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sábado, 31 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 31 de Janeiro

 ENFORCADO POR TENTAR EXPLODIR O PARLAMENTO

    Em 1606, Guy Fawkes é executado em Londres por tentar explodir o Parlamento da Inglaterra na Conspiração da Pólvora, que também pretende matar o rei Jaime I por causa da repressão aos católicos.

Fawkes nasce em York em 13 de abril de 1570. Aos 8 anos, o pai morre. A mãe casa de novo com um católico de um movimento chamado Recusa, de pessoas que se negam a aceitar os rituais da Igreja Anglicana. 

Ele se converte ao catolicismo e vai para o continente, onde luta ao lado da Espanha católica contra os Países Baixos protestantes na Guerra dos Oitenta Anos (1568-1648). Na Espanha, busca sem sucesso apoio para uma revolta católica na Inglaterra.

Robert e Thomas Wintour o apresentam a Robert Catesby, que planeja matar Jaime I para colocar um rei católico no trono. Eles alugam um espaço no porão do Palácio de Westminter, a sede do Parlamento, para onde levam barris de pólvora.

Uma carta anônima denuncia a Conspiração da Pólvora. Por volta da meia-noite de 4 para 5 de novembro, o juiz de paz Sir Thomas Knyvet encontra Guy Fawkes no porão do Palácio de Westminster em atitude suspeita e manda revistar o local. A polícia encontra 20 barris de pólvora.

Guy Fawkes é preso. Sob tortura, confessa fazer parte de uma conspiração católica e é condenado à morte na forca. 

Por ironia da história, os ingleses festejam com fogos o Dia de Guy Fawkes porque ele tentou explodir o Parlamento como uma revolta contra os poderes constituídos. A máscara com a imagem estilizada de Fawkes virou símbolo de movimentos anarquistas.

NASCIMENTO DE SCHUBERT

    Em 1797, nasce em Himmelpfortgrund, perto de Viena, a capital da Áustria, o compositor clássico e romântico Franz Schubert, conhecido pela melodia e harmonia de suas músicas e suas composições de música de câmera.

Seu pai, Franz Theodor Schubert, é diretor de escola e chefe de uma família musical que forma um quarteto de cordas em casa. O futuro compositor toca viola e recebe educação musical do pai e do irmão Ignaz. Em 1808, ele ganha uma bolsa e um lugar no coro da capela da corte imperial.

Tímido, Schubert reluta em apresentar suas primeiras composições. Entre elas, está Fantasia para um Dueto de Piano. Talvez sua música mais conhecida seja a Sinfonia nº 8 em Si Menor, a Inacabada.

TRUMAN INVESTE NA BOMBA H

    Em 1950, cinco meses depois da explosão da primeira bomba atômica da União Soviética, o presidente Harry Truman anuncia aos Estados Unidos a decisão de desenvolver a bomba de hidrogênio, mil vezes mais poderosa do que as bombas jogadas em Hiroxima e Nagasaki em 6 e 9 de agosto de 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Os EUA testam sua primeira bomba de hidrogênio, chamada Mike, em 1º de novembro de 1952 no atol de Eniwetok, nas ilhas Marshall, no Oceano Pacífico.

As primeiras armas atômicas são de fissão nuclear de átomos pesados, o urânio-235 e o plutônio. Sua energia vem da divisão do núcleo de átomos pesados. 

A bomba de hidrogênio ou bomba termonuclear é resultado da fusão nuclear de átomos leves. Dois átomos de hidrogênio pesado e mais do que pesado se fundem a uma temperatura altíssima. É a reação que produz a energia do sol e das estrelas. O gatilho da bomba de hidrogênio é uma explosão nuclear de urânio para gerar a temperatura de 100 milhões de graus centígrados necessária à fusão nuclear.

No processo de fusão, as partículas subatômicas perdem 0,63% da massa, que se converte numa enorme quantidade de energia medida pela famosa fórmula de Albert Einstein: E = mc2, em que c é uma constante que representa a velocidade da luz no vácuo: 300 mil quilômetros por segundo.

Houve bombas de hidrogênio de mais de 50 megatons, com o poder de destruição de mais de 50 milhões de toneladas de dinamite. As instaladas em mísseis têm geralmente até 1,5 megaton.

A União Soviética testa sua primeira bomba de hidrogênio em 12 de agosto de 1953, elevando a corrida armamentista nuclear a outro patamar. O Reino Unido (1957), a China (1967) e a França (1968) também fazem a bomba H.

CENTRO POMPIDOU

    Em 1977, a França inaugura o Centro Nacional de Arte e Cultura Georges Pompidou, um complexo cultural batizado com o nome do presidente Pompidou (1696-74), que encomenda o projeto aos arquitetos italianos Renzo Piano e Gianfranco Franchini e aos britânicos Richard Rogers e Su Rogers.

O Centro Pompidou fica na área do Beauborg, como também é conhecido. O largo na sua frente é um local de debates políticos. Fica no 4º distrito de Paris, no bairro do Marais, perto de Les Halles, um centro comercial subterrâneo.

No complexo, ficam o Museu Nacional de Arte Moderna, a Biblioteca Pública da Informação, um centro para música e pesquisas acústicas, um centro de desenho industrial, um museu do cinema e o Atelier Brancusi, com esculturas do artista romeno Constantin Brancusi.

BREXIT

    Em 2020, três anos e meio depois de um plebiscito, o Reino Unido deixa oficialmente a União Europeia.

O processo de integração europeia começa com o Plano Schuman, anunciado em 9 de maio de 1950 pelo ministro das Relações Exteriores da França, Robert Schuman, para acabar com as guerras na Europa e promover o desenvolvimento econômico e social do continente.

A Comunidade Econômica Europeia é criada pelo Tratado de Roma, assinado em 25 de março de 1957 pela Alemanha Ocidental, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo, que entra em vigor em 1º de janeiro de 1958.

Em 1963 e 1967, o então presidente da França, general Charles de Gaulle, veta a entrada do Reino Unido, que adere ao bloco europeu em 1º de janeiro de 1973. Na época, o Partido Conservador era a favor por representar as classes empresariais. O Partido Trabalhista era contra.

Por causa da insularidade e do passado imperial, o Reino Unido sempre mantém uma relação ambivalente. A primeira-ministra Margaret Thatcher (1979-90) luta pela criação do mercado único europeu, mas é contra a união política, uma das causas de sua queda, um regicídio que divide profundamente o Partido Conservador.

Quando o Tratado de Maastricht cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia, em 1991, o primeiro-ministro John Major (1990-97) deixa o Reino Unido fora da união monetária e econômica. No governo trabalhista de Tony Blair (1997-2007), um europeísta, o país não adere ao euro.

Na campanha de reeleição, o primeiro-ministro conservador David Cameron (2010-16) promete convocar um plebiscito para o eleitorado britânico decidir se quer ou não fazer parte da UE. Seu objetivo é acabar com a guerra civil interna do partido que vem desde a queda de Thatcher. A campanha é marcada por promessas e notícias falsas. 

O líder da campanha para sair, o deputado conservador Boris Johnson, faz um manifesto contra e outro a favor. Opta pela saída porque considera melhor para sua pretensão de governar o país. Entre suas mentiras, afirma que os 350 milhões de libras que o país economizaria por semana não tendo de contribuir para o orçamento comunitário seriam investidos no Serviço Nacional de Saúde (NHS), que dá assistência médica de graça a todos os habitantes do Reino Unido.

Em 23 de junho de 2016, por 52% a 48%, o Reino Unido decide sair da UE. Londres, a Escócia e a Irlanda da Norte votam para ficar.

É uma das decisões econômicas mais inconsequentes e estúpidas de qualquer economia moderna. Imaginar que é bom negócio abandonar parceiros comerciais vizinhos e ricos com que se tem um mercado comum há mais de 40 anos e substituí-los por ex-colônias não faz sentido. O Reino Unido acaba de abandonar negociações de livre comércio com o Canadá porque só conseguiu condições piores do que tinha como membro da UE. 

Cameron pede demissão e é substituído pela primeira-ministra Theresa May (2016-19), que votou a favor de ficar e nunca é aceita pelos eurocéticos. Suas propostas de acordo de divórcio com a UE são rejeitadas pela Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

Johnson consegue derrubar May e vence as eleições parlamentares de 12 de dezembro de 2019 com a promessa de concluir a saída da UE.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 31 de Janeiro

ENFORCADO POR TENTAR EXPLODIR O PARLAMENTO

    Em 1606, Guy Fawkes é executado em Londres por tentar explodir o Parlamento da Inglaterra na Conspiração da Pólvora, que também pretende matar o rei Jaime I por causa da repressão aos católicos.

Fawkes nasce em York em 13 de abril de 1570. Aos 8 anos, o pai morre. A mãe casa de novo com um católico de um movimento chamado Recusa, de pessoas que se negam a aceitar os rituais da Igreja Anglicana. 

Ele se converte ao catolicismo e vai para o continente, onde luta ao lado da Espanha católica contra os Países Baixos protestantes na Guerra dos Oitenta Anos (1568-1648). Na Espanha, busca sem sucesso apoio para uma revolta católica na Inglaterra.

Robert e Thomas Wintour o apresentam a Robert Catesby, que planeja matar Jaime I para colocar um rei católico no trono. Eles alugam um espaço no porão do Palácio de Westminter, a sede do Parlamento, para onde levam barris de pólvora.

Uma carta anônima denuncia a Conspiração da Pólvora. Por volta da meia-noite de 4 para 5 de novembro, o juiz de paz Sir Thomas Knyvet encontra Guy Fawkes no porão do Palácio de Westminster em atitude suspeita e manda revistar o local. A polícia encontra 20 barris de pólvora.

Guy Fawkes é preso. Sob tortura, confessa fazer parte de uma conspiração católica e é condenado à morte na forca. 

Por ironia da história, os ingleses festejam com fogos o Dia de Guy Fawkes porque ele tentou explodir o Parlamento como uma revolta contra os poderes constituídos. A máscara com a imagem estilizada de Fawkes virou símbolo de movimentos anarquistas.

NASCIMENTO DE SCHUBERT

    Em 1797, nasce em Himmelpfortgrund, perto de Viena, a capital da Áustria, o compositor clássico e romântico Franz Schubert, conhecido pela melodia e harmonia de suas músicas e suas composições de música de câmera.

Seu pai, Franz Theodor Schubert, é diretor de escola e chefe de uma família musical que forma um quarteto de cordas em casa. O futuro compositor toca viola e recebe educação musical do pai e do irmão Ignaz. Em 1808, ele ganha uma bolsa e um lugar no coro da capela da corte imperial.

Tímido, Schubert reluta em apresentar suas primeiras composições. Entre elas, está Fantasia para um Dueto de Piano. Talvez sua música mais conhecida seja a Sinfonia nº 8 em Si Menor, a Inacabada.

TRUMAN INVESTE NA BOMBA H

    Em 1950, cinco meses depois da explosão da primeira bomba atômica da União Soviética, o presidente Harry Truman anuncia aos Estados Unidos a decisão de desenvolver a bomba de hidrogênio, mil vezes mais poderosa do que as bombas jogadas em Hiroxima e Nagasaki em 6 e 9 de agosto de 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Os EUA testam sua primeira bomba de hidrogênio, chamada Mike, em 1º de novembro de 1952 no atol de Eniwetok, nas ilhas Marshall, no Oceano Pacífico.

As primeiras armas atômicas são de fissão nuclear de átomos pesados, o urânio-235 e o plutônio. Sua energia vem da divisão do núcleo de átomos pesados. 

A bomba de hidrogênio ou bomba termonuclear é resultado da fusão nuclear de átomos leves. Dois átomos de hidrogênio pesado e mais do que pesado se fundem a uma temperatura altíssima. É a reação que produz a energia do sol e das estrelas. O gatilho da bomba de hidrogênio é uma explosão nuclear de urânio para gerar a temperatura de 100 milhões de graus centígrados necessária à fusão nuclear.

No processo de fusão, as partículas subatômicas perdem 0,63% da massa, que se converte numa enorme quantidade de energia medida pela famosa fórmula de Albert Einstein: E = mc2, em que c é uma constante que representa a velocidade da luz no vácuo: 300 mil quilômetros por segundo.

Houve bombas de hidrogênio de mais de 50 megatons, com o poder de destruição de mais de 50 milhões de toneladas de dinamite. As instaladas em mísseis têm geralmente até 1,5 megaton.

A União Soviética testa sua primeira bomba de hidrogênio em 12 de agosto de 1953, elevando a corrida armamentista nuclear a outro patamar. O Reino Unido (1957), a China (1967) e a França (1968) também fazem a bomba H.

CENTRO POMPIDOU

    Em 1977, a França inaugura o Centro Nacional de Arte e Cultura Georges Pompidou, um complexo cultural batizado com o nome do presidente Pompidou (1696-74), que encomenda o projeto aos arquitetos italianos Renzo Piano e Gianfranco Franchini e aos britânicos Richard Rogers e Su Rogers.

O Centro Pompidou fica na área do Beauborg, como também é conhecido. O largo na sua frente é um local de debates políticos. Fica no 4º distrito de Paris, no bairro do Marais, perto de Les Halles, um centro comercial subterrâneo.

No complexo, ficam o Museu Nacional de Arte Moderna, a Biblioteca Pública da Informação, um centro para música e pesquisas acústicas, um centro de desenho industrial, um museu do cinema e o Atelier Brancusi, com esculturas do artista romeno Constantin Brancusi.

BREXIT

    Em 2020, três anos e meio depois de um plebiscito, o Reino Unido deixa oficialmente a União Europeia.

O processo de integração europeia começa com o Plano Schuman, anunciado em 9 de maio de 1950 pelo ministro das Relações Exteriores da França, Robert Schuman, para acabar com as guerras na Europa e promover o desenvolvimento econômico e social do continente.

A Comunidade Econômica Europeia é criada pelo Tratado de Roma, assinado em 25 de março de 1957 pela Alemanha Ocidental, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo, que entra em vigor em 1º de janeiro de 1958.

Em 1963 e 1967, o então presidente da França, general Charles de Gaulle, veta a entrada do Reino Unido, que adere ao bloco europeu em 1º de janeiro de 1973. Na época, o Partido Conservador era a favor por representar as classes empresariais. O Partido Trabalhista era contra.

Por causa da insularidade e do passado imperial, o Reino Unido sempre mantém uma relação ambivalente. A primeira-ministra Margaret Thatcher (1979-90) luta pela criação do mercado único europeu, mas é contra a união política, uma das causas de sua queda, um regicídio que divide profundamente o Partido Conservador.

Quando o Tratado de Maastricht cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia, em 1991, o primeiro-ministro John Major (1990-97) deixa o Reino Unido fora da união monetária e econômica. No governo trabalhista de Tony Blair (1997-2007), um europeísta, o país não adere ao euro.

Na campanha de reeleição, o primeiro-ministro conservador David Cameron (2010-16) promete convocar um plebiscito para o eleitorado britânico decidir se quer ou não fazer parte da UE. Seu objetivo é acabar com a guerra civil interna do partido que vem desde a queda de Thatcher. A campanha é marcada por promessas e notícias falsas. 

O líder da campanha para sair, o deputado conservador Boris Johnson, faz um manifesto contra e outro a favor. Opta pela saída porque considera melhor para sua pretensão de governar o país. Entre suas mentiras, afirma que os 350 milhões de libras que o país economizaria por semana não tendo de contribuir para o orçamento comunitário seriam investidos no Serviço Nacional de Saúde (NHS), que dá assistência médica de graça a todos os habitantes do Reino Unido.

Em 23 de junho de 2016, por 52% a 48%, o Reino Unido decide sair da UE. Londres, a Escócia e a Irlanda da Norte votam para ficar.

É uma das decisões econômicas mais inconsequentes e estúpidas de qualquer economia moderna. Imaginar que é bom negócio abandonar parceiros comerciais vizinhos e ricos com que se tem um mercado comum há mais de 40 anos e substituí-los por ex-colônias não faz sentido. O Reino Unido acaba de abandonar negociações de livre comércio com o Canadá porque só conseguiu condições piores do que tinha como membro da UE. 

Cameron pede demissão e é substituído pela primeira-ministra Theresa May (2016-19), que votou a favor de ficar e nunca é aceita pelos eurocéticos. Suas propostas de acordo de divórcio com a UE são rejeitadas pela Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

Johnson consegue derrubar May e vence as eleições parlamentares de 12 de dezembro de 2019 com a promessa de concluir a saída da UE.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 31 de Janeiro

TRUMAN INVESTE NA BOMBA H

    Em 1950, cinco meses depois da explosão da primeira bomba atômica da União Soviética, o presidente Harry Truman anuncia aos Estados Unidos a decisão de desenvolver a bomba de hidrogênio, mil vezes mais poderosa do que as bombas jogadas em Hiroxima e Nagasaki em 6 e 9 de agosto de 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Os EUA testam sua primeira bomba de hidrogênio, chamada Mike, em 1º de novembro de 1952 no atol de Eniwetok, nas ilhas Marshall, no Oceano Pacífico.

As primeiras armas atômicas são de fissão nuclear de átomos pesados, o urânio-235 e o plutônio. Sua energia vem da divisão do núcleo de átomos pesados. 

A bomba de hidrogênio ou bomba termonuclear é resultado da fusão nuclear de átomos leves. Dois átomos de hidrogênio pesado e mais do que pesado se fundem a uma temperatura altíssima. É a reação que produz a energia do sol e das estrelas. O gatilho da bomba de hidrogênio é uma explosão nuclear de urânio para gerar a temperatura de 100 milhões de graus centígrados necessária à fusão nuclear.

No processo de fusão, as partículas subatômicas perdem 0,63% da massa, que se converte numa enorme quantidade de energia medida pela famosa fórmula de Albert Einstein: E = mc2, em que c é uma constante que representa a velocidade da luz no vácuo: 300 mil quilômetros por segundo.

Houve bombas de hidrogênio de mais de 50 megatons, com o poder de destruição de mais de 50 milhões de toneladas de dinamite. As instaladas em mísseis têm geralmente até 1,5 megaton.

A União Soviética testa sua primeira bomba de hidrogênio em 12 de agosto de 1953, elevando a corrida armamentista nuclear a outro patamar. O Reino Unido (1957), a China (1967) e a França (1968) também fazem a bomba H.

CENTRO POMPIDOU

    Em 1977, a França inaugura o Centro Nacional de Arte e Cultura Georges Pompidou, um complexo cultural batizado com o nome do presidente Pompidou (1696-74), que encomenda o projeto aos arquitetos italianos Renzo Piano e Gianfranco Franchini e os britânicos Richard Rogers e Su Rogers.

O Centro Pompidou fica na área do Beauborg, como também é conhecido. O largo na sua frente é um local de debates políticos. Fica no 4º distrito de Paris, no bairro do Marais, perto de Les Halles, um centro comercial subterrâneo.

No complexo, ficam o Museu Nacional de Arte Moderna, a Biblioteca Pública da Informação, um centro para música e pesquisas acústicas, um centro de desenho industrial, um museu do cinema e o Atelier Brancusi, com esculturas do artista romeno Constantin Brancusi.

BREXIT

    Em 2020, três anos e meio depois de um plebiscito, o Reino Unido deixa oficialmente a União Europeia.

O processo de integração europeia começa com o Plano Schuman, anunciado em 9 de maio de 1950 pelo ministro das Relações Exteriores da França, Robert Schuman, para acabar com as guerras na Europa e promover o desenvolvimento econômico e social do continente.

A Comunidade Econômica Europeia é criada pelo Tratado de Roma, assinado em 25 de março de 1957 pela Alemanha Ocidental, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo, e entra em vigor em 1º de janeiro de 1958.

Em 1963 e 1967, o então presidente da França, general Charles de Gaulle, veta a entrada do Reino Unido, que adere ao bloco europeu em 1º de janeiro de 1973. Na época, o Partido Conservador era a favor por representar as classes empresariais. O Partido Trabalhista era contra.

Por causa da insularidade e do passado imperial, o Reino Unido sempre mantém uma relação ambivalente. A primeira-ministra Margaret Thatcher (1979-90) luta pela criação do mercado único europeu, mas é contra a união política, uma das causas de sua queda, um regicídio que divide profundamente o Partido Conservador.

Quando o Tratado de Maastricht cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia, em 1991, o primeiro-ministro John Major (1990-97) deixa o Reino Unido fora da união monetária e econômica. No governo trabalhista de Tony Blair (1997-2007), um europeísta, o país não adere ao euro.

Na campanha de reeleição, o primeiro-ministro conservador David Cameron (2010-16) promete convocar um plebiscito para o eleitorado britânico decidir se quer ou não fazer parte da UE. Seu objetivo é acabar com a guerra civil interna do partido que vem desde a queda de Thatcher. A campanha é marcada por promessas e notícias falsas. 

O líder da campanha para sair, o deputado conservador Boris Johnson, faz um manifesto contra e outro a favor. Opta pela saída porque considera melhor para sua pretensão de governar o país. Entre suas mentiras, afirma que os 350 milhões de libras que o país economizaria por semana não tendo de contribuir para o orçamento comunitário seriam investidos no Serviço Nacional de Saúde (NHS), que dá assistência médica de graça a todos os habitantes do Reino Unido.

Em 23 de junho de 2016, por 52% a 48%, o Reino Unido decide sair da UE. Londres, a Escócia e a Irlanda da Norte votam para ficar.

É uma das decisões econômicas mais inconsequentes e estúpidas de qualquer economia moderna. Imaginar que é bom negócio abandonar parceiros comerciais vizinhos e ricos com que se tem um mercado comum há mais de 40 anos e substituí-los por ex-colônias não faz sentido. O Reino Unido acaba de abandonar negociações de livre comércio com o Canadá porque só conseguiu condições piores do que tinha como membro da UE. 

Cameron pede demissão e é substituído pela primeira-ministra Theresa May (2016-19), que votou a favor de ficar e nunca é aceita pelos eurocéticos. Suas propostas de acordo de divórcio com a UE são rejeitadas pela Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

Johnson consegue derrubar May e vence as eleições parlamentares de 12 de dezembro de 2019 com a promessa de concluir a saída da UE.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Reino Unido deixa a UE depois de 47 anos e entra em era de incerteza

Depois de 47 anos e três anos e meio depois do plebiscito que aprovou a saída, o Reino Unido deixa hoje a União das Comunidades Europeias, num duro golpe contra o projeto de integração da Europa e entra numa era de incerteza.

Hoje é um dia histórico. A Europa unida perde sua segunda maior economia. É a primeira vez que um país-membro pede para sair do bloco criado em 1957 por apenas seis países (Alemanha Ocidental, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo) para fortalecer a economia da Europa Ocidental e servir de contraponto aos países comunistas do Bloco Soviético.

Na verdade, a integração foi lançada pelo Plano Schuman, nome de um ministro do Exterior da França, em 9 de maio de 1950, cinco anos depois da rendição da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, para garantir a paz e a prosperidade no continente. Em 1951, foi fundada a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço para controlar a produção e o comércio destas substâncias essenciais à indústria bélica e assim controlar a remilitarização da Alemanha.

A Comunidade Econômica Europeia foi criada pelo Tratado de Roma, em 1957, que entrou em vigor em 1958. Depois de dois vetos do presidente francês, Charles de Gaulle, nos anos 1960, o Reino Unido entrou para a Comunidade Europeia em 1973, no governo conservador de Edward Heath. Meu comentário:

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Primeiro-ministro Boris Johnson perde maioria no Parlamento Britânico

O primeiro-ministro Boris Johnson perde a maioria de um deputado que tinha na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, sofre uma fragorosa derrota e deve convocar eleições antecipadas para outubro.

Três anos e meio depois do plebiscito que aprovou a saída da União Europeia, o Reino Unido afunda no caos. O Parlamento Britânico não consegue chegar a um consenso mínimo nem sobre a saída, quanto mais sobre a futura relação com a União Europeia, o maior mercado para os produtos britânicos.

Autoritário, arrogante e palhaço, o primeiro-ministro está determinado a sair do bloco europeu em 31 de outubro, com ou sem acordo. 

Os estudos indicam que sem acordo seria catastrófico para a economia do país, capaz de perder 10% do produto interno bruto em 5 anos, de acordo com o Banco da Inglaterra. Meu comentário:

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Theresa May cai sob pressão do Partido Conservador

Sem apoio no Parlamento Britânico para aprovar o acordo que negociou para a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), sob pressão da ala mais extremista do Partido Conservador, a primeira-ministra Theresa May anunciou hoje de manhã que deixa o cargo em 7 de junho.

Segunda mulher a ocupar o cargo, sai como uma das piores governantes da história do país. O favorito para sucedê-la na liderança do partido e do governo é o ex-prefeito de Londres e ex-ministro do Exterior, Boris Johnson, um grande bufão da política britânica.

Por três vezes, a Câmara dos Comuns rejeitou o acordo fechado em novembro do ano passado por May com os outros 27 países-membros da UE. Também não houve maioria parlamentar para nenhuma das propostas alternativas, deixando o país no limbo. A saída da UE foi adiada duas vezes, até 31 de outubro.

Theresa May chorou ao se despedir diante da residência oficial do primeiro-ministro britânico em 10 Downing Street. Ela era contra a saída da UE, aprovada em plebiscito por 52% a 48% em 23 de junho de 2016.

A primeira-ministra venceu os eurocéticos quando o primeiro-ministro derrotado, David Cameron, pediu demissão, por causa de uma regra não escrita da política britânica: quem mata o rei (ou a rainha) não ascende ao trono.

Johnson e outro ministro eurocético importante, Michael Gove, não tiveram o apoio do partido para substituir Cameron. Foram vistos como traidores.

May se tornou a segunda mulher eleita primeira-ministra britânica, depois de Margaret Thatcher (1979-90), numa votação interna pela liderança conservadora, sem vencer eleições gerais. Na expectativa de ganhar força para negociar a saída da UE, convocou eleições antecipadas para 8 de junho de 2017 e perdeu a maioria absoluta que o Partido Conservador tinha na Câmara dos Comuns.

A maior parte de seus quase três anos de governo foi consumida na tentativa frustrada de tirar o Reino Unido da UE. Menos de uma semana depois das eleições, houve ainda uma tragédia: o incêndio na Torre Grenfell, em Londres, um edifício de habitação popular onde 72 pessoas morreram, em 14 de junho de 2017.

No fim de dois anos de negociações, em novembro de 2018, o governo May fechou um acordo com a UE que estabelecia uma série de obrigações para o Reino Unido até 2065, como o pagamento de pensões a ex-funcionários. Os eurocéticos nunca aceitaram este acordo, nem a oposição trabalhista. Por mais que May tenha insistido, o acordo nunca teve chance de ser aprovado no Palácio de Westminster.

Depois de agradecer "com enorme gratidão por ter tido a oportunidade de servir o país que amo", May apontou como sucessos de seu governo a redução do déficit público e do desemprego, e o aumento dos gastos com saúde mental. Mas admitiu que "é e sempre será matéria para profundo pesar não ter sido capaz de fazer a Brexit", a saída britânica da UE.

Sua última cartada foi "um novo acordo para a Brexit" de dez pontos anunciado na terça-feira. Enfureceu a bancada conservadora ao sugerir a realização de um referendo para aprovação do divórcio com a UE que permitiria superar a falta de consenso na Câmara dos Comuns.

Uma segunda consulta popular seria a saída mais democrática para resolver o impasse no Parlamento Britânico. Conta com o apoio da maioria da oposição trabalhista, embora seu líder, Jeremy Corbyn, hesite. Mas os deputados conservadores antieuropeus temem a anulação do resultado do plebiscito de 2016 e a manutenção do país na UE.

Corbyn parece mais interessado em eleições gerais antecipadas, em que seria o favorito para chefiar o futuro governo, do que numa segunda consulta popular para ficar na Europa. Mas os conservadores, que têm maioria na Câmara, não vão correr o risco de antecipar eleições em que seriam trucidados.

Nas eleições para o Parlamento Europeu, realizadas ontem, a expectativa é de uma queda dos conservadores abaixo de 10%, enquanto o Partido de Brexit, do antigo líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), Nigel Farage, deve ganhar com mais de 30%, enquanto os trabalhistas ficam com 18% e os liberais-democratas com 16%, se as pesquisas estiverem corretas.

Até 31 de julho, o Reino Unido terá um novo primeiro-ministro escolhido sem o aval de eleições gerais. Ele será escolhido em 7 de julho, na disputa pela liderança do Partido Conservador. Sua principal tarefa será resolver a questão europeia, mas nada vai mudar além da chefia de governo.

Por ironia da história, May herdou a guerra civil interna do Partido Conservador em torno da Europa da primeira primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, a principal líder do partido desde Winston Churchill.

Cameron convocou o plebiscito para pacificar o partido e acabou dividindo o país. Se o Reino Unido sair da UE, é provável que a Escócia convoque um novo plebiscito sobre a independência, acabando com uma união que vem desde 1707.

Além de Johnson, há 23 candidatos à liderança do partido e do governo, entre eles o atual ministro do Exterior, Jeremy Hunt, e os deputados Graham Brady e Steve Barker. Como os conservadores estão decididos a eleger um líder a favor de deixar a UE, aumenta o risco de uma "saída dura", sem acordo com os sócios europeus, que poderia ser catastrófica para a economia britânica.

De acordo com estudo do Banco da Inglaterra, sem acordo com a UE, um mercado responsável pela metade do comércio exterior britânico, a economia do Reino Unido pode encolher mais de 10% em cinco anos.

A tendência é de radicalização: ou haverá uma saída dura ou não haverá saída alguma, previu o jornalista Jonathan Freedland, do jornal The Guardian.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Cameron sugere a May divórcio suave da União Europeia

Desde sua desastrosa vitória sem maioria absoluta nas eleições parlamentares de 8 de junho de 2017 no Reino Unido, a primeira-ministra conservadora Theresa May está sob pressão para negociar uma saída "suave" da União Europeia, mantendo a participação no mercado comum europeu. A última voz a se levantar é de seu antecessor, o primeiro-ministro David Cameron, que convocou e perdeu o plebiscito de 23 de junho do ano passado.

Em seu primeiro comentário público desde que o Partido Conservador perdeu a maioria absoluta na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, Cameron defendeu uma coordenação com outros partidos para adotar uma posição comum nas negociações com a UE.

"Será difícil, não há dúvida, mas talvez seja uma oportunidade para consultar outros partidos", ponderou Cameron, citado pelo jornal Financial Times. "Penso que haverá pressão por uma saída suave."

O debate em si já desnuda a insensatez da decisão de convocar o plebiscito para tentar pacificar a direita eurofóbica do partido. Uma saída suave significa manter a participação no mercado comum. O problema é que o resto da Europa exige respeito à regra fundamental, que é a livre circulação de bens, pessoas e capitais.

Como uma das principais razões da vitória da Brexit (saída britânica) foi a repulsa aos imigrantes, o desejo de controlar a imigração e as fronteiras sem interferência da UE, May entende que não pode ceder neste ponto e admite não fazer nenhum acordo. Seria desastroso para a economia britânica.

Além disso, será um mercado comum onde o Reino Unido não terá voz nas decisões. Os outros líderes da UE deixaram claro que, fora do bloco, o país não vai conseguir negociar condições melhores. Sair do mercado será uma catástrofe. Ficar sem ter qualquer poder de decisão será diminuir a importância do Reino Unido de qualquer maneira.

Sob pressão da bancada reduzida, May tenta evitar um desafio à sua liderança. Nomeou Michael Gove, um dos seus adversários na disputa pela liderança no ano passado, ministro do Meio Ambiente. Mas sua autoridade foi definitivamente abalada pela aposta de convocar eleições antecipadas. Em vez de se fortalecer enfraqueceu.

O único aspecto positivo é que May não terá qualquer condição de jogar duro com os europeus, se realmente ficar no cargo. As negociações começam na próxima semana e a UE não parece disposta a fazer concessões.

domingo, 2 de outubro de 2016

Reino Unido começa a negociar saída da UE em março

As negociações formais para a saída do Reino Unido da União Europeia devem começar em março de 2017, anunciou a primeira-ministra Theresa May antes do início da convenção anual do Partido Conservador, a primeira sob sua liderança. Ela indicou a intenção deixar o mercado comum europeu, uma Brexit (saída britânica) dura.

O primeiro passo será no processo legislativo interno, com a revogação da Lei das Comunidades Europeias, aprovada em 1972 para autorizar o ingresso do país na então Comunidade Econômica Europeia. A medida só entra em vigor quando o Reino Unido deixar efetivamente o bloco europeu, provavelmente dois anos depois.

May assumiu a liderança do partido e do governo em 11 e 13 de julho, com a renúncia do primeiro-ministro conservador David Cameron depois da derrota no plebiscito que decidiu pela saída da UE em 23 de junho. Inicialmente, ela anunciou que as negociações não começariam antes do fim deste ano para dar tempo ao governo de definir sua posição.

A grande dúvida é que tipo de relacionamento o Reino Unido terá com o mercado comum europeu. Para ser membro pleno, o governo britânico precisa aceitar a livre circulação de bens, serviços, mercadorias e pessoas, além de contribuir para o orçamento comunitário. Isso é inaceitável para os antieuropeus. O país manteria suas obrigações sem ter direito a participar na discussão e definição as regras do jogo.

Alguns partidários da Brexit (do inglês, saída britânica) defendem uma ruptura total com a Europa e a adoção de uma política irrestrita de livre comércio. Os trabalhadores afetados pela globalização econômica, que votaram majoritariamente contra a UE, seriam simplesmente ignorados.

Ao colocar o controle da imigração como elemento central da negociação, May indica a intenção de abandonar o mercado comum europeu e já enfrenta resistência na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

"Somos a quinta economia do mundo", afirmou May com orgulho, desprezando o papel da relação com a Europa na globalização da economia britânica e sua prosperidade. "Não estamos deixando a UE para ceder de novo o controle sobre a imigração. Vamos nos tornar um país totalmente independente e soberano - um país que não faz mais parte de uma união política com instituições supranacionais que podem se sobrepor às cortes e aos parlamentos nacionais."

Com medo do impacto econômico, que ainda não veio, há uma mobilização para tentar reverter a decisão do plebiscito. Seu resultado poderia ser anulado pela Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico. Seria um tapa na cada do eleitorado. Outra possibilidade seria submeter o acordo final do divórcio com a UE a um segundo plebiscito, depois do resultado das negociações com o bloco comercial.

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, candidato na eleição do próximo ano, já acenou com a possibilidade de uma reforma constitucional na UE, com a assinatura de um novo tratado que atenderia às exigências do Reino Unido de maior independência e soberania, permitindo reverter o processo.

Como a eleição na França será em 23 de abril e 7 de maio, ao marcar o início das negociações para maio, Theresa May fecha esta brecha para manter o Reino Unido na UE.

Além da perda de investimentos externos de empresas de países como os Estados Unidos, a China e o Japão, as maiores economias do mundo, que usam o Reino Unido como base de suas operações na Europa, a saída da UE deve tirar de Londres a posição de maior centro financeiro da Europa e causar um empobrecimento geral da população.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Corbyn se nega a renunciar após voto de desconfiança da bancada

Por 172 a 40 votos, a bancada do Partido Trabalhista na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico aprovou hoje uma moção de desconfiança contra o líder Jeremy Corbyn por causa da derrota no plebiscito sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia. Corbyn, eleito diretamente pelas bases do partido, se nega a renunciar.

Desde domingo, mais de 20 membros do governo paralelo da oposição trabalhista pediram demissão em protesto contra a liderança de Corbyn, um membro da velha esquerda que sempre viu a UE como um projeto de integração capitalista e se recusou a fazer campanha pela Europa ao lado do primeiro-ministro David Cameron.

Cameron enfrentou hoje sua primeira reunião de cúpula da UE depois da derrota no plebiscito que convocou para tentar acabar com a guerra civil interna do Partido Conservador em torno da Europa, que vem desde a queda da primeira-ministra Margaret Thatcher, em 1990.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, deixou claro mais uma vez que as negociações não começam antes de um pedido oficial do Reino Unido para sair do bloco.

Como Cameron se nega a deflagrar o processo, isso depende da eleição de um novo líder do Partido Conservador, que será então nomeado pela bancada novo primeiro-ministro britânico.

No primeiro momento depois do plebiscito, o ex-prefeito de Londres Boris Johnson, líder da campanha pela saída da UE, era o franco favorito. Mas a última sondagem dá vantagem à ministra do Interior, Theresa May.

Eurocética, May não se empenhou na campanha para sair por lealdade ao primeiro-ministro Cameron, enquanto Johnson é visto como um oportunista que aderiu aos antieuropeus para chegar ao poder. Com Johnson sendo chamado de "homem que quebrou o Reino Unido", crescem as chances de Theresa May ser a segunda mulher a liderar os conservadores, depois de Thatcher (1979-90).

Pela tradição do Partido Conservador, quem mata o rei não ascende ao trono. Em 1990, Michael Heseltine derrubou Thatcher, mas quem foi eleito líder do partido foi John Major.

Enquanto os dois maiores partidos britânicos não tiverem novos líderes, o caos político no Reino Unido não vai acabar e os mercados financeiros vão continuar sofrendo o choque da Brexit (Britain exit).

A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, anunciou que vai amanhã a Bruxelas para discutir com os líderes europeus uma maneira de manter o país na UE, alegando que "62% dos escoceses votaram para ficar na UE" e seria antidemocrático frustrar suas aspirações. O Partido Nacional Escocês, que domina amplamente a política no país, já organiza um novo plebiscito sobre a independência da Escócia.

O chamado empresário hippie, Richard Branson, que começou vendendo discos e hoje tem companhias áereas e um ilha no Mar do Caribe, defende a convocação de um segundo plebiscito quando as consequências econômicas da saída da UE ficarem claras para o eleitorado britânico.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Primeiro-ministro David Cameron renuncia diante da derrota

Em pronunciamento na residência oficial de 10 Downing Street, o primeiro-ministro David Cameron declara neste momento que não será o chefe de governo que vai negociar a saída do Reino Unido da União Europeia.

Sua preocupação imediata é acalmar os mercados financeiros. As bolsas de valores abriram em forte queda em Londres (-7%), Paris (-8%) e Frankfurt (-10%). A maior queda é em Madri (-12%) por causa do impacto que pode ter sobre os movimentos nacionalistas da Catalunha e do País Basco, que reivindicam a convocação de plebiscitos sobre a independência.

Até a "próxima convenção do Partido Conservador, em outubro, o país deverá ter um novo primeiro-ministro", anunciou Cameron, indicando que não haverá eleições gerais, apenas uma votação interna no partido do governo.

Grande vencedor das eleições parlamentares do ano passado, quando conquistou maioria absoluta na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico para o Partido Conservador pela primeira vez desde 1992, Cameron é o grande derrotado hoje.

O favorito para assumir a liderança do Partido Conservador e a chefia do governo é o ex-prefeito de Londres Boris Johnson, um oportunista que não era considerado partidário de sair da UE. O ministro da Justiça, Michael Gove, também deve ser nome de destaque no governo do Brexit (Britain exit, saída da Grã-Bretanha).

Já o presidente do Conselho Europeu, o ex-primeiro-ministro polonês Donald Tusk, declarou que não é o momento para "reações histéricas": "Falei com os chefes de Estado e de governo dos outros 27 países. Estamos preparados para este momento, prontos para manter a união."

sábado, 18 de junho de 2016

Assassino acusa no tribunal deputada britânica de traição

Ao ser apresentado hoje à Justiça do Reino Unido, o acusado de matar a deputada Jo Cox, da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, se negou a dar seu nome, endereço e data de nascimento. Durante a audiência, limitou-se a dizer: "Morte aos traidores! Liberdade para a Grã-Bretanha."

Thomas Mair, de 52 anos, foi denunciado por homicídio doloso, com a intenção de matar, lesões corporais dolosas e porte ilegal de armas. Ele seria simpatizante de grupos neonazistas americano e sul-africano.

O irmão do réu, Scott Mair, alegou que Thomas seria desequilibrado mentalmente e não militante de extrema direita. A juíza Emma Arbuthnot pediu um laudo psiquiátrico. Até agora, os psiquiatras forenses o consideraram consciente do que fez e apto a responder ao processo.

Jo Cox, de 41 anos, foi morta a tiros e facadas há dois dias, quando fazia campanha na cidade de Birstall, perto de Leedes, no Condado de York do Oeste, pela permanência do Reino Unido na União Europeia no plebiscito a ser realizado em 23 de junho de 2016.

Ontem, no enterro da deputada, o primeiro-ministro conservador David Cameron e o líder da oposição, Jeremy Corbyn, condenaram o assassinato como "um ataque à democracia". As duas partes suspenderam temporariamente a campanha.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Prefeito de Londres adere à campanha do não à União Europeia

O primeiro-ministro conservador David Cameron sofreu um golpe na luta para manter o Reino Unido na União Europeia (UE), com o anúncio ontem do espetaculoso prefeito de Londres, Boris Johnson, de que vai fazer campanha pelo não, informou a televisão pública britânica BBC.

Por trás da decisão, é evidente a intenção de Johnson de disputar com Cameron a liderança do Partido Conservador, que neste momento defende sua posição em debate na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico. Depois de renegociar as relações do país com a UE na sexta-feira passada, o primeiro-ministro convocou um referendo para o eleitorado decidir a questão em 23 de junho de 2016.

É uma tentativa de acabar com a guerra interna do partido em torno da Europa, que vem desde a queda da primeira-ministro Margaret Thatcher, em 1990. Em seu delírio de grandeza, parte dos conservadores ainda vê o Reino Unido como uma superpotência, apesar do fim do Império Britânico.

Com a declaração de Johnson, a libra esterlina caiu a US$ 1,4058, a menor cotação em sete anos, num sinal claro de que a comunidade empresarial britânica prefere ficar na Europa. A oposição trabalhista apoia a permanência na UE sob o argumento de que a legislação social europeia amplia direitos e garantias sociais aos trabalhadores britânicos.

Os economistas preveem uma queda de até 20% no produto interno bruto britânico, se o país deixar o maior bloco comercial do planeta. Teria de cumprir todas as regras do mercado comum para ter acesso e não teria direito de participar da tomada de decisão.

Mais de um terço das 100 maiores empresas britânicas enviaram carta ao jornal The Times defendendo a permanência na UE. A mídia conservadora, que não quer ser regulamentada pela Europa, deve fazer campanha contra.

O maior império que o mundo já viu, hoje reduzido a Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte, pode estar prestes a dar um tiro no pé. Se o país deixar a UE, provavelmente a Escócia fará outro plebiscito sobre a independência para sair do reino e ficar na Europa. O Reino Unido seria reduzido à pequena Inglaterra e ao País de Gales.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Cameron convoca referendo sobre UE para 23 de junho

Depois de uma reunião ministerial na manhã de hoje, o primeiro-ministro David Cameron convocou um referendo para 23 de junho de 2015 para o eleitorado britânico decidir se o Reino Unido deve continuar fazendo parte da União Europeia (UE). Cinco ministros e um secretário do governo votaram contra e farão campanha para deixar o bloco europeu.

Com o acordo anunciado ontem com a UE e a convocação do referendo, a campanha está lançada. Num delírio de grandeza, uma boa parte do Partido Conservador sonha com a ilusão de um país forte, poderoso e independente fora do maior bloco comercial do mundo.

Para convencer os britânicos a permanecer na UE, Cameron negociou uma série de concessões. Os estrangeiros terão de ficar pelo menos quatro anos no Reino Unido antes de ter pleno direito a benefícios sociais como o seguro-desemprego. Se não conseguirem emprego dentro de seis meses, terão de saír do país.

O Reino Unido rejeita o princípio de "uma união cada vez maior". Promete jamais participar da uma federação europeia, nem de um Exército europeu ou do acordo de abertura das fronteiras internas. Não será obrigado a participar de resgate de países em crise na Zona do Euro, mas se reserva o direito de discordar das decisões do Grupo do Euro que afetem sua economia.

Tanto o centro financeiro de Londres quanto a indústria britânica consideram essencial a permanência na UE. A direita conservadora sonha com o poder imperial do passado. Mas, se o Reino Unido deixar a UE, é provável que a Escócia realize seu próprio referendo para deixar a Grã-Bretanha e continuar fazendo parte da Europa.

O maior império que o mundo já viu ficaria reduzido à pequena Inglaterra e ao País de Gales. Seria um declínio melancólico para um país que já foi o mais poderoso do mundo. Cameron convocou o referendo para acabar com a guerra interna do Partido Conservador sobre a Europa.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Reino Unido anuncia acordo para ficar na Europa

Depois de dois dias de reunião de cúpula da União Europeia, o primeiro-ministro David Cameron anunciou há pouco um acordo para o manter o Reino Unido no bloco comercial sem a obrigação de cumprir algumas cláusulas sociais. Cameron deve anunciar em breve um referendo para o eleitorado britânico decidir.

O primeiro-ministro explicou que o Reino Unido rejeita o princípio de "uma união cada vez maior, nunca vai aderir à moeda comum europeia [euro], nem participar de um superestado europeu, nem do acordo de fronteiras abertas, nem de um Exército europeu."

Se o acordo for aprovado pelos outros 27 países da UE e no referendo no Reino Unido, os cidadãos europeus que se mudarem para o país terão de esperar quatro anos para ter direito aos benefícios sociais. Os britânicos conservadores e eurocéticos acusam europeus de outros países de abusarem do salário-desemprego, do sistema de saúde e de outras garantias sociais.

Ao ficar no bloco, argumentou Cameron, o Reino Unido garantiu o direito de não ser discriminado por decisões econômicas do Grupo do Euro e de não participar de programas de resgate financeiro de países da Zona do Euro em crise, mas vai participar das decisões que lhe interessam no maior mercado do mundo, com mais de 500 milhões de pessoas.

A renegociação das relações com a Europa faz parte de uma jogada de Cameron para pacificar o Partido Conservador britânico em relação à UE. Boa parte do partido é eurocética. Gostaria de deixar o bloco. A questão é fruto de uma guerra interna do partido desde a queda da primeira-ministra Margaret Thatcher, em 1990.

Para acabar com a guerra interna, Cameron prometeu que, se fosse reeleito no ano passado, convocaria até 2017 um referendo para o eleitorado britânico decidir de uma vez por todas se deseja permanecer na UE.

Hoje a Europa fez sua proposta. O Reino Unido é a segunda maior economia do continente. A UE ficaria mais frágil.

Por outro lado, a economia britânica poderia encolher em até 20% fora da UE. Para negociar com o mercado comum europeu, seria obrigada a cumprir todas as suas exigências sem participar da tomada de decisões. E a Escócia, onde os nacionalistas querem convocar novo plebiscito sobre a independência, provavelmente sairia da Grã-Bretanha para ficar na Europa.

Até um novo partido surgiu da extrema direita surgiu para defender o divórcio com a UE. O Partido da Independência do Reino Unido (UKIP, em inglês) foi o mais votado, com 26,6% dos votos, nas eleições de 2014 para o Parlamento Europeu. Em 2015, foi o terceiro mais votado, com 12,6%, mas só elegeu um deputado na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

No momento, as pesquisas apontam uma ligeira vantagem para a permanência na UE. As próximas vão medir o impacto do acordo anunciado hoje. A imprensa conservadora eurocética britânica, especialmente o grupo de mídia do empresário australiano-americano Rupert Murdoch, deve fazer campanha contra.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Parlamento Britânico aprova bombardeios na Síria

Por 397 a 223 votos, a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico autorizou ontem à noite o primeiro-ministro David Cameron a bombardear a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante também em território da Síria. Em aliança com os Estados Unidos, o Reino Unido ataca o Estado Islâmico no Iraque desde o ano passado.

A votação foi precedida por um longo debate parlamentar. O líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, que é pacifista, liberou a bancada para apoiar o governo, mas questionou duramente o prmeiro-ministro. O socialista Corbyn alegou que os bombardeios tornarão o país mais inseguro e mais sujeito a atentados terroristas, e não vão resolver a guerra civil na Síria.

Ontem, Cameron chegou a acusá-lo de "simpatizante de terroristas".

Do lado de fora do Palácio de Westminster, manifestantes pacifistas pediam o voto contra a guerra. Em agosto de 2013, a Câmara dos Comuns não autorizou Cameron a bombardear a Síria. Na época, o alvo seria a ditadura de Bachar Assad, acusada de jogar armas químicas contra a população civil num ataque com mais de mil mortes.

Uma das principais críticas à estratégia de Cameron é que bombardeios aéreos não serão suficientes para derrotar o Estado Islâmico. Como as grandes potências não pretendem enviar forças terrestres para retomar os territórios ocupados pelo EI, o Reino Unido pode estar entrando numa longa guerra sem fim.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

França articula aliança de grandes potências contra Estado Islâmico

O presidente da França, François Hollande, recebeu hoje em Paris o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron. Amanhã, vai a Washington encontrar o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Na quarta-feira, recebe a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel. Na quinta-feira, encontra o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, e vai a Moscou conversar com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Esta maratona diplomática visa a articular uma aliança militar  para derrotar o Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Das grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, falta só a China. Hollande se encontra com o presidente Xi Jinping, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, em Paris, em 30 de novembro.

A China tem seus próprios problemas com extremistas muçulmanos na província de Kachgar, no Noroeste do país, e teve cidadãos mortos pelo Estado Islâmico e no recente ataque ao Hotel Radisson Blu, no Mali, por um grupo ligado à rede terrorista Al Caeda.

Antes da reunião no Palácio do Eliseu, Cameron e Hollande foram até a casa de shows Bataclan, onde foram mortas 89 das 130 vítimas fatais da onda de terror da sexta-feira, 13 de novembro, em Paris. O primeiro-ministro prometeu ajuda ao aliado, mas precisa convencer a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

Há grandes dificuldades para formar uma coalizão porque os objetivos são diferentes. Os EUA, a Turquia e as monarquias petroleiras do Golfo lideradas pela Arábia Saudita não estão dispostos a aceitar a permanência do ditator Bachar Assad na Síria, enquanto a Rússia e o Irã querem mantê-lo no poder.

"A questão é se eles estão dispostos a fazer os ajustes necessários para participar da aliança, que já tem 65 países", declarou Obama, sem mostrar qualquer inclinação de ceder.

A Rússia interveio na Síria para defender seus interesses, que incluem sua única base naval no Mar Mediterrâneo. Além do Estado Islâmico, ataca outros grupos rebeldes. Antes do atentado que derrubou um avião de passageiros russos no Deserto do Sinai matando 224 pessoas, atacava muito mais os outros grupos, especialmente os apoiados pelo Ocidente para criar um dilema: Assad ou o Estado Islâmico.

Putin também gostaria de barganhar a participação na guerra contra o terrorismo em troca do fim das sanções impostas pelo Ocidente em protesto contra a anexação da Crimeia e a intervenção militar russa no Leste da Ucrânia. Nem EUA nem Europa devem ceder na questão ucraniana.

Assim, a cooperação militar tem um limite. À medida que a Rússia e o Irã fortalecem o regime de Assad, os EUA, a Europa, a Turquia e as monarquias petroleiras tendem a apoiar ainda mais os rebeldes, criando um impasse no campo de batalha. Isso tende a prolongar a guerra civil na Síria. Sem governos que funcionem no Iraque e na Síria, será mais difícil derrotar o EI.

Nesta segunda-feira, o porta-aviões Charles de Gaulle chegou perto do litoral da Síria, no Leste do Mar Mediterrâneo, triplicando o poder de ataque da França.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Reino Unido muda questão do referendo sobre a União Europeia

 Sob pressão da extrema direita de seu próprio Partido Conservador e do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), o primeiro-ministro David Cameron anunciou ontem a mudança da pergunta que será feita aos eleitores britânicos sobre a permanência ou não do país na União Europeia, a ser realizado até 2017.

Em vez de responderem sim ou não à pergunta: "O Reino Unido deve continuar sendo membro da UE?", os eleitores britânicos terão como opções: "O Reino Unido deve continuar sendo membro da UE?" ou "O Reino Unido deve deixar a UE?"

A mudança foi logo aplaudida pelo líder neofascista Nigel Farage, líder do UKIP.

Como a maioria do Reino Unido é eurocética, há grande chance da saída da UE ser aprovada. Isso seria devastador para o país. De centro do maior império que o mundo já viu, encolhe politicamente com sério risco de se tornar irrelevante.

Se o país sair da UE, provavelmente a Escócia vai declarar a independência para ficar na UE. Restarão a pequena Inglaterra e o País de Gales, que também pode não querer ser governado por nacionalistas conservadores ingleses.

A provável eleição do esquerdista radical Jeremy Corbyn para líder do Partido Trabalhista, dada como certa em 13 de setembro, também vai contribuir para a decadância. É uma volta ao velho trabalhismo dos anos 1980s, quando a primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher dominava a política britânico, que parecia superado pelo neotrabalhismo de Tony Blair, chefe de governo de 1997 a 2007.

Por ser um país multinacional, o Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte conseguiu escapar do nacionalismo extremado que gerou o nazismo na Alemanha e o fascismo na Itália.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Reino Unido vai prender imigrantes ilegais

A nova Lei de Imigração do Reino Unido a ser proposta pelo primeiro-ministro David Cameron vai endurecer a vida para os imigrantes ilegais. Quem trabalhar poderá ser preso, expulso do país e ter de devolver o dinheiro dos salários recebidos.

O projeto deve ser apresentado na Fala do Trono, o discurso preparado pelo primeiro-ministro que a rainha Elizabeth II lê na abertura da sessão do Parlamento Britânico anunciando as prioridades do governo para o ano legislativo.

Com a crise econômica e a ascensão na Europa de uma ultradireita nacionalista representada no país pelo Partido da Independência do Reino Unido, a favor da saída da União Europeia, os governos conservadores estão abraçando a luta anti-imigração. Para não perder votos para a extrema direita, acabam assumindo suas bandeiras. Afinal, imigrante não vota e estrangeiro é sempre um bom bode expiatório.

Mas um continente que envelhece rapidamente como a Europa precisa de imigrantes. Eles costumam ser jovens empreendedores e arrojando em busca de um lugar para reconstruir suas vidas. São uma força econômica positiva.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Líderes de partidos derrotados renunciam no Reino Unido

Depois da uma expressiva vitória do Partido Conservador, que elegeu 331 dos 650 deputados da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, o líder da oposição, Ed Miliband, renunciou hoje de manhã à liderança do Partido Trabalhista. O ex-vice-primeiro-ministro Nick Clegg deixou a liderança do Partido Liberal-Democrata e o mesmo fez Nigel Farage, do ultradireitista Partido da Independência do Reino Unido (UKIP).

No discurso da vitória, o primeiro-ministro David Cameron acenou com uma "Grã-Bretanha ainda maior", mas a realidade é outra. Sob pressão do UKIP e da ala eurocética do Partido Conservador, se fosse reeleito, Cameron prometeu convocar até 2017 um referendo sobre a saída do país da União Europeia. Se o sentimento antieuropeu insuflada pela imprensa sensacionalista ganhar, será desastroso para a economia do país, hoje a quinta maior do mundo.

Com a eleição de apenas 232 deputados, o Partido Trabalhista teve seu pior resultado desde 1987, na última eleição de Margaret Thatcher. O vice-líder do partido e ministro das Finanças do governo paralelo da oposição, Ed Balls, perdeu sua cadeira.

Miliband declarou ter feito o melhor possível nos últimos cinco anos, sem sucesso: "Chegou a hora de outra pessoa assumir a liderença deste partido", declarou, insistindo em que "o trabalhismo voltará".

A dúvida é qual trabalhismo, o neotrabalhismo de Tony Blair, que levou o partido para o centro ao aceitar a economia de mercado e abandonar as ambições socialistas - e ganhou três eleições consecutivas, ou o antigo trabalhismo apoiado nos sindicatos que Miliband tentou ressuscitar. Uma das bases do partido, de onde saíram alguns fundadores e o primeiro líder, a Escócia, desapareceu.

Muito abatido, o ex-vice-primeiro-ministro Nick Clegg admitiu que o desempenho do PLD ficou "muito abaixo das piores expectativas", mas insistiu que ainda há espaço no país para ideias políticas liberais. Ele salvou sua cadeira.

Na extrema direita, depois de vencer as eleições para o Parlamento Europeu no ano passado, Farage pretendia formar uma pequena bancada do UKIP. Só elegeu um deputado. Ele ameaçava abandonar a política se não conseguisse uma vaga no Parlamento Britânico. Com medo de um possível governo trabalhista, a direita concentrou o voto no Partido Conservador.

Outra novidade é a eleição de 187 mulheres, um terço da Câmara dos Comuns.

Além da inesperada vitória conservadora e do avanço feminino, o grande fenômeno dessas eleições foi o crescimento espetacular do Partido Nacional Escocês, sob a liderança de Nicola Sturgeon. Sete meses depois de perder por 55% a 45% o referendo sobre a independência, os nacionalistas elegeram 56 dos 59 deputados da Escócia no Parlamento de Westminster, que querem abandonar.

Se o primeiro-ministro mantiver a promessa e convocar o referendo sobre a UE, há uma grande chance de que os eurocéticos saudosos do passado de glória do Império Britânico votem a favor da retirada. Neste caso, é provável que a Escócia queira continuar sendo parte da Europa unida.

O maior império que o mundo já viu ficaria reduzido à pequena Inglaterra e ao País de Gales. Durante o governo Cameron, o Reino Unido recuou de seu papel de potência mundial.

Quando o ditador Bachar Assad usou armas químicas na guerra civil da Síria apesar de uma ameaça de bombardeios dos Estados Unidos e aliados, havia a expectativa de que o Reino Unido o acompanhasse como um aliado fiel e incondicional desde que os EUA entraram na Segunda Guerra Mundial, em 1942. O Parlamento Britânico negou autorização a Cameron.

Como o ex-primeiro-ministro Tony Blair saiu do governo desmoralizado em 2007, depois de apoiar a invasão ilegal do Iraque por George W. Bush, em 2003, Cameron rompeu na prática a "relação especial" com os EUA. Se o Reino Unido deixar a UE, perderá a importante função de ponte entre EUA e Europa.

Setenta anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em que o país resistiu heroicamente aos bombardeios e à expansão da Alemanha nazista antes que a União Soviética e os EUA entrassem na guerra, o Reino Unido está deixando de ser uma potência mundial.

Conservadores devem ter maioria absoluta no Reino Unido, prevê BBC

Com menos de 40 dos 650 distritos ainda por declarar o resultado das eleições gerais de 2015 no Reino Unido, o Partido Conservador pode chegar a 329 deputados, o que lhe daria maioria absoluta na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, projeta a televisão pública britânica BBC.

Reeleito contra a expectativa criada pelas pesquisas pré-eleitorais, que previam uma disputa muito mais apertada, o primeiro-ministro David Cameron prometeu manter a unidade do Reino Unido, ameaçado pela vitória dos partidários da independência da Escócia e pelo referendo sobre a permanência na União Europeia que ele ficou de convocar até 2017.

É o primeiro governo britânico que amplia sua bancada no Palácio de Westminster desde Margaret Thatcher em 1983, depois da vitória sobre a Argentina na Guerra das Malvinas, em 1982.

 O líder da oposição trabalhista, Ed Miliband, reconheceu a derrota e pode renunciar à liderança do partido nas próximas horas. O Partido Trabalhista foi varrido da Escócia pelo Partido Nacional Escocês, enquanto o Partido Liberal-Democrata foi massacrado, perdendo 49 deputados, a maioria para os conservadores, aliados na coligação do primeiro governo Cameron. Seu líder, o vice-primeiro-ministro Nick Clegg, também deve renunciar.

Até o momento, os conservadores elegeram 303 deputados; os trabalhistas, 222; os nacionalistas escoceses, 56 dos 59 da Escócia; os liberais-democratas, 8; o Partido Unionista Democrático, da Irlanda do Norte, 8; o Sinn Féin, também da Irlanda do Norte, 4; o partido nacionalista galês Plaid Cymru, 3; o Partido Trabalhista e Social-Democrata, da Irlanda do Norte, 3; o Partido Verde, 1; e o Partido da Independência do Reino Unido, 1.

Como os deputados do Sinn Féin, o partido republicano e nacionalista irlandês ligado ao Exército Repúblicano Irlandês, não assumem as cadeiras que conquistam na Irlanda do Norte para não jurar lealdade à coroa britânica, a maioria absoluta na Câmara dos Comuns cai de 326 para 323 deputados.