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domingo, 28 de abril de 2019

Socialistas vencem eleições na Espanha

Dois anos depois de ser destituído da liderança do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de voltar numa eleição primária e de chegar ao poder numa moção de desconfiança, o primeiro-ministro Pedro Sánchez foi o grande vencedor das eleições gerais deste domingo na Espanha. 

Com 99,98% dos votos apurados, o PSOE elegeu 123 (28,7%) dos 350 membros do Congresso dos Deputados. Mas vai precisar fazer alianças para governar. Sua parceira natural, a frente de esquerda Unidos Podemos, conquistou 42 cadeiras. A soma dá 165.

Nas terceiras eleições gerais em quatro anos, a participação foi de 75%. O grande derrotado foi 0 Partido Popular (PP), conservador, que caiu de 135 para 66 deputados (16,7%), no pior desempenho de sua história. Os Cidadãos, de centro-direita, elegeram 58 deputados (15,8%).

A grande novidade foi a volta da extrema direita ao Parlamento da Espanha depois do fim da ditadura do generalíssimo Francisco Franco Bahamonde, em 1975. O partido Vox, que no ano passado entrara no parlamento regional da Andaluzia, elegeu agora 24 deputados nacionais (10,3%).

Em seguida, vieram partidos regionais como a Esquerda Revolucionária da Catalunha (ERC). Com 15 deputados, a ERC é agora o maior partido independentista catalão, à frente dos Juntos pela Catalunha, que ficaram com sete cadeiras.

O Partido Nacionalista Basco (PNV), de centro-direita, a favor da independência do País Basco mas contra a violência da ETA (Euskadi Ta Askatasuna), também elegeu sete deputados.

Com a derrota da direita, Sánchez é o único em condições de formar um governo de maioria. "Com Rivera, não! Com Rivera, não", gritavam os militantes do PSOE, rejeitando uma aliança com os Cidadãos, liderados por Albert Rivera. O próprio Rivera descartou esta possibilidade.

Uma aliança entre o PSOE e Unidos Podemos teria 165 deputados, 11 a menos do que a maioria absoluta. A direita somada chegaria a 148, com PP, Cidadãos e Vox.

Sánchez chegou ao poder em 2 de junho de 2018 depois de derrubar o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy com um voto de desconfiança, com o apoio dos partidos a favor da independência da Catalunha. Foi obrigado a convocar eleições antecipadas quando perdeu o apoio dos catalães, que exigem a realização de um plebiscito sobre a independência. Isso dificulta qualquer acordo.

Desde a redemocratização, o PSOE e o PP se alternavam no poder. A Grande Recessão (2008-14) explodiu a bolha imobiliária. O sistema bancário espanhol estava quebrado. Em 2012, a Espanha pediu 100 bilhões de euros ao Mecanismo Europeu de Estabilidade. O desemprego chegou a 27% no primeiro trimestre e passou de 55% entre os jovens.

A pior crise da era pós-Franco fragmentou o sistema político espanhol. Surgiram dois novos partidos, Podemos à esquerda e Cidadãos, de centro-direita. Com a reação conservadora ao movimento pela independência da Catalunha somada à crise econômica, a extrema direita está de volta ao Parlamento.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Cidadãos e ERC lideram pesquisas eleitorais na Catalunha

O partido liberal de centro-direita Cidadãos, do bloco a favor da união com a Espanha, e a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), do lado independentista, devem ser os mais votados nas eleições regionais desta quinta-feira, 21 de dezembro de 2017. Como nenhum dos dois lados tem maioria, a decisão vai caber a um milhão de indecisos.

As eleições foram convocadas pelo primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, dentro da intervenção do governo central. Madri suspendeu a autonomia regional para impedir a independência catalã. O resultado tende a refletir a profunda divisão da Catalunha e não acabar com o impasse político

No passado, especialmente nos anos 1980s e 1990s, havia na prática um bipartidarismo na Catalunha em que as maiores agremiações políticas eram o Partido Socialista da Catalunha (PSC), contrário à independência e a Convergência e União (CiU), rebatizada como Partido Democrata Europeu Catalão (PDeCat) e agora como Juntos pela Catalunha. Eles costumavam ter juntos cerca de 75% dos votos.

Agora, as pesquisas indicam que os Cidadãos e a ERC, juntos, não chegarão a 50% dos votos. Assim, nenhum partido terá maioria absoluta no Parlament. De acordo com as últimas pesquisas, o ERC terá 23% dos votos, os Cidadãos 22%; Juntos pela Catalunha, 17%, e o PSC, 15,3%. Bem atrás, estão a aliança Catalunha em Comum-Podemos 7,9%, a Candidatura da Unidade Popular (CUP) 6,2% e o Partido Popular da Catalunha (PPC).

Os partidos lutaram até o fim pelas últimas cadeiras. A média das pesquisas dá 67 cadeiras, uma abaixo da maioria, para os partidos a favor da independência, ERC, Juntos pela Catalunha e a CUP, este último de extrema esquerda.

O líder nacional dos Cidadãos, Albert Rivera, fez um apelo ao voto útil, por acreditar que a decisão será por poucos votos: "Se votam no PSC, não sabe onde vai seu voto. Um voto nos Cidadãos vai parar o processo" de independência.

Por outro lado, o ex-secretário regional Carles Mundó declarou que "é importante que o ERC lidere o govern. Não é um partido improvisado há quatro dias, é um partido com história." Juntos pela Catalunha se constituiu como partido político uma semana antes do início da campanha eleitoral.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Espanha fará terceiras eleições gerais num ano

O primeiro-ministro interino Mariano Rajoy fracassou hoje pela segunda vez na tentativa de obter aprovação do Parlamento da Espanha para formar um novo governo depois das últimas eleições legislativas. Assim, a Espanha deverá realizar suas terceiras eleições num ano, provavelmente em dezembro.

Por 180 a 170 votos, mesmo resultado da votação anterior, um Parlamento dividido frustrou mais uma vez a tentativa do primeiro-ministro conservador de se manter no poder, onde chegou em 2011 em meio à crise da periferia da Zona do Euro, que derrubou o primeiro-ministro socialista José Luis Rodríguez Zapatero.

A crise desmoralizou os partidos tradicionais, o Partido Popular, de Rajoy, e o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que se alternavam no poder em Madri desde a consolidação da remocratização da Espanha, em 1982.

Com desemprego acima de 25% e de 55% entre os jovens, o movimento dos indignados levou ao nascimento de dois novos partidos: Podemos, de esquerda, antiliberal, anticapitalista e antiglobalização; e Cidadãos, liberal, de centro direita.

Nesta nova realidade política, duas eleições levaram a parlamentos fragmentados, onde nenhum partido conseguiu formar um coligação majoritária. O líder do PSOE, Pedro Sánchez, se nega a formar uma grande coalizão com o PP. Uma aliança PSOE-Podemos-Cidadãos teria maioria, mas o líder do Podemos, Pablo Iglesias, recusa qualquer acordo com Cidadãos, de Alberto Rivera. Nem PP-Cidadãos nem PSOE-Podemos formam maiorias.

Nada indica que as próximas eleições rompam o impasse. Só resta à Espanha continuar votando.

domingo, 26 de junho de 2016

PP vence eleições na Espanha sem maioria absoluta

Como em dezembro do ano passado, o conservador Partido Popular (PP) foi o partido mais votado hoje nas eleições parlamentares da Espanha. Com 97% dos votos apurados, o PP do primeiro-ministro Mariano Rajoy elege 137 deputados, abaixo dos 176 necessários para a maioria absoluta no Congresso dos Deputados. 

Até a apuração de 90% das urnas, estava em segundo lugar coligação Unidos Podemos, do novo partido de esquerda Podemos com a Esquerda Unida, que incluiu o Partido Comunista e outros pequenos grupos de esquerda.

Na reta final, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de centro-esquerda, ultrapassou a coalizão Unidos Podemos. O PSOE terá 85 deputados e coalizão Unidos Podemos 71. O novo partido de centro-direita Cidadãos caiu de 40 para 32 deputados.

"Os resultados não são satisfatórios para nós. Esperávemos outros números", declarou Pablo Iglesias, líder do Podemos, nascido do movimento dos indignados com a crise econômica da Espanha e da Zona do Euro. Ele espera ser possível "formar um governo progressista".

Depois das eleições anteriores, o líder socialista, Pedro Sánchez rejeitou a proposta do primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy para formar uma grande aliança entre os dois partidos tradicionais que se alternam no poder em Madri desde 1982. Sánchez tentou formar aliança com os novos partidos, mas Iglesias recusou qualquer acordo com Albert Rivera, dos Cidadãos.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Rei dissolve Parlamento e convoca eleições na Espanha

O rei Felipe VI dissolveu hoje o Parlamento e convocou novas eleições gerais na Espanha para 26 de junho de 2016 depois que os deputados eleitos em dezembro de 2015 não conseguiram formar um novo governo. Estarão em jogo as 350 cadeiras da Câmara e 208 das 226 cadeiras do Senado.

De acordo com a Constituição da Espanha, são necessários 54 dias entre a dissolução das Cortes Gerais e as eleições. Até o momento, não há nenhuma indicação de que o resultado em junho será muito diferente.

A crise provocada pela incapacidade financeira do governo de socorrer o setor bancário espanhol, atingido pela crise financeira internacional, elevou o desemprego no país a 25% e a mais de 50% entre os jovens. Foi a pior crise enfrentada pelos espanhóis desde a morte do generalíssimo Francisco Franco e do fim da ditadura, em 1975.

Com a insatisfação popular e o movimento dos Indignados, houve o desgaste dos tradicionais Partido Popular, conservador pós-franquista, e Partido Socialista Operário Espanhol. Nasceram dois novos partidos, Podemos, de esquerda radical, e Cidadãos, liberal de centro-direita.

Em dezembro do ano passado, foi eleito o Parlamento mais fragmentado desde a redemocratização PP do primeiro-ministro Mariano Rajoy, no poder desde 2011, caiu de 45% para 28,7% dos votos, perdeu 64 deputados e elegeu 123, ficando sem a maioria absoluta que lhe permitia governar sozinho.

Sob a liderança de Pedro Sánchez, o PSOE foi o segundo partido mais votado, mas caiu de 28,8% para 20% da votação. A bancada diminuiu de 110 para 90 e Sánchez se negou a formar uma grande aliança entre direita e esquerda com Rajoy. Tentou se tornar primeiro-ministro em aliança com os novos partidos.

A nova esquerda do Podemos, inspirado pela Coligação de Esquerda Radical (Syriza) da Grécia e financiado pelo regime chavista da Venezuela, estreou levando 20,7% dos votos e 69 cadeiras, mas seu líder Pablo Iglesias se negou a fazer aliança com os Cidadãos, de Albert Rivera, que elegeram 40 deputados com 13,9% dos votos, minando o sonho de poder de Sánchez.

Como quase nada mudou mudou, a economia está crescendo mas o desemprego ainda está em 20,7%, a expectativa é de um resultado parecido. Podemos está tentando consolidar alianças com pequenos partidos de esquerda.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

PP lidera na reta final da campanha eleitoral na Espanha

A seis dias das eleições parlamentares na Espanha, o governante Partido Popular, de direita, lidera as pesquisas com 25,3%, seguido pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) com 21% e pelos novos partidos de esquerda Podemos (19,1%) e de centro Cidadãos (18,2%), noticia hoje o jornal espanhol El País.

Depois da pior crise econômica desde a redemocratização da Espanha, em que o desemprego atingiu um quarto da população ativa, estas eleições marcam o fim do bipartidarismo. A partir da eleição do socialista Felipe González, em 1982, PSOE e PP se alternaram no poder. Agora, terão de formar coligações para governar com os novos partidos nascidos da crise.

Com base nos números da pesquisa do instituto Metroscopia, o PP deve eleger 109 dos 350 deputados, ficando bem abaixo da maioria simples, de 176 cadeiras. O PSOE teria 90, Podemos e Cidadãos 60 deputados cada e a Esquerda Unida, dois parlamentares.

Em relação à sondagem anterior, o PP se consolida em primeiro lugar, mesmo com o primeiro-ministro Mariano Rajoy fugindo dos debates. O PSOE, liderado por Pedro Sánchez, caiu um pouco. Podemos, liderado por Pablo Iglesias, avançou dois pontos e Cidadãos, liderado por Albert Rivera, caiu quatro pontos.

Com tanto em jogo, a expectativa é de uma taxa de abstenção em torno de 20%.