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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Trump tenta convencer norte-americanos de que a economia vai bem

Num momento de grande impopularidade, com a aprovação de apenas 36%, a menor de seu segundo governo, o presidente Donald Trump fez hoje o Discurso sobre o Estado da União, a prestação de contas anual do presidente dos Estados Unidos ao Congresso, tentando convencer a nação de que vai tudo bem. Repete o erro de Joe Biden, ao ignorar as dificuldades econômicas da maioria da população.

Foi o mais longo Discurso sobre o Estado da União da história: uma hora e 47 minutos de insultos, mentiras, falsidades e autocongratulação com escassa relação com a verdade e uma postura mussolinesca de cabeça para trás e queixo empinado. 

"Nossa nação está de volta, maior, melhor e mais forte do que nunca", gabou-se Trump.

Como de costume, afirmou que recebeu o país em péssimas condições de Joe Biden e fez a maior reviravolta em apenas um ano. Mente que a inflação era a maior da história, que o país estava invadido por imigrantes ilegais e com dificuldade para recrutar militares.

"Agora, temos a fronteira mais segura da história dos EUA", afirmou, acrescentando que nos últimos 12 meses não entrou nenhum imigrante ilegal no país. "A entrada de fentanil caiu 56% e o índice de homicídios caiu como nunca, desde que meu pai nasceu. O governo Biden e seus aliados no Congresso nos legou a pior inflação da história", o que é mentira.

Em seguida, declarou que o país está recebendo investimentos de US$ 18 bilhões, o que ninguém acredita. "Recebemos de nossa nova aliada Venezuela 8 milhões de barris". Acrescentou que a produção dos EUA aumentou em 600 mil barris diários porque ele cumpriu a promessa de mandar "perfurar, perfurar e perfurar" novos poços de petróleo.

"Acabamos com [as políticas de] DEI (diversidade, equidade e inclusão) nos EUA", um sinal evidente de seu racismo e desprezo pelas minorias. Antes de Trump começar a falar, o deputado federal pelo Texas Al Green foi expulso do plenário por apresentar um cartaz com as palavras: "Negros não são macacos", uma referência ao vídeo divulgado pela Casa Branca em que o ex-presidente Barack Obama e sua mulher, Michelle Obama, eram retratados como macacos.

"Estamos ganhando como nunca", falou ao convocar o time de hóquei sobre o gelo dos EUA, que conquistou a medalha de ouro na Olimpíada de Inverno de Milão e Cortina d'Ampezzo, na Itália. O time feminino de hóquei também ganhou ouro, mas se recusou a participar do evento de hoje no Congresso alegando problema de agenda.

Trump acusou os democratas de votar contra seu corte de impostos para ricos e grandes empresas como se beneficiasse o cidadão comum. Também criticou a Suprema Corte por ter derrubado o tarifaço de sua guerra comercial. Mentiu mais uma vez ao dizer que são os estrangeiros que pagam pelas tarifas de exportação. A delegacia do banco central em Nova York estimou que 90% das tarifas são pagas por consumidores e empresas norte-americanas.

O presidente culpou os democratas pelo alto custo de vida, um dos grandes problemas deste governo: "Os preços estão desabando. O preço dos ovos caiu 60%. Mesmo a carne, que estava muito cara, está caindo. A energia caiu a números que ninguém acredita." 

Ele responsabilizou o programa de saúde do governo Barack Obama de enriquecer as empresas de seguro-saúde. Mais uma falsidade. Até hoje, Trump não apresentou uma proposta para a saúde. Também alegou que está baixando os preços dos medicamentos como nunca. "Os outros presidentes prometeram, falaram, mas não agiram. Hoje, pagamos os menores preços do mundo por medicamentos." Falso. Falou em quedas de 400%, 500% e 600%, mas 100% seriam suficientes para zerar os preços.

Em mais um desafio à Constituição, citou a possibilidade de exercer um terceiro mandato.

Não há nenhum indício de fraude em massa em eleições nos EUA, mas Trump insiste que "a fraude é desenfreada em nossa eleições... Eles querem trapacear. Eles têm trapaceado. E suas políticas são tão ruins que a única maneira de serem eleitos é trapaceando e vamos acabar com isso." Mais um insulto à oposição.

Até hoje, Trump não reconheceu a derrota para Biden em 2020. Seus advogados e aliados fizeram 61 reclamações à Justiça. Em todos os casos, os juízes não viram elementos suficientes para abrir um processo.

Ele pede que todos os eleitores provem que não são imigrantes ilegais. Um estudo de seu Departamento de Segurança Interna, entre 49,5 milhões de eleitores, foram identificados cerca de 10 mil casos para maior investigação, 0,02% to total. Trump prepara maneiras de interferir nas eleições de meio de mandato marcadas para 3 de novembro, quando deve perder a maioria na Câmara e talvez também no Senado.

A seguir, inventou que um estado tentou mudar o sexo de uma menina na plateia. "Os democratas estavam destruindo nosso país, mas os paramos em cima da hora."

Trump se vangloriou de reduzir a violência nos EUA com sua política anti-imigrantes: "Deportamos imigrantes ilegais criminosos em número recorde", disse Trump. Na verdade, a maioria das pessoas detidas por agentes de imigração não têm condenação criminal. Seu governo deportou muito menos do que o governo Obama, com a diferença de que o democrata deportou criminosos.

Para defender a atuação de sua política de imigração fascistoide, apresenta família que perderam parentes em crimes cometidos por imigrantes. Mas a realidade é que imigrantes cometem muito menos crimes proporcionalmente do que cidadãos norte-americanos.

Quando Trump defendia sua política anti-imigração, a deputada federal por Minnesota Ilhan Omar, de origem somaliana, disparou: "Você matou norte-americanos", numa referência às mortes de Renne Good e Alex Pretti, baleados pela polícia de imigração em Mineápolis em janeiro.

O presidente se congratulou por acabar com oito guerras. Não acabou com nenhuma. No máximo, intermediou um acordo de paz entre Armênia e Azerbaijão sem resolver os problemas históricos entre os dois países.

Às vésperas de um possível bombardeio ao Irã, Trump acusou o regime dos aiatolás de terrorismo e de ter matado 32 mil iranianos na onda de protestos recentes. Insistiu na mentira de que erradicou o programa nuclear do Irã. Declarou que o Irã nunca poderá ter armas nucleares nem mísseis capazes de atingir a Europa e as bases dos EUA no Oriente Médio.

"Minha preferência é resolver o problema diplomaticamente. Mas não se enganem, o maior patrocinador de terrorismo jamais poderá ter armas nucleares", ameaçou, ao defender sua estratégia de "paz através da força". Não revelou qual o objetivo de um possível ataque: acabar com o programa nuclear? Derrubar o regime? Proteger os manifestantes?

Ao falar dos "aliados e amigos" da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), citou o compromisso assumido de que cada país gaste 5% do produtos interno bruto com defesa a partir de 2035, o que exigiu para não retirar as forças dos EUA da Europa. Também se vangloriou de não mandar mais dinheiro para a Ucrânia: "Tudo o que estamos enviando para a Ucrânia fazemos através da OTAN e eles nos pagam." Os europeus compram armas e munições dos EUA.

Não esqueceu de falar do Hemisfério Ocidental, nome que usa para se referir à América, dizendo que garantiu a segurança e acabou com o tráfico de drogas através do mar. Em seu tom hiperbólico, chamou a captura e o sequestro do ditador venezuelano Nicolás Maduro para levá-lo para julgamento nos EUA uma das operações militares mais espetaculares da história.

"Estamos trabalhando com a nova presidente Delcy Rodríguez para gerar ganhos extraordinários para os dois países". O futuro da Venezuela é incerto. Por enquanto, Trump conchava com o regime em troca de petróleo.

Em outro momento, convoca a primeira-dama Melanie Trump para condecorar um aviador que teria enfrentado aviões da União Soviética durante a Guerra da Coreia (1950-53).

A resposta democrata foi feita pela governadora da Virgínia, Abigail Spanberger. Ela declarou que Trump não se preocupa com a segurança e a situação econômica do cidadão comum, que nunca se viu tanta corrupção. Citou o enriquecimento de um presidente e sua família, inclusive com criptomoedas e outros negócios suspeitos, e o escândalo sexual de Jeffrey Epstein. 

A governadora lembrou sua eleição e outras que o Partido Republicano perdeu desde a posse de Trump e afirmou que o Partido Democrata vai ganhar as eleições intermediárias de 3 de novembro porque "nós trabalhamos para o povo."

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segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Milei perde eleições na província de Buenos Aires

 Com 47% dos votos, a aliança Força Pátria, liderada pelo governador Axel Kicillof, obteve uma ampla vitória nas eleições de domingo na Província de Buenos Aires, a maior e mais importante da Argentina. O coligação entre A Liberdade Avança, do presidente Javier Milei, e a Proposta Republicana (Pro), do ex-presidente Mauricio Macri, ficou num segundo lugar distante, com pouco menos de 34% da votação.

Um ano e meio depois de chegar à Casa Rosada com uma promessa radical de acabar com a inflação com cortes drásticos nos gastos públicos e grande liberdade para os mercados, Milei enfrenta os mesmos problemas que desmoralizaram o peronismo em sua versão mais recente, o kirchnerismo: a inflação e a corrupção.

O resultado das urnas foi inesperado. Esperava-se uma vitória apertada do peronismo, que tem sua grande base eleitoral na Província de Buenos Aires, onde vivem 14,38 dos 35,4 eleitores argentinos, mais de 40% do total. Kicillof desponta como principal candidato da oposição à Presidência em 2027.

Em consequência, o Índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires, caiu 13%. O dólar subiu 7% de manhã depois de se estabilizar com uma alta de 4,25% no dia, num momento em que o governo intervém no mercado de câmbio para conter a inflação, que voltou a subir. Ficou em 1,9% ao mês em julho. As previsões para agosto apontam 2% a 2,1%.

Milei recebe Goldfajn na Casa Rosada

Sob ameaça de uma nova disparada do dólar, Milei e o ministro da Economia, Luis Caputo, fizeram uma reunião de emergência na sede do governo com o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central do Brasil (foto), que prometeu apoiar o programa de recuperação da economia argentina.

Talvez o que mais tenha pesado na decisão dos eleitores foi um escândalo de corrupção envolvendo a irmã do presidente, Karina Milei (foto), secretária-geral da Presidência, considerada hoje a pessoa mais poderosa do país, logo abaixo do irmão. Karina chefiou a campanha de Javier Milei, que a chama de "o chefe".

Em 19 de agosto, gravações de som atribuídas a Diego Spagnuolo, ex-diretor da Agência Nacional para Deficientes (Andis), denunciaram um esquema de propinas na compra de medicamentos. Os laboratórios interessados em contratos estatais deveriam pagar até 8% a mais para uma drogaria chamada Suizo Argentina; 3% iriam para Karina Milei. O desvio de dinheiro público seria de 500 a 800 mil dólares por mês.

A Justiça ordenou investigação e busca na Andis e em propriedades da Suizo Argentina. Mais de US$ 266 mil em espécie foram encontrados na casa de um dos donos da drogaria suspeita.

O mileísmo sofre assim dos mesmos males que derrotaram o kirchnerismo: inflação e corrupção. No seu pior momento, terá de enfrentar em 26 de outubro as eleições parlamentares de meio de mandato. Serão renovadas a metade da Câmara e um terço do Senado.


sexta-feira, 19 de julho de 2024

Partido Republicano se entrega ao extremismo de Trump

Num discurso longo e desonesto, o ex-presidente Donald Trump aceitou na quinta-feira à noite a nomeação do Partido Republicano para ser candidato à Presidência dos Estados Unidos na eleição de 5 de novembro. O ex-presidente começou num tom emocional, lembrando o atentado de que foi alvo no sábado passado, mas a promessa de um novo Trump, conciliador, pregando a união nacional contra a violência política durou pouco.

Logo Trump acusou o governo Joe Biden de instrumentalizar o Departamento da Justiça para persegui-lo nos processos criminais que enfrenta, de destruir a economia do país, de permitir uma invasão dos EUA por imigrantes ilegais e de ser responsável pelas guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.

Trump, que lidera as pesquisas eleitorais, prometeu fechar a fronteira sul e iniciar perfurações para descobrir petróleo no primeiro dia de governo. Atacou o Novo Pacto Verde dos democratas para promover a transição para uma economia mais verde, com menor consumo de combustíveis fósseis, para combater o aquecimento global. Aliado da indústria do petróleo, o Partido Republicano nega a responsabilidade humana pela mudança do clima.

quinta-feira, 23 de março de 2023

Trump pode ser denunciado criminalmente hoje

Alvo de várias investigações, o ex-presidente Donald Trump pode ser denunciado criminalmente hoje pelo júri que examina o pagamento de US$ 130 mil à atriz pornô Stormy Daniels para comprar o silêncio durante a campanha eleitoral de 2016. Apesar de três derrotas eleitorais consecutivas, Trump sonha em voltar à Casa Branca, talvez para se livrar dos processos.

O ex-primeiro-ministro Boris Johnson depôs ontem durante três horas e meia numa comissão da Câmara dos Comuns onde é acusado de mentir ao Parlamento Britânico sobre as festinhas realizadas na residência oficial durante confinamentos da pandemia.

Com a inflação em 10,4% ao ano no Reino Unido, o Banco da Inglaterra deve aumentar hoje sua taxa básica de juros, hoje em 4% ao ano. Na semana passada, o Banco Central Europeu elevou os juros de 2,5% para 3%. Ontem, foi a vez do banco central dos EUA, que aumentou a taxa básica em 0,25 para tentar equilibrar a alta de preços com o risco bancário tendo em vista falências bancárias recentes.

O Banco da Reserva da Índia, o banco central do país, previu crescimento de 7% em 2023 e de 6,4%. É a grande economia que mais cresce no mundo. Com aumento de 5,9% na renda por pessoa, a Índia se tornou um país de renda média.

A escassez de água será um problema para a maioria dos países, por causa da poluição e do aquecimento global. Água e saneamento para todos é um dos objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU, que realiza neste momento em Nova York a Conferência da Água.

Ao defender sua reforma previdenciária e criticar os protestos violentos e atos de vandalismo, o presidente Emmanuel Macron comparou as manifestações na França ao assalto ao Congresso dos EUA, em 6 de janeiro de 2021, e os ataques às sedes dos três poderes em Brasília, em 8 de janeiro deste ano. 

É uma jogada que ele já usou contra a Revolta dos Coletes Amarelos (2018-19) e agora repete, acusar as manifestações contra o governo de ameaçar a democracia francesa.

Hoje será mais um dia de greve na França. Meu comentário:

quarta-feira, 15 de março de 2023

Escarumuça militar e diplomática eleva tensão entre Rússia e EUA

Os Estados Unidos acusaram a Rússia na terça-feira de interceptar e derrubar um drone-espião norte-americano em águas internacionais do Mar Negro. A Rússia nega ter havido qualquer contato.

O incidente acirra a tensão entre já elevada entre as superpotências nucleares por causa da guerra da Rússia na Ucrânia, mas diplomatas de países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, não vêm risco de novos confrontos a curto prazo. E mostra a importância estratégica do Mar Negro para a Rússia.

Na segunda-feira, os EUA, o Reino Unido e a Austrália revelaram detalhes do pacto AUKUS, que vai fornecer submarinos nucleares à Austrália sob protesto da China.

A falência do Silicon Valley Bank não é uma crise sistêmica, não abala o sistema bancário dos EUA, na opinião do economista Paul Krugman.

Pela primeira vez desde 1991, a inflação na Argentina passou de 100% ao ano. Meu comentário:

domingo, 19 de fevereiro de 2023

TV pode pagar US$ 1,6 bilhão por divulgar mentiras de Trump

A direção e os principais apresentadores da televisão norte-americana Fox News sabiam que as alegações de fraude do presidente Donald Trump depois da eleição de 2020 eram falsas, mas insistiram na mentira. Agora, a empresa de computação Dominion pede na Justiça indenização de US$ 1,6 bilhão por ter sido acusada de participar na fraude.

Israel enfrenta a pior crise política de sua história. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, processado por corrupção, está propondo uma reforma do Judiciário para dar à Knesset, o Parlamento de Israel, o direito de derrubar decisões da Suprema Corte.

A França também está em crise, com forte oposição à reforma previdenciária do presidente Emmanuel Macron, que não tem maioria na Assembleia Nacional.

O escritor chileno Pablo Neruba, um dos maiores poetas da história, foi assassinado pela ditadura do general Augusto Pinochet, denuncia seu sobrinho Rodolfo Reyes, com base num laudo recente de universidades do Canadá e da Dinamarca.

Com a inflação argentina em 98,8% ao ano, fica difícil o sonho do ministro da Economia, Sergio Massa, de ser candidato na eleição presidencial de outubro. O presidente Alberto Fernández quer ser candidato e a vice-presidente Cristina Kirchner diz que não quer.

Os super-ricos, que são 1% da humanidade, ficaram com dois terços da riqueza gerada no mundo desde o ano 2000, revela um relatório da organização não governamental Oxfam.

Na primeiro encontro entre altas autoridades dos Estados Unidos e da China depois do abate de um balão-espião chinês, o secretário de Estado, Antony Blinken, e o ministro do Exterior chinês, Wang Yi, travaram um diálogo tenso à margem da Conferência de Segurança de Munique. Meu comentário:

domingo, 18 de dezembro de 2022

França participou de momentos decisivos da história da Argentina

A Argentina venceu a França nos pênaltis numa das finais mais emocionantes da história das Copas. Os dois países tiveram vários encontros ao longo da história.

A França foi o primeiro país a ocupar uma das Ilhas Malvinas. As guerras napoleônicas deflagraram a independência dos países da América Latina. A França interveio em guerras contra o caudilho Juan Manuel de Rosas. Levou a indústria do frio, que transformou a Argentina num dos países mais ricos do mundo no início do século 20. Durante a guerra suja da última ditadura militar contra a esquerda, o capitão Alfredo Astiz, o Anjo Louro da Morte, assassinou duas freiras francesas. Meu comentário:

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Superministro é desde já candidato à Presidência da Argentina

 O presidente da Câmara dos Deputados da Argentina, Sergio Massa, terceiro colocado na eleição presidencial de 2015, renunciou ao cargo para assumir ontem um superministério da Economia, Desenvolvimento Produtivo e Agricultura, encorpado pela inclusão de agricultura, pecuária, pesca e indústria. 

Seu desafio é formidável: controlar uma inflação que está em 64% ao ano e pode chegar a 80% em 2022, conter um ataque especulativo, acalmar os movimentos sociais e os produtores rurais, que exigem uma redução de impostos, e honrar um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para reestruturar uma dívida de US$ 44 bilhões. 

Se tiver sucesso, será o favorito à eleição presidencial de 22 de outubro de 2023. Caso contrário, a direita volta ao poder, onde fracassou com Mauricio Macri (2015-19).

Peronista moderado, com bom trânsito nos meios empresariais, Massa tomou posse sem a presença da poderosa vice-presidente Cristina Kirchner, que derrubou o ministro Martín Guzmán, substituído por Silvina Batakis, que durou apenas 24 dias no cargo e foi demitida quando voltava dos Estados Unidos, onde tinha ido tentar acalmar os investidores.

Ao chegar à Casa Rosada, o carro de massa foi cercado por piqueteiros que gritavam insultos e bateram nas janelas do veículo. A Unidade Piqueteira, que reúne vários movimentos sociais, rejeita os planos de ajuste fiscal. Exige reajuste do salário mínimo, uma escala móvel para o salário mínimo e um abono de emergência.

Sob pressão das ruas, Massa assumiu se desculpando preventivamente: "Não sou um superministro nem mago nem salvador. Venho ajudar a trabalhar para que a Argentina vá bem e os argentinos, melhor", declarou massa. "A Argentina é um país com recursos, em vias desenvolvimento, não um país rico. A riqueza devemos construir todos. Isto inclui governo e oposição, campo e indústria, trabalhadores e empresários, organizações sociais e da sociedade civil."

METAS

Massa anunciou o fim dos subsídios aos grandes consumidores de energia elétrica, prometeu manter o déficit orçamentário em 2,5% do produto interno bruto, como acertado com o FMI, não imprimir mais dinheiro, cortar os gastos públicos e reforçar as reservas cambiais com US$ 7 bilhões. Descartou uma desvalorização da moeda, sob o argumento de que tem um efeito cascata, dá um choque inflacionário a toda a economia. A meta é baixar a inflação até o fim do ano para 3% ao mês.

O mercado reagiu favoravelmente. No mercado livre, o dólar está em 291 pesos, depois de chegar ontem a 298. No câmbio oficial, vale 139,86 pesos. Mas o Banco Central vendeu US$ 820 milhões desde que Massa foi anunciado. 

As reservas cambiais líquidas da Argentina em moedas fortes estão em US$ 1,5 bilhão, informa o jornal Clarín citando analistas do setor privado. Cobrem apenas 15 dias de importações. O governo pressiona os exportadores a liquidar operações de câmbio no valor de US$ 5 bilhões em agosto e setembro, mas eles querem redução de impostos.

Na Bolsa de Nova York, a única empresa argentina que teve alta foi Mercado Libre. Suas ações subiram 16% por causa do balanço divulgado nesta semana.

Com 47 milhões de habitantes, a Argentina foi o país mais rico e desenvolvido da América Latina. Tem capacidade para alimentar 350 milhões de pessoas. Em decadência há 50 anos, 40% dos argentinos vivem na pobreza. Conheça um pouco da história argentina.

QUEM É MASSA

Sergio Massa, de 50 anos, entrou na política como militante da União do Centro Democrático (UCD), um partido conservador. Aderiu ao peronismo quando estudava direito na Universidade de Belgrano. Em 1999, foi eleito deputado provincial em Buenos Aires e, em 2007, prefeito de Tigre, na Grande Buenos Aires, com o apoio do então presidente Néstor Kirchner.

Nos governos de Eduardo Duhalde (2002-3) e Néstor Kirchner (2003-7), Massa dirigiu a Administração Nacional de Seguridade Social. No início do primeiro governo Cristina Kirchner (2007-11), foi chefe de Gabinete, cargo equivalente ao de ministro-chefe da Casa Civil no Brasil de julho de 2008 a julho de 2009.

Quando deixou o governo, voltou à Prefeitura de Tigre e se afastou do kirchnerismo. Criou seu próprio partido, a Frente Renovadora, pelo qual se elegeu deputado nacional em 2013 e disputou a Presidência em 2015, conquistando o terceiro lugar com 21% dos votos.

Em 2019, voltou ao peronismo, apoiou a chapa Alberto Fernández e Cristina Kirchner, e foi eleito presidente da Câmara. Vira superministro como o único capaz de navegar entre a crise permanente entre o presidente e sua vice.

Com ironia para suportar a desgraça, os argentinos brincam que entre as originalidades do país está o regime vice-presidencialista. Quem manda de fato é Cristina, que fica sabotando os ministros de Alberto, um presidente fraco que ela nomeou num golpe de mestra para neutralizar sua rejeição, além de estar preocupada com os processos por corrupção. Seu governo tenta intervir na Corte Suprema.

POPULISMO

"A indicação de Massa pode ser uma manifestação do fim do experimento populista", disse o economia argentino Rafael di Tella, professor da Harvard Business School, ao Brazil Journal. Ele acredita que o superministro sonha em ser o Fernando Henrique Cardoso da Argentina, usando o combate à inflação como trampolim para chegar à Casa Rosada.

Para dar o salto, precisa não só vencer a crise econômica como o conflito interno do governo, a guerra das estrelas do peronismo. Crítico feroz do kirchnerismo, o jornalista Jorge Lanata afirma que Fernández "deixou de ser presidente". Foi relegado ao terceiro lugar em seu próprio governo. 

"Massa é a última esperança deste governo", sentencia Lanata. Numa tentativa de deixar claro quem manda, acrescenta, Cristina Kirchner deu 100 dias a Massa para melhorar a situação do país: "Depois, pode acontecer qualquer coisa."

A festa da ascensão de Massa, no Museu do Bicentenário, foi para o jornalista uma amostra do peronismo: "Estavam todos lá, os milionários, os piqueteiros, os supostos empresários nacionalistas, tudo misturado."

Setenta anos depois da morte de Evita e 48 anos depois da morte do general Juan Domingo Perón, o peronismo, que o escritor Jorge Luis Borges chamou de "fenômeno incorrigível", ainda domina a política argentina. Não vai desaparecer. A esperança é que se torne menos autoritário. 

Veja mais sobre política internacional no meu canal no YouTube. Meu comentário:

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Média de casos novos mostra tendência de queda após 40 dias

 Com mais 922 mortes e 165.359 diagnósticos positivos da doença do coronavírus de 2019, o Brasil chegou nesta quinta-feira a 27.125.512 casos confirmados e 636.111 vidas perdidas na pandemia.

Em um sinal de que a onda da variante ômicron passou do pico, a média diária de casos novos dos últimos sete dias caiu 20% para 146. A média de mortes apresenta tendência de alta, de 85% em duas semanas, para 874 mortes por dia.

O total de casos confirmados no mundo está em pelo menos 405.904.465, com 5.788.906 de mortes. Mais de 326 milhões de pacientes se recuperaram e 89.247 estão em estado grave.

Nos Estados Unidos, mais 178.554 casos e 3.444 mortes foram registradas na quinta-feira. O país tem o maior número de casos confirmados (77.428.574) e de mortes (915.430) na pandemia.

Com o declínio da onda da ômicron média diária de casos novos dos últimos sete dias nos EUA continua em queda forte, de 65% em duas semanas. Está em 205.004. 

O total de hospitalizados baixou 32% em duas semanas para 103.455, sendo 19.192 em unidades de terapia intensiva, 25% a menos do que duas semanas atrás. 

A média de mortes se estabilizou nos EUA, com alta de 2% em duas semanas para 2.575 por dia, um número bastante elevado. Deve cair nas próximas semanas.

Depois de bloquear por duas semanas a capital do Canadá, Ottawa, o protesto de uma minoria de caminhoneiros canadenses contra a obrigatoriedade de vacina fechou três passagens da fronteira com os EUA. Já afeta a produção de automóveis por falta de peças. A General Motors, a Ford, a Toyota e a Honda pararam fábricas em Michigan, nos EUA, e Ontário, no Canadá.

O presidente Joe Biden pediu providências ao Canadá, onde o governo Justin Trudeau decidiu não usar a força. Os caminhoneiros pretendem ficar por longo prazo. Dos dois lados da fronteiras, a extrema direita incentiva os protestos, que podem começar também nos EUA, talvez no próximo domingo, quando será disputada a final da Liga Nacional de Futebol Americano, em Los Angeles.

Na França, o governo mobilizou a polícia impedir que os caminhoneiros bloqueiem os acessos a Paris.

Mais de 10,3 bilhões de doses de vacinas foram aplicadas no mundo até agora. Mais de 4,85 bilhões de pessoas (61,63% da população mundial) tomaram ao menos uma dose, mas só 10,6% nos países pobres. Mais de 55% da humanidade completaram a vacinação e 15% receberam a dose de reforço.

O Brasil deu a primeira dose a 168,1 milhões de pessoas, mais de 152 milhões completaram a vacinação e 54,4 milhões (71,27% da população brasileira) tomaram a dose de reforço, num total de mais de 374,5 milhões de doses aplicadas. 

O reforço da vacina da Pfizer para quem tomou CoronaVac aumenta a efetividade para 92,7%, indica um estudo publicado na revista Nature com base em dados do Ministério da Saúde do Brasil de 14 milhões de pessoas.

ALTA DE PREÇOS

A inflação nos EUA chegou a 7,5% ao ano em janeiro. É a maior desde 1982. O núcleo da inflação, excluídos os preços mais voláteis de energia e alimentos, está em 6% ao ano. Este é o índice que o Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central do país, leva em conta, tentando manter a alta de preços dentro de uma meta informal de 2% ao ano. A expectativa do Fed é que caia para 3% ao longo do ano.

O Fed anunciou um aumento na taxa básica de juros, hoje praticamente zerada, entre 0-0,25% ao ano, para a próxima reunião em março. Seu presidente, Jeremy Powell, pretendia propor ao Comitê do Mercado Aberto aumentos de 0,25 ponto percentual. Alguns diretores do banco central norte-americano querem um ponto percentual.

Além da inflação, a alta de juros pode prejudicar o emprego e piorar a situação do Partido Democrata, do presidente Joe Biden, nas eleições de meio de mandato. O Partido Republicano é favorito para retomar o controle da Câmara e do Senado.

No Brasil, a inflação de janeiro foi de 0,54%, a maior para o mês desde 2016. O índice preços ao consumidor subiu para 10,38% ao ano. Depois de baixar a taxa básica de juros para um mínimo histórico de 2%, o Banco Central aumentou os juros oito vezes consecutivas para 10,75% ao ano, acima da taxa de inflação.

Sob o impacto da ômicron, a economia do Reino Unido encolheu 0,2%, com maior queda, de 0,5%, no setor de serviços, que representa cerca de 80% do produto interno bruto britânico. No ano como um todo, o país cresceu 7,5%. Foi a maior alta desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Como o PIB caíra 9,4% em 2020, ainda não voltou ao nível pré-pandemia.

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Brasil registra recordes de contágio na pandemia

 Mais 317 mortes e 132.254 diagnósticos positivos da doença do coronavírus de 2019 foram notificados no Brasil nesta terça-feira, elevando os totais para 23.215.551 casos confirmados e 621.578 vidas perdidas na pandemia. É o maior número de casos novos num dia.

A média diária de novas infecções subiu 575% em duas semanas para um recorde de 83.360. A média de mortes cresceu bem menos, mas também apresenta uma alta forte, de 88% em duas semanas, para 185 por dia. A hospitalização de crianças e adolescentes aumentou 61% no estado de São Paulo.

Ao todo, no mundo, são 334.182.348 casos confirmados e 5.554.986 mortes. Cerca de 271 milhões de pacientes se recuperaram, mais de 57,5 milhões enfrentam casos leves ou médios e 96.821 estão em estado grave. 

Na semana passada, o mundo registrou novo recorde semanal, 18.739.136, com alta de 20% em uma semana. As mortes foram 45.543, com alta de 4%, revelou a Organização Mundial da Saúde (OMS), que voltou a alertar que um vírus que mata não pode ser considerado brando.

O Sudeste Asiático registrou um aumento de 145% nos casos novos e a África uma queda de 27%. As mortes tiveram alta de 12% no Sudeste Asiático e de 7% na América. Nas outras regiões, ficaram estável.

Como na África do Sul, o número de infecções da variante ômicron começou a cair no Reino Unido e na costa leste dos Estados Unidos, mas a quantidade de internações ainda preocupa. Com a divulgação de dados atrasados do fim de semana, o Reino Unido registrou 438 mortes nesta terça-feira, o maior número desde fevereiro do ano passado. 

Um estudo citado pelo jornal O Globo indica que a onda da ômicron atinge o pico em quatro a seis semanas. No Brasil, seria daqui a duas ou três semanas.

Os EUA registraram 1.081.780 casos e 2.759 mortes na terça-feira, também um dados inflados depois do fim de semana prolongado pelo feriado em homenagem a Martin Luther King Jr., o grande ativista dos direitos civis. O país tem o maior número de casos confirmados 67.590.030 casos confirmados e 853.958 mortes.

A média diária de casos novos dos últimos sete dias nos EUA aumentou 37% em duas semanas para 756.892, enquanto a média de mortes cresceu 41% em duas semanas para 1.889. O total de hospitalizados subiu 47% para 156.895. Cerca de 80% dos leitos de terapia intensiva estão ocupados no país. Aumentou muito a internação de crianças.

A duas semanas da abertura da Olimpíada de Inverno em Beijim, a China enfrenta a pior surto desde a onda inicial da pandemia, em Wuhan, em janeiro de 2020. No Distrito de Haidian, na capital chinesa, um infectado com a ômicron transmitiu o vírus a outras duas pessoas. O primeiro caso foi notificado em 15 de janeiros e os outros dois ontem e hoje. Um caso da delta foi diagnosticado no distrito de Chaoyang,

Com a política de erradicação total do vírus do regime chinês, o público estrangeiro já estava fora. Ontem, as autoridades chinesas anunciaram que não haverá venda de ingressos ao público. Só convidados vão assistir aos Jogos Olímpicos.

Mais de 9,73 bilhões de doses de vacinas foram aplicadas até agora no mundo. Mais de 4,73 bilhões de pessoas, 60,1% da humanidade, tomaram ao menos uma dose, mas só 9,6% nos países pobres. Mais da metade completou a vacinação e 11% receberam a dose de reforço.

A China lidera a vacinação com 2,94 bilhões de doses, seguida pela Índia com 1,58 bilhão. Nos EUA, 249,4 milhões tomaram ao menos uma dose, 209,3 milhões (63% da população norte-americana) completaram a vacinação e 82,2 milhões receberam a dose de reforço.

O Brasil deu a primeira dose a 162,26 milhões, 147,66 milhões (69,22% da população brasileira) completaram a vacinação e 36,18 milhões (16,96%) tomara a dose de reforço, num total de mais de 346 milhões de doses. 

No Reino Unido, a inflação de 2021 ficou em 5,4%, a maior em 30 anos. Na Alemanha, a alta foi de 5,3%. Os preços do petróleo subiram 2% para US$ 88 o barril do tipo Brent, do Reino Unido, padrão de referência na Bolsa de Mercadorias de Londres. É a maior valor em sete anos, o que alimenta a inflação.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Brasil registra 53,4 mil casos de covid-19 em 24 horas

 Em mais um aumento expressivo do contágio pela variante ômicron, o Brasil registrou nesta sexta-feira 148 mortes e 53.419 diagnósticos positivos da doença do coronavírus de 2019. chegando a 22.448.362 casos confirmados e 619.878 vidas perdidas na pandemia. 

A média diária de casos novos dos últimos sete dias cresceu 639% em duas semanas para 23.338. É a maior desde 24 de setembro do ano passado. A média móvel de mortes subiu 14% para 110. Ambas foram afetadas pelo apagão de dados do Ministério da Saúde desde 10 de dezembro.

No mundo, houve 2,614 milhões de casos novos em 5 de janeiro e 2,543 milhões em 6 de janeiro, mais de 5,1 milhões em dois dias. A média diária de casos novos dos últimos sete dias teve alta de 174% em duas semanas para 2,089 milhões. A média móvel de mortes caiu 12% em duas semanas para 6.072 por dia.

Ao todo, já são 302.910.416 casos confirmados e 5.478.995 mortes de covid-19. Cerca de 258 milhões de pacientes se recuperaram, mais de 39 milhões enfrentam casos leves ou suaves e 92.423 (0,2% dos casos ativos) estão em estado grave. A taxa de letalidade é de 2% dos casos encerrados. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou hoje que a variante ômicron não pode ser considerada branda porque está causando mortes. Os primeiros estudos indicam que a nova cepa causa menos casos graves, hospitalizações e mortes, mas o grande volume de casos sobrecarrega os sistemas de saúde, observou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. E o aumento da hospitalização de crianças de menos de 5 anos com covid-19 nos Estados Unidos levanta a suspeita que a variante não seja tão suave em crianças pequenas.

Os EUA registraram mais 897.833 casos e 2.590 mortes por covid-19 nesta sexta-feira. A média diária de casos novos dos últimos sete dias cresceu 228% em duas semanas para 648.211. O número de pacientes hospitalizados aumentou 68% em duas semanas para 118.399. A média diária de mortes dos últimos sete dias subiu 11% em duas semanas para 1.499.

A Suprema Corte vai julgar a constitucionalidade das políticas de vacinação obrigatória do governo Joe Biden. A tendência é que aceite a vacinação dos profissionais de saúde, mas a maioria conservadora vê com reservas a vacinação dos trabalhadores de empresas privadas com cem funcionários ou mais.

Mais de 9,37 bilhões de doses de vacinas foram aplicadas no mundo. Mais de 4,64 bilhões de pessoas, 59% da população mundial, tomaram ao menos uma dose, mas só 8,9% nos países pobres; 51% da humanidade completaram a vacinação e 7,2% tomaram a dose de reforço.

A China aplicou 2,86 bilhões de doses, seguida pela Índia com 1,5 bilhão de doses. Nos EUA, 246,1 milhões tomaram a primeira dose, 207,2 milhões (62,33% da população norte-americana) completaram a vacinação e 75 milhões receberam a dose extra.

O Brasil deu a primeira dose a 161,6 milhões, 144,226 milhões (67,61% da população brasileira) completaram a vacinação e 29,18 milhões tomaram a dose de reforço, num total de mais de 355 milhões de doses aplicadas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do insumo farmacêutico ativo (IFA) da vacina do laboratório AstraZeneca e da Universidade de Oxford fabricado pela Fundação Oswaldo Cruz. Será a primeira vacina totalmente fabricada no Brasil.

No impacto econômico da pandemia, a inflação na Zona do Euro chegou a 5% ao ano. É a maior desde a introdução da moeda comum europeia, em 1999.

O relatório mensal de emprego dos EUA decepcionou. O saldo entre vagas de emprego criadas e fechadas foi de 199 mil, o pior resultado do ano. O mercado esperava mais de 400 mil postos de trabalho. Mesmo assim, o ano fechou com a criação de um recorde de 6,4 milhões de empregos. E ainda falta preencher 3,6 milhões de vagas para atingir o nível pré-pandemia.

A taxa de desemprego, medida em outra pesquisa, que desconsidera quem parou de procurar emprego, caiu de 4,2% para 3,9%. Os salários cresceram em média 4,7% em 2021 nos EUA, acima da média pré-pandemia, de 3%.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Fernández assume pedindo unidade e mais prazo para pagar dívida

Ao tomar posse hoje como presidente de uma Argentina profundamente abalada por mais uma crise econômica, o peronista Alberto Fernández fez um apelo à união nacional e pediu mais prazo aos credores para saldar as dívidas do país, alegando não ter condições de fazê-lo sem a retomada do crescimento.

"Venho convocar à unidade de toda a Argentina em prol da construção de um novo contrato social cidadão", declarou o novo presidente no início do discurso de posse, esclarecendo que este contrato social deve ser "fraterno e solidário": "Fraterno porque chegou a hora de abraçar o diferente. Solidário porque nessa emergência social é tempo de começar pelos últimos para depois chegar a todos. Este é o espírito do tempo que hoje inauguramos...para pôr a Argentina de pé."

Para isto, acrescentou, é preciso "recuperar uma série de equilíbrios sociais, econômicos e produtivos que hoje não temos."

Uma prioridade será um programa de combate à fome. "Sem pão, na vida só se padece. Sem pão, não há democracia nem liberdade." Outra será recuperar as economias familiares, as pequenas empresas e as fábricas endividadas.

A inflação de mais de 50% ao ano é a maior desde 1991. O índice de desemprego passa de 10%. É o maior desde 2006. Há mais de 1,2 milhão de jovens que não estudam nem trabalham. O desemprego entre os jovens é de 30%. O dólar passou de 9,60 a 63 pesos nos quatro anos do governo Mauricio Macri. E a economia não para de encolher e 40,8% dos moradores de cidades estão na pobreza.

"Vamos encarar o problema da dívida externa. Não há pagamentos de dívida sustentáveis se o país não cresce, é simples assim. Para poder pagar, é preciso crescer primeiro", discursou Fernández. Durante a campanha, o ministro da Economia, Daniel Martínez, acenou com a expectativa de pedir uma moratória de dois anos para pagar a dívida.

"Buscaremos uma relação construtiva e cooperativa com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e com nossos credores. Resolver o problema da dívida insustentável que a Argentina tem hoje não é uma questão de ganhar uma disputa. O país tem vontade de pagar, mas carece de capacidade para fazê-lo. O governo que sai tomou uma enorme dívida sem gerar mais produção para obter os dólares para pagá-la", criticou o novo líder argentino.

Fernández também prometeu uma ação de emergência na saúde pública.

O Índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, terminou o dia em queda de 4,81%.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Volta do peronismo renova dúvidas sobre a economia da Argentina

O peronismo volta ao poder na Argentina num momento de crise econômica e turbulência política na América Latina, com protestos violentos no Chile, no Equador, no Haiti, na Nicarágua e na Venezuela. Em princípio, o governo terá de ser mais pragmático do que ideológico. A grande dúvida é como a esquerda vai enfrentar a situação econômica.

A vitória da chapa peronista, formada por Alberto Fernández e Cristina Fernández de Kirchner, que não são parentes, era mais do que esperada desde as eleições primárias de 11 de agosto. A vantagem de apenas sete pontos percentuais ficou muito abaixo dos 15 pontos da primária.

O presidente Mauricio Macri conseguiu reduzir a dimensão da derrota. Sua aliança elegeu apenas um deputado a menor do que a coalizão vencedora, a Frente para Todos. Isso o qualifica como líder da oposição. 

Mas Macri foi o grande perdedor no último domingo. As reformas que propôs para, nas suas palavras, transformar a Argentina num país normal, fracassaram. O atual presidente entrega o país, em 10 de dezembro, em situação muito pior do que recebeu.

A inflação anual ronda os 60%, a economia recuou 3,8% em 12 meses, a taxa básica de juros está em 70% ao ano, o peso argentino caiu 80% durante o governo Macri, o desemprego passa de 10% ao ano, 35,4% dos argentinos vivem na miséria e agora ainda têm mais uma dívida de 57 bilhões de dólares com o Fundo Monetário Internacional, o FMI. Com estes números, nenhum governo se reelege em país democrático.

Alberto Fernández recebe uma das piores heranças econômicas do mundo. Em situação pior, só consigo pensar na Venezuela e no Zimbábue. Meu comentário:

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Taxa de desemprego nos EUA cai para 3,5%

Apesar da desaceleração do crescimento, o mercado de trabalho dos Estados Unidos registrou em setembro um saldo positivo de mais 136 mil vagas, revelou hoje o relatório de emprego do Departamento do Trabalho. A taxa de desemprego, medida em outra pesquisa, baixou de 3,7% para 3,5%. É a menor desde dezembro de 1969.

O resultado ficou abaixo da expectativa dos economistas, que era de 145 mil postos de trabalho, mas o dado de agosto foi revisado para cima para 168 mil vagas e o julho também, para 166 mil empregos.

No setor industrial, onde a produção caiu, houve perda de 2 mil vagas e, no comércio varejista, de 11 mil vagas, enquanto o setor de bares e restaurantes contratou mais dois mil empregados. Uma série de dados negativos da indústria na Ásia, na Europa e nos EUA provocou uma forte queda nas bolsas na quarta-feira. O mercado se estabilizou ontem e hoje opera em alta.

O salário médio registrou uma alta de 2,9% em 12 meses, abaixo dos 3,2% de agosto. A inflação continua dentro da meta informal de 2% perseguida pelo Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central dos EUA. O núcleo da inflação, excluídos os preços mais voláteis de energia e alimentos, está em 1,8% ao ano.

Com base nestes números, a economista Kathy Jones, do Centro Schwab para Pesquisa Financeira, estima que, sob o impacto das guerras comerciais do presidente Donald Trump, o crescimento da economia americana esteja entre 1% e 2% ao ano. Por causa da desaceleração na indústria e no setor de serviços, o Fed deve reduzir ainda mais a taxa básica de juros até o fim do ano.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

UE e Eurozona cresceram 0,2% no segundo trimestre de 2019

A União Europeia e a Zona do Euro se desaceleraram no segundo trimeste deste ano, com avanço de apenas 0,2%. Nos primeiros três meses do ano, a UE cresceu 0,5% e a Eurozona 0,4%, de acordo com escritório oficial de estatísticas do bloco europeu, EurostatNos últimos 12 meses, a UE teve uma expansão de 1,3% e a Eurozona de 1,1%.

Os dados apontam para uma queda no crescimento causada por problemas internos, como a saída britânica da UE, e externos, como a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, e indicam a necessidade de novas políticas de estímulo, como defende o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi.

A taxa de desemprego em junho ficou em 7,5% na Eurozona e na UE como um todo em 6,3%. O desemprego é menor na República Tcheca (1,9%) e na Alemanha (3,1%) e maior na Grécia (17,6%) e na Espanha (14%).

A inflação na Zona do Euro caiu de 1,3% em junho para 1,1% ao ano em julho, abaixo da meta do BCE, que é de 2% ao ano.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

China cresce menos por causa da guerra comercial de Trump

Sob pressão dos tarifaços do presidente Donald Trump, a China, segunda maior economia do mundo, cresceu no segundo semestre de 2019 num ritmo anual de 6,2%. É o mais fraco desde o início dos anos 1990s. 

A última taxa anual inferior foi 3,9% em 1990. A taxa para o trimestre é a menor desde que a pesquisa começou, há 27 anos. Caiu em relação aos 6,4% ao ano do primeiro trimestre, que já estavam abaixo dos 6,6% do ano passado como um todo.

As negociações entre os Estados Unidos e a China tiveram seu pior momento em maio, quando Trump impôs tarifa de 25% sobre exportações chinesas no valor de US$ 200 bilhões anuais. O clima melhorou quando o presidente americano se encontrou com o ditador Xi Jinping durante a reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20), em Osaka, no Japão, em 28 e 29 de junho.

Com medo de que a guerra comercial prejudique o que é hoje o maior parque industrial do mundo, o governo chinês ampliou o crédito e adotou medidas para estimular o investimento. A indústria manufatureira cresceu em ritmo anual de 6,3% em junho, superando os 5% de maio.

Em dólar, o valor das exportações recuou 1,3% em junho. O investimento em propriedades imóveis avançou em ritmo de 10,9% ao ano no primeiro semestre, caindo em comparação com maio, quando estava em 11,2%.

As vendas no varejo subiram num ritmo anual de 9,8% em junho, superando os 8,6% de maio. É sinal de que o consumo interno é robusto. A inflação está sob controle. Em junho, foi de 2,7%.

Os analistas entendem que o governo chinês não vai correr o risco de uma desaceleração maior. Quer manter a taxa de crescimento no fim do ano em 6%. Com certeza, vai adotar novas medidas de estímulo.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Macri propõe acordo de dez pontos para estabilizar economia argentina

Em carta a líderes políticos, inclusive a sua maior rival, a ex-presidente Cristina Kirchner, governadores, empresários e a Confederação Geral do Trabalho (CGT), o presidente Mauricio Macri propôs um acordo nacional em torno de dez pontos para garantir a estabilidade da economia da Argentina independentemente de quem vencer a eleição presidencial de 27 de outubro de 2019.

No texto, transcrito pelo jornal Clarín, Macri admite que o país conseguiu "um consenso democrático que fechou às portas a excperiências autoritárias, a alocação universal por filho, o rechaço à violência política, a aliança estratégica com o Mercosul, para dar alguns exemplos."

Ao mesmo tempo, não conseguiu um acordo sobre questões básicas para o desenvolvimento econômico, acrescentou o presidente argentino, "convertendo nosso país num paradoxo mundial pela falta de desenvolvimento e a pobreza, apesar de nossos recursos e nossas potencialidades."

A seguir, Macri lista dez pontos que considera imprescindíveis, esclarecendo que "não são um plano de governo, nem uma proposta eleitoral, nem um contrato de adesão":

  1. Atingir e manter o equilíbrio fiscal, tanto na nação quanto nas províncias.
  2. Sustentar um central independente no manejo dos instrumentos de política monetária e cambial, em função do seu objetivo principal, que é o combate à inflação até levá-la a índices similares aos dois países vizinhos.
  3. Promover uma integração inteligente com o mundo, trabalho para o crescimento sustentável de nossas exportações.
  4. Respeito à lei, aos contratos e aos direitos adquiridos a fim de consolidar a segurança jurídica, elemento chave para promover o investimento.
  5. Criação de empregos formais através de uma legislação trabalhista moderna, que se adapte às novas realidades do mundo do trabalho sem pôr em risco os direitos dos trabalhadores.
  6. Reduzir a carga de impostos nacional, provincial e municipal, começando pelos impostos distorcivos.
  7. Consolidação do sistema previdenciário sustentável e equitativo que dê segurança aos atuais e futuros aposentados.
  8. Consolidação de um sistema federal transparente que assegure transferências às províncias não sujeitas à discricionariedade do governo nacional do dia.
  9. Assegurar um sistema de estatísticas profissional, confiável e independente.
  10. Cumprimento das obrigações com nossos credores.
A ex-presidente Cristina Kirchner, que aparece à frente de Macri em pesquisas eleitorais, está em El Calafate, no extremo sul da Argentina. Volta a Buenos Aires e reaparece em público na quinta-feira para lançar Sinceramente, seu livro de memórias. 

Sua assessoria antecipou que ela não assinará em baixo de todas as propostas de Macri e de responder por escrito, rejeitando o convite para um diálogo nacional e a criação de uma espécie de seguro contra a instabilidade decorrente da disputa eleitoral.

A recessão econômica de 2,6% no ano passado, que pode chegar a 6% neste ano, e uma inflação prevista em 40% para este ano derrubaram a popularidade do presidente e ameaçam sua reeleição. Nos últimos 12 meses, a construção civil recuou 12,3% e a indústria 13,4%.

O mercado aposta numa candidatura alternativa da governadora da província de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, para evitar a volta de Cristina, que abandonaria o esforço fiscal das reformas de Macri para equilibrar as contas públicas. A governadora já disse que só vai concorrer se Macri pedir.

segunda-feira, 4 de março de 2019

China reduz meta de crescimento econômico para 2019

Em relatório a ser apresentado na abertura da sessão anual do Congresso Nacional do Povo na manhã desta terça-feira pelo primeiro-ministro Li Keqiang, sob o impacto da guerra comercial deflagrada pelos Estados Unidos, o governo da China reduz a meta de crescimento econômico para uma faixa de 6% a 6,5%, noticiou o jornal inglês Financial Times. 

Aumenta o temor do mercado de que a segunda maior economia do mundo esteja em curva descendente. Em 2019, a China cresceu 6,6%, o pior resultado desde 1990, quando o país estava sob o impacto das sanções impostas depois do Massacre na Praça da Paz Celestial.


A meta de inflação foi fixada em 3% e o déficit fiscal previsto é de 2,8% do produto interno bruto, 0,2 ponto percentual acima do ano passado.

"Levando em conta todos os fatores, a arrecadação de impostos encara uma situação sombria em 2019. Vai haver grande pressão para manter o equilíbrio orçamentário", admite o relatório do Ministério da Fazenda.

O próprio primeiro-ministro Li Keqiang acrescentou ao relatório: "Vamos enfrentar tarefas pesadas, muitos desafios e grandes demandas."

As autoridades chineses querem manter o crescimento econômico, que legitima a ditadura do Partido Comunista, o que impede reformas fundamentais. Há uma abundância de capital que acaba sendo investido em estatais que de outra forma estariam condenadas.

No ano passado, o governo Donald Trump impôs sobretaxas sobre importações chinesas no valor de US$ 250 bilhões por ano. Os objetivos são reduzir o déficit comercial, a manipulação cambial, a pirataria industrial e os subsídios concedidos pelo governo da China a suas empresas. Há expectativa de um acordo a ser anunciado em breve.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Inflação no atacado cai para 3,6% ao ano na China

O índice de preços ao produtor registrou em setembro a menor alta anual em cinco meses, de 3,6%, revelou hoje o Escritório Nacional de Estatísticas da China. A taxa mensal subiu 0,6%. Embora mais baixa, em 2,5%, a inflação no varejo teve o maior aumento em sete meses.

A principal causa foi uma aumento de 3,6% nos preços dos alimentos, com alta nos preços de hortaliças, enquanto a carne de porco, principal fonte de proteína animal dos chineses, baixou 2,4%.

Diante do conflito comercial com os Estados Unidos, em agosto, a China reduziu em US$ 6 bilhões a quantidade de títulos da dívida pública americana que mantém como reservas cambiais. Elas estão hoje em US$ 1,165 trilhão, abaixo do US$ 1,2 trilhão de um ano antes.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Banco central dos EUA aumenta juros apesar da guerra comercial

Apesar dos riscos da guerra comercial do governo Donald Trump com a China, o Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, aumentou hoje em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros da maior economia do mundo para uma faixa de 2% a 2,25% ao ano. Foi a terceira alta do ano e a oitava neste ciclo de elevação dos juros, que começou em dezembro de 2016, depois de juros praticamente zerados para combater a Grande Recessão de 2008-9.

"Nossa economia é forte, o crescimento está em ritmo saudável, o desemprego é baixo, o número de pessoas empregadas cresce firmemente", comentou o presidente do Fed, Jay Powell. "A inflação está baixo e estável. Todos esses sinais são muito bons."

Com o mercado de trabalho perto do pleno emprego, o número de pedidos de seguro-desemprego é o menor em 49 anos, o ritmo de aumento dos salários é o maior em nove anos.

Desde a decisão do presidente Donald Trump de impor sobretaxas a produtos chineses importados pelos EUA no valor de US$ 200 bilhões por ano, com forte impacto sobre empresas americanas com fábricas na China, a confiança do empresariado americano caiu. O Fed evitou referências a isso no seu comunicado.

No momento, a expectativa média do mercado é que o banco central dos EUA suba a taxa básica de juros até 3,4% em 2020. A economia do país deve crescer 3,1% neste ano, 2,5% em 2019 e 2% em 2020. O núcleo da inflação, excluídos os preços mais voláteis de energia e alimentos, deve chegar a 2,1% em 2019. A taxa de desemprego tende a cair para 3,5%.