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domingo, 13 de abril de 2025

Daniel Noboa é reeleito presidente do Equadoor

 O presidente conservador Daniel Noboa foi reeleito neste domingo em segundo turno no Equador. Com mais de 90% dos votos apurados, o presidente tem uma vantagem de mais de um milhão de votos e 12 pontos percentuais (56% a 42%) sobre a candidata de esquerda, Luisa González, que não reconheceu a derrota e pediu recontagem dos votos.

"Recuso-me a acreditar que o povo preferiria mentiras em vez da verdade, violência em vez da paz e da unidade", declarou González, do partido Revolução Cidadã, liderado pelo ex-presidente Rafael Correa, exilado na Bélgica depois de ser condenado por corrupção. "Vamos exigir uma recontagem e que abram as urnas."

Tanto a Organização dos Estados Americanos (OEA) quanto a União Europeia, que enviaram missões observadora, consideraram a eleição limpa e justa. Na véspera da eleição, Noboa decretou estado de emergência em sete estados em que González era favorita, levantando suspeitas de intimidação do eleitorado. O presidente afirmou que a medida era para conter a violência.

A campanha foi marcada pelo maior problema enfrentado pelo Equador hoje, a violência das máfias do tráfico de drogas, com a penetração no país dos cartéis do México. Para combater essas gangues, Noboa militarizou a polícia e as prisões. 

Os dois candidatos que chegaram ao segundo turno terminaram o primeiro praticamente empatados com pouco mais de 44% dos votos cada um. De acordo com a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Diana Atameint, 84% dos eleitores inscritos votaram no segundo turno.

Daniel Noboa é filho de Álvaro Noboa, o homem mais rico do país, magnata das bananas, que tentou ser presidente do Equadir cinco vezes, sem sucesso. Ele foi eleito em 15 de outubro de 2023 para concluir o mandato do presidente Guillermo Lasso, que vai até maio. Agora, terá a chance de governar por um mandato inteiro de 4 anos.

Na campanha, Noboa se apresentou como o candidato da lei, da ordem e da segurança pública, mas até aqui teve pouco sucesso no combate aos maiores problemas do Equador: a violência dos traficantes de drogas e o desemprego.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Presidente e candidata de Correa disputam segundo turno no Equador

O presidente conservador Daniel Noboa e a candidata esquerdista Luisa González vão disputar em 13 de abril o segundo turno da eleição presidencial no Equador. Uma pesquisa de boca de urna chegou a dar maioria absoluta para o presidente, mas o resultado final do primeiro turno foi apertado: 44.43% para Noboa e 44,17% para González.

Os dois disputaram o segundo turno da eleição presidencial de 2023, quando Noboa, da Ação Democrática Nacional (ADN), foi a grande surpresa. Não se esperava que chegasse ao segundo turno, quando teve 51,83% dos votos contra 48,17% para González, da Revolução Cidadã (RC), liderada pelo ex-presidente Rafael Correa. 

O ex-presidente está exilado na Bélgica para escapar de uma pena de 8 anos de prisão por corrupção por receber propina de empresas, inclusive da construtora brasileira Odebrecht, com provas obtidas na Operação Lava Jato.

A eleição de 2023 foi realizada sob estado de exceção, sob o impacto do assassinato do candidato Fernando Villavicencio pela máfia do tráfico de drogas Los Lobos, ligada ao Cartel de Jalisco Nova Geração, do México. 

Espremido entre os maiores produtores de cocaína do mundo, Colômbia e Peru, o Equador tem poucos recursos para enfrentar os traficantes. Isto levou o país a ter a maior taxa da homicídios da América do Sul e a sétima do mundo em 2022: 27 assassinatos para cada 100 mil habitantes. Em 2023, 8 mil pessoas foram mortas na guerra do tráfico.

Assim, a segurança foi o tema central da campanha em 2023 e de novo agora, à frente da crise econômica, do desemprego e do custo de vida. 

As eleições foram próximas porque a anterior foi para um mandato-tampão para concluir o período do presidente Guillermo Lasso, que dissolveu a Assembleia Nacional em 17 de maio de 2023 para escapar de um processo de impeachment, numa manobra conhecida como "morte cruzada", que força a realização de novas eleições presidencial e legislativas – e decidiu não concorrer.

No domingo, pouco mais de 11 milhões dos 13,7 milhões de eleitores equatorianos votaram para presidente, vice-presidente e os 100 deputados da Assembleia Nacional. Todos cumprem mandatos de quatro anos. Nenhum partido deve ter maioria absoluta no novo parlamento.

Daniel Noboa é filho de Álvaro Noboa, magnata do setor bananeiro e homem mais rico do Equador, que disputou a Presidência sem sucesso cinco vezes. Personalista, o atual presidente promete manter o "conflito armado interno". Concentrou a campanha nas redes sociais para atrair o eleitorado jovem de 18 a 30 anos. 

Noboa acusou os governos anteriores, de Lasso e Correa, de corrupção e ligação com o narcotráfico. Fala num "novo Equador". Encerrou sua participação no debate na televisão com a frase: "A velha política ao lixo."

Luisa González atacou as violações dos direitos humanos cometidas pelo governo na luta contra o narcotráfico. Em oposição ao personalismo de Noboa, na linha de seu padrinho político Correa, ela aposta na democracia participativa reconstituindo as assembleias comunitárias e na democratização do acesso à saúde e educação. 

Seu plano para a segurança pública tem foco na ação social para combater o crime, na reinserção social dos criminosos e na defesa dos direitos humanos. Ela também defende a geração de empregos através de "obras públicas comunitárias" e na transição energética para uma economia pós-petróleo. O Equador era membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Saiu em 2020.

Em política externa, González defende a integração regional através de organismos como a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), o que a aproxima do governo Lula.

Ela teve cerca de 4,1 milhões de votos no primeiro turno. De acordo com os analistas políticos da consultoria Celegdata, precisa de 4,7 milhões para vencer no segundo turno. Os outros candidatos de oposição a Noboa somaram 467 mil votos. Se González conquistar 90% desses eleitores, será a primeira mulher a presidir o Equador. 

O voto indígena será decisivo. Nos 10 anos antes da eleição de Correa, o Equador teve sete presidentes. Três foram derrubados pelo movimento indígena. Os índios são 13% da população e os mestiços 71%. Leónidas Iza, do Movimento Pachakutik, partido ligado à Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), teve 5,26% dos votos no primeiro turno. O movimento ainda não definiu sua posição para o segundo turno

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, declarou apoio a ela. Os dois países romperam relações depois que a polícia equatoriana violou a imunidade diplomática e invadiu a embaixada mexicana em Quito para prender o ex-vice-presidente Jorge Glas, em 5 de abril do ano passado. Glas foi condenado duas vezes, a 6 e 8 anos de prisão, inclusive com provas colhidas pela Operação Lava Jato. Sheinbaum quer reatar as relações.

Com 18,2 milhões de habitantes, o Equador é um dos dois únicos países da América do Sul, ao lado do Chile, sem fronteira com o Brasil. É um dos 17 países megadiversos do mundo, com a maior diversidade biológica por metro quatro. As Ilhas Galápagos têm uma fauna única que influenciou o desenvolvimento da Teoria da Evolução das Espécies pelo naturalista britânico Charles Darwin. É o único país do mundo com uma Constituição que garante os direitos da natureza.

sábado, 13 de janeiro de 2024

Equador declara guerra aos cartéis do tráfico de drogas

O jovem e inexperiente presidente do Equador, Daniel Noboa, declarou guerra às máfias do tráfico de drogas e decretou estado de emergência por 60 dias e botou o Exército nas ruas em meio a uma onda de motins em prisões, com a fuga do maior traficante do país, José Adolfo Macías Villamar, o Fito. Em menos de uma década, o Equador, que era considerado um oásis de paz, se transformou num narcoestado.

Vizinho dos maiores produtores de cocaína do mundo, a Colômbia e o Peru, com uma economia dolarizada, o que facilita a lavagem de dinheiro, o Equador se tornou a principal porta de saída da droga para os grandes mercados consumidores da Europa e dos Estados Unidos.

Um alerta soou na campanha eleitoral do ano passado, quando o jornalista e ex-deputado Fernando Villavicencio, que defendia um combate mais duro ao narcotráfico e à corrupção foi assassinado.

Sem poder financeiro nem de fogo para enfrentar máfias ligadas aos grandes cartéis do tráfico mexicanos, o Equador deve seguir o modelo do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que suspendeu as garantias constitucionais e democráticas para combater as gangues e se apresenta como "o ditador mais legal do mundo".

NOTA: Não falei na gravação, mas lembrei depois. Em 10 de maio de 2022, o procurador-geral do Paraguai Marcelo Pecci foi assassinado quando estava em lua de mel numa praia da Colômbia. Entre os principais suspeitos, estava o PCC. O Paraguai é outro país pequeno e relativamente pobre, sem força suficiente para enfrentar as máfias do crime organizado.

domingo, 15 de outubro de 2023

Magnata vence eleição presidencial no Equador

 O candidato liberal Daniel Noboa realizou o sonho do pai, Álvaro Noboa, cinco vezes candidato sem sucesso, e se tornou o mais jovem presidente da história do Equador.

 Com mais de 90% dos votos apurados, Noboa, da Ação Democrática Nacional (ADN) vence no segundo turno por 52,3% a 47,7% Luisa González, do Movimento Revolução Cidadã (MRC), liderado pelo ex-presidente Rafael Correa, (2007-17) que foi condenado por corrupção e está exilado na Bélgica.

A eleição equatoriana foi perturbada pelo assassinato do candidato Fernando Villavicencio, que fazia campanha contra as máfias do tráfico de drogas e foi morto por uma delas em 9 de agosto, 11 dias antes do primeiro turno.

Aos 35 anos, Noboa será o mais jovem presidente do Equador, mas seu mandato será de apenas um ano e e cinco meses, de dezembro deste ano a maio de 2025. Ele vai completar o período do presidente Guillermo Lasso. 

Para escapar de um processo de impeachment, Lasso dissolveu a Assembleia Nacional em 17 de maio numa manobra conhecida como morte cruzada, que acabou ao mesmo tempo com seu governo. Desde já, Noboa é candidato à reeleição.

A família Noboa é dona de um império empresarial que começou com a exportação de bananas. O pai enfrentou resistência e não conseguiu ser presidente porque era visto como representante da elite econômica.

Daniel Noboa Azin não era considerado um candidato forte. No primeiro turno, nenhuma pesquisa o colocava no segundo turno. Para se diferenciar do pai, ele fez campanha abraçando algumas causas progressistas como ênfase na educação e apoio à comunidade LBGTQIAP+. No debate final na televisão, ele se apresentou como alternativa ao correísmo e mostrou mais conhecimento de temas essenciais do que os favoritos.

Seu programa tem dois pontos centrais: o combate à violência e ao crime organizado e a geração de empregos para os jovens com incentivos fiscais para empresas que contratarem jovens. Sem maioria numa Assembleia Nacional fragmentada onde a oposição correísta terá a maior bancada, Noboa não terá vida fácil com o Poder Legislativo.

Sob o impacto da ação de máfias ligadas aos cartéis do tráfico de drogas do México, o Equador enfrenta a maior crise de segurança de sua história, com 4,3 mil assassinatos nos primeiros sete meses de 2023. Ele propõe instalar prisões em barcaças para deixar criminosos perigosos longe da costa, sem condições de administrar seus negócios criminosos de dentro do cárcere.

A proposta gerou críticas porque o tempo é curto e o código penal equatoriano não prevê o isolamento como pena.

A morte de Villavicencio não foi totalmente esclarecida. Os seis colombianos presos foram assassinados na cadeia.

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Empresário surpreende e vai disputar segundo turno no Equador

 A esquerdista Luisa González, do movimento correísta Revolução Cidadã, liderado pelo ex-presidente Rafael Correa (2007-17), e o empresário Daniel Noboa, da Aliança Democrática Nacional (ADN), devem disputar o segundo turno da eleição presidencial extraordinária no Equador em 15 de outubro.

Com 74% das urnas apuradas, González lidera com 33,17% dos votos contra 24,12% para Noboa, a grande surpresa desta eleição. Em terceiro lugar, com 16,33%, está Christian Zurita, do Movimento Constrói. Ele substituiu o ex-deputado Fernando Villavicencio, assassinado em 9 de agosto por máfias do tráfico de drogas. Logo atrás, vem o ex-militar e empresário Jan Topic, com 14,6%.

Daniel Noboa, de 35 anos, filho do magnata Álvaro Noboa, que disputou a Presidência do Equador cinco vezes sem sucesso, não estava no segundo turno em nenhuma pesquisa. Seu sucesso é atribuído ao desempenho no único debate, realizado em 13 de agosto

Desde já, Noboa é o favorito como candidato anticorreísta. Assim, deve receber o apoio do partido de Villavicencio, que combatia o narcotráfico e a corrupção de Correa, que vive no México depois de ser condenado em escândalo envolvendo a construtora brasileira Odebrecht, e também de Topic.

Luisa González, de 45 anos, agradeceu ao eleitorado feminino, destacou que é a primeira mulher a receber uma grande votação em eleição presidencial no Equador, pediu a união dos equatorianos e atacou Noboa como candidato da elite econômica: "Temos de votar bem. Não podemos ter um Lasso 2.0."

Quem vencer vai governar por apenas um ano e meio, até maio de 2025 para completar o mandato do presidente Guillermo Lasso (2021-23), que dissolveu a Assembleia Nacional e encurtou seu próprio governo, em 17 de maio, ao apelar para um dispositivo constitucional conhecido como "morte cruzada" para escapar de um processo de impeachment.

O Equador foi às urnas em meio a uma crise econômica e onda de violência, com extorsões, sequestros e assassinatos cometidos principalmente por gangues do tráfico de drogas. A morte de Villavicencio é atribuída a um grupo chamado Los Choneros, braço equatoriano do Cartel de Sinaloa, o maior do México. 

Nos últimos cinco anos, a taxa de homicídios cresceu de 5,8 para 25,9 para cada 100 mil habitantes. Em 2023, deve ser ainda maior. Já foram registrados 4,3 mil assassinatos, mais do que no ano passado. 

Assim, o maior desafio do novo governo é combater a violência. Na campanha, o candidato Jan Topic, da Aliança País sem Medio, defendeu a adoção dos métodos do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, acusado de violar os direitos humanos na luta contra as gangues que assolavam o país.

Em plebiscito realizado junto com a eleição, 59% dos equatorianos votaram contra a exploração de petróleo no parque nacional de Yasuní, na região amazônica do país.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Candidato à Presidência do Equador é assassinado em Quito

 O candidato à eleição presidencial de 20 de agosto no Equador Fernando Villavicencio, de centro-direita, foi morto num atentado nesta quarta-feira em Quito às 18h20 pela horal local (20h20 em Brasília). Outras nove pessoas saíram feridas. O suposto atirador também morreu.

Ao sair de um evento de campanha, quando entrava no banco detrás de um carro, ouviram-se pelo menos 12 tiros. Galo Valencia, tio do candidato, falou em 40 disparos. Villavicencio levou três tiros na cabeça. A principal suspeita recai sobre o crime organizado.


A morte foi confirmada pelo presidente Guillermo Lasso e pelo ministro do interior, Juan Zapata. "Indignado e consternado pelo assassinato do candidato presidencial Fernando Villavicencio. Minha solidariedade e minhas condolências a sua esposa e suas filhas. Pela sua memória e por sua luta, asseguro que esse crime não ficará impune", escreveu Lasso no X, o antigo Twitter. A Folha de São Paulo publicou tuítes com a gravação do atentado.

De madrugada, o presidente Lasso decretou estado de emergência por dois meses e convocou o Exército para garantir a segurança das eleições. O Conselho Nacional Eleitoral confirmou a realização das eleições em 20 de agosto. Seis pessoas foram presas. 

Em mensagem na Internet, um grupo de homens armados e mascarados reivindicou a autoria do atentado para a máfia do tráfico Los Lobos, mas suspeita-se que tenha sido forjada. Los Lobos são ligados ao Cartel de Jalisco Nova Geração, do México. O candidato alertou que estava sendo ameaçado pela gangue Los Choneros, a maior do Equador, ligada ao Cartel de Sinaloa, o maior do México. 

Villavicencio, do Movimento Constrói, tinha 59 anos. Era jornalista e crítico dos governos de  Rafael Correa (2007-17) e Guillermo Lasso (2021-23). Denunciou a corrupção no setor de petróleo, inclusive o escândalo da Odebrecht no Equador. Condenado por corrupção, Correa vive no Equador.

Como deputado, Villavicencio presidia a Comissão de Fiscalização da Assembleia Nacional, dissolvida por Lasso em 17 de maio deste ano numa manobra conhecida como "morte cruzada", que encurtou seu próprio mandato. O candidato morto entrou na campanha com a proposta de combater a violência associada ao tráfico de drogas e ao crime organizado, inclusive a mineração e o desmatamento, que pretendia incluir na lei antiterrorismo.

"Hoje o Equador está tomado pelos cartéis de Sinaloa e Jalisco Nova Geração – os dois mexicanos – e pela máfia albanesa. Fica claro para a América Latina o mesmo que aconteceu na Colômbia e no México, que não é possível que o narcotráfico se instale numa sociedade e a submeta sem o conluio e a conivência do poder político", declarou Villavicencio em entrevista à TV CNN en Español em maio passado.

Em 4 de agosto, sua campanha declarou que ele continuaria viajando pelo Equador, apesar das ameaças de morte. Ele declarou: "Seguiremos adiante na luta dos equatorianos valentes que queremos resgatar a pátria das mãos das máfias políticas e do narcotráfico." É um país espremido entre os dois maiores produtores de cocaína do mundo, Colômbia e Peru.

"O Equador se converteu num Estado falido", desabafou o ex-presidente Rafael Correa, eleito na onda de vitórias da esquerda na América Latina no início do século, ao saber da morte de Villavicencio. 

A candidata do movimento correísta Revolução Cidadã, Luisa González, é a favorita com 23% a 30,5% das preferências nas pesquisas. O líder indígena Yakú Pérez e o ex-vice-presidente Otto Sonnenholzner disputam o segundo lugar com 12% a 14%. Villavicencio era o quarto, com 6,8% a 12%.

Se nenhum dos oito candidatos conseguir mais da metade dos votos ou mais de 40% e uma vantagem de pelo menos 10 pontos percentuais sobre o segundo colocado, haverá segundo turno em 15 de outubro de 2023. O presidente eleito vai governar por apenas um ano e meio, até maio de 2025, para completar o mandato de Lasso.

sexta-feira, 19 de maio de 2023

Zelensky é esperado em reunião do G-7 para apoiar Ucrânia

Os líderes dos países do Grupo dos Sete (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) se reúnem neste fim de semana em Hiroxima, no Japão, escolhida por causa da ameaça da Rússia de usar armas nucleares na Guerra da Ucrânia. O Brasil foi convidado, mas o convidado-surpresa é o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, o que deve dar o tom do encontro.

O G-7, criado quando seus países eram as maiores potências industrias, apoia a Ucrânia unanimemente e deve anunciar novas sanções à Rússia. Ao mesmo tempo, tenta atrair grandes países democráticos em desenvolvimento como o Brasil, a Índia e a Indonésia ao se apresentar como defensor dos princípios da soberania nacional e integridade territorial, sem ambições imperialistas.

Na guerra, a Ucrânia declarou ter abatido mísseis hipersônicos russos Kinjal. A Rússia negou e anunciou ter atingido um sistema de defesa antimísseis norte-americano Patriot cedido à Ucrânia. Os EUA afirmam que o sistema está funcionando.

Ao receber um enviado especial da China para negociar a paz, o ministro do Exterior da Ucrânia, Dmytro Kuleva, rejeitou qualquer que congele o conflito ou implique concessões territoriais à Rússia. A soberania nacional e a integridade territorial não se negociam, esclareceu o chanceler.

Como a maioria dos analistas consideram improvável uma vitória militar de qualquer dos lados, há o risco de um congelamento do conflito, de uma guerra ou ocupação longa, de décadas, como na Coreia, no Chipre, em Israel e na Palestina ou na Caxemira.

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy vai cumprir um ano de prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica por corrupção e tráfico de influência.

No Equador, o Tribunal Constitucional mantém a decisão do presidente Guillermo Lasso de dissolver a Assembleia Nacional e convocar eleições parlamentares e presidencial para conclusão dos mandatos.

A Suprema Corte dos EUA absolve o Twitter e o Google de ações que alegavam que as empresas colaboraram com o terrorismo do grupo extremista Estado Islâmico.

A temperatura média da Terra deve superar em cinco anos o limite de 1,5 grau centígrado acima da temperatura do início da Revolução Industrial, em 1750, meta estabelecida pelo Acordo de Paris sobre Mudança do Clima para conter o aquecimento global. Meu comentário: 

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Banqueiro derrota candidato de Correa e vai presidir Equador

 Numa grande surpresa, com 52,49% a 47,51% dos votos válidos no segundo turno de votação, o banqueiro Guillermo Lasso foi eleito presidente do Equador neste domingo, vencendo Andrés Arauz, apoiado pelo ex-presidente Rafael Correa, que fugiu do país para escapar de processos por corrupção e vive na Bélgica. Ele toma posse em 24 de maio para exercer um mandato de quatro anos.

No discurso da vitória, no Centro de Convenções de Guaiaquil, a maior e mais rica cidade equatoriana, onde nasceu, Lasso afirmou que "é um dia de celebração, a democracia triunfou. Os equatorianos usaram seu direito de eleger e optaram por um novo rumo, um rumo muito diferente dos últimos 14 anos no Equador." Sua principal mensagem na campanha do segundo turno foi atacar o correísmo, a herança política de Rafael Correa.

Lasso, banqueiro, ex-diretor-executivo da Coca-Cola, ex-governador provincial e ex-ministro da Economia e da Energia, venceu na terceira tentativa de se tornar presidente. Liberal em economia e conservador nos costumes, o presidente eleito é católico, contra o aborto, mas aceita o casamento de pessoas do mesmo sexo. Ele assumiu o compromisso defender os direitos da mulher, inclusive igualdade de salários com os homens para a mesma função, e proteger as minorias LGBT.

Por telefone, o candidato vencido reconheceu a derrota. Em discurso a seus correligionários, Arauz, um economista de esquerda, declarou que "é apenas um começo" e prometeu continuar a luta por justiça social, dignidade e cidadania. Sua vitória abriria caminho para a reabilitação de Correa.

Em agosto do ano passado, quatro meses depois de ser condenado a oito anos de cadeia num escândalo de subornos, Correa tentou se candidatar como vice-presidente de Arauz, repetindo a fórmula usada por Cristina Kirchner na Argentina, ao dar a cabeça da chapa a Alberto Fernández. O Conselho Nacional Eleitoral rejeitou a candidatura, alegando que só pode ser feita de forma presencial.

No Twitter, Correa aceitou a vitória de Lasso: "Sinceramente, acreditávamos que ganharíamos, mas nossas projeções estavam erradas. Sorte para Guillermo Lasso, seu êxito será do Equador. Só peço que pare com o lawfare, que destrói vidas e famílias.

Lawfare é o uso político da Justiça, argumento usado políticos latino-americanos processados por corrupção como o ex-presidente Lula, a vice-presidente argentina Cristina Kirchner e o ex-presidente equatoriano para alegar perseguição política.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Revoltas populares contra desigualdade atingem quatro continentes

Uma onda de manifestações de protestos que por fundo o aumento da desigualdade de renda, a miséria e o desemprego, abala governos em quatro continentes. É mais um reflexo da Grande Recessão mundial de 2008 e 2009.

Talvez a situação mais grave no momento seja no Chile, onde pelo menos 11 pessoas morreram, mais de 150 saíram feridas e mil e 500 foram presas desde sexta-feira, quando começou uma violenta onda de protestos contra um aumento de 17 centavos de real no preço do metrô. 

Pela primeira vez desde o fim da ditadura do general Augusto Pinochet, em 1990, o Exército está nas ruas. Sob intensa pressão popular, o presidente conservador Sebastián Piñera cancelou o aumento, decretou estado de emergência e toque de recolher noturno na região metropolitana de Santiago e em mais de dez outras cidades. 

Também houve protestos recentemente no Equador, no Peru, na Nicarágua, na América Central, no Egito, no Iraque, no Líbano, na Catalunha e em Hong Kong. Meu comentário:

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Presidente do Equador recua e suspende aumento dos combustíveis

Depois de 12 dias de protestos com confrontos das forças de segurança contra manifestantes indígenas, trabalhadores e estudantes nas ruas da capital, Quito, o presidente Lenín Moreno cancelou o aumento de 120% nos combustíveis, parte de um acordo do Equador com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para eliminar subsídios em troca de um empréstimo de US$ 4 bilhões, mais de R$ 16 bilhões.

Diante do recuo do governo, os líderes das manifestações anunciaram a desmobilização, apesar da exigência das alas mais radicais de uma renúncia do presidente.

Moreno também prometeu revisar as medidas de austeridade econômica prometidas ao FMI para equilibrar as contas públicas do Equador, inclusive planos para diminuir os salários dos funcionários públicos. Seu desafio agora é reduzir o déficit público sem provocar novos distúrbios.

O presidente terá de enfrentar uma dura campanha para se reeleger em 2021 por causa da ameaça de seu antecessor, Rafael Correa, de quem era vice-presidente.

Ao chegar ao poder, Moreno mudou a orientação política de Correa, um discípulo do falecido caudilho venezuelano Hugo Chávez, e adotou políticas mais favoráveis à economia de mercado. Suspeito de ter recebido propina da construtora brasileira Odebrecht, o ex-presidente fugiu para um autoexílio na Bélgica, onde nasceu sua mulher.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Movimento indígena exige queda do presidente do Equador

Ondas de manifestantes enfrentaram a polícia hoje nas ruas de Quito, no sétimo dia de protestos contra o fim do subsídio aos combustíveis, que subiram 120% em função de um acordo para obter um empréstimo de US$ 4 bilhões. 

Os protestos são liderados pelo movimento indígena, que derrubou três presidentes do Equador desde 1997 e agora exige a renúncia do presidente Lenín Moreno. Em uma semana, pelo menos cinco pessoas foram mortas e quase 800 foram presas.

A Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), que se nega a negociar com o governo, liderou a marcha até o centro da capital, paralisada por uma greve geral. Foram seguidos por trabalhadores e estudantes. Estes jogaram pedras na polícia, que reagiu com bombas de gás lacrimogênio.

"Queremos que as medidas sejam revogadas para dar tranquilidade ao povo", declarou o líder indígena César García, de 52 anos, enquanto uma representante da comunidade de Zumbahua, na província de Cotopaxi, Diana Guanatuña, exigia que "o governo se vá porque teve tempo suficiente para mostrar o que pode fazer pelo povo e não fez nada."

A situação econômica do país se agravou nos últimos anos com a queda nos preços do petróleo. O presidente Moreno anunciou a intenção de deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) para escapar dos limites de produção impostos pelos grandes produtores.

Moreno era vice-presidente de Rafael Correa, um presidente de esquerda carismático e popular que seguia a linha do chavismo. No governo, adotou uma postura mais favorável ao mercado e aos empresários. Acusado de corrupção num escândalo envolvendo a construtora brasileira Odebrecht, Correa fugiu para a Bélgica, país de sua mulher.

Na semana passada, Correa esteve em Caracas, onde se reuniu com o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. Moreno, que na segunda-feira transferiu o governo para Guaiaquil, a maior cidade e capital econômica do Equador, responsabiliza os dois pela explosão de violência no Equador. Hoje, voltou a Quito.

Os índios são 4,5 milhões, cerca de 25% da população equatoriana, de 17,7 milhões de habitantes, dos quais 37% vivem na miséria. Entre os indígenas, a pobreza chega a 73%. Eles tiveram participação decisiva em todos os movimentos de protesto. Provocaram a queda dos presidente Abdalá Bucaram, em 1997; Jamil Mahuad, em 2000; e Lucio Gutiérrez, em 2005.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

EUA fazem mais 17 acusações a Julian Assange

A Justiça dos Estados Unidos apresentou hoje mais 17 acusações, inclusive por espionagem, contra o anarquista australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, uma empresa de Internet especializada em vazar documentos sigilosos de governos e empresas. Ele já havia sido denunciado por conspiração para piratear computadores do Departamento da Defesa e roubar segredos militares.

Assange está preso no Reino Unido. Foi condenado por violar os termos de sua liberdade sob fiança ao se refugiar na Embaixada do Equador em Londres, em 2012, para escapar de um pedido de extradição da Suécia, onde é suspeito de estupro. Os EUA também querem sua extradição. A denúncia de hoje reforça o argumento americano.

As novas acusações aceitas pelo tribunal do júri de Alexandria, no estado da Virgínia, alegam que Assange violou a Lei de Espionagem por fazer vários esforços para obter, receber e divulgar "informações sobre a defesa nacional", das guerras no Iraque e no Afeganistão, e outros segredos de Estado.

Será um teste para a democracia americana, tão atacada pelo presidente Donald Trump. Assange afirma ter feito um trabalho jornalístico ao divulgar as informações obtidas pelo soldado americano Bradley Manning, que é transexual e mudou de sexo para Chelsea Manning.

O processo tem várias implicações sobre o direito à liberdade de imprensa garantido pela Emenda nº 1 à Constituição dos EUA, que diz expressamente que o Congresso não legislará sobre liberdade de imprensa. Piratear computadores e roubar informações secretas são crimes, mas a simples divulgação das notícias assim obtidas está protegida.

A denúncia alega que de 2009 até a prisão de Manning, em maio de 2010, Assange "encorajou Manning a roubar documentos classificados dos EUA e ilegalmente revelou essas informações no WikiLeaks."

Com base em mensagens trocadas entre os dois, a procuradoria cita uma frase o australiano quando Manning disse não ter mais material: "Olhos curiosos nunca ficam secos." Em seguida, argumenta que "Assange pretendia com essa declaração encorajar Manning a continuar roubando documentos classificados dos EUA e a continuar a entregá-los ilegalmente para Assange e o WikiLeaks."

Entre os documentos vazados, estavam por exemplo as regras de engajamento para as tropas de combate dos americanos no Iraque e no Afeganistão, quando reagir, em que circunstâncias atacar, quanta força usar e outras normas dos militares, além dos nomes de informantes e colaboradores dos EUA nesses países. Todos foram expostos.

"Estas ações alegadas revelaram nossas informações classificadas sensíveis de uma maneira que as tornou disponíveis para todo grupo terrorista estrangeiro, serviços de inteligência estrangeiros hostis e militares rivais", declarou o procurador-geral adjunto da divisão de segurança nacional do Departamento da Justiça, John Demers.

"Os documentos relativos a estes vazamentos foram encontrados até mesmo no esconderijo de Ossama ben Laden. Essa publicação tornou nossos adversários mais forte, com mais conhecimento, e os EUA menos seguros", acrescentou Demers para justificar a denúncia.

Pela defesa, o advogado Barry Pollack sustentou que Assange está sendo denunciado por "encorajar fontes para lhe fornecer informações confiáveis e por publicar estas informações". Em 2017, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, chamou o WikiLeaks de "serviço secreto hostil".

A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), uma organização não governamental, considerou as acusações "uma escalada extraordinária nos ataques do governo Trump contra o jornalismo e um ataque direto à Primeira Emenda."

O procurador-geral adjunto encarregado do caso defende a tese de que o acusado não é jornalista; "Alguns dizem que Julian Assange é um jornalista, então está imune a processos por essas ações. O departamento leva muito a sério o papel dos jornalistas em nossa democracia. Julian Assange não é jornalista."

A investigação do procurador especial Robert Mueller sobre a interferência indevida da Rússia nas eleições de 2016 nos EUA descreveu o WikiLeaks como um instrumento da inteligência russa para divulgar milhares de mensagens de correio eletrônico pirateadas por seus agentes do serviço secreto militar russo.

O WikiLeaks ficou famoso em 2010, quando divulgou informações sigilosas das Forças Armadas dos EUA, inclusive um vídeo de um incidente em que um helicóptero Apache atacou civis no Iraque, matando dois jornalistas da agência de notícias Reuters em Bagdá, em 2007.

Uma corte marcial condenou Manning em 2013 a 35 anos de prisão, mas ela recebeu indulto presidencial no fim do governo Barack Obama, em 2017. Foi presa de novo por se negar a depor no processo contra o WikiLeaks.

terça-feira, 21 de maio de 2019

Suécia pede extradição de Assange por crimes sexuais

A Justiça da Suécia pediu ontem a extradição do anarquista e hacker australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, especializado em vazar informações confidencias de governos e empresas, para processá-lo por supostos crimes sexuais.

Assange está preso no Reino Unido por violar os termos de sua liberdade sob fiança ao se refugiar na Embaixada do Equador em Londres, onde ficou por quase sete anos. Preso no mês passado, quando o Equador revogou o asilo, foi condenado a 50 semanas de prisão.

A subprocuradora-geral Eva Marie Persson declarou que um tribunal sueco decidiu reabrir o caso contra Assange por "suspeita de estupro", que havia sido encerrado em 2017. Ele pode ser condenado a até quatro anos de prisão por ter forçado uma relação sexual com uma mulher que estava dormindo, sem usar camisinha. Pela lei sueca, isto caracteriza um estupro.

O mandato de prisão europeu cria uma disputa entre a Suécia e os Estados Unidos, que querem processá-lo pela acusação de conspiração para piratear computadores do governo americano.

Cabe agora à Justiça britânica decidir para onde vai Assange. A acusação de estupro na Suécia prescreve em agosto de 2020. As outras alegações de crimes sexuais prescreveram em 2017. O australiano proclama inocência, afirmando que o sexo foi consensual e que tudo não passa de uma manobra política para enviá-lo para os EUA.

Diante da Embaixada do Equador, manifestantes protestaram hoje contra a entrega de seus objetos pessoais aos EUA aos gritos de "ladrões" e "vergonha".

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Assange é condenado a 50 semanas de prisão por violar termos da fiança

Um tribunal do Reino Unido condenou hoje o anarquista australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, especializado em vazar segredos empresariais e de Estado, a 50 semanas de prisão por violar os termos de sua liberdade mediante fiança, noticiou o jornal inglês The Guardian.

Assange refugiou-se em 2012 na Embaixada do Equador do Londres para evitar uma extradição para a Suécia, onde era suspeito de crimes sexuais. Ele acreditava que tudo não passava de uma manobra para enviá-lo para os Estados Unidos, onde agora é acusado de piratear computadores para roubar documentos sigilosos.

No mês passado, o Equador autorizou a polícia britânica a entrar na embaixada e prender Assange, acusando-o de violar os termos de seu asilo político. A juíza Deborah Taylor entendeu que o australiano se colocou "deliberadamente fora do alcance" das autoridades do Reino Unido e desde 2012 vinha "explorando sua posição privilegiada para burlar a lei e propagandear internacionalmente seu desdém pela lei deste país".

Suas ações, acrescentou a juíza, foram "uma tentativa deliberada de se evadir da ação da Justiça ou retardá-la". Em carta, Assange pediu desculpas, alegando que se encontrava em "circunstâncias terríveis".

Do lado de fora do tribunal, manifestantes pediam sua libertação.

Na próxima semana, Assange vai participar através de vídeo de uma audiência sobre o processo de extradição para os EUA. O líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, um radical de esquerda, repudia a extradição.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Fundador do WikiLeaks é preso e pode ser extraditado para os EUA

Depois de sete anos asilado na Embaixada do Equador em Londres, o anarquista australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, uma empresa dedicada a piratear segredos de Estado e de grandes empresas, foi preso hoje. Ele pode ser extraditado para os Estados Unidos, onde é acusado de conspiração para invadir computadores e roubar documentos sigilosos.

O Equador suspendeu o asilo e autorizou a polícia britânica a entrar na embaixada e prender Assange, acusado no Reino Unido de violar os termos de sua liberdade condicional. Quando entrou na embaixada, Assange tinha contra si um mandado de prisão pan-europeu emitido pela Procuradoria-Geral da Suécia, que pretendia interrogá-lo por acusação de crimes sexuais.

Mais tarde, a Suécia retirou as acusações, mas Assange não poderia deixar a embaixada sem ser preso pela polícia britânica por violar os termos de sua liberdade condicional enquanto aguardava o julgamento do pedido de extradição para a Suécia.

Nos EUA, Assange é acusado de conspiração para violar computadores e roubar documentos sigilosos no caso que levou à prisão o soldado Bradley Manning, que mudou de sexo e hoje se chama Chelsea Manning. Mais de 250 mil documentos sigilosos do Departamento de Estado foram revelados pelo WikiLeaks.

Durante a campanha eleitoral de 2016, o então candidato Donald Trump pediu publicamente ao WikiLeaks que pirateasse o correio eletrônico da candidata democrata, Hillary Clinton, que usou um servidor privado quando era secretária de Estado.

"Eu amo o WikiLeaks", declarou Trump, que hoje tentou se distanciar de Assange. O WikiLeaks divulgou mensagens de correio eletrônico do Partido Democrata dos EUA pirateados pelo serviço secreto militar da Rússia em suas manobras para favorecer Trump. Assange afirmou que trabalhava contra Hillary para evitar uma nova guerra mundial.

O grande debate é se Assange agiu apenas para divulgar informações. Neste caso, estaria protegido pelo direito à liberdade de expressão garantido pela Constituição americana.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, condenou "energicamente a detenção de Julian Assange e a violação da liberdade de expressão". O australiano se refugiou na embaixada equatoriana quando o país era governado pelo chavista Rafael Correa, aliado de Morales e da ditadura venezuelana. Seu sucessor e ex-aliado Lenin Moreno rompeu com Correa e hoje apoia o autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Diretor da campanha de Trump esteve com Assange

O lobista Paul Manafort, que foi diretor da campanha presidencial de Donald Trump, se encontrou várias vezes em segredo com o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, na Embaixada do Equador em Londres, onde ele está refugiado, noticiou hoje o jornal inglês The Guardian.

Manafort esteve com Assange em 2013, 2015 e 2016, quando se tornou diretor da campanha de Trump, afirmou o jornal. Em nota, ele negou tudo: "Nunca encontrei Julian Assange nem ninguém ligado a ele. Nunca estive em contato com ninguém ligado ao WikiLeaks, direta ou indiretamente. Nunca me dirigi a Assange ou ao WikiLeaks sobre qualquer assunto."

Esses encontros são de interesse do procurador especial Robert Mueller, que investiga a interferência da Rússia nas eleições de 2016 nos Estados Unidos e um possível conluio da campanha de Trump com o Kremlin para derrotar a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, candidata do Partido Democrata à Casa Branca.

Durante a campanha, em outubro de 2016, Trump disse: "Amo o WikiLeaks", uma empresa especializada em divulgar documentos e fatos sigilosos de governos e empresas. Em 2010, o WikiLeaks divulgou mais de 250 mil documentos do Departamento de Estado americano e imagens de ações desastradas dos militares americanos na invasão do Iraque.

Em 2016, o WikiLeaks revelou dezenas de milhares de mensagens de correio eletrônico da campanha de Hillary e do Partido Democrata pirateadas pelo GRU (Departamento de Central de Inteligência), o serviço secreto militar da Rússia, para favorecer Trump.

Ontem, a equipe do procurador especial acusou Manafort de mentir repetidas vezes aos investigadores, violando os termos de seu acordo de delação premiada. Ele perdeu o direito à redução da pena e deve ser sentenciado em breve e pelo menos dez anos de prisão.

Na semana passada, por um erro da equipe de Mueller, vazou a notícia de que há uma denúncia contra Assange, que está sob pressão do atual governo equatoriano para sair da embaixada.

Assange se refugiou na Embaixada do Equador no Reino Unido em 2012 para escapar de um mandado de prisão pan-europeu emitido pela Suécia. A primeira visita de Manafort aconteceu um ano depois, quando o lobista trabalhava para o então presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, aliado de Moscou.

A procuradoria sueca retirou as acusações, mas Assange deve ser preso no Reino Unido quando sair da embaixada por violar os termos de sua liberdade condicional. Aí, poderá ser extraditado para os EUA.

Um informe do serviço secreto do Equador visto pelo Guardian confirma que Manafort visitou Assange, assim como russos. Em março de 2016, Manafort esteve com Assange durante 40 minutos. Só mais tarde os equatorianos perceberam a importância das visitas do assessor de Trump.

De acordo com um dossiê do ex-agente secreto britânico Christopher Steele, Manafort estava no centro de uma conspiração da campanha de Trump com o governo Vladimir Putin para derrotar Hillary Clinton, que o ditador russo "odiava e temia".

Meses atrás, Mueller denunciou 12 agentes russos do GRU pela ciberpirataria da campanha democrata, que começou em março de 2016. Em junho daquele ano, Assange enviou mensagem ao GRU pedindo material sobre o diretório nacional do Partido Democrata. Os documentos foram enviados em meados de julho em arquivos anexados criptografados.

O cerco do procurador especial vai fechando, enquanto o presidente americano o acusa de "caça às bruxas" e de de chefiar uma equipe de "democratas raivosos". Ex-diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), como a maioria dos funcionários dos serviços de segurança, Mueller era ligado ao Partido Republicano.

As acusações não passam de mentiras do presidente, o mais desonesto, antiético e imoral da história recente dos EUA.

sábado, 21 de julho de 2018

Equador deve expulsar Assange da embaixada em Londres

Depois de quase seis anos, o Equador se prepara para acabar com o asilo diplomático do fundador do WikiLeaks, Julian Assange. Ele deve ser expulso da embaixada equatoriana em Londres, talvez na próxima semana, e ser entregue às autoridades do Reino Unido

Em 2006, Assange, um programador de computadores australiano, criou o WikiLeaks, uma empresa dedicada a piratear arquivos confidencias e informações sigilosas de governos e empresas para expor publicamente suas ações supostamente irregulares.

Quatro anos depois, o WikiLeaks revelou arquivos secretos dos Estados Unidos sobre as guerras no Afeganistão e no Iraque, e mais de 250 mil documentos sigilosos do Departamento de Estado.

No mesmo ano de 2010, os EUA abriram uma investigação criminal e a Suécia emitiu um mandado de prisão pan-europeu para interrogar Assange por supostos crimes sexuais que ele teria cometido no país. Era acusado de estupro por forçar uma mulher a manter relações sexuais e de transar sem camisinha com outra.

Assange sempre alegou que os crimes sexuais eram uma desculpa da Suécia para prendê-lo e entregá-lo aos EUA. Em 7 de dezembro de 2010, ele se entregou às autoridades britânicas e foi libertado sob fiança para responder em liberdade ao processo de extradição para a Suécia.

O mandato de prisão pan-europeu parte do princípio de que toda pessoa terá direito a um julgamento justo em qualquer dos 28 países da União Europeia, uma vez que todos são democracias. Assim, a tendência é conceder a extradição se os delitos da acusação forem crimes no país onde o suspeito está.

Quando ficou claro que perderia, em agosto de 2012, Assange pediu asilo político em Londres à Embaixada do Equador, na época governado pelo esquerdista Rafael Correa, aliado do caudilho venezuelano Hugo Chávez.

Durante a campanha eleitoral de 2016 nos EUA, Assange divulgou várias séries de mensagens de correio eletrônico de um servidor privado usado irresponsavelmente pela candidata democrata Hillary Clinton quando era secretária de Estado, no primeiro governo Barack Obama (2009-13). Foi acusado de receber material de pirataria cibernética dos serviços da Rússia, que queria a eleição de Donald Trump.

Mais uma vez, negou tudo. Alegou ser contra Hillary por entender que suas políticas levariam a uma nova guerra mundial. Mas não afastou a suspeita de colaboração com a ditadura sinistra de Vladimir Putin.

Em 19 de maio de 2017, a procuradoria da Suécia encerrou o inquérito e revogou o mandado de prisão europeu. Assange não saiu da embaixada para não ser preso por violar os termos de sua liberdade condicional. Agora, aos 47 anos, está chegando a hora de enfrentar a realidade.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Justiça britânica mantém ordem de prisão de Julian Assange

A Justiça do Reino Unido decidiu nesta terça-feira manter o mandado de prisão contra Julian Assange, fundador do sítio WikiLeaks, especializado em vazar documentos secretos de governos e empresas, por violar os termos da liberdade condicional. Ele está refugiado há mais de cinco anos e meio na Embaixada do Equador em Londres e o governo equatoriano o pressiona a sair, informou o jornal inglês The Guardian.

Assange era alvo de um mandado de prisão europeu a pedido da Suécia, que queria interrogá-lo por crimes sexuais. Em 26 de janeiro, seus advogados pediram à Justiça britânica o relaxamento do mandado sob a alegação de que a Procuradoria da Suécia desistiu de interrogá-lo.

A defesa argumentou que "ele passou cinco anos em condições que, sob qualquer visão, são similares à prisão, sem acesso a tratamento médico adequado ou à luz do sol, em circunstâncias em que sua saúde física e psicológica se deteriorou, e corre sério perigo."

Em sua decisão, a juíza distrital Emma Arbuthnot reconheceu que Assange tem "um problema dentário terrível, ombro congelado e depressão". Mas a Procuradoria da Coroa contra-argumentou que "Assange foi solto em liberdade condicional mediante pagamento de fiança; tinha a obrigação de se render à custódia do tribunal e falhou ao não se entregar na hora marcada para fazer isso."

O ciberpirata australiano teme ser extraditado para os Estados Unidos, onde pode ser condenado à prisão perpétua com base numa denúncia secreta por divulgar documentos secretos do governo americano.

Durante esses anos de asilo político, Assange perdeu sua áurea de libertário e combatente pela liberdade contra governos e empresas poderosas. Associou-se à Rússia para atacar a candidatura de Hillary Clinton à Presidência dos EUA, beneficiando Donald Trump, que elogiou o WikiLeaks durante a campanha.

Em dezembro do ano passado, a Fundação pela Liberdade de Imprensa decidiu por unanimidade parou de arrecadar dinheiro para o WikiLeaks, como fazia desde Assange se asilou na embaixada.

No Equador, o atual presidente, Lenín Moreno, eleito em abril de 2017, rompeu com seu padrinho político e antecessor Rafael Correa, chavista e antiamericano. Está pressionando Assange a deixar a embaixada em Londres.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Equador acaba com reeleição presidencial sem limites

Num plebiscito para encerrar a carreira política do ex-presidente Rafael Correa, 64% dos votantes aprovaram ontem em referendo uma proposta para acabar com a reeleição indefinida do presidente do Equador, noticiou o jornal equatoriano El Comercio

A "morte civil" dos condenados por corrupção, que não poderão mais exercer funções públicas, teve o apoio de 74%, um pouco mais do que o fim da prescrição dos crimes sexuais contra crianças, aprovado por 73,73%.

O Conselho Nacional Eleitoral, que ainda deve divulgar o resultado oficial, anunciou a participação de 82% do eleitorado nos sete plebiscitos. Na prática, a consulta popular enterra a versão equatoriana do "socialismo do século 21" pregado pelo finado caudilho venezuelano Hugo Chávez.

Eleito com o apoio de Correa, o presidente Lenín Moreno rompeu com o padrinho e festejou o resultado: "Hoje é o tempo dos jovens líderes. Partidos políticos: renovem-se! O povo disse sim. Os políticos que ansiavam se eternizar no poder não voltarão nunca mais. O Equador disse sim", escreveu ele no Twitter.

O ex-presidente Correa, que se mudou para a Bélgica, depôs nesta segunda-feira em Quito num processo sobre negócios com a Petrochina para venda de petróleo à China e à Tailândia.

A ruptura entre Moreno e Correa foi marcada pela prisão e condenação do ex-vice-presidente Jorge Glas num escândalo de corrupção envolvendo a empreiteira brasileira Odebrecht.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Oposição rejeita resultado oficial da eleição no Equador

Com 96,27% das urnas apuradas no segundo turno da eleição presidencial no Equador, o candidato governista Lenín Moreno vence com 51,12% contra 48,88% do oposicionista Guillermo Lasso, que contesta o resultado oficial do Conselho Nacional Eleitoral e promete recorrer à Justiça para denunciar fraude eleitoral.

O CNE convocou uma entrevista para anunciar o resultado à meia-noite pela hora de Quito (2h em Brasília). Diante dos ataques da oposição, cancelou a entrevista.

A oposição alega que três pesquisas de boca de urna deram vitória ao milionário Guillermo Lasso, mas outras deram vantagem a Moreno. Seus militantes continuam mobilizados. Devem passar a noite na sede da campanha e diante do CNE, onde romperam o cerco policial, noticia o jornal La Hora.

Do lado governista, o presidente Rafael Correa, que deixará o cargo depois de dez anos, liderou a festa cantando músicas e lemas da Aliança País. Os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e da Venezuela, Nicolás Maduro, e a ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner cumprimentaram Moreno pela vitória.