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domingo, 18 de maio de 2025

Direita se reelege em Portugal em derrocada da esquerda

O primeiro-ministro conservador Luís Montenegro foi reeleito hoje em Portugal, mas a Aliança Democrática, de direita, não terá maioria absoluta na Assembleia da República, de 230 cadeiras. Com 226 resultados definidos, elegeu 89 deputados, nove a mais, mas ficou longe da maioria de 116 cadeiras. 

As eleições foram marcadas pelo avanço da extrema direita, que passou a ter o mesmo número de deputados do Partido Socialista (PS), numa derrocada da esquerda, que fica com apenas 27% dos parlamentares.

Desde a Revolução dos Cravos (1974), que democratizou o país, o PS foi o partido que governou Portugal por mais tempo. Hoje, perdeu 20 cadeiras, caindo de 78 para 58, o mesmo resultado obtido pelo partido de extrema direita Chega, liderado por André Ventura, que tinha 49 deputados. Nas quatro cadeiras a decidir, com votos do exterior, a ultradireita levou duas nas últimas eleições.

Com o PS correndo o risco de ser rebaixado a terceiro maior partido no parlamento português, seu líder e candidato a chefe de governo, Pedro Nuno Santos, renunciou.

O Partido Comunista Português (PCP), que teve papel de destaque na revolução e que de 2015 a 2019 participou da Geringonça, a coalizão de governo do primeiro-ministro socialista António Costa, elegeu apenas três deputados. E o Bloco de Esquerda, outro parceiro daquela coligação, só um.

É a segunda eleição de Montenegro, de 52 anos, ambas com o marqueteiro brasileiro Sérgio Guerra, com o lema "Deixa o Luís trabalhar". Geralmente, em Portugal, os políticos são conhecidos pelo sobrenome. Usar o prenome foi uma jogada para dar a impressão de maior intimidade com o eleitor. 

Montenegro não é um líder carismático. Sempre foi homem da máquina do partido. Lidera a Aliança Democrática, formada por seu Partido Social-Democrata (PSD), de centro-direita, e o conservador Partido Popular (CDS-PP), o antigo Centro Democrático Social, que mudou de nome mas manteve as iniciais na sigla. O ex-primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva (1985-95), líder histórico do PSB, deu uma contribuição importante.

Ele chegou ao poder em abril de 2024. Tinha grande popularidade até estourar o Caso Spinumviva, um escândalo envolvendo uma empresa da família do primeiro-ministro que fazia negócios com empresas com interesses junto ao governo, entre elas um cassino. Sua popularidade caiu, mas não o prestígio do governo.

NOTA: Os resultados finais, divulgados em 28 de maio, deixaram a extrema direita como a segunda maior força política de Portugal, com 22,7% dos votos e 60 cadeiras na Assembleia da República.

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Austrália também rejeita direita trumpista

 Dias depois do Canadá, no sábado, foi a vez da Austrália derrotar uma aliança conservadora que três meses atrás era franca favorita para vencer as eleições. Em comum entre as duas ex-colônias britânicas, há o repúdio ao trumpismo e ao que possa parecer ultranacionalismo e isolacionismo inspirados pelo presidente dos Estados Unidos. O primeiro-ministro trabalhista Anthony Albanese é o primeiro chefe de governo a se reeleger na Austrália em 21 anos.

Em fevereiro, a chance de um segundo Albanese era de 1%. Na semana passada, estava em 97%. Ontem, o Partido Trabalhista ganhou mais oito cadeiras, chegando a 85 deputados, maioria absoluta no Parlamento de 151 cadeiras. A coalizão do Partido Liberal com o Partido Nacional perdeu 19 cadeiras. Terá 39 deputados. 

O líder liberal, candidato a chefe de governo da oposição, Peter Dutton, não se reelegeu, como aconteceu com o líder conservador canadense, Pierre Poilievre. Ex-policial famoso pela dureza contra o crime e a imigração ilegal, Dutton foi associado a Donald Trump pela campanha do governo.

Antes da guerra comercial de Trump, as pesquisas indicavam uma vitória fácil da oposição conservadora. A Austrália e o Canadá são aliados dos EUA. Lutaram ao lado dos EUA em várias guerras.

As duas vitórias de partidos moderados de centro-esquerda fortalecem a ideia de que a maneira de combater o trumpismo é propor uma alternativa moderada, sensata e equilibrada em oposição ao caos e à beligerância permanente do presidente dos EUA, que prega um tipo de revolução permanente ao desafiar as normas e as instituições republicanas.

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Irã anuncia participação de 42% nas eleições parlamentares

Só 24 milhões dos 58 milhões de eleitores, cerca de 42%, participaram das eleições legislativas de 21 de fevereiro de 2020 no Irã, anunciou hoje na televisão estatal o ministro do Interior, Abdolreza Rahmani Fazli.

A expectativa era de uma grande abstenção depois que o Conselho dos Guardiães da Revolução Islâmica vetou a participação de mais de 16 mil candidatos moderados e reformistas. Cerca de 7 mil candidatos disputaram as 290 cadeiras do Majlis (parlamento). Foi a menor participação desde a revolução islâmica, em 1979.

Mesmo assim, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, elogiou a "enorme participação" e acusou jornalistas estrangeiros de "propaganda negativa" por causa da epidemia do novo coronavírus.

Com mais três mortes registradas hoje no Irã, o país tem 43 casos e oito mortes confirmadas. É o maior número de mortes fora da China.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Ex-presidente Sarkozy declara voto em Macron

Mais um líder do partido gaulista Os Republicanos, de centro-direita, adere à Frente Republicana antiextrema-direita e anuncia apoio à candidatura do ex-ministro da Economia Emmanuel Macron à Presidência da França. O ex-presidente Nicolas Sarkozy declarou hoje que vai votar em Macron no segundo turno, em 7 de maio de 2017.

"É uma escolha de responsabilidade que não significa de modo algum apoio a seu projeto", escreveu Sarkozy no Facebook, deixando claro que o objetivo é barrar a ascensão ao poder de Marine Le Pen, da neonazista Frente Nacional.

Ao mesmo tempo, Sarkozy defendeu uma mobilização de seu partido para vencer as eleições parlamentares: "No próximo mês de junho, por ocasião das eleições legislativas, os franceses terão de novo a possibilidade de fazer a escolha de uma verdadeira alternância dando seus sufrágios aos candidatos indicados pelo centro e pela direita."

Como o favorito Emmanuel Macron não tem partido, lançou há menos de um ano seu movimento Em Marcha para sustentar sua candidatura, é improvável que consiga maioria parlamentar para governar. Se Os Republicanos tiverem maioria na Assembleia Nacional, será obrigado a nomear um primeiro-ministro do partido de Sarkozy.

Os Republicanos poderiam ter vencido e se firmado mais uma vez como o maior partido da França, se não tivessem insistido na candidatura do ex-primeiro-ministro François Fillon, abalada por denúncias de que empregou a mulher e os filhos como funcionários-fantasmas do Senado.

Antes do escândalo, Fillon saiu da eleição primária republicana com 30% das preferências. Teria um caminho tranquilo até o Palácio do Eliseu. Mas o partido que dominou a política francesa durante a maior parte da 5ª República, fundada em 1958 pelo general Charles de Gaulle, deu um tiro no pé.

Assim, neste caso, não fazem sentido as análises sobre a decadência dos partidos tradicionais. Os gaulistas presidiram a França por 33 anos desde 1958, com De Gaulle, Georges Pompidou, Jacques Chirac e Sarkozy. Não há partido mais tradicional na política francesa e as eleições legislativas tendem a confirmá-lo como maior partido do país, a não ser que Macron surpreenda mais uma vez.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

França prorroga estado de emergência até 15 de julho

Por 306 a 28, Senado da França aprovou ontem a quinta prorrogação do estado de emergência decretado pelo presidente François Hollande para combater o terrorismo depois dos atentados de 13 de novembro de 2015. A Assembleia Nacional havia aprovado o projeto na quarta-feira.

Assim, o estado de emergência vai até 15 de julho. Estará em vigor durante as eleições presidencial (23 de abril e 7 de maio) e parlamentares (11 e 18 de junho). Só a Frente de Esquerda e alguns ecologistas votaram contra a medida, considerando-a "ineficaz" e "perigosa" para os direitos humanos.

Nos últimos cinco meses, houve pelo menos 13 tentativas de cometer atentados terroristas na França, declarou o ministro do Interior, Bruno Le Roux, à Assembleia Nacional, ao defender a medida. Mais de 30 suspeitos foram presos, inclusive mulheres e menores de idade.

Ao todo, houve 17 atentados terroristas em 2016 contra sete em 2015, quatro em 2014 e dois em 2013. No momento, 90 pessoas estão em prisão domiciliar.

"Um pouco mais de 2 mil franceses ou residentes habituais da França estão implicados de um modo ou de outro no recrutamento de jihadistas", acrescentou o ministro. Entre eles, pelo menos 700 estão nos campos de batalha da Síria e do Iraque, entre os quais 290 mulheres e 22 menores.

Desde o início de 2016, "mais de 420 indivíduos ligados a redes terroristas foram interpelados", revelou Le Roux. Nos últimos cinco meses, "foram apreendidas 35 armas, sendo duas armas de guerra e duas de longo alcance."

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Centro-direita faz maioria no Senado da França

Os partidos de centro-direita venceram as eleições realizadas nesse domingo na França para preencher a metade das 348 vagas do Senado, que no modelo constitucional francês atua como câmara revisora e pode ter suas decisões revogadas pela Assembleia Nacional. A Frente Nacional, de extrema direita, elegeu seus dois primeiros senadores, informou o jornal francês Le Monde.

A esquerda perde a maioria no Senado que tinha desde 2011. A maior bancada será da União por um Movimento Popular (UMP). É o partido gaulista de centro-direita que o ex-presidente Nicolas Sarkozy quer presidir para se relançar como candidato em 2017. A UMP elegeu 23 senadores e perdeu 11, ficando com um total de 145.

No centro do espectro político francês, a União Democrática Independente (UDI) ganhou oito senadores e perdeu dois. Passa a ser 38 senadores.

Com a popularidade do presidente François Hollande num recorde negativo de apenas 13%, o Partido Socialista foi o maior derrotado. Perdeu 24 senadores e ganhou oito, reduzindo a bancada para 112 cadeiras.

O Partido Comunista Francês (PCF) perdeu três senadores e agora tem 18, enquanto a bancada do grupo RDSE (Reunião Democrática e Social Europeia), uma coligação liderada pelo Partido Radical de Esquerda, caiu de 19 para 12 cadeiras. A bancada verde e ecologista ficou estável com 10 senadores.

Mais importante do que o resultado geral em si, que mantém o equilíbrio da política francesa entre centro-direita e centro-esquerda, neste caso pendendo para a direita por causa da crise econômica e da impopularidade do governo socialista, é a entrada da neofascista Frente Nacional no Senado da França pela primeira vez.

Depois de chegar ao segundo da eleição presidencial de 2002 com Jean-Marie Le Pen, a FN ganhou mais aceitação sob a liderança de sua filha, Marine Le Pen, que teve 18% dos votos no primeiro turno em 2012.

Nas eleições municipais de março de 2014, a FN conquistou 12 prefeituras e aumentou o total de vereadores para 1,5 mil. Em maio, ficou em primeiro lugar nas eleições para o Parlamento Europeu na França, com 25% dos votos.

Algumas pesquisas indicam que hoje Marine Le Pen venceria François Hollande numa eleição presidencial.

A derrota não deve impedir o primeiro-ministro Manuel Valls de seguir adiante com as reformas para enfrentar a estagnação econômica e o desemprego elevado, de cerca de 10%. O novo orçamento, a ser apresentado na quarta-feira, deve prever cortes de gastos públicos no valor de 21 bilhões de euros (R$ 64,5 bilhões) nos gastos públicos, reduções de impostos para empresas e pessoas físicas.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Ucrânia dissolve Parlamento e antecipa eleições

Sob uma intervenção mais ou menos camuflada da Rússia, o presidente Petro Porochenko assinou um decreto hoje para dissolver o Parlamento da Ucrânia e convocar eleições legislativas antecipadas para 26 de outubro de 2014.

O governo central de Kiev obteve ganhos recentes no Leste do país, onde desde abril uma rebelião insuflada pelo Kremlin tenta anexar mais uma pedaço da Ucrânia à Federação Russa, mas não conseguiu retomar as cidades de Donetsk e Luhansk, ainda em poder dos separatistas, que acabam de receber 280 caminhões com "ajuda humanitária" da Rússia.

Nesta terça-feira, os presidentes da Rússia, Vladimir Putin; da Ucrânia, Petro Porochenko; e da Bielorrússia, Alexander Lukachenko; se reúnem em Minsk, a capital bielorrússia. Será uma chance para Putin e Porochenko discutirem a questão cara a cara.

Desde que um míssil derrubou um avião de passageiros, Moscou perdeu a iniciativa política no confronto com a Ucrânia. Agora, tenta reforçar sua posição para as negociações.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Partido Socialista português fará eleições prévias abertas

O Partido Socialista português abriu hoje inscrições para as eleições primárias abertas para escolher o candidato do partido para as eleições parlamentares de 2015. Qualquer cidadão português pode se inscrever, mesmo que não seja filiado ao partido, desde que preencha uma ficha de simpatizante via Internet e obtenha o apoio de pelo menos mil militantes socialistas.

"Participe. A sua escolha é a nossa decisão", promete a propaganda do PS. Só há uma exigência: o aspirante não pode ser membro de outro partido. A eleição prévia do PS de Portugal está marcada para 28 de setembro de 2014.

Os favoritos são o atual líder socialista, António José Seguro, e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa.

Com a crise, o país foi obrigado a se submeter a um rígido programa de austeridade econômica imposto pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional em troca de empréstimos de 78 bilhões de euros para Portugal honrar suas dívidas. O desemprego chegou a 17%. Já caiu para 13,6%. Mas a oposição socialista é favorita diante do governo conservador do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho nas pesquisas sobre as eleições do próximo ano.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Esquerda: "Vitória de Berlusconi seria um desastre"

A volta ao poder do arquicorrupto empresário e ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi nas eleições deste domingo e de segunda-feira, 24 e 25 de fevereiro de 2013, "seria um desastre" para a economia italiana, adverte o vice-líder do Partido Democrático, de centro-esquerda, Enrico Letta. Seu líder, Pier Luigi Bersani, é o favorito para chefiar o próximo governo da Itália.

Berlusconi renunciou em novembro de 2011, no auge da crise da dívida pública italiana, por total falta de credibilidade para enfrentar os problemas do país. Seu substituto foi o tecnocrata Mario Monti, ex-comissário europeu antimonopólio, que caiu quando perdeu o apoio do líder direitista.

Uma vitória de Berlusconi poderia anular todo o trabalho de Monti para estabilizar a economia italiana e recuperar a credibilidade do país, que tem uma dívida de 2,6 trilhões de euros, equivalente a cerca de 120% de toda a riqueza que a Itália produz num ano.

As últimas pesquisas dão entre 32% e 37% para a centro-esquerda e 27% a 32% para a direita do Povo da Liberdade, de Berlusconi. Em terceiro, num evidente sinal de desencanto da população com os partidos políticos, está o movimento Cinco Estrelas, do humorista Beppe Grillo, com 14% a 18%.

A aliança cívica de Monti está em quarto, mas deve ser convidada para participar do governo se a esquerda conseguir maioria na Câmara, o que é mais provável, mas não no Senado, observa a televisão americana CNN.

Um governo Bersani-Monti seria o melhor para a Itália neste momento. A volta de Berlusconi com certeza jogará o país de volta à situação em que estava quando ele caiu, à beira de pedir ajuda de emergência a seus parceiros da União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional.

Com Monti, está assegurada a continuidade das reformas necessárias para aumentar a competitividade da economia italiana, que na última década cresceu a uma taxa média de 1% ao ano. Bersani promete estimular a economia para tentar escapar do modelo de austeridade total imposto pela Alemanha na crise das dívidas públicas da Zona do Euro. Deve se aliar ao socialista François Hollande, presidente da França, na luta para flexibilizar o rígido ajuste fiscal pan-europeu guiado por Berlim.

domingo, 17 de junho de 2012

Esquerda conquista maioria no parlamento na França

O Partido Socialista e seus aliados terão maioria absoluta na Assembleia Nacional da França.  De um total de 577 deputados, a bancada de esquerda terá de 312 a 326, indicam as pesquisas divulgadas assim que fecharam as urnas do segundo turno das eleições legislativas, às 20 horas desde domingo em Paris (15h em Brasília).

A direita deve ficar com 220 a 230 cadeiras. A Frente Nacional, de extrema direita, deve eleger pelo menos dois deputados, voltando ao parlamento, onde não tinha representantes desde os anos 80. Os Verdes e a Europa Ecologie devem ter 19 cadeiras.

Ícones do PS francês como ex-candidata a presidente Ségolène Royal, ex-mulher do presidente Franbçois Hollande, que foi alfinetada pela atual, Valérie Trierweiler, e o ex-ministro da Cultura, Jack Lang, foram derrotados.

Também ficaram fora da Assembleia Nacional a líder da extrema direita, Marine Le Pen, o candidato centrista à Presidência François Bayrou e a ex-ministra da Justiça Michelle Alliot-Marie, que caiu por ser amiga, tirar férias e pegar carona em jatinhos do ex-ditador da Tunísia Zinedine ben Ali, informa o jornal francês Le Monde.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Militares assumem poder legislativo no Egito

Num duro golpe contra a revolução, a dois dias do início do segundo turno da eleição presidencial, o Supremo Tribunal do Egito anulou a eleição de vários deputados e recomendou a dissolução do Parlamento. Diante disso, o Conselho Supremo das Forças Armadas, que governa o país desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011, assumiu todos os poderes legislativos.

 Ao mesmo tempo, o tribunal confirmou a legalidade da candidatura do ex-primeiro-ministro e ex-comandante da Força Aérea Ahmed Chafik, que disputa o segundo turno com Mohamed Mursi, candidato da Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista do mundo.

Mursi agora pode atrair mais votos de eleitores descontentes com os militares, mas o risco é de um reinício da revolta popular.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Companheira ataca ex-mulher do presidente da França

O presidente François Hollande se elegeu prometendo tirar a vida privada do chefe de Estado da política na França, mas suas mulheres provocam a primeira crise do novo governo. Sua companheira , Valérie Trierweiler, anunciou no Twitter apoio a Olivier Falorni, um dissidente do Partido Socialista que disputa neste domingo o segundo turno das eleições para a Assembleia Nacional da França contra sua ex-mulher.

Hoje o primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault declarou que Valérie deve manter uma "postura discreta".

Ségolène Royal, a candidata socialista derrotada por Nicolas Sarkozy na eleição presidencial de 2005, foi companheira de Hollande durante anos. O casal teve três filhos.

Valérie Trierweiler é uma jornalista de revista Paris Match. Para não abandonar a profissão e evitar conflitos de interesses, ela prometeu não escrever sobre política, mas não resistiu a uma picuinha contra a rival, desafiando a cúpula socialista e o próprio Hollande, que apoia Ségolène.

No Twitter, a atual mulher do presidente disse: "A melhor sorte para Olivier Falorni, um candidato de valor que merece ser eleito pelo que fez pelo povo de La Rochelle".

Em entrevista à TV France 3, Ségolène se recusou a responder diretamente à provocação, mas reclamou dos ataques "pessoais" e "depreciativos": "Nesta campanha, jamais farei ataques pessoais", declarou a ex-Madame Hollande, citada pelo jornal Le Monde. "Minha responsabilidade é elevar o nível do debate".

As pesquisas preveem uma vitória esmagadora para Falorni. Mas também é evidente que Valérie não entendeu seu lugar na política francesa. Ela não pode ter um escritório no Palácio do Eliseu com equipe própria paga pelo governo, circular como primeira dama e trabalhar como jornalista. Para quem falou que não queria aparecer, já apareceu demais.

Quando casou com a modelo, atriz e cantora Carla Bruni, o ex-presidente Nicolas Sarkozy colocou sua vida privada no centro da política francesa. Era um casal da era do espetáculo. O Partido Socialista criticava muito aquela exposição pública da intimidade do primeiro casal.

Durante a campanha eleitoral, François Hollande prometeu ser um presidente "normal". O tuitaço de Valérie foi constrangedor para o parceiro.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

UMP não fará alianças com esquerda e ultradireita

A União por um Movimento Popular (UMP), partido do ex-presidente Nicolas Sarkozy, declarou hoje que não vai apoiar candidatos nas disputas do segundo turno das eleições legislativas da França entre a esquerda e a Frente Nacional, de extrema direita.

Os resultados do primeiro turno, realizado ontem, com 47% dos votos para partidos de esquerda e 35% para os de centro-direita e 13,6% para a FN, indicam que o presidente socialista François Hollande, eleito em 6 de maio de 2012, terá maioria na futura Assembleia Nacional.

O segundo turno será realizado no próximo domingo, 17 de junho.

domingo, 10 de junho de 2012

Esquerda vence 1º turno na França com 47%

Com cerca de 47% dos votos, os partidos de esquerda venceram o primeiro turno das eleições legislativas da França, realizada neste domingo, anunciou a televisão francesa TV5 Monde assim que a votação foi encerrada. Isso consolida o poder do presidente socialista François Hollande, eleito em 6 de maio com uma plataforma de vencer a crise com crescimento econômico.

Pelas pesquisas de boca de urna, os partidos de centro-direita receberam 34% da votação e a Frente Nacional, de extrema direita, 13,6%. A abstenção de 42,77% de um total de 46 milhões de eleitores inscritos foi um recorde para a 5ª República, fundada pelo general Charles de Gaulle em 1958 para substituir o parlamentarismo por um semipresidencialismo.

Os resultados são apresentados desta maneira porque as esquerdas devem se unir sob a liderança do Partido Socialista no segundo turno, no próximo domingo, enquanto os partidos de centro-direita podem fazer alianças à esquerda para barrar candidatos da Frente Nacional e evitar que a extrema direita tenha representantes na Assembleia Nacional da França.

No sistema eleitoral francês, de voto distrital em dois turnos, esses percentuais devem garantir maioria parlamentar para o presidente socialista François Hollande. O primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault foi reeleito no primeiro turno. Já o líder da Frente de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon, foi derrotado pela líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, e não vai para o segundo turno.

As projeções do jornal Le Monde e da Rádio France dão à esquerda de 305 a 353 deputados na nova Assembleia Nacional, contra 227 a 266 para a centro-direita e de zero a duas cadeiras, no máximo, para a ultradireita. A maioria absoluta exige pelo menos 289 deputados.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Esquerda lidera sem ampla vantagem na França

A relação de forças favorece a esquerda nas eleições para a Assembleia Nacional da França em 10 e 17 de junho, mas não será uma vitória esmagadora, prevê uma pesquisa realizada pelo instituto Ipsos, que ouviu 962 eleitores franceses em 26 e 27 de maio.

Cerca de 35% pretendem votar na União por um Movimento Popular (UMP), partido do ex-presidente Nicolas Sarkozy e seus aliados. O Partido Socialista e seus aliados teriam 31% dos votos, seguidos pela Frente Nacional, de extrema direita, com 15%; a Frente de Esquerda, com 8%; os Verdes, com 6% e a extrema esquerda, com 1,5%.

Na comparação bloco a bloco, a direita teria 50% contra 46,5% para a esquerda. Como a UMP se nega a fazer uma coalizão com a extrema direita e pode até apoiar a esquerda para barrar o acesso dos neofascistas ao parlamento, a vitória final deve ser da esquerda, reporta o jornal Le Monde.

Para obter maioria, o PS teria de fazer um acordo com a Frente de Esquerda e os Verdes, seus aliados naturais, que apoiaram François Hollande no segundo turno da eleição presidencial, em 6 de maio, deixando a ultraesquerda fora do governo.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Rússia prende 600 manifestantes anti-Putin

No segundo dia de protestos contra denúncias de fraude nas eleições parlamentares de domingo passado, o governo da Rússia prendeu mais de 600 manifestantes em Moscou, inclusive o ex-primeiro-ministro Boris Nemtsov, um dos líderes da oposição liberal.

O primeiro protesto, na segunda-feira, tinha autorização, mas não o desta noite, duramente reprimido pela polícia. Seu principal alvo é o primeiro-ministro Vladimir Putin, homem-forte do regime, acusado diretamente pela fraude. Os gritos eram: "Fora Putin!"

Em outro canto da capital russa, partidários do primeiro-ministro e do partido Rússia Unida fizeram uma manifestação paralela, defendendo o resultado oficial da eleição.

Com uma queda na votação de 64,7% para 49,5%, a Rússia Unida mantém a maioria na Duma do Estado, a Câmara Federal do país, mas sua bancada caiu de 315 para 238 deputados e essa vitória está sendo contestada.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Islamitas obtêm 60% dos votos no Egito

Os dois maiores partidos religiosos conquistaram 60% dos votos nas eleições parlamentares de 28 de novembro de 2011 no Egito, anunciaram hoje os jornais do país, citando como fonte a comissão eleitoral.

Mais antigo movimento fundamentalista do mundo, a moderada Irmandade Muçulmana obteve cerca de 40% com o Partido da Justiça e Liberdade, enquanto os partidos salafistas, que são extremistas, conseguiram cerca de 20% e o Bloco Egípcio, liberal, ficou com 15%.

Até agora, a votação foi realizada apenas em parte do país, mas em regiões consideradas mais liberais, inclusive no Cairo, a capital egípcia.

A ampla vitória dos islamitas deve aumentar a determinação dos militares do Egito de tutelar a democracia nascente e se colocar como "guardiães" da Constituição e de um Estado laico, secularista, para evitar a imposição do direito islâmico.

Já era esperado que os partidos liberais, desorganizados e prejudicados pela associação às potências ocidentais, não tivessem bom desempenho nas urnas. Mas a vitória esmagadora dos islamitas, além das previsões, coloca mais uma sombra sobre o processo de democratização do Egito.

Como líder do mundo árabe, o Egito dará a tendência para os outros países do Norte da África e do Oriente Médio.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Partido islamita moderado vence eleições na Tunísia

Numa prévia do que se pode esperar dos países libertados de ditaduras na chamada primavera árabe, o partido islamita moderado Nahda ganhou as eleições realizadas ontem na Tunísia.

O país onde começaram as revoltas populares no mundo árabe foi o primeiro a realizar eleições. A projeção é que Nahda eleja 40% dos deputados da assembleia que vai redigir uma nova constituição.

Como observador internacional, o ex-presidente peruano Alejandro Toledo ajudou a fiscalizar a votação e atestou a lisura do pleito.

Quando se pensa em democracia no mundo árabe, é inevitável a existência de partidos religiosos e nacionalistas. As manifestações de massa surpreenderam ao revelar a presença de uma opinião pública liberal, mas os islamitas talvez fossem o único setor organizado da oposição.

Em 1991, a França e os Estados Unidos apoiaram o golpe militar contra as eleições na Argélia, que seriam vencidas pela Frente Islâmica de Salvação com ampla maioria. O resultado foi uma violenta guerra civil, com cerca de 100 mil mortes.

Durante décadas, os ditadores árabes acenaram com o fantasma do fundamentalismo islâmico como desculpa para justificar a ausência de democracia. Em países como o Egito e a Tunísia, com instituições mais fortes, o Exército deve exercer algum controle do processo de democratização, a exemplo do que aconteceu na Turquia.

Na Líbia, onde Kadafi destruiu todas as instituições, o desafio de criar uma ordem liberal que garanta a pluralidade democrática é muito mais difícil.

Numa comparação com o Brasil, aqui houve uma breve experiência democrática de 1946 a 1964, com muito radicalismo e autoritarismo, que levaram a 21 anos de ditadura. A transição começa em 1974, com a posse do general Ernesto Geisel na Presidência, depois que o embargo à venda de petróleo dos países árabes gerou uma crise internacional que acabou com o modelo econômico da ditadura, baseado em energia e mão de obra baratas.

Esses países árabes recém-libertados não tiveram qualquer experiência democrática no passado. O Egito era uma semicolônia do Ocidente desde a invasão napoleônica de 1798. Quando os coronéis liderados por Gamal Abdel Nasser derrubaram a monarquia, em 1952, aliaram-se à União Soviética e criaram uma ditadura de partido único comandada pelas Forças Armadas que só caiu em 11 de fevereiro de 2011.

A Tunísia foi governada por Habib Bourguiba durante 30 anos, da independência da França, em 1957, até o golpe de Zine Abidine ben Ali, em 1987. Ben Ali só foi derrubado em 14 de janeiro de 2011.

O teste da democracia no mundo árabe está apenas começando. A conferir como os islamitas vão se comportar no poder.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

ANP anuncia eleições palestinas até setembro

A Autoridade Nacional Palestina vai realizar eleições legislativas até setembro, revelou hoje Yasser Abed Raddo, conselheiro do presidente Mahmoud Abbas.

Não está claro se vai haver eleições na Faixa de Gaza, controlada desde 2007 pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).

domingo, 27 de abril de 2008

Conservadores vencem segundo turno no Irã

Os candidatos conservadores conquistaram pelo menos 53 das 82 cadeiras em jogo no segundo das elições para o Majlis, o Parlamento do Irã. Assim, os conservadores, que apóiam a república islâmica, terão cerca de 80% das 290 cadeiras.

No segundo turno, os reformistas elegeram até agora apenas 12 deputados. Dos 11 distritos em disputa na capital, Teerã, os conservadores ganharam em 10. Os reformistas se queixam que 70% dos seus candidatos, cerca de 1,7 mil pessoas, tiveram seus pedidos de inscrição de candidatura vetados pelo regime fundamentalista iraniano.