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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 24 de Fevereiro

 BATALHA DE PÁVIA

    Em 1525, as forças do imperador Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico, impõe uma derrota decisiva ao exército do rei Francisco I da França.

No fim de 1524, a França invade a Lombardia, toma Milão e cerca Pávia, 25 quilômetros ao sul, controlada pelo Sacro Império. Carlos V manda então um exército sob o comando do Marquês de Pescara, que aniquila o exército francês.

Francisco I é capturado em Mirabello e levado para Madri, onde um ano depois assina um tratado de paz renunciando as reivindicações da França sobre a Itália, que fica sob o domínio da Dinastia dos Habsburgo.

Arqui-inimigos, Carlos I da Espanha e Francisco I da França disputam a eleição para imperador do Sacro Império. Carlos I compra votos e vira o imperador Carlos V do império fundado por Carlos Magno em 800.

A vitória consolida o poder dos Habsburgo na Europa e do Império Espanhol na América.

REVOLUÇÃO ANTIMONÁRQUICA NA FRANÇA

    Em 1848, uma onda de revoluções contra a monarquia que varre a Europa chega à França, único país onde a revolta é bem-sucedida, criando a Segunda República, que vai até 1852, quando Luís Napoleão Bonaparte, sobrinho do imperador Napoleão I, se proclama imperador Napoleão III, dando início ao Segundo Império.


A primeira revolução começa em janeiro na Sicília. Depois da França, chega à Itália, à Prússia, ao Império Austríaco e ao resto do continente. Só a Espanha, a Rússia e os países da Escandinávia ficam fora. 

No Reino Unido, é uma pequena manifestação do cartismo, um movimento de 1838 liderado pelo radical William Lovett, que defende uma Carta do Povo com sufrágio universal para os homens, distritos eleitorais iguais, voto secreto, eleição anual do Parlamento, pagamento aos parlamentares e fim da exigência de ser proprietário para ser deputado. Na Irlanda, há uma agitação republicana.

Na Bélgica, na Holanda e na Dinamarca, há manifestações pacíficas por reformas das instituições. As grandes insurreições pela democracia acontecem em Paris, Viena e Berlim, mas só tem sucesso na França, onde a Segunda República introduz o sufrágio universal para os homens.

O príncipe Luís Napoleão é o primeiro presidente da França eleito pelo voto popular. Dá um golpe contra a Assembleia Nacional em 2 de dezembro de 1851 e funda no ano seguinte o Segundo Império. Ele acaba com a derrota para a Prússia na Guerra Franco-Prussiana (1870-71), o que leva à unificação da Alemanha.

CÂMARA DENUNCIA PRESIDENTE

    Em 1868, por 126-47, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos decide abrir um processo de impeachment do presidente Andrew Johnson (1865-69), cuja leniência em relação ao Sul no período da Reconstrução irrita a ala radical do Partido Republicano.

Johnson é vice-presidente de Abraham Lincoln (1861-65), o presidente durante a Guerra da Secessão (1861-65), que vai à guerra contra os estados do Sul para manter a União e abolir a escravidão.

Depois da guerra civil, Johnson autoriza a rápida reintegração dos estados do Sul à União sem garantias de proteção aos escravos libertos. Durante seu governo, os EUA compram o Alasca da Rússia.

Com conflito entre o Legislativo e o Executivo, o Congresso aprova a Lei de Posse do Cargo (1867), que limita a capacidade do presidente de nomear e demitir assessores. Quando Johnson demite o secretário da Guerra, Edwin Stanton, a Câmara vota o impeachment. Ele é salvo no Senado. Falta um voto para a maioria de dois terços necessária para afastar o presidente dos EUA.

PRIMEIRA ELEIÇÃO DE PERÓN

    Em 1946, o vice-presidente e ministro da Guerra Juan Domingo Perón é eleito presidente da Argentina pela primeira vez, funda o peronismo e se torna o político dominante do país até os dias de hoje, mais de 50 anos depois de sua morte.

O coronel Perón é nomeado secretário do Trabalho e da Seguridade Social de um governo militar em dezembro de 1943. Com o apoio do movimento sindical, cria a Justiça do Trabalho, escolas técnicas e um hospital e policlínica para ferroviários. Vira o herói dos descamisados.

Destituído e preso num golpe em 9 de outubro de 1945, sob pressão dos sindicatos e de sua segunda mulher, Maria Eva Duarte de Perón, a Evitavolta nos braços do povo. Em 17 de outubro daquele ano, o Dia da Lealdade para os peronistas, faz seu primeiro discurso triunfal na sacada da Casa Rosada.

Eleito com 52,4% dos votos, Perón nacionaliza os bancos e ferrovias, o Banco Central e algumas companhias de eletricidade. Dá vários benefícios aos trabalhadores: aumento do salário mínimo, 13º salário, folgas semanais, redução da jornada de trabalho, aposentadoria, férias remuneradas, seguro-saúde e cobertura para acidentes de trabalho. Entre 1945 e 1948, a economia argentina cresce a um ritmo recorde de 8,5% ao ano, enquanto os salários reais aumentam 46%.

Reeleito em 11 de novembro de 1951 com 63,5%, depois de uma campanha pelo voto feminino liderada por Evita, Perón governa até 16 de setembro de 1955, quando é deposto por um golpe militar e foge para o exílio. 

Perón volta à Argentina em 1973, é reeleito para um terceiro mandato e governa o país até morrer, em 1º de julho de 1974, deixando no poder sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, que não tem o carisma de Evita e é deposta num golpe militar em 24 de março de 1976, início de uma ditadura cruel acusada de matar 30 mil argentinos.

INVASÃO DA UCRÂNIA

    Em 2022, oito anos depois de anexar ilegalmente a Crimeia, a Rússia do ditador Vladimir Putin invade a ex-república soviética da Ucrânia a pretexto de "desmilitarizar" e "desnazificar" o país como se ameaçasse a Rússia.

Os EUA se oferecem para retirar do país o presidente Volodymyr Zelensky, acusado de ser nazista, apesar de ser judeu, mas ele pede dinheiro e armas para resistir. Um mês depois, a Rússia abandona a região de Kiev e concentra a ofensiva no Leste e no Sul da Ucrânia.

Contra todas as previsões, a Ucrânia resiste há quatro anos, com o apoio dos EUA e da Europa. Não se sabe o número de mortos nesta guerra, mas seriam centenas de milhares de resto. De acordo com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), de Washington, o total de baixas militares está em torno de 1,8 milhão, com 325 mil soldos russos e 140 mil ucranianos mortos. Com a fadiga do apoio internacional e a maior capacidade russa de repor homens, armas e munições no campo de batalho, no momento, a Rússia parece mais perto da vitória. Mas não ter conseguido vencer um inimigo menor e mais fraco é uma derrota em si.

Com a reeleição de Donald Trump, que promete na campanha acabar com a guerra em 24 horas, há uma ameaça de que os EUA abandonem a Ucrânia. Antes da abertura de negociações, Trump cede a várias exigências de Putin e exige um acordo para explorar a metade dos recursos naturais ucranianos, no valor de US$ 500 bilhões, que Zelensky rejeita inicialmente, mas depois aceita porque não pode abrir mão do apoio de Washington.

Após quatro anos de guerra, as negociações continuam num impasse. Putin exige o controle total sobre quatro províncias ucranianas que não consegue tomar no campo de batalha, rejeita a presença de tropas de países da Europa e mantém a chantagem nuclear. Zelensky rejeita as concessões territoriais e exige amplas garantias de segurança contra um futuro ataque russo.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 17 de Outubro

AL CAPONE NA CADEIA

    Em 1931, o gângster Al Capone é sentenciado a 11 anos de prisão e multa de US$ 80 mil, no fim de uma carreira de crimes como o mafioso mais famoso da história dos Estados Unidos.

Filho de imigrantes italianos, Alphonse Gabriel Capone nasce no Brooklyn, em Nova York, em 1899. Expulso da escola aos 14 anos, entra para uma gangue e recebe o apelido de Scarface (Cicatriz na face) depois de sofrer um corte no queixo numa briga.

Em 1920, Capone se muda para Chicago, onde administra os negócios do mafioso Johnny Torrio, que incluem jogo, prostituição e contrabando de álcool durante a Lei Seca (1920-33). Quando Torrio deixa os negócios depois ser alvo de uma tentativa de homicídio, Capone toma conta a organização mafiosa.

A Lei Seca, que proíbe a fabricação, distribuição e venda de bebidas alcoólicas, cria um negócio clandestino que rende milhões de dólares de lucro para o crime organizado.

Ao eliminar seus adversários numa série de batalhas de gangues e assassinatos, entre eles o Massacre do Dia de São Valentin, em 14 de fevereiro de 1929, quando seus capangas matam sete rivais, Al Capone torna-se o poderoso chefão da máfia de Chicago.

Em 1930, Capone está no topo da lista de procurados pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, mas consegue ficar livre por subornar policiais, intimidar testemunhas e mudar de esconderijo.

Seu maior inimigo é o policial federal Elliot Ness, líder de um grupo de agentes conhecidos como Intocáveis. Eles acabam com o negócio de bebidas alcoólicas do chefão, mas só conseguem uma condenação por evasão fiscal.

Al Capone começa a cumprir pena numa penitenciária federal de Atlanta, na Geórgia. Sob suspeita de manipular o sistema, é transferido para a prisão de segurança máxima da Ilha de Alcatraz, em São Francisco da Califórnia.

Ele é solto em 1939 por bom comportamento depois de ficar um ano num hospital com sífilis e morre em 1947 aos 48 anos em Palm Islands, na Flórida, sem pagar por todos os seus crimes.

PERÓN VOLTA NOS BRAÇOS DO POVO

    Em 1945, nove dias depois de ser demitido e preso num golpe militar, sob intensa pressão popular liderada pelos sindicatos, o vice-presidente e ministro do Trabalho, coronel Juan Domingo Perón, reassume os cargos e faz seu primeiro discurso na sacada da Casa Rosada, sede do governo da República Argentina, diante de 300 mil pessoas, com transmissão de rádio para todo o país, ao lado de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

É o Dia da Lealdade, marco fundador do movimento peronista. Quatro meses depois, em 24 de fevereiro de 1946, Perón é eleito com 52,5% dos votos para um mandato de seis anos. Reeleito em 11 de novembro de 1951 com 62% dos votos, quando as mulheres votam pela primeira vez na Argentina, tem o mandato interrompido por um golpe militar em 16 de setembro de 1955.

Perón vai para o exílio e só volta em 20 de junho de 1973 para ser eleito para um terceiro mandato em 23 de setembro, tendo como vice sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita

Ele toma posse em 12 de outubro e governa até a morte, em 1º de julho de 1974. Deixa o país no caos, à beira da guerra civil, com uma presidente fraca, derrubada pelo golpe de 24 de março de 1976, marco do início da guerra suja da ditadura militar contra as esquerdas, em que morrem 30 mil argentinos .

OPEP EMBARGA PETRÓLEO

    Em 1973, sob a liderança da Arábia Saudita, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decide parar de exportar petróleo para os Estados Unidos e outros países que apoiaram Israel na Guerra do Yom Kippur, deflagrando a primeira crise do petróleo.

A proposta é reduzir a venda em 5% ao mês até a retirada total dos territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967: a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; a Cisjordânia, da Jordânia; e as Colinas do Golã, da Síria.

Em dezembro, a OPEP impõe um embargo total aos EUA e outros aliados de Israel, agravando a situação dos países dependentes do petróleo importado, inclusive o Brasil.

A OPEP é fundada em 1960 pela Arábia Saudita, o Irã, o Iraque, o Kuwait e a Venezuela para aumentar os preços do petróleo, mas tem pouca influência no preço, que fica entre 2 e 3 dólares por barril. Quando começa a Guerra do Yom Kippur, com uma invasão dos territórios ocupados por Israel no Egito e na Síria, a OPEP está reunida em Viena, na Áustria.

Os EUA, principais aliados de Israel, fazem então a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22.325 toneladas de equipamento às forças israelenses no campo de batalha. O ditador do Egito, Anuar Sadat, desabafa: "Posso entrar em guerra contra Israel, mas não contra os EUA."

Com a vitória de Israel praticamente assegurada, os países árabes decidem usar o petróleo como arma de guerra. Em dezembro, impõem um embargo total aos EUA. Os preços do petróleo quadruplicam para US$ 12 por barril, causando escassez, racionamento e fila nos postos de gasolina.

Este aumento de preços viabiliza a exploração de petróleo no mar e a Petrobrás se torna uma das empresas mais eficientes na tecnologia de produção offshore

Mesmo assim, como o Brasil importa 75% do petróleo que consome, a crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar, com o milagre econômico que faz a economia do país crescer acima de 10% no início dos anos 1970, no período mais duro da repressão.

Em 1974, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "distensão, lenta, gradual e segura", que leva ao fim do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 1978 e à anistia parcial em 1979.

A Revolução Islâmica no Irã, em fevereiro de 1979, gera uma segunda crise do petróleo. As sucessivas crises do petróleo estão na origem da hiperinflação brasileira, que só é debelada em 1994 com o Plano Real.

FORD EXPLICA PERDÃO A NIXON

    Em 1974, o presidente Gerald Ford justifica perante o Congresso a decisão de perdoar o ex-presidente Richard Nixon por quaisquer crimes cometidos no exercício da Presidência dos Estados Unidos.

Ao assumir a presidência em 9 de agosto de 1974, no dia da renúncia de Nixon, Ford declara que "o longo pesadelo nacional acabou". Fala do Escândalo de Watergate, uma invasão da sede do Partido Democrata em Washington pela equipe de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de escuta durante a campanha eleitoral de 1972, que implicou o presidente e seus principais assessores.

Diante da iminência de um processo de impeachment por abuso de poder e obstrução de justiça, depois de perder o apoio do Partido Republicano quando gravações provam as tentativas de atrapalhar as investigações, Nixon renuncia, mas isso não acaba com os inquéritos abertos no Congresso, que podem resultar em processos criminais.

Ford é o único presidente não eleito numa chapa presidencial da história dos EUA. O vice-presidente Spiro Agnew havia renunciado em meio a escândalos de corrupção. Ford era o presidente da Câmara e, por isso, o primeiro na linha sucessória.

Um mês depois de assumir, em 8 de setembro, Ford perdoa Nixon. Ao se explicar, alega que é importante para pacificar o país e enterrar de vez Watergate, com o propósito de "mudar o foco nacional... para desviar nossa atenção de um presidente que caiu para as necessidades urgentes da nação".

"As paixões geradas" por um processo contra Nixon, acrescenta Ford, "perturbariam seriamente a cicatrização das feridas do passado".

O novo presidente afirma que, "em geral, o povo americano quer poupar o ex-presidente de um processo criminal" e que livrar Nixon "não vai causar o esquecimento do mal dos crimes cometidos em Watergate nem das lições que aprendemos."

TERREMOTO ABALA SÃO FRANCISCO

    Em 1989, o Terremoto de Loma Prieta, de 7,1 graus de magnitude na escala aberta de Richter, um dos mais destrutivos da história dos EUA, atinge a área da Baía de São Francisco, mata 67 pessoas e deixa prejuízos de US$ 5 bilhões.

São Francisco fica perto da Falha de Santo André, que corre ao longo da costa da Califórnia, no encontro das placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte.

Uma das partidas das finais do campeonato nacional de beisebol dos EUA, entre San Francisco Giants e Oakland Athletics, está prestes a começar quando a terra treme, com epicentro nas Montanhas de Santa Cruz. O estádio de Candlestick Park resiste, mas o resto da cidade sofre.

Na Ponte da Baía, entre São Francisco e Oakland, e na Via Expressa Nimitz, uma pista desaba sobre a outra. Das 67 mortes, 41 ocorrem na Via Expressa Nimitz. A destruição também é grande em Watsonville, onde mais de 10% das casas são totalmente destruídas, Palo Alto e Daly City.

O terremoto contribui para a profunda recessão que atinge a Califórnia, uma das maiores economias do mundo, nos anos 1990. A cidade havia passado pelo Grande Terremoto de São Francisco, de 7,9 graus na escala Richter, em 18 de abril de 1906, quando mais de 3 mil pessoas morrem, 80% da cidade são arrasados e 225 mil ficam sem teto.

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segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Milei perde eleições na província de Buenos Aires

 Com 47% dos votos, a aliança Força Pátria, liderada pelo governador Axel Kicillof, obteve uma ampla vitória nas eleições de domingo na Província de Buenos Aires, a maior e mais importante da Argentina. O coligação entre A Liberdade Avança, do presidente Javier Milei, e a Proposta Republicana (Pro), do ex-presidente Mauricio Macri, ficou num segundo lugar distante, com pouco menos de 34% da votação.

Um ano e meio depois de chegar à Casa Rosada com uma promessa radical de acabar com a inflação com cortes drásticos nos gastos públicos e grande liberdade para os mercados, Milei enfrenta os mesmos problemas que desmoralizaram o peronismo em sua versão mais recente, o kirchnerismo: a inflação e a corrupção.

O resultado das urnas foi inesperado. Esperava-se uma vitória apertada do peronismo, que tem sua grande base eleitoral na Província de Buenos Aires, onde vivem 14,38 dos 35,4 eleitores argentinos, mais de 40% do total. Kicillof desponta como principal candidato da oposição à Presidência em 2027.

Em consequência, o Índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires, caiu 13%. O dólar subiu 7% de manhã depois de se estabilizar com uma alta de 4,25% no dia, num momento em que o governo intervém no mercado de câmbio para conter a inflação, que voltou a subir. Ficou em 1,9% ao mês em julho. As previsões para agosto apontam 2% a 2,1%.

Milei recebe Goldfajn na Casa Rosada

Sob ameaça de uma nova disparada do dólar, Milei e o ministro da Economia, Luis Caputo, fizeram uma reunião de emergência na sede do governo com o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central do Brasil (foto), que prometeu apoiar o programa de recuperação da economia argentina.

Talvez o que mais tenha pesado na decisão dos eleitores foi um escândalo de corrupção envolvendo a irmã do presidente, Karina Milei (foto), secretária-geral da Presidência, considerada hoje a pessoa mais poderosa do país, logo abaixo do irmão. Karina chefiou a campanha de Javier Milei, que a chama de "o chefe".

Em 19 de agosto, gravações de som atribuídas a Diego Spagnuolo, ex-diretor da Agência Nacional para Deficientes (Andis), denunciaram um esquema de propinas na compra de medicamentos. Os laboratórios interessados em contratos estatais deveriam pagar até 8% a mais para uma drogaria chamada Suizo Argentina; 3% iriam para Karina Milei. O desvio de dinheiro público seria de 500 a 800 mil dólares por mês.

A Justiça ordenou investigação e busca na Andis e em propriedades da Suizo Argentina. Mais de US$ 266 mil em espécie foram encontrados na casa de um dos donos da drogaria suspeita.

O mileísmo sofre assim dos mesmos males que derrotaram o kirchnerismo: inflação e corrupção. No seu pior momento, terá de enfrentar em 26 de outubro as eleições parlamentares de meio de mandato. Serão renovadas a metade da Câmara e um terço do Senado.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 24 de Fevereiro

BATALHA DE PÁVIA

    Em 1525, as forças do imperador Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico, impõe uma derrota decisiva ao exército do rei Francisco I da França.

No fim de 1524, a França invade a Lombardia, toma Milão e cerca Pávia, 25 quilômetros ao sul, controlada pelo Sacro Império. Carlos V manda então um exército sob o comando do Marquês de Pescara, que aniquila o exército francês.

Francisco I é capturado em Mirabello e levado para Madri, onde um ano depois assina um tratado de paz renunciando as reivindicações da França sobre a Itália, que fica sob o domínio da Dinastia dos Habsburgo.

Arqui-inimigos, Carlos I da Espanha e Francisco I da França disputaram a eleição para imperador do Sacro Império. Carlos I compra votos e vira o imperador Carlos V do império fundado por Carlos Magno em 800.

A vitória consolida o poder dos Habsburgo na Europa e do Império Espanhol na América.

REVOLUÇÃO ANTIMONÁRQUICA NA FRANÇA

    Em 1848, uma onda de revoluções contra a monarquia que varre a Europa chega à França, único país onde a revolta é bem-sucedida, criando a Segunda República, que vai até 1852, quando Luís Napoleão Bonaparte, sobrinho do imperador Napoleão I, se proclama imperador Napoleão III, dando início ao Segundo Império.


A primeira revolução começa em janeiro na Sicília. Depois da França, chega à Itália, à Prússia, ao Império Austríaco e ao resto do continente. Só a Espanha, a Rússia e os países da Escandinávia ficam fora. 

No Reino Unido, é uma pequena manifestação do cartismo, um movimento de 1838 liderado pelo radical William Lovett, que defende uma Carta do Povo com sufrágio universal para os homens, distritos eleitorais iguais, voto secreto, eleição anual do Parlamento, pagamento aos parlamentares e fim da exigência de ser proprietário para ser deputado. Na Irlanda, há uma agitação republicana.

Na Bélgica, na Holanda e na Dinamarca, há manifestações pacíficas por reformas das instituições. As grandes insurreições pela democracia acontecem em Paris, Viena e Berlim, mas só tem sucesso na França, onde a Segunda República introduz o sufrágio universal para os homens.

O príncipe Luís Napoleão é o primeiro presidente da França eleito pelo voto popular. Dá um golpe contra a Assembleia Nacional em 2 de dezembro de 1851 e funda no ano seguinte o Segundo Império, que acaba com a derrota para na Guerra Franco-Prussiana (1870-71), que leva à unificação da Alemanha.

CÂMARA DENUNCIA PRESIDENTE

    Em 1868, por 126-47, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos decide abrir um processo de impeachment do presidente Andrew Johnson (1865-69), cuja leniência em relação ao Sul no período da Reconstrução irrita a ala radical do Partido Republicano.

Johnson é vice-presidente de Abraham Lincoln (1861-65), o presidente durante a Guerra da Secessão (1861-65), que vai à guerra contra os estados do Sul para manter a União e abolir a escravidão.

Depois da guerra civil, Johnson autoriza a rápida reintegração dos estados do Sul à União sem garantias de proteção aos escravos libertos. Durante seu governo, os EUA compram o Alasca da Rússia.

Com conflito entre o Legislativo e o Executivo, o Congresso aprova a Lei de Posse do Cargo (1867), que limita a capacidade do presidente de nomear e demitir assessores. Quando Johnson demite o secretário da Guerra, Edwin Stanton, a Câmara vota o impeachment. Ele é salvo no Senado. Falta um voto para a maioria de dois terços necessária para afastar o presidente dos EUA.

PRIMEIRA ELEIÇÃO DE PERÓN

    Em 1946, o vice-presidente e ministro da Guerra Juan Domingo Perón é eleito presidente da Argentina pela primeira vez, funda o peronismo e se torna o político dominante do país até os dias de hoje, muito além de sua morte.

O coronel Perón é nomeado secretário do Trabalho e da Seguridade Social de um governo militar em dezembro de 1943. Com o apoio do movimento sindical, cria a Justiça do Trabalho, escolas técnicas e um hospital e policlínica para ferroviários. Vira o herói dos descamisados.

Destituído e preso num golpe em 9 de outubro de 1945, sob pressão dos sindicatos e de sua segunda mulher, Maria Eva Duarte de Perón, a Evitavolta nos braços do povo. Em 17 de outubro daquele ano, o Dia da Lealdade para os peronistas, faz seu primeiro discurso triunfal na sacada da Casa Rosada.

Eleito com 52,4% dos votos, Perón nacionaliza os bancos e ferrovias, o Banco Central e algumas companhias de eletricidade. Dá vários benefícios aos trabalhadores: aumento do salário mínimo, 13º salário, folgas semanais, redução da jornada de trabalho, aposentadoria, férias remuneradas, seguro-saúde e cobertura para acidentes de trabalho. Entre 1945 e 1948, a economia argentina cresce a um ritmo recorde de 8,5% ao ano, enquanto os salários reais aumentam 46%.

Reeleito em 11 de novembro de 1951 com 63,5%, depois de uma campanha pelo voto feminino liderada por Evita, Perón governa até 16 de setembro de 1955, quando é deposto por um golpe militar e foge para o exílio. 

Perón volta à Argentina em 1973, é reeleito para um terceiro mandato e governa o país até morrer, em 1º de julho de 1974, deixando no poder sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, que não tem o carisma de Evita e é deposta num golpe militar em 24 de março de 1976, início de uma ditadura cruel acusada de matar 30 mil argentinos.

INVASÃO DA UCRÂNIA

    Em 2022, oito anos depois de anexar ilegalmente a Crimeia, a Rússia do ditador Vladimir Putin invade a ex-república soviética da Ucrânia a pretexto de "desmilitarizar" e "desnazificar" o país como se representasse ameaça à Rússia.

Os EUA se oferecem para retirar do país o presidente Volodymyr Zelensky, acusado de ser nazista, apesar de ser judeu, mas ele pede dinheiro e armas para resistir. Um mês depois, a Rússia abandona a região de Kiev e concentra a ofensiva no Leste e no Sul da Ucrânia.

Contra todas as previsões, a Ucrânia resiste há três anos, com o apoio dos EUA e da Europa. Não se sabe o número de mortos nesta guerra, mas seriam pelo menos mais de 100 mil de cada lado. Com a fadiga deste apoio e a maior capacidade russa de repor homens, armas e munições no campo de batalho, no momento, a Rússia está mais perto da vitória.

Com a reeleição de Donald Trump, que promete na campanha acabar com a guerra em 24 horas, há uma ameaça de que os EUA abandonem a Ucrânia. Antes da abertura de negociações, Trump cede a várias exigências de Putin e exige um acordo para explorar a metade dos recursos naturais ucranianos, no valor de US$ 500 bilhões, que Zelensky rejeita

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Hoje na História do Mundo: 17 de Outubro

 AL CAPONE NA CADEIA

    Em 1931, o gângster Al Capone é sentenciado a 11 anos de prisão e multa de US$ 80 mil, no fim de uma carreira de crimes como o mafioso mais famoso da história dos Estados Unidos.

Filho de imigrantes italianos, Alphonse Gabriel Capone nasce no Brooklyn, em Nova York, em 1899. Expulso da escola aos 14 anos, entra para uma gangue e recebe o apelido de Scarface (Cicatriz na face) depois de sofrer um corte no queixo numa briga.

Em 1920, Capone se muda para Chicago, onde administra os negócios do mafioso Johnny Torrio, que incluem jogo, prostituição e contrabando de álcool durante a Lei Seca (1920-33). Quando Torrio deixa os negócios depois ser alvo de uma tentativa de homicídio, Capone toma conta a organização mafiosa.

A Lei Seca, que proíbe a fabricação, distribuição e venda de bebidas alcoólicas, cria um negócio clandestino que rende milhões de dólares de lucro para o crime organizado.

Ao eliminar seus adversários numa série de batalhas de gangues e assassinatos, entre eles o Massacre do Dia de São Valentin, em 14 de fevereiro de 1929, quando seus capangas matam sete rivais, Al Capone torna-se o poderoso chefão da máfia de Chicago.

Em 1930, Capone está no topo da lista de procurados pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, mas consegue ficar livre por subornar policiais, intimidar testemunhas e mudar de esconderijo.

Seu maior inimigo é o policial federal Elliot Ness, líder de um grupo de agentes conhecidos como Intocáveis. Eles acabam com o negócio de bebidas alcoólicas do chefão, mas só conseguem uma condenação por evasão fiscal.

Al Capone começa a cumprir pena numa penitenciária federal de Atlanta, na Geórgia. Sob suspeita de manipular o sistema, é transferido para a prisão de segurança máxima da Ilha de Alcatraz, em São Francisco da Califórnia.

Ele é solto em 1939 por bom comportamento depois de ficar um ano num hospital com sífilis e morre em 1947 aos 48 anos em Palm Islands, na Flórida, sem pagar por todos os seus crimes.

PERÓN VOLTA NOS BRAÇOS DO POVO

    Em 1945, nove dias depois de ser demitido e preso num golpe militar, sob intensa pressão popular liderada pelos sindicatos, o vice-presidente e ministro do Trabalho, coronel Juan Domingo Perón, reassume os cargos e faz seu primeiro discurso na sacada da Casa Rosada, sede do governo da República Argentina, diante de 300 mil pessoas, com transmissão de rádio para todo o país, ao lado de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

É o Dia da Lealdade, marco inicial do movimento peronista. Quatro meses depois, em 24 de fevereiro de 1946, Perón é eleito com 52,5% dos votos para um mandato de seis anos. Reeleito em 11 de novembro de 1951 com 62% dos votos, quando as mulheres votam pela primeira vez na Argentina, tem o mandato interrompido por um golpe militar em 16 de setembro de 1955.

Perón vai para o exílio e só volta em 20 de junho de 1973 para ser eleito para um terceiro mandato em 23 de setembro, tendo como vice sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita. Ele toma posse em 12 de outubro e governa até a morte, em 1º de julho de 1974. Deixa o país no caos, à beira da guerra civil, com uma presidente fraca, derrubada pelo golpe de 24 de março de 1976, marco do início da guerra suja da ditadura militar contra as esquerdas, em que morrem 30 mil argentinos .

OPEP EMBARGA PETRÓLEO

    Em 1973, sob a liderança da Arábia Saudita, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decide parar de exportar petróleo para os Estados Unidos e outros países que apoiaram Israel na Guerra do Yom Kippur, deflagrando a primeira crise do petróleo.

A proposta é reduzir a venda em 5% ao mês até a retirada total dos territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967: a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; a Cisjordânia, da Jordânia; e as Colinas do Golã, da Síria.

Em dezembro, a OPEP impõe um embargo total aos EUA e outros aliados de Israel, agravando a situação dos países dependentes do petróleo importado, inclusive o Brasil.

A OPEP é fundada em 1960 pela Arábia Saudita, o Irã, o Iraque, o Kuwait e a Venezuela para aumentar os preços do petróleo, mas tem pouca influência no preço, que fica entre 2 e 3 dólares por barril. Quando começa a Guerra do Yom Kippur, com uma invasão dos territórios ocupados por Israel no Egito e na Síria, a OPEP está reunida em Viena, na Áustria.

Os EUA, principais aliados de Israel, fazem então a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22.325 toneladas de equipamento às forças israelenses no campo de batalha. O ditador do Egito, Anuar Sadat, protesta: "Posso entrar em guerra contra Israel, mas não contra os EUA."

Com a vitória de Israel praticamente assegurada, os países árabes decidem usar o petróleo como arma de guerra. Em dezembro, impõem um embargo total aos EUA. Os preços do petróleo quadruplicam para US$ 12 por barril, causando escassez, racionamento e fila nos postos de gasolina.

Este aumento de preços viabiliza a exploração de petróleo no mar e a Petrobrás se torna uma das empresas mais eficientes na tecnologia de produção offshore

Mesmo assim, como o Brasil importa 75% do petróleo que consome, a crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar, com o milagre econômico que faz a economia do país crescer acima de 10% no início dos anos 1970, no período mais duro da repressão.

Em 1974, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "distensão, lenta, gradual e segura", que leva ao fim do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 1978 e à anistia parcial em 1979.

A Revolução Islâmica no Irã, em fevereiro de 1979, gera uma segunda crise do petróleo. As sucessivas crises do petróleo estão na origem da hiperinflação brasileira, que só é debelada em 1994 com o Plano Real.

FORD EXPLICA PERDÃO A NIXON

    Em 1974, o presidente Gerald Ford justifica perante o Congresso a decisão de perdoar o ex-presidente Richard Nixon por quaisquer crimes cometidos no exercício da Presidência dos Estados Unidos.

Ao assumir a presidência em 9 de agosto de 1974, no dia da renúncia de Nixon, Ford declara que "o longo pesadelo nacional acabou". Fala do Escândalo de Watergate, uma invasão da sede do Partido Democrata em Washington pela equipe de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de escuta durante a campanha eleitoral de 1972, que implicou o presidente e seus principais assessores.

Diante da iminência de um processo de impeachment por abuso de poder e obstrução de justiça, depois de perder o apoio do Partido Republicano quando gravações provam as tentativas de atrapalhar as investigações, Nixon renuncia, mas isso não acaba com os inquéritos abertos no Congresso, que podem resultar em processos criminais.

Ford é o único presidente não eleito da história dos EUA. O vice-presidente Spiro Agnew havia renunciado em meio a escândalos de corrupção. Ford é o presidente da Câmara e, por isso, o primeiro na linha sucessória.

Um mês depois de assumir, em 8 de setembro, Ford perdoa Nixon. Ao se explicar, alega que é importante para pacificar o país e enterrar de vez Watergate, com o propósito de "mudar o foco nacional... para desviar nossa atenção de um presidente que caiu para as necessidades urgentes da nação".

"As paixões geradas" por um processo contra Nixon, acrescenta Ford, "perturbariam seriamente a cicatrização das feridas do passado".

O novo presidente afirma que, "em geral, o povo americano quer poupar o ex-presidente de um processo criminal" e que livrar Nixon "não vai causar o esquecimento do mal dos crimes cometidos em Watergate nem das lições que aprendemos."

TERREMOTO ABALA SÃO FRANCISCO

    Em 1989, o Terremoto de Loma Prieta, de 7,1 graus de magnitude na escala aberta de Richter, um dos mais destrutivos da história dos EUA, atinge a área da Baía de São Francisco, mata 67 pessoas e deixa prejuízos de US$ 5 bilhões.

São Francisco fica perto da Falha de Santo André, que corre ao longo da costa da Califórnia, no encontro das placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte.

Uma das partidas das finais do campeonato nacional de beisebol dos EUA, entre San Francisco Giants e Oakland Athletics, está prestes a começar quando a terra treme, com epicentro nas Montanhas de Santa Cruz. O estádio de Candlestick Park resiste, mas o resto da cidade sofre.

Na Ponte da Baía, entre São Francisco e Oakland, e na Via Expressa Nimitz, uma pista desaba sobre a outra. Das 67 mortes, 41 ocorrem na Via Expressa Nimitz. A destruição também é grande em Watsonville, onde mais de 10% das casas foram totalmente destruídas, Palo Alto e Daly City.

O terremoto contribui para a profunda recessão que atinge a Califórnia, uma das maiores economias do mundo, nos anos 1990. A cidade havia passado pelo Grande Terremoto de São Francisco, de 7,9 graus na escala Richter, em 18 de abril de 1906, quando mais de 3 mil pessoas morrem, 80% da cidade são arrasados e 225 mil ficam sem teto.

sábado, 24 de fevereiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 24 de Fevereiro

CÂMARA DENUNCIA PRESIDENTE

    Em 1868, por 126-47, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos decide abrir um processo de impeachment do presidente Andrew Johnson (1865-69), cuja leniência em relação ao Sul no período da Reconstrução pós-Guerra da Secessão (1861-65) irrita a ala radical do Partido Republicano.

Johnson é vice-presidente de Abraham Lincoln (1861-65), o presidente durante a Guerra da Secessão (1861-65), que vai à guerra contra os estados do Sul para manter a União e abolir a escravidão.

Depois da guerra civil, Johnson autoriza a rápida reintegração dos estados do Sul à União sem garantias de proteção aos escravos libertos. Durante seu governo, os EUA compram o Alasca da Rússia.

Com conflito entre o Legislativo e o Executivo, o Congresso aprovou a Lei de Posse do Cargo (1867), que limita a capacidade do presidente de nomear e demitir assessores. Quando Johnson demite o secretário da Guerra, Edwin Stanton, a Câmara vota o impeachment. Ele é salvo no Senado por um voto. Falta um voto no Senado para a maioria de dois terços necessárias para afastar o presidente dos EUA.

PRIMEIRA ELEIÇÃO DE PERÓN

    Em 1946, o vice-presidente e ministro da Guerra Juan Domingo Perón é eleito presidente da Argentina pela primeira vez, funda o peronismo e se torna o político dominante do país até os dias de hoje, muito além de sua morte.

O coronel Perón é nomeado secretário do Trabalho e da Seguridade Social de um governo militar em dezembro de 1943. Com o apoio do movimento sindical, cria a Justiça do Trabalho, escolas técnicas e um hospital e policlínica para ferroviários. Vira o herói dos descamisados.

Destituído e preso num golpe em 9 de outubro de 1945, sob pressão dos sindicatos e de sua segunda mulher, Maria Eva Duarte de Perón, a Evitavolta nos braços do povo. Em 17 de outubro daquele ano, o Dia da Lealdade para os peronistas, faz seu primeiro discurso triunfal na sacada da Casa Rosada.

Eleito com 52,4% dos votos, Perón nacionaliza os bancos e ferrovias, o Banco Central e algumas companhias de eletricidade. Dá vários benefícios aos trabalhadores: aumento do salário mínimo, 13º salário, folgas semanais, redução da jornada de trabalho, aposentadoria, férias remuneradas, seguro-saúde e cobertura para acidentes de trabalho. Entre 1945 e 1948, a economia argentina cresce a um ritmo recorde de 8,5% ao ano, enquanto os salários reais cresceram 46%.

Reeleito em 11 de novembro de 1951 com 63,5%, depois de uma campanha pelo voto feminino liderada por Evita, Perón governa até 16 de setembro de 1955, quando é deposto por um golpe militar e foge para o exílio. 

Perón volta à Argentina em 1973, é reeleito para um terceiro mandato e governa o país até morrer, em 1º de julho de 1974, deixando no poder sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, que não tem o carisma de Evita e é deposta num golpe militar em 24 de março de 1976, início de uma ditadura cruel acusada de matar 30 mil argentinos.

INVASÃO DA UCRÂNIA

    Em 2022, oito anos depois de anexar ilegalmente a Crimeia, a Rússia do ditador Vladimir Putin invade a ex-república soviética da Ucrânia a pretexto de "desmilitarizar" e "desnazificar" o país como se representasse ameaça à Rússia.

Os EUA se oferecem para retirar do país o presidente Volodymyr Zelensky, acusado de ser nazista, apesar de ser judeu, mas ele pede dinheiro e armas para resistir. Um mês depois, a Rússia abandona a região de Kiev e concentra a ofensiva no Leste e no Sul da Ucrânia.

Contra todas as previsões, a Ucrânia resiste há dois anos, com o apoio dos EUA e da Europa. Não se sabe o número de mortos nesta guerra. Com a fadiga deste apoio e a maior capacidade russa de repor homens, armas e munições no campo de batalho, no momento, a Rússia está mais perto da vitória.

domingo, 19 de novembro de 2023

Extremista Javier Milei é eleito presidente da Argentina

 Antes da divulgação do resultado oficial na Argentina, o ministro da Economia, Sergio Massa, reconheceu a vitória do extremista de direita Javier Milei, que defende propostas extravagantes como o fim do Banco Central e do peso argentino, com a dolarização da economia. Ele ameaçou romper relações com o Brasil, a China e o Vaticano, sair do Mercosul e nega o aquecimento global.

Com 99% dos votos apurados, Milei lidera com 14.476.462 votos (55,69%) contra 11.516.142 (44,3%) para Massa. Este resultado supera todas as previsões dos institutos de pesquisa. Atlas-Intel, que acertou na eleição prévia e no primeiro turno, dava 52,5% para o candidato oposicionista e 47,5% para o peronista.

"Hoje, termina uma forma de fazer política e começa outra", proclamou Milei. "A Argentina tem futuro se for liberal. Não viemos para inventar nada. Vamos fazer o que a história mostrou que funciona. Vamos abraçar as ideias de liberdade, que são as que garantem a prosperidade."

Em uma nota fria, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumprimentou a democracia argentina sem citar o nome do presidente eleito. Milei toma posse em 10 de dezembro. A grande expectativa é qual será seu plano econômico. Meu comentário: 

domingo, 22 de outubro de 2023

Massa e Milei vão disputar segundo turno na Argentina

Apesar da inflação de 138% ao ano, o ministro da Economia, Sergio Massa, da Aliança União pela Pátria, surpreendeu. Com mais de 98,5% dos votos apurados, ele ficou em primeiro lugar no primeiro turno da eleição presidencial na Argentina com 36,7% dos votos. Massa vai disputar o segundo turno em 19 de novembro com o economista Javier Milei, do partido Liberdade Avança, de extrema direita, que teve 30% dos votos.


O sucesso de Massa se deve ao bom desempenho do peronismo na Província de Buenos Aires, onde o governador Axel Kicillof, ex-ministro da Economia no Governo Cristina Kirchner (2007-15), se reelegeu no primeiro turno. Milei repetiu a votação das eleições primárias abertas simultâneas e obrigatórias realizadas em 13 de agosto. 

A participação foi de 74% dos 35 milhões de argentinos aptos a votar numa população de 46 milhões, menos do que nas duas eleições presidenciais anteriores, em 2015 e 2019.

Em seu discurso, primeiro ato da campanha para o segundo turno, Milei tentou de atrair os votos da terceira colocada, Patricia Bullrich (24%), da aliança Juntos pela Mudança, que tem entre seus principais líderes o ex-presidente Mauricio Macri (2015-19).

"Dois terços dos argentinos votaram pela mudança", afirmou o segundo colocado, que sonhava em vencer no primeiro turno. Num apelo aos eleitores de Bullrich, Milei declarou que "aqueles que querem a mudança devem trabalhar juntos" e atacou o kirchnerismo como "a pior coisa que já aconteceu com a Argentina."

Massa não é kirchnerista. Foi chefe de gabinete do primeiro governo Cristina Kirchner (2007-11) durante um ano (2008-9) e voltou a ser prefeito de Tigre (2009-13), uma cidade da Grande Buenos Aires. 

Em 2010, em documentos do Departamento de Estado norte-americano vazados pelo WikiLeaks, Massa diz à embaixadora dos Estados Unidos, Vilma Martinez, que Néstor Kirchner (2003-7) "é um psicopata" e "comanda o governo argentino" enquanto sua mulher "cumpria as ordens".

Ele rompeu com o kirchnerismo em 2013 e fundou seu próprio partido, a Frente Renovadora, uma dissidência peronista em relação ao kirchnerismo. Na Câmara dos Deputados, lutou contra o projeto que permitiria a Cristina ter um terceiro mandato consecutivo

Em 2015, Massa disputou a Presidência e ficou em terceiro lugar, com 21%, atrás do então vice-presidente Daniel Scioli, candidato do kirchnerismo, e de Mauricio Macri, que foi o vencedor no segundo turno.

Na eleição de 2019, Massa abriu mão de sua candidatura para apoiar Alberto Fernández, indicado numa jogada de mestra de Cristina, que ficou como vice-presidente para que a rejeição contra ela não prejudicasse a chapa peronista. Há uma piada que comenta que a Argentina é um país tão original que inventou o vice-presidencialismo. A vice mandava. Massa foi eleito deputado nacional e se tornou presidente da Câmara.

Diante do fracasso total do Governo Fernández (2019-23), com a aceleração da inflação e o aumento da pobreza, Cristina Kirchner deu mais uma tacada de mestra: em julho de 2022, indicou Massa para o Ministério da Economia como última esperança do peronismo, na expectativa de que ele ganharia popularidade se conseguisse frear a alta de preços.

Mesmo sem conseguir, Massa venceu o primeiro turno com uma campanha em que se apresenta como totalmente independente do governo a que pertence. Alberto Fernández e Cristina Kirchner foram totalmente marginalizados na campanha. Mas a força do peronismo, não.

O movimento peronista nasce em outubro de 1945, quando o então ministro do Trabalho e vice-presidente, coronel Juan Domingo Perón, é deposto e preso sob pressão do embaixador dos Estados Unidos e volta nos braços do povo nove dias depois, em 17 de outubro, Dia da Lealdade peronista. Desde então, o Partido Justicialista ganhou 10 eleições presidenciais e governou o país por 40 anos.

Para tirar o país da profunda crise econômica e atrair o apoio do empresariado, Massa promete fazer um governo de união nacional, que só pode ser com a direita tradicional representada pelo macrismo. Ele tem bom relacionamento com o governo dos EUA e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Sua candidata, Patricia Bullrich, ministra da Segurança no Governo Macri, recebeu os votos da elite argentina e ganhou na Cidade de Buenos Aires com 41%. No discurso da derrota, rejeitou qualquer aliança: "O populismo empobreceu o país e não sou eu que vou felicitar a volta ao poder do pior governo da história argentina."

Milei, um populista de extrema direita que se apresenta como "libertário" e "anarcocapitalista". Acusa os políticos profissionais de formar uma casta que parasita os cofres públicos. É mais um político que faz o discurso da antipolítica. É comparado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Fez campanha com uma motossera para sinalizar a intenção de reduzir o tamanho do Estado, que culpa pela inflação argentina.

Seu guru intelectual, Alberto Benegas, causou indignação ao sugerir que um Governo Milei poderia romper com o Vaticano porque o papa Francisco tem tendências esquerdistas. Antes desse comentário, o papa havia criticado Milei sem citar o nome, dizendo que só quem faz milagres é Deus. Milei falou em romper com a China, a maior parceira comercial da Argentina.

Entre outras propostas extravagantes, Milei promete dolarizar a economia, cortar impostos, diminuir os gastos públicos, acabar com o Banco Central e com 10 ministérios, inclusive da saúde, da educação e do desenvolvimento social, que seriam fundidos no Ministério do Capital Humano, privatizar as empresas estatais e permitir a venda de órgãos humanos para transplante. É contra o Mercosul. Alega que comércio exterior é uma atividade do setor privado em que o governo não deve interferir.

Com produto interno bruto estimado pelo FMI em US$ 622 bilhões em 2024, a Argentina é segunda maior economia da América do Sul, a 24ª do mundo e a terceira maior parceira comercial do Brasil. Em renda média por pessoa, com US$ 13,3 mil por ano, está em 66º lugar no mundo e em 5º na América Latina, atrás de Uruguai, Chile, Costa Rica e México. Chegou a ter 15 cotações diferentes para o dólar, a moeda preferida pelos argentinos para poupar. 

Quando Fernández assumiu, em 10 de dezembro de 2019, o dólar oficial estava em 60 pesos. Hoje o câmbio oficial está em 365,50 pesos e no mercado paralelo a 900. Chegou a mil depois que Milei comparou o peso argentino a excremento.

A dolarização anterior, no Governo Carlos Menem (1989-99), para vencer a hiperinflação legada pelo Governo Raúl Alfonsín (1983-89), entrou em colapso no Governo Fernando De la Rúa (1999-2001), que renunciou em meio a protestos violentos com 39 mortes. 

A Argentina não fabrica dólares e as reservas cambiais são baixíssimas. No Governo Menem, a inflação argentina subiu 45% num período em que a norte-americana foi de 6%, tornando os produtos argentinos mais caros e menos competitivos.

Outra dificuldade para Milei é a base parlamentar pequena. Seu partido elegeu 38 dos 257 deputados nacionais da Câmara e terá apenas 8 dos 72 senadores.

Assim, diante da loucura do plano de governo de Milei, é provável que Massa consiga atrair o apoio do empresariado. Nas camadas populares, num país com 40% na pobreza em que uma em cada três crianças passa fome, apesar de ter capacidade de produzir comida para 350 milhões de pessoas, a campanha peronista apela para o discurso do medo. 

Se Milei for eleito, vai cortar programas sociais. Com tanta miséria, no momento, isto é inviável e pode causar uma convulsão social ou no mínimo uma onda de greves convocadas pelo movimento sindical peronista.