Dois anos depois de abandonar o discurso apocalíptico de guerra nuclear e de fazer gestos em favor da paz e do diálogo, o ditador Kim Jong Un aproveitou o discurso de Ano Novo para lançar novo desafio aos Estados Unidos ao anunciar o fim da moratória de testes nucleares e de mísseis de longo alcance.
Kim prometeu surpreender o mundo "num futuro próximo" com uma nova arma estratégica, informou o jornal The New York Times, citando a Agência de Notícias Central da Coreia, porta-voz oficial do regime comunista norte-coreano.
Há mais de dois anos, a ditadura stalinista de Pyongyang não faz testes nucleares. Neste período, o ditador se encontrou três vezes com o presidente Donald Trump, mas, apesar das promessas de desnuclearização da Península Coreana, não houve avanço.
Os EUA exigem que a Coreia do Norte entregue as armas nucleares para suspender as sanções econômicas que sufocam a economia norte-coreana. A Coreia do Norte exige o alívio das sanções antes de começar a entregar as armas.
Na prática, Trump vendeu a moratória como um grande sucesso do seu talento negociador, mas especialistas do Departamento da Defesa e dos serviços secretos dos EUA não acreditam que o regime norte-coreano esteja mesmo disposto a abrir mão das armas atômicas desenvolvidas com tanto sacrifício.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 1 de janeiro de 2020
terça-feira, 10 de dezembro de 2019
Fernández assume pedindo unidade e mais prazo para pagar dívida
Ao tomar posse hoje como presidente de uma Argentina profundamente abalada por mais uma crise econômica, o peronista Alberto Fernández fez um apelo à união nacional e pediu mais prazo aos credores para saldar as dívidas do país, alegando não ter condições de fazê-lo sem a retomada do crescimento.
"Venho convocar à unidade de toda a Argentina em prol da construção de um novo contrato social cidadão", declarou o novo presidente no início do discurso de posse, esclarecendo que este contrato social deve ser "fraterno e solidário": "Fraterno porque chegou a hora de abraçar o diferente. Solidário porque nessa emergência social é tempo de começar pelos últimos para depois chegar a todos. Este é o espírito do tempo que hoje inauguramos...para pôr a Argentina de pé."
Para isto, acrescentou, é preciso "recuperar uma série de equilíbrios sociais, econômicos e produtivos que hoje não temos."
Uma prioridade será um programa de combate à fome. "Sem pão, na vida só se padece. Sem pão, não há democracia nem liberdade." Outra será recuperar as economias familiares, as pequenas empresas e as fábricas endividadas.
A inflação de mais de 50% ao ano é a maior desde 1991. O índice de desemprego passa de 10%. É o maior desde 2006. Há mais de 1,2 milhão de jovens que não estudam nem trabalham. O desemprego entre os jovens é de 30%. O dólar passou de 9,60 a 63 pesos nos quatro anos do governo Mauricio Macri. E a economia não para de encolher e 40,8% dos moradores de cidades estão na pobreza.
"Vamos encarar o problema da dívida externa. Não há pagamentos de dívida sustentáveis se o país não cresce, é simples assim. Para poder pagar, é preciso crescer primeiro", discursou Fernández. Durante a campanha, o ministro da Economia, Daniel Martínez, acenou com a expectativa de pedir uma moratória de dois anos para pagar a dívida.
"Buscaremos uma relação construtiva e cooperativa com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e com nossos credores. Resolver o problema da dívida insustentável que a Argentina tem hoje não é uma questão de ganhar uma disputa. O país tem vontade de pagar, mas carece de capacidade para fazê-lo. O governo que sai tomou uma enorme dívida sem gerar mais produção para obter os dólares para pagá-la", criticou o novo líder argentino.
Fernández também prometeu uma ação de emergência na saúde pública.
O Índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, terminou o dia em queda de 4,81%.
"Venho convocar à unidade de toda a Argentina em prol da construção de um novo contrato social cidadão", declarou o novo presidente no início do discurso de posse, esclarecendo que este contrato social deve ser "fraterno e solidário": "Fraterno porque chegou a hora de abraçar o diferente. Solidário porque nessa emergência social é tempo de começar pelos últimos para depois chegar a todos. Este é o espírito do tempo que hoje inauguramos...para pôr a Argentina de pé."
Para isto, acrescentou, é preciso "recuperar uma série de equilíbrios sociais, econômicos e produtivos que hoje não temos."
Uma prioridade será um programa de combate à fome. "Sem pão, na vida só se padece. Sem pão, não há democracia nem liberdade." Outra será recuperar as economias familiares, as pequenas empresas e as fábricas endividadas.
A inflação de mais de 50% ao ano é a maior desde 1991. O índice de desemprego passa de 10%. É o maior desde 2006. Há mais de 1,2 milhão de jovens que não estudam nem trabalham. O desemprego entre os jovens é de 30%. O dólar passou de 9,60 a 63 pesos nos quatro anos do governo Mauricio Macri. E a economia não para de encolher e 40,8% dos moradores de cidades estão na pobreza.
"Vamos encarar o problema da dívida externa. Não há pagamentos de dívida sustentáveis se o país não cresce, é simples assim. Para poder pagar, é preciso crescer primeiro", discursou Fernández. Durante a campanha, o ministro da Economia, Daniel Martínez, acenou com a expectativa de pedir uma moratória de dois anos para pagar a dívida.
"Buscaremos uma relação construtiva e cooperativa com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e com nossos credores. Resolver o problema da dívida insustentável que a Argentina tem hoje não é uma questão de ganhar uma disputa. O país tem vontade de pagar, mas carece de capacidade para fazê-lo. O governo que sai tomou uma enorme dívida sem gerar mais produção para obter os dólares para pagá-la", criticou o novo líder argentino.
Fernández também prometeu uma ação de emergência na saúde pública.
O Índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, terminou o dia em queda de 4,81%.
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sexta-feira, 30 de agosto de 2019
Argentina pede moratória de dívidas de US$ 101 bilhões
Em mais uma crise econômica profunda, a Argentina quer mais tempo para pagar as dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os credores privados, num total de US$ 101 bilhões, mais de R$ 400 bilhões.
A proposta era uma bandeira da campanha da oposição peronista. Diante da fragorosa derrota do presidente Mauricio Macri para a chapa kirchnerista nas eleições primárias realizadas em 11 de agosto e da reação negativa dos mercados, o atual governo resolveu partir para a reestruturação da dívida.
O novo ministro da Fazenda, Hernán Lacunza, justificou o novo pedido de moratória alegando problemas de liquidez em curto prazo e não dificuldades para pagar em longo prazo. Mas o problema mesmo é o fantasma da volta do peronismo kirchnerista. Meu comentário:
Depois de gastar US$ 3 bilhões na quinta e na sexta-feira para sustentar o peso, o governo argentino impôs o controle de capitais. O Banco Central vai exigir dos exportadores que repatriem o dinheiro de vendas ao exterior e todas as empresas, não somente os bancos, terão de pedir autorização para vender pesos em troca de moedas estrangeiras.
A proposta era uma bandeira da campanha da oposição peronista. Diante da fragorosa derrota do presidente Mauricio Macri para a chapa kirchnerista nas eleições primárias realizadas em 11 de agosto e da reação negativa dos mercados, o atual governo resolveu partir para a reestruturação da dívida.
O novo ministro da Fazenda, Hernán Lacunza, justificou o novo pedido de moratória alegando problemas de liquidez em curto prazo e não dificuldades para pagar em longo prazo. Mas o problema mesmo é o fantasma da volta do peronismo kirchnerista. Meu comentário:
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quarta-feira, 15 de novembro de 2017
Venezuela está oficialmente em calote
A agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou na segunda-feira, 11 de novembro, a nota de crédito das dívidas da Venezuela de curto e longo prazos depois de considerar o país em default (moratória) por não pagar rendimentos de bônus. O Brasil levou o governo Nicolás Maduro ao Clube de Paris, que costuma negociar as dívidas entre governos, pelo não pagamento de US$ 262,5 milhões.
A Venezuela deixou de pagar juros mais de US$ 900 bilhões de juros a investidores em seus bônus. Na sexta-feira, deveria ter pago US$ 81 milhões de bônus da companhia estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA). A Associação Internacional de Trocas (Swaps) e Derivativos estuda a possibilidade de considerar em moratória um pagamento de bônus da PdVSA de US$ 1,161 bilhão.
Até o fim do ano, a Venezuela tem compromissos financeiros de US$ 1,47 bilhões. Em 2018, os vencimentos somam US$ 8 bilhões. As reservas cambiais estão em US$ 9,7 bilhões.
Em Caracas, o regime chavista, que faliu o país com seu "socialismo do século 21", recebeu representantes dos credores para dar início à renegociação de dívidas no valor de US$ 60 bilhões.
Os dois responsáveis pelas negociações, o vice-presidente Tareck El Aissimi, e o ministro da Fazenda estão na lista negra dos Estados Unidos por tráfico de drogas e corrupção. Assim, os bancos americanos podem ser punidos por negociar com eles.
No Conselho de Segurança das Nações Unidas, a embaixadora americana, Nikki Halley, descreveu a Venezuela como "cada vez mais um narco-país".
Depois de falar sozinho durante meia hora, o vice-presidente venezuelana distribuiu chocolate e café aos convidados e encerrou o encontro. Não apresentou nenhum plano. Nenhuma proposta. O regime chavista estaria negociando um grande empréstimo com a Rússia.
Ao todo, as dívidas da Venezuela estão avaliadas entre US$ 100 bilhões e US$ 150 bilhões. Desde agosto, sanções impostas pelo governo Donald Trump impedem a emissão de novos bônus da dívida pública e da PdVSA. Sem trocar os títulos não pagos por novos, não há como reestruturar a dívida
Os EUA impõem uma série de condições para apoiar a renegociação, como a aprovação pela Assembleia Nacional controlada pela oposição e não da Assembleia Nacional Constituinte convocada por Maduro, 100% dominada pelo chavismo, e a libertação de cerca de 400 presos políticos.
A Assembleia Nacional está sob pressão do Palácio de Miraflores para dar um mandato ao governo para renegociar a dívida. Os setores mais radicais da oposição querem aproveitar a oportunidade para encurralar o governo Maduro.
"A única coisa que ele faz é mentir e a principal mentira é essa convocação ao diálogo", reagiu a líder oposicionista María Corina Machado. "O regime necessita de dinheiro e quer obrigar a oposição a negociar para que a Assembleia Nacional lhe refinancie a dívida."
María Corina acreditava que a oposição estava "perto de uma ruptura rumo à transição para a democracia quando impuseram a Constituinte." Ela criticou indiretamente a oposição mais moderada, dizendo que um setor "está disposto a aceitar migalhas e dar tempo à ditadura.""
"Sabemos que o regime está em seu momento de maior fraqueza", acrescentou a ex-deputada. "Submetem o povo à fome e à miséria. É preciso ter coerência. Na Venezuela hoje não há eleições, só exercícios militares. A única realidade é a fome."
A Venezuela deixou de pagar juros mais de US$ 900 bilhões de juros a investidores em seus bônus. Na sexta-feira, deveria ter pago US$ 81 milhões de bônus da companhia estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA). A Associação Internacional de Trocas (Swaps) e Derivativos estuda a possibilidade de considerar em moratória um pagamento de bônus da PdVSA de US$ 1,161 bilhão.
Até o fim do ano, a Venezuela tem compromissos financeiros de US$ 1,47 bilhões. Em 2018, os vencimentos somam US$ 8 bilhões. As reservas cambiais estão em US$ 9,7 bilhões.
Em Caracas, o regime chavista, que faliu o país com seu "socialismo do século 21", recebeu representantes dos credores para dar início à renegociação de dívidas no valor de US$ 60 bilhões.
Os dois responsáveis pelas negociações, o vice-presidente Tareck El Aissimi, e o ministro da Fazenda estão na lista negra dos Estados Unidos por tráfico de drogas e corrupção. Assim, os bancos americanos podem ser punidos por negociar com eles.
No Conselho de Segurança das Nações Unidas, a embaixadora americana, Nikki Halley, descreveu a Venezuela como "cada vez mais um narco-país".
Depois de falar sozinho durante meia hora, o vice-presidente venezuelana distribuiu chocolate e café aos convidados e encerrou o encontro. Não apresentou nenhum plano. Nenhuma proposta. O regime chavista estaria negociando um grande empréstimo com a Rússia.
Ao todo, as dívidas da Venezuela estão avaliadas entre US$ 100 bilhões e US$ 150 bilhões. Desde agosto, sanções impostas pelo governo Donald Trump impedem a emissão de novos bônus da dívida pública e da PdVSA. Sem trocar os títulos não pagos por novos, não há como reestruturar a dívida
Os EUA impõem uma série de condições para apoiar a renegociação, como a aprovação pela Assembleia Nacional controlada pela oposição e não da Assembleia Nacional Constituinte convocada por Maduro, 100% dominada pelo chavismo, e a libertação de cerca de 400 presos políticos.
A Assembleia Nacional está sob pressão do Palácio de Miraflores para dar um mandato ao governo para renegociar a dívida. Os setores mais radicais da oposição querem aproveitar a oportunidade para encurralar o governo Maduro.
"A única coisa que ele faz é mentir e a principal mentira é essa convocação ao diálogo", reagiu a líder oposicionista María Corina Machado. "O regime necessita de dinheiro e quer obrigar a oposição a negociar para que a Assembleia Nacional lhe refinancie a dívida."
María Corina acreditava que a oposição estava "perto de uma ruptura rumo à transição para a democracia quando impuseram a Constituinte." Ela criticou indiretamente a oposição mais moderada, dizendo que um setor "está disposto a aceitar migalhas e dar tempo à ditadura.""
"Sabemos que o regime está em seu momento de maior fraqueza", acrescentou a ex-deputada. "Submetem o povo à fome e à miséria. É preciso ter coerência. Na Venezuela hoje não há eleições, só exercícios militares. A única realidade é a fome."
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segunda-feira, 18 de abril de 2016
Argentina paga hoje US$ 12,5 bilhões a "fundos abutres"
A Argentina deve pagar hoje US$ 12,5 bilhões aos últimos credores que rejeitaram o termo de renegociações anteriores da dívida de quase US$ 100 bilhões caloteado em dezembro de 2001, quando a economia do país entrou em colapso com o fim da dolarização da era Carlos Menem (1989-99).
Com o pagamento, a terceira maior economia da América Latina sai finalmente da moratória decretada em meio à sua pior crise financeira.
"A Argentina está de volta", festejou o ministro das Finanças, Alfonso Prat-Gay. Na semana passada, o país voltou ao mercado financeiro vendendo bônus de sua dívida pública no valor de US$ 15 bilhões. A procura superou a oferta.
Mas a normalização da situação econômica depois de anos de déficit fiscal nos governos de Néstor e Cristina Kirchner ainda é um desafio.
Por causa do fim dos subsídios a energia, transportes e alimentos, a inflação pulou para 40% ao ano e 1,5 milhão de pessoas caíram na miséria. Sob protestos do movimento peronista, o governo Mauricio Macri estuda medida para proteger os mais vulneráveis. A lua de mel com o eleitorado acabou.
Com o pagamento, a terceira maior economia da América Latina sai finalmente da moratória decretada em meio à sua pior crise financeira.
"A Argentina está de volta", festejou o ministro das Finanças, Alfonso Prat-Gay. Na semana passada, o país voltou ao mercado financeiro vendendo bônus de sua dívida pública no valor de US$ 15 bilhões. A procura superou a oferta.
Mas a normalização da situação econômica depois de anos de déficit fiscal nos governos de Néstor e Cristina Kirchner ainda é um desafio.
Por causa do fim dos subsídios a energia, transportes e alimentos, a inflação pulou para 40% ao ano e 1,5 milhão de pessoas caíram na miséria. Sob protestos do movimento peronista, o governo Mauricio Macri estuda medida para proteger os mais vulneráveis. A lua de mel com o eleitorado acabou.
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quinta-feira, 14 de abril de 2016
Justiça dos EUA levanta restrições financeiras à Argentina
A Justiça Federal dos Estados Unidos suspendeu as restrições financeiras impostas à Argentina para que o país possa pagar os últimos credores que ainda não haviam renegociado os títulos caloteados na moratória de dezembro de 2001, informou o jornal El Cronista.
O ministro das Finanças, Alfonso Prat-Gay, anunciou que o pagamento será feito em 22 de abril de 2016.
É o fim da moratória de dívidas de US$ 93 bilhões, decretada quando entrou em colapso a dolarização introduzida pelo presidente Carlos Menem (1989-99). Depois de quase 15 anos, a Argentina volta plenamente ao mercado financeiro internacional.
"É um passo a mais em direção à normalidade e ao desenvolvimento que a Argentina merece", declarou o ministro das Finanças. "A Argentina já pode pensar no futuro, em criar empregos e oferecer bem-estar a seus cidadãos."
Prat-Gay anunciou um lançamento de bônus no valor de US$ 15 bilhões na segunda-feira, 18 de abril. Assim, o país terá dinheiro para honrar o novo acordo para acabar com a moratória.
Em duas rodadas de renegociação concluídas em 2005 e 2010, 93% das títulos caloteados foram trocados por outros com prazos mais longos e uma redução do valor nominal de 25% a 35%.
Uma minoria nunca aceitou a queda no valor da face e títulos no valor de US$ 1,3 bilhão foram comprados por fundos especulativos que entraram na Justiça dos EUA para impedir a Argentina de cumprir os compromissos de sua nova dívida enquanto não honrasse as dívidas em poder dos fundos abutres.
Como o governo Cristina Kirchner se negou a pagar, a Argentina voltou a entrar em moratória. Com a decisão de hoje, a Argentina volta a ser um país normal.
O ministro das Finanças, Alfonso Prat-Gay, anunciou que o pagamento será feito em 22 de abril de 2016.
É o fim da moratória de dívidas de US$ 93 bilhões, decretada quando entrou em colapso a dolarização introduzida pelo presidente Carlos Menem (1989-99). Depois de quase 15 anos, a Argentina volta plenamente ao mercado financeiro internacional.
"É um passo a mais em direção à normalidade e ao desenvolvimento que a Argentina merece", declarou o ministro das Finanças. "A Argentina já pode pensar no futuro, em criar empregos e oferecer bem-estar a seus cidadãos."
Prat-Gay anunciou um lançamento de bônus no valor de US$ 15 bilhões na segunda-feira, 18 de abril. Assim, o país terá dinheiro para honrar o novo acordo para acabar com a moratória.
Em duas rodadas de renegociação concluídas em 2005 e 2010, 93% das títulos caloteados foram trocados por outros com prazos mais longos e uma redução do valor nominal de 25% a 35%.
Uma minoria nunca aceitou a queda no valor da face e títulos no valor de US$ 1,3 bilhão foram comprados por fundos especulativos que entraram na Justiça dos EUA para impedir a Argentina de cumprir os compromissos de sua nova dívida enquanto não honrasse as dívidas em poder dos fundos abutres.
Como o governo Cristina Kirchner se negou a pagar, a Argentina voltou a entrar em moratória. Com a decisão de hoje, a Argentina volta a ser um país normal.
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Economia da Rússia cai 4,6% num ano
Na maior queda em seis anos, a economia da Rússia encolheu 4,6% no segundo semestre de 2015 em relação ao mesmo período no ano passado. Com a baixa nos preços do petróleo e a desvalorização do rublo, a recuperação não será imediata.
É a primeira recessão na Rússia desde a crise financeira internacional. Em 2009, o produto interno bruto russo baixou 7,8%. Agora, a renda das famílias, as vendas no varejo e a produção industrial caíram.
No primeiro trimestre, a contração tinha sido mais suave, de 2,2% na comparação anual. Em junho, as vendas no varejo foram 9,4% menores do que um ano antes. A produção industrial diminuiu 5%.
Com a desvalorização do rublo sob pressão das sanções internacionais contra a intervenção da Rússia na Ucrânia, em dezembro de 2014, os russos tiveram a maior queda na renda nos 15 anos da era Putin.
Alguns analistas já consideram esta a crise mais grave da economia, pior do que a moratória declarada em agosto de 1998, seguida de uma maxidesvalorização do rublo, e da Grande Recessão de 2008-9, que atingiu com força um país dependente das exportações de produtos primários, sobretudo de energia. Com o barril de petróleo abaixo de US$ 50, a recuperação será lenta e difícil.
Nos últimos meses, em reação ao boicote da Europa e dos Estados Unidos, o governo tem adotado uma política de substituição de importações na tentativa de convencer os russos a comprar os produtos da indústria nacional. Houve destruições públicas de alimentos importados organizadas pelo governo.
É a primeira recessão na Rússia desde a crise financeira internacional. Em 2009, o produto interno bruto russo baixou 7,8%. Agora, a renda das famílias, as vendas no varejo e a produção industrial caíram.
No primeiro trimestre, a contração tinha sido mais suave, de 2,2% na comparação anual. Em junho, as vendas no varejo foram 9,4% menores do que um ano antes. A produção industrial diminuiu 5%.
Com a desvalorização do rublo sob pressão das sanções internacionais contra a intervenção da Rússia na Ucrânia, em dezembro de 2014, os russos tiveram a maior queda na renda nos 15 anos da era Putin.
Alguns analistas já consideram esta a crise mais grave da economia, pior do que a moratória declarada em agosto de 1998, seguida de uma maxidesvalorização do rublo, e da Grande Recessão de 2008-9, que atingiu com força um país dependente das exportações de produtos primários, sobretudo de energia. Com o barril de petróleo abaixo de US$ 50, a recuperação será lenta e difícil.
Nos últimos meses, em reação ao boicote da Europa e dos Estados Unidos, o governo tem adotado uma política de substituição de importações na tentativa de convencer os russos a comprar os produtos da indústria nacional. Houve destruições públicas de alimentos importados organizadas pelo governo.
terça-feira, 10 de março de 2015
Paquistão volta a aplicar a pena de morte
O Paquistão vai suspender uma moratória de sete anos em execuções, informou hoje a televisão pública britânica BBC. Depois do ataque da milícia dos Talebã a uma escola em dezembro de 2014 em que 137 crianças e adolescentes foram mortos, a moratória havia sido levantada para terroristas.
Mais de 8 mil pessoas estão no corredor da morte. Cerca de mil perderam seus recursos e tiveram os pedidos de clemência rejeitados.
Desde 2001, a guerra civil deflagrada por milícias extremistas muçulmanas contra o Estado paquistanês causou cerca de 50 mil mortes. O país ainda discute se a guerra contra o terrorismo é um conflito interno ou importado do Ocidente depois dos atentados de 11 de setembro daquele ano nos Estados Unidos.
Mais de 8 mil pessoas estão no corredor da morte. Cerca de mil perderam seus recursos e tiveram os pedidos de clemência rejeitados.
Desde 2001, a guerra civil deflagrada por milícias extremistas muçulmanas contra o Estado paquistanês causou cerca de 50 mil mortes. O país ainda discute se a guerra contra o terrorismo é um conflito interno ou importado do Ocidente depois dos atentados de 11 de setembro daquele ano nos Estados Unidos.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Argentina vai à Suprema Corte dos EUA para manter calote
A Argentina entrou com recurso hoje na Suprema Corte dos Estados Unidos para anular uma decisão que a obriga a pagar a dívida caloteada em 2001 a fundos que não aceitaram os termos das renegociações realizadas em 2005 e 2010, noticiaram as agências de notícias Bloomberg e Reuters.
Nos grandes centros financeiros, este é considerado o julgamento do século sobre a reestruturação de dívidas soberanas, a renegociação feita quando um país fica sem condições de pagar, decreta a moratória e tenta renegociar com os credores exigindo descontos. Uma decisão negativa na Justiça pode levar a Argentina a novo calote.
Em 14 de janeiro de 2005, no governo Néstor Kirchner, o ministro da Economia argentina, embaixador Roberto Lavagna, renegociou com sucesso 75% dos US$ 82 bilhões de dólares em títulos caloteados na moratória de 26 de dezembro de 2001.
Naquele ano, diante do colapso da dolarização da era Carlos Menem (1989-99), o presidente Fernando de la Rúa caiu e a Argentina deixou de pagar US$ 93 bilhões em dívidas. O desconto obtido por Lavagna foi de 25% a 35% do valor nominal dos papéis.
Numa segunda etapa, já sob Cristina Kirchner, em 11 de agosto de 2010, o total renegociado chegou a 93%. Até hoje o resto não foi acertado, impedindo a Argentina de voltar plenamente ao mercado internacional para vender títulos de sua dívida pública, uma das razões da atual crise econômica do país.
Desde 2005, os fundos de hedge administrados pela empresa Elliott Management Associates tentam cobrar a dívida argentina na Justiça.
No fim de 2012, um tribunal federal de recursos de Nova York aceitou o argumento de que o país não poderia continuar pagando os juros devidos pelos bônus lançados na reestruturação da dívida sem pagar também os credores que não aceitaram o desconto imposto na renegociação. É o caso dos fundos de hegde e de fundos de pensão italianos.
Nos grandes centros financeiros, este é considerado o julgamento do século sobre a reestruturação de dívidas soberanas, a renegociação feita quando um país fica sem condições de pagar, decreta a moratória e tenta renegociar com os credores exigindo descontos. Uma decisão negativa na Justiça pode levar a Argentina a novo calote.
Em 14 de janeiro de 2005, no governo Néstor Kirchner, o ministro da Economia argentina, embaixador Roberto Lavagna, renegociou com sucesso 75% dos US$ 82 bilhões de dólares em títulos caloteados na moratória de 26 de dezembro de 2001.
Naquele ano, diante do colapso da dolarização da era Carlos Menem (1989-99), o presidente Fernando de la Rúa caiu e a Argentina deixou de pagar US$ 93 bilhões em dívidas. O desconto obtido por Lavagna foi de 25% a 35% do valor nominal dos papéis.
Numa segunda etapa, já sob Cristina Kirchner, em 11 de agosto de 2010, o total renegociado chegou a 93%. Até hoje o resto não foi acertado, impedindo a Argentina de voltar plenamente ao mercado internacional para vender títulos de sua dívida pública, uma das razões da atual crise econômica do país.
Desde 2005, os fundos de hedge administrados pela empresa Elliott Management Associates tentam cobrar a dívida argentina na Justiça.
No fim de 2012, um tribunal federal de recursos de Nova York aceitou o argumento de que o país não poderia continuar pagando os juros devidos pelos bônus lançados na reestruturação da dívida sem pagar também os credores que não aceitaram o desconto imposto na renegociação. É o caso dos fundos de hegde e de fundos de pensão italianos.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Argentina fecha leilão de títulos caloteados
A presidente Cristina Kirchner anunciou hoje que o leilão de troca de títulos caloteados na moratória de 2001 terminou com aceitação de 66%, acima dos 60% esperados pelo governo da Argentina.
Isso não acaba com os processos por quebra de contrato nem garante a volta do país ao mercado financeiro internacional, objetivo maior.
"Contando a parte que já havia sido trocada em 2005, no governo Néstor Kirchner, negociamos 92,5% da dívida da moratória de 2001", declarou a presidente argentina, atribuindo o sucesso a seu governo e ao de seu marido.
Ao lado do ministro da Economia, Amado Boudou, ela apresentou o resultado como um sucesso: "Conseguimos a participação de 99% dos japoneses que tinham bônus argentinos, o que era um problema porque é um mercado muito disperso, e de 75% dos italianos."
Cristina Kirchner acrescentou: "Pela primeira vez em 200 anos de história, no ano do bicentenário, fomos capazes de reduzir em 75% a dívida, que foi o principal fator limitante do crescimento da economia argentina nas últimas décadas."
Isso não acaba com os processos por quebra de contrato nem garante a volta do país ao mercado financeiro internacional, objetivo maior.
"Contando a parte que já havia sido trocada em 2005, no governo Néstor Kirchner, negociamos 92,5% da dívida da moratória de 2001", declarou a presidente argentina, atribuindo o sucesso a seu governo e ao de seu marido.
Ao lado do ministro da Economia, Amado Boudou, ela apresentou o resultado como um sucesso: "Conseguimos a participação de 99% dos japoneses que tinham bônus argentinos, o que era um problema porque é um mercado muito disperso, e de 75% dos italianos."
Cristina Kirchner acrescentou: "Pela primeira vez em 200 anos de história, no ano do bicentenário, fomos capazes de reduzir em 75% a dívida, que foi o principal fator limitante do crescimento da economia argentina nas últimas décadas."
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
EAU apoiam bancos mas não Dubai diretamente
O banco central dos Emirados Árabes Unidos ofereceu dinheiro aos bancos locais, caso eles necessitem, mas não fez nenhuma oferta especial para o emirado de Dubai.
Na quarta-feira, o Dubai World, principal fundo de investimentos do emirado, pediu moratória de seis meses de uma dívida de US$ 59 bilhões, assustando os mercados financeiros, que temem uma volta da crise do ano passado.
Essa atitude fria e distante indica uma irritação das autoridades federais dos EAU com o emirado de Dubai, um dos sete principados que formam o país. Nem o governo federal, nem os detentores dos bônus da dívida e mesmo alguns diretores da Dubai World não sabiam da incapacidade de pagar.
O governo federal dos EAU, que fica em Abu Dhabi, deu empréstimos de US$ 10 bilhões no início do ano. Agora, ainda não se mexeu.
Na quarta-feira, o Dubai World, principal fundo de investimentos do emirado, pediu moratória de seis meses de uma dívida de US$ 59 bilhões, assustando os mercados financeiros, que temem uma volta da crise do ano passado.
Essa atitude fria e distante indica uma irritação das autoridades federais dos EAU com o emirado de Dubai, um dos sete principados que formam o país. Nem o governo federal, nem os detentores dos bônus da dívida e mesmo alguns diretores da Dubai World não sabiam da incapacidade de pagar.
O governo federal dos EAU, que fica em Abu Dhabi, deu empréstimos de US$ 10 bilhões no início do ano. Agora, ainda não se mexeu.
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