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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Trump quer evitar na Venezuela erros no Iraque e Afeganistão

Ao tentar cooptar parte do regime chavista da Venezuela, o presidente Donald Trump procura evitar os erros cometidos pelos Estados Unidos nas invasões do Afeganistão e do Iraque, quando o colapso do Estado criou uma situação de caos e anarquia. A ideia agora é trabalhar com quem está no poder, marginalizando a oposição, para tentar manter a estabilidade.

A principal interlocutora do governo Trump é a vice-presidente e agora presidente interina, Delcy Rodríguez, responsável pelo setor de petróleo e pela reforma econômica que na prática abandonou o "socialismo do século 21" pregado pelo caudilho Hugo Chávez.

O resultado desse acordo ainda é incerto. Com certeza, a mesma fórmula não poderá ser aplicada no Irã, que Trump ameaça bombardear diante da violenta repressão da ditaduras dos aiatolás e da Guarda Revolucionária contra a revolta popular.

A realidade é que intervenções militares não costumam levar estabilidade aos países invadidos. Um exemplo foi a ação na Líbia contra o ditador Muamar Kadafi, que ameaçava massacrar os rebeldes da Primavera Árabe, em 2011. A intervenção foi aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, que nunca organizou uma missão de paz. A Líbia está em guerra civil até hoje.


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sexta-feira, 15 de março de 2024

Caos no Haiti exige intervenção militar internacional

 Dois anos e oito meses depois do assassinato do presidente Jovenel Moïse, o estado de anarquia se agrava no Haiti. Gangues dominam 80% de Porto Príncipe, a capital do país. Na semana passada, impediram a volta ao país do primeiro-ministro e presidente interino Ariel Henry, que renunciou na terça-feira sob pressão dos Estados Unidos. Só uma intervenção será capaz de desarmar as gangues e restaurar alguma ordem, mas a sociedade internacional receia em se envolver numa situação internal.

Quando era uma próspera colônia da França, o Haiti era a Pérola do Caribe. A Revolução Haitiana foi a maior revolta de escravos em 1.900 anos e a única na história em que escravos e ex-escravos venceram. 

O Haiti foi o segundo país da América a se tornar independente, o primeiro a abolir a escravidão e a primeira república negra do mundo. Vence a França de Napoleão Bonaparte e o Império Britânico da Revolução. Sob boicote dos escravistas e a pressão de uma dívida de guerra cobrada pela potência colonial, a França, a economia se deteriora e o autoritarismo político se instala.

De 1915 a 1934, os EUA ocupam o Haiti. Em 1957, é eleito presidente François Duvalier, o Papa Doc, um ditador arquetípico da Guerra Fria, com uma polícia terrorista, os tontons macoutes, famosa por suas atrocidades.

A democracia começa com a queda de seu filho Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc, e o fim do regime duvalierista, em 1986. Na primeira eleição presidencial democrática, em 1990, é eleito o padre esquerdista Jean-Bertrand Aristide, alvo de dois golpes de Estado, em 1991 e em 2004, quando exercia um segundo mandato.

Naquela época, o Brasil liderou uma missão de paz das Nações Unidas. Em 2010, outra tragédia abalou o Haiti. O Terremoto de Porto Príncipe arrasou o país e matou mais de 200 mil pessoas. A sociedade internacional prometeu uma ajuda de US$ 10 bilhões para reconstruir o Haiti, mas a eterna crise do país se agravou nos últimos anos e a reação internacional ainda é tímida e se deve mais ao medo dos países vizinhos, especialmente dos EUA, de uma onda migratória de refugiados haitianos.

sábado, 7 de março de 2020

Combates violentos rompem cessar-fogo na Líbia

O autointitulado Exército Nacional da Líbia (ENL), comandando pelo general Khalifa Hifter, e as forças leais ao Governo do Acordo Nacional (GAN), liderado pelo primeiro-ministro Fayez al-Sarraj e reconhecido internacional, voltaram a travar violentos combate na quinta-feira ao sul da capital, Trípoli.

Foi mais um assalto dentro da ofensiva rumo a Trípoli meses atrás por Hifter, que controla a região de Trípoli, no Leste da Líbia, na tentativa de assumir o controle sobre todo o território nacional. O ELN avançou, mas os combates cessaram na manhã de sexta-feira.

Durante dois dias, os soldados do ENL testaram as milícias leias a Al-Sarraj que defendem a capital, especialmente nos subúrbios da Zona Sul. O ministro do Interior do GAN, Fathi Bachagha, prometeu usar força total para libertar o país inteiro das "milícias ilegais" do ELN.

A Líbia vive em estado de anarquia desde a queda e morte, em 2011, do coronel Muamar Kadafi, que governava o país ditatorialmente desde 1969. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e o secretário-geral da Liga Árabe, Abul Gheit, fizeram um apelo de cessar-fogo.

terça-feira, 9 de abril de 2019

ONU adia conferência nacional sobre reconciliação da Líbia

Diante da ofensiva do autointitulado Exército Nacional da Líbia, liderado pelo general Khalifa Hifter, rumo à capital, as Nações Unidas suspenderam uma conferência nacional para reconciliar o país, organizar eleições e tentar reconstruir o sistema político.

A conferência estava marcada para 12 a 14 de abril, mas o general rebelde, que domina a região de Bengázi, no Leste da Líbia, tenta derrubar o Governo do Acordo Nacional, reconhecido internacionalmente.

O país vive em estado de anarquia e guerra civil desde a queda e a morte do ditador Muamar Kadafi, em 2011. A ofensiva e a suspensão do encontro indicam um colapso do diálogo. Atrasam ainda mais a estabilização do país. Criam o risco de mais um longo impasse.

Hifter mandou suas forças avançarem rumo a Trípoli na quinta-feira, 4 de abril, e enfrenta milícias ligadas ao Governo do Acordo Nacional na tentativa de unificar o país sob seu comando.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

UE aprova ajuda de 100 milhões de euros à Somália

A União Europeia vai dar uma ajuda de 100 milhões de euros (R$ 467,5 milhões) ao governo provisório da Somália, a ser desembolsada do fim deste ano até 2021, anunciou ontem a Comissão Europeia, órgão executivo da UE.

A ajuda europeia é fundamental para a Somália tentar reconstruir a máquina estatal, destruída depois de 27 anos de guerra civil e anarquia, sem um governo central. O governo não controla o território nacional e não consegue prover os serviços básicos à população.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Estado Islâmico ataca sede da comissão eleitoral da Líbia

A organização terrorista Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade por um ataque em que terroristas suicidas e atiradores atacaram a sede central da comissão eleitoral da Líbia, em Trípoli, a capital do país. Pelo menos 11 pessoas foram mortas e o prédio foi incendiado, noticiou hoje a agência Reuters.

O ataque é mais uma tentativa de tentar impedir a organização de eleições a serem realizadas até o fim do ano como parte do esforço das Nações Unidas para criar um governo nacional capaz de unir, estabilizar e pacificar a Síria depois de anos de anarquia.

Sete anos depois da revolução e queda da ditadura de 42 anos do coronel Muamar Kadafi, com intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a aliança militar liderada pelos Estados Unidos, com o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas, três governos provisórios disputam o poder.

A Câmara dos Deputados com sede em Tobruk e seu governo, liderado pelo primeiro-ministro Abdullah al-Thani, é o principal órgão legislativo do Acordo Político Líbio. Mas seu controle é limitado, assim como de seu aliado, o general Khalifa Hifter, comandante do autoproclamado Exército Nacional da Líbia, fundado há quatro anos.

Com quartel-general em Bengázi, no Leste do país, este exército não conseguiu avanços importante no Oeste nos últimos 12 meses.

No Oeste da Líbia, onde fica a capital, Trípoli, o poder está nas mãos do Governo do Acordo Nacional e seu conselho presidencial, liderado pelo primeiro-ministro Fayez al-Serraj, reconhecido pela ONU como o governo oficial da Líbia. Mas o poder de fato está com as milícias de Trípoli, Zintã, Missurata e outras cidades. Elas sabem que o Exército Nacional não tem força para assumir o controle do país inteiro.

domingo, 15 de outubro de 2017

Pior atentado da história da Somália deixa mais de 300 mortos

Dois caminhões-bomba explodiram ontem perto de um hotel e de ministério no centro de Mogadíscio. Mais de 300 pessoas morreram e outras 300 saíram feridas, noticiou a televisão pública britânica BBC. Foi o pior atentado da história da Somália. O país da região do Chifre da África vive em estado de anarquia desde 1991.

As maiores suspeitas recaem sobre a milícia extremista muçulmana Al Chababe (A Juventude), ligada à rede terrorista Al Caeda. "Eles não se preocupam com as vidas dos somalianos, mães, pais e filhos. Alvejaram a área mais povoada de Mogadíscio e só mataram civis", lamentou o primeiro-ministro Hassan ali Khayre.

O presidente interino Mohamed Abdullahi Mohamed decretou três dias de luto e fez um apelo desesperado por doações de sangue. Ele lidera um governo provisório que não controla nem a capital do país. Sobrevive sob a proteção de uma força de paz de 20 mil soldados da União Africana.

Durante a noite, equipes de resgate procuraram sobreviventes nas ruínas do Hotel Safari, bastante destruído. "É um dia triste. Isto mostra como eles são brutais e impiedosos e por que temos de nos unir contra eles", declarou o ministro da Informação, Abdirahman Omar, em entrevista a uma rádio local.

"Estes ataques covardes revigoram o compromisso dos Estados Unidos com a ajuda a nossos aliados da Somália e da UA no combate ao flagelo do terrorismo", declarou em nota o governo americano, somando-se à condenação ao ato terrorista.

O atentado aconteceu dois dias depois da visita do comandante militar dos EUA na África ao presidente da Somália e da queda do ministro da Defesa e do comandante do Exército por razões não reveladas.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Homem-bomba de Manchester tinha recém-chegado da Líbia

O terrorista suicida que matou 22 pessoas na saída de um show da cantora pop americana Ariana Grande dois dias atrás, em Manchester, na Inglaterra, tinha voltado há poucos dias de uma viagem de três semanas à Líbia, terra natal de seus pais. Também esteve na Síria.

A polícia do Reino Unido estava convencida de que Salman Abedi estava ligado a uma rede terrorista, provavelmente o Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Um irmão dele preso na Líbia confirmou a suspeita, afirmou a milícia líbia que o deteve. O pai também foi preso na Líbia. Oito pessoas foram presas na Inglaterra, na maioria, líbios.

Como de costume, o Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade pelo atentado. Em muitos casos recentes, os terroristas agiram por conta própria sob a inspiração do EI e suas múltiplas peças de propaganda encontradas na Internet, sem relação operacional com a milícia.

Desta vez, pela sofisticação da bomba e do colete suicida usado no ataque, as autoridades britânicas concluíram que ele não pode ter feito tudo sozinho. Um irmão dele, Hashim Abedi, foi preso na Líbia em conexão com o atentado em Manchester e confessou que os dois eram membros do EI.

A Líbia é mais um caso de anarquia generalizada, de colapso do Estado, depois da queda do ditador Muamar Kadafi, em agosto de 2011. Kadafi caiu numa intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e de aliados árabes, com o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para evitar o massacre dos rebeldes que lutavam contra a ditadura na chamada Primavera Árabe.

Desde a queda de Kadafi, a Líbia não tem um governo central que controle todo o território nacional. As diversas milícias que derrubaram o coronel disputam o poder. Ninguém faz turismo na Líbia. Viaja a este país do Norte da África quem quer aderir a milícias jihadistas.

O mesmo colapso do Estado aconteceu no Líbano, nos anos 1970s; no Afeganistão, nos anos 1990s; na Somália, desde 1991; no Iraque, depois da invasão americana de 2003; e na Síria, a partir do início da guerra civil, em 2011.

Neste vácuo político, proliferam as milícias irregulares e o terrorismo. Na Líbia, houve uma proliferação de grupos jihadistas como Ansar al-Suna, responsável pelo ataque contra o Consulado dos Estados Unidos em Bengázi, em 11 de setembro de 2012, quando o embaixador e outros três cidadãos americanos foram mortos.

Em entrevista à CNN, o pesquisador alemão Peter Neumann, diretor do Centro Internacional de Estudos de Radicalização e Violência Política e professor do King's College, de Londres, observou que há uma comunidade líbia no Reino Unido de refugiados da ditadura de Kadafi. Muitos se radicalizaram, especialmente depois da queda de Kadafi.

O EI aproveitou o vácuo para criar uma base na Líbia, especialmente depois que começou a perder territórios na Síria e no Iraque, onde chegou a dominar uma área habitada por 8 milhões de pessoas e fundou um califado em junho de 2014. Também entrou no Afeganistão.

Na Líbia, o EI massacrou cristãos egípcios e montou uma base em Sirte, a terra natal de Kadafi, destruída por milícias líbias e pela Força Aérea dos EUA. Pelo jeito, continua vivo e atuante.

A lição maior de tudo isso é que uma intervenção militar por razões humanitárias, realizada a pretexto de proteger uma população ameaçada por um ditador, precisa ser complementada por uma série de medidas de reconstrução e reconciliação nacional para conquistar a paz.

Faltou o trabalho das missões de paz da ONU, que é sempre limitado se não houver uma recuperação econômica do país, como mostra o trabalho liderado pelo Exército Brasileiro no Haiti.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Duas bombas matam dez pessoas na Somália

Um homem-bomba matou pelo menos nove soldados do Exército da Somália e feriu muitos outros hoje em ataque a um acampamento militar em Mogadíscio, a capital do país, noticiou a agência Reuters.

O terrorista suicida estava com uniforme do Exército e abriu fogo contra os soldados antes de detonar os explosivos que levava junto ao corpo. A milícia extremista muçulmana Al Chababe (A Juventude) reivindicou a autoria do atentado.

Em outro ponto da capital, outra bomba matou um funcionário público, informou a Prefeitura de Mogadíscio.

A Somália vive em estado de anarquia e guerra civil. Não tem um governo estável, que controle a maior parte do território do país, desde a morte do ditador Mohamed Siad Barre em 1991.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Piratas da Somália sequestram navio indiano

Os piratas da Somália sequestraram um pequeno navio comercial com bandeira da Índia há dois dias, revelaram hoje fontes do setor de segurança da navegação, citados pela agência de notícias Reuters. O barco saiu de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e foi tomado no mar da região do Chifre da África.

Com seus 12 tripulantes, o navio foi levado para o porto de Eil, situado na região autônoma somaliana da Puntlândia. Os piratas atacam com frequência pequenas embarcações, mas ganham muito pouco com isso em comparação com os resgates que pedem por grandes navios.

Em 14 de março, os piratas somalianos tomaram um petroleiro no primeiro sequestro de um grande navio desde 2012. Sob pressão internacional e ameaça de intervenção militar dos Estados Unidos, o governo da Puntlândia mandou suas forças libertar os reféns e liberar o navio-tanque.

A Somália vive em estado de anarquia desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991. Em 1992, o então presidente George H. W. Bush mandou os militares americanos distribuir comida para a população faminta.

No ano seguinte, o presidente Bill Clinton decidiu atacar o senhor da guerra Mohamed Farah Aidid, que dominava a capital Mogadíscio, sem ter força militar suficiente. Pelo menos 18 americanos foram mortos e alguns arrastados pelas ruas como troféus de guerra na Batalha de Mogadíscio, retratada no filme Falcão Negro em Perigo.

Esse fracasso levou Clinton a não intervir durante o genocídio em Ruanda, de abril a junho de 1994, quando pelo menos 800 mil pessoas foram mortas. O ex-presidente considera a omissão diante do genocídio seu maior erro.

Como a Somália continua em estado de anarquia, com um governo reconhecido internacionalmente que só controla uma pequena parte do país e é sustentado por uma força da União Africana, é possível que meninos que Bush salvou da fome estejam hoje pirateando navios no Golfo de Áden, no Mar da Arábia e no Oceano Índico.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Forças da Puntlândia atacam piratas na Somália

O governo regional da Puntlândia, uma região semiautônoma da Somália, atacou hoje a cidade de Habo, onde os sequestradores do navio petroleiro Aris 13 se refugiaram tomando os oito tripulantes como reféns, noticiou a televisão britânica Sky News.

As forças da Puntlândia atiraram num barco com suprimentos para os piratas, que responderam ao fogo. Pelo menos cinco pessoas foram feridas no tiroteio. O governo regional declarou que nenhum soldado saiu ferido.

Ontem, o embaixador da Somália na Nigéria ameaçou pedir um intervenção militar dos EUA, o que não interessa ao governo regional semiautônomo.

Na operação, os soldados tentam tomar o controle da cidade costeira para isolar os piratas. Outros relatos dizem que os piratas retiraram todo o petróleo transportado pelo navio-tanque, que ia de Djibúti para Mogadíscio, a capital somaliana.

O petroleiro Aris 13 tem bandeiras das Ilhas Comores e oito tripulantes do Sri Lanka tomados como reféns. Em 13 de março, foi desviado de sua rota para a cidade de Alula. É o primeiro sequestro de um grande navio na região do Chifre da África desde 2012.

Nos últimos anos, a região deixou de ser a mais perigosa para a navegação. Hoje o maior número de sequestros acontece na região do Golfo da Guiné, na África Ocidental, por onde trafega o petróleo da Nigéria, um grande produtor que não refina e assim tem de importar derivados.

Desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991, a Somália vive em estado de anarquia. Um relatório da ONU advertiu no ano passado que a situação só vai mudar quando o país tiver um governo estável capaz de controlar seu território e as águas territoriais.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Somália tem primeiro grande caso de pirataria em cinco anos

Um navio petroleiro com oito tripulantes do Sri Lanka, o antigo Ceilão, foi tomado por piratas na costa da Somália. É o primeiro sequestro de um grande navio na região do Chifre da África desde 2012.

O navio-tanque Aris 13 foi interceptado quando ia de Djibouti para Mogadíscio, a capital da Somália, e levado para o porto de Alula, na região da Puntlândia, no Nordeste do país, que proclamou autonomia em 1998.

A Somália vive em estado de anarquia desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991. O governo reconhecido internacionalmente não controla todo o território. No Norte, a Somalilândia, a antiga Somália Britânica, tornou-se independente na prática.

Na segunda-feira, o Aris 13 avisou que lanchas se aproximavam do navio em alta velocidade. O chefe das operações antipirataria da Puntlândia, Abdirissak Mohamed Dirir, negou o envolvimento de soldados do governo no sequestro, atribuindo-o a "piratas somalianos".

"As autoridades locais confirmam que piratas estão retendo um navio e sua tripulação contra sua vontade", declarou o ex-coronel do Exército Real britânico John Steed, hoje gerente regional no Chifre da África do programa antipirataria Oceanos Além da Pirataria, com sede no estado do Colorado, nos Estados Unidos.

O governo do Sri Lanka protestou: "Embora o navio envolvido não esteja registrado com a bandeira do Sri Lanka, tem oito tripulantes srilanqueses", declarou em nota o Ministério do Exterior. "O Ministério continua em contato com os agentes de navegação, as autoridades envolvidas e as missões diplomáticas do Sri Lanka no exterior para obter mais informações e garantir a segurança e o bem-estar da tripulação srilanquesa."

Em Nairóbi, o embaixador do Sri Lanka na Etiópia, Chulpathmendra Dahanayake, pediu às Nações Unidas e à Somália que "investiguem a matéria e nos deem uma resposta. Se for verdade, provavelmente vamos pedir uma intervenção militar dos EUA com mão pesada para libertar os reféns."

No ano passado, um relatório da ONU constatou que o número de sequestros cometidos por piratas somalianos caiu de 237 em 2011 para 15 em 2016 e 2017. "O progresso na construção de um Estado federal na Somália, combinado com um esforço naval coletivo internacional e as políticas antipirataria dos governos regionais, como o da Puntlândia, contribuíram para a redução dos refúgios em terra para piratas ao longo da costa da Somália."

Houve avanços, mas o relatório advertiu: "Tais progressos continuam frágeis e reversíveis. Informes com credibilidade indicam que os piratas somalianos têm a intenção e a capacidade de recomeçar os ataques contra grandes navios comerciais, se aparecerem oportunidades, e ameaçar pequenas embarcações.

"A incerteza política na região central da Somália, acoplada ao fim do mandato da força naval internacional estacionada perto da costa, tem o potencial de criar um vácuo de segurança capaz de deflagrar o ressurgimento da pirataria. A solução definitiva para o problema da pirataria na costa da Somália está num futuro seguro e estável para o país", concluiu a ONU.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Grupos armados tomam ministérios na Líbia

Grupos armados ocuparam vários ministérios, entre eles Defesa, Economia e Justiça, ontem em Trípoli, a capital da Líbia, informou a televisão saudita Al Arabiya. São milícias ligadas do Congresso Nacional Geral, o primeiro parlamento eleito depois da queda do ditador Muamar Kadafi, em agosto de 2011.

Com três governos rivais disputando o poder, o Governo do Acordo Nacional, reconhecido internacionalmente vai perdendo força diante das milícias da cidade de Missurata que apoiam o CNG e do Exército Nacional da Líbia que o marechal Khalifa Hifter tenta criar.

A Líbia pós-Kadafi é um país dividido em estado de anarquia, um foco de instabilidade no Norte da África com grandes repercussões em países miseráveis mais ao sul e no Oriente Médio.

Vários países do Sahel enfrentam rebeliões lideradas por extremistas muçulmanos com armas e treinamento líbios. Sob pressão no Oriente Médio, a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante tentou instalar uma base em Sirte, a cidade natal de Kadafi.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Milícias aliadas aos EUA tomam quartel do Estado Islâmico na Líbia

Milícias aliadas do Ocidente anunciaram hoje ter assumido o controle do quartel-general da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante na cidade de Sirte, na Líbia, noticiou há pouco a televisão pública britânica BBC.

"O centro de convenções Uagadugu está em nossas mãos", declarou um porta-voz das forças leais ao governo líbio reconhecido internacionalmente. O Estado Islâmico dominava Sirte desde fevereiro de 2015.

A Líbia vive em estado de anarquia e guerra civil desde a queda do ditador Muamar Kadafi há cinco anos, com milícias rivais disputando o poder. Sirte é a terra natal de Kadafi.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Atentado suicida mata pelo menos sete pessoas na Somália

Duas explosões mataram pelo menos sete pessoas ontem perto da entrada do aeroporto de Mogadíscio, a capital da Somália, noticiou a televisão pública britânica BBC. A milícia jihadista Al Chababe (A Juventude), ligada à rede terrorista Al Caeda, assumiu a autoria do atentado.

Em uma das explosões, um terrorista suicida explodiu o carro que dirigia ao chegar a um posto policial. Há guardas entre os mortos.

A Somália fica na região conhecida como Chifre da África, no Nordeste do continente. Sob a ditadura de Mohamed Siad Barre (1969-91), o país deixou de ser aliado da União Soviética, que apoiou a Etiópia na Guerra de Ogaden, em 1977, e passou para o lado dos Estados Unidos.

Com o fim da Guerra Fria, a Somália perdeu sua importância estratégica. Desde a morte de Siad Barre, em 1991, vive em estado de anarquia, sem um governo central que funcione.

No Norte, a região da Somalilândia, a antiga Somália Britânica, é praticamente independente. O resto do país é vítima de uma guerra civil permanente, com o território disputado por milícias e senhores da guerra, fome, pirataria e terrorismo. A Somália virou exemplo de Estado falido.

Desde 2007, a Missão da União Africana na Somália (AMISOM) tenta pacificar o país com 22 mil soldados e mandato do Conselho de Segurança das Nações. Sustenta o governo provisório reconhecido internacionalmente, que não controla o território nacional. O maior inimigo é a milícia jihadista Al Chababe.

Apesar do sucesso relativo da missão de paz, a União Europeia, maior financiadora, resolveu cortar sua contribuição em 20%. Os presidentes do Quênia, Uhuru Kenyatta, e de Uganda, Yoweri Museveni, ameaçaram retirar seus soldados, mas os países vizinhos têm muito a perder se abandonarem a Somália.

sábado, 25 de junho de 2016

Ataque terrorista a hotel deixa 35 mortos em Mogadíscio

Um carro-bomba seguido de um ataque de homens armados deixou pelo menos 35 mortos e 30 feridos no Hotel Nasa-Hablod em Mogadíscio, a capital da Somália, informou o coronel somaliano Mohamed Abdulkadir, citado pela televisão americana CNN. 

A explosão inicial abriu caminho para um grupo de rebeldes invadir o hotel e começar a atirar nos hóspedes. Dois terroristas foram mortos na reação da polícia. As maiores suspeitas recaem sobre a milícia jihadista Al Chababe (A Juventude), ligada à rede terrorista Al Caeda.

Vários hotéis internacionais da Somália têm sido atacados nos últimos tempos. Apesar dos esforços internacionais e da presença de uma força internacional de paz da União Africana com mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o país vive em estado de anarquia desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Explosão em depósito de armas mata dezenas de pessoas na Líbia

Um arsenal explodiu hoje na cidade de Garabule, na Líbia. Pelo menos 29 pessoas morreram e dezenas saíram feridas, noticiou a Agência France Presse (AFP).

A explosão aconteceu depois que homens armados chegaram ao depósito, que pertenceria à milícia da cidade de Missurata, que apoia o governo do acordo nacional, uma tentativa de estabilizar o país.

A Líbia vive em estado de anarquia desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em agosto de 2011. Durante muito tempo, milícias rivais disputaram o poder. O país está cheio de armas e grupos armados irregulares, além de haver uma infiltração do Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Sirte, a terra natal de Kadafi.

O governo de união nacional tenta assumir o controle sobre todo o território líbio.

domingo, 29 de maio de 2016

Milícias do governo da Líbia cercam Estado Islâmico em Sirte

Forças leais ao governo de união da Líbia apoiado pelas Nações Unidas estão a 15 quilômetros do centro de Sirte e planejam cercar a cidade natal do falecido ditador Muamar Kadafi, hoje a principal base no país da milícia jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

São milícias da cidade de Missurata, no Oeste da Líbia, que abandonaram Sirte no verão passado no Hemisfério Norte permitindo ao Estado Islâmico assumir o controle total da cidade.

No início de maio, os milicianos do Estado Islâmico avançaram em direção a Missurata, a noroeste de Sirte, tomando vilas e postos militares até serem obrigados a recuar diante da contraofensiva inimiga.

Cerca de 75 combatentes das milícias de Missurata foram mortos e outros 350 feridos neste mês de maio. Embora haja comandos de operações especiais da Europa e dos Estados Unidos no terreno na Líbia, o porta-voz das forças governistas declarou não ter recebido nenhuma ajuda internacional direta.

Milícias do Leste do país que enfrentaram as milícias de Missurata no passado e não aderiram ao governo de união nacional reconhecido internacionalmente anunciaram a intenção de tomar Sirte, provocando temor de reinício da guerra civil.

A Líbia viva em estado de anarquia com milícias rivais disputando o poder desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em agosto de 2011, numa revolta popular apoiada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Exército do Quênia mata 21 jihadistas na Somália

O Exército do Quênia, parte de uma força internacional da União Africana em missão de paz autorizada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, matou pelo menos 21 rebeldes da milícia terrorista Al Chababe (A Juventude), noticiou a agência Reuters.

O confronto ocorreu no Oeste da Somália perto da fronteira com o Quênia, no Nordeste da África. Um porta-voz da milícia extremista muçulmana ligada à rede terrorista Al Caeda alegou ter matado cinco soldados quenianos e ferido outros oito. O Exército do Quênia nega ter sofrido baixas.

Apesar da intervenção internacional em apoio ao governo provisório, a Somália vive em clima de anarquia e guerra civil desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991, no fim da Guerra Fria.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Centenas de migrantes naufragam no Mar Mediterrâneo

Cerca de 400 migrantes, a maioria da Somália, estão desaparecidos depois que quatro barcos naufragaram ao tentar fazer a travessia do Egito para a Europa, revelou hoje o presidente da Itália, Sergio Mattarella, citado pela agência Euronews.

Mais de 100 náufragos foram resgatados, declarou o embaixador somaliano no Cairo.

Com a chegada da primavera, aumentou o número de embarcações com refugiados e imigrantes no Mediterrâneo. O pico deve ser entre junho e agosto, obrigando as guardas costeiras europeias a uma vigilância permanente, apesar da decisão da União Europeia de não recebê-los se não fizerem os procedimentos legais de pedido de asilo no exterior.

No ano passado, quase 4 mil pessoas morreram na tentativa desesperada da chegar à Europa. A Somália vive em estado de anarquia e guerra civil desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991.