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segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Extrema direita surpreende e vence eleição primária na Argentina

 O economista e deputado de ultradireita Javier Milei venceu as eleições primárias abertas simultâneas e obrigatórias (PASO) na Argentina com 30,25% dos votos. É o candidato da antipolítica na eleição presidencial de outubro e novembro.

A aliança de direita Juntos pela Mudança (JxC), ficou em segundo com 28,25%, com vitória na disputa interna da ex-ministra Patricia Bullrich (17%) sobre o prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta (11,2). 

A União pela Pátria, do governo peronista, ficou em terceiro com 27,17%. Com inflação de 115% ao ano, o ministro da Economia, Sergio Massa, que tinha a expectativa de ser o mais votado, teve apenas 21,35% dos votos.

Desde já, Milei é o favorito no primeiro da turno da eleição presidencial, em 22 de outubro. Se nenhum candidato tiver mais de 45% dos votos ou mais de 40% e vantagem de mais de 10 pontos sobre o segundo colocado, haverá segundo turno em 19 de novembro.

Eufórico, Milei declarou: "Conseguimos construir esta alternativa competitiva que não dará fim só ao kirchnerismo. Além disso, dará fim à casta política parasitária, ladra e inútil." O jornal argentino Clarín o comparou aos ex-presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro e ao presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que assumiu poderes ditatoriais.

"O impacto do triunfo de Milei e sua amplitude falam da extensão da desesperança e da raiva que pulsa na sociedade argentina, que quis com seu voto agora em agosto expressar seu mal-estar profundo", escreveu o colunista Ricardo Kirschbaum. "Que esse sentimento se transforme numa força política capaz de governar este país complexo ainda é uma incógnita." 

Sua crítica ataca tanto a direita quanto a esquerda, mas o ex-presidente Mauricio Macri, líder da aliança JxC, destacou que a soma dos votos da direita e da extrema direita indica que os argentinos querem mudança.

Neste sentido, o grande derrotado nestas primárias foi o kirchnerismo, a força política que dominou a política argentina a partir de 2003, com a breve interrupção do governo Macri (2015-19), desde a recuperação do país da profunda crise causada pelo colapso da dolarização da economia, em dezembro de 2001, quando 58% dos argentinos caíram abaixo da linha de pobreza. Hoje, mais de 40% estão na pobreza.

A crise econômica argentina vem desde a última ditadura militar, que acabou com a indústria, inflou o sistema financeiro e reprimiu os sindicatos, reduzindo a renda dos trabalhadores em 37%.

Quando Raúl Alfonsín foi eleito presidente, em 1983, pela União Cívica Radical (UCR), os argentinos acreditavam que a democracia traria estabilidade política e resgataria a prosperidade do que já foi um dos dez países mais ricos do mundo.

Alfonsín (1983-89) não conseguiu controlar a inflação herdada da ditadura. Com alta de preços de 200% ao mês, deixou o poder cinco meses antes do fim do mandato, na primeira transição pacífica de um presidente civil para outro desde 1930 na Argentina.

Sem sucesso com os dois primeiros ministros da Economia, o presidente Carlos Menem (1989-99), peronista de direita, recorreu a Domingo Cavallo, que dolarizou a economia argentina, enrijecendo-a de uma forma que a pesificação deflagrou uma das piores crises de uma economia moderna e relativamente desenvolvida. Deixou a herança maldita para o radical Fernando de la Rúa (1999-2001), que renunciou com dois anos de governo, em 21 de dezembro de 2001, em meio a uma onda de protestos e saques com 39 mortes.

Em 2002, no auge da crise, após uma sucessão de presidentes temporários, assume o peronista Eduardo Duhalde, o candidato derrotado por De la Rúa em 1999. 

Duhalde patrocina a candidatura de Néstor Kirchner em 2003, que como presidente assume o controle do Partido Justicialista (peronista), afasta Duhalde e elege a mulher para a Casa Rosada em 2007. Cristina Kirchner foi a primeira mulher eleita para governar a Argentina, ocupando o lugar mítico de Evita Perón. 

Kirchner se preparava para voltar quando morreu de infarto em outubro de 2010. Cristina é reeleita em 2011 com 54% dos votos, 37 pontos à frente do segundo colocado. Mas seu segundo governo afunda o país na crise econômica, com corrupção, manipulação da inflação, excesso de gastos públicos, endividamento e ruptura com o sistema financeiro internacional.

O resultado foi a eleição de Macri em 2019. Além de não resolver a crise econômica crônica da economia argentina, Macri fez o maior empréstimo da história do FMI, no valor de US$ 57 bilhões.

Por causa da rejeição Cristina indicou Alberto Fernández em 2019 e ficou como vice. A piada é que a Argentina é um país tão original que inventou o vice-presidencialismo. Cristina várias vezes humilhou publicamente seu apadrinhado para mostrar quem manda.

Assim, a vice-presidente Cristina Kirchner é a maior derrotada. Não foi candidata e não apareceu. A única boa notícia para o kirchnerismo foi a vitória do governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, ex-ministro da Economia de Cristina, com 36,38% votos com mais de 80% das urnas apuradas, à frente de JxC e do partido direita A Liberdade Avança (La Libertad Avanza, LLA).

Massa aposta no canibalismo dos candidatos de direita para que a esquerda fique com uma das vagas no segundo turno. Depois do fracasso do governo Alberto Fernández (2109-23) e da sombra permanente da vice-presidente Cristina Kirchner, as PASO mostram um risco de que o peronismo fique fora do segundo turno, o que seria algo sem precedentes.

Milei surpreendeu em todo o país. Seus candidatos foram mal em eleições regionais recentes As pesquisas lhe davam algo em torno de 20% das preferências. Ele faz sucesso entre os jovens, cansados do kirchnerismo e do macrismo. Apresenta-se como anarcocapitalista.

Seu ponto fraco é a promessa de resolver a crise econômica e a hiperinflação dolarizando a economia argentina, o que já deu errado uma vez e não tem por que dar certo, extinguindo vários ministérios, inclusive da saúde, da educação da cultura, e o Banco Central. 

Nos costumes, Milei quer acabar com o direito ao aborto, mas é a favor do casamento gay porque entende que o Estado não deve interferir na vida privada dos cidadãos. Também é contra o Mercosul. Alega que o Estado não deve intervir na economia e que o comércio exterior é uma questão do setor privado. 

A corrupção é endêmica. "Conseguimos que o Estado parasse de matar", declarou Luis Moreno Ocampo, procurador adjunto no Julgamento das Juntas Militares, que depois foi procurador-geral do Tribunal Penal Internacional, quando 1985 foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiros. "Mas ainda não conseguimos que pare de roubar."

Neste pântano político, com a inflação correndo a renda das classes médias, o discurso da antipolítica faz sucesso. Se quiserem barrar Milei, os partidos tradicionais devem pensar desde agora numa possível aliança no segundo turno.

quarta-feira, 18 de março de 2020

Biden vence mais três primárias e consolida candidatura à Casa Branca

Com mais três amplas vitórias em eleições primárias em estados importantes, Flórida, Illinois e Arizona, o ex-vice-presidente Joe Biden aumentou sua liderança na disputa pela candidatura do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos em 3 de novembro. 

A pressão para que o senador socialista Bernie Sanders desista e se una à campanha contra o presidente Donald Trump tende a aumentar. Na prática, ele não tem mais chance de provocar uma reviravolta.

Ao lado de Nova York, a Flórida é o terceiro estado que mais manda delegados ao Colégio Eleitoral que elege o presidente dos EUA (29), depois da Califórnia (55) e do Texas (38). É um estado com grande população de origem latino-americana que, ao contrário de outros estados, vota no Partido Republicano por causa da questão cubana.

Lá, Biden conquistou 61,9% dos votos e leva 130 delegados à Convenção Nacional Democrata, que vai indicar oficialmente o candidato, contra 22,8% e 48 delegados para Sanders.

Em Illinois, o estado onde o ex-presidente Barack Obama iniciou a carreira política, Biden venceu por 59,1% a 36,1%, conquistando 93 delegados contra 46 para Sanders.

É o estado onde fica Chicago, a terceira maior e mais importante cidade dos EUA, depois de Nova York e Los Angeles. Tem uma grande população negra que se identifica com Obama, é o quarto estado que mais envia delegados ao Colégio Eleitoral (20) e será decisivo na eleição presidencial.

No Arizona, um estado do Oeste com grande população de latinos e aposentados, por causa do calor, onde o Partido Republicano costuma vencer, a apuração ainda não terminou. Com 88% das urnas apuradas, Biden tem 43,6% contra 31,6% para Sanders.

Por enquanto, Biden leva 26 delegados e Sanders 22 à convenção democrata. Para o Colégio Eleitoral, o Arizona manda 11 delegados.

O estado de Ohio também deveria realizar eleições prévias hoje. As autoridades de saúde proibiram por causa da pandemia do novo coronavírus. A votação deve ser realizada pelo correio.

Por causa da pandemia, o Partido Democrata cogita não realizar sua convenção nacional. Se o candidato estiver definido, melhor. A campanha eleitoral migrou para a Internet. O fracasso da resposta inicial do governo Donald Trump ao coronavírus e a possível recessão ajudam a oposição.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Bloomberg deixa corrida à Casa Branca e apoia Biden

Depois de gastar meio bilhão de dólares na sua própria campanha e de um desempenho fraco ontem na superterça-feira, o ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg abandonou hoje a disputa pela candidatura do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos em 3 de novembro. 

Bloomberg anunciou apoio ao ex-vice-presidente Joe Biden, o grande vencedor ontem, para barrar o senador socialista Bernie Sanders, que será um adversário fácil para o presidente Donald Trump.

"Depois dos resultados de ontem, a matemática dos delegados se tornou virtualmente impossível. Um caminho viável para a nomeação não existe mais", declarou Bloomberg.

"Sempre acreditei que a derrota de Donald Trump começa pela união em torno do candidato com melhores condições de fazê-lo. Depois da votação de ontem, está claro que este candidato é meu amigo Joe Biden, um grande americano. Vou trabalhar para que seja o próximo presidente dos EUA", acrescentou.

É o quarto pré-candidato ao deixar a corrida à Casa Branca dos democratas, depois do deputado Beto O'Rourke, do ex-prefeito Pete Buttigieg e da senadora Amy Klobuchar, numa reação da cúpula e da ala moderada do Partido Democrata, que considera Sanders inelegível.

O senador por Vermont parecia estar numa ascensão irresistível. Se tivesse vencido ontem, provavelmente abriria uma vantagem capaz de garantir a maioria dos delegados à Convenção Nacional do Partido Democrata, que vai indicar o candidato de 13 a 16 de julho, em Milwaukee, no estado de Wisconsin.

Sanders se apresenta como um socialista. Seu programa prevê um enorme aumento nos gastos públicos para financiar um sistema de saúde estatal para todos, universidade gratuita e outras propostas que seduzem especialmente os jovens. Mas a participação dos jovens ontem foi fraca. A "revolução jovem" do senador veterano não aconteceu e a coalizão formada por Sanders parece ter chegado ao limite.

Biden ganhou com os votos do eleitorado negro e dos idosos. Ele tem forte apelo junto à classe trabalhadora sem curso superior, um segmento decisivo para a vitória de Trump em 2016.

Biden domina o Sul mas perde na Califórnia na superterça-feira

O ex-vice-presidente Joe Biden conteve o crescimento da pré-candidatura do senador socialista Bernie Sanders com uma expressiva vitória nos estados do Sul dos Estados Unidos na superterça-feira. 

Joe Biden consolidou sua posição como o candidato moderado, mas perdeu no maior estado, a Califórnia, onde perde para Sanders e esteve atrás do ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg.

A apuração das eleições prévias do Partido Democrata ainda está em andamento nos dois maiores estados, a Califórnia e o Texas, onde o ex-vice-presidente assumiu a liderança com 60% das urnas apuradas.

Biden venceu no Alabama, em Arkansas, na Carolina do Norte, em Massachusetts, em Minnesota, em Oklahoma, no Tennessee e na Virgínia. No momento, lidera a apuração com 38 mil votos de vantagem no Texas, que manda 228 delegados à Convenção Nacional do Partido Democrata que vai indicar o candidato de 13 a 16 de julho em Milwaukee, no estado de Wisconsin.

Sanders ganhou no Colorado, em Utah, e em Vermont, o estado que representa no Senado. Tem uma vantagem de 140 mil votos na Califórnia, que envia 415 delegados à convenção.

A senadora Elizabeth Warren ficou em terceiro no seu estado, Massachusetts, vencido por Biden, com Sanders em segundo, o que deve enterrar sua candidatura. Warren promete ir até a convenção, mas deve sofrer pressão da ala mais à esquerda do partido para sair da disputa e apoiar Sanders.

Bloomberg, o bilionário que se apresentava como o moderado capaz de derrotar Trump, teve um desempenho fraco hoje à noite. Foi para Nova York para reavaliar sua campanha. Não quer se sua participação ajude Sanders.

Para conquistar a investidura do Partido Democrata, um candidato precisa do apoio de 1.991 delegados. Se nenhum candidato conseguir o número necessário de delegados, a disputa final será na convenção, com sério risco de dividir o partido.

O ex-vice-presidente vence com o apoio do eleitorado negro e dos velhos. Sanders tem ampla liderança entre os jovens, mas o comparecimento às urnas dos jovens é pequeno. A "revolução jovem" de Sanders ainda não aconteceu.

Com a série de vitórias, Biden acumula mais de 450 delegados e Sanders mais de 380.

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Biden vence eleição primária na Carolina do Sul

Com pouco menos da metade dos votos, o ex-vice-presidente Joe Biden vence a eleição primária da Carolina do Sul, onde 61% dos eleitores do Partido Democrata são negros. Renasce, assim, uma campanha em que se apresenta como do candidato moderado com melhores chances de vencer o presidente Donald Trump em 3 de novembro.

O senador socialista Bernie Sanders está em segundo lugar, com 19,1%. Os outros candidatos estão abaixo do limite de 15% para conquistar delegados à convenção nacional do partido que vai indicar o candidato em julho na cidade de Milwaukee, no estado de Wisconsin.

Em terceiro, está o bilionário Tom Steyer, com 11,5%, seguido do ex-prefeito Pete Buttigieg (7,8%), da senadora Elizabeth Warren (6,8%), da senadora Amy Klobuchar (3%). Há pouco, Steyer anunciou sua saída da corrida à Casa Branca.

Agora, os pré-candidatos vão para a superterça-feira, 3 de março, quando 14 estados realizam primárias.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Primárias democratas começam com grande atraso na divulgação do resultado

A luta para derrotar o presidente Donald Trump na eleição de 3 de novembro começou com problemas técnicos. Até agora, só foi divulgado um resultado parcial das convenções regionais do Partido Democrata no estado de Iowa. 

Com a apuração dos votos em 62% dos locais de votação, o ex-prefeito Pete Buttigieg (26,9%) lidera, seguido pelo senador socialista Bernie Sanders (25,1%). A senadora Elizabeth Warren (18,3%) ficou em terceiro e o suposto favorito nas pesquisas nacionais, o ex-vice-presidente Joe Biden, foi o quarto (15,6%).

No fim da apuração, quem tiver mais de 15% leva parte dos delegados do estado à convenção nacional que vai indicar o adversário de Trump, a ser realizada de 13 a 16 de julho em Milwaukee, no estado de Wisconsin.

Os dirigentes estaduais do partido, que organizaram a prévia, negam ter havido um ataque cibernético. Atribuíram o atraso a um aplicativo usado para fazer a totalização dos votos.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Democratas começam a escolher o adversário de Donald Trump

Os americanos começam a votar para escolher o próximo presidente dos Estados Unidos. O estado de Iowa faz hoje a primeira eleição prévia entre os aspirantes à candidatura do Partido Democrata, de oposição. Com a economia crescendo em ritmo de 2,1% ao ano e a taxa de desemprego em 3,5%, o presidente Donald Trump é favorito, apesar da impopularidade.

Num regime presidencialista, como no Brasil e nos Estados Unidos, a reeleição é sempre um plebiscito sobre o governo do dia e o presidente tem a máquina pública nas mãos. Como ficou evidente nas relações com a Ucrânia que levaram ao processo de impeachment, Trump não hesita em usar a máquina para trabalhar para ele.

Mas hoje é o dia do início das prévias democrata. No estado de Iowa, não é uma eleição primária, é uma série de convenções regionais só para membros do partido. Iowa elege 49 delegados à Convenção Nacional do Partido Democrata que vai escolher o candidato de 13 a 16 de julho em Milwaukee, no estado do Wisconsin. 

O candidato do Partido Republicano será indicado em convenção nacional a ser realizada de 24 a 27 de agosto em Charlotte, no estado da Carolina do Norte. Com certeza, será Trump. 

A eleição no voto popular está marcada para 3 de novembro. Quem vencer em cada estado, ganha os delegados do estado no Colégio Eleitoral que vai eleger efetivamente o presidente dos Estados Unidos em 14 de dezembro. Meu comentário:

terça-feira, 2 de julho de 2019

Kamala Harris sobe entre democratas na corrida à Casa Branca

Grande vencedora dos debates da semana passada, a senadora pelo estado da Califórnia Kamala Harris ficou em segundo lugar na última pesquisa da rede de televisão americana CNN sobre os pré-candidatos do Partido Democrata à eleição presidencial de 2020, ultrapassando os senadores Bernie Sanders e Elizabeth Warren.

No segundo debate, na sexta-feira, a senadora desafiou o líder nas pesquisas sobre a candidatura democrata, o ex-vice-presidente Joe Biden, ao falar de suas relações com supremacistas brancos do Partido Republicano. Quem conhece a luta de Biden pelos direitos civis considerou a crítica exagerada, mas aparentemente pegou bem entre os eleitores do partido.

Biden lidera com 22%, seguido de Harris com 17%, Warren com 15% e Sanders com 14%, na pesquisa CNN. As eleições primárias começam no início do próximo ano.

Como há 20 democratas lutando pela candidatura, os postulantes foram divididos em dois grupos para os primeiros debates. O primeiro dia foi dominado por Warren. Não houve grandes choques. Os pré-candidatos estavam mais interessados em se apresentar ao eleitorado e o líder não estava presente para ser alvo de todos os outros.

Harris, Biden e Sanders estavam no segundo dia. A senadora californiana impressionou com sua história da vida pessoal de uma menina negra que se sentia segregada quando frequentava uma escola pública em Berkeley.

A ascensão de Warren pela esquerda é atribuída em parte ao desgaste do socialista Sanders, que não é mais novidade como em 2016, quando desafiava a ex-secretária de Estado Hillary Clinton.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Hillary é a primeira mulher candidata a presidente dos EUA

Como uma "forte adesão de última hora de superdelegados", pelos cálculos da agência Associated Press a ex-secretária de Estado Hillary Clinton já tem o apoio dos 2.384 delegados, uma mais do que o necessário para garantir sua indicação como candidata do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos em novembro de 2016 na convenção nacional de 25 a 28 de julho na Filadélfia. Será a primeira mulher a concorrer à Casa Branca.

Seu adversário, o senador socialista Bernie Sanders, está em plena campanha para a eleição primária desta terça-feira na Califórnia na esperança de superar Hillary na contagem de delegados excluindo os superdelegados.

Sanders critica os superdelegados, mas aposta numa "convenção contestada" para tentar convencer os superdelegados a mudar para ele.

"A secretária Clinton não tem e não terá o número requerido de delegados para garantir a nomeação", afirmou Michael Briggs, o porta-voz do senador. "Ele vai depender dos superdelegados, que não votam até 25 de julho e que podem mudar de ideia até lá."

No cômputo geral, Hillary recebeu nas eleições primárias e convenções estaduais do Partido Democrata 3 milhões de votos a mais do que Sanders e conquistou assim 300 delegados a mais.

Como o partido costuma dividir os delegados proporcionalmente à votação e Hillary tem uma vantagem de quatro pontos nas pesquisas, é improvável que os 548 delegados da Califórnia pesem decisivamente a favor de Sanders.

Há semanas, os caciques democratas pressionam Sanders a cessar os ataques, abandonar a campanha e unir o partido em torno da candidatura Hillary. Com o fervor dos jovens e esquerdistas atraídos pelo senador, o risco é que a frustração de uma derrota nas eleições primárias os afaste das eleições de 8 de novembro.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Liberais pressionam Sanders a abandonar corrida à Casa Branca

CAMBRIDGE-MA, EUA - Depois de uma noite de intimidação e ameaças de violência, inclusive contra a senadora Barbara Boxer, líderes do Partido Democrata acusaram o senador socialista Bernie Sanders de fazer o jogo do republicano Donald Trump ao atacar Hillary Clinton e convencer seus aliados de que ele ainda têm chance de ser o candidato do partido à Presidência dos Estados Unidos em 8 de novembro.

Com as eleições prévias de ontem, faltam apenas 92 delegados para Hillary chegar aos 2.383 necessários para garantir a indicação na convenção nacional democrata. Entre eles, há os chamados superdelegados. A nova tática dos aliados de Bernie é tentar pressioná-los a mudar de lado.

Enquanto isso, Bernie tenta convencer seus eleitores de que pode vencer Hillary e ser o candidato democrata. Não tem a menor chance de bater Hillary e dificilmente um socialista ganharia uma eleição geral nos EUA, que será decidida pelos eleitores independentes, sem filiação partidária.

O problema é que no fim das eleições primárias, se não vencerem, os eleitores de Bernie ficaram revoltados como ontem à noite no estado de Nevada e podem não votar em novembro, abrindo caminho para a ascensão do magnata imobiliário Donald Trump, que se mostrou capaz de dizer qualquer coisa para se eleger e de se desdizer depois, se não agradar.

Trump é um perigo. Há um ano, ninguém acreditava que pudesse ser o candidato republicano. Hillary, por sua vez, tem muitas vulnerabilidades, a começar pelo uso de uma conta privada de correio eletrônico quando era secretária de Estado do primeiro governo Barack Obama e pelas doações milionárias recebidas pela Fundação Clinton.

Hillary é considerada direitista demais pela ala mais à esquerda do Partido Democrata. Sob pressão de Bernie, adotou bandeiras de esquerda. Pode ser considerada esquerdista demais pelo eleitorado. E Trump vai explorar todas as acusações contra ela ventiladas por Bernie e seus seguidores.

O senador socialista do estado de Vermont cumpriu seu papel ao denunciar a concentração da riqueza e o peso excessivo do dinheiro e do centro financeiro de Wall Street nas eleições americanas, mas no momento corre o risco de ajudar a eleger um plutocrata para a Casa Branca.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Presidente da Câmara dos EUA nega apoio a Trump

Em uma rejeição ao provável candidato do Partido Republicano à Casa Branca, o presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, deputado Paul Ryan, declarou ontem que "não está pronto" para apoiar Donald Trump. Primeiro, quer que o bilionário una o partido.

Como o republicano com o mais alto cargo nos EUA, Ryan é o segundo na linha de sucessão do presidente e será o presidente da Convenção Nacional Republicana, marcada para 18 a 21 de julho em Cleveland, no estado de Ohio.

Durante entrevista à televisão americana CNN, o presidente da Câmara declarou querer "um porta-bandeira que carregue nossas bandeiras". Nas eleições primárias do partido, Trump insultou as mulheres, os latinos, os muçulmanos, o México e a China, entre outros alvos.

Quando o magnata imobiliário propôs impedir temporariamente a entrada de muçulmanos nos EUA, o presidente da Câmara protestou: "Isto não é conservadorismo. O que foi proposto ontem não é o que nosso partido e, mais importante, o nosso país defendem", declarou Ryan em dezembro.

"Penso que os conservadores querem saber: ele compartilha nossos valores e princípios sobre governo limitado, o papel adequado do Executivo e adesão à Constituição?", questionou Ryan. "Acredito ser necessário unificar o partido, e penso que a maior parte desta tarefa cabe ao provável candidato."

Trump reagiu meia hora depois, dizendo: "Não estou pronto para apoiar a agenda de Ryan." E acrescentou: "Talvez no futuro possamos trabalhar juntos e chegar a um acordo sobre o que é melhor para o povo americano. Ele tem sido tratado tão mal por tanto tempo que é hora dos políticos o colocarem em primeiro lugar."

Depois dos violentos ataques ao ex-governador da Flórida Jeb Bush, os ex-presidentes George Herbert Walker Bush e George Walker Bush, pai e irmão de Jeb, anunciaram que não vão apoiar Trump sob hipótese alguma.

Haveria inclusive uma conspiração em marcha articulada pela cúpula do Partido Republicano para lançar um candidato conservador independente que roube votos de Trump à direita, impedindo sua vitória em 8 de novembro.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Trump vence em Indiana e Cruz abandona corrida à Casa Branca

Depois de uma vitória do bilionário Donald Trump por 53% a 37% na eleição primária do estado de Indiana, o senador evangélico texano ultraconservador Ted Cruz abandonou a disputa pela candidatua do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos em 8 de novembro de 2016. No Partido Democrata, o senador Bernie Sanders impôs mais uma derrota à favorita Hillary Clinton.

Na prática, Trump garantiu a indicação, apesar da rejeição de sua candidatura pela cúpula republicana. O governador de Ohio, John Kasich, que não fez campanha para aumentar as chances de Cruz, ficou em terceiro com 7,6% dos votos.

Faltam agora apenas 227 delegados para Trump atingir os 1.237 necessários para garantir a nomeação na convenção nacional do partido, marcada para 18 a 21 de julho em Cleveland, Ohio. Com nove eleições prévias a realizar, inclusive na Califórnia, o maior estado americano, o magnata precisa conquistar menos da metade dos delegados em jogo para ser candidato em novembro.

"Demos tudo em Indiana, mas os eleitores fizeram outra escolha", lamentou Cruz ao anunciar a desistência.

Horas antes, Cruz havia detonado Trump, que acusou o pai do adversário de ter participado do assassinato do presidente John Kennedy, em 1963, chamando-o de "totalmente amoral", "narcisista", "pilantra" e "mentiroso patológico".

O magnata imobiliário contra-atacou no Twitter: "O mentiroso Ted Cruz realmente pirou hoje. Fez todo tipo de acusações malucas. Não pode funcionar sob pressão - não é muito presidenciável. Triste!"

Um comitê de ação política que gastou US$ 1,3 milhão em Indiana para derrubar Trump promete continuar a campanha "para abrir os olhos dos eleitores".

Durante a campanha, um acusou a mulher do outro. Nada foi poupado num debate de baixo nível em que Trump não deixou nada sem resposta. Por isso, ele é rejeitado por 65% do eleitorado americano, enquanto sua provável adversária, a ex-secretária de Estado, ex-senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton tem 56% de rejeição.

O repúdio a Hillary é evidente dentro do próprio Partido Democrata, onde o socialista Bernie Sanders seduziu a esquerda do partido com seus ataques à concentração da riqueza e os privilégios do centro financeiro de Wall Street.

Por 53% a 47%, Bernie venceu Hillary em Indiana, o que se repete em vários estados onde não grandes parcelas de negros e latinos no eleitorado. Onde essas minorias são importantes, dá Hillary.

Nas pesquisas sobre um possível confronto entre Hillary e Trump na eleição de novembro, a ex-secretária de Estado lidera com uma vantagem de 10 pontos percentuais.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Ted Cruz indica Carly Fiorina para vice nos EUA

Num gesto de desespero, sem condições matemáticas de superar o magnata imobiliário Donald Trump na disputa pela candidatura do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos em 8 de novembro, o senador evangélico ultraconservador Ted Cruz indicou a executiva Carly Fiorina como candidata a vice-presidente.

"Durante os 13 meses desta corrida, houve uma lutadora testada e consistente. Uma lutadora que aterroriza Hillary. Por isso, tenho o orgulho de anunciar Carly Fiorina como minha vice-presidente", declarou Cruz.

Ex-diretora-executiva da empresa multinacional Hewlett-Packard (HP), Fiorina, de 61 anos, foi candidata ao Senado pela Califórnia em 2010, o estado mais populoso dos EUA, onde haverá 172 delegados em disputa na eleição primária republicana.

Sem grande prestígio num estado liberal depois de ser arrasado por Trump no Nordeste dos EUA por criticar os "valores de Nova York", resta a Cruz apelar ao eleitorado religioso e a Fiorina. O bilionário lidera na Califórnia com mais de 25 pontos percentuais de frente.

Quando ainda estava na luta, Fiorina afirmou que não aceitaria um convite para ser vice: "Não. Estou concorrendo a presidente e não para ser vice. As pessoas que me apoiam sabem que sou a candidata mais qualificada para ser presidente e para conquistar o cargo. Este é o desafio e vou ganhar."

Em março, depois de abandonar sua própria campanha, Fiorina apoiou Cruz. O costume é indicar o candidato a vice-presidente quando a candidatura a presidente está assegurada.

"Parece fora de contato com a realidade indicar vice-presidente antes de garantir os 1.237", comentou o ex-presidente da Câmara e ex-aspirante à Casa Branca Newt Gingrich, referindo-se ao mínimo necessário para ser nomeado candidato oficialmente.

Sem chances matemáticas no confronto direto, Cruz aposta que Trump também não chegue lá para que o Partido Republicano tenha uma disputa dentro da convenção nacional de 18 a 21 de julho, em Cleveland, no estado de Ohio. Se Trump não levar na primeira votação, a disputa fica em aberto. Os delegados não precisam mais seguir a distribuição definida nas eleições primárias.

Com Fiorina a seu lado, Cruz sonha em ser ungido na convenção.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Trump ganha eleições primárias em mais cinco estados

O bilionário Donald Trump venceu as eleições primárias do Partido Republicano realizadas hoje em cinco estados do Nordeste dos Estados Unidos (Connecticut, Delaware, Maryland, Pensilvânia e Rhode Island), aumentando as chances de garantir a candidatura à Casa Branca antes da convenção nacional do partido, em julho.

Com dois concorrentes que concentram seus esforços em outros estados, o senador Ted Cruz e o governador John Kasich praticamente abandonaram as prévias de hoje. Assim, no início da apuração Trump obtém vantagens de 60% ou mais e todas as projeções indicam sua vitória.

Trump conquistou hoje 105 delegados contra 5 para Kasich e 1 para Cruz, um evangélico ultraconservador texano sem prestígio nos estados mais liberais do Nordeste dos EUA.

O magnata imobiliário nova-iorquino tem agora 949 delegados com 548 de Cruz e 153 para Kasich, na contagem do jornal The Wall Street Journal. Para garantir a candidatura republicana, são necessários 1.237 delegados.

Se Trump chegar à convenção nacional em Cleveland, Ohio, em 18 de julho, sem a vitória assegurada, a partir da segunda votação os delegados não precisam mais seguir o resultado das prévias. Numa "convenção disputada", podem votar livremente e escolher mais ao gosto da cúpula do partido.

No momento, Trump precisa de mais 288 delegados. Como lidera com vantagens de mais de 25 pontos percentuais na Califórnia e Nova Jérsei, onde há 223 delegados em jogo e o ganhador leva todos, faltariam apenas 65 delegados a disputar nas primárias de Indiana, Novo México e Oregon. Por isso, Cruz e Kasich fizeram uma aliança para o mais fraco apoiar o mais forte nestes três estados.

Entre os democratas, a ex-secretária de Estado e ex-senadora Hillary Clinton praticamente garantiu a candidatura do partido ao ganhar na Pensilvânia, em Maryland, os dois estados mais populosos em jogo em mais estar superterça-feira, em Delaware e Connecticut.

O senador socialista Bernie Sanders só ganhou em Rhode Island. Está sob pressão para abandonar a disputa e apoiar Hillary, que marcha para assegurar a candidatura democrata à Presidente dos EUA em 8 de novembro.

Hillary ganhou mais 195 delegados hoje contra 129 para Sanders. No Partido Democrata, o número para garantir a candidatura é 2.383. A ex-secretária de Estado chegou hoje a 2.141, enquanto Sanders soma 1.321.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Cruz e Kasich se unem para barrar candidatura Trump

O senador Ted Cruz e o governador John Kasich uniram esforços para tentar impedir que o bilionário Donald Trump seja o candidato do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos em 8 de novembro de 2016.

Seu objetivo é evitar que Trump chegue à convenção nacional republicana, marcada para 18 a 21 de julho em Cleveland, no estado de Ohio, com o apoio de 1.237 delegados. Isso lhe garantiria a nomeação automaticamente.

Na primeira votação dentro da convenção, os delegados são obrigados a manter a lealdade aos candidatos com base nos resultados das prévias do partido. Se não houver um vencedor, a partir da segunda votação, os delegados são livres para votarem como quiserem, até mesmo em que não disputou as primárias.

Como Trump é o favorito nos cinco estados do Nordeste dos EUA que realizam eleições prévias amanhã (Connecticut, Delaware, Maryland, Pensilvânia e Rhode Island) Kasich se retirou da primária do estado de Indiana, onde Cruz tem mais chances. O senador texano fará o mesmo nos estados do Novo México e Oregon, onde o governador de Ohio deve sair melhor.

O acordo foi negociado discretamente na semana passada durante a reunião do diretório nacional do partido realizada no estado da Flórida entre o gerente da campanha de Cruz, Jeff Roe, e John Weaver, assessor de Kasich.

Em seu estilo agressivo, Trump se defendeu no Twitter atacando: "Ted Mentiroso e Kasich estão matematicamente mortos e totalmente desesperados. Seus doares e grupos de interesses especiais não estão satisfeitos com eles. Triste!"

No momento, Trump tem 845 delegados contra 559 de Cruz, 171 do senador Marco Rubio, que já abandonou a disputa, e 148 para Kasich.

A ex-senadora e ex-secretária de Estado Hillary Clinton já garantiu na prática a candidatura do Partido Democrata e é a favorita.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Hillary e Trump vencem eleições primárias em Nova York

A ex-secretária de Estado Hillary Clinton e o magnata imobiliário Donald Trump conquistaram vitórias expressivas hoje as eleições primárias do estado de Nova York na luta para obter as candidaturas, respectivamente, dos partidos Democrata e Republicano à Casa Branca em 2016.

Com 94% dos votos apurados, no Partido Democrata, Hillary lidera com 57,9% dos votos contra 42,1% para o senador socialista Bernie Sanders, informa a televisão americana CNN.

Para ganhar mais delegados, ela precisa de uma ampla vantagem. Se tiver 55% dos votos no fim da apuração, ganha metade dos delegados e Sanders a outra metade.

No Partido Republicano, com 93% dos votos contados, Trump vence com 60% contra 25,2% para o governador de Ohio John Kasich, enquanto o senador ultraconservador texano Ted Cruz, segundo colocado na disputa interna do partido até agora, levou apenas 14,8%.

Num dos debates na TV, Cruz acusou Trump de ser um porta-voz de "valores nova-iorquinos". Isso foi interpretado como uma crítica conservadora ao liberalismo da maior cidade dos Estados Unidos, tolerante com o homossexualismo e outras questões que são tabus para um evangélico ultraconservador do Texas.

Antes das primárias de Nova York, Trump martelou essa questão várias vezes para caracterizar Cruz como antinova-iorquino, com sucesso. Ao não conquistar nenhum delegado ontem, o senador texano não pode mais atingir o total de 1.237 delegados exigido para garantir a indicação.

Nem Cruz nem Kasich parecem ter condições de ganhar de Trump em número de delegados. A conselho da cúpula republicana, trabalham para negar ao bilionário os 1.237 delegados que garantiriam a indicação na convenção nacional do partido, marcada para 18 a 21 de julho em Cleveland, no estado de Ohio.

Se Trump não levar na primeira votação, o partido deve apontar outro candidato com melhores condições de enfrentar Hillary Clinton numa eleição geral. Neste caso, o magnata ameaça lançar uma candidatura independente que dividiria o voto conservador facilitando, em princípio, a vitória da provável candidata democrata.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Derrota em Wisconsin complica candidatura Donald Trump

Os favoritos até agora na corrida Casa Branca, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, no Partido Democrata, e o bilionário Donald Trump, no Partido Republicano, perderam hoje as eleições primárias do estado de Wisconsin. Enquanto Hillary segue firme rumo à candidatura, Trump terá problemas à frente.

No Partido Republicano, com 57% dos votos apurados, o ultraconservador Ted Cruz lidera com 51% dos votos contra 32% para Trump e 14% para o governador de Ohio, John Kasich.

Com a vitória do ultraconservador Cruz, outro nome mal visto pela cúpula do partido, Trump precisa conquistar 70% dos delegados em disputa nas prévias que faltam para chegar à convenção nacional do partido com pelo menos 1.237 comprometidos com sua candidatura.

Se conseguir, só um golpe de Estado interno no partido contra as regras do jogo poderia negar a Trump a candidatura republicana. O magnata imobiliário já reclamou que o governo de Ohio John Kasich não abandona a campanha, embora matematicamente não tenha chances.

Kasich, considerado um conversador moderado, ajuda a roubar votos de Trump. Se estivessem só Trump e Cruz na disputa, o vencedor chegaria na convenção com a candidatura assegurada.

Caso seja barrado, Trump ameaça concorrer como independente, o que tiraria votos do candidato republicano, facilitando em princípio uma vitória de Hillary.

No Partido Democrata, com mais da metade dos votos apurados, o socialista Sanders vence Hillary por 54% a 45%. Ele trouxe temas para a campanha como desigualdade, salário mínimo e abusos do sistema financeiro.

Com grande prestígio entre os jovens, o senador conquistou vitórias importantes em estados pequenos com eleitorado majoritariamente branco. Hillary ganha por ampla margem em estados com eleitorados negros e latinos importantes.

terça-feira, 15 de março de 2016

Trump e Hillary vencem na Flórida e Rubio abandona

Com uma derrota arrasadora no estado da Flórida, que representa no Senado, Marco Rubio abandonou hoje a corrida à Casa Branca. Os vencedores foram o bilionário Donald Trump, no Partido Republicano, e a ex-secretária de Estado americana Hillary Clinton, no Partido Democrata, noticiou o jornal The New York Times.

Hillary venceu também no estado de Ohio, onde a vitória republicana ficou com o governador John Kasich, que assim continua na luta para ser a alternativa a Trump aceitável pela cúpula do do partido.

No fim da noite, entre os republicanos, Trump venceu em três estados e Kasich em Ohio. Conseguiu 46% dos votos da Flórida seguido por Rubio com 27% e Ted Cruz com 17%. Ganhou em Illinois com 39% contra 31% de Cruz e 20% de Kasich. Na Carolina do Norte, teve 40% dos votos contra 37% de Cruz e 13% de Kasich.

Kasich levou Ohio, onde é governador, com 47% contra 36% de Trump e 13% para Cruz. A prévia do Missouri ainda está indefinida. Trump tem pequena vantagem, mas está praticamente empatado com Cruz com 41% para cada um.

Trump lidera com 621 delegados à convenção nacional que vai indicar oficialmente o candidato republicano, seguido por Cruz com 395, Rubio com 168 e Kasich com 138. Se Rubio apoiar outro aspirante, agora que abandonou a disputa, ele pode herdar os delegados do senador da Flórida. São necessários 1.237 delegados para ser o candidato republicano.

Entre os democratas, Hillary obteve uma grande vitória contra o senador socialista Bernie Sanders por 65% a 33% na Flórida e boas vitórias em Ohio por 57% a 43% e na Carolina do Norte por 55% a 41%. Ganhou por 50% a 49% em Illinois. Com 99% dos votos apurados, a primária do Missouri estava praticamente empatada em 50%, com pequena vantagem de Hillary.

A ex-secretária já conquistou 1.094 dos 2.383 delegados necessários para garantir a candidatura do Partido Democrata contra 774 para Sanders. Com os superdelegados, Hillary tem cerca de 1,5 mil delegados, uma vantagem praticamente impossível de ser neutralizada por Sanders. Mas o senador socialista ainda não desistiu da luta.


quarta-feira, 9 de março de 2016

Rejeição a Trump aumenta no Partido Republicano

Com mais três vitórias, nos estados de Michigan, no Mississípi e no Havaí, o biblionário Donald Trump avançou na luta pela candidatura do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos em novembro de 2016. Mas enfrenta uma resistência cada vez maior dentro do seu próprio partido.

Quem não o apoia preferia ver os senadores Ted Cruz ou Marco Rubio numa disputa direta com Trump ou até mesmo uma rebelião na convenção nacional republicana, marcada para 18 a 21 julho na cidade de Cleveland, no estado de Ohio.

Em pesquisa da rede de televisão ABC e do jornal The Washington Post realizada antes das prévias de ontem, Trump lidera a corrida republicana à Casa Branca com 34% dos votos de republicanos e independentes com tendência a votar na oposição ao presidente Barack Obama.

O histriônico magnata imobiliário está estagnado em cerca de um terço. O senador evangélico texano Ted Cruz, mais conservador do que Trump e igualmente rejeitado pelo eleitorado independente, é o segundo com 25%. Rubio ficou em terceiro com 18% e o governador de Ohio, John Kasich, com 13%.

Depois de desrespeitar negros, latino-americanos e mulheres com suas tiradas nazifascistoides em busca de votos, Trump se tornou o pré-candidato com a maior rejeição em todos os partidos. Mas avança nas eleições primárias e convenções que escolhem os candidatos à convenção nacional.

Ontem, Trump ganhou no Havaí com 42% contra 33% para Cruz. E Michigan, o estado mais importante com prévias ontem, Trump teve 37% contra 25% contra Cruz. No Mississípi, o estado mais pobre dos EUA, Trump venceu Cruz por 47% a 36%. Cruz bateu Trump em Idaho por 45% a 28%.

Se o partido negar a candidatura a Trump depois da vitória nas prévias, ele deve concorrer como independente, tirando votos à direita do candidato republicano.

Sanders mantém candidatura viva com vitória em Michigan

O senador socialista Bernie Sanders superou ontem a ex-secretária de Estado Hillary Clinton nas eleições primárias do importante estado de Michigan, centro da indústria automobilística americana, e se manteve na disputa pela candidatura do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos em novembro de 2016.

No Mississípi, o estado mais pobre do país, Hillary obteve uma ampla vitória, com mais de 80% dos votos. Em Michigan, Sanders levou 49,8% dos votos contra 48,3% de sua oponente, que chegara a ter uma vantagem de 30 pontos percentuais nas pesquisas, informou o jornal The Washington Post.

A ex-secretária perdeu por causa do eleitorado negro e da classe trabalhadora, duas bases importantes do Partido Democrata cuja mobilização será decisiva para uma vitória em novembro.

No momento, Hillary liderada a disputa do partido por 1.214 a 566 delegados à convenção nacional que vai indicar oficialmente o candidato democrata, a ser realizada de 25 a 28 de julho na Filadélfia. Mas Sanders e sua "revolução popular", focada no combate à desigualdade social, à má distribuição da riqueza e ao poderio do centro financeiro de Wall Street, em Nova York.