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segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Vitória do kirchnerismo leva pânico ao mercado financeiro na Argentina

O peronismo mostrou sua força e é franco favorito para vencer as eleições de 27 de outubro na Argentina. Hoje foi um dia de pânico no mercado financeiro argentino. O peso caiu a 60 por dólar, recorde histórico de baixa, e o Índice Merval, da Bolsa de Valores da Buenos Aires, desabou em 38%. 

O Banco Central vendeu US$ 100 milhões de dólares e aumentou a taxa básica de juros de 64% para 74% ao ano, a maior do mundo, para defender a moeda, subiu para 53 pesos por dólar para grandes negócios e 58 para o público.

Tudo por causa da fragorosa derrota sofrida pelo presidente Mauricio Macri nas eleições prévias realizadas ontem. A chapa da peronista Frente para Todos, formada pelo ex-chefe da Casa Civil Alberto Fernández e pela ex-presidente Cristina Kirchner, ganhou com mais de 47% dos votos contra 32% para Macri. 

Todas as pesquisas de opinião erraram. Elas previam a vitória do kirchnerismo, mas com vantagens muito menores, de meio a oito pontos percentuais. Isso daria uma chance a Macri de vitória no segundo turno.

Pela lei argentina, bastam 45% mais um voto válido para ganhar no primeiro turno, ou 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado. Como as intenções de voto não devem se alterar muito em dois meses e meio, até o primeiro turno, em 27 de outubro, a vitória de Alberto Fernández e Cristina Kirchner é dada como praticamente certa, o que explica o pânico no mercado.

A derrota do macrismo foi total. A governadora da província de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, que era tida como muito popular, também teve apenas 32% dos votos, enquanto o ex-ministro da Economia de Cristina Kirchner, Axel Kicillof, chegou perto dos 50%. Meu comentário:
O presidente Macri atribuiu o pânico à falta de credibilidade do kirchnerismo no mercado financeiro internacional e prometeu lutar para dar a volta por cima em 27 de outubro para chegar ao segundo turno em 24 de novembro.

domingo, 4 de agosto de 2019

Moeda da China cai à menor cotação em 11 anos

Sob pressão da guerra comercial deflagrada pelos Estados Unidos, a cotação do yuan chinês ficou abaixo de sete por dólar, rompendo a meta abaixo da qual o Banco Popular da China, banco central do país, intervinha no mercado de câmbio para contar a queda. 

É a primeira vez que isto acontece desde maio de 2008 e um sinal de que o governo chinês pode apelar para a desvalorização competitiva para baixar os preços internacionais de seus produtos e assim reduzir o impacto dos tarifaços do presidente Donald Trump.

O banco central chinês controla a flutuação da moeda e aceita uma variação de no máximo 2% para mais ou para menos. Na sexta-feira, depois do anúncio do novo tarifaço de Trump de 10% sobre produtos importados da China no valor de US$ 300 bilhões anuais, a moeda chinesa caiu 0,9%, com a venda de ações e fuga para títulos da dívida pública

Nesta segunda-feira, o yuan ou iuane perdeu 1,3% na abertura do mercado na Ásia. Foi cotado a 7,0297 por dólar.

No momento, a China está numa lista de países que têm grandes saldos comerciais com os EUA e estão sendo observados por possível manipulação cambial. Se a guerra comercial de Trump levar a uma guerra cambial, o risco para a economia mundial será muitíssimo maior.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Dólar passa de mil bolívares no mercado paralelo na Venezuela

O dólar ultrapassou hoje a marca de mil bolívares no mercado paralelo da Venezuela, quase 160 vezes acima da cotação oficial de 6,30 bolívares, informa o boletim de notícias Dolar Today

Desde 2003, o regime chavista controla o câmbio. Assim, por incrível que pareça, o país com as maiores reservas mundiais de petróleo, que faturou mais de US$ 1 trilhão com o produto desde que Hugo Chávez chegou ao poder, em 1999, não tem dinheiro para pagar a importação de produtos básicos.

Com a queda nos preços internacionais, o barril de petróleo venezuelano vale hoje US$ 24,16. O dólar no mercado negro está em 1.003,23 bolívares. O euro vale 1.121,71 bolívares. As reservas do país em moedas fortes mal passam de US$ 15 bilhões.

Em artigo no jornal britânico Financial Times, o economista venezuelano Ricardo Hausmann, ex-diretor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), hoje diretor do Centro para o Desenvolvimento Internacional da Universidade de Harvard, adverte que a Venezuela está à beira do abismo.

Hausman considera um calote inevitável e prevê uma crise como a da Argentina depois do fim da dolarização da era Menem: "A hipótese mais provável é de um colapso econômico iminente e uma crise humanitária. Internacionalmente, será o maior e mais confuso calote de dívida pública de mercados emergentes desde a crise argentina de 2001.

No artigo, o economista acusa o falecido caudilho Hugo Chávez de aumentar as despesas em vez de economizar quando a cotação do petróleo passava de US$ 100 por barril, quadruplicando a dívida externa, hoje em US$ 120 bilhões, enquanto destruía o setor privado da economia venezuelana com confiscos, desapropriações, controles de preços, do câmbio e das importações.

"O ano de 2015 foi um annus horribilis na Venezuela, com declínio de 10% no produto interno bruto, depois de uma queda de 4% em 2014. A inflação passou de 200%. O déficit público se inflou para 20% do PIB, financiado pela impressão" de dinheiro, analisou Hausmann. "No mercado livre, o bolívar perdeu 92% do valor em dois anos."

Nessas condições, apesar da propaganda oficial, do uso abusivo de dinheiro público, dos meios de comunicação e da máquina do Estado, a oposição venceu as eleições de 6 de dezembro de 2015 para a Assembleia Nacional. Com a ajuda de uma Justiça subserviente, o governo conseguiu impugnar os mandatos de alguns deputados para tirar a supermaioria de dois terços que daria à oposição o direito de reformar a Constituição.

"Por piores que sejam esses números, 2016 parece dramaticamente pior. As importações, que caíram 20% em 2015 para US$ 37 bilhões, teriam de cair mais 40%, mesmo se o país parar de pagar o serviço da dívida", adverte o ex-diretor do BID.

A inflação de fevereiro está em 11,5% e a acumulada no ano passa de 80%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que chegará a 720%.

Pelos cálculos de Hausmann, se os preços do petróleo se mantiverem nos níveis de janeiro, as exportações em 2016 ficarão abaixo de US$ 18 bilhões. Como os juros da dívida devem consumir US$ 10 bilhões, sobrariam US$ 8 bilhões para pagar pelas importações. Por causa das políticas do "socialismo do século 21", a Venezuela não consegue tomar empréstimos no mercado financeiro internacional.

Sem desmontar as políticas econômicas fracassadas da "revolução bolivarista" de Chávez, o governo denuncia uma "guerra econômica" movida pela burguesia nacional em aliança com o imperialismo dos Estados Unidos e da Europa. O ministro da Economia, o jovem sociólogo marxista radical Luis Salas, rejeita qualquer reforma para reintroduzir elementos de mercado.

O presidente Nicolás Maduro acenou com a possibilidade de aumentar o preço da gasolina mais barata do mundo. Com um dólar hoje, é possível comprar 10 mil litros de combustível na Venezuela.

Apesar da reiterada e renovada omissão dos países vizinhos, a começar pelo Brasil, sob o pretexto de não interferir nos assuntos internos de outro país, é a região que sofrerá o maior impacto de um colapso da que já foi a terceira maior economia da América do Sul, hoje ultrapassada pela Colômbia. As dívidas com empresas de países vizinhos somam bilhões de dólares.

A Colômbia já sofre com o fechamento parcial da fronteira ordenado por Maduro em setembro do ano passado para decretar estado de emergência durante a campanha eleitoral.

Em Caracas, sem condições de mudar por si só as desastrosas políticas econômicas do chavismo, a oposição se articula para tentar convocar um referendo para revogar o mandato de Maduro. Mas o regime, que se considera revolucionário, não vai ceder. A convulsão social é inevitável e o risco de uma guerra civil não pode ser afastado.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

China reduz taxa de crescimento de 2014

Em mais um sinal de desaceleração da economia capaz de abalar os mercados financeiros do mundo inteiro, a China reduziu hoje de 7,4% para 7,3% seu índice oficial de crescimento no ano passado. Foi a menor taxa desde 1990, quando o país estava sob o impacto do boicote causado pelo Massacre na Praça da Paz Celestial, em 1989.

Para 2015, a China, segunda maior economia do mundo, com produto interno bruto de cerca de US$ 10 trilhões, fixou a meta oficial de crescimento em 7%.

Oficialmente o regime comunista chinês insiste que está dentro da meta. Mas as desvalorizações da moeda, os cortes nas taxas básicas de juros e a redução das exigências de depósitos compulsórios dos bancos no banco central revelam uma clara preocupação de acelerar o crescimento.

Com razão, os economistas suspeitam que o governo chinês não esteja dizendo toda a verdade. Esta incerteza tem um impacto negativo ainda maior. A diferença de 0,1 ponto percentual representa pouco para a economia chinesa, mas indica que o governo luta para se manter dentro da meta de crescimento, que no ano passado era de 7,5%, e aumenta a suspeita de manipulação das estatísticas oficiais.

Nas últimas semanas, o risco de uma aterrissagem forçada da China derrubou os mercados internacionais, com fortes impactos sobre mercados emergentes -  ou seria mais adequado dizer submergentes? - como o Brasil.

Para sustentar o mercado e não desapontar ainda mais os investidores chineses, o regime comunista gastou bilhões comprando ações. Como sua legitimidade vem do crescimento, o Partido Comunista teme que seu monopólio de poder seja contestado se a crise econômica se agravar.

A China já é uma superpotência econômica, mas, mais cedo ou mais tarde, a crise virá e a reação do regime, cada vez mais poderoso militarmente e agressivo com os vizinhos, é um enigma para os analistas políticos e econômicos.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Banco central chinês intervém para conter queda do iuane em 2%

O Banco Popular da China entrou hoje no mercado de câmbio para manter a desvalorização da moeda dentro do limite de 2% adotado pelas autoridades monetárias do país. 

No fechamento, o iuane foi cotado a 6,45 por dólar, o menor valor em quatro anos, com queda de 1,6%. Em dois dias, caiu 3,5% diante do dólar, mas hoje subiu em relação ao euro.

Ao anunciar a desvalorização, na terça-feira, o banco central chinês prometeu passar a orientar a flutuação da moeda de acordo com a tendência do mercado. A medida levou o mercado a vendar mais iuanes.

Sob orientação do BPC, conhecido popularmente como Mãezona, os bancos estatais passaram a vender dólares para conter a queda dentro da banda de flutuação adotada oficialmente. Se a moeda chinesa cair muito, pode haver uma fuga de capitais dificultando o pagamento de dívidas em dólar por empresas.

A desvalorização do iuane também deve aumentar a pressão dos Estados Unidos, onde a China é acusada de manter a moeda articialmente subvalorizada para aumentar a competitividade das exportações.

Toda a engenharia financeira do milagre econômico chinês foi baseada em moeda fraca, juros baixos e mão de obra barata para atrair capital estrangeiro.

A desvalorização competitiva, em meio a uma desaceleração do crescimento e à tentativa de passar de uma economia baseada em investimento para uma baseada em consumo, significa que o Partido Comunista ainda confia nas exportações para manter a estabilidade econômica, política e social.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Popularidade de Maduro cai a 22%

De volta de uma viagem internacional com poucos resultados práticos, o presidente Nicolás Maduro voltou a acusar a "burguesia parasita" de travar uma "guerra econômica" contra seu governo, enquanto filas se acumulam diante dos supermercados para compras de produtos básicos que estão em falta, sob racionamento. Sua popularidade baixou para 22%.

Mais de 28% das prateleiras dos supermercados estão vazias, a inflação passa de 60% ao ano e o câmbio oficial é totalmente divorciado da realidade econômica. O país que se gaba de ter as maiores reservas mundiais de petróleo não tem dinheiro para comprar papel higiênico, leite, carne, açúcar e farinha de trigo.

Entre as medidas cosméticas, Maduro mudou as regras do câmbio, em que há várias cotações diferentes. Para a compra e venda de alimentos e medicamentos, a moeda venezuelana está cotada a 6,30 bolívares por dólares. No mercado negro, estava hoje em 184 bolívares por dólar.

Enquanto o arqui-incompetente Maduro não se render à realidade, a situação econômica da Venezuela vai continuar piorando. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê uma recessão de 7% neste ano na Venezuela, agravada pela queda dos preços internacionais do petróleo em mais de 50% nos últimos sete meses, reporta o jornal americano Los Angeles Times. O petróleo representa 95% das exportações venezuelanas.

Seu giro internacional rendeu uma ajuda internacional da China, mas a Rússia e o Irã, também abalados pela baixa nos preços do petróleo, não estão em condições de ajudar. Sem mudar o modelo econômico e abandonar as "ideologias infantis do passado", como disse o jornal venezuelano El Universal, o país não vai sair do buraco e as pressões para derrubar Maduro só tendem a aumentar, dentro e fora do regime chavista.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Moody's rebaixa nota de crédito da Venezuela

A agência de classificação de risco Moody's rebaixou ontem a nota de crédito da dívida soberana da Venezuela em dois níveis, de Caa1 para Caa3, com perspectiva estável, por causa das dificuldades econômicas enfrentadas pelo país, agravada pela queda de 57% nos preços internacionais do petróleo nos últimos seis meses.

Para a Moody's, há um risco crescente de calote e o regime chavista não parece inclinado a fazer as reformas necessárias para normalizar a situação da economia, onde o dólar vale 6,30 bolívares fortes no câmbio oficial e até 180 bolívares (fraquíssimos) no mercado paralelo.

Com este distorção no câmbio, a Venezuela, que tem uma das maiores reservas mundiais de petróleo e exportou mais de US$ 1 trilhão desde a primeira posse de Hugo Chávez, em 1999, não tem dinheiro para importar produtos básicos. Os venezuelanos ficam oito horas na fila para comprar arroz, leite, farinha, óleo de cozinha e papel higiênico. A inflação passa de 60% ao anos.

Diante do caos econômicos, empresas de consultoria e análise estratégica prevêem um ano muito difícil e temem um golpe de Estado dentro do próprio regime chavista, onde o descontentamento com o presidente Nicolás Maduro é cada vez maior.

No momento, o regime chavista tenta apresentar o giro internacional de Maduro para pedir dinheiro à China e à Rússia, e implorar sem sucesso aos países árabes que reduzam a produzam menos para aumentar os preços do petróleo. Diante do excesso de oferta, de 2 milhões barris acima da demanda atual, os preços continuam em queda.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Venezuela deixa PdVSA vender dólar a 50 bolívares

O Banco Central da Venezuela autorizou a companhia estatal Petroleos de Venezuela S. A. a vender dólares no mercado local por 50 bolívares, uma das três cotações oficiais da moeda venezuelana. No mercado paralelo, a moeda americana está hoje a 97,48 bolívares.

A insistência do desgoverno chavista de Nicolás Maduro em manter o câmbio oficial em 6,30 bolívares por dólar provocou um desabastecimento generalizado na Venezuela, onde a inflação em 12 meses está em 63,4% pelas estatísticas oficiais.

sábado, 15 de março de 2014

China dobra banda de flutuação do iuã

O Banco Central da China flexibilizou um pouco o controle sobre a cotação da moeda nacional, o iuã, dobrando sua margem de flutuação diária para mais ou menos 2% a partir de uma cotação-base fixada pela autoridade monetária no início do dia. A medida entra em vigor em 17 de março de 2014.

A maior flexibilidade vai "melhorar a eficiência e aumentar o papel decisivo do mercado na alocação de recursos", declarou um porta-voz do banco central chinês.

Com o primeiro calote de bônus de empresas privadas e uma grande volume de dívidas incobráveis em poder dos bancos estatais, este será um ano de testes importantes para ver se o Banco Central da China comunista consegue enfrentar as crises do sistema capitalista.

Até agora, como na Grande Recessão mundial de 2008-9, a solução foi gastar um monte de dinheiro, no caso, US$ 600 bilhões de um programa de estímulo aprovado em novembro de 2008. No caso de dívidas podres e excesso de capacidade instalada, não basta jogar dinheiro novo em cima de negócios ruins.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Rússia eleva juros para conter queda do rublo

O Banco Central da Rússia aumentou hoje inesperadamente sua taxa básica de juros de 5,5% para 7% ao ano para conter a queda no rublo causada pela aprovação pelo Parlamento de um pedido do presidente Vladimir Putin para enviar tropas e usar a força na ex-república soviética da Ucrânia.

Nesta segunda-feira, o mercado de câmbio abriu com o rublo no menor valor de sua história, de 37 rublos por dólar e 51,2 rublos por euro.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Argentina limita compra de dólares

Diante de uma nova crise cambial, com inflação em alta, a Argentina anunciou na sexta-feira que a partir de segunda-feira seria permitida a compra de dólares para poupança, depois de dois anos de restrições. Quando a medida entrou em vigor, ontem, foram impostos limites.

Cada argentino pode comprar um máximo de US$ 2 mil, através do sistema bancário, se tiver uma renda bruta mensal de no mínimo US$ 900 ou 7,2 mil pesos argentinos. Quem quiser sacar os dólares imediatamente, tem de pagar 20% de imposto. Se deixar o dinheiro depositado por um ano, não pagará imposto.

Num país como a Argentina, onde o governo já converteu as poupanças em dólares em pesos e estatizou a Previdência Social, ficando com o dinheiro dos fundos de pensão, muita gente prefere guardar sua poupança em dólares debaixo do colchão.

Sob pressão por causa do sigilo bancário, o governo Cristina Kirchner desistiu de divulgar listas de compradores de dólares. A alíquota do imposto sobre uso de cartões de crédito e débito no exterior, que seria reduzida para 20%, foi mantida em 35%.

No primeiro dia, houve 242 operações, num total de US$ 114 mil dólares. Ao todo, foram aceitos 121 mil pedidos, no total de US$ 59 milhões. Cerca de 42 mil foram rejeitados. A principal causa foi renda insuficiente, noticiou o jornal argentino Clarín.

No câmbio oficial, o dólar chegou a 8,50 pesos argentinos. Com intervenção do banco central, recuou para 7,72 pesos para grande negócios. No mercado paralelo, o dólar foi vendido a 12,50 pesos, depois de chegar a 13 pesos na semana passada.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Venezuela megadesvaloriza moeda em 31,7%

Sob pressão da inflação de 20% ao ano, de um déficit público de 15% do produto interno bruto e da ausência do presidente Hugo Chávez, que aumenta a incerteza, o governo da Venezuela anunciou ontem uma desvalorização de 31,7% na cotação oficial do bolívar que passou de 4,30 para 6,30 por dólar.

A medida vai ajudar a fechar as contas públicas, já que a Venezuela vai ganhar mais bolívares por seus petrodólares. Por outro lado, vai pressionar ainda mais a inflação.

sábado, 18 de junho de 2011

China cresceu por investimento e não exportação

Ao contrário do pensamento dominante, o extraordinário crescimento da China, de 10% ao ano na média nos últimos 32 anos, é resultado de programas de investimentos do regime comunista e não das exportações industriais do país, afirma o economista Albert Keidel, ex-subdiretor de setor de Ásia do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, hoje professor da Universidade Georgetown, em Washington.

Na contramão da maioria dos seus colegas, o professor Keidel não está preocupado com a inflação em alta na China e seu impacto sobre a economia mundial. Também não acredita que a moeda chinesa esteja subvalorizada.

"É muita jogada política", disse Keidel em conversa com jornalistas depois de falar no
seminário Brasil e China no Reordenamento das Relações Internacional, promovido pelo Instituto Brasil-China e a Fundação Alexandre Gusmão (Funag), no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro. "Nenhum político consegue se eleger hoje nos EUA sem falar mal da China. Foi assim com o Japão nos anos 80."

Para justificar sua conclusão de que não foram as exportações que levaram a China ao maior crescimento da História, declarou que "basta comparar os picos do crescimento chinês com os planos de investimento e com a demanda externa".

A crise, na sua opinião, ajudou a China a realizar mais reformas: "Não houve uma volta do Estado. No final dos anos 90 e início dos 2000, a China vendeu a maioria das empresas estatais".

Com a crise, usou seu programa de incentivo de US$ 600 bilhões para "fazer investimentos públicos na infraestrutura do crescimento", em energia, transportes e telecomunicações. "A resposta é crise foi bem-sucedida. A inflação está alta, mas em termos históricos está num nível bem baixo. O grau de corrupção é aceitável para o nível de renda do país", acrescentou.

No comércio exterior, "o atrito com os EUA é inevitável porque os políticos americanos criticam a China hoje para se manter no poder. O diálogo econômico estratégico aprofundou o relacionamento, o saldo comercial chinês está diminuindo e o iuã se valorizando, mas nenhum político americano pode dizer que a China não é um problema".

Para o economista americano, "o desafio dos EUA é renovar os EUA, mas isso é politicamente impossível".

Em sua palestra, Keidel argumentou que, num mundo em que não será mais o país mais rico, "a segurança nacional dos Estados Unidos depende de instituições multilaterais".

Ele defendeu ainda uma reforma do sistema financeiro internacional que separe bancos comerciais de bancos de investimentos, regulamente os derivativos e outros produtos financeiros de alto risco, e reintroduza o controle dos fluxos de capital de curto prazo, como se fazia no início dos anos 70.

sábado, 11 de junho de 2011

Economista critica "loucuras macroeconômicas"

Ao participar do seminário A agenda econômica internacional do Brasil, o economista Marcelo de Paiva Abreu, professor da PUC-RJ, criticou o que chamou de “loucuras macroeconômicas” de Brasília, como dizer que investimento não pesa na inflação e que o gasto público não afeta o câmbio.

No encontro realizado para comemorar o quinto aniversário do Cindes (Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento), Abreu considerou inócua a proposta de discutir o que o ministro Guido Mantega chamou de "guerra cambial na Organização Mundial do Comércio (OMC) e defendeu o fortalecimento da instituição: “O mecanismo de solução de controvérsias precisa de dentes, precisa morder”.

No debate, a economista Lia Walls Pereira, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, comentou que “a OMC não terá credibilidade como tribunal, se não houver avanço em negociações comerciais”.

Abreu concordou, dizendo que se concentrara no mecanismo de solução de conflitos diante da estagnação da Rodada Doha da OMC.

O economista também questionou o conceito de parcerias estratégicas do governo brasileiro, dizendo que “exigem colaboração de londo prazo. Foi um erro escolher a França, talvez o país rico mais conflitante com o Brasil” por causa do protecionismo agrícola.

Já a China, na sua visão, é “uma competidora”.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Presidente da China faz visita oficial aos EUA

presidente Hu Jintao chegou hoje a Washington para uma visita oficial de quatro dias aos Estados Unidos no momento em que a China se afirma como superpotência e exige tratamento de igual para igual. Entre os temas centrais, estão câmbio, comércio, o crescente poderio militar chinês, Taiwan, a questão nuclear da Coreia do Norte e os direitos humanos. 

A China confirmou recentemente ter desenvolvido um míssil antinavio capaz de atingir os porta-aviões americanos e começou a testar um avião de caça invisível aos radares, o J-20, capazes de neutralizar a superioridade aeronaval dos EUA no Oeste do Oceano Pacífico. É o único país em condições de convencer a Coreia do Norte a não fazer armas nucleares.

Para a opinião pública chinesa, as relações entre os dois países se deterioraram em 2010. Mas, desde que Mao Tsé-tung convidou uma equipe de tênis de mesa dos EUA a jogar na China, em 1971, o comércio bilateral cresceu 4 mil vezes, chegando a mais de US$ 400 bilhões no passado, com déficit de mais de US$ 250 bilhões para os EUA. Os números finais de 2010 ainda não foram calculados.


Na semana passada, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, condicionou o acesso da China a setores de alta tecnologia dos EUA a uma abertura maior do imenso mercado interno chinês a produtos americanos. Nesta semana, voltou a pressionar Beijim a valorizar o iuã para refletir os saldos comerciais chineses e equilibrar o comércio entre os dois países.

Mais preocupado em garantir empregos para os milhões de jovens que chegam todos os anos ao mercado de trabalho, o regime comunista chinês resiste. A subvalorização da moeda é a pedra fundamental de agressiva política de exportações que está tornando a China na maior economia do mundo.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, criticou na semana passada a situação dos direitos humanos na China, pedindo a libertação do dissidente Liu Xiaobo, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 2010. Mas, numa mensagem vazada pelo sítio WikiLeaks, admitiu que gostaria de ser mais dura nas negociações com a China e perguntou: "Como negociar duramente com seu banqueiro?"

Os chineses detêm hoje mais de US$ 1 trilhão em títulos da dívida pública dos EUA. A interdependência econômica entre as duas maiores potências é cada vez maior.

Discreto, Hu é um dos líderes mundiais menos conhecidos. Seu poder certamente é limitado pela estrutura do regime político chinês e pela aproximação do fim de seu segundo e último mandato, em 2012.

Em entrevista por escrito a jornais americanos, o presidente chinês declarou que "os dois países ganham com a cooperação e perdem com a confrontação". O resto do mundo assiste com atenção.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Banco Mundial quer coordenação cambial

A vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina, Pamela Cox, propôs hoje medidas coordenadas para evitar uma guerra cambial. Ela observou que a pressão pela valorização das moedas das grandes economias emergentes vai continuar enquanto os desequilíbrios da economia mundial persistirem.

Com o baixo crescimento nos países ricos e a abundância de capital, o dinheiro tende a ir para países em desenvolvimento e emergentes, que oferecem juros mais altos e expectativas de crescimento maiores.

Outro problema é que a China mantém o câmbio praticamente fixo em relação ao dólar. Assim, quando o dólar cai por causa da crise da economia dos Estados Unidos, o iuã cai junto, embora a situação econômica da China seja exatamente oposta à dos EUA.

O real é hoje uma das moedas mais sobrevalorizadas do mundo, com forte impacto sobre a competitividade das exportações brasileiras.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Câmbio movimenta US$ 4 trilhões por dia

O volume de negócios nos mercados de câmbio dobrou com a crise mundial, chegando a US$ 4 trilhões, porque os investidores dos países ricos querem diversificar suas aplicações em tempos difíceis, diz hoje The Wall St. Journal.

Pelos cálculos do Banco de Compensações Internacionais, em dezembro de 2007, o comércio de divisas movimentava US$ 3,3 trilhões.

domingo, 25 de abril de 2010

Cotação do iuã visa estabilidade, diz ministro chinês

A decisão da China de valorizar ou não a moeda nacional será tomada tendo em vista a estabilidade econômica do país, afirmou o vice-ministro do Comércio, Fu Ziying.


Diante da ameaça da crise mundial, em junho de 2008, a China voltou a colar a cotação de sua moeda ao dólar a uma taxa de 6,88 iuãs por dólar. Com a recuperação mundial, está sendo pressionada a valorizar o iuã para refletir o sucesso de suas exportações.


Mas o vice-ministro advertiu: "A China vai examinar sua situação econômica e traçar seu próprio caminho. A crise mundial trouxe uma série de incertezas. Então, temos de colocar a estabilidade em primeiro lugar."

sábado, 7 de novembro de 2009

Brasil põe desequilíbrio cambial na agenda do G-20

Por iniciativa do Brasil, a reunião ministerial do Grupo dos 20 (19 países mais ricos do mundo e a União Europeia) realizada neste fim de semana na Escócia incluiu a questão cambial na agenda das discussões sobre como superar a crise econômica mundial.

O real é uma das moedas que mais se valorizaram diante do dólar, minando a competitividade das exportações brasileiras de produtos manufaturados, que se tornaram mais caros diante da concorrência. Quem mais se beneficia é a China, que vem ganhando mercado da indústria brasileira no mercado latino-americano.

Diante do colapso das exportações com a Grande Recessão, a China voltou a colar, na prática, a moeda chinesa, o iuã, no dólar. Há alguns anos, o iuã flutuava com base numa cesta de moedas. Desde o ano passado, passou a acompanhar o dólar, aumentando a competitividade das exportações em todos os países cujas moedas se desvalorizaram.

Com o câmbio flutuante, a lógica econômica indica que a moeda chinesa deveria se valorizar por causa do expressivo saldo comercial chinês e do grande influxo de investimentos externos no país. Ao manter a moeda subvalorizada, a China faz com que outras moedas, como o euro, paguem o custo da desvalorização do dólar.

Essa desvalorização traz um sério risco para o equilíbrio da economia global. Os investidores estão tomando dinheiro emprestado em dólares no momento em que a taxa básica de juros da economia dos Estados Unidos está em praticamente zero. Vendem esses dólares para aplicar em países com taxas de retorno maior, como o Brasil, onde a taxa básica está em 8,75%.

Ao fazerem isso, jogam o dólar ainda mais para baixo e valorizam moedas como o real.

Para o Brasil, chegou a hora de enfrentar a China, maior rival na disputa pelo mercado latino-americano, o único para onde o Brasil tem vendas externas significativas de produtos manufaturados.

Não se trata (ainda) de abrir uma guerra comercial, mas de não aceitar uma posição subalterna em relação à superpotência emergente, que não hesita em usar seu poderio, pressionar mercados e países fracos, e manipular o câmbio em defesa de seus interesses nacionais.

Apesar do governo Lula ver uma aliança ideológica com a China e uma possibilidade de reduzir a influência internacional dos EUA, inclusive substituindo o dólar por outra moeda internacional, neste caso específico do desequilíbrio cambial o Brasil está mais perto dos EUA.

Num globalizado e multipolar, é preciso negociar com todos os países, especialmente com os grandes, inclusive para evitar o surgimento de novas hegemonias.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Dólar cai e Bolsa de Nova Iorque desaba

Diante do boato de que a China começaria a vender suas reservas em dólar, a moeda americana caiu hoje a US$ 1,4729 por euro, novo recorde para a moeda comum européia, o petróleo de aproxima de US$ 100 por barril, e a Bolsa de Nova Iorque opera em baixa de mais de 250 pontos.

"Desde 1950, o dólar americano não está tão fraco diante do dólar canadense", lamentou o economista Art Hogan, estrategista da empresa Jefferies & Co. em Wall Street. "É muito difícil argumentar a favor da compra de ações hoje".

Para agravar a situação, a General Motors, que recuperou a condição de maior fabricante de automóveis do mundo, anunciou um prejuízo recorde de US$ 39 bilhões no terceiro trimestre deste ano, atribuído em parte a uma mudança na contabilidade da empresa. Suas ações caíram 5%.

A China acumulou reservas de US$ 1,43 trilhões e estaria preocupada com a desvalorização da moeda americana. Poderia comprar euros. Quem paga a conta? Os europeus, que vêm sua moeda se valorizar cada vez mais, reduzindo a competitividade de suas exportações, enquanto os países asiáticos manipulam o câmbio e aumentam sua competitividade.