Mais de 98% dos 7,6 milhões de venezuelanos que participaram de uma consulta popular realizada pela oposição rejeitaram a proposta do ditador Nicolás Maduro de convocar uma Assembleia Nacional Constituinte eleita por entidades leais ao regime chavista.
Como próximos passos, a oposição venezuelana convocou uma greve geral para 21 de julho e anunciou a formação de um governo paralelo para fazer sombra a Maduro.
O ditador da Venezuela insiste na convocação de uma Constituinte. Seu principal objetivo é tirar a legitimidade da Assembleia Nacional, onde a oposição elegeu uma maioria de dois terços.
Com sua nova Constituição, que revoga a Carta escrita e aprovada sob a inspiração do finado caudilho Hugo Chávez, Maduro ambiciona o poder absoluto e o fim das eleições democráticas.
Ao comentar o resultado ontem, o presidente da Assembleia Nacional, deputado Julio Borges, afirmou que na prática o mandato de Maduro está revogado.
Hoje à tarde, horas de milicianos chavistas se concentraram perto da sede da Assembleia Nacional. O Legislativo deve receber hoje o relatório final do Comitê de Postulantes às 33 vagas do Tribunal Supremo de Justiça e fazer as nomeações até sexta-feira, colocando-se em rota de colisão com o Executivo.
Pouco depois do meio-dia, a agência Bloomberg noticiou que os Estados Unidos podem impor sanções ao ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, e ao ex-presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello por causa das violações dos direitos humanos na repressão aos protestos populares, que não cessam desde o início de abril, com cerca de cem mortes.
A Venezuela enfrenta a pior crise econômica de sua história independente, com queda de mais de 20% no produto interno bruto nos últimos anos, inflação de 950% e desabastecimento de mais de 80% dos produtos básicos.
Com ou sem Constituinte, Maduro não tem resposta para esses problemas. Limita-se a denunciar uma conspiração internacional liderada pelos EUA com a conivência das classes dominantes venezuelanas.
Os EUA, a União Europeia e o Brasil apoiaram o resultado do referendo e pediram ao governo que desista da Constituinte. O governo Donald Trump ameaça impor novas sanções, enquanto o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pediu a intermediação do ditador de Cuba, Raúl Castro, para negociar uma solução pacífica.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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terça-feira, 18 de julho de 2017
Mais de 98% votaram contra a Constituinte de Maduro
quarta-feira, 21 de setembro de 2016
Partidários de Correa desistem de referendo sobre reeleição
O grupo Rafael Contigo Sempre retirou seu pedido de realização de uma consulta popular para permitir ao presidente Rafael Correa concorrer a mais uma reeleição no Equador, em 2017, noticiou hoje o jornal equatoriano El Universal.
Os partidários do líder equatoriano haviam recolhido 1,2 milhão de assinaturas, 200 mil a mais do que o necessário para convocar um referendo.
Quem quer que sejam os candidatos, a eleição presidencial de 2017 será muito disputada por causa da crise econômica do Equador, membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). A expectativa para este ano é de uma recessão de 2,5%.
Numa pesquisa realizada em agosto, o empresário oposicionista Guillermo Lasso, derrotado na eleição presidencial de 2013, aparecia em primeiro lugar com 32%, seguido pelo presidente Correa com 29,5%.
Se Correa não concorrer, o candidato do governo pode ser o vice-presidente Jorge Glas ou o ex-vice-presidente Lenin Moreno.
Os partidários do líder equatoriano haviam recolhido 1,2 milhão de assinaturas, 200 mil a mais do que o necessário para convocar um referendo.
Quem quer que sejam os candidatos, a eleição presidencial de 2017 será muito disputada por causa da crise econômica do Equador, membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). A expectativa para este ano é de uma recessão de 2,5%.
Numa pesquisa realizada em agosto, o empresário oposicionista Guillermo Lasso, derrotado na eleição presidencial de 2013, aparecia em primeiro lugar com 32%, seguido pelo presidente Correa com 29,5%.
Se Correa não concorrer, o candidato do governo pode ser o vice-presidente Jorge Glas ou o ex-vice-presidente Lenin Moreno.
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