Doze países com interesses na Líbia decidiram hoje respeitar um embargo à venda de armas, retirar o apoio militar às partes em luta e pressionar os dois governos paralelos do país a negociar um total cessar-fogo.
Este foi o resultado da Conferência de Berlim, convocada pela chancelar (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, para encaminhar uma solução para a guerra civil na Líbia.
Os líderes das duas facções, Fayez al-Sarraj, do Governo do Acordo Nacional, reconhecido internacionalmente, e o marechal Khalifa Hifter, do Exército Nacional da Líbia, foram à capital alemã, mas não sentaram na mesa da conferência.
"Todas as partes ligadas de uma forma ou de outra ao conflito precisam falar com uma só voz, porque as partes dentro da Líbia precisam entender que a única saída não é militar. Conseguimos isto aqui", declarou Merkel.
Participaram o presidente da França, Emmanuel Macron, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, os primeiros-ministros da Itália, Giuseppe Conte, e do Reino Unido, Boris Johnson, e os ditadores da Rússia, Vladimir Putin, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.
As deliberações da conferência devem ser referendadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Hiftar e Sarraj ficaram de indicar membros para um comitê militar que vai negociar um cessar-fogo permanente.
Este comitê deve se reunir em Genebra, na Suíça, nos próximos dias, anunciou o secretário-geral da ONU, António Guterres, ex-primeiro-ministro de Portugal. "Temos uma trégua", comentou ele.
Guterres destacou a importância da conferência para evitar uma escalada regional do conflito depois que a Turquia anunciou o envio de tropas para lutar ao lado do Governo do Acordo Nacional. Hiftar controla o Leste da Líbia, inclusive Bengázi, segunda maior cidade do país. Tem o apoio do Egito e dos Emirados Árabes Unidos.
A Líbia está em estado de anarquia desde a queda e a morte do ditador Muamar Kadafi, em 2011, depois de governar o país por 42 anos. Uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, com a aprovação do Conselho de Segurança da ONU, impediu Kadafi de massacrar a rebelião em Bengázi e selou a sorte do ditador.
Faltou uma missão internacional de paz para reconstruir o país, criar Forças Armadas, desarmar as milícias, organizar partidos, eleições e a sociedade civil. Os líbios não queriam uma operação terrestre da OTAN, tendo em vista o que aconteceu no Iraque.
Em tese, uma força internacional de paz árabe resolveria o problema por entender a língua e a cultura locais. As diferentes posições e interesses dos países árabes no conflito impediram a organização da missão de paz. A intervenção na Líbia foi um dos fracassos recentes da ONU e da chamada Primavera Árabe.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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domingo, 19 de janeiro de 2020
Conferência em Berlim tenta abrir caminho para a paz na Líbia
sexta-feira, 27 de setembro de 2019
Guerra civil sem fim ameaça exportação de petróleo da Líbia
Seis meses depois da ofensiva Exército Nacional da Líbia para tomar a capital, Trípoli, a guerra civil que se arrasta desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em agosto de 2011, aumenta o risco de uma queda ainda maior na oferta de petróleo no mercado internacional.
Com as sanções dos Estados Unidos ao Irã e os ataques a instalações de petróleo na Arábia Saudita, um colapso das exportações da Líbia pode causar um aumento nos preços do barril.
Hoje, apesar da guerra civil, a Líbia produz pouco mais de 1 milhão de barris por dia. No pico, em outubro de 1973, a produção líbia chegou a 2 milhões 370 mil barris. Em agosto de 2011, quando caiu a ditadura de Muamar Kadafi, a produção caiu para 7 mil barris diários.
A Líbia foi um dos países, ao lado do Iêmen e da Síria, onde a chamada Primavera Árabe deflagrou uma guerra civil sem fim. Quando o ditador se preparava para esmagar a revolta popular em Trípoli, no Leste da Líbia, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou em 31 de março de 2011 uma intervenção militar com base do princípio da responsabilidade de proteger.
Kadafi caiu em agosto de 2011 e foi morto depois meses depois. Meu comentário:
Com as sanções dos Estados Unidos ao Irã e os ataques a instalações de petróleo na Arábia Saudita, um colapso das exportações da Líbia pode causar um aumento nos preços do barril.
Hoje, apesar da guerra civil, a Líbia produz pouco mais de 1 milhão de barris por dia. No pico, em outubro de 1973, a produção líbia chegou a 2 milhões 370 mil barris. Em agosto de 2011, quando caiu a ditadura de Muamar Kadafi, a produção caiu para 7 mil barris diários.
A Líbia foi um dos países, ao lado do Iêmen e da Síria, onde a chamada Primavera Árabe deflagrou uma guerra civil sem fim. Quando o ditador se preparava para esmagar a revolta popular em Trípoli, no Leste da Líbia, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou em 31 de março de 2011 uma intervenção militar com base do princípio da responsabilidade de proteger.
Kadafi caiu em agosto de 2011 e foi morto depois meses depois. Meu comentário:
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quarta-feira, 12 de junho de 2019
Rebeldes do Iêmen apoiados pelo Irã atacam aeroporto saudita com míssil
O ataque com míssil de cruzeiro hoje ao aeroporto internacional de Abba, no Sudoeste da Arábia Saudita, mostra o aumento da capacidade ofensiva dos rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã na guerra civil do Iêmen. Mísseis de cruzeiro são mais precisos do que mísseis balísticos e os sistema de lançamento têm maior mobilidade.
Vai
aumentar a tensão entre a Arábia Saudita e o Irã e entre os Estados Unidos e o
Irã, que é grande desde que o presidente Trump rompeu o acordo nuclear com o
regime fundamentalista iraniano e reimpôs duras sanções econômicas para
pressionar os aiatolás a negociar. Meu comentário:
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sábado, 6 de abril de 2019
General Hifter anuncia ter assumido o controle do aeroporto de Trípoli
Dois dias depois de mandar suas forças marcharem rumo à capital, o general Khalifa Hifter, comandante do autointitulado Exército Nacional da Líbia, anunciou hoje ter tomado o aeroporto de Trípoli.
O enviado especial das Nações Unidas insiste na abertura de negociações com o Governo do Acordo Nacional, reconhecido internacionalmente, para realização de eleições nacionais.
A Líbia vive em estado de anarquia desde a queda e morte do ditador Muamar Kadafi, em 2011, com milícias rivais disputando o poder. Hifter domina a região de Bengázi, no Leste do país. Sua ofensiva visa a reunificar a Líbia, mas pode ser o início de um novo período de guerra civil, violência e anarquia.
O Governo do Acordo Nacional é fruto de um acordo assinado em 17 de dezembro de 2015 sob a supervisão do Conselho de Segurança da ONU.
Kadafi foi deposto por uma intervenção militar internacional liderada pelos Estados Unidos, a França e o Reino Unido, com a autorização do Conselho de Segurança, para evitar em massacre de civis em caso de vitória do ditador. Mas não houve uma missão de paz para pacificar o país, reconstruir o Estado, organizar partidos políticos e a sociedade civil de modo a preparar a Líbia para eleições democráticas.
O presidente Barack Obama considera um dos piores erros de seu governo não ter cuidado do pós-guerra civil na Líbia. A paz não chegou até hoje.
O enviado especial das Nações Unidas insiste na abertura de negociações com o Governo do Acordo Nacional, reconhecido internacionalmente, para realização de eleições nacionais.
A Líbia vive em estado de anarquia desde a queda e morte do ditador Muamar Kadafi, em 2011, com milícias rivais disputando o poder. Hifter domina a região de Bengázi, no Leste do país. Sua ofensiva visa a reunificar a Líbia, mas pode ser o início de um novo período de guerra civil, violência e anarquia.
O Governo do Acordo Nacional é fruto de um acordo assinado em 17 de dezembro de 2015 sob a supervisão do Conselho de Segurança da ONU.
Kadafi foi deposto por uma intervenção militar internacional liderada pelos Estados Unidos, a França e o Reino Unido, com a autorização do Conselho de Segurança, para evitar em massacre de civis em caso de vitória do ditador. Mas não houve uma missão de paz para pacificar o país, reconstruir o Estado, organizar partidos políticos e a sociedade civil de modo a preparar a Líbia para eleições democráticas.
O presidente Barack Obama considera um dos piores erros de seu governo não ter cuidado do pós-guerra civil na Líbia. A paz não chegou até hoje.
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terça-feira, 19 de março de 2019
EUA não devem intervir militarmente na Venezuela
Apesar das ameaças dos presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro no encontro de hoje na Casa Branca, quando falaram que "todas as opções estão na mesa", é improvável que os Estados Unidos intervenham militarmente na Venezuela para derrubar a ditadura de Nicolás Maduro.
Um dos maiores pesadelos de
um presidente americano é aquela imagem dos soldados mortos voltando para casa
em caixões enrolados na bandeira, a memória da Guerra do Vietnã, de onde Trump fugiu com atestado médico falso, como reiterou seu ex-advogado em depoimento na Câmara dos Representantes.
O presidente americano nunca desceu do palanque. Só pensa na reeleição e falta menos de
um ano para o início das eleições primárias. A própria questão do muro na
fronteira com o México é uma jogada de marketing eleitoral.
No Discurso sobre o Estado da União do ano passado, Trump falou num
projeto de reforma do sistema de imigração. Nunca levou adiante. A batalha do
muro mobiliza as bases eleitorais de que precisa para enfrentar os processos a
que está sujeito e a eleição, que pode ao menos adiar estes processos.
O atual modelo de intervenção militar dos EUA vem do governo Barack Obama (2009-17) e foi
usado na Líbia e na Síria. A Força Aérea dos EUA bombardeia do alto e a
operação terrestre é terceirizada.
No caso da Líbia, ficou a cargo das milícias
que lutavam contra Kadafi e até hoje disputam o poder entre si. Na Síria, os
EUA criaram as Forças Democráticas Sírias (FDS), uma milícia árabe-curda de
maioria síria.
Ao anunciar a retirada dos 2 mil soldados americanos da Síria, Trump
abandonou as FDS, pressionadas de um lado pelo Exército da Turquia e do outro
pelas forças que sustentam o ditador Bachar Assad. Como teme que os curdos da
Síria se aliem aos do Iraque para proclamar a independência do Curdistão, o
ditador turco, Recep Tayyip Erdogan, se ofereceu para patrulhar a área tomada
do Estado Islâmico. As FDS já pediram proteção a Assad, o que fortaleceria a
Rússia e o Irã, inimigos dos EUA.
Os militares brasileiros devem estar atentos ao abandono das FDS por
Trump, uma das causas da demissão do secretário da Defesa, James Cachorro Louco Mattis. Nenhum general
que se preze abandona aliados.
Trump está disposto a descartar os aliados assim que
entender que não precisa mais deles. Despreza aliados, é isolacionista e não
tem visão estratégica. Ignora que a retirada dos EUA do Iraque sob Obama abriu
caminho para a ascensão do Estado Islâmico.
No caso da Venezuela, quem faria a operação terrestre: Brasil e
Colômbia? A Colômbia é uma antiga aliada dos EUA, cujo apoio foi decisivo para
enfrentar as máfias do tráfico de drogas e as guerrilhas esquerdistas. Mas vive
o momento de maior paz de sua história. Não vai entrar num conflito que pode se
arrastar por décadas. A maior parte das Forças Armadas da Venezuela se
concentra perto da fronteira com a Colômbia.
O Brasil não tem nada a ganhar com isso. Os militares brasileiros foram
claros ao rejeitar a presença de soldados americanos na operação de ajuda
humanitária. Também recusaram a proposta delirante e insana do chanceler
Ernesto Araújo de instalar uma base militar dos EUA no Brasil.
Só tem bases
militares americanas países que dependem dos EUA para sua própria defesa.
Se a Rússia instalasse uma base na Venezuela, estaríamos no meio de uma
guerra que não é nossa.
A ajuda humanitária tinha o objetivo de jogar a população desesperada –
mais de 90% não têm dinheiro para alimentar a família – contra Maduro e
fomentar uma divisão nas Forças Armadas, o que poderia provocar uma guerra
civil. Mas não houve a deserção em massa esperada pela oposição venezuelana e
os EUA. Para comprar a lealdade ao regime, a Venezuela tem hoje 2 mil generais.
Durante o governo Chávez, os militares ocupavam 200 a 300 cargos no
governo venezuelano. Hoje, são mais de mil. Além disso, as milícias chavistas,
os coletivos, teriam cerca de 500 mil
homens dispostos a defender o regime. Os índios mortos na fronteira com o Brasil foram assassinados pelas milícias
chavistas e não pela Guarda Nacional Bolivariana.
Tradicionalmente, a política externa brasileira é pacifista e legalista.
Defende a solução negociada dos conflitos internacionais. Mas os organismos
regionais, como a Unasul, fracassaram diante da crise venezuelana, abrindo
espaço para a interferência dos EUA.
O governo paralelo de Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional,
eleita em dezembro de 2015 nas últimas eleições democráticas na Venezuela, tem
o apoio de 52 países, inclusive a maioria da América Latina e 16 dos 28 membros
da União Europeia. Estão fora os governos de ultradireita da Itália, Hungria e
Polônia, justamente os preferidos por nosso obscuro chanceler.
Ao se aliar aos EUA, o governo Bolsonaro abdica do papel de mediador
que caberia ao Brasil como líder natural da América do Sul. Resta manter a
articulação com os países que apoiam Guaidó mas são contra a intervenção
militar e aguardar o colapso inevitável da economia venezuelana, com enorme
risco de guerra civil.
Como disse o embaixador Rubens Ricupero em entrevista recente à GloboNews, a
segurança da Venezuela é feita com a colaboração de assessores cubanos. O
próprio Maduro foi indicado por Fidel, quando Chávez hesitava entre ele e Diosdado
Cabello, hoje presidente da Assembleia Constituinte convocada por Maduro para
usurpar o poder da Assembleia Nacional dominada pela oposição.
“São bolcheviques”, observou Ricupero, “e bolcheviques não entregam o
poder sem luta.”
A pressão de Trump e Bolsonaro visa a provocar uma cisão nas forças que apoiam o regime chavista e um golpe contra Maduro.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019
Grupo de Lima denuncia Maduro por crimes contra a humanidade
O Grupo de Lima, formado por países da América Latina e o Canadá, pediu hoje ao Tribunal Penal Internacional que abra processo contra o ditador Nicolás Maduro por "crimes contra a humanidade" levando "em consideração a grave situação da Venezuela e a negação do acesso à ajuda humanitária".
A resolução foi aprovada no fim de uma reunião realizada hoje em Bogotá, a capital da Colômbia, em que o Grupo de Lima rejeitou a possibilidade de intervenção militar no país vizinho.
No mesmo encontro, o ministro do Exterior colombiano, Carlos Holmes Trujillo, afirmou que o presidente da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, está sofrendo ameaças da ditadura de Maduro.
"Temos informações de que existem ameaças sérias e confiáveis a Juan Guaidó, sua mulher e seus parentes", declarou Trujillo. "Qualquer ação violenta contra Guaidó obrigará o Grupo de Lima a reagir coletivamente, recorrendo a todos os mecanismos legais e políticos."
A resolução foi aprovada no fim de uma reunião realizada hoje em Bogotá, a capital da Colômbia, em que o Grupo de Lima rejeitou a possibilidade de intervenção militar no país vizinho.
No mesmo encontro, o ministro do Exterior colombiano, Carlos Holmes Trujillo, afirmou que o presidente da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, está sofrendo ameaças da ditadura de Maduro.
"Temos informações de que existem ameaças sérias e confiáveis a Juan Guaidó, sua mulher e seus parentes", declarou Trujillo. "Qualquer ação violenta contra Guaidó obrigará o Grupo de Lima a reagir coletivamente, recorrendo a todos os mecanismos legais e políticos."
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019
Marrocos abandona coalizão saudita na guerra civil do Iêmen
O reino do Marrocos não vai mais participar as operações militares da aliança liderada pela Arábia Saudita na guerra civil do Iêmen, noticiou ontem a agência Associated Press (AP), citando como fonte um alto funcionário marroquino.
A saída do Marrocos não representa uma grande perda de capacidade militar para a aliança saudita, mas revela a dificuldade para manter o apoio diplomático à intervenção iniciada em 25 de março de 2015 em apoio ao governo deposto do Iêmen na luta contra os rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã.
O Marrocos participa desde o início da intervenção, mas reduz sua participação gradualmente, em especial desde que a Arábia Saudita decidiu isolar o emirado do Catar dentro do Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico, que reúne as grandes monarquias petroleiras da região.
A intervenção militar saudita é considerada desastrosa. Não conseguiu retomar a capital iemenita, Saná, ocupada pelos rebeldes desde setembro de 2014, nem restaurar a legitimidade do presidente Abed Rabbo Mansur Hadi. O bloqueio de meses ao porto de Hodeida provocou uma grande fome nas áreas dominadas pelos rebeldes.
A saída do Marrocos não representa uma grande perda de capacidade militar para a aliança saudita, mas revela a dificuldade para manter o apoio diplomático à intervenção iniciada em 25 de março de 2015 em apoio ao governo deposto do Iêmen na luta contra os rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã.
O Marrocos participa desde o início da intervenção, mas reduz sua participação gradualmente, em especial desde que a Arábia Saudita decidiu isolar o emirado do Catar dentro do Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico, que reúne as grandes monarquias petroleiras da região.
A intervenção militar saudita é considerada desastrosa. Não conseguiu retomar a capital iemenita, Saná, ocupada pelos rebeldes desde setembro de 2014, nem restaurar a legitimidade do presidente Abed Rabbo Mansur Hadi. O bloqueio de meses ao porto de Hodeida provocou uma grande fome nas áreas dominadas pelos rebeldes.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019
Maioria da UE reconhece Guaidó como presidente da Venezuela
Dezesseis países da União Europeia - Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Holanda, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Portugal, Reino Unido, República Tcheca e Suécia - reconheceram hoje o presidente da Assembleia Nacional, deputado Juan Guaidó, como presidente interino da Venezuela depois que o ditador Nicolás Maduro se negou a convocar uma nova eleição presidencial.
Maduro está cada vez mais isolado. Os Estados Unidos, o Canadá e 12 países latino-americanos, inclusive o Brasil, também reconheceram Guaidó. O ditador só tem o apoio da China, da Rússia, da Turquia, da Bolívia, de Cuba, da Nicarágua e de El Salvador, onde a esquerdista Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) acaba de sofrer uma derrota fragorosa na eleição presidencial.
O presidente interino deu entrevista a um jornal da China, onde toda a imprensa é controlada pelo Partido Comunista. É um sinal de que o maior credor da Venezuela pode retirar o apoio a Maduro em troca do cumprimento pelo futuro governo dos contratos firmados pelo regime chavista, estimados em US$ 30 bilhões.
A base de sustentação de Maduro, as Forças Armadas da Venezuela, permanece firme, apesar dos apelos da oposição e de outros países. Sem uma divisão interna, o regime não cai.
Em Madri, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, comentou que Guiadó tem uma tarefa clara a cumprir: convocar uma eleição presidencial livre e democrática. O ministro do Exterior britânico, Jeremy Hunt, e o presidente francês, Emmanuel Macron, reforçaram esta ideia, a proposta central da Europa.
"Os venezuelanos têm o direito de se expressar livre e democraticamente. A França reconhece Guaidó como presidente interino para implementar um processo eleitoral", escreveu Macron no Twitter.
Durante viagem ao Japão, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, declarou que Guaidó é o "presidente interino legítimo da Venezuela". A ministra do Exterior da Suécia, Margot Wallstrom, justificou a decisão alegando que a reeleição da Maduro não foi "uma eleição livre e justa".
"Não aceitamos ultimato de ninguém", reagiu Maduro, apegando-se à ameaça de intervenção militar dos EUA para reduzir tudo a uma conspiração americana: "Os EUA querem voltar ao século 20 de golpes militares, governos fantoches e saques de recursos."
Maduro está cada vez mais isolado. Os Estados Unidos, o Canadá e 12 países latino-americanos, inclusive o Brasil, também reconheceram Guaidó. O ditador só tem o apoio da China, da Rússia, da Turquia, da Bolívia, de Cuba, da Nicarágua e de El Salvador, onde a esquerdista Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) acaba de sofrer uma derrota fragorosa na eleição presidencial.
O presidente interino deu entrevista a um jornal da China, onde toda a imprensa é controlada pelo Partido Comunista. É um sinal de que o maior credor da Venezuela pode retirar o apoio a Maduro em troca do cumprimento pelo futuro governo dos contratos firmados pelo regime chavista, estimados em US$ 30 bilhões.
A base de sustentação de Maduro, as Forças Armadas da Venezuela, permanece firme, apesar dos apelos da oposição e de outros países. Sem uma divisão interna, o regime não cai.
Em Madri, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, comentou que Guiadó tem uma tarefa clara a cumprir: convocar uma eleição presidencial livre e democrática. O ministro do Exterior britânico, Jeremy Hunt, e o presidente francês, Emmanuel Macron, reforçaram esta ideia, a proposta central da Europa.
"Os venezuelanos têm o direito de se expressar livre e democraticamente. A França reconhece Guaidó como presidente interino para implementar um processo eleitoral", escreveu Macron no Twitter.
Durante viagem ao Japão, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, declarou que Guaidó é o "presidente interino legítimo da Venezuela". A ministra do Exterior da Suécia, Margot Wallstrom, justificou a decisão alegando que a reeleição da Maduro não foi "uma eleição livre e justa".
"Não aceitamos ultimato de ninguém", reagiu Maduro, apegando-se à ameaça de intervenção militar dos EUA para reduzir tudo a uma conspiração americana: "Os EUA querem voltar ao século 20 de golpes militares, governos fantoches e saques de recursos."
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quarta-feira, 3 de outubro de 2018
Iraque tem novo presidente próximo dos EUA e do Irã
Por 219 a 22, a Assembleia Nacional do Iraque elegeu ontem Barham Salih como oitavo presidente da história do país. Adel Abdul Mahdi foi nomeado primeiro-ministro e encarregado de formar um governo. O Iraque não tem governo desde as eleições de maio.
Salih, um curdo de 58 anos, veterano da política iraquiana, próximo dos Estados Unidos e do Irã, prometeu "defender a unidade e a segurança do Iraque" no ato de posse. O cargo é cerimonial. Quem manda de fato é o primeiro-ministro. Para isso, precisa formar um governo.
No novo regime criado pelos Estados Unidos depois da intervenção militar para derrubar o ditador Saddam Hussein, em 2003, o presidente é curdo, o primeiro-ministro é xiita e o presidente do parlamento é sunita.
Pela primeira vez, os dois grandes partidos curdos, o Partido Democrático do Curdistão (PDK) e a União Patriótica do Curdistão (UPK), não chegaram a um acordo para apresentar um candidato único.
Foi "a nona crise política a atingir Bagdá desde as eleições de maio", observou o boletim de notícias Arab News.
O presidente era o candidato do UPK e Fuad Hussein do PDK. Hussein acabou desistindo. A votação foi realizada assim mesmo, resultando na vitória de Salih por 219 a 22 votos.
Salih, um curdo de 58 anos, veterano da política iraquiana, próximo dos Estados Unidos e do Irã, prometeu "defender a unidade e a segurança do Iraque" no ato de posse. O cargo é cerimonial. Quem manda de fato é o primeiro-ministro. Para isso, precisa formar um governo.
No novo regime criado pelos Estados Unidos depois da intervenção militar para derrubar o ditador Saddam Hussein, em 2003, o presidente é curdo, o primeiro-ministro é xiita e o presidente do parlamento é sunita.
Pela primeira vez, os dois grandes partidos curdos, o Partido Democrático do Curdistão (PDK) e a União Patriótica do Curdistão (UPK), não chegaram a um acordo para apresentar um candidato único.
Foi "a nona crise política a atingir Bagdá desde as eleições de maio", observou o boletim de notícias Arab News.
O presidente era o candidato do UPK e Fuad Hussein do PDK. Hussein acabou desistindo. A votação foi realizada assim mesmo, resultando na vitória de Salih por 219 a 22 votos.
quinta-feira, 7 de junho de 2018
Parlamento da Ucrânia aprova lei anticorrupção
Sob pressão do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Parlamento da Ucrânia aprovou hoje uma lei para criar um tribunal independente para julgar os crimes de corrupção no país, noticiou o jornal Financial Times.
A nova lei era uma exigência do FMI para liberar uma ajuda financeira à ex-república soviética no valor de US$ 17,5 bilhões. Mas é também uma aspiração do povo ucraniano, que saiu às ruas em outubro de 2017 para cobrar a abertura de investigações sobre corrupção.
Cerca de 3 mil manifestantes aderiram, criando um clima semelhante ao da Revolução da Praça Maidan, que derrubou o presidente Viktor Yanukovich, em fevereiro de 2014, deflagrando a intervenção militar da Rússia, a anexação da Crimeia, em março, e o início, em abril, de uma guerra civil que matou mais de 10 mil pessoas no Leste da Ucrânia e ainda não acabou.
O governo Porochenko não quis ver a história se repetir.
A nova lei era uma exigência do FMI para liberar uma ajuda financeira à ex-república soviética no valor de US$ 17,5 bilhões. Mas é também uma aspiração do povo ucraniano, que saiu às ruas em outubro de 2017 para cobrar a abertura de investigações sobre corrupção.
Cerca de 3 mil manifestantes aderiram, criando um clima semelhante ao da Revolução da Praça Maidan, que derrubou o presidente Viktor Yanukovich, em fevereiro de 2014, deflagrando a intervenção militar da Rússia, a anexação da Crimeia, em março, e o início, em abril, de uma guerra civil que matou mais de 10 mil pessoas no Leste da Ucrânia e ainda não acabou.
O governo Porochenko não quis ver a história se repetir.
terça-feira, 29 de maio de 2018
Polônia quer base militar dos EUA para se proteger da Rússia
O ministro da Defesa da Polônia, Mariusz Blaszczak, confirmou ontem que o país negocia com os Estados Unidos a instalação de bases militares permanentes para evitar uma agressão da Rússia, noticiaram a Rádio Liberdade e a Rádio Europa Livre.
A Polônia se propõe a investir US$ 2 bilhões para ajudar a construir a infraestrutura necessária para instalar a base. Desde a campanha, o presidente Donald Trump se queixa de que os sócios europeus da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) não gastam o acertado dentro da aliança.
Com o fim da Guerra Fria e a ampliação da OTAN até a fronteira da Rússia, os EUA ajudaram os novos aliados da Europa Oriental nos setores de economia, energia e defesa.
A Polônia acelerou a modernização das Forças Armadas a partir de 2014, quando a Rússia interveio militarmente na ex-república soviética da Ucrânia, anexou a península da Crimeia e fomentou uma guerra civil no Leste do país.
A Polônia se propõe a investir US$ 2 bilhões para ajudar a construir a infraestrutura necessária para instalar a base. Desde a campanha, o presidente Donald Trump se queixa de que os sócios europeus da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) não gastam o acertado dentro da aliança.
Com o fim da Guerra Fria e a ampliação da OTAN até a fronteira da Rússia, os EUA ajudaram os novos aliados da Europa Oriental nos setores de economia, energia e defesa.
A Polônia acelerou a modernização das Forças Armadas a partir de 2014, quando a Rússia interveio militarmente na ex-república soviética da Ucrânia, anexou a península da Crimeia e fomentou uma guerra civil no Leste do país.
terça-feira, 20 de março de 2018
Sarkozy é preso sob suspeita receber dinheiro de Kadafi para eleição de 2007
O ex-presidente Nicolas Sarkozy foi preso hoje de manhã para ser interrogado no inquérito sobre um suposto financiamento ilegal que teria recebido do ditador da Líbia, Muamar Kadafi, para a eleição de 2007. Ele passa a noite numa delegacia de polícia de Nanterre. Pode ficar detido por até 48 horas.
Em março de 2011, quando as Nações Unidas autorizaram uma intervenção militar na Líbia para impedir Kadafi de massacrar os rebeldes cercados em Bengázi, em meio a uma rebelião da chamada Primavera Árabe, o ditador declarou à mídia francesa que Sarkozy lhe devia a eleição porque ele dera 50 milhões de euros (R$ 200 milhões pela cotação de hoje) à campanha eleitoral do presidente da França.
Na época, o limite de gastos de uma campanha presidencial na França era de 21 milhões de euros (R$ 82 milhões). O caso está sob investigação desde 2013.
Sarkozy é ouvido pela primeira vez neste caso semanas depois da prisão, em Londres, de seu ex-assessor Alexandre Djouhri. Em novembro de 2016, um empresário franco-libanês confessou ter levado três malas cheias de dinheiro da Líbia para o diretor da campanha de Sarkozy, Claude Guéant.
Em entrevista ao sítio de notícias Mediapart, Ziad Takieddine revelou ter feito três viagens da capital líbia, Trípoli, a Paris. Em cada viagem, carregou uma mala com 1,5 a 2 milhões em notas de 200 e 500 euros. Ele disse ter recebido o dinheiro do chefe do serviço secreto militar de Kadafi, Abdallah Senussi.
O ex-presidente chamou Takieddine de "mentiroso" e "condenado inúmeras vezes por difamação". Sarkozy governou a França de 2007 a 2012, quando perdeu a reeleição para o socialista François Hollande. Pouco depois da posse, convidou o ditador líbio para uma visita de Estado.
Durante a guerra civil na Líbia, temendo massacres e uma fuga em massa de refugiados pelo Mar Mediterrâneo, Sarkozy articulou com os Estados Unidos e o Reino Unido uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e de países árabes.
Essa intervenção foi decisiva para a queda e morte de Kadafi, em 2011. Não houve uma missão internacional de paz da ONU. Até hoje, a Líbia está em estado de anarquia, com governos paralelos e milícias rivais lutando pelo poder.
Em 2016, Sarkozy ficou em terceiro lugar nas eleições prévias do partido gaullista, conservador, de centro-direita, que hoje se chama Os Republicanos e perdeu muitos eleitores e deputados com a ascensão do presidente Emmanuel Macron e sua República em Marcha.
Em março de 2011, quando as Nações Unidas autorizaram uma intervenção militar na Líbia para impedir Kadafi de massacrar os rebeldes cercados em Bengázi, em meio a uma rebelião da chamada Primavera Árabe, o ditador declarou à mídia francesa que Sarkozy lhe devia a eleição porque ele dera 50 milhões de euros (R$ 200 milhões pela cotação de hoje) à campanha eleitoral do presidente da França.
Na época, o limite de gastos de uma campanha presidencial na França era de 21 milhões de euros (R$ 82 milhões). O caso está sob investigação desde 2013.
Sarkozy é ouvido pela primeira vez neste caso semanas depois da prisão, em Londres, de seu ex-assessor Alexandre Djouhri. Em novembro de 2016, um empresário franco-libanês confessou ter levado três malas cheias de dinheiro da Líbia para o diretor da campanha de Sarkozy, Claude Guéant.
Em entrevista ao sítio de notícias Mediapart, Ziad Takieddine revelou ter feito três viagens da capital líbia, Trípoli, a Paris. Em cada viagem, carregou uma mala com 1,5 a 2 milhões em notas de 200 e 500 euros. Ele disse ter recebido o dinheiro do chefe do serviço secreto militar de Kadafi, Abdallah Senussi.
O ex-presidente chamou Takieddine de "mentiroso" e "condenado inúmeras vezes por difamação". Sarkozy governou a França de 2007 a 2012, quando perdeu a reeleição para o socialista François Hollande. Pouco depois da posse, convidou o ditador líbio para uma visita de Estado.
Durante a guerra civil na Líbia, temendo massacres e uma fuga em massa de refugiados pelo Mar Mediterrâneo, Sarkozy articulou com os Estados Unidos e o Reino Unido uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e de países árabes.
Essa intervenção foi decisiva para a queda e morte de Kadafi, em 2011. Não houve uma missão internacional de paz da ONU. Até hoje, a Líbia está em estado de anarquia, com governos paralelos e milícias rivais lutando pelo poder.
Em 2016, Sarkozy ficou em terceiro lugar nas eleições prévias do partido gaullista, conservador, de centro-direita, que hoje se chama Os Republicanos e perdeu muitos eleitores e deputados com a ascensão do presidente Emmanuel Macron e sua República em Marcha.
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sábado, 24 de fevereiro de 2018
Ataque da Síria e da Rússia matou mais de 500 pessoas em Guta
Com novos bombardeios das forças áereas da Síria e da Rússia, o total de mortos depois de sete dias de ataques ao enclave rebelde de Guta Oriental passou de 500, sendo mais de 120 crianças, informou hoje o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental de oposição com sede em Londres que monitora a guerra civil no país, noticiou a televisão pública britânica BBC.
Só hoje pelo menos 29 civis foram mortos na região, sendo 17 na principal cidade, Duma. A Rússia, que intervém militarmente no conflito desde 30 de setembro de 2015 em apoio à ditadura de Bachar Assad, nega participação direta no bombardeio a Guta Oriental, o último reduto rebelde na região de Damasco, a capital da Síria.
Em Nova York, por unanimidade, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma resolução exigindo um cessar-fogo imediato de 30 dias para permitir o acesso de ajuda humanitária.
Por iniciativa da Rússia, foram excluídas da trégua a organização terrorista Estado Islâmico e as três milícias jihadistas que controlam Guta Oriental: Jaish al-Islam (Exército do Islã), Faylaq al-Rahman (Legião de al-Rahman) e Hayat Tahrir al-Sham (Organização ou Comitê para a Libertação do Levante), uma aliança da qual faz parte a antiga Frente al-Nusra, braço da rede terrorista al Caeda no conflito sírio.
Esta exclusão permitiria a continuação da ofensiva da ditadura de Bachar Assad para desalojar os rebeldes de Guta Oriental, cercada por forças governistas e milícias aliadas desde 2013, quando um ataque com armas químicas matou 1.729 pessoas. Pode tornar inócua mais uma resolução da ONU.
Na propaganda oficial, as forças sírias e aliados estão "libertando" Guta Oriental do controle de "terroristas", como a ditadura de Assad chama todos os seus inimigos. Com a intervenção militar russa e o fim do Estado Islâmico, atacado também pelos Estados Unidos e aliados, o regime sírio reassumiu o controle sobre a maior parte do território do país e tenta acabar com os últimos redutos rebeldes.
Cerca de 500 mil pessoas foram mortas na guerra civil síria, que completa sete anos em março. Doze milhões, mais da metade da população, fugiram de suas casas e 5 milhões saíram do país. Daqui a 15 dias, o Conselho de Segurança da ONU deve avaliar a aplicação do cessar-fogo.
Só hoje pelo menos 29 civis foram mortos na região, sendo 17 na principal cidade, Duma. A Rússia, que intervém militarmente no conflito desde 30 de setembro de 2015 em apoio à ditadura de Bachar Assad, nega participação direta no bombardeio a Guta Oriental, o último reduto rebelde na região de Damasco, a capital da Síria.
Em Nova York, por unanimidade, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma resolução exigindo um cessar-fogo imediato de 30 dias para permitir o acesso de ajuda humanitária.
Por iniciativa da Rússia, foram excluídas da trégua a organização terrorista Estado Islâmico e as três milícias jihadistas que controlam Guta Oriental: Jaish al-Islam (Exército do Islã), Faylaq al-Rahman (Legião de al-Rahman) e Hayat Tahrir al-Sham (Organização ou Comitê para a Libertação do Levante), uma aliança da qual faz parte a antiga Frente al-Nusra, braço da rede terrorista al Caeda no conflito sírio.
Esta exclusão permitiria a continuação da ofensiva da ditadura de Bachar Assad para desalojar os rebeldes de Guta Oriental, cercada por forças governistas e milícias aliadas desde 2013, quando um ataque com armas químicas matou 1.729 pessoas. Pode tornar inócua mais uma resolução da ONU.
Na propaganda oficial, as forças sírias e aliados estão "libertando" Guta Oriental do controle de "terroristas", como a ditadura de Assad chama todos os seus inimigos. Com a intervenção militar russa e o fim do Estado Islâmico, atacado também pelos Estados Unidos e aliados, o regime sírio reassumiu o controle sobre a maior parte do território do país e tenta acabar com os últimos redutos rebeldes.
Cerca de 500 mil pessoas foram mortas na guerra civil síria, que completa sete anos em março. Doze milhões, mais da metade da população, fugiram de suas casas e 5 milhões saíram do país. Daqui a 15 dias, o Conselho de Segurança da ONU deve avaliar a aplicação do cessar-fogo.
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sábado, 3 de fevereiro de 2018
Rebeldes ligados a Al Caeda derrubam avião da Rússia na Síria
A Rússia perdeu hoje seu primeiro avião de combate desde que entrou guerra civil da Síria, em 30 de setembro de 2015, em apoio à ditadura de Bachar Assad. O Comitê pela Libertação do Levante (Hayat Tahrir al-Sham), formado pela fusão de vários grupos jihadistas, inclusive a antiga Frente al-Nusra, braço armado da rede terrorista al Caeda no conflito sírio, disparou um míssil antiaéreo que abateu o Sukhoi-25. O piloto saltou de paraquedas, mas foi morto em terra pelos rebeldes.
O apoio russo foi decisivo para que o regime sírio passasse a ganhar a guerra e retomasse a maior parte do território do país, mas há bolsões de resistência, além da área dominada pela milícia árabe-curda que combate a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante com o apoio dos Estados Unidos.
A cidade de Sarakebe, na província de Idlibe, está há dias sob intenso bombardeio das forças aéreas da Rússia e da Síria, numa tentativa de reassumir o controle total sobre a estrada Damasco-Alepo. A organização de defesa civil Capacetes Brancos registrou pelo menos 25 ataques aéreos na região.
Um bombardeio matou pelo menos 16 pessoas num mercado público. O hospital da cidade também foi atacado, um crime de guerra cometido sistematicamente pela ditadura de Assad e seus aliados russos.
"O comandante do Batalhão de Defesa Aérea do HTS conseguiu derrubar um avião militar com um sistema portátil de defesa antiaérea nos céus de Sarakebe, no interior da província de Idlibe, no fim da tarde de hoje", declarou o grupo em comunicado. Depois que o Su-25 foi abatido, a Rússia intensificou o bombardeio e anunciou ter matado mais de 30 jihadistas
Em Moscou, o Ministério da Defesa e a agência de notícias Interfax confirmaram a notícia. Os mísseis antiaéreos portáteis foram decisivos para a vitória dos rebeldes muçulmanos que derrotaram a invasão soviética no Afeganistão.
Hoje a porta-voz do Departamento de Estado americano, Heather Nauert, afirmou em Washington que os EUA não forneceram este tipo de mísseis aos rebeldes jihadistas na Síria. Desde o governo Obama, os EUA temem que essas armas caiam em mãos de extremistas muçulmanos.
O abate do avião gera uma tensão entre a Rússia e a Turquia, que estaria supervisionando o cessar-fogo de grupos jihadistas dentro das negociações de paz lideradas pelo governo russo realizadas em Astana, a capital da ex-república soviética do Casaquistão.
O apoio russo foi decisivo para que o regime sírio passasse a ganhar a guerra e retomasse a maior parte do território do país, mas há bolsões de resistência, além da área dominada pela milícia árabe-curda que combate a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante com o apoio dos Estados Unidos.
A cidade de Sarakebe, na província de Idlibe, está há dias sob intenso bombardeio das forças aéreas da Rússia e da Síria, numa tentativa de reassumir o controle total sobre a estrada Damasco-Alepo. A organização de defesa civil Capacetes Brancos registrou pelo menos 25 ataques aéreos na região.
Um bombardeio matou pelo menos 16 pessoas num mercado público. O hospital da cidade também foi atacado, um crime de guerra cometido sistematicamente pela ditadura de Assad e seus aliados russos.
"O comandante do Batalhão de Defesa Aérea do HTS conseguiu derrubar um avião militar com um sistema portátil de defesa antiaérea nos céus de Sarakebe, no interior da província de Idlibe, no fim da tarde de hoje", declarou o grupo em comunicado. Depois que o Su-25 foi abatido, a Rússia intensificou o bombardeio e anunciou ter matado mais de 30 jihadistas
Em Moscou, o Ministério da Defesa e a agência de notícias Interfax confirmaram a notícia. Os mísseis antiaéreos portáteis foram decisivos para a vitória dos rebeldes muçulmanos que derrotaram a invasão soviética no Afeganistão.
Hoje a porta-voz do Departamento de Estado americano, Heather Nauert, afirmou em Washington que os EUA não forneceram este tipo de mísseis aos rebeldes jihadistas na Síria. Desde o governo Obama, os EUA temem que essas armas caiam em mãos de extremistas muçulmanos.
O abate do avião gera uma tensão entre a Rússia e a Turquia, que estaria supervisionando o cessar-fogo de grupos jihadistas dentro das negociações de paz lideradas pelo governo russo realizadas em Astana, a capital da ex-república soviética do Casaquistão.
segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
Rebeldes hutis matam ex-ditador do Iêmen
O ex-ditador Ali Abdullah Saleh, que mandou no Iêmen de 1978 até cair na Primavera Árabe, em fevereiro de 2012, foi morto hoje em Saná, a capital do país, pelos rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã, que dias atrás eram seus aliados.
Saleh foi eleito presidente do antigo Iêmen do Norte, em 1978, e foi o principal responsável unificação do mais pobre entre os países árabes, em 1990, unindo o Iêmen do Norte, tribal, ligado à Arábia Saudita, ao Iêmen do Sul, que foi a única república socialista árabe.. Depois de sua queda, os hutis aproveitaram a situação caótica e ocuparam a capital iemenita em setembro de 2014.
Em 21 de janeiro de 2015, o presidente Abed Rabbo Mansur Hadi foi o obrigado a renunciar pelos hutis. Ele conseguiu fugir da prisão domiciliar no mês seguinte e foi para o porto de Áden, a antiga capital do Iêmen do Sul, onde chegou em 21 de fevereiro, para organizar a resistência.
Quando o Supremo Comitê Revolucionário dos hutis consolidou o poder em Saná, em 21 de março de 2015, convocou uma mobilização geral para derrubar Hadi e tomar as outras províncias que não estavam sob seu controle. As forças de Saleh atacaram Áden.
Hadi fugiu para a Arábia Saudita, que intervém militarmente na guerra civil do Iêmen desde 25 de março de 2015, principalmente com bombardeios aéreos, mas também com forças terrestres, junto com outros países árabes.
Entre os aliados na coalizão saudita, estão Egito, Marrocos, Jordânia, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Sudão. A Eritreia, Djibúti e a Somália abriram seu espaço aéreo à aliança, apoiada pelos Estados Unidos, que faziam ataque de drones no país contra a rede terrorista Al Caeda na Península Arábica até sair por razões de segurança. O grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante também se infiltrou no caos do Iêmen.
A intervenção faz parte da estratégia da Arábia Saudita e seus aliados majoritariamente sunitas para conter a expansão do Irã, xiita, reforçada com a ascensão do príncipe herdeiro Mohamed ben Salman a homem-forte do reino. Com a queda do ditador sunita Saddam Hussein e a ascensão da maioria xiita ao poder no Iraque, e a intervenção militar iraniana em apoio ao ditador Bachar Assad na Síria, consolida-se um crescente xiita, que vai ao Irã até o Mar Mediterrâneo.
Em 2 de dezembro, Saleh anunciou a ruptura da aliança com os hutis e aderiu à coalizão saudita que tenta reinstalar Hadi no poder em Saná. Até ontem, pelo menos cem pessoas haviam sido mortas em combates entre as forças leais a Saleh e os hutis. Sua casa estava cercada. Ele foi morto quando tentava fugir em meio à batalha.
"Saleh calculou mal sua jogada? Os sauditas e os EAU cantaram a vitória cedo demais?", perguntava ontem um analista da televisão catarina especializada em notícias Al Jazira. "Os hutis sabiam que mais cedo ou mais tarde Saleh iria se voltar contra eles. Estavam bem preparados para este momento e prontos a reagir", observou o sociólogo iemenita Baki Chamsan, professor da Universidade de Áden.
Nas redes sociais, circulam fotos de Saleh ao lado dos outros ditadores derrubados na Primavera Árabe: Zine Abidine ben Ali, da Tunísia; Hosni Mubarak, do Egito; e Muamar Kadafi, da Líbia. A maioria não lamentou: "Ele morreu como reinou durante quase 40 anos no Iêmen, na base da astúcia e da traição permanente", criticou o comentarista iemenita Khaled al-Ansi, na Al Jazira.
"Morte de Saleh, caos, ameaças na região, ingerência iraniana, tudo por causa da recusa em seguir o curso da história, de rejeitar a Primavera Árabe, de negar o direito dos povos à liberdade. Se a Arábia Saudita houve apoiado a Primavera Árabe, em 2011...", analisou o jornalista saudita exilado Khaled Kashoggi.
"Com todas as minhas desculpas aos mártires da revolução, não nos consola o fato de que ele fosse morto desta maneira, assassinado pelos hutis", lamentou no Twitter o jornalista iemenita Wassim al-Querchi. "Ele prestou um serviço ao país antes de morrer, ao corrigir o erro de sua aliança com os hutis."
Mais radical e esperançoso, o intelectual Mohamed Mokhtar al-Chinguiti, da Mauritânia, vê "um novo capítulo da Primavera Árabe. Saleh morreu seis anos depois de Kadafi. O livro da Primavera Árabe continua a surpreender o mundo. Ele continuará a ser escrito com letras vermelhas até que os povos árabes tenham liberdade e dignidade."
Mais de 10 mil pessoas foram mortas na guerra civil do Iêmen, talvez o conflito mais brutal hoje no mundo à medida que a guerra civil na Síria parece mais perto do fim, estima o Conselho de Relações Exteriores dos EUA. Cerca de 2,9 milhões fugiram de casa e 17 milhões sofrem de insegurança alimentar. O cerco saudita a áreas dominadas pelos rebeldes está causando fome em massa.
Saleh foi eleito presidente do antigo Iêmen do Norte, em 1978, e foi o principal responsável unificação do mais pobre entre os países árabes, em 1990, unindo o Iêmen do Norte, tribal, ligado à Arábia Saudita, ao Iêmen do Sul, que foi a única república socialista árabe.. Depois de sua queda, os hutis aproveitaram a situação caótica e ocuparam a capital iemenita em setembro de 2014.
Em 21 de janeiro de 2015, o presidente Abed Rabbo Mansur Hadi foi o obrigado a renunciar pelos hutis. Ele conseguiu fugir da prisão domiciliar no mês seguinte e foi para o porto de Áden, a antiga capital do Iêmen do Sul, onde chegou em 21 de fevereiro, para organizar a resistência.
Quando o Supremo Comitê Revolucionário dos hutis consolidou o poder em Saná, em 21 de março de 2015, convocou uma mobilização geral para derrubar Hadi e tomar as outras províncias que não estavam sob seu controle. As forças de Saleh atacaram Áden.
Hadi fugiu para a Arábia Saudita, que intervém militarmente na guerra civil do Iêmen desde 25 de março de 2015, principalmente com bombardeios aéreos, mas também com forças terrestres, junto com outros países árabes.
Entre os aliados na coalizão saudita, estão Egito, Marrocos, Jordânia, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Sudão. A Eritreia, Djibúti e a Somália abriram seu espaço aéreo à aliança, apoiada pelos Estados Unidos, que faziam ataque de drones no país contra a rede terrorista Al Caeda na Península Arábica até sair por razões de segurança. O grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante também se infiltrou no caos do Iêmen.
A intervenção faz parte da estratégia da Arábia Saudita e seus aliados majoritariamente sunitas para conter a expansão do Irã, xiita, reforçada com a ascensão do príncipe herdeiro Mohamed ben Salman a homem-forte do reino. Com a queda do ditador sunita Saddam Hussein e a ascensão da maioria xiita ao poder no Iraque, e a intervenção militar iraniana em apoio ao ditador Bachar Assad na Síria, consolida-se um crescente xiita, que vai ao Irã até o Mar Mediterrâneo.
Em 2 de dezembro, Saleh anunciou a ruptura da aliança com os hutis e aderiu à coalizão saudita que tenta reinstalar Hadi no poder em Saná. Até ontem, pelo menos cem pessoas haviam sido mortas em combates entre as forças leais a Saleh e os hutis. Sua casa estava cercada. Ele foi morto quando tentava fugir em meio à batalha.
"Saleh calculou mal sua jogada? Os sauditas e os EAU cantaram a vitória cedo demais?", perguntava ontem um analista da televisão catarina especializada em notícias Al Jazira. "Os hutis sabiam que mais cedo ou mais tarde Saleh iria se voltar contra eles. Estavam bem preparados para este momento e prontos a reagir", observou o sociólogo iemenita Baki Chamsan, professor da Universidade de Áden.
Nas redes sociais, circulam fotos de Saleh ao lado dos outros ditadores derrubados na Primavera Árabe: Zine Abidine ben Ali, da Tunísia; Hosni Mubarak, do Egito; e Muamar Kadafi, da Líbia. A maioria não lamentou: "Ele morreu como reinou durante quase 40 anos no Iêmen, na base da astúcia e da traição permanente", criticou o comentarista iemenita Khaled al-Ansi, na Al Jazira.
"Morte de Saleh, caos, ameaças na região, ingerência iraniana, tudo por causa da recusa em seguir o curso da história, de rejeitar a Primavera Árabe, de negar o direito dos povos à liberdade. Se a Arábia Saudita houve apoiado a Primavera Árabe, em 2011...", analisou o jornalista saudita exilado Khaled Kashoggi.
"Com todas as minhas desculpas aos mártires da revolução, não nos consola o fato de que ele fosse morto desta maneira, assassinado pelos hutis", lamentou no Twitter o jornalista iemenita Wassim al-Querchi. "Ele prestou um serviço ao país antes de morrer, ao corrigir o erro de sua aliança com os hutis."
Mais radical e esperançoso, o intelectual Mohamed Mokhtar al-Chinguiti, da Mauritânia, vê "um novo capítulo da Primavera Árabe. Saleh morreu seis anos depois de Kadafi. O livro da Primavera Árabe continua a surpreender o mundo. Ele continuará a ser escrito com letras vermelhas até que os povos árabes tenham liberdade e dignidade."
Mais de 10 mil pessoas foram mortas na guerra civil do Iêmen, talvez o conflito mais brutal hoje no mundo à medida que a guerra civil na Síria parece mais perto do fim, estima o Conselho de Relações Exteriores dos EUA. Cerca de 2,9 milhões fugiram de casa e 17 milhões sofrem de insegurança alimentar. O cerco saudita a áreas dominadas pelos rebeldes está causando fome em massa.
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sexta-feira, 10 de novembro de 2017
Arábia Saudita pede a seus súditos que deixem o Líbano
Em mais um lance de sua guerra indireta contra o Irã, a Arábia Saudita pediu ontem a seus súditos que deixem o Líbano. No sábado passado, durante visita a Riade, a capital saudita, o primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, renunciou denunciando tentativas de assassiná-lo. Ele acusou o Irã e a milícia extremista muçulmana xiita Hesbolá (Partido de Deus), que faz parte do governo do Líbano.
O ministro do Exterior saudita, Adel al-Jubeir, fez um apelo à comunidade internacional em entrevista ao canal americano de notícias econômicas CNBC pela aprovação de "sanções contra o Irã por seu apoio ao terrorismo e por violar resoluções das Nações Unidas sobre mísseis balísticos".
Cinco dias atrás, a defesa antiaérea da Arábia Saudita interceptou um míssil com destino a Riade disparado do Iêmen, onde os rebeldes hutis, xiitas zaiditas sustentados pelo Irã, lutam contra o governo apoiado pelas monarquias petroleiras do Golfo Pérsico. O governo saudita considerou o ataque um "ato de guerra".
Desde 25 de março de 2015, a Arábia Saudita intervém na guerra civil do Iêmen. Sua Força Aérea é acusada de vários ataques com mortes de civis. No momento, os sauditas apoiam um cerco que está causando fome em massa em populações sitiadas.
Al-Jubeir descreveu a situação do Líbano como "desafortunada". Acusou o Hesbolá de "sequestrar o sistema" e de bloquear a ação de Hariri na chefia do governo.
"Devido às circunstâncias na República do Líbano, o reino pede a seus cidadãos que estejam visitando o país ou nele residindo" para saírem o mais rapidamente possível, declarou em nota o Ministério do Exterior saudita.
O ministro do Exterior saudita, Adel al-Jubeir, fez um apelo à comunidade internacional em entrevista ao canal americano de notícias econômicas CNBC pela aprovação de "sanções contra o Irã por seu apoio ao terrorismo e por violar resoluções das Nações Unidas sobre mísseis balísticos".
Cinco dias atrás, a defesa antiaérea da Arábia Saudita interceptou um míssil com destino a Riade disparado do Iêmen, onde os rebeldes hutis, xiitas zaiditas sustentados pelo Irã, lutam contra o governo apoiado pelas monarquias petroleiras do Golfo Pérsico. O governo saudita considerou o ataque um "ato de guerra".
Desde 25 de março de 2015, a Arábia Saudita intervém na guerra civil do Iêmen. Sua Força Aérea é acusada de vários ataques com mortes de civis. No momento, os sauditas apoiam um cerco que está causando fome em massa em populações sitiadas.
Al-Jubeir descreveu a situação do Líbano como "desafortunada". Acusou o Hesbolá de "sequestrar o sistema" e de bloquear a ação de Hariri na chefia do governo.
"Devido às circunstâncias na República do Líbano, o reino pede a seus cidadãos que estejam visitando o país ou nele residindo" para saírem o mais rapidamente possível, declarou em nota o Ministério do Exterior saudita.
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sexta-feira, 11 de agosto de 2017
Trump não descarta intervenção militar na Venezuela
Em uma declaração que ajuda mais o ditador Nicolás Maduro do que a oposição, o presidente Donald Trump admitiu hoje a possibilidade de uma intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela.
Ao falar sobre a crise com a Coreia do Norte em seu clube de golfe em Bedminster, no estado de Nova Jérsei, o presidente americano ameaçou mais uma vez usar a força contra a ditadura comunista norte-coreano e, provocado pelos repórteres, não descartou uma ação militar contra o regime chavista.
"Os EUA têm soldados no mundo inteiro, mas a Venezuela fica perto. É um país vizinho", acrescentou, como quem considera fácil invadir um país da América Latina.
Com sua declaração inconsequente, já que ninguém, a não ser os esquerdistas mais delirantes, imagina uma intervenção militar americana na Venezuela, Trump dá uma força para o Maduro, que culpa o imperialismo pela situação econômica desastrosa criada pelas políticas econômicas do regime chavista e seu "socialismo do século 21", inspirado por Cuba.
Ao falar sobre a crise com a Coreia do Norte em seu clube de golfe em Bedminster, no estado de Nova Jérsei, o presidente americano ameaçou mais uma vez usar a força contra a ditadura comunista norte-coreano e, provocado pelos repórteres, não descartou uma ação militar contra o regime chavista.
"Os EUA têm soldados no mundo inteiro, mas a Venezuela fica perto. É um país vizinho", acrescentou, como quem considera fácil invadir um país da América Latina.
Com sua declaração inconsequente, já que ninguém, a não ser os esquerdistas mais delirantes, imagina uma intervenção militar americana na Venezuela, Trump dá uma força para o Maduro, que culpa o imperialismo pela situação econômica desastrosa criada pelas políticas econômicas do regime chavista e seu "socialismo do século 21", inspirado por Cuba.
sábado, 22 de abril de 2017
Trump não autoriza Exxon a explorar petróleo na Rússia
O governo Donald Trump negou autorização para a companhia de petróleo Exxon Mobil a perfurar poços atrás de petróleo na Rússia, anunciou ontem o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, depois de consultar o presidente.
A Exxon Mobil tinha pedido uma isenção das sanções impostas pelos EUA e a União Europeia à Rússia depois da intervenção militar russa na ex-república soviética da Ucrânia e da anexação da Crimeia, em 2014. Queria retomar uma parceria com a empresa estatal russa Rosneft.
Com a crise na Ucrânia, as relações entre a Rússia e o Ocidente sofreram a maior deterioração desde o fim da Guerra Fria e do desaparecimento da União Soviética, em 1991. Durante a campanha, Trump prometeu melhorar as relações e fazer uma aliança no combate ao terrorismo dos muçulmanos jihadistas. Foi acusado de conluio com a Rússia, que pirateou e divulgou informações negativas sobre a candidata democrata, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton.
O ataque dos EUA à Síria, maior aliada de Moscou no Oriente Médio, em retaliação ao uso de armas químicas, minou esta tentativa de reaproximação. Ao não deixar a Exxon procurar petróleo na Rússia, Trump avaliza as sanções aplicadas pelo governo Barack Obama (2009-17).
Em sociedade com a Rosneft, a Exxon Mobil poderia explorar petróleo no Mar Negro e no Mar Kara, na Sibéria. Os campos de petróleo do Mar Kara são considerados os mais promissores da Rússia no Oceano Ártico.
A Exxon Mobil tinha pedido uma isenção das sanções impostas pelos EUA e a União Europeia à Rússia depois da intervenção militar russa na ex-república soviética da Ucrânia e da anexação da Crimeia, em 2014. Queria retomar uma parceria com a empresa estatal russa Rosneft.
Com a crise na Ucrânia, as relações entre a Rússia e o Ocidente sofreram a maior deterioração desde o fim da Guerra Fria e do desaparecimento da União Soviética, em 1991. Durante a campanha, Trump prometeu melhorar as relações e fazer uma aliança no combate ao terrorismo dos muçulmanos jihadistas. Foi acusado de conluio com a Rússia, que pirateou e divulgou informações negativas sobre a candidata democrata, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton.
O ataque dos EUA à Síria, maior aliada de Moscou no Oriente Médio, em retaliação ao uso de armas químicas, minou esta tentativa de reaproximação. Ao não deixar a Exxon procurar petróleo na Rússia, Trump avaliza as sanções aplicadas pelo governo Barack Obama (2009-17).
Em sociedade com a Rosneft, a Exxon Mobil poderia explorar petróleo no Mar Negro e no Mar Kara, na Sibéria. Os campos de petróleo do Mar Kara são considerados os mais promissores da Rússia no Oceano Ártico.
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terça-feira, 4 de abril de 2017
Ataque químico atribuído ao governo mata cem pessoas na Síria
Um bombardeio aéreo com armas químicas matou pelo menos cem pessoas, inclusive dez crianças, e feriu outras 400 na cidade de Khan Cheikhun, na província de Idlibe, dominada por rebeldes, no Noroeste da Síria, informou a união dos socorristas voluntários que prestam assistência às vítimas.
Os rebeldes acusam a ditadura de Bachar Assad, que atribui as mortes a uma explosão numa indústria química onde os rebeldes produziriam armas químicas. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental com sede em Londres, confirmou pelo menos 58 mortes.
A comissária de relações exteriores da União Europeia, a ex-ministra do Exterior da Itália Federica Mogherini, culpou o governo Assad e prometeu processar os responsáveis. Um hospital que atendia as vítimas também foi bombardeado.
Nos Estados Unidos, o governo Donald Trump acusou o antecessor, Barack Obama, que não reagiu a um ataque químico em 2013 depois de ameaçar Assad. Trump se aproximou da Rússia e está mais interessado em combater grupos extremistas muçulmanos do que o ditador de Damasco.
O novo governo americano aceita a manutenção do ditador sírio no poder: "O futuro de Assad será decidido pelos sírios", declarou recentemente o secretário de Estado, Rex Tillerson, seguindo a linha do Kremlin.
Em pelo menos três ocasiões anteriores, o regime sírio foi acusado de usar armas químicas contra seu próprio povo. O mais grave foi em setembro de 2013, quando mais de mil pessoas morreram em Guta, na periferia da capital, Damasco.
O presidente Barack Obama, que ameaçara com uma intervenção militar no caso do uso de armas químicas, hesitou e a Rússia, aliada de Assad, propôs o desarmamento do arsenal químico da Síria, que foi apenas parcial. Depois anos depois, a Rússia entrou decisivamente na guerra civil síria para evitar a queda de Assad.
Há hoje pelo menos 7 mil soldados russos na Síria e outros tantos muçulmanos russos lutando na Síria e no Iraque. O atentado terrorista de ontem contra o metrô de São Petersburgo, que matou 11 pessoas, pode ter sido uma retaliação.
Três grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, os EUA, a França e o Reino Unido, apresentaram projeto de resolução condenando o uso de armas químicas.
Desde o início da guerra civil síria, a Rússia e a China, que também têm direito de veto, rejeitam qualquer tentativa de condenar o regime de Assad. Alegam que serviria de pretexto para uma intervenção militar como a que derrubou Muamar Kadafi na Líbia, deixando o país em estado de anarquia até hoje.
Os rebeldes acusam a ditadura de Bachar Assad, que atribui as mortes a uma explosão numa indústria química onde os rebeldes produziriam armas químicas. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental com sede em Londres, confirmou pelo menos 58 mortes.
A comissária de relações exteriores da União Europeia, a ex-ministra do Exterior da Itália Federica Mogherini, culpou o governo Assad e prometeu processar os responsáveis. Um hospital que atendia as vítimas também foi bombardeado.
Nos Estados Unidos, o governo Donald Trump acusou o antecessor, Barack Obama, que não reagiu a um ataque químico em 2013 depois de ameaçar Assad. Trump se aproximou da Rússia e está mais interessado em combater grupos extremistas muçulmanos do que o ditador de Damasco.
O novo governo americano aceita a manutenção do ditador sírio no poder: "O futuro de Assad será decidido pelos sírios", declarou recentemente o secretário de Estado, Rex Tillerson, seguindo a linha do Kremlin.
Em pelo menos três ocasiões anteriores, o regime sírio foi acusado de usar armas químicas contra seu próprio povo. O mais grave foi em setembro de 2013, quando mais de mil pessoas morreram em Guta, na periferia da capital, Damasco.
O presidente Barack Obama, que ameaçara com uma intervenção militar no caso do uso de armas químicas, hesitou e a Rússia, aliada de Assad, propôs o desarmamento do arsenal químico da Síria, que foi apenas parcial. Depois anos depois, a Rússia entrou decisivamente na guerra civil síria para evitar a queda de Assad.
Há hoje pelo menos 7 mil soldados russos na Síria e outros tantos muçulmanos russos lutando na Síria e no Iraque. O atentado terrorista de ontem contra o metrô de São Petersburgo, que matou 11 pessoas, pode ter sido uma retaliação.
Três grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, os EUA, a França e o Reino Unido, apresentaram projeto de resolução condenando o uso de armas químicas.
Desde o início da guerra civil síria, a Rússia e a China, que também têm direito de veto, rejeitam qualquer tentativa de condenar o regime de Assad. Alegam que serviria de pretexto para uma intervenção militar como a que derrubou Muamar Kadafi na Líbia, deixando o país em estado de anarquia até hoje.
sexta-feira, 24 de março de 2017
Líder da extrema direita francesa pede apoio à Rússia
A candidata à Presidência da França pela neofascista Frente Nacional, Marine Le Pen, visitou hoje em Moscou o presidente Vladimir Putin, noticiou o jornal internacional The Moscow News. As duas partes negaram que a Rússia tenha oferecido ajuda financeira para a candidata, uma grande ameaça à União Europeia, mas a realidade deve ser outra.
Le Pen acenou com a possibilidade de suspender as sanções impostas à Rússia depois da intervenção militar na Ucrânia e da anexação da Crimeia. Putin prometeu não interferir na eleição de 23 de abril e 7 de maio de 2017 na França.
Provavelmente a verdade seja exatamente o contrário do que declarado publicamente. A polícia federal dos Estados Unidos (FBI) investiga a interferência da Rússia na eleição presidencial americana através de pirataria cibernética e de contatos diretos da campanha do atual presidente Donald Trump com o Kremlin.
A Rússia de Putin trava uma guerrinha fria com o Ocidente, contra os valores da sociedade aberta, liberal e democrática. Com pirataria cibernética, ajudou Trump a derrotar a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, que Putin acusa por uma onda de protestos contra fraude nas eleições parlamentares russas de 2011.
Desde aquele ano, Le Pen visitou a Rússia quatro vezes. Esteve inclusive na Crimeia anexada. Seu partido recebeu um empréstimo de 8 milhões de euros de um banco russo. Moscou ajuda aberta e secretamente forças políticas ultranacionalistas anti-UE, como a Frente Nacional, da França, a Liga Norte e o Movimento 5 Estrelas, na Itália.
Le Pen acenou com a possibilidade de suspender as sanções impostas à Rússia depois da intervenção militar na Ucrânia e da anexação da Crimeia. Putin prometeu não interferir na eleição de 23 de abril e 7 de maio de 2017 na França.
Provavelmente a verdade seja exatamente o contrário do que declarado publicamente. A polícia federal dos Estados Unidos (FBI) investiga a interferência da Rússia na eleição presidencial americana através de pirataria cibernética e de contatos diretos da campanha do atual presidente Donald Trump com o Kremlin.
A Rússia de Putin trava uma guerrinha fria com o Ocidente, contra os valores da sociedade aberta, liberal e democrática. Com pirataria cibernética, ajudou Trump a derrotar a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, que Putin acusa por uma onda de protestos contra fraude nas eleições parlamentares russas de 2011.
Desde aquele ano, Le Pen visitou a Rússia quatro vezes. Esteve inclusive na Crimeia anexada. Seu partido recebeu um empréstimo de 8 milhões de euros de um banco russo. Moscou ajuda aberta e secretamente forças políticas ultranacionalistas anti-UE, como a Frente Nacional, da França, a Liga Norte e o Movimento 5 Estrelas, na Itália.
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