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sábado, 7 de março de 2020

Combates violentos rompem cessar-fogo na Líbia

O autointitulado Exército Nacional da Líbia (ENL), comandando pelo general Khalifa Hifter, e as forças leais ao Governo do Acordo Nacional (GAN), liderado pelo primeiro-ministro Fayez al-Sarraj e reconhecido internacional, voltaram a travar violentos combate na quinta-feira ao sul da capital, Trípoli.

Foi mais um assalto dentro da ofensiva rumo a Trípoli meses atrás por Hifter, que controla a região de Trípoli, no Leste da Líbia, na tentativa de assumir o controle sobre todo o território nacional. O ELN avançou, mas os combates cessaram na manhã de sexta-feira.

Durante dois dias, os soldados do ENL testaram as milícias leias a Al-Sarraj que defendem a capital, especialmente nos subúrbios da Zona Sul. O ministro do Interior do GAN, Fathi Bachagha, prometeu usar força total para libertar o país inteiro das "milícias ilegais" do ELN.

A Líbia vive em estado de anarquia desde a queda e morte, em 2011, do coronel Muamar Kadafi, que governava o país ditatorialmente desde 1969. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e o secretário-geral da Liga Árabe, Abul Gheit, fizeram um apelo de cessar-fogo.

domingo, 19 de janeiro de 2020

Conferência em Berlim tenta abrir caminho para a paz na Líbia

Doze países com interesses na Líbia decidiram hoje respeitar um embargo à venda de armas, retirar o apoio militar às partes em luta e pressionar os dois governos paralelos do país a negociar um total cessar-fogo. 

Este foi o resultado da Conferência de Berlim, convocada pela chancelar (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, para encaminhar uma solução para a guerra civil na Líbia.

Os líderes das duas facções, Fayez al-Sarraj, do Governo do Acordo Nacional, reconhecido internacionalmente, e o marechal Khalifa Hifter, do Exército Nacional da Líbia, foram à capital alemã, mas não sentaram na mesa da conferência.

"Todas as partes ligadas de uma forma ou de outra ao conflito precisam falar com uma só voz, porque as partes dentro da Líbia precisam entender que a única saída não é militar. Conseguimos isto aqui", declarou Merkel.

Participaram o presidente da França, Emmanuel Macron, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, os primeiros-ministros da Itália, Giuseppe Conte, e do Reino Unido, Boris Johnson, e os ditadores da Rússia, Vladimir Putin, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

As deliberações da conferência devem ser referendadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Hiftar e Sarraj ficaram de indicar membros para um comitê militar que vai negociar um cessar-fogo permanente.

Este comitê deve se reunir em Genebra, na Suíça, nos próximos dias, anunciou o secretário-geral da ONU, António Guterres, ex-primeiro-ministro de Portugal. "Temos uma trégua", comentou ele.

Guterres destacou a importância da conferência para evitar uma escalada regional do conflito depois que a Turquia anunciou o envio de tropas para lutar ao lado do Governo do Acordo Nacional. Hiftar controla o Leste da Líbia, inclusive Bengázi, segunda maior cidade do país. Tem o apoio do Egito e dos Emirados Árabes Unidos.

A Líbia está em estado de anarquia desde a queda e a morte do ditador Muamar Kadafi, em 2011, depois de governar o país por 42 anos. Uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, com a aprovação do Conselho de Segurança da ONU, impediu Kadafi de massacrar a rebelião em Bengázi e selou a sorte do ditador.

Faltou uma missão internacional de paz para reconstruir o país, criar Forças Armadas, desarmar as milícias, organizar partidos, eleições e a sociedade civil. Os líbios não queriam uma operação terrestre da OTAN, tendo em vista o que aconteceu no Iraque.

Em tese, uma força internacional de paz árabe resolveria o problema por entender a língua e a cultura locais. As diferentes posições e interesses dos países árabes no conflito impediram a organização da missão de paz. A intervenção na Líbia foi um dos fracassos recentes da ONU e da chamada Primavera Árabe.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Guerra civil sem fim ameaça exportação de petróleo da Líbia

Seis meses depois da ofensiva Exército Nacional da Líbia para tomar a capital, Trípoli, a guerra civil que se arrasta desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em agosto de 2011, aumenta o risco de uma queda ainda maior na oferta de petróleo no mercado internacional.

Com as sanções dos Estados Unidos ao Irã e os ataques a instalações de petróleo na Arábia Saudita, um colapso das exportações da Líbia pode causar um aumento nos preços do barril.

Hoje, apesar da guerra civil, a Líbia produz pouco mais de 1 milhão de barris por dia. No pico, em outubro de 1973, a produção líbia chegou a 2 milhões 370 mil barris. Em agosto de 2011, quando caiu a ditadura de Muamar Kadafi, a produção caiu para 7 mil barris diários.

A Líbia foi um dos países, ao lado do Iêmen e da Síria, onde a chamada Primavera Árabe deflagrou uma guerra civil sem fim. Quando o ditador se preparava para esmagar a revolta popular em Trípoli, no Leste da Líbia, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou em 31 de março de 2011 uma intervenção militar com base do princípio da responsabilidade de proteger.

Kadafi caiu em agosto de 2011 e foi morto depois meses depois. Meu comentário:

terça-feira, 9 de abril de 2019

ONU adia conferência nacional sobre reconciliação da Líbia

Diante da ofensiva do autointitulado Exército Nacional da Líbia, liderado pelo general Khalifa Hifter, rumo à capital, as Nações Unidas suspenderam uma conferência nacional para reconciliar o país, organizar eleições e tentar reconstruir o sistema político.

A conferência estava marcada para 12 a 14 de abril, mas o general rebelde, que domina a região de Bengázi, no Leste da Líbia, tenta derrubar o Governo do Acordo Nacional, reconhecido internacionalmente.

O país vive em estado de anarquia e guerra civil desde a queda e a morte do ditador Muamar Kadafi, em 2011. A ofensiva e a suspensão do encontro indicam um colapso do diálogo. Atrasam ainda mais a estabilização do país. Criam o risco de mais um longo impasse.

Hifter mandou suas forças avançarem rumo a Trípoli na quinta-feira, 4 de abril, e enfrenta milícias ligadas ao Governo do Acordo Nacional na tentativa de unificar o país sob seu comando.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

UE apela a general líbio para suspender ofensiva contra a capital

A União Europeia fez um apelo hoje ao general Khalifa Hifter, comandante do autointitulado Exército Nacional da Líbia, para suspender seu ataque à capital, Trípoli, e assim evitar o reinício da guerra civil no país, que vive em estado de anarquia desde a queda e morte do ditador Muamar Kadafi, em 2011.

O general, que domina a região de Bengázi, no Leste da Líbia, lançou na quinta-feira uma ofensiva contra o Governo do Acordo Nacional, reconhecido internacionalmente, que controla Trípoli. Ontem, Hifter anunciou ter assumido o controle do aeroporto da capital. Um avião de suas forças bombardeou o aeroporto, colocando civis em fuga.

As Nações Unidas também pediram o fim da ofensiva e a retomada do diálogo entre os governos paralelos para organizar eleições que permitam reconstruir o sistema político do país.

sábado, 6 de abril de 2019

General Hifter anuncia ter assumido o controle do aeroporto de Trípoli

Dois dias depois de mandar suas forças marcharem rumo à capital, o general Khalifa Hifter, comandante do autointitulado Exército Nacional da Líbia, anunciou hoje ter tomado o aeroporto de Trípoli. 

O enviado especial das Nações Unidas insiste na abertura de negociações com o Governo do Acordo Nacional, reconhecido internacionalmente, para realização de eleições nacionais.

A Líbia vive em estado de anarquia desde a queda e morte do ditador Muamar Kadafi, em 2011, com milícias rivais disputando o poder. Hifter domina a região de Bengázi, no Leste do país. Sua ofensiva visa a reunificar a Líbia, mas pode ser o início de um novo período de guerra civil, violência e anarquia.

O Governo do Acordo Nacional é fruto de um acordo assinado em 17 de dezembro de 2015 sob a supervisão do Conselho de Segurança da ONU.

Kadafi foi deposto por uma intervenção militar internacional liderada pelos Estados Unidos, a França e o Reino Unido, com a autorização do Conselho de Segurança, para evitar em massacre de civis em caso de vitória do ditador. Mas não houve uma missão de paz para pacificar o país, reconstruir o Estado, organizar partidos políticos e a sociedade civil de modo a preparar a Líbia para eleições democráticas.

O presidente Barack Obama considera um dos piores erros de seu governo não ter cuidado do pós-guerra civil na Líbia. A paz não chegou até hoje.