A cotação da moeda da Rússia registrou hoje um novo recorde de baixa, com o dólar sendo vendido a mais de 80 rublos, noticiou hoje a Agência France Presse (AFP). Um assessor do presidente Vladimir Putin afirmou que o Banco Central tomará medidas para sustentar a moeda nacional.
O BC russo usaria as reservas cambias em moedas fortes, estimadas em US$ 320 bilhões no fim de 2015, para estabilizar o mercado de câmbio, acrescentou o assessor, esclarecendo que cabe o banco decidir como fazer isso para não "desperdiçar reservas".
Do início de 2014 a meados de 2015, o governo russo injetou US$ 144 bilhões das reservas do país na Bolsa de Valores de Moscou e nos mercados de câmbio sem conseguir conter a crise, causada principalmente pela queda nos preços internacionais do petróleo e as sanções internacionais contra a intervenção militar da Rússia na ex-república soviética da Ucrânia.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Economia da Rússia cai 4,6% num ano
Na maior queda em seis anos, a economia da Rússia encolheu 4,6% no segundo semestre de 2015 em relação ao mesmo período no ano passado. Com a baixa nos preços do petróleo e a desvalorização do rublo, a recuperação não será imediata.
É a primeira recessão na Rússia desde a crise financeira internacional. Em 2009, o produto interno bruto russo baixou 7,8%. Agora, a renda das famílias, as vendas no varejo e a produção industrial caíram.
No primeiro trimestre, a contração tinha sido mais suave, de 2,2% na comparação anual. Em junho, as vendas no varejo foram 9,4% menores do que um ano antes. A produção industrial diminuiu 5%.
Com a desvalorização do rublo sob pressão das sanções internacionais contra a intervenção da Rússia na Ucrânia, em dezembro de 2014, os russos tiveram a maior queda na renda nos 15 anos da era Putin.
Alguns analistas já consideram esta a crise mais grave da economia, pior do que a moratória declarada em agosto de 1998, seguida de uma maxidesvalorização do rublo, e da Grande Recessão de 2008-9, que atingiu com força um país dependente das exportações de produtos primários, sobretudo de energia. Com o barril de petróleo abaixo de US$ 50, a recuperação será lenta e difícil.
Nos últimos meses, em reação ao boicote da Europa e dos Estados Unidos, o governo tem adotado uma política de substituição de importações na tentativa de convencer os russos a comprar os produtos da indústria nacional. Houve destruições públicas de alimentos importados organizadas pelo governo.
É a primeira recessão na Rússia desde a crise financeira internacional. Em 2009, o produto interno bruto russo baixou 7,8%. Agora, a renda das famílias, as vendas no varejo e a produção industrial caíram.
No primeiro trimestre, a contração tinha sido mais suave, de 2,2% na comparação anual. Em junho, as vendas no varejo foram 9,4% menores do que um ano antes. A produção industrial diminuiu 5%.
Com a desvalorização do rublo sob pressão das sanções internacionais contra a intervenção da Rússia na Ucrânia, em dezembro de 2014, os russos tiveram a maior queda na renda nos 15 anos da era Putin.
Alguns analistas já consideram esta a crise mais grave da economia, pior do que a moratória declarada em agosto de 1998, seguida de uma maxidesvalorização do rublo, e da Grande Recessão de 2008-9, que atingiu com força um país dependente das exportações de produtos primários, sobretudo de energia. Com o barril de petróleo abaixo de US$ 50, a recuperação será lenta e difícil.
Nos últimos meses, em reação ao boicote da Europa e dos Estados Unidos, o governo tem adotado uma política de substituição de importações na tentativa de convencer os russos a comprar os produtos da indústria nacional. Houve destruições públicas de alimentos importados organizadas pelo governo.
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Duzentos bancos da Rússia podem quebrar em 2015
Cerca de 20% dos bancos da Rússia correm o risco de entrar em colapso em 2015, adverte hoje o jornal econômico russo Vedomosti, citando como fonte o Centro de Análise Macroeconômica e Previsões de Curto Prazo, um centro de pesquisas.
O temor é que até 200 possam falir sob o peso de dívidas incobráveis e da desvalorização do rublo por causa de queda de mais de 50% nos preços do petróleo e das sanções internacionais impostas em protesto contra a intervenção militar russa na ex-república soviética da Ucrânia.
Ontem, a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a nota de crédito da dívida pública da Rússia para a categoria de lixo, retirando-lhe o grau de investimento, condição necessária para que fundos de pensão possam os bônus emitidos pelo país.
O temor é que até 200 possam falir sob o peso de dívidas incobráveis e da desvalorização do rublo por causa de queda de mais de 50% nos preços do petróleo e das sanções internacionais impostas em protesto contra a intervenção militar russa na ex-república soviética da Ucrânia.
Ontem, a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou a nota de crédito da dívida pública da Rússia para a categoria de lixo, retirando-lhe o grau de investimento, condição necessária para que fundos de pensão possam os bônus emitidos pelo país.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
Putin põe a culpa da crise russa nos outros
Em uma entrevista coletiva de fim de ano, o presidente Vladimir Putin acusou hoje o Ocidente de querer subjugar e desarmar a Rússia, culpando "fatores externos", especialmente a queda nos preços do petróleo, pelo colapso do rublo na pior crise econômica do país em 17 anos.
Mesmo admitindo que as sanções internacionais são fruto da anexação da Crimeia e da crise na Ucrânia, o homem-forte do Kremlin alegou que os problemas econômicos "são o pagamento por nossa independência e soberania". Putin prometeu a retomada do crescimento em dois anos.
Hoje a União Europeia proibiu investimentos e comércio com a Crimeia a partir de 20 de dezembro de 2014. Apesar da queda do rublo, a Europa deve continuar pressionando a Rússia e acabar com a intervenção militar na ex-república soviética da Ucrânia.
Putin ainda tem grande popularidade. Até quando?
Mesmo admitindo que as sanções internacionais são fruto da anexação da Crimeia e da crise na Ucrânia, o homem-forte do Kremlin alegou que os problemas econômicos "são o pagamento por nossa independência e soberania". Putin prometeu a retomada do crescimento em dois anos.
Hoje a União Europeia proibiu investimentos e comércio com a Crimeia a partir de 20 de dezembro de 2014. Apesar da queda do rublo, a Europa deve continuar pressionando a Rússia e acabar com a intervenção militar na ex-república soviética da Ucrânia.
Putin ainda tem grande popularidade. Até quando?
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Banco Central da Rússia eleva taxa básica de 10,5% para 17% ao ano
Para tentar conter a queda do rublo, que perdeu 10% do valor e a metade desde o início do ano, o Banco Central da Rússia elevou sua taxa básica de juros de 10,5% para 17% ao ano. É a sexta vez que o BC russo aumenta os juros em 2014 e a maior alta desde 1998, quando o país declarou uma moratória no pagamento das dívidas públicas.
A economia da Rússia sofre por causa das sanções internacionais impostas em retaliação à intervenção militar na ex-república soviética da Ucrânia e da queda nos preços internacionais do petróleo, principal produto de exportação do país.
Até agora, o BC evitava grandes altas de juros para não agravar a recessão causada pelas crises política e econômica. Na sua previsão mais sombria, o banco estimou em 4,5% a 4,7% o recuo do produto interno bruto da Rússia, se os preços internacionais do barril de petróleo ficarem em torno de US$ 60. Neste ano, US$ 134 bilhões devem sair do país; em 2015, a fuga de capital será de US$ 120 bilhões.
"Não é só o petróleo, são as sanções, o risco geopolítico e a inação política das autoridades russas", comentou no jornal inglês Financial Times, o economista Timothy Ash, estrategista de mercados emergentes do Standard Bank, que descreveu o dia como uma Segunda-Feira Vermelha.
A moeda russa encerrou o dia cotada a 64,45 rublos por dólar e 81,35 por euro. Em todo o mundo, é a que mais perdeu valor em 2014.
A economia da Rússia sofre por causa das sanções internacionais impostas em retaliação à intervenção militar na ex-república soviética da Ucrânia e da queda nos preços internacionais do petróleo, principal produto de exportação do país.
Até agora, o BC evitava grandes altas de juros para não agravar a recessão causada pelas crises política e econômica. Na sua previsão mais sombria, o banco estimou em 4,5% a 4,7% o recuo do produto interno bruto da Rússia, se os preços internacionais do barril de petróleo ficarem em torno de US$ 60. Neste ano, US$ 134 bilhões devem sair do país; em 2015, a fuga de capital será de US$ 120 bilhões.
"Não é só o petróleo, são as sanções, o risco geopolítico e a inação política das autoridades russas", comentou no jornal inglês Financial Times, o economista Timothy Ash, estrategista de mercados emergentes do Standard Bank, que descreveu o dia como uma Segunda-Feira Vermelha.
A moeda russa encerrou o dia cotada a 64,45 rublos por dólar e 81,35 por euro. Em todo o mundo, é a que mais perdeu valor em 2014.
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segunda-feira, 17 de março de 2014
Crimeia nacionaliza todos os bens públicos
O parlamento regional da República Autônoma da Crimeia oficializou hoje a separação da Ucrânia para se unir à Rússia e nacionalizou todos os bens públicos que pertenciam ao Estado ucraniano. A União Europeia e os Estados Unidos anunciaram sanções contra 32 altos funcionários russos e ucranianos acusados de fomentar o separatismo.
"Todas as instituições, empresas, organizações da Ucrânia com participação da Crimeia tornam-se instituições, empresas e organizações da República da Crimeia", afirma o texto aprovado hoje. O rublo passou a ser a moeda ucraniana e o fuso-horário passou a ser o de Moscou
Em referendo realizado ontem na Crimeia, sob boicote de tártaros e ucranianos, 96,7% dos eleitores aprovaram a anexação da Rússia, um resultado típico das eleições forjadas da União Soviética. A UE e os EUA consideraram a consulta popular ilegal porque toda a população da Ucrânia deveria ter votado para aprovar alterações territoriais.
Houve várias denúncias de fraude, como o mesmo eleitor votando várias vezes, cédulas pré-marcadas. Um diplomata americano comentou que na cidade de Sebastopol, sede da Frota do Mar Negro, 123% dos eleitores votaram sim.
Neste momento, o presidente interino da Ucrânia, Olexander Turchinov, declara na televisão que os acontecimentos recentes não vão impedir a democratização do país: "Tentamos resolver a crise diplomaticamente, mas as ameaças continuam. Neste momento difícil, precisamos manter a unidade. O agressor está fazendo tudo para desestabilizar e provocar, para mostrar a fraqueza do Estado ucraniano."
A Ucrânia retirou seu embaixador de Moscou. Os ministérios da Defesa dos dois países acertaram uma trégua até 21 de março. Amanhã, em discurso no Parlamento da Rússia, o presidente Vladimir Putin deve aceitar a volta da Crimeia à Rússia, sua mais recente conspiração.
"Todas as instituições, empresas, organizações da Ucrânia com participação da Crimeia tornam-se instituições, empresas e organizações da República da Crimeia", afirma o texto aprovado hoje. O rublo passou a ser a moeda ucraniana e o fuso-horário passou a ser o de Moscou
Em referendo realizado ontem na Crimeia, sob boicote de tártaros e ucranianos, 96,7% dos eleitores aprovaram a anexação da Rússia, um resultado típico das eleições forjadas da União Soviética. A UE e os EUA consideraram a consulta popular ilegal porque toda a população da Ucrânia deveria ter votado para aprovar alterações territoriais.
Houve várias denúncias de fraude, como o mesmo eleitor votando várias vezes, cédulas pré-marcadas. Um diplomata americano comentou que na cidade de Sebastopol, sede da Frota do Mar Negro, 123% dos eleitores votaram sim.
Neste momento, o presidente interino da Ucrânia, Olexander Turchinov, declara na televisão que os acontecimentos recentes não vão impedir a democratização do país: "Tentamos resolver a crise diplomaticamente, mas as ameaças continuam. Neste momento difícil, precisamos manter a unidade. O agressor está fazendo tudo para desestabilizar e provocar, para mostrar a fraqueza do Estado ucraniano."
A Ucrânia retirou seu embaixador de Moscou. Os ministérios da Defesa dos dois países acertaram uma trégua até 21 de março. Amanhã, em discurso no Parlamento da Rússia, o presidente Vladimir Putin deve aceitar a volta da Crimeia à Rússia, sua mais recente conspiração.
segunda-feira, 3 de março de 2014
Rússia eleva juros para conter queda do rublo
O Banco Central da Rússia aumentou hoje inesperadamente sua taxa básica de juros de 5,5% para 7% ao ano para conter a queda no rublo causada pela aprovação pelo Parlamento de um pedido do presidente Vladimir Putin para enviar tropas e usar a força na ex-república soviética da Ucrânia.
Nesta segunda-feira, o mercado de câmbio abriu com o rublo no menor valor de sua história, de 37 rublos por dólar e 51,2 rublos por euro.
Nesta segunda-feira, o mercado de câmbio abriu com o rublo no menor valor de sua história, de 37 rublos por dólar e 51,2 rublos por euro.
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