente Médio depois dos atentados terroristas de 11 de Setembro.

No vácuo político criado pela ditadura dominada pela minoria sunita, a rede terrorista Al Caeda, responsável pelos atentados nos EUA, acabou se estabelecendo no Iraque com o apoio de ex-oficiais de Saddam e dos sunitas alienados pela maioria xiita.

Em 2013, Al Caeda no Iraque se transformou no Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que em junho de 2014 proclamou a fundação de um Califado sob a liderança de Abu Bakr al-Baghdadi nos territórios que tomou no Iraque e na Síria.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

EUA ampliam ataques a mais dois grupos na Síria

A coalizão liderada pelos Estados Unidos ampliou seus bombardeios aéreos na Síria, incluindo mais duas milícias extremistas muçulmanas entre os alvos: Ahrar al-Cham e Jabhat al-Nusra (Frente da Vitória), noticiou hoje a Agência France Presse (AFP).

Os ataques aéreos foram uma resposta a avanços da frente na luta contra os rebeldes da Coalizão Nacional Síria, apoiados pelos EUA e a União Europeia. Vários combatentes e pelo menos duas crianças foram mortas, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental oposicionista com sede em Londres.

Ao admitir que foram atacadas, as milícias disseram na Internet que a maioria dos mortos era civil. O comando militar americano declarou que os objetivos foram atingindos e que um especialista em fabricar bombas foi morto.

O regime do presidente Bachar Assad se beneficia discretamente dos bombardeios americanos contra seus inimigos extremistas.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Estado Islâmico recua em Kobane

Depois de uma nova onda de bombardeios aéreos dos Estados Unidos e seus aliados, a milícia terrorista muçulmana Estado Islâmico do Iraque e do Levante se retirou hoje da frente ocidental na Batalha de Kobane, informou o jornal libanês The Daily Star citando como fonte o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

Os milicianos ainda lutam nas frentes sul e leste. Kobane, chamada pelos árabes de Ain al-Arab, é uma cidade curda do Norte da Síria, junto à fronteira com a Turquia, que ate agora reluta em entrar na guerra em território sírio. Tanto o presidente quanto o primeiro-ministro turcos querem que o objetivo final sera a queda da ditadura de Bachar Assad, na Síria, que responsabilizam pela guerra civil em que mais de 200 mil pessoas foram mortas desde março de 2011.

A queda de Kobane colocaria em cheque a estratégia do presidente Barack Obama de atacar pelo ar sem enviar soldados americanos para operações terrestres. Diante do colapso do Exército do Iraque e da incapacidade dos guerrilheiros curdos de resistir ao avanço do EIIL, a Turquia poderia fazer o trabalho em terra, mas está impondo condições.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Batalha de Kobane já matou mais de 400 pessoas

Mais de 400 pessoas foram mortas em três semanas na ofensiva da milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) contra a cidade curda de Kobane, no Norte da Síria, que os árabes chamam de Ain al-Arab, noticiou hoje a Agência France Presse (AFP). Há violentos combates nas ruas. Ontem, o EIIL hasteou sua bandeira para mostrar que domina parte da cidade.

A Força Aérea dos Estados Unidos e seus aliados estão bombardeando posições dos terroristas, mas não pode fazer isso dentro da área urbana para não atingir a população civil que pretende proteger. Os guerrilheiros curdos, os peshmergas, pediram ajuda à Turquia, que mobilizou tropas do outro lado da fronteira, mas não entrou em território sírio.

O Estado Islâmico invadiu a cidade pelo leste e agora ataca também pelo norte, sul e oeste. Uma derrota em Kobane obrigará o presidente Barack Obama a rever sua estratégia de não enviar forças terrestres. Uma possibilidade é que a Turquia faça a operação em terra.

Com medo que a guerra se alastre para seu território, a Turquia pediu à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar dos EUA com a Europa, que faça um plano de defesa. A aliança, fundada em 1949 para se opor à União Soviética, tem como regra básica que "um ataque contra um é um ataques contra todos".

O comandante das operações militares dos EUA para combater o Estado Islâmico, general John Allen, e o subsecretário de Estado, embaixador Brett McGurk, estão viajando para a Turquia, onde se reúnem com oficiais turcos nos dias 9 e 10 de outubro de 2014.

Em entrevista a Christiane Amanpour, na rede de televisão americana CNN, o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, repetiu o que já havia afirmado o presidente e ex-primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan: se a Turquia entrar na guerra terrestre, será para derrubar o ditador sírio, Bachar Assad, que responsabiliza pela guerra civil.

Quando o Parlamento da Turquia autorizou o Exército a realizar operações no exterior para combater o EIIL e outros grupos jihadistas, a Síria advertiu que qualquer ação em seu território será considerada uma agressão. O novo primeiro-ministro do Iraque, Haider al-Abadi, também rejeitou a presença de forças turcas em território iraquiano.

Erdogan prometeu impedir a queda de Kobane, mas até agora o Exército da Turquia não cruzou a fronteira. Isso deflagrou uma onda de protestos dos curdos, que são 20% da população da Turquia. Houve confrontos com a polícia em várias cidades turcas. Pelo menos cinco manifestantes foram mortos em Diyarbaki, a maior cidade curda do Sul do país.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Estado Islâmico degola mais um britânico

O refém britânico Alan Henning, que dava ajuda humanitária na Síria, foi decapitado por terroristas da milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, anuncia um vídeo divulgado hoje à tarde pelo grupo. É o quarto ocidental morto. Foram dois americanos e dois britânicos.

Henning tinha 47 anos e era motorista. Sensibilizado pelas más notícias da guerra civil síria, alistou-se como voluntário para levar ajuda humanitária às vítimas do conflito. Sem se dar conta do que risco que corria, foi capturado em dezembro de 2013 meia hora depois de cruzar a fronteira da Turquia com a Síria.

No fim do vídeo, a milícia apresentou o americano Peter Kassig, de 23 anos, como o próximo refém a ser degolado, com a seguinte advertência: "Obama, você começou o bombardeio aéreo contra a Síria e mantém os ataques contra nosso povo, assim é nosso direito atacar alguém do seu povo."

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Estado Islâmico degola guerrilheiros curdos capturados

Pelo menos nove guerrilheiros curdos capturados na batalha pela cidade de Kobane, no Norte da Síria, foram decapitados pelos terroristas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, informou a agência de notícias Ynet News.

A Força Aérea dos Estados Unidos bombardeou posições da milícia extremista muçulmana a cerca de cinco quilômetros da cidade, chamada pelos árabes de Ayn al-Arab. Até agora, esses ataques não foram suficientes para deter o EIIL ou virar o jogo na Batalha de Kobane.

Grupos de oposição e religiosos pediram uma trégua em respeito ao feriado do Eid al-Adha (Festa do Sacrifício), comemorado 70 dias depois do fim do sagrado mês do Ramadã para celebrar o sacrifício de Ismael pelo profeta Abraão. Essa história aparece no Corão, o livro sagrado do islamismo. É comparada ao sacrifício de Isaac por Abrão, descrito na Bíblia como um teste divino à lealdade do profeta. Na hora do sacrifício, surge um cordeiro e Isaac é poupado.

No Corão, Abraão tem um sonho em que oferece o filho a Deus em sacrifício. Ele conta ao filho, que o aconselha a seguir a vontade divina. Os dois sobem o Monte Arafat e, como na Bíblia, na hora do sacrifício Deus oferece um cordeiro.

domingo, 3 de agosto de 2014

Israel inicia retirada da Faixa de Gaza

Antes mesmo de anunciar que não participaria das negociações de cessar-fogo no Cairo, acusando o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) de violar as tréguas anteriores, o Exército de Israel começou a se retirar da Faixa de Gaza. Ainda realiza operações militares em algumas áreas, mas a maioria das tropas que participaram da ofensiva terrestre nos últimos 18 dias já deixou o território.

Hoje mais uma escola usada como abrigo foi atingida por Israel, matando pelo menos dez palestinos. Ao todo, foram 71 palestinos mortos neste domingo. Em nota do Departamento de Estado, os Estados Unidos acusaram Israel de não tomar as precauções necessárias para evitar mortes de civis. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, descreveu o ataque como "um crime" e fez um apelo ao "fim dessa loucura".

Pelo menos 80 foguetes palestinos foram disparados hoje contra Israel. Se os ataques de foguetes e morteiros palestinos não pararem, Israel ameaça intensificar os bombardeios aéreos enquanto retira as forças terrestres. A retirada não significa o fim do conflito.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, justificou a invasão sob o argumento da "desmilitarização" de Gaza, com a destruição das bases de lançamento de foguetes e de túneis usados para invadir Israel. Ele declarou que a operação militar continua, mas o governo já teria se decidido por uma retirada unilateral.

As tropas israelenses saíram de Beit Lahiya, no Norte da Faixa de Gaza; e de Khan Younis, no Centro do território. Estão concentradas do outro lado da fronteira para voltar a entrar em ação, se necessário. Também foi criado um perímetro de segurança dentro do território para evitar ataques de militantes palestinos durante a retirada.

Hoje as ações militares prosseguiam em Beit Hanoun, no Norte da Faixa de Gaza; e Rafá, no Sul, junto à fronteira com o Egito, onde os soldados de Israel estariam destruindo mais um túnel. Estima-se que o Hamas tenho gasto US$ 90 milhões no território miserável para construir os túneis.

Mais de 1,8 mil palestinos morreram e outros 9 mil foram feridos até agora na Operação Margem Protetora. Cerca de 80% dos mortos eram civis e 20% crianças. Mais de 10 mil casas, sete escolas e a única usina geradora de energia elétrica da Faixa de Gaza foram destruídas.

Do lado israelense, foram mortos quatro civis e 64 soldados, mais do que nas operações militares anteriores contra o Hamas, em 2008-9 e em 2012. As principais cidades israelenses vivem sob o medo dos foguetes palestinos, sempre atentas às sirenes para correr para os abrigos antiaéreos.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

ONG pede investigação sobre 72 mortes na Líbia

Os bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte à Líbia, autorizados pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas para proteger a população civil, mataram pelo menos 72 pessoas inocentes e suas mortes devem ser investigadas, exigiu hoje a organização não governamental Human Rights Watch (Observatório ou Vigília dos Direitos Humanos).

Em um relatório de 76 páginas, a organização pede à OTAN uma "compensação imediata e adequada" às famílias dos 72 mortos. A ONG investigou oito locais atingidos por bombardeios aéreos das potências ocidentais e concluiu que 20 mulheres e 24 crianças foram mortas por eles, informa a AFP (Agência France Presse).

A aliança militar liderada pelos Estados Unidos interveio na guerra civil líbia sob pressão da França e do Reino Unido em março de 2011, quando as forças leais ao coronel Muamar Kadafi fechavam o cerco sobre Bengázi, a segunda maior cidade do país, diante de ameaça de um massacre dos rebeldes.

Vários países criticaram a atuação da OTAN, acusando-a de ir além do mandato para derrubar Kadafi. Os governos dos EUA, França e Reino Unido alegaram que seria impossível proteger a população civil com o ditador no poder.

Outro grupo de defesa dos direitos humanos, a Anistia Internacional, havia pedido em março deste ano a investigação de 55 mortes supostamente causadas por erros da aliança atlântica.