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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Ditador da Síria usa terremoto para se reabilitar

 Sob sanções internacionais como principal responsável pela guerra civil na Síria, o ditador Bachar Assad aproveita o terremoto para tentar sair do isolamento. Com eleição presidencial prevista para 18 de junho na Turquia, o ditador Recep Tayyip Erdogan procura bodes expiatórios para terceirizar a culpa pela tragédia.

Depois de colocar 222 oposicionistas presos num avião e mandá-los para os EUA, a ditadura de Daniel Ortega cassa a cidadania de mais 94 oposicionistas, inclusive do ex-vice-presidente Sergio Ramírez, exilado no México.

A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, e o presidente do Banco Mundial, David Malpass, caíram. 

Um balão-espião abatido há uma semana abalou as relações já tensas entre os Estados Unidos e a China, mas o diálogo deve ser retomado neste fim de semana na Conferência de Segurança de Munique. E a guerra da Rússia contra a Ucrânia, que completa um ano no dia 24, criou um mundo mais incerto e perigoso, com a volta até mesmo do risco de uma guerra nuclear entre superpotências. Meu comentário:

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Reino Unido volta ao confinamento rigoroso para conter a pandemia

 Depois de uma onda de contágio da doença do coronavírus de 2019 causada por uma mutação mais infecciosa, com 50 mil casos novos por dia durante uma semana, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, voltou a impor hoje um confinamento nacional rigoroso na Inglaterra por pelo menos sete semanas. As escolas voltam a fechar e só devem reabrir em 15 de fevereiro.

 A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, anunciou as mesmas medidas pela manhã. Com a hospitalização acima do pico da primeira onde de contaminação, em abril, a meta é evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde.

Os Estados Unidos registraram um novo recorde de hospitalização, com mais de 128 mil pacientes internados com covid-19.

Mais de 13 milhões de pessoas vacinadas, mais de 9 milhões nos EUA e na China. O Brasil tenta negociar com a Índia. A vacina do laboratório AstraZeneca e da Universidade de Oxford está sendo fabricada na Índia, que decidiu priorizar seus 1 bilhão 380 milhões de habitantes.

Em tentativa sem precedentes de golpe de Estado, o presidente Donald Trump tenta bloquear a certificação da vitória de Joe Biden no Congresso. Meu comentário:

segunda-feira, 13 de março de 2017

Escócia vai convocar novo plebiscito sobre independência

A primeira-ministra Nicola Sturgeon anunciou hoje a convocação de um novo plebiscito sobre a independência da Escócia depois que forem conhecidos os termos da saída do Reino Unido da União Europeia, a ser realizado provavelmente no início de 2019.

No plebiscito de 23 de junho de 2016, a retirada da UE (Brexit = British exit, saída britânica em inglês) foi aprovada por 52% a 48% dos votos, com 62% dos escoceses votando a favor de ficar no projeto de integração da Europa e no mercado comum europeu.

Um novo plebiscito teria de ser aprovado pelo Parlamento Britânico, onde a primeira-ministra conservadora Theresa May se opõe firmemente. Mas, se o Reino Unido sair efetivamente do mercado comum, o que parece provável, a Escócia deve optar pela independência e pelo mercado europeu.

Com a independência da Escócia, que os britânicos chamam de "última descolonização", maior império que o mundo já viu seria reduzido ao centro-sul de uma pequena ilha.

domingo, 23 de outubro de 2016

Escócia quer Brexit flexível para ficar no mercado comum europeu

O divórcio do Reino Unido da União Europeia deve ser flexível para garantir que a Escócia, que votou para ficar no bloco, "seja capaz de garantir a continuidade de uma relação próxima com a Europa, inclusive a associação ao mercado único", afirmou a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, no jornal britânico Financial Times.

Em artigo publicado no FT, Nicola Sturgeon anunciou que o governo semiautônomo da Escócia vai apresentar propostas detalhadas sobre como isso será possível.

Desde a inesperada vitória do não no plebiscito sobre a permanência do Reino Unido na UE, em 23 de junho de 2016, o país discute o futuro de suas relações com o continente. Na Escócia, 62% votaram a favor de ficar na UE.

Para evitar o risco de contaminação, os líderes do bloco, especialmente a Alemanha e a França, se negam a fazer concessões ao Reino Unido. Já deixaram claro que a permanência no mercado comum depende de aceitar a regra básica da livre circulação de pessoas, mercadorias, capitais e serviços.

Como uma das principais razões para a vitória do não foi o controle da imigração, fica difícil conciliar as duas posições. A primeira-ministra britânica, Theresa May, não pretende submeter o acordo do divórcio ao Parlamento Britânico ou a um referendo. Insiste que "Brexit [saída britânica] significa Brexit".

May pretende acionar em março o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que estabelece as condições para a saída de países-membros da UE. As negociações do divórcio devem durar dois anos e tudo aponta para uma Brexit dura e não suave ou flexível como quer a primeira-ministra escocesa.

O Partido Nacional Escocês já prepara um projeto para a realização de um novo plebiscito sobre a independência da Escócia, caso as relações entre o Reino Unido e a UE mudarem fundamentalmente.

"Deixei claro que a Escócia deve ser capaz de considerar a independência se ficar claro que é a melhor ou a única maneira de proteger nossos interesses. O anteprojeto de lei publicado para consultas na semana passada foi preparado para permitir que a escolha seja feita, se necessário, antes que o Reino Unido deixe a UE", escreveu a primeira-ministra escocesa.

Sturgeon lembra que "todas as regiões da Escócia votaram a favor de ficar na Europa, mas um governo britânico conservador, com apenas um deputado na Escócia, quer nos tirar da UE. Isto não é aceitável democraticamente".

A nova proposta seria de uma "Brexit flexível em que diferentes partes do Reino Unido ou diferentes setores da economia britânica continuariam associados ao mercado único". Se tal acordo for possível, o que parece altamente improvável, a líder escocesa reivindica que as regiões e nações que votaram a favor sejam autorizadas a ficar na UE.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Corbyn se nega a renunciar após voto de desconfiança da bancada

Por 172 a 40 votos, a bancada do Partido Trabalhista na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico aprovou hoje uma moção de desconfiança contra o líder Jeremy Corbyn por causa da derrota no plebiscito sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia. Corbyn, eleito diretamente pelas bases do partido, se nega a renunciar.

Desde domingo, mais de 20 membros do governo paralelo da oposição trabalhista pediram demissão em protesto contra a liderança de Corbyn, um membro da velha esquerda que sempre viu a UE como um projeto de integração capitalista e se recusou a fazer campanha pela Europa ao lado do primeiro-ministro David Cameron.

Cameron enfrentou hoje sua primeira reunião de cúpula da UE depois da derrota no plebiscito que convocou para tentar acabar com a guerra civil interna do Partido Conservador em torno da Europa, que vem desde a queda da primeira-ministra Margaret Thatcher, em 1990.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, deixou claro mais uma vez que as negociações não começam antes de um pedido oficial do Reino Unido para sair do bloco.

Como Cameron se nega a deflagrar o processo, isso depende da eleição de um novo líder do Partido Conservador, que será então nomeado pela bancada novo primeiro-ministro britânico.

No primeiro momento depois do plebiscito, o ex-prefeito de Londres Boris Johnson, líder da campanha pela saída da UE, era o franco favorito. Mas a última sondagem dá vantagem à ministra do Interior, Theresa May.

Eurocética, May não se empenhou na campanha para sair por lealdade ao primeiro-ministro Cameron, enquanto Johnson é visto como um oportunista que aderiu aos antieuropeus para chegar ao poder. Com Johnson sendo chamado de "homem que quebrou o Reino Unido", crescem as chances de Theresa May ser a segunda mulher a liderar os conservadores, depois de Thatcher (1979-90).

Pela tradição do Partido Conservador, quem mata o rei não ascende ao trono. Em 1990, Michael Heseltine derrubou Thatcher, mas quem foi eleito líder do partido foi John Major.

Enquanto os dois maiores partidos britânicos não tiverem novos líderes, o caos político no Reino Unido não vai acabar e os mercados financeiros vão continuar sofrendo o choque da Brexit (Britain exit).

A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, anunciou que vai amanhã a Bruxelas para discutir com os líderes europeus uma maneira de manter o país na UE, alegando que "62% dos escoceses votaram para ficar na UE" e seria antidemocrático frustrar suas aspirações. O Partido Nacional Escocês, que domina amplamente a política no país, já organiza um novo plebiscito sobre a independência da Escócia.

O chamado empresário hippie, Richard Branson, que começou vendendo discos e hoje tem companhias áereas e um ilha no Mar do Caribe, defende a convocação de um segundo plebiscito quando as consequências econômicas da saída da UE ficarem claras para o eleitorado britânico.

sábado, 25 de junho de 2016

Merkel não vê necessidade de pressa na saída do Reino Unido da UE

A chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, não vê motivo para acelerar a saída do Reino Unido da União Europeia, contradizendo o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker e seu próprio ministro do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, noticiou a agência Reuters.

No momento em que 2 milhões de britânicos firmaram um abaixo-assinado pedindo a convocação de um novo plebiscito, Merkel pede cautela e uma saída organizada.

Juncker entende que a Europa não pode esperar até outubro, quando o primeiro-ministro britânico David Cameron pretende transferir o poder a um novo líder do Partido Conservador.

Hoje o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, nomeou o diplomata belga Didier Seeuws para chefe da força-tarefa que vai coordenar a Brexit (do inglês, Britain exit, saída da Grã-Bretanha). Será a primeira aplicação do artigo 50 do Tratado de Lisboa, que estabelece as regras para um país deixar a UE.

Os líderes europeus temem que o debate sobre a saída britânica estimule outros movimentos ultranacionalistas interessados em romper com a Europa unida, especialmente na França, Holanda, Itália, Dinamarca, Suécia, Áustria e até mesmo na Eslováquia.

Por outro lado, a primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, prepara a convocação de um novo plebiscito sobre a independência e pediu a abertura de um diálogo com a UE para manter o país dentro do bloco europeu.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Reino Unido vota a favor de sair da União Europeia

Por 51,9% a 48,1%, com uma vantagem de mais de um milhão de votos, os eleitores britânicos aprovaram em plebiscito a saída do Reino Unido da União Europeia, anunciaram há pouco as televisões BBC, ITV e Sky. Foi uma decisão chocante para o bloco europeu, os mercados internacionais e a própria moeda britânica. A libra esterlina caiu 12,64% para a menor cotação em 31 anos, US$ 1,36.

Mais de 33 milhões de pessoas votaram, com 17,4 milhões optando pela saída da UE contra 16,1 milhões favoráveis à permanência. Desde o início da apuração, os partidários da saída da UE mostraram desempenho superior ao previsto nas pesquisas.

No Nordeste da Inglaterra, onde a apuração começou, em Newcastle, era esperada uma boa vitória dos europeístas. A vantagem foi estreita. Em Sunderland, a saída ganhou com quase dois terços dos votos.

Na Grande Londres, onde a permanência na UE venceu, uma chuva de verão reduziu o comparecimento às urnas, que no geral chegou a 72,2%, acima das eleições parlamentares do ano passado. No resto da Inglaterra, a saída ganhou decisivamente. Também venceu no País de Gales.

Em Birmingham, a segunda maior cidade do Reino Unido, com 63% de participação, a saída ganhou por pequena margem. Em Manchester, a terceira maior cidade e segundo maior centro cultural do país, tradicional reduto da esquerda, a vitória da permanência na UE foi pequena e a abstenção grande.

Isso revela o fracasso do Partido Trabalhista, sob a liderança de Jeremy Corbyn, da velha esquerda que vê a integração europeia como um projeto liberal capitalista, em mobilizar seu eleitorado para defender a Europa. Corbyn, que votou contra a adesão à Comunidade Europeia no plebiscito de 1975, se negou a fazer campanha ao lado do primeiro-ministro conservador David Cameron.

Os maiores sindicatos, com 6 milhões de associados, pediram o voto para ficar, mas a mobilização do eleitorado de direita e extrema direita foi muito maior. A esquerda fracassou em defender as conquistas e os direitos sociais garantidos pela UE. Se a Escócia declarar a independência, o que restar do Reino Unido será governado por ingleses conservadores.

A Escócia votou amplamente a favor da UE. A saída não ganhou em nenhum distrito eleitoral. A primeira-ministra da Escócia e líder do Partido Nacional Escocês, Nicola Sturgeon, declarou que uma mudança constitucional desta natureza justificaria a convocação de um novo plebiscito para aprovar a independência e ficar na Europa.

Na Irlanda do Norte, onde o fico ganhou, o Sinn Féin, partido do movimento católico, republicano e nacionalista ligado ao extinto Exército Republicano Irlandês (IRA), defende a realização de um plebiscito sobre a unificação da Irlanda.

É uma vitória do nacionalismo retrógrado da ala mais direitista do Partido Conservador e de neofascistas como Nigel Farage, líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP). Ele posa como o grande vencedor, lembrando que sonha com este "dia da independência" há décadas e exige a formação de um governo do grupo Brexit (Britain exit, saída da Grã-Bretanha).

Farage fez três discursos desde a divulgação do resultado, enquanto o primeiro-ministro, o líder da oposição e mesmo os líderes da campanha conservadora pela saída continuam calado.

É uma vitória da extrema direita europeia, para a Frente Nacional de Marine Le Pen, que sonha em convocar um plebiscito semelhante na França, e da ultradireita que avança na Áustria, na Holanda, na Dinamarca e na Suécia, do presidente da Rússia, Vladimir Putin, que considera a UE inimiga, e de um populista inconsequente como o americano Donald Trump.

O primeiro-ministro David Cameron, que convocou o plebiscito na tentativa de acabar com a guerra civil interna do Partido Conservador e defendeu a permanência na UE, está desmoralizado. Entra para a história como um fracassado que destruiu o país.

Líder da campanha pela saída, o patético ex-prefeito de Londres Boris Johnson, um oportunista e um bufão, está pronto a desafiar Cameron e assumir o controle do partido e do governo.

O euro também cai. O projeto europeu está abalado. A vitória dos ultranacionalistas britânicos vai encorajar a extrema direita a reivindicar plebiscitos em outros países da UE, um projeto social-democrata que foi a maior garantia da paz e da prosperidade na Europa em mais de meio século.

O Reino Unido não fez parte do núcleo fundador da Comunidade Econômica Europeia em 1957 (Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo). Nos anos 1960s, por duas vezes, o presidente francês, Charles de Gaulle, vetou a associação britânica, que via como um cavalo de Troia dos Estados Unidos.

Há 43 anos, em 1973, o Reino Unido, a Irlanda e a Dinamarca entraram para a CEE, que passou a ter nove países-membros. Hoje, são 28 membros. A Albânia, Montenegro e a Sérvia negociam a adesão.

Agora, resta ao Reino Unido negociar um divórcio amigável com a UE. Por um lado, há o interesse de manter a segunda maior economia europeia no mercado comum. Por outro lado, a UE não deve fazer nada que estimule outros países a deixar o bloco, não vai querer dar a impressão de que há benefícios em deixar o maior mercado do mundo.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Reino Unido vota em eleições que podem desmanchar o país

As urnas estão abertas nesta quinta-feira, 7 de maio de 2015, de 7h (3h em Brasília) às 22h (18h em Brasília) para as eleições dos 650 deputados da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico. 

Cerca de 45 milhões de eleitores estão aptos a votar em 50 mil seções eleitorais. Nas eleições anteriores, em 2010, 65% compareceram às urnasMais do que o próximo governo, está em jogo o futuro do Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte.

Se for reeleito, o primeiro-ministro conservador David Cameron promete convocar até 2017 um referendo sobre a permanência na União Europeia. Sair do bloco europeu pode ser desastroso para o país que é hoje a quinta maior economia do mundo e provavelmente levaria à independência da Escócia.

Com 34% nas preferências, é improvável que o Partido Conservador consiga formar o próximo governo sozinho e nem mesmo com a ajuda do Partido Liberal-Democrata, liderado pelo vice-primeiro-ministro Nick Clegg parceiro menor na coalizão, que deve ficar com 9% dos votos. O PLD paga o preço de ser governo sem mandar de fato.

Os conservadores perderam votos à direita para o Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), que culpa os imigrantes por todos os problemas do país e quer sair da UE. Cameron fez campanha em cima da recuperação econômica. O Reino Unido foi o país rico que mais cresceu em 2014, 2,8%, mas o ritmo caiu para 0,2% no último trimestre, e a retomada desigual favorece os ricos. Elitistas, os conservadores são vistos como distantes da realidade do cidadão comum.

Popular entre ingleses brancos desempregados e a classe média empobrecida pela crise, o UKIP, torna o Partido Conservador ainda mais eurocético ao roubar-lhe o eleitorado menos educado, alimentando o antieuropeísmo que pode levar o reino a deixar a UE. Tem 12% das preferências.

O outro candidato a liderar o próximo governo é o líder do Partido Trabalhista, Ed Miliband. Com 33% nas pesquisas, os trabalhistas não conseguirão formar o próximo governo sozinhos, em parte por causa do avanço do Partido Nacional Escocês (PNE).

Depois de perderem o referendo sobre a independência da Escócia em 2014 por 55% a 45%, os nacionalistas se encaminham para eleger todos os deputados escoceses do Parlamento Britânico, do qual querem se separar. Na Câmara dos Comuns recém dissolvida, a oposição trabalhista tinha 40 dos 59 deputados da Escócia.

Isso significa que numa Câmara sem maioria absoluta, o PNE e sua nova líder, Nicola Sturgeon, a grande estrela desta campanha eleitoral, podem ter um papel decisivo na formação de um governo trabalhista. Seu principal objetivo declarado é derrotar os conservadores.

Na reta final da campanha, Miliband prometeu não fazer qualquer acordo capaz de comprometer a unidade do Reino Unido. Aos nacionalistas escoceses, naturalmente, só interessa barganhar concessões que aumentem a autonomia rumo à independência.

Assim, ganham conservadores ou trabalhistas, estas eleições ajudam o movimento nacionalista escocês, que terá uma representação no Palácio de Westminster proporcionalmente como maior do que sua votação.

Como o Reino Unido adota o voto distrital em turno único, historicamente sempre houve uma tendência ao voto útil nos dois grandes partidos. Desta vez, além do UKIP e do PNE, o Partido Verde e o partido nacionalista galês Plaid Cymru ajudam a atrapalhar a eleição de uma maioria absoluta. Mas, por causa do voto distrital, os pequenos partidos terão representação muito inferior às que teriam com o voto proporcional.

A primeira grande dúvida hoje é que governo sairá das eleições. A segunda é se conseguirá manter a unidade de um dos países mais importantes dos últimos séculos, que construiu o maior de todos os impérios e legou à humanidade o habeas corpus, a primeira Constituição, a Magna Carta, o júri popular, a língua inglesa, o parlamentarismo e a Revolução Industrial.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Primeira debate na TV da campanha eleitoral britânica dá empate

Com líderes de sete partidos, o primeiro debate na televisão da campanha para as eleições parlamentares de 7 de maio de 2015 no Reino Unido, realizado ontem à noite, revela pelo número de participantes a mudança no panorama político do país. Mas os candidatos a primeiro-ministro ainda vêm dos partidos dominantes no pós-guerra e para os eleitores eles empataram, indica uma pesquisa publicada pelo jornal The Guardian.

Além do primeiro-ministro David Cameron, do Partido Conservador, do vice-primeiro-ministro Nick Clegg, do Partido Liberal-Democrata; e do principal líder da oposição, Ed Miliband, do Partido Trabalhista; estavam na bancada Nigel Farage, do ultradireitista Partido da Independência do Reino Unido (UKIP); Natalie Bennett, do Partido Verde; Nicola Sturgeon, do Partido Nacional Escocês; e Leanne Wood, do Plaid Cymru, o partido nacionalista do País de Gales.

Esta proliferação de partidos deixou o debate ainda mais tenso e caótico, a exemplo do que o Reino Unido pode esperar da próxima Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico. De acordo com a pesquisa, 25% gostaram mais de Miliband e 24% de Cameron. Quando a pergunta foi sobre qual dos dois foi melhor, houve empate em 50%.

Todos atacaram Cameron e Clegg pelas políticas de cortes nos gastos públicos e aumentos de impostos adotadas para enfrentar a crise financeira internacional.

O primeiro-ministro se defendeu dizendo que era preciso reduzir despesas e que a economia voltou a crescer. Com avanço de 2,8%, o Reino Unido teve  acusou todos os outros candidatos de planejarem aumentos de impostos para financiar suas promessas.

À ultradireita, Farage atacou: "Todos os outros partidos aqui presentes são iguais. São todos a favor da União Europeia."

Em seguida, culpou a UE e o que chamou de "migração em massa" por todos os problemas do país, dizendo que 300 mil imigrantes entrou no Reino todos os anos, agravando os problemas habitacionais, educacionais e de saúde.

Sob pressão, até o líder trabalhista foi obrigado a propor limitações aos imigrantes de outros países da UE. Eles teriam de ficar mais de dois anos no país para ter direito a benefícios previdenciários. Farage denunciou o "turismo da saúde", que custaria dois bilhões de libras por ano ao país, alegando que qualquer portador do vírus da aids que se mudar para o Reino Unido terá tratamento garantido pelo Serviço Nacional de Saúde.

A líder escocesa Nicola Sturgeon e Miliband aproveitaram o tema da imigração para criticar Cameron por prometer convocar, se for reeleito, um plebiscito sobre a associação à UE, descrito como um enorme risco para a economia, os empregos e o bem-estar social dos britânicos.

De sua parte, Farage argumentou que "este país precisa governar a si mesmo" e declarou que a única garantia de que vai haver uma consultar popular será a eleição de uma grande bancada de seu partido xenófobo e neofascista.

Cameron fuzilou Farage com o olhar, acusando-o de contribuir para uma vitória trabalhista ao roubar votos dos conservadores à direita. Com Miliband no poder, não vai haver plebiscito para sair da Europa.

Neste caso, se o Reino Unido deixar o bloco europeu, a líder do Partido Nacional Escocês disse que, além da independência, vai lutar para que a Escócia permaneça na UE. Da mesma forma, Leanne Wood, do partido nacionalista galês, defendeu o modelo social-democrata europeu, temendo perder ajuda e benefícios sociais se o Reino Unido deixar a UE.

O grande defensor da integração europeia foi Clegg. O líder liberal-democrata lembrou que são mais de 500 milhões de pessoas que produzem uma riqueza de mais de US$ 18 trilhões por ano.

A candidata verde, Natalie Bennett, tentou convencer o eleitor de que o voto em seu partido não será inútil. No sistema eleitoral britânico, que adota o voto distrital em turno único, há uma forte tendência para o voto útil nos grandes partidos. Os pequenos têm pouca chance e sempre formam bancadas proporcionalmente menores do que sua votação.

Em 7 de maio, os eleitores britânicos vão escolher deputados em 650 distritos. A maioria absoluta seria de 326 cadeiras, mas o partido republicano e nacionalista irlandês Sinn Féin, braço político do Exército Republicano Irlandês (IRA), tem hoje cinco deputados que não tomaram posse porque se recusam a jurar lealdade à coroa britânica. Deve manter a bancada, o que reduz o total de deputados empossados para 645 e a maioria para 323 cadeiras.

Pelas atuais pesquisas, conservadores e trabalhistas teriam em torno de 260 a 290 deputados cada. Cabe ao líder da maior bancada a primeira tentativa de formar um governo. 

O primeiro-ministro tem os liberais-democratas como parceiros naturais, mas estes podem perder muitas cadeiras pelo desgaste de ser governo sem chefiar o governo. Talvez não baste para ter maioria absoluta. Pode ser necessário atrair os partidos unionistas da Irlanda do Norte, que apoiaram o governo John Major (1992-97).

Historicamente o Partido Trabalhista sem dependeu dos deputados da Escócia para ter maioria na Câmara dos Comuns. Os trabalhistas ganharam o plebiscito sobre a independência da Escócia no ano passado, mas o Partido Nacional Escocês deve ganhar as eleições para o Parlamento de Westminster, do qual gostaria de se livrar.

Se Miliband precisar do apoio dos nacionalistas da Escócia e do País de Gales, terá de prometer mais autonomia a estas nações que, com a Inglaterra, formam a Grã-Bretanha desde 1707.

O mais provável no momento é uma vitória conservadora. David Cameron continuaria como primeiro-ministro. Mas a parada está indefinida.