A moeda chinesa, o iuane, caiu hoje para 6,4948 por dólar, seu menor valor desde maio de 2011, noticiou a agência Reuters.
Em geral, a procura por dólares nos mercados de câmbio da China aumenta no fim do ano. Então, a volatilidade do iuane não significa necessariamente uma tendência em médio e longo prazos.
A expectativa é de que a recente entrada no iuane na cesta de moedas fortes do Fundo Monetário Internacional (FMI) não cause mudanças importantes em curto prazo no uso da moeda chinesa, que passou a ser uma moeda de reserva.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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terça-feira, 29 de dezembro de 2015
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Moeda da China cai à menor cotação desde 2011
O Banco Popular da China fixou hoje a cotação do iuane no menor nível desde 2011, em 6,414 por dólar, 62 centavos a menos do que o valor de ontem, reportou a agência oficial de notícias Nova China.
Pelas regras do regime cambial chinês, o iuane pode oscilar numa faixa de mais ou menos 2%. Desde meados de agosto, a moeda chinesa perdeu 3,4% do valor.
A China assumiu o compromisso de manipular menos o câmbio para o iuane ser considerado moeda de reserva pelo Fundo Monetário Internacional, mas a desaceleração do crescimento pressiona o governo a tomar medidas.
Pelas regras do regime cambial chinês, o iuane pode oscilar numa faixa de mais ou menos 2%. Desde meados de agosto, a moeda chinesa perdeu 3,4% do valor.
A China assumiu o compromisso de manipular menos o câmbio para o iuane ser considerado moeda de reserva pelo Fundo Monetário Internacional, mas a desaceleração do crescimento pressiona o governo a tomar medidas.
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
FMI inclui iuane chinês entre moedas de reserva
O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou hoje a inclusão do iuane entre as moedas de reserva, ao lado do dólar, do euro, do iene e da libra esterlina a partir de 1º de outubro de 2016. A moeda chinesa deve passar a ser mais usada em transações internacionais e como reserva cambial, noticia o jornal The New York Times.
Para o iuane ser reconhecido como moeda de reserva, a China abre mão de parte de seu controle, liberalizando o regime cambial. Isso pode causar volatilidade num momento de desaceleração e transição de uma economia baseada no investimento para um modelo mais orientado para o consumo interno.
A moeda chinesa passa a fazer parte da cesta de moedas usada pelo FMI para calcular o valor de sua própria moeda contábil, os direitos especiais de saque (DES). Será a primeira mudança na cesta desde a inclusão do euro em 1999.
O dólar continua a ter peso de 42% no valor dos DES, o euro cai de 37% para 31%, a libra de 11% para 8% e o iene de 9% para 8%, abrindo espaço para o iuane, que terá peso de 11%.
"É um reconhecimento do progresso que as autoridades chinesas fizeram nos últimos anos para reformar os sistemas monetário e financeiro da China", declarou a diretora-geral do Fundo, a ex-ministra das Finanças da França Christine Lagarde. "A continuação e o aprofundamento destes esforços vai criar um sistema internacional mais robusto, o que vai sustentar o crescimento e a sustentabilidade da China e da economia mundial."
Para o iuane ser reconhecido como moeda de reserva, a China abre mão de parte de seu controle, liberalizando o regime cambial. Isso pode causar volatilidade num momento de desaceleração e transição de uma economia baseada no investimento para um modelo mais orientado para o consumo interno.
A moeda chinesa passa a fazer parte da cesta de moedas usada pelo FMI para calcular o valor de sua própria moeda contábil, os direitos especiais de saque (DES). Será a primeira mudança na cesta desde a inclusão do euro em 1999.
O dólar continua a ter peso de 42% no valor dos DES, o euro cai de 37% para 31%, a libra de 11% para 8% e o iene de 9% para 8%, abrindo espaço para o iuane, que terá peso de 11%.
"É um reconhecimento do progresso que as autoridades chinesas fizeram nos últimos anos para reformar os sistemas monetário e financeiro da China", declarou a diretora-geral do Fundo, a ex-ministra das Finanças da França Christine Lagarde. "A continuação e o aprofundamento destes esforços vai criar um sistema internacional mais robusto, o que vai sustentar o crescimento e a sustentabilidade da China e da economia mundial."
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Banco central da China adota sistema de pagamentos padrão FMI
Em mais uma etapa para a internacionalização da moeda nacional, o Banco Popular da China (BPC) lançou hoje um sistema de pagamentos para o iuane de acordo com os padrões do Fundo Monetário Internacional (FMI), anunciaram a agência oficial Nova China e o jornal britânico Financial Times.
O banco central chinês adotou os Padrões Especiais de Disseminação de Dados, um modelo estatístico criado pelo FMI para aumentar a transparência do sistema financeiro. A China já pediu ao Fundo para o iuane ser considerado moeda de reserva ou moeda forte.
Com sede em Xangai, a maior cidade do país, o Sistema de Pagamentos Internacionais da China vai oferecer serviços de compensação nacional e internacional a instituições financeiras de dentro e de fora do país.
Outro objetivo do regime comunista chinês seria evitar o risco de espionagem de agentes estrangeiros através do sistema de pagamentos Swift, sediado na Bélgica, sob a supervisão dos Estados Unidos e da União Europeia.
Em meados do mês passado, o BPC mandou instruções detalhadas a 19 bancos, sendo oito estrangeiros, anunciando o início do funciomento do novo sistema de pagamentos neste mês de outubro.
Desde o início das reformas de Deng Xiaoping, em 1978, a China adotou um modelo da crescimento baseado na exportação de produtos industriais a preços baixos que lhe rendeu altos saldos comerciais. O país acumulou reservas cambiais que chegaram a US$ 4 trilhões em junho de 2014.
Com a desaceleração da economia e a intervenção do governo para conter a queda nas bolsas de valores, onde gastou US$ 94 bilhões só em agosto, as reservas caíram para US$ 3,5 trilhões.
Quando os EUA passaram a imprimir dólares para enfrentar a crise, depois de baixar as taxas básicas de juros para praticamente zero, as empresas chinesas tomaram empréstimos baratos. De junho de 2014 a março de 2015, diminuíram a dívida de US$ 877 bilhões para US$ 730 bilhões na expectativa do reinício das altas de juros nos EUA, ainda têm muito a pagar.
A compra de dólares para honrar a dívida fortaleceu a moeda americana, levando à maior desvalorização do iuane em anos no último mês de agosto.
Durante a crise, o presidente do banco central chinês observou que o dólar precisa deixar de ser a moeda dominante do sistema financeiro internacional. A China não tem a ilusão de que consiga fazer isso em curto prazo.
Para o presidente Xi Jinping, a internacionalização do iuane é um passo importante para a ascensão da China à superpotência econômica, mas outros setores do regime comunista devem resistir. Exige uma série de reformas.
A China está deixando de ser uma economia movida por investimentos e exportações para se reorientar para o mercado interno. Será uma reestruturação dolorosa, com elevado risco político para o regime comunista, legitimado nas últimas décadas pelo crescimento econômico espetacular.
O banco central chinês adotou os Padrões Especiais de Disseminação de Dados, um modelo estatístico criado pelo FMI para aumentar a transparência do sistema financeiro. A China já pediu ao Fundo para o iuane ser considerado moeda de reserva ou moeda forte.
Com sede em Xangai, a maior cidade do país, o Sistema de Pagamentos Internacionais da China vai oferecer serviços de compensação nacional e internacional a instituições financeiras de dentro e de fora do país.
Outro objetivo do regime comunista chinês seria evitar o risco de espionagem de agentes estrangeiros através do sistema de pagamentos Swift, sediado na Bélgica, sob a supervisão dos Estados Unidos e da União Europeia.
Em meados do mês passado, o BPC mandou instruções detalhadas a 19 bancos, sendo oito estrangeiros, anunciando o início do funciomento do novo sistema de pagamentos neste mês de outubro.
Desde o início das reformas de Deng Xiaoping, em 1978, a China adotou um modelo da crescimento baseado na exportação de produtos industriais a preços baixos que lhe rendeu altos saldos comerciais. O país acumulou reservas cambiais que chegaram a US$ 4 trilhões em junho de 2014.
Com a desaceleração da economia e a intervenção do governo para conter a queda nas bolsas de valores, onde gastou US$ 94 bilhões só em agosto, as reservas caíram para US$ 3,5 trilhões.
Quando os EUA passaram a imprimir dólares para enfrentar a crise, depois de baixar as taxas básicas de juros para praticamente zero, as empresas chinesas tomaram empréstimos baratos. De junho de 2014 a março de 2015, diminuíram a dívida de US$ 877 bilhões para US$ 730 bilhões na expectativa do reinício das altas de juros nos EUA, ainda têm muito a pagar.
A compra de dólares para honrar a dívida fortaleceu a moeda americana, levando à maior desvalorização do iuane em anos no último mês de agosto.
Durante a crise, o presidente do banco central chinês observou que o dólar precisa deixar de ser a moeda dominante do sistema financeiro internacional. A China não tem a ilusão de que consiga fazer isso em curto prazo.
Para o presidente Xi Jinping, a internacionalização do iuane é um passo importante para a ascensão da China à superpotência econômica, mas outros setores do regime comunista devem resistir. Exige uma série de reformas.
A China está deixando de ser uma economia movida por investimentos e exportações para se reorientar para o mercado interno. Será uma reestruturação dolorosa, com elevado risco político para o regime comunista, legitimado nas últimas décadas pelo crescimento econômico espetacular.
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Lucro da indústria chinesa sofre maior queda já registrada
O lucro das fábricas chinesas caiu 156,6 bilhões de iuanes (US$ 24,6 bilhões ou R$ 100 bilhões) em agosto de 2015, numa redução de 8,8% em comparação com agosto de 2014, revelam dados publicados hoje pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China, citados pelo jornal South China Morning Post, de Hong Kong.
É o maior declínio anual desde o governo chinês começou a publicar estatísticas a respeito, em 2011. Nos primeiros oito meses de 2015, a baixa foi de 1,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
A pesquisa aponta problemas com aumento de custos, queda de preços e a recente desvalorização das ações negociadas em bolsas de valores. Só as flutuações da moeda chinesa seriam responsáveis por um aumento de custos de 23,9% nos últimos 12 meses.
É o maior declínio anual desde o governo chinês começou a publicar estatísticas a respeito, em 2011. Nos primeiros oito meses de 2015, a baixa foi de 1,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
A pesquisa aponta problemas com aumento de custos, queda de preços e a recente desvalorização das ações negociadas em bolsas de valores. Só as flutuações da moeda chinesa seriam responsáveis por um aumento de custos de 23,9% nos últimos 12 meses.
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
Banco central chinês injeta mais US$ 23 bilhões nos bancos
O Banco Popular da China injetou mais 150 bilhões de iuanes (US$ 23,4 bilhões) no sistema financeiro e fixou hoje a taxa de câmbia da moeda nacional em 6,4085 por dólar, noticiou a agência oficial Nova China.
As bolsas chinesas operam hoje com fortes altas, no momento, de 5,34% em Xangai e 3,1% em Hong Kong.
Segunda maior economia do mundo, a China é hoje a grande dúvida dos investidores. O regime comunista chinês afirma que o crescimento está dentro da meta de 7% ao ano, mas as medidas adotadas recentemente indicam preocupação com a desaceleração da economia.
A economia chinesa está em curva descendente. A questão é se terá um pouso suave ou forçado, depois de crescer a taxas de 10% ao ano durante três décadas e meia.
O que aconteceu nos últimos dias foi uma amostra dos aspectos perversos da globalização da economia. Um problema grave ou a suspeita de que um governo não está revelando a verdade provoca uma onda de choque capaz de abalar o mundo inteiro.
As bolsas chinesas operam hoje com fortes altas, no momento, de 5,34% em Xangai e 3,1% em Hong Kong.
Segunda maior economia do mundo, a China é hoje a grande dúvida dos investidores. O regime comunista chinês afirma que o crescimento está dentro da meta de 7% ao ano, mas as medidas adotadas recentemente indicam preocupação com a desaceleração da economia.
A economia chinesa está em curva descendente. A questão é se terá um pouso suave ou forçado, depois de crescer a taxas de 10% ao ano durante três décadas e meia.
O que aconteceu nos últimos dias foi uma amostra dos aspectos perversos da globalização da economia. Um problema grave ou a suspeita de que um governo não está revelando a verdade provoca uma onda de choque capaz de abalar o mundo inteiro.
domingo, 23 de agosto de 2015
Banco central da China vai aumentar liquidez do sistema financeiro
O Banco Popular da China (BPC) vai "inundar o sistema bancário do país com liquidez para incentivar a concessão de empréstimos", noticiou hoje o jornal americano The Wall Street Journal, observando que a desvalorização da moeda chinesa, o iuane, poderia levar a uma fuga de capital do país.
A decisão de reduzir o percentual do depósito compulsório que os bancos precisam manter no banco central como reserva indica que a desvalorização das últimas duas semanas não foi suficiente para acelerar a atividade econômica.
Ainda em agosto de 2015, ou talvez no início de setembro, o BPC deve reduzir a exigência de reservas em meio ponto percentual, liberando 678 bilhões de iuanes (US$ 106,2 bilhões ou R$ 371,7 bilhões) para empréstimos pelos bancos.
A decisão de reduzir o percentual do depósito compulsório que os bancos precisam manter no banco central como reserva indica que a desvalorização das últimas duas semanas não foi suficiente para acelerar a atividade econômica.
Ainda em agosto de 2015, ou talvez no início de setembro, o BPC deve reduzir a exigência de reservas em meio ponto percentual, liberando 678 bilhões de iuanes (US$ 106,2 bilhões ou R$ 371,7 bilhões) para empréstimos pelos bancos.
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
China deixa iuane cair mais 1% e e suscita suspeitas de fraqueza
Depois de cair 3,5% em dois dias, a moeda da China perdeu mais 1% nesta quinta-feira aumentando a suspeita de que as autoridades possam estar escondendo problemas muito maiores. Desde ontem, o jornal The New York Times avalia o impacto do câmbio sobre a sociedade chinesa como um todo.
É o maior tombo da moeda chinesa em pouco mais de 20. Em 1993 e 1994, o iuane foi desvalorizado para aumentar a competitividade internacional dos produtos chineses.
O maior risco é que a baixa no valor da moeda da segunda maior economia deflagre uma guerra cambial com novas rodadas de desvalorização ecoando pelo globo.
É o maior tombo da moeda chinesa em pouco mais de 20. Em 1993 e 1994, o iuane foi desvalorizado para aumentar a competitividade internacional dos produtos chineses.
O maior risco é que a baixa no valor da moeda da segunda maior economia deflagre uma guerra cambial com novas rodadas de desvalorização ecoando pelo globo.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Banco central chinês intervém para conter queda do iuane em 2%
O Banco Popular da China entrou hoje no mercado de câmbio para manter a desvalorização da moeda dentro do limite de 2% adotado pelas autoridades monetárias do país.
No fechamento, o iuane foi cotado a 6,45 por dólar, o menor valor em quatro anos, com queda de 1,6%. Em dois dias, caiu 3,5% diante do dólar, mas hoje subiu em relação ao euro.
Ao anunciar a desvalorização, na terça-feira, o banco central chinês prometeu passar a orientar a flutuação da moeda de acordo com a tendência do mercado. A medida levou o mercado a vendar mais iuanes.
Sob orientação do BPC, conhecido popularmente como Mãezona, os bancos estatais passaram a vender dólares para conter a queda dentro da banda de flutuação adotada oficialmente. Se a moeda chinesa cair muito, pode haver uma fuga de capitais dificultando o pagamento de dívidas em dólar por empresas.
A desvalorização do iuane também deve aumentar a pressão dos Estados Unidos, onde a China é acusada de manter a moeda articialmente subvalorizada para aumentar a competitividade das exportações.
Toda a engenharia financeira do milagre econômico chinês foi baseada em moeda fraca, juros baixos e mão de obra barata para atrair capital estrangeiro.
A desvalorização competitiva, em meio a uma desaceleração do crescimento e à tentativa de passar de uma economia baseada em investimento para uma baseada em consumo, significa que o Partido Comunista ainda confia nas exportações para manter a estabilidade econômica, política e social.
No fechamento, o iuane foi cotado a 6,45 por dólar, o menor valor em quatro anos, com queda de 1,6%. Em dois dias, caiu 3,5% diante do dólar, mas hoje subiu em relação ao euro.
Ao anunciar a desvalorização, na terça-feira, o banco central chinês prometeu passar a orientar a flutuação da moeda de acordo com a tendência do mercado. A medida levou o mercado a vendar mais iuanes.
Sob orientação do BPC, conhecido popularmente como Mãezona, os bancos estatais passaram a vender dólares para conter a queda dentro da banda de flutuação adotada oficialmente. Se a moeda chinesa cair muito, pode haver uma fuga de capitais dificultando o pagamento de dívidas em dólar por empresas.
A desvalorização do iuane também deve aumentar a pressão dos Estados Unidos, onde a China é acusada de manter a moeda articialmente subvalorizada para aumentar a competitividade das exportações.
Toda a engenharia financeira do milagre econômico chinês foi baseada em moeda fraca, juros baixos e mão de obra barata para atrair capital estrangeiro.
A desvalorização competitiva, em meio a uma desaceleração do crescimento e à tentativa de passar de uma economia baseada em investimento para uma baseada em consumo, significa que o Partido Comunista ainda confia nas exportações para manter a estabilidade econômica, política e social.
Moeda da China cai pelo segundo dia seguido
O Banco Popular da China manteve a promessa de deixar a moeda flutuar de acordo com a orientação do mercado, dentro da margem estreita de 2% para não perder o controle, fechando em queda pelo segundo dia seguido.
Depois de chegar 6,3231 iuanes por dólar na terça-feira, com queda de 1,97%, a maior em mais de duas décadas para a moeda chinesa, o banco central fixou a cotação de hoje em 6,3306, 1,6% abaixo do valor de ontem.
Para os economistas, é um sinal de que o regime comunista chinês está promovendo uma desvalorização competitiva para revigorar o setor exportador, responsável por centenas de milhões de empregos. Tudo o que o Partido Comunista não quer é um aumento do desemprego capaz de abalar sua legitimidade, assentada hoje sobre o milagre econômico chinês.
Enquanto oficialmente o governo insiste na proposta de reorientar a economia para o mercado interno, a depreciação da moeda, a maior desde 1994, indica a decisão de manter o modelo exportador tão bem-sucedido nas últimas décadas como garantia do emprego e da renda de sua formidável força de trabalho.
As bolsas do mundo inteiro caíram ontem com a baixa na moeda chinesa, interpretada como um sintoma de fraqueza da segunda maior economia do mundo, de US$ 10 trilhões por ano. Hoje, uma nova onda de choque atinge os mercados.
Se a queda do iuane por dois dias seguidos for um sinal de uma lenta desvalorização a longo prazo, deverá deflagrar uma nova rodada de desvalorizações competitivas ou guerras cambiais de países preocupados em preservar seu espaço no mercado internacional.
Nos Estados Unidos, a medida desencoraja o Comitê de Mercado Aberto da Reserva Federal (Fed) a aumentar as taxas básicas de juros da economia americana em setembro. Isto valorizaria ainda mais o dólar, ameaçando a recuperação dos EUA.
Sem aumento real nos salários e pressões inflacionárias, o banco central dos EUA pode deixar o reinício da normalização da política monetária, com uma alta de juros, para 2016.
Para o Brasil, o possível adiamento da alta de juros nos EUA parece positivo, assim como a determinação das autoridades chinesas de manter um crescimento forte, dentro da meta de 7% ao ano. A China é hoje a maior parceira comercial do país, grande importadora de produtos primários como soja, carvão e minério de ferro.
Ao mesmo tempo, um guerra cambial pode abalar a recuperação da economia mundial depois da crise financeira de 2008-9. A Crise da Ásia de 1997-8 foi causada por um desajuste de moedas atreladas ao dólar depois de uma desvalorização competitiva de 1993 comparada com a baixa desses dois dias.
Depois de chegar 6,3231 iuanes por dólar na terça-feira, com queda de 1,97%, a maior em mais de duas décadas para a moeda chinesa, o banco central fixou a cotação de hoje em 6,3306, 1,6% abaixo do valor de ontem.
Para os economistas, é um sinal de que o regime comunista chinês está promovendo uma desvalorização competitiva para revigorar o setor exportador, responsável por centenas de milhões de empregos. Tudo o que o Partido Comunista não quer é um aumento do desemprego capaz de abalar sua legitimidade, assentada hoje sobre o milagre econômico chinês.
Enquanto oficialmente o governo insiste na proposta de reorientar a economia para o mercado interno, a depreciação da moeda, a maior desde 1994, indica a decisão de manter o modelo exportador tão bem-sucedido nas últimas décadas como garantia do emprego e da renda de sua formidável força de trabalho.
As bolsas do mundo inteiro caíram ontem com a baixa na moeda chinesa, interpretada como um sintoma de fraqueza da segunda maior economia do mundo, de US$ 10 trilhões por ano. Hoje, uma nova onda de choque atinge os mercados.
Se a queda do iuane por dois dias seguidos for um sinal de uma lenta desvalorização a longo prazo, deverá deflagrar uma nova rodada de desvalorizações competitivas ou guerras cambiais de países preocupados em preservar seu espaço no mercado internacional.
Nos Estados Unidos, a medida desencoraja o Comitê de Mercado Aberto da Reserva Federal (Fed) a aumentar as taxas básicas de juros da economia americana em setembro. Isto valorizaria ainda mais o dólar, ameaçando a recuperação dos EUA.
Sem aumento real nos salários e pressões inflacionárias, o banco central dos EUA pode deixar o reinício da normalização da política monetária, com uma alta de juros, para 2016.
Para o Brasil, o possível adiamento da alta de juros nos EUA parece positivo, assim como a determinação das autoridades chinesas de manter um crescimento forte, dentro da meta de 7% ao ano. A China é hoje a maior parceira comercial do país, grande importadora de produtos primários como soja, carvão e minério de ferro.
Ao mesmo tempo, um guerra cambial pode abalar a recuperação da economia mundial depois da crise financeira de 2008-9. A Crise da Ásia de 1997-8 foi causada por um desajuste de moedas atreladas ao dólar depois de uma desvalorização competitiva de 1993 comparada com a baixa desses dois dias.
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Banco Popular da China desvaloriza o iuane
Em mais uma medida para combater a desaceleração da segunda maior economia do mundo, o banco central da China desvalorizou a moeda do país hoje, causando uma queda de 1,9%, a maior perda num dia em mais de duas décadas.
O iuane chegou a cair 1,99% em Xangai e 2,3% em Hong Kong. No fechamento, foi cotado a 6,2298 por dólar. Na segunda-feira, um dólar comprava 6,1162 iuanes.
Para evitar reações negativas de manipulação do câmbio para aumentar as exportações, as autoridades chineses anunciaram que o valor da moeda passará a ser baseado na cotação de fechamento do dia anterior e não apenas pela decisão do Banco Popular da China.
No seu relatório semestral sobre o câmbio no mundo publicado em abril de 2015, o Tesouro dos Estados Unidos considerou o iuane "significativamente subvalorizado", observando que "os fatores fundamentais para a apreciação do iuane permanecem intactos".
Depois de negociações de alto nível com a China em junho, o secretário do Tesouro americano, Jacob Lew, declarou que a China concordara em intervir nos mercados de câmbio "só quando for necessário pela desordem nas condições de mercado e vai considerar medidas adicionais de transição para um regime de câmbio orientado pelo mercado."
A China está pressionando o Fundo Monetário Internacional para que o iuane seja considerado uma moeda de reserva. A desvalorização controlada pelo banco central não ajuda.
O iuane chegou a cair 1,99% em Xangai e 2,3% em Hong Kong. No fechamento, foi cotado a 6,2298 por dólar. Na segunda-feira, um dólar comprava 6,1162 iuanes.
Para evitar reações negativas de manipulação do câmbio para aumentar as exportações, as autoridades chineses anunciaram que o valor da moeda passará a ser baseado na cotação de fechamento do dia anterior e não apenas pela decisão do Banco Popular da China.
No seu relatório semestral sobre o câmbio no mundo publicado em abril de 2015, o Tesouro dos Estados Unidos considerou o iuane "significativamente subvalorizado", observando que "os fatores fundamentais para a apreciação do iuane permanecem intactos".
Depois de negociações de alto nível com a China em junho, o secretário do Tesouro americano, Jacob Lew, declarou que a China concordara em intervir nos mercados de câmbio "só quando for necessário pela desordem nas condições de mercado e vai considerar medidas adicionais de transição para um regime de câmbio orientado pelo mercado."
A China está pressionando o Fundo Monetário Internacional para que o iuane seja considerado uma moeda de reserva. A desvalorização controlada pelo banco central não ajuda.
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