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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 8 de Dezembro

 LENNON ASSASSINADO

    Em 1980, Mark Chapman, um fã desequilibrado, mata com quatro tiros à queima-roupa o ex-beatle John Lennon na entrada do Edifício Dakota, em Nova York, onde o músico morava com a mulher, a artista plástica japonesa Yoko Ono, e o filho Sean.

Chapman fica na cena do crime lendo O Apanhador no Campo de Centeio, de John David Salinger, um clássico da literatura norte-americana. É condenado à prisão perpétua. Todos os apelos para redução da pena são rejeitados até hoje.

Confira a última entrevista de Lennon, à revista Rolling Stone.

ADEUS ÀS ARMAS

    Em 1987, o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, e o líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev, assinam na Casa Branca, em Washington, o Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias, o primeiro a eliminar toda uma classe de armas atômicas, os mísseis nucleares de curto e médio alcances, capazes de atingir alvos a distâncias entre 500 e 5,5 mil quilômetros.

A Segunda Guerra Fria começa com a invasão da URSS ao Afeganistão, em 26 de dezembro de 1979, depois da détente do início dos anos 1970. Agrava-se com a eleição do presidente linha-dura Ronald Reagan nos EUA, em 1980, o abate de um Boeing 747 do Korean Air no espaço aéreo soviético, em 1º de setembro de 1983. e a instalação de mísseis nucleares norte-americanos de curto e médio alcances na Europa, a partir de 1º de novembro de 1983.

O degelo inicia com a ascensão do reformista Mikhail Gorbachev à liderança do Partido Comunista da URSS, em 11 de março de 1985. Depois de uma série de encontros de cúpula, eles acertam a eliminação das forças nucleares intermediárias.

Em 2 de agosto de 2019, no governo Donald Trump (2017-21), os EUA abandonam o tratado que acusam a Rússia de violar desde julho de 2014. Dos acordos que acabam com a Guerra Fria, resta o Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (New START), na versão renegociada pelos presidentes Barack Obama e Dimitri Medvedev, que entra em vigor em 5 de fevereiro de 2011 e é prorrogado até 2026. A Guerra da Ucrânia prejudica as negociações.

FIM DA UNIÃO SOVIÉTICA

    Em 1991, as repúblicas da Rússia, da Ucrânia e da Bielorrússia, o núcleo central eslavo da União Soviética, assinam o Acordo de Minsk para formar a Comunidade de Estados Independentes (CEI), acabando assim na prática com a pátria do comunismo.

A URSS nasce em 1922, no fim da guerra civil deflagrada pela Revolução Comunista de 1917 para acomodar como repúblicas vários países do antigo Império Russo. Com a morte de Vladimir Lenin, em 1924, ascende ao poder Josef Stalin, que impõe uma tirania ainda pior do que o regime czarista.

Com a indústria pesada desenvolvida pelo stalinismo e o apoio logístico dos aliados ocidentes, a URSS é a grande força de resistência ao nazifascismo. Mais de 80% das tropas da Alemanha são derrotadas na frente oriental pelo Exército Vermelho, que toma Berlim em 8 de maio de 1945, marco do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45) na Europa.

No pós-guerra, o mundo é dividido entre capitalismo e comunismo, sob a liderança dos Estados Unidos e da URSS, numa confrontação total, estratégica, política, econômica, científica, tecnológica, militar e cultural pela supremacia mundial que acaba com a ascensão à liderança do Partido Comunista de Mikhail Gorbachev (1985-91).

Depois de uma fracassada tentativa de golpe da linha dura em agosto de 1991, os novos dirigentes eleitos pelo voto popular como Boris Yeltsin, primeiro presidente da Rússia, lideram a resistência e tomam o poder de Gorbachev. O Partido Comunista é colocado na ilegalidade. Por fim, as repúblicas eslavas decidem sair da URSS, que acaba oficialmente no fim do ano.

NAVE DA SPACEX VOLTA À TERRA

    Em 2010, a empresa SpaceX, do bilionário Elon Musk, lança a cápsula Dragon no primeiro voo teste e torna-se a primeira empresa privada a enviar uma nave ao espaço e recuperá-la na volta à Terra.

No segundo voo teste, em 8 de dezembro de 2010, a Dragon leva equipamentos e suprimentos à Estação Espacial Internacional. A SpaceX também a primeira empresa privada a enviar uma nave espacial tripulada à estação espacial, em 22 de maio de 2012.

Musk funda a empresa em 2002 para revolucionar a era espacial, tornar viáveis voos espaciais comerciais, enviar missões tripuladas a Marte e colonizar o Planeta Vermelho.

DITADURA DE ASSAD CAI

    Em 2024, depois de mais de 13 anos de guerra civil, no fim de uma ofensiva fulminante de 11 dias, os rebeldes extremistas muçulmanos do grupo Hayat Tahrir al-Sham (Organização para a Libertação do Levante) tomam as cidades mais importantes da Síria, inclusive a capital, Damasco. É o fim da ditadura de Bachar Assad, no poder desde o ano 2000.

O Comando Geral do Exército ordena a rendição e a dissolução das últimas unidades. Os rebeldes fazem um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão anunciando a queda do regime. Assume o poder o líder rebelde Abu Mohammed al-Julani, ligado a Al Caeda e antes do Estado Islâmico, que abandona o nome de guerra e volta a usar o nome batismo Ahmed Hussein al-Charaa. Hoje é o presidente interino da Síria.

A ditadura truculenta família Assad governava a Síria havia quase 54 anos. O pai do ditador deposto é ministro da Defesa e comandante da Força Aérea antes de tomar o poder num golpe em 1971. Aliado da União Soviética durante a Guerra Fria, luta ao lado dos Estados Unidos na Guerra do Golfo de 1991 para expulsar o Iraque de Saddam Hussein do Kuwait.

Bachar Assad estuda medicina na Universidade de Damasco e faz pós-graduação em oftalmologia em Londres, onde trabalha até a morte do irmão mais velho, em 1994, quando é convocado para voltar à Síria e assumir a posição de herdeiro. A esperança de que seja um reformista influenciado pela experiência no Ocidente dura pouco.

Quando a Primavera Árabe chega à Síria, em março de 2011, os protestos pacíficos são violetamente reprimidos. O ditador liberta os extremistas muçulmanos presos para alegar que combate terroristas. Logo, os grupos jihadistas, entre eles Al Caeda e o Estado Islâmico, se tornam as principais forças rebeldes.

Havia uma expectativa de que Bachar Assad cairia. A Guerra Civil Síria começa a mudar com a intervenção militar da Rússia, a partir de 30 de setembro de 2015. O apoio do Irã e da milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) também é importante.

Em 2020, o regime controla dois terços do país. O Nordeste é dominado até hoje por uma milícia árabe-curda, as Forças Democráticas Sírias (FDS), principal força terrestre da guerra dos EUA contra o Estado Islâmico. Milícias ligadas a Al Caeda apoiadas pela Turquia resistem na província de Idlibe. De lá, partem os rebeldes que derrubam o regime.

Com a Rússia concentrada na guerra contra a Ucrânia e o Hesbolá debiitado pela guerra contra Israel, os rebeldes chegam à vitória.

Em 13 anos e 9 meses de guerra civil, pelo menos 618 mil sírios são mortos. Cerca de 6,6 milhões fogem do país. A onda de refugiados chega à Europa. É um dos principais fatores da ascensão de partidos de extrema direita no continente.

Depois de um ano, Al Charaa consegue o reconhecimento internacional, é recebido na Casa Braca, mas minorias como alauítas e curdos são alvo de massacres e se sentem inseguras. A Síria precisa de ajuda internacional para se reconstruir. Conta com o apoio das monarquias petroleiras árabes do Golfo Pérsico. Isso o afasta do Irã, grande sustentáculo da ditadura de Assad.

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quarta-feira, 11 de junho de 2025

Hoje na História do Mundo: 11 de Junho

 PRIMEIRO DE SEIS CASAMENTOS REAIS

    Em 1509, Henrique VIII, da Inglaterra, se casa com a primeira de suas seis mulheres, Catarina de Aragão, filha dos reis católicos da Espanha, Fernando de Aragão e Isabel de Castela.

Henrique VIII é filho de Henrique VII, que ascende ao trono depois de derrotar Ricardo III na Batalha de Bosworth, em 1485, no fim da Guerra das Duas Rosas (1455-87), marco do fim da Idade Média na Inglaterra. Quer um filho homem para herdar o trono e acabar com as guerras de príncipes pretendentes à coroa.

Como Catarina tem uma filha mulher, a futura Maria I, Henrique VIII se divorcia para se casar com Ana Bolena. Para isso, rompe com o Vaticano faz a reforma protestante na Inglaterra, em 1534. Ana Bolena lhe dá outra filha, a futura Elizabeth I, a rainha mais poderosa da história do país.

A terceira mulher, Jane Seymour, tem um filho homem. Mas Eduardo VI é fraco e morre antes de completar 16 anos, depois de 6 anos no trono. Maria I e Elizabeth I disputam o trono, numa guerra civil entre católicos e protestantes, reiniciada o século 17 na Guerra Civil Inglesa.

TRATADO DE BRESLAU

    Em 1742, a imperatriz Maria Teresa da Áustria decide entregar quase toda a região da Silésia à Prússia para acabar com a Primeira Guerra da Silésia e fazer a paz com o rei Frederico II, o Grande, no Tratado de Breslau.

Filha mais velha do imperador Carlos VI, do Sacro Império Romano-Germânico, Maria Teresa nasce no Palácio Imperial de Hofburg, em Viena, na Áustria, em 13 de maio de 1717. É a única mulher a reinar na Dinastia dos Habsburgo. Como perde o único filho homem, Carlos VI aplica a Sanção Pragmática  para permitir que uma mulher ascenda ao trono, o que é proibido pela lei sálica.

Arquiduquesa da Áustria, rainha da Hungria, da Boêmia, da Croácia, de Mântua, de Milão, da Galícia e Lodomeria, de Parma e dos Países Baixos Austríacos de 1740 até a morte, em 1780. Ao se casar com Francisco Estêvão da Lorena, torna-se Duquesa da Lorena, Grã-Duquesa da Toscana e imperatriz consorte de Francisco I no Sacro Império Romano-Germânico.

O casal tem 16 filhos. Dez se tornam adultos, entre eles as rainhas Maria Antonieta da França e Maria Carolina das Duas Sicílias e os imperadores do Sacro Império José II e Leopoldo II.

Com a morte de Carlos VI, a França, a Baviera, a Saxônia e a Prússia não reconhecem mais a Sanção Pragmática. A Prússia invade a Silésia, iniciando um conflito de nove anos, a Guerra da Sucessão Austríaca (1740-48). Inicialmente, ela se nega a negociar com Frederico II.

Depois de várias tentativas frustradas de expulsar o invasor, a imperatriz cede. Apesar do Tratado de Breslau, a Guerra da Sucessão Austríaca continua e termina com a Silésia sob o controle da Prússia, Maria Teresa confirmada no trono da Áustria e seu marido como imperador do Sacro Império. 

Ela tenta recuperar a Silésia na Guerra dos Sete Anos (1956-63), que opõe a França, o Império dos Habsburgo, a Rússia, a Suécia, a Espanha e a Saxônia ao Reino Unido, Portugal, à Prússia e a Hanôver. Mas não consegue. A Guerra dos Sete Anos é uma causa da Guerra da Independência dos EUA (1775-83) e da Revolução Francesa de 1789.

BATALHA DO RIACHUELO

    Em 1865, durante a Guerra do Paraguai, a Marinha do Brasil, sob o comando do almirante Francisco Manuel Barroso da Silva, o Barão do Amazonas, vence a força naval paraguaia no arroio Riachuelo, afluente do Rio Paraná, na província de Corrientes, na Argentina. É a maior batalha da história naval brasileira.

A navegação na Bacia do Prata é uma das causas da Guerra do Paraguai ou a Guerra da Tríplice Aliança (Argentina, Brasil e Uruguai), conhecida no Paraguai como a Guerra Grande. As forças aliadas estão sob o comando do presidente da Argentina, Bartolomeu Mitre, mas a Marinha do Brasil não está subordinada a ele.

O comandante da Marinha do Brasil é o almirante Joaquim Marques Lisboa, o Visconde e futuro Marquês de Tamandaré, que manda Barroso, o chefe do Estado-Maior, comandar a força naval brasileira. Sua frota sai de Montevidéu em 28 de abril, ataca a cidade argentina de Corrientes, que está sob controle paraguaio, vence a batalha, mas não consegue manter a ocupação.

Como o ataque detém o avanço do Paraguai pelo Rio Paraná, o ditador Francisco Solano López decide atacar a frota do Brasil. A esquadra paraguaia sai de Humaitá no dia 10 para encontrar a força naval brasileira na madrugada do dia 11. Uma avaria no navio Iberá atrasa os paraguaios. 

As duas esquadras se avistam às nove da manhã de 11 de junho. A esquadra brasileira estaciona a 25 quilômetros ao sul de Corrientes. Tem nove navios com um total de 59 canhões, 1.113 fuzileiros navais e 1.174 soldados do Exército Imperial. A Marinha do Paraguai tem 8 navios com 38 canhões mais 7 chatas, cada uma com um canhão.

Às 9h25, o almirante Barroso iça uma faixa dizendo: "O Brasil espera que cada um cumpra seu dever." Traduz a frase do almirante inglês Horace Nelson na Batalha de Trafalgar, em 1805, considerada uma das mais importantes batalhas navais da história, que impede o imperador francês Napoleão Bonaparte de invadir a Inglaterra.

O Brasil faz três cargas. O Paraguai perde quatro navios e quatro chatas. O resto da frota foge rio acima. Às 17h30, a batalha está terminada com uma vitória decisiva do Brasil. 

A partir daí, a Tríplice Aliança controla a Bacia do Prata até a fronteira do Paraguai. Não só pode fornecer apoio logístico às forças terrestres como impede o Paraguai de ter contato com o exterior.

Em 1866, Solano López tenta negociar a paz com o comandante dos aliados, o presidente argentino Bartolomeu Mitre, que exige sua renúncia como previsto no Tratado da Tríplice Aliança. Não há acordo e a guerra se arrasta até a morte do ditador paraguaio, em 1º de março de 1870, com a morte de 90% da população masculina adulta do Paraguai.

GUARDA NACIONAL PROTEGE NEGROS EM UNIVERSIDADE

    Em 1963, por ordem do presidente John Kennedy, a Guarda Nacional rompe o bloqueio imposto pelo governador George Wallace na Universidade do Alabama em Tuscaloosa e garante o acesso de dois jovens negros, James Hood e Vivian Malone.

Wallace, um dos mais notórios supremacistas brancos da história recente dos Estados Unidos, é eleito em 1962 com uma plataforma claramente racista: "Segragação agora! Segregação amanhã! Segregação para sempre!" Vai pessoalmente à universidade para impedir a entrada dos negros.

A Suprema Corte decide em 1954 que a segregação é inconstitucional. Kennedy está determinado a aplicar a decisão. Em 10 de junho, federaliza a Guarda Nacional do Alabama. No dia seguinte, manda garantir o acesso dos negros à universidade. Wallace acaba aceitando.

FIM DA GUERRA COM OCUPAÇÕES QUE PERSISTEM ATÉ HOJE

    Em 1967, termina a Guerra dos Seis Dias com ampla vitória de Israel sobre o Egito, a Síria e a Jordânia, e a ocupação da Península do Sinai, da Faixa de Gaza, da Cisjordânia, inclusive do setor oriental (árabe) de Jerusalém, e das Colinas do Golã.

Cessam as hostilidades, mas o conflito subsiste até hoje com a questão dos territórios árabes ocupados. Depois da Guerra do Yom Kippur (1973), a maior empreitada militar árabe da era moderna, o novo ditador do Egito, Anuar Sadat, abandona a aliança com a União Soviética em 1977, se alia aos EUA e faz a paz com Israel nos Acordos de Camp David, em 1979, para recuperar o Sinai.

Há um ditado no Oriente Médio que diz: "Não há guerra sem o Egito [maior exército do mundo árabe] nem paz sem a Síria." Nunca mais os países árabes se unem contra Israel, que anexa as Colinas do Golã em 1981, inviabilizando a paz com a Síria.

O Egito e a Jordânia abrem mão da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, onde seria criado um país para os palestinos. Isso não aconteceu até hoje.

Israel se retira de Gaza em 2005, mas mantém o controle do espaço aéreo e do mar, e no momento trava uma guerra brutal contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), a quinta e mais violenta desde que o grupo fundamentalista muçulmano assumiu o controle do território numa guerra civil palestina, em 2007.

Na Cisjordânia, há 100 colônias ilegais à luz do direito internacional onde vivem 470 mil israelenses, além de 220 mil no setor oriental de Jerusalém, anexado ilegalmente por Israel em 1980, quando a Knesset, o parlamento israelense, declara que a cidade unificada é a capital indivisível de Israel.

TERRORISTA NORTE-AMERICANO EXECUTADO

    Em 2001, o terrorista Timothy McVeigh, condenado por um atentado contra um edifício do governo dos Estados Unidos na Cidade de Oklahoma com 168 mortes, é executado com injeção local num complexo penitenciário federal em Terre Haute, no estado de indiana.

McVeigh nasce em Lockport, no estado de Nova York, em 23 de abril de 1868. Menino tímido e retraído, sofre bullying na escola. Na adolescência, começa a se interessar por armas e entra para a Escola da Infantaria do Exército em Forte Benning, na Geórgia, onde se forma aos 20 anos.

No Exército, é advertido por comprar uma camiseta do Poder Branco em manifestação do grupo supremacista branco Ku Klux Klan contra militantes negros com camisetas do Poder Negro.

Ele vira artilheiro de elite de um canhão de 25 mm, é promovido a sargento e enviado ao Oriente Médio na Operação Tempestade do Deserto, a guerra de 1991 para expulsar o Exército do Iraque, que invadira o Kuwait em 2 de agosto de 1990.

Ao falar da experiência na guerra, McVeigh conta que no primeiro dia decapita um soldado iraniano com um tiro de canhão. Fica chocado com a ordem de executar prisioneiros rendidos e com a carnificina quando os EUA bombardeiam as tropas iraquianas em fuga na saída da Cidade do Kuwait.

De volta aos EUA, McVeigh tenta entrar para as forças especiais, mas é eliminado no processo de seleção. Consegue um emprego ruim em Decker, no estado de Michigan. Não consegue comprar casa nem arrumar namorada. Começa a jogar e contrai dívidas que não consegue pagar.

Sua situação financeira alimenta o ressentimento contra o governo. Quando o FBI (Federal Bureau of Investigation) cerca a sede do culto Ramo Davidiano, em Waco, no Texas, de 28 de fevereiro a 19 de abril de 1993, McVeigh vai para lá panfletear em defesa do direito de portar armas.

O cerco termina num confronto chamado de Massacre de Waco, com a morte de 76 davidianos e 3 agentes do FBI. Outros seis membros do culto morrem no início do cerco, em 28 de fevereiro.

A atentado em Oklahoma é a vingança de McVeigh contra o governo federal dos EUA. Depois do Massacre de Waco, ele e Terry Nichols começam a planejar o ataque terrorista, realizada exatamente dois anos depois da tragédia no Texas.

quinta-feira, 5 de junho de 2025

Hoje na História do Mundo: 5 de Junho

 EUA DEIXAM PADRÃO-OURO

     Em 1933, durante a Grande Depressão (1929-39), o presidente Franklin Delano Roosevelt retira os Estados Unidos do padrão-ouro.

O padrão-ouro é um sistema no qual a moeda de um país é lastreada por ouro e tem cotação fixa em ouro. O país precisa ter ouro para emitir moeda. A qualquer momento, a moeda pode ser trocada por ouro. Nos EUA, acaba quando o Congresso aprova uma resolução que extingue o direito dos credores de exigir pagamento em ouro.

Roosevelt é eleito em 1932, no auge da Grande Depressão (1929-39), a crise deflagrada pelo colapso da Bolsa de Valores de Nova York em 28 de outubro de 1929, com queda de 13% num dia. Erros de política econômica como o aumento do protecionismo agravam a situação. O índice de desemprego chega a 25%.

No discurso de posse, em 4 de março de 1933, o novo presidente declara: "Não temos nada a temer, a não ser o próprio medo." Ele anuncia uma série de medidas num plano de 100 dias para recuperar a confiança dos norte-americano em si mesmos e cria a Previdência Social. 

É o início do Estado do bem-estar social, que é atacado pelo Partido Republicano e o neoliberalismo, especialmente a partir da eleição do presidente Ronald Reagan (1981-89) em 1980.

Em 20 de abril de 1933, Roosevelt pede ao Congresso o fim do padrão-ouro.

PLANO MARSHALL

    Em 1947, em discurso na Universidade de Harvard, em Cambridge, no estado de Massachusetts, o secretário de Estado norte-americano, George Marshall, lança o Plano Marshall, um programa de recuperação da Europa depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45) financiado pelos Estados Unidos no início da Guerra Fria.

O objetivo é fortalecer as economias capitalistas aliadas dos EUA e reduzir a atratividade dos partidos comunistas no início da Guerra Fria, a grande confrontação estratégica, política, ideológica, econômica, científica, tecnológica e cultural com a União Soviética.

Marshall defende a ajuda dos EUA à Europa e pede aos países europeus que façam um plano no discurso em Harvard. A França e o Reino Unido convidam os países do continente para uma reunião em Paris. A URSS boicota o encontro e pressiona a Hungria, a Tcheco-Eslováquia e a Polônia a fazer o mesmo.

O Congresso dos EUA aprova a proposta do Comitê de Cooperação Econômica da Europa em 2 de abril de 1948.

Durante quatro anos (1948-51), o Programa de Recuperação da Europa distribui US$ 13,4 bilhões (US$ 115 bilhões pela cotação de 2020) em ajuda direta e empréstimos a 18 países, inclusive Alemanha Ocidental, Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal e Suécia. Seus produtos internos brutos subiram de 15% a 25%.

Em  resposta ao Plano Marshall, em 1949, a URSS cria o Conselho de Assistência Econômica Mútua (Comecon) com a Alemanha Oriental, a Bulgária, a Hungria, a Polônia, a Romênia e a Tcheco-Eslováquia. 

GUERRA DOS SEIS DIAS

   Em 1967, Israel toma a iniciativa na Guerra dos Seis Dias bombardeando e destruindo 400 a 500 aviões das forças aéreas dos países árabes em terra.

Quando o Estado de Israel é fundado, em 14 de maio de 1948, os países árabes não aceitam e atacam o novo país no dia seguinte. Israel vence a Guerra da Independência (1948-49), a Primeira Guerra Árabe-Israelense, mas o conflito não acaba até hoje.

Em 26 de julho de 1956, o ditador egípcio, Gamal Abdel Nasser, nacionaliza o Canal de Suez. Israel, o Reino Unido e a França invadem o Egito, na Segunda Guerra Árabe-Israelense, para retomar o canal e depor Nasser.

Os Estados Unidos, a União Soviética e as Nações Unidas pressionam os países invasores a se retirar. O presidente norte-americano Dwight Eisenhower teme a intervenção soviética no conflito contra seus aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o que colocaria as duas superpotências em guerra.

Washington retira o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) à França e o Reino Unido, que ainda sofrem o impacto econômico da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Nasser sai mais forte.

Os invasores afundam 40 navios para bloquear o canal, mas são forçados a se retirar. Suez fica fechado de outubro de 1956 e março de 1957. Israel conquista o direito de navegação pelo Estreito de Tiran, fechado pelo Egito para navios israelenses desde a guerra de 1948.

Israel adverte o Egito de que vai à guerra se o estreito for fechado de novo. Em maio de 1967, Nasser ameaça fechar e mobiliza as Forças Armadas. Quando o ditador egípcio pede a retirada da Força de Emergência das Nações Unidas que garantia a paz na região, Israel entende que é uma preparação final para a guerra e decide atacar primeiro, surpreendendo os inimigos árabes.

Com superioridade aérea, Israel derrota os inimigos e ocupa a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, que pertenciam ao Egito; a Cisjordânia, inclusive o Leste de Jerusalém, da Jordânia; e as Colinas do Golã, da Síria.

É a mais rápida e decisiva vitória de Israel, mas é uma guerra que não termina até hoje. Em 1977, depois da derrota na Guerra do Yom Kippur (1973), a maior empreitada militar árabe da era moderna, o líder egípcio Anuar Sadat se afasta dos EUA e assina um acordo de paz paz com Israel dois anos depois para recuperar o Sinai. 

O movimento nacional palestino sonha em criar um país independente na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. O processo de paz está estagnado desde 2014. Israel se retira em 2005 da Faixa de Gaza, dominada desde 2007 pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), o que leva a várias guerras com Israel, mas amplia pouco a pouco a colonização da Cisjordânia para criar uma política de fato consumado.

A guerra atual é resultado da estagnação no processo de paz. Ao mesmo tempo, cria a oportunidade de um acordo de paz definitivo com a criação de um Estado Nacional para o povo palestino, mas o governo de extrema direita de Bibi Netanyahu não aceita.

BOB KENNEDY BALEADO

     Em 1968, o palestino Sirhan Bishara Sirhan baleia mortalmente o senador Robert Fitzgerald Kennedy, que acaba de ganhar a eleição primária da Califórnia e de garantir a candidatura do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos naquele ano.

Bob Kennedy morre no dia seguinte. Era herdeiro político do irmão, o presidente John Fitzgerald Kennedy, assassinado em 22 de novembro de 1963 em Dallas, no Texas.

Como ministro da Justiça do governo JFK e membro do gabinete de guerra durante a Crise dos Mísseis em Cuba, em outubro de 1962, Bob Kennedy é uma das pombas que evitam um conflito capaz de levar a uma guerra nuclear com a União Soviética.

1968 é um ano sangrento na política dos EUA, marcado por ofensivas dos vietcongues na Guerra do Vietnã e violência política no país. O pastor Martin Luther King Jr., maior ativista dos direitos civis dos negros, é morto em 4 de abril em Memphis, no Tennessee, quando Bob Kennedy faz um discurso pregando a paz e a reconciliação.

PRIMEIRO RELATÓRIO SOBRE AIDS

    Em 1981, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos publica o primeiro relatório científico sobre a síndrome de deficiência imunológica adquirida (aids). Descreve cinco casos de uma infecção pulmonar complicada em pacientes gays de Los Angeles sem outros problemas de saúde.

Os primeiros casos da doença depois identificada como aids acontecem nos EUA, no Haiti e na África Central em 1977. Em 1980, o jornal The New York Times reporta que uma nova doença inicialmente descrita como um câncer raro está matando gays nova-iorquinos como moscas. Depois, descobre-se que a doença transmitida sexualmente também atinge mulheres.

Desde o início da pandemia, 84,2 milhões de pessoas pegam o vírus da imunodeficiência humana (HIV) e 40,1 milhões morrem. O uso de preservativos, as camisas de vênus ou camisinhas, nas relações sexuais, é a melhor maneira de evitar o contágio. Com o uso de medicamentos antirretrovirais, a doença deixa de ser uma morte certa. Em 2021, 38,4 milhões de pessoas viviam com o HIV; 54% eram meninas e mulheres.

domingo, 8 de dezembro de 2024

Assad foge para Rússia e deixa Síria em era de incerteza

Depois de mais de meio século de uma tirania que começou com seu pai, o ditador Bachar Assad chegou com a família hoje a Moscou, onde recebeu "asilo humanitário". A Síria vive um momento de euforia. Milhares de refugiados estão voltando para casa, mas os riscos e incertezas são enormes, tendo em vista o que aconteceu no Líbano, no Iraque e na Líbia.

Refugiados voltam da Turquia
Grande derrotada com a queda de Assad, a Rússia convocou uma reunião de emergência a portas fechadas do Conselho de Segurança das Nações Unidas para tentar manter alguma influência no futuro da Síria, onde tem duas bases militares.

Em Washington, o presidente Joe Biden considerou o fim da ditadura de Assad um "ato de justiça" e uma "oportunidade histórica", mas advertiu para os riscos. Os Estados Unidos bombardearam no domingo 76 alvos do Estado Islâmico na Síria. 

A milícia que tomou o poder em Damasco, Hayat Tahrir al-Sham (Organização para a Libertação do Levante) é considerada um grupo terrorista. Os EUA oferecem US$ 10 milhões por seu líder, Abu Mohammed al-Julani, cujo nome de batismo é Ahmed Hussein al-Charaa. Ele chamou a queda de Damasco "uma vitória de toda a nação do Islã".

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que ontem foi "um dia histórico para o Oriente Médio" que traz riscos e oportunidades. Israel fez ontem o maior bombardeio à Síria desde a Guerra do Yom Kippur, em 1973, atacando mais de 100 alvos, principalmente da Força Aérea da Síria, de agentes iranianos e da milícia extremista xiita Hesbolá (Partido Deus), Também entrou em território sírio, ocupando posições abandonadas pelo Exército de Assad.

Netanyahu pediu ao novo regime que procure uma convivência pacífica com Israel, mas as explosões e incêndios causados pelo bombardeio israelense em Damasco, tomada sem resistência pelos rebeldes, vai no sentido contrário.

Os grandes desafios são evitar a fragmentação do Iraque, a formação de um Estado terrorista ou que o país vire um Estado falido e campo de batalha de interesses estrangeiros como aconteceu no Líbano, no Iraque e na Líbia.

Ditadura de Bachar Assad cai na Síria

Numa ofensiva impressionante, em 11 dias, os rebeldes extremistas muçulmanos do grupo Hayat Tahrir al-Sham (Organização para a Libertação do Levante) tomaram as cidades mais importantes da Síria. Nesta noite, entraram na capital, Damasco.

 Aparentemente o ditador Bachar Assad fugiu para o Iraque. Seu avião desapareceu dos radares e teria caído, mas isso não foi confirmado. O Comando Geral do Exército ordenou a rendição e a dissolução das últimas unidades. Os rebeldes fizeram um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão anunciando a queda do regime.

O primeiro-ministro Mohammed Ghazi Jalali declarou que o governo está pronto a estender a mão à oposição e a entregar o poder a um governo de transição.

A ditadura truculenta família Assad governava a Síria há quase 54 anos. O pai do ditador deposto foi ministro da Defesa e comandante da Força Aérea antes de tomar o poder, em 1971. Aliado da União Soviética durante a Guerra Fria, lutou ao lado dos Estados Unidos na Guerra do Golfo de 1991 para expulsar o Iraque de Saddam Hussein do Kuwait.

Bachar Assad estudou medicina na Universidade de Damasco e fez pós-graduação em oftalmologia em Londres, onde trabalhava até a morte do irmão mais velho, em 1994, quando foi convocado para voltar à Síria e assumir a posição de herdeiro. A esperança de que fosse um reformista durou pouco.

Quando a Primavera Árabe chegou à Síria, em março de 2011, as manifestações de protestos pacíficas foram duramente reprimidas. O ditador libertou os extremistas muçulmanos presos para alegar que combatia terroristas. Logo, os grupos jihadistas, entre eles Al Caeda e o Estado Islâmico, e tornaram as principais forças rebeldes.

Havia uma expectativa de que Bachar Assad cairia. A Guerra Civil Síria começou a mudar com a intervenção militar da Rússia, a partir de 30 de setembro de 2015. O apoio do Irã e da milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) também foi importante

Em 2020, o regime controlava dois terços do país. O Nordeste é dominado até hoje por uma milícia árabe-curda que foi a principal força terrestre da guerra dos EUA contra o Estado Islâmico. Milícias ligadas a Al Caeda apoiadas pela Turquia resistiam na província de Idlibe. Foi de lá que partiram os rebeldes que derrubaram o regime.

Com a Rússia concentrada na guerra contra a Ucrânia e o Hesbolá debiitado pela guerra contra Israel, os rebeldes chegaram à vitória.

Em 13 anos e 9 meses de guerra civil, 618 mil sírios foram mortos. Cerca de 6,6 milhões fugiram do país. A onda de refugiados chegou à Europa. É um dos principais fatores da ascensão de partidos de extrema direita no continente.

terça-feira, 11 de junho de 2024

Hoje na História do Mundo: 11 de Junho

 PRIMEIRO DE SEIS CASAMENTOS REAIS

    Em 1509, Henrique VIII, da Inglaterra, se casa com a primeira de suas seis mulheres, Catarina de Aragão, filha dos reis católicos da Espanha, Fernando de Aragão e Isabel de Castela.

Henrique VIII é filho de Henrique VII, que ascende ao trono depois de derrotar Ricardo III na Batalha de Bosworth, em 1485, no fim da Guerra das Duas Rosas (1455-87). Quer um filho homem para herdar o trono e acabar com as guerras de príncipes pretendentes à coroa.

Como Catarina tem uma filha mulher, a futura Maria I, Henrique VIII se divorcia para se casar com Ana Bolena. Para isso, rompe com o Vaticano faz a reforma protestante na Inglaterra, em 1534. Ana Bolena lhe dá outra filha, a futura Elizabeth I, a rainha mais poderosa da história do país.

A terceira mulher, Jane Seymour, tem um filho homem. Mas Eduardo VI é fraco e morre antes de completar 16 anos, depois de 6 anos no trono. Maria I e Elizabeth I disputam o trono, numa guerra civil entre católicos e protestantes, reiniciada o século 17 na Guerra Civil Inglesa.

TRATADO DE BRESLAU

    Em 1742, a imperatriz Maria Teresa da Áustria decide entregar quase toda a região da Silésia à Prússia para acabar com a Primeira Guerra da Silésia e fazer a paz com o rei Frederico II, o Grande, no Tratado de Breslau.

Filha mais velha do imperador Carlos VI, do Sacro Império Romano-Germânico, Maria Teresa nasce no Palácio Imperial de Hofburg, em Viena, na Áustria, em 13 de maio de 1717. É a única mulher a reinar na Dinastia dos Habsburgo. Como perde o único filho homem, Carlos VI aplica a Sanção Pragmática  para permitir que uma mulher ascenda ao trono, o que é proibido pela lei sálica.

Arquiduquesa da Áustria, rainha da Hungria, da Boêmia, da Croácia, de Mântua, de Milão, da Galícia e Lodomeria, de Parma e dos Países Baixos Austríacos de 1740 até a morte, em 1780. Ao se casar com Francisco Estêvão da Lorena, torna-se Duquesa da Lorena, Grã-Duquesa da Toscana e imperatriz consorte de Francisco I no Sacro Império Romano-Germânico.

O casal tem 16 filhos. Dez se tornam adultos, entre eles as rainhas Maria Antonieta da França e Maria Carolina das Duas Sicílias e os imperadores do Sacro Império José II e Leopoldo II.

Com a morte de Carlos VI, a França, a Baviera, a Saxônia e a Prússia não reconhecem mais a Sanção Pragmática. A Prússia invade a Silésia, iniciando um conflito de nove anos, a Guerra da Sucessão Austríaca (1740-48). Inicialmente, ela se nega a negociar com Frederico II.

Depois de várias tentativas frustradas de expulsar o invasor, a imperatriz cede. Apesar do Tratado de Breslau, a Guerra da Sucessão Austríaca continua e termina com a Silésia sob o controle da Prússia, Maria Teresa confirmada no trono da Áustria e seu marido como imperador do Sacro Império. 

Ela tenta recuperar a Silésia na Guerra dos Sete Anos (1956-63), que opõe a França, o Império dos Habsburgo, a Rússia, a Suécia, a Espanha e a Saxônia ao Reino Unido, Portugal, à Prússia e a Hanôver. Mas não consegue. A Guerra dos Sete Anos é uma causa da Guerra da Independência dos EUA (1775-83) e da Revolução Francesa de 1789.

BATALHA DO RIACHUELO

    Em 1865, durante a Guerra do Paraguai, a Marinha do Brasil, sob o comando do almirante Francisco Manuel Barroso da Silva, o Barão do Amazonas, vence a força naval paraguaia no arroio Riachuelo, afluente do Rio Paraná, na província de Corrientes, na Argentina. É a maior batalha da história naval brasileira.

A navegação na Bacia do Prata é uma das causas da Guerra do Paraguai ou a Guerra da Tríplice Aliança (Argentina, Brasil e Uruguai), conhecida no Paraguai como a Guerra Grande. As forças aliadas estão sob o comando do presidente da Argentina, Bartolomeu Mitre, mas a Marinha do Brasil não está subordinada a ele.

O comandante da Marinha do Brasil é o almirante Joaquim Marques Lisboa, o Visconde e futuro Marquês de Tamandaré, que manda Barroso, o chefe do Estado-Maior, comandar a força naval brasileira. Sua frota sai de Montevidéu em 28 de abril, ataca a cidade argentina de Corrientes, que está sob controle paraguaio, vence a batalha, mas não consegue manter a ocupação.

Como o ataque detém o avanço do Paraguai pelo Rio Paraná, o ditador Francisco Solano López decide atacar a frota do Brasil. A esquadra paraguaia sai de Humaitá no dia 10 para encontrar a força naval brasileira na madrugada do dia 11. Uma avaria no navio Iberá atrasa os paraguaios. 

As duas esquadras se avistam às nove da manhã de 11 de junho. A esquadra brasileira estaciona a 25 quilômetros ao sul de Corrientes. Tem nove navios com um total de 59 canhões, 1.113 fuzileiros navais e 1.174 soldados do Exército Imperial. A Marinha do Paraguai tem 8 navios com 38 canhões mais 7 chatas, cada uma com um canhão.

Às 9h25, o almirante Barroso iça uma faixa dizendo: "O Brasil espera que cada um cumpra seu dever." Traduzia a frase do almirante inglês Horace Nelson na Batalha de Trafalgar, em 1805, considerada uma das mais importantes batalhas navais da história, que impediu o imperador francês Napoleão Bonaparte de invadir a Inglaterra.

O Brasil faz três cargas. O Paraguai perde quatro navios e quatro chatas. O resto da frota foge rio acima. Às 17h30, a batalha está terminada com uma vitória decisiva do Brasil. A partir daí, a Tríplice Aliança controla a Bacia do Prata até a fronteira do Paraguai. Não só pode fornecer apoio logístico às forças terrestres como impede o Paraguai de ter contato com o exterior.

GUARDA NACIONAL PROTEGE NEGROS EM UNIVERSIDADE

    Em 1963, por ordem do presidente John Kennedy, a Guarda Nacional rompe o bloqueio imposto pelo governador George Wallace na Universidade do Alabama em Tuscaloosa e garante o acesso de dois jovens negros, James Hood e Vivian Malone.

Wallace, um dos mais notórios supremacistas brancos da história recente dos Estados Unidos é eleito em 1962 com uma plataforma claramente racista: "Segragação agora! Segregação amanhã! Segregação para sempre!" Vai pessoalmente à universidade para impedir a entrada dos negros.

A Suprema Corte decide em 1954 que a segregação é inconstitucional. Kennedy está determinado a aplicar a decisão. Em 10 de junho, federaliza a Guarda Nacional do Alabama. No dia seguinte, manda garantir o acesso dos negros à universidade. Wallace acaba aceitando.

FIM DA GUERRA COM OCUPAÇÕES QUE PERSISTEM ATÉ HOJE

    Em 1967, termina a Guerra dos Seis Dias com ampla vitória de Israel sobre o Egito, a Síria e a Jordânia, e a ocupação da Península do Sinai, da Faixa de Gaza, da Cisjordânia, inclusive do setor oriental (árabe) de Jerusalém, e das Colinas do Golã.

Cessam as hostilidades, mas o conflito subsiste até hoje com a questão dos territórios árabes ocupados. Depois da Guerra do Yom Kippur (1973), a maior empreitada militar árabe da era moderna, o novo ditador do Egito, Anuar Sadat, abandona a aliança com a União Soviética em 1977, se alia aos EUA e faz a paz com Israel nos Acordos de Camp David, em 1979, para recuperar o Sinai.

Há um ditado no Oriente Médio que diz: "Não há guerra sem o Egito [maior exército do mundo árabe] nem paz sem a Síria." Nunca mais os países árabes se unem contra Israel, que anexa as Colinas do Golã em 1981, inviabilizando a paz com a Síria.

O Egito e a Jordânia abrem mão da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, onde seria criado um país para os palestinos. Isso não aconteceu até hoje.

Israel se retira de Gaza em 2005, mas mantém o controle do espaço aéreo e do mar, e no momento trava uma guerra brutal contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), a quinta e mais violenta desde que o grupo fundamentalista muçulmano assumiu o controle do território numa guerra civil palestina, em 2007..

Na Cisjordânia, há 100 colônias ilegais à luz do direito internacional onde vivem 470 mil israelenses, além de 220 mil no setor oriental de Jerusalém, anexado ilegalmente por Israel em 1980, quando a Knesset, o parlamento israelense, declara que a cidade unificada é a capital indivisível de Israel.

TERRORISTA NORTE-AMERICANO EXECUTADO

    Em 2001, o terrorista Timothy McVeigh, condenado por um atentado contra um edifício do governo dos Estados Unidos na Cidade de Oklahoma com 168 mortes, é executado com injeção local num complexo penitenciário federal em Terre Haute, no estado de indiana.

McVeigh nasce em Lockport, no estado de Nova York, em 23 de abril de 1868. Menino tímido e retraído, sofre bullying na escola. Na adolescência, começa a se interessar por armas e entra para a Escola da Infantaria do Exército em Forte Benning, na Geórgia, onde se forma aos 20 anos.

No Exército, é advertido por comprar uma camiseta do Poder Branco em manifestação do grupo supremacista branco Ku Klux Klan contra militantes negros com camisetas do Poder Negro.

Ele vira artilheiro de elite de um canhão de 25 mm, é promovido a sargento e enviado ao Oriente Médio na Operação Tempestade do Deserto, a guerra de 1991 para expulsar o Exército do Iraque, que invadira o Kuwait em 2 de agosto de 1990.

Ao falar da experiência na guerra, McVeigh contou que no primeiro dia decapitou um soldado iraniano com um tiro de canhão. Ficou chocado com a ordem de executar prisioneiros rendidos e com a carnificina quando os EUA bombardearam as tropas iraquianas em fuga na saída da Cidade do Kuwait.

De volta aos EUA, McVeigh tenta entrar para as forças especiais, mas é eliminado no processo de seleção. Consegue um emprego ruim em Decker, no estado de Michigan. Não consegue comprar casa nem arrumar namorada. Começa a jogar e contrai dívidas que não consegue pagar.

Sua situação financeira alimenta o ressentimento contra o governo. Quando o FBI (Federal Bureau of Investigation) cerca a sede do culto Ramo Davidiano, em Waco, no Texas, de 28 de fevereiro a 19 de abril de 1993, McVeigh vai para lá panfletear em defesa do direito de portar armas.

O cerco termina num confronto chamado de Massacre de Waco, com a morte de 76 davidianos e 3 agentes do FBI. Outros seis membros do culto morrem no início do cerco, em 28 de fevereiro.

A atentado em Oklahoma é a vingança de McVeigh contra o governo federal dos EUA. Depois do Massacre de Waco, ele e Terry Nichols começam a planejar o ataque terrorista, realizada exatamente dois anos depois da tragédia no Texas.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Hoje na História do Mundo: 5 de Junho

 EUA DEIXAM PADRÃO-OURO

     Em 1933, durante a Grande Depressão (1929-39), o presidente Franklin Delano Roosevelt retira os Estados Unidos do padrão-ouro.

O padrão-ouro um sistema no qual a moeda de um país é lastreada por ouro e tem cotação fixa em ouro. O país precisa ter ouro para emitir moeda. A qualquer momento, a moeda pode ser trocada por ouro. Nos EUA, acaba quando o Congresso aprova uma resolução que extingue o direito dos credores de exigir pagamento em ouro.

Roosevelt é eleito em 1932, no auge da crise deflagrada pelo colapso da Bolsa de Valores de Nova York em 28 de outubro de 1929, com queda de 13% num dia. Erros de política econômica como o aumento do protecionismo agravam a situação. O índice de desemprego chega a 25% em 1933.

No discurso de posse, em 4 de março de 1933, o novo presidente declara: "Não temos nada a temer, a não ser o próprio medo." Ele anuncia uma série de medidas num plano de 100 dias para recuperar a confiança dos norte-americano em si mesmos e cria a Previdência Social. 

É o início do Estado do bem-estar social, que é atacado pelo Partido Republicano e o neoliberalismo, especialmente a partir da eleição do presidente Ronald Reagan (1981-89) em 1980.

Em 20 de abril de 1933, Roosevelt pede ao Congresso o fim do padrão-ouro.

GUERRA DOS SEIS DIAS

   Em 1967, Israel toma a iniciativa na Guerra dos Seis Dias bombardeando e destruindo as forças aéreas dos países árabes em terra.

Quando o Estado de Israel é fundado, em 14 de maio de 1948, os países árabes não aceitam e atacam o novo país. Israel vence a Guerra da Independência (1948-49), a Primeira Guerra Árabe-Israelense, mas o conflito não acabou até hoje.

Em 26 de julho de 1956, o ditador egípcio, Gamal Abdel Nasser, nacionaliza o Canal de Suez. Israel, o Reino Unido e a França invadem o Egito, na Segunda Guerra Árabe-Israelense, para retomar o canal e depor Nasser.

Os Estados Unidos, a União Soviética e as Nações Unidas pressionam os países invasores a se retirar. O presidente norte-americano Dwight Eisenhower teme a intervenção soviética no conflito contra seus aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o que colocaria as duas superpotências em guerra.

Washington retira o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) à França e o Reino Unido, que ainda sofrem o impacto econômico da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Nasser sai mais forte.

Os invasores afundam 40 navios para bloquear o canal, mas são forçados a se retirar. Suez fica fechado de outubro de 1956 e março de 1957. Israel conquista o direito de navegação pelo Estreito de Tiran, fechado pelo Egito para navios israelenses desde a guerra de 1948.

Israel adverte o Egito de que vai à guerra se o estreito for fechado de novo. Em maio de 1967, Nasser ameaça fechar e mobiliza as Forças Armadas. Quando o ditador egípcio pede a retirada da Força de Emergência das Nações Unidas que garantia a paz na região, Israel entende que é uma preparação final para a guerra e decide atacar primeiro, surpreendendo os inimigos árabes.

Com superioridade aérea, Israel derrota os inimigos e ocupa a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, que pertenciam ao Egito; a Cisjordânia, inclusive o Leste de Jerusalém, da Jordânia; e as Colinas do Golã, da Síria.

É a mais rápida e decisiva vitória de Israel, mas é uma guerra que não terminou até hoje. Em 1977, depois da derrota na Guerra do Yom Kippur (1973), o líder egípcio Anuar Sadat se afasta dos EUA e assina um acordo de paz paz com Israel dois anos depois para recuperar o Sinai. 

O movimento nacional palestino sonha em criar um país independente na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. O processo de paz está estagnado desde 2014. Israel se retira em 2005 da Faixa de Gaza, dominada desde 2007 pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), o que leva a várias guerras com Israel, mas amplia pouco a pouco a colonização da Cisjordânia para criar uma política de fato consumado.

A guerra atual é resultado da estagnação no processo de paz. Ao mesmo tempo, cria a oportunidade de um acordo de paz definitivo com a criação de um Estado Nacional para o povo palestino.

BOB KENNEDY BALEADO

     Em 1968, o palestino Sirhan Bishara Sirhan baleia mortalmente o senador Robert Fitzgerald Kennedy, que acaba de ganhar a eleição primária da Califórnia e de garantir a candidatura do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos naquele ano.

Bob Kennedy morre no dia seguinte. Era herdeiro político do irmão, o presidente John Fitzgerald Kennedy, assassinado em 22 de novembro de 1963 em Dallas, no Texas.

Como ministro da Justiça do governo JFK e membro do gabinete de guerra durante a Crise dos Mísseis em Cuba, em outubro de 1962, Bob Kennedy é uma das pombas que evitam um conflito capaz de levar a uma guerra nuclear com a União Soviética.

1968 é um ano sangrento na política dos EUA, marcado por ofensivas dos vietcongues na Guerra do Vietnã e violência política no país. O pastor Martin Luther King Jr., maior ativista dos direitos civis dos negros, é morto em 4 de abril em Memphis, no Tennessee, quando Bob Kennedy faz um discurso pregando a paz e a reconciliação.

PRIMEIRO RELATÓRIO SOBRE AIDS

    Em 1981, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos publica o primeiro relatório científico sobre a síndrome de deficiência imunológica adquirida (aids). Descreve cinco casos de uma infecção pulmonar complicada em pacientes gays de Los Angeles sem outros problemas de saúde.

Os primeiros casos da doença depois identificada como aids acontecem nos EUA, no Haiti e na África Central em 1977. Em 1980, o jornal The New York Times reporta que uma nova doença inicialmente descrita como um câncer raro está matando gays nova-iorquinos como moscas. Depois, descobre-se que a doença transmitida sexualmente também atinge mulheres.

Desde o início da pandemia, 84,2 milhões de pessoas pegam o vírus da imunodeficiência humana (HIV) e 40,1 milhões morrem. O uso de preservativos, as camisas de vênus ou camisinhas, nas relações sexuais, é a melhor maneira de evitar o contágio. Com o uso de medicamentos retrovirais, a doença deixa de ser uma morte certa. Em 2021, 38,4 milhões de pessoas viviam com o HIV; 54% eram meninas e mulheres.