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terça-feira, 22 de outubro de 2019

Parlamento Britânico aprova Brexit em primeira votação mas adia saída da UE

A Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico aprovou hoje, em primeira votação, o acordo negociado pelo primeiro-ministro Boris Johnson para retirar o Reino Unido da União Europeia, mas rejeitou a saída em 31 de outubro, que exigiria uma segunda votação até 25 de outubro.

Em mais um dia dramático no Palácio de Westminster, por 329 a 299 votos, os deputados aprovaram pela primeira vez um acordo para o divórcio da União Europeia. Por coincidência, o resultado de 52% a 48% foi o mesmo do plebiscito que aprovou a Brexit em 23 de junho de 2016.

Dezenove deputados da oposição trabalhista aprovaram a proposta. Foram decisivos para a vitória do primeiro-ministro conservador Boris Johnson. 

Mas a Câmara dos Comuns rejeitou a tentativa de Johnson de aprovar em três dias a legislação necessária para uma saída no Dia das Bruxas, obrigando o governo a pedir uma extensão de três meses aos sócios europeus. A maioria dos deputados britânicos entende que o acordo de 110 páginas exige mais tempo para ser examinado. Meu comentário:

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Reino Unido pode desistir de sair da UE, diz Corte Europeia de Justiça

O Reino Unido pode revogar unilateralmente sua decisão de sair da União Europeia, declarou hoje o advogado-geral da Corte Europeia de Justiça, Campos Sánchez Bordona, noticiou o jornal inglês The Guardian

É uma nova esperança aos defensores de uma segunda consulta popular para aprovar ou não o acordo de saída, caso a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico aceite a proposta negociada pelo governo Theresa May com o o resto do bloco, ou a saída sem acordo algum.

Com forte oposição ao acordo dentro do Partido Conservador, a vitória de May está longe de ser garantida na votação dos deputados, em 11 de dezembro. Sánchez Bordona deixou claro que a Câmara dos Comuns pode interromper o processo sem permissão de qualquer outro país-membro da UE.

A expectativa é que esta posição esteja de acordo com a decisão da Corte Europeia de Justiça. A decisão do tribunal com sede em Luxemburgo deve ser anunciada nas próximas semanas, no fim de uma longa batalha legal iniciada por deputados escoceses do Parlamento da Escócia, do Parlamento Britânico e do Parlamento Europeu.

No plebiscito que aprovou a Brexit (saída europeia), em 23 de junho de 2016, a maioria dos escoceses votou para ficar na UE. Se o Reino Unido sair mesmo, a Escócia pode convocar um novo plebiscito sobre a independência e decidir ficar na Europa.

O deputado trabalhista Chris Bryant, defensor de uma segunda consulta popular, entende que o parecer "muda fundamentalmente os termos do debate sobre a Brexit". As alternativas não são apenas o acordo negociado por May e uma saída dura, sem acordo algum.

Nestas duas hipóteses, a economia britânica seria duramente abalada. Durante este período de negociações, o produto interno bruto do Reino Unido já está 2% menor do que estaria se as relações com a UE não tivessem sido afetadas.

A proposta de primeira-ministra acarretaria numa perda de 3,9% do PIB em 15 anos em relação ao que aconteceria se o país não sair do bloco euro, de acordo com um estudo do governo britânico. No caso de uma saída dura, a perda poderia ser de até 10,5% em cinco anos, estimou o Banco da Inglaterra.

Além de deteriorar as relações com o mercado europeu, com que tem 50% do seu comércio exterior, o Reino Unido perderia os investimentos de empresas não europeias que usam o país como base para seus negócios na Europa e os benefícios da imigração da cidadãos europeus.

Para Bryant, "a escolha real agora é clara: o acordo negociado pelo governo ou ficar na UE. É imperativo que a decisão final seja do público. Só o povo do Reino Unido pode resolver."

Ao defender sua proposta hoje na Câmara dos Comuns, a primeira-ministra foi atacada tanto pela ala mais direitista do seu Partido Conservador quando das oposições, uma indicação da dificuldade de aprovar o acordo negociado durante um ano e meio com os outros 27 países-membros da UE.

Sob pressão dos deputados, o governo foi obrigado a divulgar o parecer jurídico a respeito do acordo negociado com a UE.

O prazo marcado para a saída é 29 de março de 2019. Mas agora o tribunal da UE avisou que o Reino Unido pode desistir do pedido de saída, feito com base no artigo 50 do Tratado de Lisboa, um dos tratados constitutivos da bloco europeu.

domingo, 4 de novembro de 2018

Nova Caledônia vota contra a independência da França

Com 56,4% dos votos, o não venceu hoje o referendo sobre a independência da Nova Caledônia, uma coletividade da França no Oceano Pacífico. A participação foi grande, de 80,63%, a maior em consultas populares realizadas no arquipélago até hoje.

Em pronunciamento pela televisão, o presidente Emmanuel Macron festejou o resultado como "um sinal de confiança na República" e expressou "orgulho porque a maioria dos caledonianos escolheram a França".

O presidente francês acrescentou que "o único vencedor neste processo de paz dos últimos 30 anos é o espírito do diálogo" e pediu que "cada um se volte para o futuro. (...) Não há outro caminho, a não ser o diálogo."

A Nova Caledônia fica a cerca de 1,4 mil quilômetros a leste da Austrália e a 16.740 km da França metropolitana. Seu território tem apenas 18,5 mil km2, mas a zona econômica exclusiva, o mar territorial, ocupa uma área de 1,4 milhão de km2, 13% do total dos mares territoriais franceses. Dos 218 mil habitantes, 174 mil estavam aptos para votar.

Com uma grande biodiversidade, tem recursos pesqueiros abundantes, minerais como níquel, magnésio, manganês, ferro, cromo e cobalto, e uma boa renda do turismo. Em 2010, seu produto interno bruto era de 6,8 bilhões de euros e a renda média por habitante de 27,3 mil euros.

Os primeiros europeus chegaram ao arquipélago em 4 de setembro de 1774, numa expedição sob o comando do explorador inglês James Cook, que também foi o primeiro europeu a estar no Leste da Austrália e no Havaí. Cook, considerado o pai da Oceania, deu o nome de Nova Caledônia em homenagem à região da Escócia onde nasceu seu pai.

A França colonizou o arquipélago a partir de 1853 para usá-lo como uma colônia penitenciária, a exemplo do que os britânicos fizeram na Austrália. Sempre enfrentou a resistência dos nativos canacas.

Durante a Segunda Guerra Mundial, em 12 de março de 1942, os Estados Unidos instalaram lá uma base naval para a guerra contra o Japão. O porta-aviões Enterprise fez uma escala em Numeia, a capital da Nova Caledônia, a caminho da Batalha de Guadalcanal.

Entre 1984 a 1988, o arquipélago viveu uma guerra civil. A Frente de Libertação Nacional Canaca e Socialista lutava pela independência chegou a tomar reféns em 1988, quando começa o processo de paz.

Um acordo de paz assinado em 26 de junho de 1988 iniciou um período de transição de dez anos e a realização de um referendo sobre a independência. Isso não impediu o assassinato, em 4 de maio de 1989, do líder independentista Jean-Marie Tjibaou.

Em 5 de maio de 1998, o Acordo de Numeia estabeleceu uma forte autonomia e previu a convocação do referendo realizado hoje, com a seguinte pergunta: "Você quer que a Nova Caledônia tenha plena soberania e se torne independente?" 78.361 pessoas votaram contra e 60.573 a favor.

O acordo prevê mais dois referendos e o movimento pela independência já se mobiliza para exigir sua realização.

sábado, 20 de outubro de 2018

Britânicos exigem segunda votação sobre saída do Reino Unido da UE

Centenas de milhares de pessoas marcharam hoje no centro de Londres para exigir a realização de um referendo, uma segunda consulta popular sobre a saída do Reino Unido da União Europeia para aprovar o acordo final do divórcio, informou a televisão pública britânica BBC. A primeira-ministra Theresa May rejeita esta possibilidade.

Os organizadores da campanha Voto Popular estimaram o total de manifestantes em 700 mil pessoas. A Polícia Metropolitana da Grande Londres não apresentou estimativa.

A marcha foi liderada pelo prefeito de Londres, Sadiq Khan, que discursou na Praça do Parlamento, diante do Palácio de Westminster: "O que é realmente importante é que aqueles que dizem que uma votação popular é antidemocrática e antipatriótica percebam que de fato isto é exatamente o oposto da verdade."

Outra manifestação, muito menor, reuniu defensores da Brexit (saída britânica) em Harrogate, sob a liderança do ex-líder do Partido da Independência do Reino Unido, o neofascista Nigel Farage, que afirmou: "Cerca de um terço das pessoas que votaram para ficar hoje diz que somos democratas. Penso que o governo deve ir em frente", afirmou.

"Esta é a nossa mensagem: vão em frente, cumpram as promessas que nos fizeram, disseram que se votássemos para sair sairíamos. Isso precisa acontecer", insistiu Farage, líder da campanha vitoriosa no plebiscito de 23 de junho de 2016.

Os manifestantes contra a Brexit se reuniram numa avenida diante do Hyde Park. Havia famílias jovens, pessoas enroladas na bandeira da UE. Cartazes diziam: "Brexit roubou meu futuro".

Muita gente marchou em grupos, funcionários do Serviço Nacional de Saúde (NHS), membros da comunidade LGBT, militantes do mesmo partido, diferentes setores da sociedade britânica que lutam  para ter a palavra final quando o governador conservador negociar um acordo para a saída definitiva com os outros 27 países da UE.

A data marcada para o Reino Unido deixar a UE é 31 de março de 2019. Em 16 e 17 de outubro, a primeira-ministra Theresa May teve um encontro de cúpula com os líderes da Europa unida. Mais uma vez, não houve acordo.

O prazo está se esgotando e May chefia um governo frágil. A ala mais radical do Partido Conservador quer uma saída dura, que tire o país da UE, enquanto as grandes empresas, especialmente as multinacionais com fábricas no Reino Unido, e o centro financeiro de Londres querem manter acesso ao mercado único europeu.

A proposta de May, o chamado Acordo de Chequers, onde fica a casa de campo oficial da primeira-ministra, não apoio nem da UE nem dos partidários de uma ruptura total com o bloco europeu.

Sem acordo, a retirada será um choque econômico forte. O movimento de hoje reivindica o direito do eleitor de tomar a decisão final num referendo.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Abstenção ameaça referendo para mudar nome da Macedônia

Mais de 91% dos macedônios votaram a favor no domingo num referendo para mudar o nome da ex-república iugoslava da Macedônia para Macedônia do Norte, mas a abstenção de 63,3%  do eleitorado descumpre a exigência de participação mínima de 50%. É uma derrota para o primeiro-ministro social-democrata Zoran Zaev, que vai pedir ao Parlamento que aceite o resultado mesmo assim.

"As decisões devem ser tomadas por aqueles que votam", declarou o primeiro-ministro, denunciando um "boicote" da oposição nacionalista para justificar o baixo comparecimento às urnas. "A votação é definitiva. A decisão dos cidadãos não pode ser ignorada."

A mudança de nome é uma exigência da Grécia, que teme que o país reivindique a soberania sobre a região grega chamada Macedônia. Atenas veta a entrada da ex-república iugoslava com este nome em organizações como a União Europeia (UE) e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Por isso, depois de 27 anos de independência, em acordo assinado em junho com a Grécia, a Macedônia decidiu mudar de nome para Macedônia do Norte renunciando a qualquer reivindicação territorial.

O referendo perguntava: "Você é a favor da associação à OTAN e à UE, aceitando o acordo entre a República da Macedônia e a República da Grécia?"

A alteração no nome exige uma reforma constitucional. Como a oposição nacionalista tem 49 dos 120 deputados, o governo não tem a maioria de dois terços necessária para mudar a Constituição.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Conselho Eleitoral Superior nega anulação do referendo na Turquia

Por 10 a 1, o Conselho Eleitoral Superior rejeitou hoje 19 petições da oposição para anular o referendo constitucional de 16 de abril de 2017 por desequilíbrio na campanha, fraudes na votação e apuração dos resultados, noticiou a agência turca Anadolu.

O presidente Recep Tayyip Erdogan e seu Partido da Justiça e do Desenvolvimento, no poder desde 2003, obtiveram 51,4% dos votos na consulta popular que transformou o regime político do país de parlamentarista em presidencialista e deu superpoderes ditatoriais ao chefe de Estado e agora também de governo.

A oposição e observadores internacionais da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) questionaram a legitimidade do referendo. O governo usou a máquina pública, inclusive os meios de comunicação estatais na campanha, e milhões de cédulas não estariam carimbadas.

Diante das denúncias de fraude, Erdogan mandou prender dezenas de oposicionistas que participaram de manifestações de protesto depois da divulgação dos resultados oficiais.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Observadores internacionais denunciam referendo na Turquia

Depois de acumular superpoderes, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, merece cada vez mais o apelido de Sultão, por seu sonho de restaurar o poder e a glória do Império Otomano, mas observadores internacionais não consideraram honesto o referendo constitucional de domingo, que mudou o regime de governo de parlamentarista para presidencialista.

A missão da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) concluiu que as duas partes não tiveram as mesmas oportunidades para defender suas posições. Durante a campanha, o sim teve 90% do tempo destinado pela televisão.

Ao aceitar cédulas sem o carimbo oficial no versão, o Conselho Eleitoral da Turquia eliminou o principal mecanismo para evitar fraudes. A oposição denuncia que mais de 3 milhões de votos não carimbados foram considerados válidos.

A União Europeia reagiu negativamente e pode suspender as negociações já estagnadas sobre o acesso da Turquia. Nada parece mais distante. Erdogan, um político que chegou ao poder em 2003 como um islamita moderado, tornou-se cada vez mais autoritário nos últimos anos, especialmente depois da fracassada tentativa de golpe de Estado de 15 de julho de 2016.

Desde então, o cada vez mais ditador turco prende quem quer. Até líderes da oposição foram presos durante a campanha. Hoje o estado de emergência foi prorrogado por mais três meses.

Com a vitória por 51,4% a 48,6%, o presidente passa a concentrar os poderes de chefe de Estado e de governo. Desaparece o cargo de primeiro-ministro. Tudo será decidido diretamente pelo presidente e pela Assembleia Nacional, que tende a simplesmente referendar as decisões do Executivo.

Outro regime autoritário, da Rússia, pediu respeito ao resultado do referendo. Com um populista autoritário na Casa Branca, a Turquia terá condições de manter boas relações com os Estados Unidos, mas não com a Europa.

Trump telefonou para cumprimentar Erdogan pela vitória sem fazer qualquer restrições nem aos métodos nem aos superpoderes.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Primeiro-ministro perde referendo constitucional na Itália

O primeiro-ministro Matteo Renzi sofreu uma ampla derrota num referendo que convocou para reformar a Constituição da Itália e aumentar a estabilidade política. As projeções dos primeiros resultados dão 59% para o não e 41% para o sim.

Renzi, que ameaçou renunciar se perdesse, deve fazer um pronunciamento à nação daqui a pouco.

Sob o pretexto de aumentar a estabilidade política, a reforma esvaziava o poder do Senado e dava um bônus de mais cadeiras ao partido vencedor das eleições para a Càmara.

Seus adversários a acusam de dar poder demais ao primeiro-ministro num país que teve chefes de governo como o ditador fascista Benito Mussolini e o empresário arquicorrupto Silvio Berlusconi.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Congresso aprova novo acordo de paz com as FARC

O Congresso da Colômbia aprovou hoje uma versão revisada do acordo de paz negociado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). A versão original foi rejeitada por pequena margem em referendo realizado em 2 de outubro de 2016.

O acordo de paz foi ratificado ontem no Senado e hoje na Câmara, onde o presidente Juan Manuel Santos tem maioria, sem necessidade de nova consulta popular. Santos ganhou o Prêmio Nobel da Paz 2016 mesmo com a derrota no referendo.

Apesar de algumas mudanças, os adversários do acordo, liderados pelo ex-presidente Álvaro Uribe, denunciam uma suposta impunidade para os guerrilheiros que durante 52 anos tentaram derrubar o governo colombiano.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Santos e as FARC prometem renegociar o acordo de paz

Apesar da derrota do acordo de paz negociado pelo governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) por pequena margem no referendo de ontem, o país hoje está mais perto da paz. Ninguém pensa em recomeçar a guerra civil.

No dia seguinte, o presidente Juan Manuel Santos reafirmou o compromisso do governo com o cessar-fogo permanente e a paz. As FARC fizeram o mesmo, insistindo que também estão comprometidas com o processo de paz.

O líder da campanha do não, o ex-presidente e agora senador Álvaro Uribe (2002-10), apresentou hoje suas condições para a paz: anistia aos guerrilheiros não condenados e "alívio judicial" para soldados e policias das Forças Armadas que tenham cometido crimes de guerra, informa o jornal El Espectador.

"Pedimos que não haja violência, proteção para as FARC e que cessem todos os delitos", declarou Uribe no calor da vitória.

Uribe, seu aliado e senador Iván Duque, o ex-presidente conservador Andrés Pastrana e o ex-procurador Alejando Ordóñez foram os grandes vencedores.

domingo, 2 de outubro de 2016

Colombianos rejeitam acordo de paz com as FARC

Com 99,71% das urnas apuradas, o acordo de paz negociado entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) foi rejeitado em referendo com 6.426.858 (50,23%) votos não contra 6.366.621 (49,76%) para o sim. As FARC já anunciaram que não pretendem voltar à situação anterior ao início das negociações, informa o jornal El Espectador.

As pesquisas de opinião apontavam uma vitória do sim com cerca de 60% dos votos. O grande derrotado é o presidente Juan Manuel Santos, ex-ministro da Defesa. Ele apostou no processo de paz como grande realização de seu governo e enfrentou forte oposição do ex-presidente e ex-chefe Álvaro Uribe (2002-10). Juntos, os dois impuseram várias derrotas militares às FARC, enfraquecendo o grupo guerrilheiro, que terminou negociando numa posição débil.

Mesmo assim, os guerrilheiros entraram nas negociações realizadas em Havana, a capital de Cuba, exigindo uma mudança no regime político e no sistema econômico do país, como se tivessem força para tanto.

No acordo, as FARC aceitaram a democracia liberal, a economia de mercado, o fim da luta armada, ao desarmamento, a desmobilização, uma anistia parcial e um tribunal especial para julgar crimes contra a humanidade, como assassinatos e sequestros.

"A paz é o caminho. Todos os colombianos devem ser protagonistas deste momento histórico", declarou Santos ao votar hoje de manhã.

Uribe defendeu o não: "A paz é ilusória. Os textos de Havana são decepcionantes", acrescentou, advertindo que o acordo garante a impunidade dos guerrilheiros e encaminha a Colômbia para o "castrochavismo" de Cuba e da Venezuela.

Depois de 52 anos de uma guerra civil com cerca de 260 mil mortes e 6,9 milhões de pessoas desalojadas internamente, o eleitorado colombiano rejeitou a anistia parcial. Aliados de Uribe defenderam o não alegando que permitia uma renegociação em condições menos favoráveis à guerrilha.

"Ganhou o ódio às FARC", comentou o cientista político Jorge Restrepo, diretor do Centro de Recursos para Análise de Conflitos (Cerac). "Ficamos com uma profunda crise política com consequências econômicas muito negativas. Agora, serão as FARC que decidirão se seguem com o cessar-fogo, o desarmamento e a reintegração à vida civil."

Durante a 10ª Conferência das FARC, o comandante Carlos Antonio Losada, declarou que "não existe a menor possibilidade de que o que foi acertado em Havana seja renegociado". Diante de uma possível derrota no referendo, Losada observou que "isso não significa que se deva jogar no lixo todo o processo porque a paz como um direito síntese não pode nos levar a tomar a decisão de seguir com esta guerra tão dolorosa."

A rejeição do acordo desestimula o Exército de Libertação Nacional (ELN), segundo maior grupo guerrilheiro da Colômbia, a aderir ao processo de paz.

Governo da Hungria perde referendo contra política de refugiados da UE

Numa derrota para o primeiro-ministro fascistoide Viktor Orban, o não à política da União Europeia de distribuir refugiados de acordo com a população de seus países-membros venceu um referendo realizado hoje na Hungria, mas a consulta popular não valeu por causa da abstenção.

Orban, que migrou do liberalismo para a ultradireita ao sabor dos ventos da opinião pública, tenta sabotar as políticas da UE ao mesmo tempo em que reaproxima a Hungria da Rússia. Desta vez, fracassou.

O índice de comparecimento às urnas foi de 45% e os votos válidos somaram apenas 42%. Para o referendo ser válido, a metade dos votos terá de ser válida.

sábado, 1 de outubro de 2016

ELN liberta refém na Colômbia

O Exército de Libertação Nacional (ELN), segundo maior grupo guerrilheiro da Colômbia, libertou ontem um refém na zona rural do departamento de Arauca, noticiou a Rádio Santa Fé.

A libertação de todos os reféns e o fim dos sequestros são exigências do governo colombiano para o começo de negociações formais de paz com o ELN. As duas partes concordaram em iniciar um processo de paz em março. Os sequestros eram um obstáculo.

Agora, a expectativa é que as negociações, a serem realizadas no vizinho Equador, comecem em breve.

Neste domingo, o eleitorado colombiano decide em referendo se aceita o acordo de paz negociado entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Mesmo se as FARC e o ELN abandonarem a luta armada, a violência e a criminalidade devem persistir em algumas zonas rurais da Colômbia.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Itália fará referendo sobre reforma constitucional em 4 de dezembro

A Itália convocou para 4 de dezembro de 2016 um referendo para aprovar uma reforma constitucional destinada a facilitar a formação de governos e reduzir os custos da máquina do Estado. 

Uma derrota provavelmente levará à queda do primeiro-ministro esquerdista Matteo Renzi, que chegou ao poder em fevereiro de 2014 sem vencer uma eleição como líder do Partido Democrático.

Se aprovada, a reforma vai diminuir o número de cadeira no Senado e reduzir o papel da câmara alta no processo legislativo, aumentando o poder da Câmara dos Deputados, e transferir mais poderes das regiões para o governo central.

Renzi não teve alternativas. A reforma não obteve os dois terços de votos do Congresso necessários à mudança na Constituição sem uma consulta popular.

Da maneira como a questão foi apresentada, a votação será também um plebiscito sobre seu governo, que não conseguiu recuperar a economia da Itália, a quarta maior da Europa e oitava do mundo, à frente do Brasil, com produto interno bruto de US$ 1,85 trilhão, que atualmente está estagnada.

Em pesquisa recente 35,5% declararam a intenção de votar contra e 29,6% a favor da reforma, com 35% de indecisos.

O governo conta com a divisão interna no Movimento 5 Estrelas, do humorista Beppe Grillo, de oposição aos partidos políticos tradicionais, o partido mais votado individualmente nas últimas eleições nacionais na Itália.

Virginia Raggi, do Movimento 5 Estrelas, foi eleita prefeita de Roma em junho, batendo o candidato do Partido Democrático, de Renzi. Até agora, não conseguiu articular uma maioria para governar.

Mesmo se a reforma constitucional for rejeitada, os deputados podem tentar formar um novo governo sem a realização de novas eleições. No momento, as pesquisas dão 31,2% de preferências para o PD, de Renzi, e 29,5% para o M5E. Para Renzi, a aposta é vencer o referendo.

sábado, 24 de setembro de 2016

Mujica: se disser não à paz, Colômbia será país esquizofrênico

Em entrevista ao jornal colombiano El Tiempo, o ex-presidente do Uruguai José Mujica afirmou que, "se a Colômbia disser não ao acordo de paz com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), dará a impressão de ser um povo esquizofrênico que se aferra à guerra como forma de vida."

Mujica fará parte da comissão de fiscalização do cumprimento do acordo de paz, que será assinado em 26 de setembro na cidade histórica de Cartagena. Ele lamentou que mais de 3 mil dirigentes sindicais tenham sido mortos na guerra civil colombiana: "Em direitos trabalhistas, a Colômbia parece um país primitivo. É um país riquíssimo e está entre os mais desiguais do mundo."

O ex-presidente uruguaio, hoje senador, um dos ídolos da esquerda latino-americana, convocou os jovens a votar sim no referendo sobre o acordo de paz, marcado para 2 de outubro de 2016. Ele também aconselhou o segundo maior grupo guerrilheiro colombiano, o Exército de Libertação Nacional e abandonar a luta armada e negociar a paz.

"A guerra não pode ser objetivo da vida", raciocinou Mujica. "Nas velhas definições acadêmicas de guerra, esta se faz por uma paz melhor, mas o objetivo não é a guerra, é a paz. Se vamos viver em guerra permanente, estamos locos."

Daqui para a frente, acrescentou, a luta deve ser civil, pacífica e democrática: "Que se insiram na sociedade, que trabalhem, que usem a experiência que tem no campo a favor do desenvolvimento agrário, do campesinato, da inclusão, das escolas, da infraestrutura e muitas coisas mais - e lutem por tudo isso."

Até abril de 2017, Mujica vai fazer parte da comissão que vai acompanhar o desarmento, a reintegração dos guerrilheiros e a instalação do tribunal especial de crimes de guerra para quem não for beneficiado pela anistia por ter cometido crimes contra a humanidade.

"Farei tudo pela construção da paz por três razões: pela Colômbia, pela América e pelo mundo", declarou Pepe Mujica. "O ser humano chegou a um estágio em que precisa se propor a sair da pré-história. Temos de arquivar as armas como recurso para resolver nossas diferenças. Temos de sair disto. Por quê? Porque o homem nunca teve tanta força como hoje em dia.

"Se seguimos nesta lógica de guerra, estaremos expostos a que um dia apareça um louco de merda com possibilidade de apertar o botão e armar um desastre", concluiu Mujica, numa referência ao candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump.

Conferência das FARC aprova acordo de paz com governo

A 10ª Conferência das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) aprovou ontem à noite o acordo de paz negociado nos últimos quatro anos com o governo colombiano para pôr fim a mais de 50 anos de guerra civil.

A decisão unânime foi tomada no fim da conferência convocada para preparar os guerrilheiros das FARC para entregar as armas e se reintegrar à vida civil como um partido político de esquerda com uma anistia parcial que levará alguns a tribunais especiais e à prisão. O encontro foi realizado na planície de Yari, um dos redutos dos guerrilheiros no Sul da Colômbia.

O acordo de paz será assinado em 26 de setembro de 2016 na cidade histórica de Cartagena pelo presidente Juan Manuel Santos e o líder das FARC, Rodrigo Londoño Echeverri, mais conhecido pelo nomes de guerra de Timoleón Jiménez e Timochenko.

Em 2 de outubro, o acordo será submetido a um referendo popular. O governo Santos e a oposição de esquerda apoiam o voto sim, enquanto a oposição conservadora linha-dura liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe defende a rejeição ao acordo, alegando que faz concessões demais aos guerrilheiros.

As pesquisas dão mais de 60% para o sim. Se o não ganhar, o governo adverte que o conflito armado pode se arrastar por mais uma década.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Partidários de Correa desistem de referendo sobre reeleição

O grupo Rafael Contigo Sempre retirou seu pedido de realização de uma consulta popular para permitir ao presidente Rafael Correa concorrer a mais uma reeleição no Equador, em 2017, noticiou hoje o jornal equatoriano El Universal.

Os partidários do líder equatoriano haviam recolhido 1,2 milhão de assinaturas, 200 mil a mais do que o necessário para convocar um referendo.

Quem quer que sejam os candidatos, a eleição presidencial de 2017 será muito disputada por causa da crise econômica do Equador, membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). A expectativa para este ano é de uma recessão de 2,5%.

Numa pesquisa realizada em agosto, o empresário oposicionista Guillermo Lasso, derrotado na eleição presidencial de 2013, aparecia em primeiro lugar com 32%, seguido pelo presidente Correa com 29,5%.

Se Correa não concorrer, o candidato do governo pode ser o vice-presidente Jorge Glas ou o ex-vice-presidente Lenin Moreno.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Governo da Itália corta impostos em busca de popularidade

Em uma tentativa de recuperar sua popularidade antes de uma votação decisiva, o primeiro-ministro Matteo Renzi anunciou hoje um corte de impostos para empresas e empreendedores na Itália, com redução da alíquota para 24%.

No início do ano, Renzi prometeu convocar um referendo sobre uma reforma constitucional e deixar a chefia do governo se perdesse. Com a popularidade do governo em baixa, as últimas pesquisas indicam uma pequena vantagem do não.

O Partido Democrático (PD), uma fusão de vários grupos de centro-esquerda, inclusiva o Partido Democrático da Esquerda (PDS), a ala reformista do antigo Partido Comunista Italiano (PCI), perdeu a eleição para prefeito de Roma para o neopopulista Movimento 5 Estrelas, de oposição.

Renzi chegou ao poder em 22 de fevereiro de 2014 derrubando o primeiro-ministro Enrico Letta numa luta interna pela liderança do partido. Desde então, promete reformas, mas ainda espera o aval das urnas.

Sob pressão de uma dívida elevada e de uma economia estagnada e burocratizada, Renzi pressiona a União Europeia para afrouxar a rigidez fiscal da Zona do Euro e permitir um endividamento maior.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Hungria convoca referendo sobre refugiados

A Hungria fará uma consulta popular em 2 de outubro para rejeitar o plano de distribuição de refugiados pelos diferentes países-membros da União Europeia, anunciou hoje o gabinete do presidente Janos Ader.

O país já ergueu cercas na fronteira sul para impedir a entrada de imigrantes e refugiados das guerras na África e no Oriente Médio. Para o primeiro-ministro direitista Viktor Orban, o referendo é uma forma de se opor ao que considera uma violação da soberania nacional da Hungria pela Comissão Europeia.

A oposição de esquerda defende um boicote ao referendo. A maioria dos húngaros esqueceu seu passado. Depois da frustrada revolução anti-stalinista de 1956, pelo menos 200 mil pessoas fugiram do país.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Pesquisa indica que 45% dos franceses querem plebiscito sobre a UE

Cerca de 45% dos franceses são a favor da convocação de um plebiscito como o britânico sobre a permanência da França na União Europeia, indica uma pesquisa divulgada hoje pelo jornal Le Figaro.

Se o plebiscito fosse realizado, 45% declararam voto a favor de ficar na UE, enquanto 33% votariam para deixar o bloco.

Como no Reino Unido, as pessoas de renda mais alta tendem a ser a favor da UE, mas não houve na França uma divisão por idade como entre os britânicos, com a maioria dos jovens votando pela Europa e a maioria dos velhos contra.

A Frente Nacional, da França, e outros partidos de ultradireita do continente estão reivindicando a convocação de referendos sobre a UE na Áustria, Dinamarca, Itália e Suécia.

A França forma com a Alemanha o eixo central ao redor do qual foi construída a UE. Sem a França, o bloco se desintegraria, mas são prematuras as previsões apocalípticas de fim da UE, da qual o Reino Unido sempre foi um participante periférico.