Com a política de terra arrasada do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e de seu protegido Bachar Assad, a zona leste de Alepo, dominada por rebeldes, pode ser totalmente destruída até o fim do ano, advertiu hoje o enviado especial das Nações Unidas para a guerra civil síria, Staffan de Mistura.
"Em dois meses, dois meses e meio no máximo, neste ritmo, parte de Alepo corre o risco de ser totalmente destruída. Falamos particularmente da cidade antiga e milhares de civis serão mortos", lamentou o enviado especial da ONU.
Depois de um breve cessar-fogo em que o regime de Assad impediu a entrega de ajuda humanitária na área dominada pelos rebeldes, com o apoio da Força Aérea da Rússia e da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá, a ditadura da Síria lançou em 22 de setembro uma grande ofensiva para tentar retomar o Leste de Alepo.
Desde então, o intenso bombardeio aéreo matou pelo menos 376 pessoas e deixou mais de 1,2 mil, acrescentou De Mistura. A Batalha de Alepo é a mais violenta da guerra no momento.
A cidade está dividida desde 2012, com os setores oeste, norte e sul sob o controle da ditadura e o leste em poder dos rebeldes, onde vivem cerca de 250 mil civis, sendo 100 mil crianças.
O embaixador ítalo-sueco apelou aos cerca de 900 guerrilheiros da Frente de Luta do Levante, a antiga Frente al-Nusra, braço da rede terrorista Al Caeda na guerra civil síria, para que deixem a cidade oferecendo-se para escoltá-los sob a proteção da ONU.
"Se vocês decidirem partir em dignidade e com suas armas, estou pronto a acompanhá-los pessoalmente", prometeu o enviado da ONU, sugerindo que talvez a presença dos rebeldes seja um "álibi fácil" para justificar a destruição total do Leste de Alepo pelas forças do regime.
De Mistura fez um apelo aos governos da Rússia e da Síria para que anunciem uma cessação dos bombardeios caso os rebeldes saiam da cidade.
Ele comparou a situação do Leste de Alepo com a cidade bósnia de Srebrenica, onde toda a população adulta masculina foi massacrada em junho de 1995, num total de 8.373 pessoas, e com o genocídio de Ruanda, na África, de abril a junho de 1994, quando 800 mil a 1 milhão de pessoas foram mortas.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador Staffan de Mistura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Staffan de Mistura. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
Áreas rebeldes de Alepo sofrem maior bombardeio em meses
As áreas dominadas por rebeldes no Leste da cidade de Alepo, no Nordeste da Síria, sofreram na noite de ontem e na madrugada de hoje o maior bombardeio em meses. A maior cidade do país, capital econômica até o início da guerra civil, há cinco anos e meio, está em chamas, informou a televisão pública britânica BBC. Pelo menos 13 pessoas morreram.
O regime sírio usou bombas incendiárias de fósforo, denunciou o Centro de Mídia de Alepo. Uma rua inteira do bairro de Bustan al-Kassar está pegando fogo, revelou um repórter da Agência France Presse (AFP).
Cerca de 2 milhões de pessoas tentam sobreviver em Alepo em meio a uma das batalhas mais intensas da guerra civil síria.
Em entrevista à BBC, o enviado especial das Nações Unidas, Staffan de Mistura, anunciou o reinício da ajuda humanitária no bairro de Muadamia, na capital, Damasco, onde 40 mil pessoas estão numa área rebelde cercada pelo regime. Ele espera entregar ajuda humanitária a Alepo "no futuro próximo".
O regime sírio usou bombas incendiárias de fósforo, denunciou o Centro de Mídia de Alepo. Uma rua inteira do bairro de Bustan al-Kassar está pegando fogo, revelou um repórter da Agência France Presse (AFP).
Cerca de 2 milhões de pessoas tentam sobreviver em Alepo em meio a uma das batalhas mais intensas da guerra civil síria.
Em entrevista à BBC, o enviado especial das Nações Unidas, Staffan de Mistura, anunciou o reinício da ajuda humanitária no bairro de Muadamia, na capital, Damasco, onde 40 mil pessoas estão numa área rebelde cercada pelo regime. Ele espera entregar ajuda humanitária a Alepo "no futuro próximo".
quinta-feira, 28 de abril de 2016
Bombardeio aéreo a hospital mata 50 pessoas na Síria
Um ataque aéreo atingiu hoje um hospital de Alepo, na Síria, matando 50 pessoas, entre elas três crianças e três médicos, inclusive o último pediatra da cidade, noticiou a televisão pública britânica BCC citando como fonte a organização não governamental Médicos sem Fronteiras (MsF).
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha advertiu que Alepo, que era a maior cidade e o principal centro econômico da Síria antes da guerra civil, está virando uma catástrofe humanitária, agravada pelos bombardeios a hospitais.
Nos últimos seis dias, pelo menos 160 civis foram mortos em Alepo. Ainda não foi esclarecido se o bombardeio de hoje foi feito por aviões da Síria ou da Rússia, que intervém militarmente na guerra civil síria desde 30 de setembro de 2015. Houve 16 bombardeios a hospitais desde outubro e 346 ataques a 246 clínicas hospitais e postos de saúde em pouco mais de cinco anos de guerra civil.
O sistema de saúde está à beira do colapso. Metade das ambulâncias foi destruída. As regiões sob controle rebelde não recebem medicamentos. A produção farmacêutica local caiu 90%. Atende a menos do que 10% da demanda.
A oposição abandonou as negociações de paz acusando o governo de violar a precária trégua em vigor desde 27 de fevereiro e a enviado especial das Nações Unidas, Staffan de Mistura, alerta que o cessar-fogo pode entrar em colapso a qualquer momento.
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha advertiu que Alepo, que era a maior cidade e o principal centro econômico da Síria antes da guerra civil, está virando uma catástrofe humanitária, agravada pelos bombardeios a hospitais.
Nos últimos seis dias, pelo menos 160 civis foram mortos em Alepo. Ainda não foi esclarecido se o bombardeio de hoje foi feito por aviões da Síria ou da Rússia, que intervém militarmente na guerra civil síria desde 30 de setembro de 2015. Houve 16 bombardeios a hospitais desde outubro e 346 ataques a 246 clínicas hospitais e postos de saúde em pouco mais de cinco anos de guerra civil.
O sistema de saúde está à beira do colapso. Metade das ambulâncias foi destruída. As regiões sob controle rebelde não recebem medicamentos. A produção farmacêutica local caiu 90%. Atende a menos do que 10% da demanda.
A oposição abandonou as negociações de paz acusando o governo de violar a precária trégua em vigor desde 27 de fevereiro e a enviado especial das Nações Unidas, Staffan de Mistura, alerta que o cessar-fogo pode entrar em colapso a qualquer momento.
Marcadores:
Alepo,
bombardeio,
catástrofe humanitária,
Cessar-fogo,
Guerra Civil,
hospital,
MSF,
Negociações de Paz,
ONU,
Rússia,
Síria,
Staffan de Mistura,
trégua
segunda-feira, 25 de abril de 2016
EUA enviam mais 250 soldados de forças especiais à Síria
O presidente Barack Obama anunciou ontem em Hanôver, na Alemanha, o envio de mais 250 comandos de elite para a Síria, aumentando o total de forças especiais dos Estados Unidos no país para 300 soldados. Eles não devem entrar diretamente em combate, mas ajudar grupos que lutam contra a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.
A medida intensifica a guerra contra o Estado Islâmico no momento em que o enviado especial das Nações Unidas estima que o total de mortos em cinco anos de guerra civil na Síria chegou a 400 mil. Apesar das alegações oficiais de sucesso e da perda de territórios pelos jihadistas, o resultado está aquém do esperado.
Com forças do Exército da Síria e milícias aliadas cercando a cidade de Alepo com o apoio da Rússia, a oposição abandonou as negociações de paz mediadas pela ONU em Genebra, na Suíça.
Pelo menos três civis foram mortos e 17 feridos em bombardeio rebelde a áreas dominadas pelo governo em Alepo. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos registrou mais 13 mortes num bombardeio do regime contra a cidade de Duma, dominada por rebeldes.
Além dos 400 mil mortos, 5 milhões de sírios saíram do país e outros 6 milhões fugiram de casa e são desalojados internamente.
"Tínhamos esse número de 250 mil mortos há dois anos", declarou o enviado especial da ONU, Staffan de Mistura, para justificar o aumento para 400 mil. "Bem, dois anos atrás são dois anos atrás."
A medida intensifica a guerra contra o Estado Islâmico no momento em que o enviado especial das Nações Unidas estima que o total de mortos em cinco anos de guerra civil na Síria chegou a 400 mil. Apesar das alegações oficiais de sucesso e da perda de territórios pelos jihadistas, o resultado está aquém do esperado.
Com forças do Exército da Síria e milícias aliadas cercando a cidade de Alepo com o apoio da Rússia, a oposição abandonou as negociações de paz mediadas pela ONU em Genebra, na Suíça.
Pelo menos três civis foram mortos e 17 feridos em bombardeio rebelde a áreas dominadas pelo governo em Alepo. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos registrou mais 13 mortes num bombardeio do regime contra a cidade de Duma, dominada por rebeldes.
Além dos 400 mil mortos, 5 milhões de sírios saíram do país e outros 6 milhões fugiram de casa e são desalojados internamente.
"Tínhamos esse número de 250 mil mortos há dois anos", declarou o enviado especial da ONU, Staffan de Mistura, para justificar o aumento para 400 mil. "Bem, dois anos atrás são dois anos atrás."
quarta-feira, 2 de março de 2016
Negociações sobre paz na Síria recomeçam dia 9
A próxima rodada de negociações de paz para tentar acabar com a guerra civil na Síria começa em 9 de março, anunciou hoje o enviado especial das Nações Unidas Staffan de Mistura, noticiou ontem a agência Reuters.
Apesar das denúncias de violações de todos os lados, o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos e a Rússia, que entrou em vigor no sábado passado, reduziu parcialmente a violência na Síria.
Desde 15 de março de 2011, mais de 260 mil pessoas foram mortas na contrarrevolução deflagrada pela ditadura de Bachar Assad diante da revolta popular inspirada pela chamada Primavera Árabe.
Apesar das denúncias de violações de todos os lados, o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos e a Rússia, que entrou em vigor no sábado passado, reduziu parcialmente a violência na Síria.
Desde 15 de março de 2011, mais de 260 mil pessoas foram mortas na contrarrevolução deflagrada pela ditadura de Bachar Assad diante da revolta popular inspirada pela chamada Primavera Árabe.
Assinar:
Comentários (Atom)