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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 8 de Dezembro

 LENNON ASSASSINADO

    Em 1980, Mark Chapman, um fã desequilibrado, mata com quatro tiros à queima-roupa o ex-beatle John Lennon na entrada do Edifício Dakota, em Nova York, onde o músico morava com a mulher, a artista plástica japonesa Yoko Ono, e o filho Sean.

Chapman fica na cena do crime lendo O Apanhador no Campo de Centeio, de John David Salinger, um clássico da literatura norte-americana. É condenado à prisão perpétua. Todos os apelos para redução da pena são rejeitados até hoje.

Confira a última entrevista de Lennon, à revista Rolling Stone.

ADEUS ÀS ARMAS

    Em 1987, o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, e o líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev, assinam na Casa Branca, em Washington, o Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias, o primeiro a eliminar toda uma classe de armas atômicas, os mísseis nucleares de curto e médio alcances, capazes de atingir alvos a distâncias entre 500 e 5,5 mil quilômetros.

A Segunda Guerra Fria começa com a invasão da URSS ao Afeganistão, em 26 de dezembro de 1979, depois da détente do início dos anos 1970. Agrava-se com a eleição do presidente linha-dura Ronald Reagan nos EUA, em 1980, o abate de um Boeing 747 do Korean Air no espaço aéreo soviético, em 1º de setembro de 1983. e a instalação de mísseis nucleares norte-americanos de curto e médio alcances na Europa, a partir de 1º de novembro de 1983.

O degelo inicia com a ascensão do reformista Mikhail Gorbachev à liderança do Partido Comunista da URSS, em 11 de março de 1985. Depois de uma série de encontros de cúpula, eles acertam a eliminação das forças nucleares intermediárias.

Em 2 de agosto de 2019, no governo Donald Trump (2017-21), os EUA abandonam o tratado que acusam a Rússia de violar desde julho de 2014. Dos acordos que acabam com a Guerra Fria, resta o Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (New START), na versão renegociada pelos presidentes Barack Obama e Dimitri Medvedev, que entra em vigor em 5 de fevereiro de 2011 e é prorrogado até 2026. A Guerra da Ucrânia prejudica as negociações.

FIM DA UNIÃO SOVIÉTICA

    Em 1991, as repúblicas da Rússia, da Ucrânia e da Bielorrússia, o núcleo central eslavo da União Soviética, assinam o Acordo de Minsk para formar a Comunidade de Estados Independentes (CEI), acabando assim na prática com a pátria do comunismo.

A URSS nasce em 1922, no fim da guerra civil deflagrada pela Revolução Comunista de 1917 para acomodar como repúblicas vários países do antigo Império Russo. Com a morte de Vladimir Lenin, em 1924, ascende ao poder Josef Stalin, que impõe uma tirania ainda pior do que o regime czarista.

Com a indústria pesada desenvolvida pelo stalinismo e o apoio logístico dos aliados ocidentes, a URSS é a grande força de resistência ao nazifascismo. Mais de 80% das tropas da Alemanha são derrotadas na frente oriental pelo Exército Vermelho, que toma Berlim em 8 de maio de 1945, marco do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45) na Europa.

No pós-guerra, o mundo é dividido entre capitalismo e comunismo, sob a liderança dos Estados Unidos e da URSS, numa confrontação total, estratégica, política, econômica, científica, tecnológica, militar e cultural pela supremacia mundial que acaba com a ascensão à liderança do Partido Comunista de Mikhail Gorbachev (1985-91).

Depois de uma fracassada tentativa de golpe da linha dura em agosto de 1991, os novos dirigentes eleitos pelo voto popular como Boris Yeltsin, primeiro presidente da Rússia, lideram a resistência e tomam o poder de Gorbachev. O Partido Comunista é colocado na ilegalidade. Por fim, as repúblicas eslavas decidem sair da URSS, que acaba oficialmente no fim do ano.

NAVE DA SPACEX VOLTA À TERRA

    Em 2010, a empresa SpaceX, do bilionário Elon Musk, lança a cápsula Dragon no primeiro voo teste e torna-se a primeira empresa privada a enviar uma nave ao espaço e recuperá-la na volta à Terra.

No segundo voo teste, em 8 de dezembro de 2010, a Dragon leva equipamentos e suprimentos à Estação Espacial Internacional. A SpaceX também a primeira empresa privada a enviar uma nave espacial tripulada à estação espacial, em 22 de maio de 2012.

Musk funda a empresa em 2002 para revolucionar a era espacial, tornar viáveis voos espaciais comerciais, enviar missões tripuladas a Marte e colonizar o Planeta Vermelho.

DITADURA DE ASSAD CAI

    Em 2024, depois de mais de 13 anos de guerra civil, no fim de uma ofensiva fulminante de 11 dias, os rebeldes extremistas muçulmanos do grupo Hayat Tahrir al-Sham (Organização para a Libertação do Levante) tomam as cidades mais importantes da Síria, inclusive a capital, Damasco. É o fim da ditadura de Bachar Assad, no poder desde o ano 2000.

O Comando Geral do Exército ordena a rendição e a dissolução das últimas unidades. Os rebeldes fazem um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão anunciando a queda do regime. Assume o poder o líder rebelde Abu Mohammed al-Julani, ligado a Al Caeda e antes do Estado Islâmico, que abandona o nome de guerra e volta a usar o nome batismo Ahmed Hussein al-Charaa. Hoje é o presidente interino da Síria.

A ditadura truculenta família Assad governava a Síria havia quase 54 anos. O pai do ditador deposto é ministro da Defesa e comandante da Força Aérea antes de tomar o poder num golpe em 1971. Aliado da União Soviética durante a Guerra Fria, luta ao lado dos Estados Unidos na Guerra do Golfo de 1991 para expulsar o Iraque de Saddam Hussein do Kuwait.

Bachar Assad estuda medicina na Universidade de Damasco e faz pós-graduação em oftalmologia em Londres, onde trabalha até a morte do irmão mais velho, em 1994, quando é convocado para voltar à Síria e assumir a posição de herdeiro. A esperança de que seja um reformista influenciado pela experiência no Ocidente dura pouco.

Quando a Primavera Árabe chega à Síria, em março de 2011, os protestos pacíficos são violetamente reprimidos. O ditador liberta os extremistas muçulmanos presos para alegar que combate terroristas. Logo, os grupos jihadistas, entre eles Al Caeda e o Estado Islâmico, se tornam as principais forças rebeldes.

Havia uma expectativa de que Bachar Assad cairia. A Guerra Civil Síria começa a mudar com a intervenção militar da Rússia, a partir de 30 de setembro de 2015. O apoio do Irã e da milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) também é importante.

Em 2020, o regime controla dois terços do país. O Nordeste é dominado até hoje por uma milícia árabe-curda, as Forças Democráticas Sírias (FDS), principal força terrestre da guerra dos EUA contra o Estado Islâmico. Milícias ligadas a Al Caeda apoiadas pela Turquia resistem na província de Idlibe. De lá, partem os rebeldes que derrubam o regime.

Com a Rússia concentrada na guerra contra a Ucrânia e o Hesbolá debiitado pela guerra contra Israel, os rebeldes chegam à vitória.

Em 13 anos e 9 meses de guerra civil, pelo menos 618 mil sírios são mortos. Cerca de 6,6 milhões fogem do país. A onda de refugiados chega à Europa. É um dos principais fatores da ascensão de partidos de extrema direita no continente.

Depois de um ano, Al Charaa consegue o reconhecimento internacional, é recebido na Casa Braca, mas minorias como alauítas e curdos são alvo de massacres e se sentem inseguras. A Síria precisa de ajuda internacional para se reconstruir. Conta com o apoio das monarquias petroleiras árabes do Golfo Pérsico. Isso o afasta do Irã, grande sustentáculo da ditadura de Assad.

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domingo, 8 de dezembro de 2024

Assad foge para Rússia e deixa Síria em era de incerteza

Depois de mais de meio século de uma tirania que começou com seu pai, o ditador Bachar Assad chegou com a família hoje a Moscou, onde recebeu "asilo humanitário". A Síria vive um momento de euforia. Milhares de refugiados estão voltando para casa, mas os riscos e incertezas são enormes, tendo em vista o que aconteceu no Líbano, no Iraque e na Líbia.

Refugiados voltam da Turquia
Grande derrotada com a queda de Assad, a Rússia convocou uma reunião de emergência a portas fechadas do Conselho de Segurança das Nações Unidas para tentar manter alguma influência no futuro da Síria, onde tem duas bases militares.

Em Washington, o presidente Joe Biden considerou o fim da ditadura de Assad um "ato de justiça" e uma "oportunidade histórica", mas advertiu para os riscos. Os Estados Unidos bombardearam no domingo 76 alvos do Estado Islâmico na Síria. 

A milícia que tomou o poder em Damasco, Hayat Tahrir al-Sham (Organização para a Libertação do Levante) é considerada um grupo terrorista. Os EUA oferecem US$ 10 milhões por seu líder, Abu Mohammed al-Julani, cujo nome de batismo é Ahmed Hussein al-Charaa. Ele chamou a queda de Damasco "uma vitória de toda a nação do Islã".

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que ontem foi "um dia histórico para o Oriente Médio" que traz riscos e oportunidades. Israel fez ontem o maior bombardeio à Síria desde a Guerra do Yom Kippur, em 1973, atacando mais de 100 alvos, principalmente da Força Aérea da Síria, de agentes iranianos e da milícia extremista xiita Hesbolá (Partido Deus), Também entrou em território sírio, ocupando posições abandonadas pelo Exército de Assad.

Netanyahu pediu ao novo regime que procure uma convivência pacífica com Israel, mas as explosões e incêndios causados pelo bombardeio israelense em Damasco, tomada sem resistência pelos rebeldes, vai no sentido contrário.

Os grandes desafios são evitar a fragmentação do Iraque, a formação de um Estado terrorista ou que o país vire um Estado falido e campo de batalha de interesses estrangeiros como aconteceu no Líbano, no Iraque e na Líbia.

Ditadura de Bachar Assad cai na Síria

Numa ofensiva impressionante, em 11 dias, os rebeldes extremistas muçulmanos do grupo Hayat Tahrir al-Sham (Organização para a Libertação do Levante) tomaram as cidades mais importantes da Síria. Nesta noite, entraram na capital, Damasco.

 Aparentemente o ditador Bachar Assad fugiu para o Iraque. Seu avião desapareceu dos radares e teria caído, mas isso não foi confirmado. O Comando Geral do Exército ordenou a rendição e a dissolução das últimas unidades. Os rebeldes fizeram um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão anunciando a queda do regime.

O primeiro-ministro Mohammed Ghazi Jalali declarou que o governo está pronto a estender a mão à oposição e a entregar o poder a um governo de transição.

A ditadura truculenta família Assad governava a Síria há quase 54 anos. O pai do ditador deposto foi ministro da Defesa e comandante da Força Aérea antes de tomar o poder, em 1971. Aliado da União Soviética durante a Guerra Fria, lutou ao lado dos Estados Unidos na Guerra do Golfo de 1991 para expulsar o Iraque de Saddam Hussein do Kuwait.

Bachar Assad estudou medicina na Universidade de Damasco e fez pós-graduação em oftalmologia em Londres, onde trabalhava até a morte do irmão mais velho, em 1994, quando foi convocado para voltar à Síria e assumir a posição de herdeiro. A esperança de que fosse um reformista durou pouco.

Quando a Primavera Árabe chegou à Síria, em março de 2011, as manifestações de protestos pacíficas foram duramente reprimidas. O ditador libertou os extremistas muçulmanos presos para alegar que combatia terroristas. Logo, os grupos jihadistas, entre eles Al Caeda e o Estado Islâmico, e tornaram as principais forças rebeldes.

Havia uma expectativa de que Bachar Assad cairia. A Guerra Civil Síria começou a mudar com a intervenção militar da Rússia, a partir de 30 de setembro de 2015. O apoio do Irã e da milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) também foi importante

Em 2020, o regime controlava dois terços do país. O Nordeste é dominado até hoje por uma milícia árabe-curda que foi a principal força terrestre da guerra dos EUA contra o Estado Islâmico. Milícias ligadas a Al Caeda apoiadas pela Turquia resistiam na província de Idlibe. Foi de lá que partiram os rebeldes que derrubaram o regime.

Com a Rússia concentrada na guerra contra a Ucrânia e o Hesbolá debiitado pela guerra contra Israel, os rebeldes chegaram à vitória.

Em 13 anos e 9 meses de guerra civil, 618 mil sírios foram mortos. Cerca de 6,6 milhões fugiram do país. A onda de refugiados chegou à Europa. É um dos principais fatores da ascensão de partidos de extrema direita no continente.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Ditador da Síria usa terremoto para se reabilitar

 Sob sanções internacionais como principal responsável pela guerra civil na Síria, o ditador Bachar Assad aproveita o terremoto para tentar sair do isolamento. Com eleição presidencial prevista para 18 de junho na Turquia, o ditador Recep Tayyip Erdogan procura bodes expiatórios para terceirizar a culpa pela tragédia.

Depois de colocar 222 oposicionistas presos num avião e mandá-los para os EUA, a ditadura de Daniel Ortega cassa a cidadania de mais 94 oposicionistas, inclusive do ex-vice-presidente Sergio Ramírez, exilado no México.

A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, e o presidente do Banco Mundial, David Malpass, caíram. 

Um balão-espião abatido há uma semana abalou as relações já tensas entre os Estados Unidos e a China, mas o diálogo deve ser retomado neste fim de semana na Conferência de Segurança de Munique. E a guerra da Rússia contra a Ucrânia, que completa um ano no dia 24, criou um mundo mais incerto e perigoso, com a volta até mesmo do risco de uma guerra nuclear entre superpotências. Meu comentário:

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Regime sírio retoma cidade estratégica na estrada Damasco-Alepo

Forças leais à ditadura de Bachar Assad tomaram ontem Sarakeb, na província de Idlibe, no Noroeste da Síria, a segunda cidade estratégica reconquistada na estrada que liga a capital, Damasco, à cidade mais rica, Alepo.

"Unidades do Exército da Síria completaram operações para desmontar explosivos e minas terrestres deixadas por terroristas na cidade de Sarakeb depois de serem expulsos", informou a agência oficial de notícias SANA. 

Era a última cidade importante na rodovia M5 ainda em poder dos rebeldes do grupo jihadista Hayat Tahrir al-Sham (Comitê para a Libertação do Levante), ligado à rede terrorista Al Caeda. A Turquia, que apoia os rebeldes, tem quatro pontos de observação numa zona desmilitarizada que criou com a Rússia, que apoia o regime sírio.

Na semana passada, a Turquia enviou mais de mil veículos com reforços, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental de oposição que monitora a guerra civil na Síria.

Depois de tomar Sarakeb, o Exército sírio seguiu em ofensiva rumo ao leste e conquistou mais cinco pequenas cidades ao longo da M5 perto da divisa com a província de Alepo. Não avançou para oeste em direção a Idlibe, capital da província do mesmo nome.

Diante das tensões, a Rússia e a Turquia marcaram uma reunião para discutir a situação de Idlibe. Desde 1º de dezembro, 590 mil pessoas fugiram de casa nas províncias de Alepo e Idlibe para escapar da ofensiva das forças leais a Assad contra os últimos redutos rebeldes.

Em quase nove anos, a guerra civil síria matou pelo menos 380 mil pessoas. Cerca de 5,5 milhões fugiram do país.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Cessar-fogo na Síria é uma grande vitória para a Turquia

Ao afastar os curdos de sua fronteira, a trégua negociada pelos Estados Unidos na invasão da Turquia no Nordeste da Síria é uma grande vitória para o ditador Recep Tayyip Erdogan. A retirada americana dá a vitória final na guerra civil da Síria ao ditador Bachar Assad, à Rússia e ao Irã.

No nono dia da operação chamada cinicamente de Fonte da Paz, ao receber em Ancara o vice-presidente Mike Pence e o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, o ditador Recep Tayyip Erdogan concordou em suspender por cinco dias a ofensiva militar da Turquia.

Neste período, os Estados Unidos devem colaborar com a retirada das Forças Democráticas Sírias, uma milícia árabe-curda aliada de Washington na guerra contra o Estado Islâmico para uma distância de 20 milhas, pouco mais de 30 quilômetros da fronteira. Quando os milicianos curdos, que a Turquia acusa de terrorismo, estiverem fora de uma zona de segurança junto à fronteira, haverá um cessar-fogo permanente, declarou Pence.

Onze dias depois da traição do presidente Donald Trump, que deixou os curdos à mercê do Exército da Turquia, o vice-presidente Pence declarou que “os Estados Unidos serão sempre gratos pela parceria com as Forças Democráticas Sírias na luta para derrotar o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, mas também reconhecem a importância e o valor da criação de uma zona de segurança entre a população curda e a fronteira turca.”

Mas o governo turco afirmou que é apenas uma pausa. Para o ministro do Exterior da Turquia, Mevlut Cavusoglu, “não é um cessar-fogo porque um cessar-fogo só pode acontecer entre duas partes legítimas” e a operação tem como objetivo retirar “elementos terroristas” da região. Meu comentário:

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Exércitos da Turquia e da Síria estão em rota de colisão

A retirada dos Estados Unidos do Nordeste da Síria cria o risco de um conflito entre os Exércitos da Turquia e da Síria. Hoje, o presidente Donald Trump exigiu um cessar-fogo e a suspensão imediata da invasão turca. Talvez seja tarde demais.

Depois de um apelo da milícia árabe-curda Forças Democráticas Sírias, ameaçada pela invasão turca, as forças leais à ditadura de Bachar Assad avançaram para tomar o Nordeste do país, região antes ocupada pelo califado proclamado pelo Estado Islâmico.

Com a traição do presidente Donald Trump aos curdos, que fizeram o trabalho pesado na guerra contra o Estado Islâmico, os grandes beneficiários são o regime assassino de Assad e os aliados que o sustentaram durante a guerra civil na Síria: a Rússia e o Irã. Tanto Assad quanto a Rússia e o Irã são inimigos dos Estados Unidos. 

Mais do que isso, as forças americanas eram um elemento importante para a estabilidade na região e dariam a Washington uma voz mais forte na discussão sobre o futuro da Síria, agora nas mãos do ditador russo, Vladimir Putin.

Ao seguir seus próprios instintos, Trump ainda expõe os soldados americanos à ação de milícias apoiadas pela Turquia, que não têm a mesma disciplina do Exército, e volta a tocar fogo numa guerra civil próxima do fim. Meu comentário:

domingo, 13 de outubro de 2019

Curdos fazem acordo e pedem proteção ao ditador da Síria

Diante da traição do presidente Donald Trump, que os deixou à mercê do Exército da Turquia, as Forças Democráticas Sírias, uma milícia árabe-curda aliada dos Estados Unidos na guerra contra o Estado Islâmico, anunciaram hoje terem feito um acordo com o ditador da Síria, Bachar Assad, aliado da Rússia e do Irã, inimigos dos EUA, noticiou o jornal The Washington Post.

Os objetivos da invasão turca no Nordeste da Síria são evitar que os curdos sírios se unam aos do Iraque para proclamar a independência do Curdistão, que poderia reivindicar a soberania sobre o Sudeste da Turquia, criar uma "zona de segurança" de 500 por 32 quilômetros para assentar 3,666 milhões de refugiados sírios que estão na Turquia e acabar com o predomínio curdo na região.

Em Washington, o secretário da Defesa, Mark Esper, negou que os EUA tenham abandonado seus aliados, mas o presidente Donald Trump ordenou ontem à noite a retirada total de mil soldados americanos que patrulhavam a fronteira.

"Temos forças americanas que podem ficar entre dois exércitos que avançam. É uma situação insustentável", justificou o chefe do Pentágono. "Então, falei com o presidente ontem à noite, depois de discutir com o resto da equipe de segurança nacional, e o orientamos a começar uma retirada deliberada das forças do Norte da Síria."

É mais uma covardia de Trump. Ontem, a artilharia turca fez disparos contra uma base de forças de operações especiais dos EUA na cidade de Kobane. A Turquia negou que o alvo fosse o quartel dos americanos, mas oficiais dos EUA consideraram que foram "tiros de advertência" que caíram dos dois lados da base.

As forças do regime sírio e da Rússia estão em Kamichlié, considerada a capital da região curda na Síria, que fica no extreme leste da fronteira norte, a oeste do Rio Eufrates.

Desde a intervenção militar da Rússia na guerra civil da Síria em apoio a Assad, a partir de 30 de setembro de 2015, os EUA estão em contato com os russos para evitar qualquer incidente entre suas forças aéreas, mas o secretário Esper declarou que "não mantivemos contato de nenhuma forma para convidá-los nem para compartilhar com eles nossas visões sobre o Oriente Próximo."

Em Istambul, irritado com as críticas do Ocidente à invasão, o ditador turco, Recep Tayyip Erdogan, atacou a Alemanha: "Ontem, no Parlamento alemão, o ministro do Exterior fez um discurso prometendo parar de vender armas à Turquia. Acabo de falar com a chanceler [primeira-ministra] Angela Merkel. Somos aliados na OTAN ou não? Ou a organização terrorista agora é sócia da OTAN?"

A regra básica da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, é que um ataque contra um é considerado um ataque contra todos. Erdogan acusa as milícias curdas da Síria, as Unidades de Proteção do Povo (YPG) de aliança com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que há 35 anos trava uma guerra de guerrilhas contra a Turquia.

Apesar dos protestos internacionais, Erdogan indicou que não pretende suspender a ofensiva antes de criar uma "zona de segurança" de 32 quilômetros de profundidade junto à fronteira. "Não vamos deixar um Estado terrorista se estabelecer no Nordeste da Síria."

Ao sair de seu campo de golfe no estado da Virgínia, Trump considerou "muito inteligente não estar envolvido no intenso combate ao longo da fronteira turca" e acusou "aqueles que erradamente nos levaram para guerras no Oriente Médio" de pressionar os EUA a continuarem no que chama de "guerras sem fim" na região.

Durante entrevista à televisão americana neste domingo, o ex-secretário da Defesa James Mattis, que pediu demissão em janeiro em protesto contra a intenção de Trump de abandonar os aliados curdos: "Podemos querer o fim da guerra. Podemos até mesmo declarar o fim da guerra. Podemos retirar nossas tropas, como o presidente Barack Obama aprendeu da maneira mais difícil no Iraque, mas, como dizemos entre os militares, 'o inimigo ganha os votos'. Neste caso, se não mantivermos a pressão, o Estado Islâmico vai ressurgir. É totalmente certo que vai voltar."

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Israel bombardeia alvos da Guarda Iraniana e do Hesbolá na Síria

As Forças de Defesa de Israel (FDI) atacaram na noite de ontem e madrugada de hoje bases da Força Quods, braço da Guarda Revolucionária do Irã para ações no exterior, e da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) e a defesa antiaérea da Síria, em resposta a um míssil disparado pelos iranianos contra as Colinas do Golã. 

Pelo menos 11 pessoas morreram, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental de oposição com sede em Londres que monitora a guerra civil síria.

O míssil iraniano foi abatido pelo escudo antimísseis de Israel, o Domo de Ferro, no Monte Hermon, uma estação de esqui, afirmaram porta-vozes militares israelenses. Milhares de pessoas assistiram à interceptação.

As FDI bombardearam então, com "dezenas de mísseis", 10 alvos em território sírio, inclusive arsenais situados no Aeroporto Internacional de Damasco, um centro de inteligência do Irã e bases de treinamento dos iranianos. O Irã intervêm na guerra civil da Síria em apoio à ditadura de Bachar Assad.

Em Damasco, testemunhas ouviram fortes explosões. A Rússia declarou que quatro pessoas morreram e que mais de 30 mísseis israelenses foram interceptados pela defesa antiaérea da Síria. Também alegou que Israel atacou primeiro, alvejando um aeroporto no Sudeste de Damasco no domingo à tarde, durante o dia, antes do ataque às Colinas do Golã.

Ao preparar o bombardeio, Israel alertou a Síria a não reagir: "Advertimos os sírios e não dispararem mísseis antiaéreos contra novos aviões e eles decidiram atacar mesmo assim", comentou o general-brigadeiro Ronen Manelis, porta-voz das FDI.

Depois, o comandante da Força Aérea do Irã, Aziz Nasirzadeh, ameaçou, dizendo estar impaciente para eliminar Israel.

Nos últimos anos, Israel acabou com a ambiguidade em relação à presença militar do Irã na Síria e atacou milhares de alvos no país vizinho. O governo israelense deixa claro ao Irã que a intervenção da Rússia na Síria, iniciada em 30 de setembro de 2015, não lhe dá garantia de imunidade.

As Colinas do Golã, ocupadas na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexadas por Israel em 1981, são um lugar de escaramuças frequentes entre Israel e o Irã. O Estado judaico está determinado a impedir a República Islâmica de atacar seu território, especialmente depois que o Irã estabeleceu uma presença militar na Síria por causa da guerra civil.

Israel tenta impedir que o Irã tenha uma presença militar permanente no país vizinho. Já advertiu que não vai tolerar bases iranianas a menos de 50 quilômetros de sua fronteira. Desde 2013, Israel bombardeia a infraestrutura militar iraniana na Síria para impedir que seja usada para atacar seu território de curta distância.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Esforços diplomáticos tentam evitar um massacre em Idlibe

Pelo menos 12 pessoas morreram em bombardeios pesados das Forças Aéreas da Rússia e da Síria contra a cidade de Idlibe, último reduto rebelde importante na guerra civil síria. 

Para evitar um massacre, os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, do Irã, Hassan Rouhani, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan se reúnem sexta-feira em Teerã, a capital iraniana.

Na província de Idlibe, descrita em Moscou e Damasco como "um ninho de terroristas", há entre 10 e 20 mil guerrilheiros de movimentos extremistas muçulmanos, inclusive da rede terrorista Al Caeda, em meio a uma população estimada em 3 milhões de habitantes.

É o início da ofensiva final da ditadura de Bachar Assad para retomar o controle sobre o território da Síria, depois de sete anos e meio de guerra civil, com mais de 500 mil mortes e a fuga de 6 milhões de pessoas do país. As Nações Unidas alertaram para o risco de mais uma matança em grande escala.

Em Washington, o presidente Donald Trump advertiu Assad a não usar armas químicas para não sofrer represálias dos Estados Unidos e aliados. O regime sírio deve esperar o aval de seus maiores aliados, a Rússia e o Irã. A Turquia apoia os grupos rebeldes. Erdogan será uma voz para negociar uma rendição organizada e evitar um massacre.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Rússia e Síria preparam ofensiva contra último reduto rebelde

Com o apoio da Força Aérea e da Marinha da Rússia, as forças leais ao ditador Bachar Assad e milícias aliadas, inclusive iranianas, devem lançar a qualquer momento uma ofensiva contra o último reduto rebelde na guerra civil da Síria, na província de Idlibe, no Noroeste do país, noticiou a agência Reuters. Cerca de 10 mil rebeldes ligados grupos jihadistas estão cercados na região.

A Rússia deslocou navios de guerra capazes de disparar mísseis. Em Moscou, o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, advertiu os Estados Unidos a não reagirem à ação contra "terroristas", como o regime sírio chama seus inimigos na guerra civil.

Lavrov falou em "abscesso purulento". Essa linguagem médica é usada militarmente para desumanizar o inimigo e assim justificar mortos e massacres. A Rússia entrou diretamente na guerra civil síria em 30 de setembro de 2015, quando seu aliado Assad parecia perdido, e virou o jogo.

No caso, a maioria dos rebeldes pertence a grupos jihadistas como o Exército da Conquista, uma aliança que inclui a rede Al Caeda, e tem o apoio da Turquia. O presidente Recep Tayyip Erdogan entrou em contato com a Rússia e o Irã, que também apoia Assad, para evitar uma massacre que parece iminente.

Através da subsecretária Heather Nauert, porta-voz do Departamento de Estado, os EUA "manifestaram preocupação não apenas com um possível ataque químico, mas com qualquer tipo de escalada da violência em Idlibe que ponha em riscos os civis e a infraestrutura".

Com a carta branca que Trump deu aos generais do Pentágono, a Força Aérea dos EUA arrasou Rakka, a capital do califado proclamado em 2014 pela organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Recentemente, cancelou uma ajuda de US$ 200 milhões para reconstruir a região e pediu aos aliados no Oriente Médio, especialmente a Arábia Saudita, para pagar a conta.

Em sete anos e meio, mais de 500 mil pessoas morreram na guerra civil da Síria. Cerca de 6 milhões de pessoas fugiram do país.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Rússia faz acordo para manter Irã longe de Israel

A Rússia e Israel chegaram a um acordo para manter as forças do Irã que participam da guerra civil da Síria a pelo menos 85 quilômetros da fronteira israelense nas Colinas do Golã, anunciou o enviado especial russo para o conflito, citado pela agência oficial Sputnik. Israel exige uma retirada total.

“Como levamos em consideração as preocupações israelenses, conseguimos uma retirada das unidades iranianas para uma distância mínima de 85 km da fronteira com Israel”, declarou o enviado especial Alexander Lavrentiev. Ele afirmou que a preocupação israelense está diminuindo.

O primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu advertiu repetidas vezes que Israel não vai tolerar o estabelecimento de bases militares permanentes do Irã na Síria. No mês passado, Israel rejeitou uma oferta da Rússia para manter as tropas iranianas a pelo menos 100 quilômetros da fronteira israelense. Exigiu uma retirada total.

Com sua intervenção militar na guerra civil da Síria a partir de 30 de setembro de 2015 para apoiar o ditador amigo Bachar Assad, a Rússia voltou a ser uma grande potência no Oriente Médio e tem um papel central nas negociações para acabar com a guerra civil na Síria, que matou mais de 500 mil pessoas nos últimos sete anos e cinco meses.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Israel derruba caça sírio que invadiu espaço aéreo israelense

Dois mísseis antiaéreos Patriota abateram um avião Sukhoi da Força Aérea da Síria que entrou dois quilômetros em território israelense. Um dos pilotos morreu.  A ditadura de Bachar Assad afirmou que atacava terroristas em seu território.

Foi o primeiro avião sírio derrubado por Israel desde 2014, quando outro Sukhoi de fabricação russa, foi derrubado. O Exército da Síria acusou Israel de apoiar “terroristas”, expressão que usa para todos os rebeldes que lutam contra a ditadura de Assad.

“Fizemos numerosas advertências por numeros canais em várias línguas para ter certeza de que ninguém viole o espaço aéreo de Israel nem ameace a soberania e civis israelenses”, declarou o tenente-coronel Jonathan Conricus, porta-voz militar de Israel.

A Força Aérea de Israel mantém contatos regulares com a Rússia, que domina o espaço aéreo da Síria desde que interveio na guerra civil do país em 30 de setembro de 2015 para evitar qualquer conflito com Moscou.

De acordo com militares israelenses, o avião sírio decolou na base aérea T-4, que já foi atacada por Israel por causa da presença de soldados iranianos, e voou em “alta velocidade” em direção às Colinas do Golã.

“Israel tem uma política muito clara: a nenhum avião, e certamente a nenhum avião sírio, é permitido entrar em nosso espaço aéreo sem a devida autorização”, afirmou Amos Yadlin, ex-diretor da inteligência militar israelense, à Rádio do Exército.

Em fevereiro, a Síria abatou um caça-bombardeiro F-15 que participava de um ataque aéreo contra uma base ligada ao Irã de onde saíra um drone iraniano que invadiu o espaço aéreo israelense. O piloto e o navegador saíram feridos.

Depois do abate do avião sírio hoje, o alarme antiaéreo soou em Israel nas Colinas do Golã e no Vale do Rio Jordão. Dois mísseis terra-terra disparados da Síria caíram em território sírio. Em 13 de julho, um míssi Patriota de Israel derrubou um drone vindo da Síria que penetrou 10 quilômetros em território israelense.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Putin apela a Netanyahu para que Israel não ataque a Síria

Em telefonema ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o ditador da Rússia, Vladimir Putin, pressionou Israel a não bombardear a Síria para não desestabilizar ainda mais o país. O líder israelense deixou claro, em contatos anteriores com Putin, que não vai tolerar a presença de bases militares do Irã na Síria.

Israel está em estado de alerta, esperando uma retaliação do Irã depois de um ataque contra uma base aérea na Síria em que quatro iranianos teriam sido mortos. O governo israelense aproveitou a tensão criada por mais um bombardeio da ditadura de Bachar Assad aos rebeldes com armas químicas na periferia de Damasco para lançar mísseis contra a base aérea.

Em discurso no Memorial do Holocausto, Netanyahu advertiu: "Tenho uma mensagem para os líderes do Irã: não testem a determinação de Israel". Putin insistiu na importância de manter a soberania síria. Se o Irã revidar, Israel pode decidir acabar com a presença militar iraniana na Síria, com risco de provocar uma guerra ainda mais séria no Oriente Médio.

A tensão se agravou porque o presidente Donald Trump ameaça ordenar um ataque das forças dos Estados Unidos contra o regime de Assad, provavelmente um bombardeio de mísseis.

Tanto a Síria quanto a Rússia negam até mesmo que tenha havido um ataque químico, em Duma, no distrito de Guta Oriental, na periferia de Damasco, a capital síria. Mas o mundo inteiro viu imagens das vítimas sufocadas por substâncias tóxicas.

Desde setembro de 2015, a Rússia intervém na guerra civil da Síria e domina o espaço aéreo do país.  O local atacado com armas químicas era o último reduto rebelde nos arredores da capital. Estava cercado por forças sírias e milícias aliadas. Ninguém entrava ou saía sem autorização.

Agora, os últimos rebeldes da milícia extremista muçulmana Jaysh al-Islam saíram e foram para Idlibe, única região importante ainda sob controle rebelde, depois de sete anos de guerra civil, com 500 mil mortos

terça-feira, 10 de abril de 2018

Guerra na Síria tira Trump da Cúpula das Américas

Diante da possibilidade de um bombardeio dos Estados Unidos à Síria em retaliação a um ataque químico contra rebeldes na cidade de Duma, o presidente Donald Trump desistiu de participar da 8ª Reunião de Cúpula das Américas, marcada para 13 e 14 de abril em Lima, no Peru, anunciou hoje a Casa Branca.

"A pedido do presidente, o vice-presidente vai viajar em seu lugar", declarou a porta-voz do governo, Sarah Huckabee Sanders. "O presidente vai ficar nos EUA para supervisionar a resposta americana à Síria e acompanhar os acontecimentos ao redor do mundo."

Depois de mais ataque químico, o 210º em pouco mais de sete anos de guerra, desta vez 60 mortos e mil feridos, que descreveu como "atroz" e "horrível", Trump ameaçou contra-atacar a ditadura de Bachar Assad: "Vamos tomar a decisão rapidamente, provavelmente ainda hoje. Não podemos permitir atrocidades como essa."

Seria a primeira visita de Trump à região. A desistência deixa claro mais uma vez o desinteresse pela América Latina.

domingo, 8 de abril de 2018

Trump ameaça bombardear a Síria após uso de armas químicas

O presidente Donald Trump advertiu hoje que há um "grande preço a pagar", ameaçando atacar a ditadura de Bachar Assad em resposta ao uso de armas químicas na cidade de Duma, na região de Guta Oriental, último reduto rebelde na periferia de Damasco, a capital da Síria. Ao menos 48 pessoas morreram e outras 500 saíram feridas.

Pela primeira vez, Trump responsabilizou diretamente o protoditador Vladimir Putin, acusando-o e à Rússia e ao Irã pelo apoio que dão a Assad: "Muitos mortos, inclusive mulheres e crianças num ataque QUÍMICO insensato na Síria. Area da atrocidade está fechada e cercada pelo Exército sírio, tornando-a completamente inacessível ao mundo exterior.

"Presidente Putin, Rússia e Irã são responsáveis por apoiar Animal Assad. Grande preço a pagar. Abram a área imediatamente para assistência médica e investigação. Outro desastre humanitário por nenhuma razão, qualquer que seja. DOENTIO", escreveu o presidente no Twitter.

Em seguida, culpou o ex-presidente Barack Obama, que ameaçou a reagir a ataques com armas químicas mas nada fez quando o regime de Assad matou 1.729 num ataque a Guta Oriental em 21 de agosto de 2013: "Se o presidente Obama tivesse cruzado a linha vermelha que traçou na areia, o desastre na Síria teria terminado há muito tempo! Animal Assad seria história."

Alguns senadores da linha dura do Partido Republicano estão pressionando Trump a ordenar uma ação militar: "Se ele não levar adiante e realizar o que disse no tuíte, vai parecer fraco diante da Rússia e do Irã", declarou o senador Lindsay Graham.

A União Europeia "condenou nos termos mais fortes o uso de armas químicas" e pediu uma "resposta imediata da comunidade internacional para ter certeza de que os responsáveis tenham de prestar contas". Também pressionou a Rússia e o Irã "a usar sua influência para prevenir qualquer outro ataque e garantir a cessação das hostilidades e uma desescalada na violência."

O ministro do Exterior britânico, Boris Johnson, chamou o ataque de "profundamente perturbador" e pediu à Rússia que permita uma investigação independente da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ).

Em Moscou, a Rússia defendeu a ofensiva do regime sírio: "Aqueles que não estão interessados na destruição de um dos últimos ninhos de terroristas em território sírio não querem um acordo político genuíno, tentam complicar a situação de todas as maneiras e impedir a evacuação de civis."

Amanhã, o Conselho de Segurança das Nações Unidas faz uma reunião de emergência a pedido dos Estados Unidos, mas a expectativa é que a Rússia vete qualquer tentativa de represália contra Assad, mais um motivo para Trump ordenar um ataque.

Ataque com armas químicas atribuído ao regime mata 48 na Síria

Um bombardeio com armas químicas matou pelo menos 48 pessoas e intoxicou outras 500 ontem à noite na cidade de Duma, a maior da região de Guta Oriental, último reduto rebelde na região de Damasco, a capital da Síria. É o pior ataque químico desde o uso de gás sarin na vila de Khan Cheikhun, no Norte do país. Em ambos os casos, a responsabilidade é atribuída à ditadura de Bachar Assad.

Hoje ao meio-dia, o regime sírio anunciou um acordo para a retirada dos últimos combatentes da milícia extremista muçulmana Jaish al-Islam (Exército do Islã). Os rebeldes ainda não confirmaram se saem mesmo.

Desde a ofensiva das tropas leais ao regime e aliados, que incluem milícias xiitas apoiadas pelo Irã e a Força Aérea da Rússia, em 18 de fevereiro, cerca de 1,6 mil civis foram mortos e milhares de rebeldes se renderam ou foram transferidos com sua família para Idlibe, no Noroeste da Síria. Até agora, o grupo Jaish al-Islam havia rejeitado as ofertas para abandonar Duma.

Cerca de 500 pessoas foram socorridas sábado à noite nos hospitais de Duma, revelou a Sociedade Médica Sírio-Americana (SAMS, do inglês), uma organização não governamental que mantém médicos e enfermeiros no campo de batalha.

As vítimas apresentavam sintomas de "exposição a um agente químico", como dificuldades respiratórias, redução da frequência cardíaca e uma sensação de queimação nos olhos. "Uma espuma saía de suas bocas e eles exalavam um odor semelhante ao do cloro", acrescentou o comunicado da SAMS. O agente tóxico não foi identificado.

Durante os sete anos de uma guerra civil brutal, a ditadura de Assad atacou várias vezes com armas químicas. O pior ataque foi com gás sarin contra Guta em 21 de agosto de 2013, com um total de 1.729. Na época, o então presidente Barack Obama, que ameaçara bombardear a Síria se Assad usasse armas químicas, não retaliou. A Rússia propôs um acordo para acabar com o arsenal químico sírio. Foi uma manobra para proteger o aliado.

Diante da hesitação de Obama, em 30 de setembro de 2015, a Rússia interveio na guerra civil da Síria para sustentar Assad, que desde então virou o jogo e hoje controla todas as grandes cidades e a maior parte do território. As exceções são uma região do Norte invadida pela Turquia para atacar rebeldes curdos e uma região tomada da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante por uma milícia árabe-curda apoiada pelos Estados Unidos.

Nos últimos dias, o presidente Donald Trump anunciou a retirada das forças americanas da Síria. Sob a proteção da Rússia, Assad deve ter concluído que não haveria maior risco de voltar a usar armas químicas. Mas Trump, que bombardeou a base aérea de onde partiu o ataque químico a Khan Cheikhun, ameaça retaliar mais uma vez.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Civis fogem em massa de regiões sob ataque na Síria

Cerca de 20 mil civis fugiram ontem do distrito de Guta Oriental, alvo há semanas de uma ofensiva do Exército da Síria e aliados, inclusive a Força Aérea da Rússia. No Norte da Síria, milhares de curdos fogem de uma ofensiva da Turquia para evitar a criação de um enclave em sua fronteira.

A guerra civil síria completou sete anos com um total de 500 mil. Cerca de 12 milhões, mais metade da população, fugiram de casa e 5,5 milhões saíram do país. A tragédia humanitária continua sem trégua. 

Com a cobertura dos bombardeios aéreos, as forças leais à ditadura de Bachar Assad avançam por terra. Já controlam mais da metade do território de Guta Oriental, uma região agrícola na periferia de Damasco, último reduto dos rebeldes nos arredores da capital síria.

Só da cidade de Hamuriê saíram 10 mil pessoas nos últimos dias. Quem ficou se esconde em ruínas, túneis e cavernas. "Fugi através do campo", contou um sírio via Skype ao jornal americano The Washington Post. "Havia um intenso bombardeio a meu redor. A fuga é um renascimento porque o suplício aqui era igualmente perigoso."

Outra testemunha contou que "famílias inteiras foram assassinadas. Seus corpos estão jogados nas ruas. Ninguém pode ajudar por causa dos bombardeios."

A Batalha de Guta Oriental é das mais encarniçadas da guerra civil síria. O total de mortos é estimado em 1,8 mil.

Em Ancara, a Turquia repudiou uma moção aprovada no Parlamento Europeu para exigir a retirada imediata da região de Afrin. Quando uma milícia árabe-curda financiada, treinada e armada pelos Estados Unidos para combater o Estado Islâmico ocupou a área, o governo turco viu uma ameaça por causa da ligação dos guerrilheiros curdos com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que luta pela autonomia dos curdos da Turquia.

O ditador turco, Recep Tayyip Erdogan, teme que os curdos da Síria se juntem aos do Iraque para proclamar a independência do Curdistão e reivindicar a soberania sobre a região de maioria curda na Turquia.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Ataque da Síria e da Rússia matou mais de 500 pessoas em Guta

Com novos bombardeios das forças áereas da Síria e da Rússia, o total de mortos depois de sete dias de ataques ao enclave rebelde de Guta Oriental passou de 500, sendo mais de 120 crianças, informou hoje o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental de oposição com sede em Londres que monitora a guerra civil no país, noticiou a televisão pública britânica BBC.

Só hoje pelo menos 29 civis foram mortos na região, sendo 17 na principal cidade, Duma. A Rússia, que intervém militarmente no conflito desde 30 de setembro de 2015 em apoio à ditadura de Bachar Assad, nega participação direta no bombardeio a Guta Oriental, o último reduto rebelde na região de Damasco, a capital da Síria.

Em Nova York, por unanimidade, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma resolução exigindo um cessar-fogo imediato de 30 dias para permitir o acesso de ajuda humanitária.

Por iniciativa da Rússia, foram excluídas da trégua a organização terrorista Estado Islâmico e as três milícias jihadistas que controlam Guta Oriental: Jaish al-Islam (Exército do Islã), Faylaq al-Rahman (Legião de al-Rahman) e Hayat Tahrir al-Sham (Organização ou Comitê para a Libertação do Levante), uma aliança da qual faz parte a antiga Frente al-Nusra, braço da rede terrorista al Caeda no conflito sírio.

Esta exclusão permitiria a continuação da ofensiva da ditadura de Bachar Assad para desalojar os rebeldes de Guta Oriental, cercada por forças governistas e milícias aliadas desde 2013, quando um ataque com armas químicas matou 1.729 pessoas. Pode tornar inócua mais uma resolução da ONU.

Na propaganda oficial, as forças sírias e aliados estão "libertando" Guta Oriental do controle de "terroristas", como a ditadura de Assad chama todos os seus inimigos. Com a intervenção militar russa e o fim do Estado Islâmico, atacado também pelos Estados Unidos e aliados, o regime sírio reassumiu o controle sobre a maior parte do território do país e tenta acabar com os últimos redutos rebeldes.

Cerca de 500 mil pessoas foram mortas na guerra civil síria, que completa sete anos em março. Doze milhões, mais da metade da população, fugiram de suas casas e 5 milhões saíram do país. Daqui a 15 dias, o Conselho de Segurança da ONU deve avaliar a aplicação do cessar-fogo.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Bombardeio do governo mata mais 250 pessoas na Síria

Pelo menos 250 pessoas morreram ontem e hoje, inclusive 50 crianças, em ataques aéreos e de artilharia da ditadura de Bachar Assad contra um reduto dos rebeldes em Guta, um cinturão verde nos arredores de Damasco, a capital da Síria, noticiou a televisão pública britânica BBC.

Seis hospitais foram bombardeados nos últimos dois dias, denunciou um porta-voz das Nações Unidas. É o pior ataque a Guta Oriental desde que a área foi alvejada com armas químicas em 21 de agosto de 2013, quando 1.729 pessoas foram mortas, sendo apenas 51 combatentes. Hoje dez cidades e vilas da região foram atacadas.

Ao mesmo tempo, o Exército da Síria entrou em Afrin, uma região invadida pelo Exército da Turquia no Norte do país para combater as Forças Democráticas Sírias (FDS), uma milícia árabe-curda de maioria curda financiada e armada pelos Estados Unidos na luta contra a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Com o fim do califado proclamado em junho de 2014 pelo Estado Islâmico, o regime de Assad vê uma oportunidade de acabar com a guerra civil, que completa sete anos em março. A ditadura intensificou o bombardeio para tornar inabitáveis as regiões onde ocupadas pelos rebeldes.

O regime sírio corria sério risco quando a Rússia interveio militarmente com sua poderosa Força Aérea, em 30 de setembro de 2015. Com a ajuda russa e de seu outro aliado, o Irã, e suas milícias, inclusive do grupo extremista xiita libanês Hesbolá (Partido de Deus), Assad retomou o controle de quase todo o país, com a exceção de alguns bastiões rebeldes e da área retomada do Estado Islâmico pelas FDS.

Cerca de 500 mil pessoas morreram em sete anos de guerra civil na Síria. Dos 23 milhões de habitantes, 12 milhões tiveram de sair de casa e 5 milhões fugiram do país.