O presidente Donald Trump advertiu hoje que há um "grande preço a pagar", ameaçando atacar a ditadura de Bachar Assad em resposta ao uso de armas químicas na cidade de Duma, na região de Guta Oriental, último reduto rebelde na periferia de Damasco, a capital da Síria. Ao menos 48 pessoas morreram e outras 500 saíram feridas.
Pela primeira vez, Trump responsabilizou diretamente o protoditador Vladimir Putin, acusando-o e à Rússia e ao Irã pelo apoio que dão a Assad: "Muitos mortos, inclusive mulheres e crianças num ataque QUÍMICO insensato na Síria. Area da atrocidade está fechada e cercada pelo Exército sírio, tornando-a completamente inacessível ao mundo exterior.
"Presidente Putin, Rússia e Irã são responsáveis por apoiar Animal Assad. Grande preço a pagar. Abram a área imediatamente para assistência médica e investigação. Outro desastre humanitário por nenhuma razão, qualquer que seja. DOENTIO", escreveu o presidente no Twitter.
Em seguida, culpou o ex-presidente Barack Obama, que ameaçou a reagir a ataques com armas químicas mas nada fez quando o regime de Assad matou 1.729 num ataque a Guta Oriental em 21 de agosto de 2013: "Se o presidente Obama tivesse cruzado a linha vermelha que traçou na areia, o desastre na Síria teria terminado há muito tempo! Animal Assad seria história."
Alguns senadores da linha dura do Partido Republicano estão pressionando Trump a ordenar uma ação militar: "Se ele não levar adiante e realizar o que disse no tuíte, vai parecer fraco diante da Rússia e do Irã", declarou o senador Lindsay Graham.
A União Europeia "condenou nos termos mais fortes o uso de armas químicas" e pediu uma "resposta imediata da comunidade internacional para ter certeza de que os responsáveis tenham de prestar contas". Também pressionou a Rússia e o Irã "a usar sua influência para prevenir qualquer outro ataque e garantir a cessação das hostilidades e uma desescalada na violência."
O ministro do Exterior britânico, Boris Johnson, chamou o ataque de "profundamente perturbador" e pediu à Rússia que permita uma investigação independente da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ).
Em Moscou, a Rússia defendeu a ofensiva do regime sírio: "Aqueles que não estão interessados na destruição de um dos últimos ninhos de terroristas em território sírio não querem um acordo político genuíno, tentam complicar a situação de todas as maneiras e impedir a evacuação de civis."
Amanhã, o Conselho de Segurança das Nações Unidas faz uma reunião de emergência a pedido dos Estados Unidos, mas a expectativa é que a Rússia vete qualquer tentativa de represália contra Assad, mais um motivo para Trump ordenar um ataque.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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domingo, 8 de abril de 2018
Ataque com armas químicas atribuído ao regime mata 48 na Síria
Um bombardeio com armas químicas matou pelo menos 48 pessoas e intoxicou outras 500 ontem à noite na cidade de Duma, a maior da região de Guta Oriental, último reduto rebelde na região de Damasco, a capital da Síria. É o pior ataque químico desde o uso de gás sarin na vila de Khan Cheikhun, no Norte do país. Em ambos os casos, a responsabilidade é atribuída à ditadura de Bachar Assad.
Hoje ao meio-dia, o regime sírio anunciou um acordo para a retirada dos últimos combatentes da milícia extremista muçulmana Jaish al-Islam (Exército do Islã). Os rebeldes ainda não confirmaram se saem mesmo.
Desde a ofensiva das tropas leais ao regime e aliados, que incluem milícias xiitas apoiadas pelo Irã e a Força Aérea da Rússia, em 18 de fevereiro, cerca de 1,6 mil civis foram mortos e milhares de rebeldes se renderam ou foram transferidos com sua família para Idlibe, no Noroeste da Síria. Até agora, o grupo Jaish al-Islam havia rejeitado as ofertas para abandonar Duma.
Cerca de 500 pessoas foram socorridas sábado à noite nos hospitais de Duma, revelou a Sociedade Médica Sírio-Americana (SAMS, do inglês), uma organização não governamental que mantém médicos e enfermeiros no campo de batalha.
As vítimas apresentavam sintomas de "exposição a um agente químico", como dificuldades respiratórias, redução da frequência cardíaca e uma sensação de queimação nos olhos. "Uma espuma saía de suas bocas e eles exalavam um odor semelhante ao do cloro", acrescentou o comunicado da SAMS. O agente tóxico não foi identificado.
Durante os sete anos de uma guerra civil brutal, a ditadura de Assad atacou várias vezes com armas químicas. O pior ataque foi com gás sarin contra Guta em 21 de agosto de 2013, com um total de 1.729. Na época, o então presidente Barack Obama, que ameaçara bombardear a Síria se Assad usasse armas químicas, não retaliou. A Rússia propôs um acordo para acabar com o arsenal químico sírio. Foi uma manobra para proteger o aliado.
Diante da hesitação de Obama, em 30 de setembro de 2015, a Rússia interveio na guerra civil da Síria para sustentar Assad, que desde então virou o jogo e hoje controla todas as grandes cidades e a maior parte do território. As exceções são uma região do Norte invadida pela Turquia para atacar rebeldes curdos e uma região tomada da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante por uma milícia árabe-curda apoiada pelos Estados Unidos.
Nos últimos dias, o presidente Donald Trump anunciou a retirada das forças americanas da Síria. Sob a proteção da Rússia, Assad deve ter concluído que não haveria maior risco de voltar a usar armas químicas. Mas Trump, que bombardeou a base aérea de onde partiu o ataque químico a Khan Cheikhun, ameaça retaliar mais uma vez.
Hoje ao meio-dia, o regime sírio anunciou um acordo para a retirada dos últimos combatentes da milícia extremista muçulmana Jaish al-Islam (Exército do Islã). Os rebeldes ainda não confirmaram se saem mesmo.
Desde a ofensiva das tropas leais ao regime e aliados, que incluem milícias xiitas apoiadas pelo Irã e a Força Aérea da Rússia, em 18 de fevereiro, cerca de 1,6 mil civis foram mortos e milhares de rebeldes se renderam ou foram transferidos com sua família para Idlibe, no Noroeste da Síria. Até agora, o grupo Jaish al-Islam havia rejeitado as ofertas para abandonar Duma.
Cerca de 500 pessoas foram socorridas sábado à noite nos hospitais de Duma, revelou a Sociedade Médica Sírio-Americana (SAMS, do inglês), uma organização não governamental que mantém médicos e enfermeiros no campo de batalha.
As vítimas apresentavam sintomas de "exposição a um agente químico", como dificuldades respiratórias, redução da frequência cardíaca e uma sensação de queimação nos olhos. "Uma espuma saía de suas bocas e eles exalavam um odor semelhante ao do cloro", acrescentou o comunicado da SAMS. O agente tóxico não foi identificado.
Durante os sete anos de uma guerra civil brutal, a ditadura de Assad atacou várias vezes com armas químicas. O pior ataque foi com gás sarin contra Guta em 21 de agosto de 2013, com um total de 1.729. Na época, o então presidente Barack Obama, que ameaçara bombardear a Síria se Assad usasse armas químicas, não retaliou. A Rússia propôs um acordo para acabar com o arsenal químico sírio. Foi uma manobra para proteger o aliado.
Diante da hesitação de Obama, em 30 de setembro de 2015, a Rússia interveio na guerra civil da Síria para sustentar Assad, que desde então virou o jogo e hoje controla todas as grandes cidades e a maior parte do território. As exceções são uma região do Norte invadida pela Turquia para atacar rebeldes curdos e uma região tomada da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante por uma milícia árabe-curda apoiada pelos Estados Unidos.
Nos últimos dias, o presidente Donald Trump anunciou a retirada das forças americanas da Síria. Sob a proteção da Rússia, Assad deve ter concluído que não haveria maior risco de voltar a usar armas químicas. Mas Trump, que bombardeou a base aérea de onde partiu o ataque químico a Khan Cheikhun, ameaça retaliar mais uma vez.
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sábado, 24 de fevereiro de 2018
Ataque da Síria e da Rússia matou mais de 500 pessoas em Guta
Com novos bombardeios das forças áereas da Síria e da Rússia, o total de mortos depois de sete dias de ataques ao enclave rebelde de Guta Oriental passou de 500, sendo mais de 120 crianças, informou hoje o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental de oposição com sede em Londres que monitora a guerra civil no país, noticiou a televisão pública britânica BBC.
Só hoje pelo menos 29 civis foram mortos na região, sendo 17 na principal cidade, Duma. A Rússia, que intervém militarmente no conflito desde 30 de setembro de 2015 em apoio à ditadura de Bachar Assad, nega participação direta no bombardeio a Guta Oriental, o último reduto rebelde na região de Damasco, a capital da Síria.
Em Nova York, por unanimidade, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma resolução exigindo um cessar-fogo imediato de 30 dias para permitir o acesso de ajuda humanitária.
Por iniciativa da Rússia, foram excluídas da trégua a organização terrorista Estado Islâmico e as três milícias jihadistas que controlam Guta Oriental: Jaish al-Islam (Exército do Islã), Faylaq al-Rahman (Legião de al-Rahman) e Hayat Tahrir al-Sham (Organização ou Comitê para a Libertação do Levante), uma aliança da qual faz parte a antiga Frente al-Nusra, braço da rede terrorista al Caeda no conflito sírio.
Esta exclusão permitiria a continuação da ofensiva da ditadura de Bachar Assad para desalojar os rebeldes de Guta Oriental, cercada por forças governistas e milícias aliadas desde 2013, quando um ataque com armas químicas matou 1.729 pessoas. Pode tornar inócua mais uma resolução da ONU.
Na propaganda oficial, as forças sírias e aliados estão "libertando" Guta Oriental do controle de "terroristas", como a ditadura de Assad chama todos os seus inimigos. Com a intervenção militar russa e o fim do Estado Islâmico, atacado também pelos Estados Unidos e aliados, o regime sírio reassumiu o controle sobre a maior parte do território do país e tenta acabar com os últimos redutos rebeldes.
Cerca de 500 mil pessoas foram mortas na guerra civil síria, que completa sete anos em março. Doze milhões, mais da metade da população, fugiram de suas casas e 5 milhões saíram do país. Daqui a 15 dias, o Conselho de Segurança da ONU deve avaliar a aplicação do cessar-fogo.
Só hoje pelo menos 29 civis foram mortos na região, sendo 17 na principal cidade, Duma. A Rússia, que intervém militarmente no conflito desde 30 de setembro de 2015 em apoio à ditadura de Bachar Assad, nega participação direta no bombardeio a Guta Oriental, o último reduto rebelde na região de Damasco, a capital da Síria.
Em Nova York, por unanimidade, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma resolução exigindo um cessar-fogo imediato de 30 dias para permitir o acesso de ajuda humanitária.
Por iniciativa da Rússia, foram excluídas da trégua a organização terrorista Estado Islâmico e as três milícias jihadistas que controlam Guta Oriental: Jaish al-Islam (Exército do Islã), Faylaq al-Rahman (Legião de al-Rahman) e Hayat Tahrir al-Sham (Organização ou Comitê para a Libertação do Levante), uma aliança da qual faz parte a antiga Frente al-Nusra, braço da rede terrorista al Caeda no conflito sírio.
Esta exclusão permitiria a continuação da ofensiva da ditadura de Bachar Assad para desalojar os rebeldes de Guta Oriental, cercada por forças governistas e milícias aliadas desde 2013, quando um ataque com armas químicas matou 1.729 pessoas. Pode tornar inócua mais uma resolução da ONU.
Na propaganda oficial, as forças sírias e aliados estão "libertando" Guta Oriental do controle de "terroristas", como a ditadura de Assad chama todos os seus inimigos. Com a intervenção militar russa e o fim do Estado Islâmico, atacado também pelos Estados Unidos e aliados, o regime sírio reassumiu o controle sobre a maior parte do território do país e tenta acabar com os últimos redutos rebeldes.
Cerca de 500 mil pessoas foram mortas na guerra civil síria, que completa sete anos em março. Doze milhões, mais da metade da população, fugiram de suas casas e 5 milhões saíram do país. Daqui a 15 dias, o Conselho de Segurança da ONU deve avaliar a aplicação do cessar-fogo.
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sábado, 22 de agosto de 2015
Ataque de míssil deixa 50 mortos na guerra civil da Síria
Um míssil terra-terra disparado pelas forças da ditadura de Bachar Assad seguido de um bombardeio aéreo matou pelo menos 50 pessoas hoje na cidade de Duma, controlada pelos rebeldes na guerra civil da Síria, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental que monitora o conflito.
Os trabalhadores das agências de ajuda humanitária ainda procuram corpos entre os destroços. Há seis dias, um bombardeio da Força Aérea matou 100 pessoas num mercado próximo, na mesma cidade.
Os trabalhadores das agências de ajuda humanitária ainda procuram corpos entre os destroços. Há seis dias, um bombardeio da Força Aérea matou 100 pessoas num mercado próximo, na mesma cidade.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Bilionário vai desafiar Putin na eleição presidencial
O magnata da indústria, ex-playboy e ex-ministro Mikhail Prokhorov, terceiro homem mais rico da Rússia e dono do clube de basquete americano New Jersey Nets, anunciou hoje que vai desafiar o primeiro-ministro Vladimir Putin na eleição presidencial de 4 de março de 2012.
Depois de presidir o país de 2000 a 2008 e se afastar por quatro anos por imposição constitucional, mantendo o poder como primeiro-ministro, Putin prepara sua volta em 2012, talvez com a intenção de governar por mais dois mandatos de seis anos.
Mas seu partido, Rússia Unida, mal conseguiu manter a maioria na Duma do Estado nas eleições de 4 de dezembro de 2011, denunciadas como fradulentas por dezenas de milhares de pessoas que saíram às ruas de Moscou e São Petersburgo no último fim de semana.
Aos 46 anos, Prokhorov tem dinheiro suficiente para incomodar: "Penso que a sociedade está acordando, quer a gente queira ou não", declarou. "Aquela parte do governo que não dialoga com a sociedade terá de sair em futuro próximo. Estão acontecendo mudanças importantes no mundo, um novo tipo de homem está emergindo".
Para o jornalista Anton Orekh, da rádio Ekho, de Moscou, é uma opção aceitável: "Prokhorov definitivamente não é um chequista", observou, numa referência à Cheka, a polícia política criada por Lenin em 20 de dezembro de 1917, que teve como herdeiras a NKVD, na era de Stalin, e o KGB (Comitê de Defesa do Estado).
Com o fim da União Soviética, virou o Serviço Federal de Segurança. Seu diretor, Vladimir Putin, foi escolhido como sucessor pelo então presidente Boris Yeltsin, em 1999.
"Prokhorov não vai tentar construir uma paródia da URSS", acrescentou Orekh, citado pelo jornal The New York Times. "Não vai nos contar histórias de fantasmas antediluvianos sobre os Estados Unidos e a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), nem gastar a metade do orçamento na fabricação de tanques obsoletos".
Suas relações com o Kremlin são antigas. Ele fez fortuna nos seus 20 anos quando se associou a Vladimir Potanin, vice-primeiro-ministro encarregado da privatização. Eles compraram ações da Norilsk, uma mina e fundição na região ártica siberiana construída originalmente por trabalho escravo.
Hoje, produz um quinto do níquel e a metade do paládio de todo o mundo.
Ele também não é um liberal. Em 2004, Prokhorov e Potanin demitiram o editor do jornal Izvestia, de sua propriedade, que criticara o governo Putin na tragédia de Beslan, na Ossétia do Norte, quando a polícia invadiu uma escola tomada por terroristas muçulmanos e mais de 330 pessoas morreram, mais da metade crianças.
Caiu em desgraça quando se negou a vender as ações da Norilsk na onda de estatizações promovida por Putin para colocar os recursos naturais, a grande riqueza da Rússia, de novo sob o controle do Estado. Mais tarde, vendeu as ações a outro empresário na alta.
Preso em Courchevel, na França, sob a acusação de oferecer prostitutas a seus convidados, Prokhorov ficou quatro dias detido, mas todas as acusações foram retiradas. Na época, ele resolveu assumir seu lado de playboy. Criou a revista Snob.
Eleito líder do partido Causa Certa em junho, foi afastado em setembro depois que policiais mascarados invadiram seu escritório
Depois de presidir o país de 2000 a 2008 e se afastar por quatro anos por imposição constitucional, mantendo o poder como primeiro-ministro, Putin prepara sua volta em 2012, talvez com a intenção de governar por mais dois mandatos de seis anos.
Mas seu partido, Rússia Unida, mal conseguiu manter a maioria na Duma do Estado nas eleições de 4 de dezembro de 2011, denunciadas como fradulentas por dezenas de milhares de pessoas que saíram às ruas de Moscou e São Petersburgo no último fim de semana.
Aos 46 anos, Prokhorov tem dinheiro suficiente para incomodar: "Penso que a sociedade está acordando, quer a gente queira ou não", declarou. "Aquela parte do governo que não dialoga com a sociedade terá de sair em futuro próximo. Estão acontecendo mudanças importantes no mundo, um novo tipo de homem está emergindo".
Para o jornalista Anton Orekh, da rádio Ekho, de Moscou, é uma opção aceitável: "Prokhorov definitivamente não é um chequista", observou, numa referência à Cheka, a polícia política criada por Lenin em 20 de dezembro de 1917, que teve como herdeiras a NKVD, na era de Stalin, e o KGB (Comitê de Defesa do Estado).
Com o fim da União Soviética, virou o Serviço Federal de Segurança. Seu diretor, Vladimir Putin, foi escolhido como sucessor pelo então presidente Boris Yeltsin, em 1999.
"Prokhorov não vai tentar construir uma paródia da URSS", acrescentou Orekh, citado pelo jornal The New York Times. "Não vai nos contar histórias de fantasmas antediluvianos sobre os Estados Unidos e a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), nem gastar a metade do orçamento na fabricação de tanques obsoletos".
Suas relações com o Kremlin são antigas. Ele fez fortuna nos seus 20 anos quando se associou a Vladimir Potanin, vice-primeiro-ministro encarregado da privatização. Eles compraram ações da Norilsk, uma mina e fundição na região ártica siberiana construída originalmente por trabalho escravo.
Hoje, produz um quinto do níquel e a metade do paládio de todo o mundo.
Ele também não é um liberal. Em 2004, Prokhorov e Potanin demitiram o editor do jornal Izvestia, de sua propriedade, que criticara o governo Putin na tragédia de Beslan, na Ossétia do Norte, quando a polícia invadiu uma escola tomada por terroristas muçulmanos e mais de 330 pessoas morreram, mais da metade crianças.
Caiu em desgraça quando se negou a vender as ações da Norilsk na onda de estatizações promovida por Putin para colocar os recursos naturais, a grande riqueza da Rússia, de novo sob o controle do Estado. Mais tarde, vendeu as ações a outro empresário na alta.
Preso em Courchevel, na França, sob a acusação de oferecer prostitutas a seus convidados, Prokhorov ficou quatro dias detido, mas todas as acusações foram retiradas. Na época, ele resolveu assumir seu lado de playboy. Criou a revista Snob.
Eleito líder do partido Causa Certa em junho, foi afastado em setembro depois que policiais mascarados invadiram seu escritório
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Rússia prende 600 manifestantes anti-Putin
No segundo dia de protestos contra denúncias de fraude nas eleições parlamentares de domingo passado, o governo da Rússia prendeu mais de 600 manifestantes em Moscou, inclusive o ex-primeiro-ministro Boris Nemtsov, um dos líderes da oposição liberal.
O primeiro protesto, na segunda-feira, tinha autorização, mas não o desta noite, duramente reprimido pela polícia. Seu principal alvo é o primeiro-ministro Vladimir Putin, homem-forte do regime, acusado diretamente pela fraude. Os gritos eram: "Fora Putin!"
Em outro canto da capital russa, partidários do primeiro-ministro e do partido Rússia Unida fizeram uma manifestação paralela, defendendo o resultado oficial da eleição.
Com uma queda na votação de 64,7% para 49,5%, a Rússia Unida mantém a maioria na Duma do Estado, a Câmara Federal do país, mas sua bancada caiu de 315 para 238 deputados e essa vitória está sendo contestada.
O primeiro protesto, na segunda-feira, tinha autorização, mas não o desta noite, duramente reprimido pela polícia. Seu principal alvo é o primeiro-ministro Vladimir Putin, homem-forte do regime, acusado diretamente pela fraude. Os gritos eram: "Fora Putin!"
Em outro canto da capital russa, partidários do primeiro-ministro e do partido Rússia Unida fizeram uma manifestação paralela, defendendo o resultado oficial da eleição.
Com uma queda na votação de 64,7% para 49,5%, a Rússia Unida mantém a maioria na Duma do Estado, a Câmara Federal do país, mas sua bancada caiu de 315 para 238 deputados e essa vitória está sendo contestada.
domingo, 4 de dezembro de 2011
Partido de Putin vence e terá maioria na Rússia
Com 49,5% dos votos, o partido Rússia Unida, do primeiro-ministro Vladimir Putin, ganhou as eleições parlamentares realizadas neste domingo, mas sofreu grandes perdas em relação a 2007, quando teve 65% da votação, anunciou TV estatal Rossia 1.
Pela primeira vez desde Putin se tornou o homem-forte do país, em 2000, partido esteve perto de perder a maioria na Duma do Estado, a câmara federal da Rússia, mas acabou elegendo 238 dos 450 deputados.
O Partido Comunista continua sendo a maior força política da Rússia. Recebeu 19,8% dos votos.
A eleição presidencial será realizada em março. Putin é o franco favorito, mas a queda na votação do partido indica uma insatisfação de parte do eleitorado com seu regime autoritário e corrupto.
Pela primeira vez desde Putin se tornou o homem-forte do país, em 2000, partido esteve perto de perder a maioria na Duma do Estado, a câmara federal da Rússia, mas acabou elegendo 238 dos 450 deputados.
O Partido Comunista continua sendo a maior força política da Rússia. Recebeu 19,8% dos votos.
A eleição presidencial será realizada em março. Putin é o franco favorito, mas a queda na votação do partido indica uma insatisfação de parte do eleitorado com seu regime autoritário e corrupto.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Rússia convoca eleições legislativas para 4 de dezembro
Ao convocar hoje eleições parlamentares para 4 de dezembro de 2011 na Rússia, o presidente Dimitri Medvedev advertiu para o risco de tensões interétnicas durante a campanha, registra a agência de notícias Reuters.
Mais de 100 milhões de eleitores russos poderão votar para escolher os 450 deputados da Duma do Estado, atualmente dominada pelo partido Rússia Unida, liderado pelo primeiro-ministro e ex-presidente Vladimir Putin, considerado o homem mais poderoso do país.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Parlamento russo apóia divisão da Geórgia
As duas câmaras do Parlamento da Rússia aprovaram hoje uma resolução recomendando o presidente Dimitri Medvedev a reconhecer a independência da Ossétia do Sul e da Abcásia, duas províncias rebeldes que querem se separar da ex-república soviética da Geórgia.
Primeiro, foi o Conselho de Federação, uma espécie de Senado não-eleito do qual fazem parte os governadores das 89 unidades administrativas da Federação Russa. A votação foi unânime.
Em seguida, o projeto foi discutido no plenário da Duma do Estado, a Câmara dos Deputados da Rússia. Lá, os dirigentes rebeldes - Serguei Bagapsh, da Abcásia; e Eduard Kokoiti, da Ossétia do Sul -, ambos suspeitos de ligações com a máfia russa, defenderam a independência alegando que seus povos não poderão jamais viver sob um governo georgiano.
Primeiro, foi o Conselho de Federação, uma espécie de Senado não-eleito do qual fazem parte os governadores das 89 unidades administrativas da Federação Russa. A votação foi unânime.
Em seguida, o projeto foi discutido no plenário da Duma do Estado, a Câmara dos Deputados da Rússia. Lá, os dirigentes rebeldes - Serguei Bagapsh, da Abcásia; e Eduard Kokoiti, da Ossétia do Sul -, ambos suspeitos de ligações com a máfia russa, defenderam a independência alegando que seus povos não poderão jamais viver sob um governo georgiano.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Rússia fecha escritórios do Conselho Britânico
Na sua guerrinha fria com o Reino Unido desde o assassinato em Londres do ex-espião russo naturalizado britânico Alexander Litvinenko, em novembro de 2006, a Rússia fechou todos os escritórios no país do Conselho Britânico, um órgão de promoção cultural da Grã-Bretanha.
O ministro do Exterior britânico, David Miliband, acusou a Rússia de ressuscitar os métodos da Guerra Fria, a grande confrontação entre capitalismo e comunismo que marcou a história da segunda metade do século 20, considerando a atitude russa "repreensível".
Em Moscou, o governo russo alegou que "tentativas de politizar o tema de parte dos britânicos, de distorcer os fatos e de usar uma retórica negativa não ajudam a melhorar as relações bilaterais.
Litvinenko, ligado a líderes da oposição russa como o megaempresário Boris Berezovski, foi envenenado em Londres pelo elemento radioativo Polônio-210 e agonizou durante três semanas.
O principal acusado pela polícia britânica pelo assassinato, Andrei Lugovoi, outro ex-agente russo, foi eleito deputado federal da Duma do Estado (Câmara) em dezembro do ano passado. Goza, agora de imunidade parlamentar. Mas é claro que o Kremlin nunca pensou em extraditá-lo.
O ministro do Exterior britânico, David Miliband, acusou a Rússia de ressuscitar os métodos da Guerra Fria, a grande confrontação entre capitalismo e comunismo que marcou a história da segunda metade do século 20, considerando a atitude russa "repreensível".
Em Moscou, o governo russo alegou que "tentativas de politizar o tema de parte dos britânicos, de distorcer os fatos e de usar uma retórica negativa não ajudam a melhorar as relações bilaterais.
Litvinenko, ligado a líderes da oposição russa como o megaempresário Boris Berezovski, foi envenenado em Londres pelo elemento radioativo Polônio-210 e agonizou durante três semanas.
O principal acusado pela polícia britânica pelo assassinato, Andrei Lugovoi, outro ex-agente russo, foi eleito deputado federal da Duma do Estado (Câmara) em dezembro do ano passado. Goza, agora de imunidade parlamentar. Mas é claro que o Kremlin nunca pensou em extraditá-lo.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Grupo de Putin quer regime de "partido único"
O presidente Vladimir Putin e seus assessores pretendem usar as eleições parlamentares de 2 de dezembro para "usurpar o poder" e impor, na prática, um regime de partido único na Rússia, acusa o ex-primeiro-ministro Mikhail Kassianov.
Chefe de governo até 2004, quando foi demitido por Putin, Kassianov é um possível candidato à Presidência da Rússia na eleição de março de 2008. Ele adverte que as eleições não serão democráticas porque as novas regras praticamente impedem a participação dos partidos não-aprovados pelo Kremlin.
Um dos sinais da conspiração em marcha, alerta o ex-primeiro-ministro, é reduzir dramaticamente o número de observadores internacionais e adiar o envio dos convites para evitar que as eleições sejam denunciadas internacionalmente como manipuladas pelo Kremlin. Mas sua incapacidade de chegar a um acordo com o ex-campeão mundial de xadrez Garry Kasparov facilita a tarefa do governo.
O próprio Putin indicou que pode ser candidato à Duma do Estado, a Câmara dos Deputados da Rússia. Assim, quando deixar a presidência, em março, poderia se tornar primeiro-ministro e continuar no poder.
"As últimas atitudes das autoridades e do presidente Putin confirmam que o grupo que está no poder hoje quer usar as próximas eleições da duma para legalizar a usurpação poder", declarou Kassianov. "A Rússia marcha para um Estado obscurantista e totalitário, e seus cidadãos precisam entender isso".
Esta mensagem não está chegando ao eleitorado. A aprovação de Putin ronda os 80%. Kassianov quase não aparece nas pesquisas de opinião. É praticamente proibido de aparecer na televisão e é constantemente pressionado por sua tentativa de criar seu próprio partido, o Povo pela Democracia e Justiça.
Kassianov alega que as exigências de que os partidos tenham pelo menos 50 mil filiados para serem registrados oficialmente, ou que coletem 200 mil assinatura, vai muito além das normas européias.
A mudança do sistema eleitoral para o voto proporcional e o aumento da votação mínima para conquistar uma cadeira no parlamento de 5% para 7% vai barrar vários pequenos partidos, deixando uma parcela do eleitorado sem representação.
O Kremlin alega que as medidas são necessárias para acabar com os "partidos de sofá", aqueles cujos membros caberiam num sofá.
Segundo as últimas pesquisas, só dois ou três partidos vão superar a cláusula de barreira de 7%. O partido Rússia Unida, de Putin, elegeria dois terços dos deputados.
Chefe de governo até 2004, quando foi demitido por Putin, Kassianov é um possível candidato à Presidência da Rússia na eleição de março de 2008. Ele adverte que as eleições não serão democráticas porque as novas regras praticamente impedem a participação dos partidos não-aprovados pelo Kremlin.
Um dos sinais da conspiração em marcha, alerta o ex-primeiro-ministro, é reduzir dramaticamente o número de observadores internacionais e adiar o envio dos convites para evitar que as eleições sejam denunciadas internacionalmente como manipuladas pelo Kremlin. Mas sua incapacidade de chegar a um acordo com o ex-campeão mundial de xadrez Garry Kasparov facilita a tarefa do governo.
O próprio Putin indicou que pode ser candidato à Duma do Estado, a Câmara dos Deputados da Rússia. Assim, quando deixar a presidência, em março, poderia se tornar primeiro-ministro e continuar no poder.
"As últimas atitudes das autoridades e do presidente Putin confirmam que o grupo que está no poder hoje quer usar as próximas eleições da duma para legalizar a usurpação poder", declarou Kassianov. "A Rússia marcha para um Estado obscurantista e totalitário, e seus cidadãos precisam entender isso".
Esta mensagem não está chegando ao eleitorado. A aprovação de Putin ronda os 80%. Kassianov quase não aparece nas pesquisas de opinião. É praticamente proibido de aparecer na televisão e é constantemente pressionado por sua tentativa de criar seu próprio partido, o Povo pela Democracia e Justiça.
Kassianov alega que as exigências de que os partidos tenham pelo menos 50 mil filiados para serem registrados oficialmente, ou que coletem 200 mil assinatura, vai muito além das normas européias.
A mudança do sistema eleitoral para o voto proporcional e o aumento da votação mínima para conquistar uma cadeira no parlamento de 5% para 7% vai barrar vários pequenos partidos, deixando uma parcela do eleitorado sem representação.
O Kremlin alega que as medidas são necessárias para acabar com os "partidos de sofá", aqueles cujos membros caberiam num sofá.
Segundo as últimas pesquisas, só dois ou três partidos vão superar a cláusula de barreira de 7%. O partido Rússia Unida, de Putin, elegeria dois terços dos deputados.
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Putin deve virar primeiro-ministro da Rússia
Ao anunciar ontem sua decisão de se candidatar a deputado da Duma do Estado, a câmara baixa do Parlamento da Rússia, o presidente Vladimir Putin indicou que poderá ser primeiro-ministro, uma maneira de se manter no poder sem violar o princípio constitucional que proíbe duas reeleições consecutivas.
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