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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 12 de Janeiro

 LOBO DO MAR

    Em 1876, nasce na miséria em São Francisco da Califórnia John Griffith Chaney, ativista, operário, marinheiro, jornalista e escritor mais conhecido como Jack London.

"Ele foi o lobo do mar, o lobo das selvas, o lobo da estepe. Foi o Lobo do lobo do homem. Ele foi London, Jack London, o timão, o mastro, o lastro – e, é claro, o leme que conduziu o romance de aventuras por mares nunca dantes navegados, por novas trilhas, por outros trilhos. 

"Foi pirata de ostras antes dos 10 anos, foi mão de obra infantil barata 12 horas por dia numa fábrica têxtil, foi Tom Sawyer e Huck Finn juntos – e fugiu da casa, virando o santo padroeiro dos estradeiros, o pai espiritual de outro Jack, o Kerouac. E então, quando só tinha angariado dor e desespero, London descobriu a escrita. 

"Narrando suas aventuras e desventuras entre vagões e vagabundos, da corrida do ouro no Alaska às paradisíacas ilhas dos Mares do Sul, Jack tornou-se um escritor seminal, uma celebridade, um best-seller, um jornalista combativo, um militante socialista, um globetrotter, um palestrante incendiário, um 'líder' popular – e nunca mais parou de escrever, para a sorte de seus leitores de então e de sempre." (Eduardo Bueno)

GUERRA ANGLO-ZULU

    Em 1879, começa a Guerra Anglo-Zulu, um conflito de seis meses decisivo para consolidar a hegemonia britânica sobre o que hoje é a África do Sul.

Na segunda metade do século 19, o Império Britânico se interessa pelas terras da Zululândia, para onde os bôeres, camponeses de origem holandesa, avançam na Longa Jornada (1835-46). Os britânicos pensam em usar mão de obra zulu nas minas de diamantes.

Desde que se torna rei dos zulus, em 1872, Cetshwayo decide resistir ao imperialismo. Para isso, forma um exército de 40 a 60 mil homens.

Em dezembro de 1878, o alto comissário (embaixador) britânico para a África do Sul dá um ultimato impossível de cumprir: exige que os zulus desmantelem sua força militar em 30 dias e paguem reparações por supostos insultos.

Como é óbvio, Cetshwayo não aceita. Em janeiro, as forças britânicas invadem a Zululândia sob o comando de Frederic Thesiger, 2º Barão de Chelmsford, que deixa um terço de suas tropas num acampamento desprotegido atacado pelos zulus em 22 de janeiro. Em Isandlwana, eles matam 800 britânicos e tomam mil fuzis e munição. É a única derrota de um exército moderno, com armas de fogo, para um exército que luta com lanças e escudos

Outra força, sob o comando de Dabulamanzi kaMpande, irmão de Cetshwayo, investe contra os britânicos em Rorke's Drift, onde os britânicos, avisados pelos sobreviventes de Isandlwana, estão preparados. Em 12 horas de batalha, cerca de 120 soldados britânicos matam mais de 500 guerreiros zulus.

A notícia da derrota em Isadlwana, uma das maiores humilhações do Império Britânico no século 19, chega a Londres em 11 de fevereiro e acaba com qualquer chance de Cetshwayo negociar a paz. Londres declara guerra total. 

Um exército sob o comando do general Evelyn Wood sofre uma derrota inicial em 28 de março em Hoblane, mas conquista uma vitória decisiva na Batalha de Kambula no dia seguinte. Em 2 de abril, uma coluna britânica liderada por Chelmsford inflige uma grande derrota aos zulus em Gingindlovu, onde mais de mil zulus são mortos.

Chelmsford avança em direção a Ulundi, onde em 4 de julho conquista a vitória definitiva sobre Cetshwayo, que é capturado em agosto. O Império Britânico controla a Zululândia e consolida seu domínio pela África do Sul ao vencer a Guerra dos Bôeres (1899-1902) contra os africâners, descendentes de colonos holandeses e huguenotes franceses, que os britânicos chamam de "tribo branca da África" para sugerir que não têm mais os costumes da civilização europeia.

RETALIAÇÃO MACIÇA

    Em 1954, durante a Guerra Fria com a União Soviética, o secretário de Estado norte-americano, John Foster Dulles, anuncia que os Estados Unidos vão responder a agressão comunista com "a força de uma retaliação maciça", que se torna a ideia central da doutrina de segurança nacional do governo Dwight Eisenhower (1953-61).

Os EUA fabricam a bomba durante a Segunda Guerra Mundial e a jogam em Hiroxima e Nagasáki, no Japão, em agosto de 1945, para acabar com a guerra. 

Em 29 de agosto de 1949, a União Soviética explode sua primeira bomba nuclear. 

Os EUA investem então na bomba de hidrogênio, muito mais poderosa. Ela é testada pela primeira vez em 1º de novembro de 1952. A URSS testa a sua em 12 de agosto de 1953, equilibrando a corrida armamentista.

Então, os EUA decidem advertir que um ataque com armas nucleares será respondido com uma "retaliação maciça".

IMPACTO PROFUNDO

    Em 2005, os Estados Unidos lançam a nave espacial Deep Impact, que dispara um artefato com 370 quilos de massa contra o núcleo do cometa Tempel 1 para estudar a estrutura do corpo celeste.

O bólido se choca com o cometa em 4 de julho e abre uma cratera. Ao contrário do esperado, as fotografias mostram mais poeira do que gelo. Uma nuvem de poeira dificulta a visualização da cratera.

Três missões anteriores haviam observado cometa. Esta foi a primeira a realizar um impacto para obter material e descobrir de que é feito o núcleo dos cometas.

TERREMOTO DE PORTO PRÍNCIPE

    Em 2010, a terra treme pouco depois das cinco horas da tarde, num abalo de 7 graus na escala aberta de Richter sentido em Cuba e na Venezuela, com epicentro a 25 quilômetros de Porto Príncipe, a capital do Haiti. O abalo é perto da superfície, a 19 km de profundidade, o que aumenta o poder de destruição, matando cerca de 200 mil pessoas.

A ilha de Hispaniola, que o Haiti divide com a República Dominicana, está sujeita a terremotos violentos, registrados em 1751, 1770, 1846 e 1946. Porto Príncipe fica em cima da falha geológica onde as placas tectônicas da América do Norte e do Caribe se encontram.

Cerca de 300 mil construções são arrasadas, estradas destruídas, assim como os cabos de linhas de transmissão de energia e telecomunicações, o porto, o aeroporto e todos os hospitais.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 1º de Janeiro

 CALENDÁRIO JULIANO

    Em 45 antes de Cristo, pela primeira vez, o início do ano é festejado em 1º de janeiro, com a entrada em vigor do Calendário Juliano, imposto pelo general romano Caio Júlio César, que se torna um ditador.

César contrata Sossígenes, um astrônomo de Alexandria que o convence a abandonar o antigo calendário lunar romano, adotado no século 7 AC, e usar um calendário solar. Ele calcula que o ano tem 365 dias e um quarto.

INDEPENDÊNCIA DO HAITI

    Em 1803, dois meses depois da derrota as forças coloniais de Napoleão Bonaparte, Jean-Jacques Dessaline declara a independência de São Domingos e rebatiza o país com o antigo nome arauaque, Haiti.


EMANCIPAÇÃO DOS ESCRAVOS

    Em 1863, durante a Guerra da Secessão (1861-65), o presidente Abraham Lincoln faz a Proclamação de Emancipação declarando como livres os escravos dos estados confederados do Sul, na expectativa de que se alistem em massa no Exército da União, deixando o Sul sem mão de obra nem soldados.


Lincoln é eleito em 1860 com a oposição dos estados escravistas do Sul. Antes da posse, a Carolina do Sul, a Flórida, o Alabama, a Geórgia, a Louisiana e o Texas se rebelam e formam os Estados Confederados da América com o objetivo de fundar um novo país. Ao todo, onze estados 

A Guerra da Secessão começa em 12 de abril de 1861. A Proclamação de Emancipação liberta os escravos do Sul. A 13ª Emenda à Constituição dos EUA, que acaba com a escravidão, é aprovada pelo Senado em 8 de abril de 1864 e pela Câmara em 31 de janeiro de 1865. Entra em vigor em 6 de dezembro de 1865.

Mais de 180 mil negros se alistam para a guerra contra a divisão do país e a escravidão. Lincoln vai à guerra para manter a União. A proclamação transforma a Guerra da Secessão numa luta contra a escravidão.

Lincoln é baleado em 14 de abril de 1865 e morre no dia seguinte, seis dias após o fim da guerra civil. Quatro presidentes dos EUA são assassinados no exercício do cargo. Lincoln é o primeiro.

REVOLUÇÃO EM CUBA

    Em 1959, os rebeldes liderados por Fidel Castro entram em Havana depois da fuga do ditador Fulgencio Batista, consolidando a vitória da Revolução Cubana. Fidel chega em 7 de janeiro.


Batista, ditador de 1933 a 1944, retoma o poder num golpe em 10 de março de 1952 e instaura uma ditadura corrupta e cruel, acusada por 20 mil mortes. 

Fidel ataca o Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953. Preso e condenado, afirma no julgamento que "a história me absolverá". Soltos em 15 de maio de 1955, Fidel e Raúl Castro fogem para o México temendo ser presos. 

Depois de comprar o velho iate Granma, Fidel parte de Veracruz, no México, para Cuba com 81 revolucionários em 25 de novembro de 1956. Eles se refugiam na Sierra Maestra, onde recebem o apoio de voluntários e formam um exército guerrilheiro de 200 homens.

Fidel divide o exército em três, com uma coluna comandada por ele, outra por Raúl e a terceira por Ernesto Che Guevara de la Serna, um médico argentino que os irmãos Castro conheceram no México.

A ditadura de Batista responde com prisões em massa, tortura e execuções sumárias. Com a fuga do ditador, os revolucionários entram em Havana em 1º de janeiro de 1959.

NAFTA EM VIGOR

    Em 1994, entra em vigor o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), entre Estados Unidos, Canadá e México.

No mesmo dia, começa a revolta da Exército Zapatista de Libertação Nacional em Chiapas, no Sul do México, a região que menos se beneficia. 

No Norte do país, instalam-se várias empresas, os chamadas maquiadoras, que simplesmente montam produtos feitos com peças e componentes importados. A participação dos EUA no comércio exterior mexicano passa de 77% para mais de 80%.

O presidente Donald Trump renegocia o acordo, que passa a se chamar Acordo EUA-México-Canadá com atualizações em setores onde há grandes mudanças, como tecnologia da informação, mas sem mudanças substanciais.

EURO EM CIRCULAÇÃO

    Em 2002, moedas e notas do euro, a moeda comum criada pela união monetária europeia, entram em circulação em 12 dos 15 países da União Europeia na época: Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos e Portugal. A Dinamarca, o Reino Unido e a Suécia não aderem. A partir de março, se torna a moeda única dos países participantes.


O euro é resultado do Tratado de Maastricht, de 1991, que cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia, sucessora da Comunidade Econômica Europeia, fundada pelo Tratado de Roma, de 1957, para garantir a paz e a prosperidade na Europa.

O Tratado de Maastricht prevê a união monetária e econômica para aprofundar a integração do continente. Para participar, os países-membros precisam adotar medidas de convergência econômica: câmbio estável, déficit público de no máximo 3% do produto interno bruto, dívida pública de no máximo 60% do PIB, inflação de no máximo 1,5 ponto percentual acima das três menores taxas da Zona do Euro.

Apesar de Itália e Bélgica terem dívidas de 120% do PIB, a Comissão Europeia recomenda sua participação sob o argumento de que esses dois país estão tomando medidas para reduzir a relação dívida/PIB. Hoje, a Bulgária adota o euro. Assim, 21 países fazem parte da Zona do Euro: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos e Portugal.

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domingo, 12 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 12 de Janeiro

 LOBO DO MAR

    Em 1876, nasce na miséria em São Francisco da Califórnia John Griffith Chaney, ativista, operário, marinheiro, jornalista e escritor mais conhecido como Jack London.

"Ele foi o lobo do mar, o lobo das selvas, o lobo da estepe. Foi o Lobo do lobo do homem. Ele foi London, Jack London, o timão, o mastro, o lastro – e, é claro, o leme que conduziu o romance de aventuras por mares nunca dantes navegados, por novas trilhas, por outros trilhos. 

"Foi pirata de ostras antes dos 10 anos, foi mão de obra infantil barata 12 horas por dia numa fábrica têxtil, foi Tom Sawyer e Huck Finn juntos – e fugiu da casa, virando o santo padroeiro dos estradeiros, o pai espiritual de outro Jack, o Kerouac. E então, quando só tinha angariado dor e desespero, London descobriu a escrita. 

"Narrando suas aventuras e desventuras entre vagões e vagabundos, da corrida do ouro no Alaska às paradisíacas ilhas dos Mares do Sul, Jack tornou-se um escritor seminal, uma celebridade, um best-seller, um jornalista combativo, um militante socialista, um globetrotter, um palestrante incendiário, um 'líder' popular – e nunca mais parou de escrever, para a sorte de seus leitores de então e de sempre." (Eduardo Bueno)

GUERRA ANGLO-ZULU

    Em 1879, começa a Guerra Anglo-Zulu, um conflito de seis meses decisivo para consolidar a hegemonia britânica sobre o que hoje é a África do Sul.

Na segunda metade do século 19, o Império Britânico se interessa pelas terras da Zululândia, para onde os bôeres, camponeses de origem holandesa, avançam na Longa Jornada (1835-46). Os britânicos pensam em usar mão de obra zulu nas minas de diamantes.

Desde que se torna rei dos zulus, em 1872, Cetshwayo decide resistir ao imperialismo. Para isso, forma um exército de 40 a 60 mil homens.

Em dezembro de 1878, o alto comissário (embaixador) britânico para a África do Sul dá um ultimato impossível de cumprir: exige que os zulus desmantelem sua força militar em 30 dias e paguem reparações por supostos insultos.

Como é óbvio, Cetshwayo não aceita. Em janeiro, as forças britânicas invadem a Zululândia sob o comando de Frederic Thesiger, 2º Barão de Chelmsford, que deixa um terço de suas tropas num acampamento desprotegido atacado pelos zulus em 22 de janeiro. Em Isandlwana, eles matam 800 britânicos e tomam mil fuzis e munição. É a única derrota de um exército moderno, com armas de fogo, para um exército que luta com lanças e escudos

Outra força, sob o comando de Dabulamanzi kaMpande, irmão de Cetshwayo, investe contra os britânicos em Rorke's Drift, onde os britânicos, avisados pelos sobreviventes de Isandlwana, estão preparados. Em 12 horas de batalha, cerca de 120 soldados britânicos matam mais de 500 guerreiros zulus.

A notícia da derrota em Isadlwana, uma das maiores humilhações do Império Britânico no século 19, chega a Londres em 11 de fevereiro e acaba com qualquer chance de Cetshwayo negociar a paz. Londres declara guerra total. 

Um exército sob o comando do general Evelyn Wood sofre uma derrota inicial em 28 de março em Hoblane, mas conquista uma vitória decisiva na Batalha de Kambula no dia seguinte. Em 2 de abril, uma coluna britânica liderada por Chelmsford inflige uma grande derrota aos zulus em Gingindlovu, onde mais de mil zulus são mortos.

Chelmsford avança em direção a Ulundi, onde em 4 de julho conquista a vitória definitiva sobre Cetshwayo, que é capturado em agosto. O Império Britânico controla a Zululândia e consolida seu domínio pela África do Sul ao vencer a Guerra dos Bôeres (1899-1902).

RETALIAÇÃO MACIÇA

    Em 1954, durante a Guerra Fria com a União Soviética, o secretário de Estado norte-americano, John Foster Dulles, anuncia que os Estados Unidos vão responder a agressão comunista com "a força de uma retaliação maciça", que se torna a ideia central da doutrina de segurança nacional do governo Dwight Eisenhower (1953-61).

Os EUA fabricam a bomba durante a Segunda Guerra Mundial e a jogam em Hiroxima e Nagasáki, no Japão, para acabar com a guerra. 

Em 29 de agosto de 1949, a União Soviética explode sua primeira bomba nuclear. 

Os EUA investem então na bomba de hidrogênio, muito mais poderosa. Ela é testada pela primeira vez em 1º de novembro de 1952. A URSS testa a sua em 12 de agosto de 1953, equilibrando a corrida armamentista.

Então, os EUA decidem advertir que um ataque com armas nucleares será respondido com "retaliação maciça".

IMPACTO PROFUNDO

    Em 2005, os Estados Unidos lançam a nave espacial Deep Impact, que dispara um artefato com 370 quilos de massa contra o núcleo do cometa Tempel 1 para estudar a estrutura do corpo celeste.

O bólido se choca com o cometa em 4 de julho e abre uma cratera. Ao contrário do esperado, as fotografias mostram mais poeira do que gelo. Uma nuvem de poeira dificulta a visualização da cratera. Três missões anteriores haviam observado cometa. Esta foi a primeira a realizar um impacto para obter material e descobrir de que é feito o núcleo dos cometas.

TERREMOTO DE PORTO PRÍNCIPE

    Em 2010, a terra treme pouco depois das cinco horas da tarde, num abalo de 7 graus na escala aberta de Richter sentido em Cuba e na Venezuela, com epicentro a 25 quilômetros de Porto Príncipe, a capital do Haiti. O abalo é perto da superfície, a 19 km de profundidade, o que aumenta o poder de destruição, matando cerca de 200 mil pessoas.

A ilha de Hispaniola, que o Haiti divide com a República Dominicana, está sujeita a terremotos violentos, registrados em 1751, 1770, 1846 e 1946. Porto Príncipe fica em cima da falha geológica onde as placas tectônicas da América do Norte e do Caribe se encontram.

Cerca de 300 mil construções são arrasadas, estradas destruídas, assim como os cabos de linhas de transmissão de energia e telecomunicações, o porto, o aeroporto, todos os hospitais e três instalações da organização não governamental Médicos sem Fronteiras.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 1º de Janeiro

 CALENDÁRIO JULIANO

    Em 45 antes de Cristo, pela primeira vez, o início do ano é festejado em 1º de janeiro, com a entrada em vigor do Calendário Juliano, imposto pelo general romano Caio Júlio César, que se torna um ditador.

César contrata Sossígenes, um astrônomo de Alexandria que o convence a abandonar o antigo calendário lunar romano, adotado no século 7 AC, e usar um calendário solar. Ele calcula que o ano tem 365 dias e um quarto.

INDEPENDÊNCIA DO HAITI

    Em 1803, dois meses depois da derrota as forças coloniais de Napoleão Bonaparte, Jean-Jacques Dessaline declara a independência de São Domingos e rebatiza o país com o antigo nome arauaque, Haiti.


EMANCIPAÇÃO DOS ESCRAVOS

    Em 1863, durante a Guerra da Secessão (1861-65), o presidente Abraham Lincoln faz a Proclamação de Emancipação declarando como livres os escravos dos estados confederados do Sul, na expectativa de que se alistem em massa no Exército da União, deixando o Sul sem mão de obra nem soldados.


Lincoln é eleito em 1860 com a oposição dos estados escravistas do Sul. Antes da posse, a Carolina do Sul, a Flórida, o Alabama, a Geórgia, a Louisiana e o Texas se rebelam e formam os Estados Confederados da América com o objetivo de fundar um novo país.

A Guerra da Secessão começa em 12 de abril de 1861. A Proclamação de Emancipação liberta os escravos do Sul. A 13ª Emenda à Constituição dos EUA é aprovada pelo Senado em 8 de abril de 1864 e pela Câmara em 31 de janeiro de 1865. Entra em vigor em 6 de dezembro de 1865.

Mais de 180 mil negros se alistam para a guerra contra a divisão do país e a escravidão. Lincoln vai à guerra para manter a União. A proclamação transforma a Guerra da Secessão numa luta contra a escravidão.

Lincoln é baleado em 14 de abril de 1865 e morre no dia seguinte, seis dias após o fim da guerra civil. Quatro presidentes dos EUA são assassinados no exercício do cargo. Lincoln é o primeiro.

REVOLUÇÃO EM CUBA

    Em 1959, os rebeldes liderados por Fidel Castro entram em Havana depois da fuga do ditador Fulgencio Batista, consolidando a vitória da Revolução Cubana. Fidel chega em 7 de janeiro.


Batista, ditador de 1933 a 1944, retoma o poder num golpe em 10 de março de 1952 e instaura uma ditadura corrupta e cruel, acusada por 20 mil mortes. 

Fidel ataca o Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953. Preso e condenado, afirma no julgamento que "a história me absolverá". Soltos em 15 de maio de 1955, Fidel e Raúl Castro fogem para o México temendo ser presos. 

Depois de comprar o velho iate Granma, Fidel parte de Veracruz, no México, para Cuba com 81 revolucionários em 25 de novembro de 1956. Eles se refugiam na Sierra Maestra, onde recebem o apoio de voluntários e formam um exército guerrilheiro de 200 homens.

Fidel divide o exército em três, com uma coluna comandada por ele, outra por Raúl e a terceira por Ernesto Che Guevara de la Serna, um médico argentino que os irmãos Castro conheceram no México.

A ditadura de Batista responde com prisões em massa, tortura e execuções sumárias. Com a fuga do ditador, os revolucionários entram em Havana em 1º de janeiro de 1959.

NAFTA EM VIGOR

    Em 1994, entra em vigor o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), entre Estados Unidos, Canadá e México.

No mesmo dia, começa a revolta da Exército Zapatista de Libertação Nacional em Chiapas, no Sul do México, a região que menos se beneficia. 

No Norte do país, instalam-se várias empresas, os chamadas maquiadoras, que simplesmente montam produtos feitos com peças e componentes importados. A participação dos EUA no comércio exterior mexicano passa de 77% para mais de 80%.

O presidente Donald Trump renegocia o acordo, que passa a se chamar Acordo EUA-México-Canadá com atualizações em setores onde há grandes mudanças, como tecnologia da informação, mas sem mudanças substanciais.

EURO EM CIRCULAÇÃO

    Em 2002, moedas e notas do euro, a moeda comum criada pela união monetária europeia, entram em circulação em 12 dos 15 países da União Europeia na época: Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos e Portugal. A Dinamarca, o Reino Unido e a Suécia não aderem. A partir de março, se torna a moeda única dos países participantes.


O euro é resultado do Tratado de Maastricht, de 1991, que cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia, sucessora da Comunidade Econômica Europeia, fundada pelo Tratado de Roma, de 1957, para garantir a paz e a prosperidade na Europa.

O Tratado de Maastricht prevê a união monetária e econômica para profundar a integração do continente. Para participar, os países-membros precisam adotar medidas de convergência econômica: câmbio estável, déficit público de no máximo 3% do produto interno bruto, dívida pública de no máximo 60% do PIB, inflação de no máximo 1,5 ponto percentual acima das três menores taxas da Zona do Euro.

Apesar de Itália e Bélgica terem dívidas de 120% do PIB, a Comissão Europeia recomenda sua participação sob o argumento de que esses dois país estão tomando medidas para reduzir a relação dívida/PIB. Hoje, 20 países fazem parte da Zona do Euro: Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Croácia, Eslováquia, Eslovênia Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos e Portugal. 

sexta-feira, 15 de março de 2024

Caos no Haiti exige intervenção militar internacional

 Dois anos e oito meses depois do assassinato do presidente Jovenel Moïse, o estado de anarquia se agrava no Haiti. Gangues dominam 80% de Porto Príncipe, a capital do país. Na semana passada, impediram a volta ao país do primeiro-ministro e presidente interino Ariel Henry, que renunciou na terça-feira sob pressão dos Estados Unidos. Só uma intervenção será capaz de desarmar as gangues e restaurar alguma ordem, mas a sociedade internacional receia em se envolver numa situação internal.

Quando era uma próspera colônia da França, o Haiti era a Pérola do Caribe. A Revolução Haitiana foi a maior revolta de escravos em 1.900 anos e a única na história em que escravos e ex-escravos venceram. 

O Haiti foi o segundo país da América a se tornar independente, o primeiro a abolir a escravidão e a primeira república negra do mundo. Vence a França de Napoleão Bonaparte e o Império Britânico da Revolução. Sob boicote dos escravistas e a pressão de uma dívida de guerra cobrada pela potência colonial, a França, a economia se deteriora e o autoritarismo político se instala.

De 1915 a 1934, os EUA ocupam o Haiti. Em 1957, é eleito presidente François Duvalier, o Papa Doc, um ditador arquetípico da Guerra Fria, com uma polícia terrorista, os tontons macoutes, famosa por suas atrocidades.

A democracia começa com a queda de seu filho Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc, e o fim do regime duvalierista, em 1986. Na primeira eleição presidencial democrática, em 1990, é eleito o padre esquerdista Jean-Bertrand Aristide, alvo de dois golpes de Estado, em 1991 e em 2004, quando exercia um segundo mandato.

Naquela época, o Brasil liderou uma missão de paz das Nações Unidas. Em 2010, outra tragédia abalou o Haiti. O Terremoto de Porto Príncipe arrasou o país e matou mais de 200 mil pessoas. A sociedade internacional prometeu uma ajuda de US$ 10 bilhões para reconstruir o Haiti, mas a eterna crise do país se agravou nos últimos anos e a reação internacional ainda é tímida e se deve mais ao medo dos países vizinhos, especialmente dos EUA, de uma onda migratória de refugiados haitianos.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 12 de Janeiro

LOBO DO MAR

    Em 1876, nasce na miséria em São Francisco da Califórnia John Griffith Chaney, ativista, operário, marinheiro, jornalista e escritor mais conhecido como Jack London.

"Ele foi o lobo do mar, o lobo das selvas, o lobo da estepe. Foi o Lobo do lobo do homem. Ele foi London, Jack London, o timão, o mastro, o lastro – e, é claro, o leme que conduziu o romance de aventuras por mares nunca dantes navegados, por novas trilhas, por outros trilhos. 

"Foi pirata de ostras antes dos 10 anos, foi mão de obra infantil barata 12 horas por dia numa fábrica têxtil, foi Tom Sawyer e Huck Finn juntos – e fugiu da casa, virando o santo padroeiro dos estradeiros, o pai espiritual de outro Jack, o Kerouac. E então, quando só tinha angariado dor e desespero, London descobriu a escrita. 

"Narrando suas aventuras e desventuras entre vagões e vagabundos, da corrida do ouro no Alaska às paradisíacas ilhas dos Mares do Sul, Jack tornou-se um escritor seminal, uma celebridade, um best-seller, um jornalista combativo, um militante socialista, um globetrotter, um palestrante incendiário, um 'líder' popular – e nunca mais parou de escrever, para a sorte de seus leitores de então e de sempre." (Eduardo Bueno)

RETALIAÇÃO MACIÇA

    Em 1954, durante a Guerra Fria com a União Soviética, o secretário de Estado norte-americano, John Foster Dulles, anuncia que os Estados Unidos vão responder a agressão comunista com "a força de uma retaliação maciça", que se torna a ideia central da doutrina de segurança nacional do governo Dwight Eisenhower (1953-61).

Os EUA fabricam a bomba durante a Segunda Guerra Mundial e a jogam em Hiroxima e Nagasáki, no Japão, para acabar com a guerra. Em 29 de agosto de 1949, a União Soviética explode sua primeira bomba nuclear. Os EUA investem então na bomba de hidrogênio, muito mais poderosa. Ela é testada pela primeira vez em 1º de novembro de 1952. A URSS testa a sua em 12 de agosto de 1953, equilibrando a corrida armamentista.

Então, os EUA decidem advertir que um ataque nuclear será respondido com uma "retaliação maciça".

TERREMOTO DE PORTO PRÍNCIPE

    Em 2010, a terra treme pouco depois das cinco horas da tarde, num abalo de 7 graus na escala aberta de Richter sentido em Cuba e na Venezuela, com epicentro a 25 quilômetros de Porto Príncipe, a capital do Haiti, e perto da superfície, a 19 km de profundidade, o que aumenta o poder de destruição, matando cerca de 200 mil pessoas.

A ilha de Hispaniola, que o Haiti divide com a República Dominicana, está sujeita a terremotos violentos, registrados em 1751, 1770, 1846 e 1946. Porto Príncipe fica em cima da falha geológica onde as placas tectônicas da América do Norte e do Caribe se encontram.

Cerca de 300 mil construções são arrasadas, estradas destruídas, assim como os cabos de linhas de transmissão de energia e telecomunicações, o porto, o aeroporto, todos os hospitais e três instalações da organização não governamental Médicos sem Fronteiras.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 1º de Janeiro

 CALENDÁRIO JULIANO

    Em 45 antes de Cristo, pela primeira vez, o início do ano é festejado em 1º de janeiro, com a entrada em vigor do Calendário Juliano, imposto pelo general romano Caio Júlio César, que se torna um ditador.

César contrata Sossígenes, um astrônomo de Alexandria que o convence a abandonar o antigo calendário lunar romano, adotado no século 7 AC, e usar um calendário solar. Ele calcula que o ano tem 365 dias e um quarto.

INDEPENDÊNCIA DO HAITI

    Em 1803, dois meses depois da derrota as forças coloniais de Napoleão Bonaparte, Jean-Jacques Dessaline declara a independência de São Domingos e rebatiza o país com o antigo nome arauaque.


EMANCIPAÇÃO DOS ESCRAVOS

    Em 1863, durante a Guerra da Secessão (1861-65), o presidente Abraham Lincoln faz a Proclamação de Emancipação declarando como livres os escravos dos estados confederados do Sul, na expectativa de que iriam aderir em massa à União, deixando o Sul sem mão de obra.


Lincoln é eleito em 1860 com a oposição dos estados escravistas do Sul. Antes da posse, a Carolina do Sul, a Flórida, o Alabama, a Geórgia, a Louisiana e o Texas se rebelam e formam os Estados Confederados da América com o objetivo de formar um novo país.

A Guerra da Secessão começa em 12 de abril de 1861. A Proclamação de Emancipação liberta os escravos do Sul. A 13ª Emenda à Constituição dos EUA é aprovada pelo Senado em 8 de abril de 1864 e pela Câmara em 31 de janeiro de 1865. Entra em vigor em 6 de dezembro de 1865.

Lincoln é baleado em 14 de abril de 1965 e morre no dia seguinte, seis dias após o fim da guerra civil.

REVOLUÇÃO EM CUBA

    Em 1959, os rebeldes liderados por Fidel Castro entram em Havana depois da fuga do ditador Fulgencio Batista, consolidando a vitória da Revolução Cubana. Fidel chega em 7 de janeiro.


Batista, ditador de 1933 a 1944, retoma o poder num golpe em 10 de março de 1952 e instaura uma ditadura corrupta e cruel, acusada por 20 mil mortes. 

Fidel ataca o Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953. Preso e condenado, afirma no julgamento que "a história me absolverá". Soltos em 15 de maio de 1955, Fidel e Raúl Castro fogem para o México temendo ser presos. 

Depois de comprar o velho iate Granma, Fidel parte de Veracruz, no México, para Cuba com 81 revolucionários em 25 de novembro de 1956. Eles se refugiam na Sierra Maestra, onde recebem o apoio de voluntários e formam um exército guerrilheiro de 200 homens.

Fidel divide o exército em três, com uma coluna comandada por ele, outra por Raúl e a terceira por Ernesto Che Guevara de la Serna, um médico argentino que os irmãos Castro conheceram no México.

A ditadura de Batista responde com prisões em massa, tortura e execuções sumárias.

NAFTA EM VIGOR

    Em 1994, entra em vigor o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), entre Estados Unidos, Canadá e México.

No mesmo dia, começa a revolta da Exército Zapatista de Libertação Nacional em Chiapas, no Sul do México, a região que menos se beneficia. 

No Norte do país, instalam-se várias empresas, os chamadas maquiadoras, que simplesmente montagem produtos feitos com peças e componentes importados. A participação dos EUA no comércio exterior mexicano passa de 77% para mais de 80%.

O presidente Donald Trump renegocia o acordo, que passa a se chamar Acordo EUA-México-Canadá sem mudanças substanciais.

EURO EM CIRCULAÇÃO

    Em 2002, moedas e notas do euro, criado pela união monetária europeia, entram em circulação em 12 dos 15 países da União Europeia na época: Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos e Portugal. A Dinamarca, o Reino Unido e a Suécia não aderem. A partir de março, se torna a moeda única dos países participantes.


O euro é resultado do Tratado de Maastricht, de 1991, que cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia, sucessora da Comunidade Econômica Europeia, fundada pelo Tratado de Roma, de 1957, para garantir a paz e a prosperidade na Europa.

O Tratado de Maastricht prevê a união monetária e econômica para profundar a integração do continente. Para participar, os países-membros precisam adotar medidas de convergência econômica: câmbio estável, déficit público de no máximo 3% do produto interno bruto, dívida pública de no máximo 60% do PIB, inflação de no máximo 1,5 ponto percentual acima das três menores taxas da Zona do Euro.

Apesar de Itália e Bélgica terem dívidas de 120% do PIB, a Comissão Europeia recomenda sua participação sob o argumento de que esses dois país estão tomando medidas para reduzir a relação dívida/PIB. Hoje, 20 países fazem parte da Zona do Euro: Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Croácia, Eslováquia, Eslovênia Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos e Portugal.