O partido liberal de centro-direita Cidadãos, do bloco a favor da união com a Espanha, e a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), do lado independentista, devem ser os mais votados nas eleições regionais desta quinta-feira, 21 de dezembro de 2017. Como nenhum dos dois lados tem maioria, a decisão vai caber a um milhão de indecisos.
As eleições foram convocadas pelo primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, dentro da intervenção do governo central. Madri suspendeu a autonomia regional para impedir a independência catalã. O resultado tende a refletir a profunda divisão da Catalunha e não acabar com o impasse político
No passado, especialmente nos anos 1980s e 1990s, havia na prática um bipartidarismo na Catalunha em que as maiores agremiações políticas eram o Partido Socialista da Catalunha (PSC), contrário à independência e a Convergência e União (CiU), rebatizada como Partido Democrata Europeu Catalão (PDeCat) e agora como Juntos pela Catalunha. Eles costumavam ter juntos cerca de 75% dos votos.
Agora, as pesquisas indicam que os Cidadãos e a ERC, juntos, não chegarão a 50% dos votos. Assim, nenhum partido terá maioria absoluta no Parlament. De acordo com as últimas pesquisas, o ERC terá 23% dos votos, os Cidadãos 22%; Juntos pela Catalunha, 17%, e o PSC, 15,3%. Bem atrás, estão a aliança Catalunha em Comum-Podemos 7,9%, a Candidatura da Unidade Popular (CUP) 6,2% e o Partido Popular da Catalunha (PPC).
Os partidos lutaram até o fim pelas últimas cadeiras. A média das pesquisas dá 67 cadeiras, uma abaixo da maioria, para os partidos a favor da independência, ERC, Juntos pela Catalunha e a CUP, este último de extrema esquerda.
O líder nacional dos Cidadãos, Albert Rivera, fez um apelo ao voto útil, por acreditar que a decisão será por poucos votos: "Se votam no PSC, não sabe onde vai seu voto. Um voto nos Cidadãos vai parar o processo" de independência.
Por outro lado, o ex-secretário regional Carles Mundó declarou que "é importante que o ERC lidere o govern. Não é um partido improvisado há quatro dias, é um partido com história." Juntos pela Catalunha se constituiu como partido político uma semana antes do início da campanha eleitoral.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador intervenção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador intervenção. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 19 de dezembro de 2017
Cidadãos e ERC lideram pesquisas eleitorais na Catalunha
Marcadores:
Albert Rivera,
Carles Mundó,
Catalunha,
Cidadãos,
CiU,
CUP,
Eleições Regionais,
ERC,
Espanha,
Independência,
intervenção,
Juntos pela Catalunha,
Mariano Rajoy,
PDeCat,
PSC
terça-feira, 14 de novembro de 2017
Quase 2,5 mil empresas tiram sede central da Catalunha
Desde o plebiscito ilegal de 1º de outubro sobre a independência da região, 2.471 empresas tiraram suas matrizes da Catalunha, revelou hoje o jornal La Vanguardia, de Barcelona, citando como fonte a Agência Tributária.
Sob o impacto do risco gerado pela movimento pela independência, as vendas registradas pelo comércio catalão caíram de 22,4% para 19,6% do total da Espanha. Nos setores de água, energia e construção, a baixa é de 20 pontos percentuais; em finanças e seguros, de 4 pontos.
Só no dia de ontem, mais 30 empresas deixaram a província rebelde.
O governo central espanhol interveio na região, suspendendo temporariamente a autonomia regional, e convocou eleições antecipadas para 21 de dezembro, depois que o Tribunal Constitucional declarou o plebiscito ilegal. Pela Constituição da Espanha de 1978, todo o país deve votar em qualquer plebiscito sobre independência.
Por decisão da Justiça, o ex-governador, o ex-vice-governador e todos os ex-secretários do governo foram presos. O ex-governador Carles Puigdemont e quatro ex-secretários fugiram para a Bélgica, que recebeu um mandado de prisão europeu pedindo sua extradição.
Sob o impacto do risco gerado pela movimento pela independência, as vendas registradas pelo comércio catalão caíram de 22,4% para 19,6% do total da Espanha. Nos setores de água, energia e construção, a baixa é de 20 pontos percentuais; em finanças e seguros, de 4 pontos.
Só no dia de ontem, mais 30 empresas deixaram a província rebelde.
O governo central espanhol interveio na região, suspendendo temporariamente a autonomia regional, e convocou eleições antecipadas para 21 de dezembro, depois que o Tribunal Constitucional declarou o plebiscito ilegal. Pela Constituição da Espanha de 1978, todo o país deve votar em qualquer plebiscito sobre independência.
Por decisão da Justiça, o ex-governador, o ex-vice-governador e todos os ex-secretários do governo foram presos. O ex-governador Carles Puigdemont e quatro ex-secretários fugiram para a Bélgica, que recebeu um mandado de prisão europeu pedindo sua extradição.
Marcadores:
Carles Puigdemont,
Catalunha,
Comércio,
Espanha,
intervenção,
mandado de prisão europeu,
movimento pela independência,
Plebiscito,
Prisão
domingo, 5 de novembro de 2017
Puigdemont e ex-secretários da Catalunha se entregam na Bélgica
O ex-governador Carles Puigdemont e quatro ex-secretários do governo deposto da Catalunha se entregaram hoje numa delegacia de polícia de Bruxelas, a capital da Bélgica, para onde fugiram depois da intervenção do governo central da Espanha para impedir a independência catalã, noticiou o jornal La Vanguardia, de Barcelona.
Com o mandado de prisão europeu emitido sexta-feira pela Justiça espanhola, às 9h17 da manhã de hoje (6h17 em Brasília), Puigdemont e os ex-conselheiros Antoni Comín, Clara Ponsatí, Lluís Puig e Meritxell Serret foram até uma delegacia da Polícia Federal belga.
"Na presença de seus advogados, foram informados da ordem de busca e captura que pesa sobre eles", explicou Gilles Dejemeppe, porta-voz da Procuradoria-Geral da Bélgica. Eles foram interrogados à tarde.
A Justiça da Bélgica tem agora 24 horas para responder ao pedido de prisão da Espanha. O mandado de prisão europeu pressupõe que os réus terão um julgamento justo, com amplo direito de defesa, em qualquer país da União Europeia. Eles podem esperar em liberdade condicional.
O juiz do caso é flamengo, do povo belga a favor da independência da região de Flandres. A defesa dos catalães pediu que o processo seja na língua flamenga, semelhante ao holandês, e não em francês, na busca de uma afinidade com o movimento separatista flamengo.
Na Espanha, os ex-governantes da Catalunha foram denunciados por rebelião, sedição e malversação de fundos públicos. Só a acusação de rebelião tem uma pena máxima de 30 anos de prisão. O ex-vice-governador e sete ex-secretários foram presos em Madri.
Com o mandado de prisão europeu emitido sexta-feira pela Justiça espanhola, às 9h17 da manhã de hoje (6h17 em Brasília), Puigdemont e os ex-conselheiros Antoni Comín, Clara Ponsatí, Lluís Puig e Meritxell Serret foram até uma delegacia da Polícia Federal belga.
"Na presença de seus advogados, foram informados da ordem de busca e captura que pesa sobre eles", explicou Gilles Dejemeppe, porta-voz da Procuradoria-Geral da Bélgica. Eles foram interrogados à tarde.
A Justiça da Bélgica tem agora 24 horas para responder ao pedido de prisão da Espanha. O mandado de prisão europeu pressupõe que os réus terão um julgamento justo, com amplo direito de defesa, em qualquer país da União Europeia. Eles podem esperar em liberdade condicional.
O juiz do caso é flamengo, do povo belga a favor da independência da região de Flandres. A defesa dos catalães pediu que o processo seja na língua flamenga, semelhante ao holandês, e não em francês, na busca de uma afinidade com o movimento separatista flamengo.
Na Espanha, os ex-governantes da Catalunha foram denunciados por rebelião, sedição e malversação de fundos públicos. Só a acusação de rebelião tem uma pena máxima de 30 anos de prisão. O ex-vice-governador e sete ex-secretários foram presos em Madri.
Marcadores:
Antoni Comín,
Bélgica,
Carles Puigdemont,
Catalunha,
Clara Ponsatí,
Espanha,
Independência,
intervenção,
Lluís Puig,
mandado de prisão europeu,
Meritxell Serret,
UE
sábado, 28 de outubro de 2017
Vice-primeira-ministra da Espanha é nomeada interventora na Catalunha
O primeiro-ministro conservador da Espanha, Mariano Rajoy, nomeou hoje a vice-primeira-ministra Soraya Sáenz de Santamaria como governadora regional da Catalunha depois da intervenção aprovada ontem pelo Senado para conter o movimento pela independência da província. O ministro da Fazenda, Cristóbal Montoro, vai assumir o controle das finanças da região, noticiou o jornal espanhol El País.
A orientação de Rajoy é manter os serviços públicos sem introduzir novas políticas ou diretrizes até as eleições antecipadas para 21 de dezembro. O governo central disse não se opor à participação do governador deposto da Catalunha, Carles Puigdemont, nas eleições. É estranho porque ele pode ser preso por insurreição.
Além de Puigdemont, foram afastados de seu cargo o vice-governador Oriol Junqueras, todos os secretários do governo regional e o chefe da polícia autônoma. Cada ministro será responsável pela secretaria correspondente, com a exceção da ministra da Defesa, que não tem pasta correspondente no governo catalão.
Ao substituir o chefe de polícia, Josep Lluis Trapero, o ministro do Interior, Juan Ignacio Zoido, preferiu respeitar a hierarquia. Nomeou para o comando o subchefe dos Mossos d'Esquadra, Ferran López.
O governo central espanhol define seu objetivo como "exercer as atividades necessárias para garantir que o governo e o conjunto da Generalitat se restaurem e atuem conforme a ordem legal e constitucional vigente assegurando a neutralidade institucional". Madri promete manter "os princípios de prudência e proporcionalidade com pleno respeito à autonomia da Catalunha".
Do ponto de vista do governo Rajoy, não houve suspensão da autonomia catalã, mas apenas a substituição de políticos que estavam violando a Constituição e o Estatuto da Autonomia.
Puigdemont repudiou a intervenção, alegando que numa democracia cabe ao parlamento eleger e destituir o governo. Ele manifestou a intenção de resistir democraticamente à aplicação do artigo 155 da Constituição da Espanha: "Nossa vontade é continuar trabalhando para cumprir os mandatos democráticos e, ao mesmo tempo, buscar a máxima estabilidade e tranquilidade", citou o jornal catalão La Vanguardia.
No Palácio da Moncloa, sede do governo espanhol, a maior preocupação é com a reação das ruas, dos movimentos sociais que lutam pela independência, especialmente da Assembleia Nacional Catalã (ANC) e Òmnium, cujos líderes estão presos por rebelião.
A orientação de Rajoy é manter os serviços públicos sem introduzir novas políticas ou diretrizes até as eleições antecipadas para 21 de dezembro. O governo central disse não se opor à participação do governador deposto da Catalunha, Carles Puigdemont, nas eleições. É estranho porque ele pode ser preso por insurreição.
Além de Puigdemont, foram afastados de seu cargo o vice-governador Oriol Junqueras, todos os secretários do governo regional e o chefe da polícia autônoma. Cada ministro será responsável pela secretaria correspondente, com a exceção da ministra da Defesa, que não tem pasta correspondente no governo catalão.
Ao substituir o chefe de polícia, Josep Lluis Trapero, o ministro do Interior, Juan Ignacio Zoido, preferiu respeitar a hierarquia. Nomeou para o comando o subchefe dos Mossos d'Esquadra, Ferran López.
O governo central espanhol define seu objetivo como "exercer as atividades necessárias para garantir que o governo e o conjunto da Generalitat se restaurem e atuem conforme a ordem legal e constitucional vigente assegurando a neutralidade institucional". Madri promete manter "os princípios de prudência e proporcionalidade com pleno respeito à autonomia da Catalunha".
Do ponto de vista do governo Rajoy, não houve suspensão da autonomia catalã, mas apenas a substituição de políticos que estavam violando a Constituição e o Estatuto da Autonomia.
Puigdemont repudiou a intervenção, alegando que numa democracia cabe ao parlamento eleger e destituir o governo. Ele manifestou a intenção de resistir democraticamente à aplicação do artigo 155 da Constituição da Espanha: "Nossa vontade é continuar trabalhando para cumprir os mandatos democráticos e, ao mesmo tempo, buscar a máxima estabilidade e tranquilidade", citou o jornal catalão La Vanguardia.
No Palácio da Moncloa, sede do governo espanhol, a maior preocupação é com a reação das ruas, dos movimentos sociais que lutam pela independência, especialmente da Assembleia Nacional Catalã (ANC) e Òmnium, cujos líderes estão presos por rebelião.
sexta-feira, 27 de outubro de 2017
Rajoy dissolve Parlament e convoca eleições antecipadas na Catalunha
Em resposta à declaração de independência da Catalunha, o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy dissolveu hoje o govern e o Parlament, e convocou eleições regionais antecipadas na Catalunha, aplicando o artigo 155 da Constituição da Espanha para suspender a autonomia da província e tentar conter o movimento separatista, informou o jornal La Vanguardia, de Barcelona.
O governador Carles Puigdemont, o vice-governador Oriol Junqueras, todos os secretários do governo regional e o chefe da polícia foram afastados de seus cargos, noticiou o jornal El País, de Madri.
"O governador da Catalunha teve uma chance de voltar à legalidade e convocar eleições", declarou Rajoy em pronunciamento na televisão. "Nesta situação, o governo espanhol decidiu restaurar a legalidade e convocar eleições. A Catalunha tem de se reconciliar com si mesma. Por isso, decidi convocar eleições, que serão livres, justas e limpas que possam restaurar a democracia e a comunidade autônoma."
Na mesma reunião extraordinária, o Conselho de Ministros decidiu apresentar recurso junto ao Tribunal Constitucional para anular a declaração de independência aprovada no parlamento catalão.
Em Barcelona, o govern está reunido no Palau de la Generalitat tomando medidas para acelerar o processo de independência.
O governador Carles Puigdemont, o vice-governador Oriol Junqueras, todos os secretários do governo regional e o chefe da polícia foram afastados de seus cargos, noticiou o jornal El País, de Madri.
"O governador da Catalunha teve uma chance de voltar à legalidade e convocar eleições", declarou Rajoy em pronunciamento na televisão. "Nesta situação, o governo espanhol decidiu restaurar a legalidade e convocar eleições. A Catalunha tem de se reconciliar com si mesma. Por isso, decidi convocar eleições, que serão livres, justas e limpas que possam restaurar a democracia e a comunidade autônoma."
Na mesma reunião extraordinária, o Conselho de Ministros decidiu apresentar recurso junto ao Tribunal Constitucional para anular a declaração de independência aprovada no parlamento catalão.
Em Barcelona, o govern está reunido no Palau de la Generalitat tomando medidas para acelerar o processo de independência.
Marcadores:
Carles Puigdemont,
Catalunha,
Constituição. Art. 155,
Eleições,
Espanha,
govern,
Independência,
intervenção,
Mariano Rajoy,
Oriol Junqueras,
Parlament
Catalunha aprova independência e Senado da Espanha intervém
Em votação secreta boicotada pela oposição, por 70 a 10, o Parlament da Catalunha declarou hoje a independência da região. O Tribunal Constitucional deixou claro que vai anular a declaração, considerando-a ilegal e inconstitucional.
Meia hora depois, o Senado da Espanha aprovou a aplicação do artigo 155 da Constituição da Espanha para suspender a autonomia regional, afastar o atual govern e antecipar as eleições na província.
Do lado de fora do Parlament, uma multidão aplaudiu, mas as pesquisas indicam que a maioria dos catalães se opõe à independência. As consequências econômicas negativas são evidentes. Mais de 1,7 mil empresas deixaram a província desde o plebiscito pela independência de 1º de outubro, quando só 38% do total do eleitorado votaram pela separação.
"O que houve no Parlament não só vai contra a lei, é um ato delitivo", declarou em Madri o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP). Até agora, Rajoy tem adotado uma posição linha dura. Só aceita negociar com o governador regional catalão, Carles Puigdemont, se a declaração de independência for revogada.
Ao optar pela votação secreta, o parlamento catalão dificulta a possibilidade de abertura de processo contra os deputados por insurreição. Os partidos de oposição, inclusive o PP e o Partido Socialista Catalão (PSC), boicotaram a votação.
Com a intervenção, o governo central espanhol vai afastar o governo regional, limitar os poderes do Parlament, proibindo-o de nomear um novo governo ou declarar a independência, assumir o controle das finanças e da polícia regional, e convocar eleições regionais antecipadas dentro de seis meses.
Meia hora depois, o Senado da Espanha aprovou a aplicação do artigo 155 da Constituição da Espanha para suspender a autonomia regional, afastar o atual govern e antecipar as eleições na província.
Do lado de fora do Parlament, uma multidão aplaudiu, mas as pesquisas indicam que a maioria dos catalães se opõe à independência. As consequências econômicas negativas são evidentes. Mais de 1,7 mil empresas deixaram a província desde o plebiscito pela independência de 1º de outubro, quando só 38% do total do eleitorado votaram pela separação.
"O que houve no Parlament não só vai contra a lei, é um ato delitivo", declarou em Madri o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP). Até agora, Rajoy tem adotado uma posição linha dura. Só aceita negociar com o governador regional catalão, Carles Puigdemont, se a declaração de independência for revogada.
Ao optar pela votação secreta, o parlamento catalão dificulta a possibilidade de abertura de processo contra os deputados por insurreição. Os partidos de oposição, inclusive o PP e o Partido Socialista Catalão (PSC), boicotaram a votação.
Com a intervenção, o governo central espanhol vai afastar o governo regional, limitar os poderes do Parlament, proibindo-o de nomear um novo governo ou declarar a independência, assumir o controle das finanças e da polícia regional, e convocar eleições regionais antecipadas dentro de seis meses.
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
Decisão sobre independência divide governo da Catalunha
A tensão aumenta no governo regional da Catalunha dois dias antes da reunião do Senado para aprovar a intervenção do governo central e impedir a divisão do país. Enquanto o governador Carles Puigdemont está decidido a proclamar a independência unilateralmente se Madri aplicar o artigo 115 da Constituição da Espanha para suspender a autonomia da Catalunha, alguns conselheiros (secretários) ameaçam pedir demissão.
Até agora, o movimento pela independência tenta evitar um choque direto com o governo central, embora não pareça nenhum outro resultado de negociações que não a independência. O primeiro-ministro conservador espanhol, Mariano Rajoy, também não cede, alegando que o governo regional catalão violou a lei ao organizar um plebiscito sobre a independência à revelia da Constituição.
O conselheiro Santi Vila estaria prestes a renunciar, informou o jornal La Vanguardia, de Barcelona. Seus colegas Meritxell Borras, Carles Mundó e Toni Comín fariam a mesma ameaça, embora este último negue pelo Twitter.
Puigdemont fala amanhã em sessão de emergência do Parlament, o parlamento catalão. Pode colocar em votação a declaração de independência unilateral ou simplesmente proclamá-la antes do Senado espanhol aprovar a intervenção do governo central. A intervenção vai limitar os poderes do Parlament até a realização, dentro de seis meses, de eleições na Catalunha.
Outra possibilidade é a mesa diretora do parlamento catalão não colocar na ordem do dia desta quinta-feira a declaração de independência. O objetivo, no caso, da ala moderada do movimento pela independência é deixar Madri tomar a iniciativa política com a intervenção e a repressão. A dura resposta de Madri acabaria fortalecendo a luta pela independência. Uma declaração unilateral de independência justificaria a intervenção.
Até agora, o movimento pela independência tenta evitar um choque direto com o governo central, embora não pareça nenhum outro resultado de negociações que não a independência. O primeiro-ministro conservador espanhol, Mariano Rajoy, também não cede, alegando que o governo regional catalão violou a lei ao organizar um plebiscito sobre a independência à revelia da Constituição.
O conselheiro Santi Vila estaria prestes a renunciar, informou o jornal La Vanguardia, de Barcelona. Seus colegas Meritxell Borras, Carles Mundó e Toni Comín fariam a mesma ameaça, embora este último negue pelo Twitter.
Puigdemont fala amanhã em sessão de emergência do Parlament, o parlamento catalão. Pode colocar em votação a declaração de independência unilateral ou simplesmente proclamá-la antes do Senado espanhol aprovar a intervenção do governo central. A intervenção vai limitar os poderes do Parlament até a realização, dentro de seis meses, de eleições na Catalunha.
Outra possibilidade é a mesa diretora do parlamento catalão não colocar na ordem do dia desta quinta-feira a declaração de independência. O objetivo, no caso, da ala moderada do movimento pela independência é deixar Madri tomar a iniciativa política com a intervenção e a repressão. A dura resposta de Madri acabaria fortalecendo a luta pela independência. Uma declaração unilateral de independência justificaria a intervenção.
Marcadores:
autonomia regional,
Carles Mundó,
Carles Puigdemont,
Catalunha,
Espanha,
Independência,
intervenção,
Mariano Rajoy,
Meritxell Borras,
Parlament,
Santi Vila,
Toni Comín.
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
Intervenção na Catalunha vai focar na polícia e nas finanças
Se decidir suspender a autonomia regional e intervir para evitar a independência da Catalunha, o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, dará prioridade ao controle da polícia, los Mossos d'Esquadra, e das finanças da Generalitat, noticia hoje o jornal espanhol El País.
As primeiras medidas seriam aprovadas pelo governo espanhol nesta sexta-feira, dependendo da resposta do governador da Catalunha, Carles Puigdemont, se declarou ou não a independência. Como Puigdemont não deve responder nem sim nem não, a intervenção pode ser adiada.
O próximo passo seria a nomeação de um delegado do governo central para governar temporariamente a Catalunha, dissolver o govern e o Parlament, e convocar eleições gerais na província.
Até agora, nenhuma das partes dá sinal de ceder. Quando chegar a hora do diálogo, Rajoy poderá oferecer uma reforma do estatuto de autonomia para dar mais controle ao governo regional sobre suas finanças e infraestrutra.
O argumento econômico a favor da independência é que a Catalunha é a região mais próspera da Espanha depois de Castela, a região de Madri, e sofreu desnecessariamente com as políticas de austeridade adotadas para enfrentar a crise do euro desde 2011 pelo governo conservador de Rajoy.
Sem a Espanha, com a fuga de várias empresas e a necessidade de negociar a adesão à União Europeia a partir de zero, a economia da Catalunha, uma região com 7,5 milhões de habitantes e produto regional bruto de US$ 255 bilhões.
As primeiras medidas seriam aprovadas pelo governo espanhol nesta sexta-feira, dependendo da resposta do governador da Catalunha, Carles Puigdemont, se declarou ou não a independência. Como Puigdemont não deve responder nem sim nem não, a intervenção pode ser adiada.
O próximo passo seria a nomeação de um delegado do governo central para governar temporariamente a Catalunha, dissolver o govern e o Parlament, e convocar eleições gerais na província.
Até agora, nenhuma das partes dá sinal de ceder. Quando chegar a hora do diálogo, Rajoy poderá oferecer uma reforma do estatuto de autonomia para dar mais controle ao governo regional sobre suas finanças e infraestrutra.
O argumento econômico a favor da independência é que a Catalunha é a região mais próspera da Espanha depois de Castela, a região de Madri, e sofreu desnecessariamente com as políticas de austeridade adotadas para enfrentar a crise do euro desde 2011 pelo governo conservador de Rajoy.
Sem a Espanha, com a fuga de várias empresas e a necessidade de negociar a adesão à União Europeia a partir de zero, a economia da Catalunha, uma região com 7,5 milhões de habitantes e produto regional bruto de US$ 255 bilhões.
quarta-feira, 15 de março de 2017
Somália tem primeiro grande caso de pirataria em cinco anos
Um navio petroleiro com oito tripulantes do Sri Lanka, o antigo Ceilão, foi tomado por piratas na costa da Somália. É o primeiro sequestro de um grande navio na região do Chifre da África desde 2012.
O navio-tanque Aris 13 foi interceptado quando ia de Djibouti para Mogadíscio, a capital da Somália, e levado para o porto de Alula, na região da Puntlândia, no Nordeste do país, que proclamou autonomia em 1998.
A Somália vive em estado de anarquia desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991. O governo reconhecido internacionalmente não controla todo o território. No Norte, a Somalilândia, a antiga Somália Britânica, tornou-se independente na prática.
Na segunda-feira, o Aris 13 avisou que lanchas se aproximavam do navio em alta velocidade. O chefe das operações antipirataria da Puntlândia, Abdirissak Mohamed Dirir, negou o envolvimento de soldados do governo no sequestro, atribuindo-o a "piratas somalianos".
"As autoridades locais confirmam que piratas estão retendo um navio e sua tripulação contra sua vontade", declarou o ex-coronel do Exército Real britânico John Steed, hoje gerente regional no Chifre da África do programa antipirataria Oceanos Além da Pirataria, com sede no estado do Colorado, nos Estados Unidos.
O governo do Sri Lanka protestou: "Embora o navio envolvido não esteja registrado com a bandeira do Sri Lanka, tem oito tripulantes srilanqueses", declarou em nota o Ministério do Exterior. "O Ministério continua em contato com os agentes de navegação, as autoridades envolvidas e as missões diplomáticas do Sri Lanka no exterior para obter mais informações e garantir a segurança e o bem-estar da tripulação srilanquesa."
Em Nairóbi, o embaixador do Sri Lanka na Etiópia, Chulpathmendra Dahanayake, pediu às Nações Unidas e à Somália que "investiguem a matéria e nos deem uma resposta. Se for verdade, provavelmente vamos pedir uma intervenção militar dos EUA com mão pesada para libertar os reféns."
No ano passado, um relatório da ONU constatou que o número de sequestros cometidos por piratas somalianos caiu de 237 em 2011 para 15 em 2016 e 2017. "O progresso na construção de um Estado federal na Somália, combinado com um esforço naval coletivo internacional e as políticas antipirataria dos governos regionais, como o da Puntlândia, contribuíram para a redução dos refúgios em terra para piratas ao longo da costa da Somália."
Houve avanços, mas o relatório advertiu: "Tais progressos continuam frágeis e reversíveis. Informes com credibilidade indicam que os piratas somalianos têm a intenção e a capacidade de recomeçar os ataques contra grandes navios comerciais, se aparecerem oportunidades, e ameaçar pequenas embarcações.
"A incerteza política na região central da Somália, acoplada ao fim do mandato da força naval internacional estacionada perto da costa, tem o potencial de criar um vácuo de segurança capaz de deflagrar o ressurgimento da pirataria. A solução definitiva para o problema da pirataria na costa da Somália está num futuro seguro e estável para o país", concluiu a ONU.
O navio-tanque Aris 13 foi interceptado quando ia de Djibouti para Mogadíscio, a capital da Somália, e levado para o porto de Alula, na região da Puntlândia, no Nordeste do país, que proclamou autonomia em 1998.
A Somália vive em estado de anarquia desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991. O governo reconhecido internacionalmente não controla todo o território. No Norte, a Somalilândia, a antiga Somália Britânica, tornou-se independente na prática.
Na segunda-feira, o Aris 13 avisou que lanchas se aproximavam do navio em alta velocidade. O chefe das operações antipirataria da Puntlândia, Abdirissak Mohamed Dirir, negou o envolvimento de soldados do governo no sequestro, atribuindo-o a "piratas somalianos".
"As autoridades locais confirmam que piratas estão retendo um navio e sua tripulação contra sua vontade", declarou o ex-coronel do Exército Real britânico John Steed, hoje gerente regional no Chifre da África do programa antipirataria Oceanos Além da Pirataria, com sede no estado do Colorado, nos Estados Unidos.
O governo do Sri Lanka protestou: "Embora o navio envolvido não esteja registrado com a bandeira do Sri Lanka, tem oito tripulantes srilanqueses", declarou em nota o Ministério do Exterior. "O Ministério continua em contato com os agentes de navegação, as autoridades envolvidas e as missões diplomáticas do Sri Lanka no exterior para obter mais informações e garantir a segurança e o bem-estar da tripulação srilanquesa."
Em Nairóbi, o embaixador do Sri Lanka na Etiópia, Chulpathmendra Dahanayake, pediu às Nações Unidas e à Somália que "investiguem a matéria e nos deem uma resposta. Se for verdade, provavelmente vamos pedir uma intervenção militar dos EUA com mão pesada para libertar os reféns."
No ano passado, um relatório da ONU constatou que o número de sequestros cometidos por piratas somalianos caiu de 237 em 2011 para 15 em 2016 e 2017. "O progresso na construção de um Estado federal na Somália, combinado com um esforço naval coletivo internacional e as políticas antipirataria dos governos regionais, como o da Puntlândia, contribuíram para a redução dos refúgios em terra para piratas ao longo da costa da Somália."
Houve avanços, mas o relatório advertiu: "Tais progressos continuam frágeis e reversíveis. Informes com credibilidade indicam que os piratas somalianos têm a intenção e a capacidade de recomeçar os ataques contra grandes navios comerciais, se aparecerem oportunidades, e ameaçar pequenas embarcações.
"A incerteza política na região central da Somália, acoplada ao fim do mandato da força naval internacional estacionada perto da costa, tem o potencial de criar um vácuo de segurança capaz de deflagrar o ressurgimento da pirataria. A solução definitiva para o problema da pirataria na costa da Somália está num futuro seguro e estável para o país", concluiu a ONU.
Marcadores:
África,
Anarquia,
Aris 13,
Chifre da África,
EUA,
intervenção,
ONU,
Pirataria,
Puntlândia,
Somália,
somalianos,
Sri Lanka,
srilanqueses
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
Moeda da Rússia cai a mais de 80 por dólar
A cotação da moeda da Rússia registrou hoje um novo recorde de baixa, com o dólar sendo vendido a mais de 80 rublos, noticiou hoje a Agência France Presse (AFP). Um assessor do presidente Vladimir Putin afirmou que o Banco Central tomará medidas para sustentar a moeda nacional.
O BC russo usaria as reservas cambias em moedas fortes, estimadas em US$ 320 bilhões no fim de 2015, para estabilizar o mercado de câmbio, acrescentou o assessor, esclarecendo que cabe o banco decidir como fazer isso para não "desperdiçar reservas".
Do início de 2014 a meados de 2015, o governo russo injetou US$ 144 bilhões das reservas do país na Bolsa de Valores de Moscou e nos mercados de câmbio sem conseguir conter a crise, causada principalmente pela queda nos preços internacionais do petróleo e as sanções internacionais contra a intervenção militar da Rússia na ex-república soviética da Ucrânia.
O BC russo usaria as reservas cambias em moedas fortes, estimadas em US$ 320 bilhões no fim de 2015, para estabilizar o mercado de câmbio, acrescentou o assessor, esclarecendo que cabe o banco decidir como fazer isso para não "desperdiçar reservas".
Do início de 2014 a meados de 2015, o governo russo injetou US$ 144 bilhões das reservas do país na Bolsa de Valores de Moscou e nos mercados de câmbio sem conseguir conter a crise, causada principalmente pela queda nos preços internacionais do petróleo e as sanções internacionais contra a intervenção militar da Rússia na ex-república soviética da Ucrânia.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Banco central chinês intervém para conter queda do iuane em 2%
O Banco Popular da China entrou hoje no mercado de câmbio para manter a desvalorização da moeda dentro do limite de 2% adotado pelas autoridades monetárias do país.
No fechamento, o iuane foi cotado a 6,45 por dólar, o menor valor em quatro anos, com queda de 1,6%. Em dois dias, caiu 3,5% diante do dólar, mas hoje subiu em relação ao euro.
Ao anunciar a desvalorização, na terça-feira, o banco central chinês prometeu passar a orientar a flutuação da moeda de acordo com a tendência do mercado. A medida levou o mercado a vendar mais iuanes.
Sob orientação do BPC, conhecido popularmente como Mãezona, os bancos estatais passaram a vender dólares para conter a queda dentro da banda de flutuação adotada oficialmente. Se a moeda chinesa cair muito, pode haver uma fuga de capitais dificultando o pagamento de dívidas em dólar por empresas.
A desvalorização do iuane também deve aumentar a pressão dos Estados Unidos, onde a China é acusada de manter a moeda articialmente subvalorizada para aumentar a competitividade das exportações.
Toda a engenharia financeira do milagre econômico chinês foi baseada em moeda fraca, juros baixos e mão de obra barata para atrair capital estrangeiro.
A desvalorização competitiva, em meio a uma desaceleração do crescimento e à tentativa de passar de uma economia baseada em investimento para uma baseada em consumo, significa que o Partido Comunista ainda confia nas exportações para manter a estabilidade econômica, política e social.
No fechamento, o iuane foi cotado a 6,45 por dólar, o menor valor em quatro anos, com queda de 1,6%. Em dois dias, caiu 3,5% diante do dólar, mas hoje subiu em relação ao euro.
Ao anunciar a desvalorização, na terça-feira, o banco central chinês prometeu passar a orientar a flutuação da moeda de acordo com a tendência do mercado. A medida levou o mercado a vendar mais iuanes.
Sob orientação do BPC, conhecido popularmente como Mãezona, os bancos estatais passaram a vender dólares para conter a queda dentro da banda de flutuação adotada oficialmente. Se a moeda chinesa cair muito, pode haver uma fuga de capitais dificultando o pagamento de dívidas em dólar por empresas.
A desvalorização do iuane também deve aumentar a pressão dos Estados Unidos, onde a China é acusada de manter a moeda articialmente subvalorizada para aumentar a competitividade das exportações.
Toda a engenharia financeira do milagre econômico chinês foi baseada em moeda fraca, juros baixos e mão de obra barata para atrair capital estrangeiro.
A desvalorização competitiva, em meio a uma desaceleração do crescimento e à tentativa de passar de uma economia baseada em investimento para uma baseada em consumo, significa que o Partido Comunista ainda confia nas exportações para manter a estabilidade econômica, política e social.
Assinar:
Postagens (Atom)