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segunda-feira, 24 de julho de 2023

Extrema direita é grande perdedora nas eleições na Espanha

Com um desempenho abaixo do esperado, a extrema direita ficou sem condições de formar um governo de maioria com o conservador Partido Popular (PP) depois das eleições gerais de ontem na Espanha. 

Líder do partido mais votado, Alberto Núñez Feijóo, do PP, tem prioridade para formar o novo governo. Se não conseguir, o atual primeiro-ministro socialista, Pedro Sánchez, poderá continuar governando com apoio de partidos autonomistas que jamais farão acordo com a ultradireita.

Caso nenhum dos dois consiga os apoios necessários para governar, a Espanha poderá ser forçada a realizar novas eleições. Desde que a Crise do Euro (2008-14) desarticulou o sistema político espanhol, o país fez cinco eleições gerais.

Para o ex-primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, as eleições na Espanha são muito importantes na luta contra o ascensão do neofascismo na Europa. Meu comentário:

domingo, 10 de novembro de 2019

Novas eleições mantêm impasse político na Espanha

O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), do primeiro-ministro Pedro Sánchez, venceu as eleições deste domingo na Espanha com 28% dos votos, mas perdeu três cadeiras. Terá 120 deputados no Congresso dos Deputados, de 350 cadeiras, muito abaixo da maioria absoluta. Isto mantém a dificuldade de formar um novo governo. 

O Partido Popular, conservador, conquistou 20,8% cresceu de 66 para 88 cadeiras. A grande novidade foi o avanço do partido Vox, de extrema direita. Com 15%, sua bancada passou de 24 para 52 deputados. É o terceiro maior da Espanha. Sua ascensão é atribuída à crise econômica e ao movimento pela independência da Catalunha.

Dois partidos nascidos durante a Grande Recessão, que na Espanha foi de 2008 a 2014 e deixou mais de 25% dos trabalhadores sem emprego, tiveram mau desempenho desta vez.

O Podemos agora faz parte da coalizão Unidas Podemos com o Partido Comunista e outros grupos de esquerda tradicional, da antiga Esquerda Unida. A aliança teve 12,8% dos votos e elegeu 35 deputados. Perdeu sete cadeiras.

A maior queda foi dos Cidadãos, de centro-direita. Com apenas 6,8% dos votos, perdeu 47 cadeiras, elegendo apenas 10 deputados.

Foram as quartas eleições em quatro anos, todas inconclusivas, incapazes de levar à formação de um governo estável na Espanha. Desta vez, houve um colapso do centro e uma ascensão da direita, insuficiente para formar uma coalizão direitista como as que governam a Andaluzia e Madri.

Um bloco de centro-esquerda teria 160 deputados contra 150 para um bloco de direita. O líder do PP, Pablo Casado, pediu a renúncia do primeiro-ministro Sánchez, alegando que "perdeu seu referendo e foi o grande derrotado de hoje".

Depois das eleições de abril, Sánchez negociou longamente com Pablo Iglesias, da coalizão Unidas Podemos, sem chegar a um acordo. As conversas acabaram em 24 de julho, quando Iglesias rejeitou a oferta de um cargo de vice-primeiro-ministro e três ministérios. Nunca foram retomadas.

Assim, não existe a menor garantia de que a Espanha tenha um governo de coalizão de esquerda, o que não acontece desde a Guerra Civil (1936-39), mesmo que seja minoritário.

Na Catalunha, os grupos nacionalistas mais radicais avançaram, mas os partidos secessionistas estão longe dos 50% dos votos de que precisam para vencer um possível plebiscito sobre a independência.

domingo, 28 de abril de 2019

Socialistas vencem eleições na Espanha

Dois anos depois de ser destituído da liderança do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de voltar numa eleição primária e de chegar ao poder numa moção de desconfiança, o primeiro-ministro Pedro Sánchez foi o grande vencedor das eleições gerais deste domingo na Espanha. 

Com 99,98% dos votos apurados, o PSOE elegeu 123 (28,7%) dos 350 membros do Congresso dos Deputados. Mas vai precisar fazer alianças para governar. Sua parceira natural, a frente de esquerda Unidos Podemos, conquistou 42 cadeiras. A soma dá 165.

Nas terceiras eleições gerais em quatro anos, a participação foi de 75%. O grande derrotado foi 0 Partido Popular (PP), conservador, que caiu de 135 para 66 deputados (16,7%), no pior desempenho de sua história. Os Cidadãos, de centro-direita, elegeram 58 deputados (15,8%).

A grande novidade foi a volta da extrema direita ao Parlamento da Espanha depois do fim da ditadura do generalíssimo Francisco Franco Bahamonde, em 1975. O partido Vox, que no ano passado entrara no parlamento regional da Andaluzia, elegeu agora 24 deputados nacionais (10,3%).

Em seguida, vieram partidos regionais como a Esquerda Revolucionária da Catalunha (ERC). Com 15 deputados, a ERC é agora o maior partido independentista catalão, à frente dos Juntos pela Catalunha, que ficaram com sete cadeiras.

O Partido Nacionalista Basco (PNV), de centro-direita, a favor da independência do País Basco mas contra a violência da ETA (Euskadi Ta Askatasuna), também elegeu sete deputados.

Com a derrota da direita, Sánchez é o único em condições de formar um governo de maioria. "Com Rivera, não! Com Rivera, não", gritavam os militantes do PSOE, rejeitando uma aliança com os Cidadãos, liderados por Albert Rivera. O próprio Rivera descartou esta possibilidade.

Uma aliança entre o PSOE e Unidos Podemos teria 165 deputados, 11 a menos do que a maioria absoluta. A direita somada chegaria a 148, com PP, Cidadãos e Vox.

Sánchez chegou ao poder em 2 de junho de 2018 depois de derrubar o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy com um voto de desconfiança, com o apoio dos partidos a favor da independência da Catalunha. Foi obrigado a convocar eleições antecipadas quando perdeu o apoio dos catalães, que exigem a realização de um plebiscito sobre a independência. Isso dificulta qualquer acordo.

Desde a redemocratização, o PSOE e o PP se alternavam no poder. A Grande Recessão (2008-14) explodiu a bolha imobiliária. O sistema bancário espanhol estava quebrado. Em 2012, a Espanha pediu 100 bilhões de euros ao Mecanismo Europeu de Estabilidade. O desemprego chegou a 27% no primeiro trimestre e passou de 55% entre os jovens.

A pior crise da era pós-Franco fragmentou o sistema político espanhol. Surgiram dois novos partidos, Podemos à esquerda e Cidadãos, de centro-direita. Com a reação conservadora ao movimento pela independência da Catalunha somada à crise econômica, a extrema direita está de volta ao Parlamento.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Espanha convoca eleições antecipadas para 28 de abril

Dois dias depois de sua proposta de orçamento ser rejeitada pelo Parlamento da Espanha, o primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez convocou hoje eleições gerais antecipadas par 28 de abril, noticiou o jornal espanhol El País.

Nas duas últimas eleições, o resultado foi um Parlamento fragmentado pelo surgimento de novos partidos em consequência da Grande Recessão (2008-14), Podemos, de esquerda, e Cidadãos, de centro-direita.

Acabou com o duopólio do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e do conservador Partido Popular (PP), que se alternavam no poder desde 1982 com maioria no Congresso dos Deputados, de 350 cadeiras.

Nas eleições regionais na Andaluzia, em 2 de dezembro de 2018, pela primeira vez desde o fim da ditadura do generalíssimo Francisco Franco, em 1975, a ultradireita voltou a um parlamento regional. O partido Vox ficou em quinto lugar, mas foi o fiel da balança para a formação de um governo de direita. O mesmo pode acontecer a nível nacional.

A ascensão da extrema direita, a exemplo do que acontece na maioria dos países da Europa, é atribuída, no caso da Espanha, à crise econômica, à onda de imigração da África e do Oriente Médio, e ao movimento pela independência da Catalunha.

O movimento nacionalista catalão apoiou Sánchez para derrubar, através de uma moção de desconfiança no Congresso. em junho de 2018, o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy, que adotara uma política intransigente, de linha dura contra os separatistas.

Sánchez, autor da moção de desconfiança, formou um governo de minoria sem convocar eleições. Dependia do apoio de outros partidos, inclusive do movimento nacionalista catalão.

Agora, quando começam no Tribunal Supremo da Espanha os processos contra os líderes separatistas, os partidos catalães votaram contra a proposta orçamentária dos socialistas para derrubar o governo e provocar a antecipação das eleições.

As pesquisas colocam o PSOE em primeiro lugar, com 24% das preferências do eleitorado, mas é mais provável a formação de um governo conservador com PP (21%), Cidadãos (18%) e Vox (11%).
Eles somam 50% contra 39% da esquerda.

Unidos Podemos (UP), o partido formado pela fusão do Podemos com a Esquerda Unida, possível parceiro dos socialistas num governo de esquerda, está com 15%.

Um governo de direita deve manter a linha dura contra o movimento pela independência da Catalunha, levando a questão para a Justiça, onde seus líderes são acusados de traição. A esquerda buscaria um diálogo.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Extrema direita apoia governo regional da Andaluzia

O partido Vox, ultranacionalista, eurocético e anti-imigrantes, anunciou hoje apoio ao novo governo conservador da região da Andaluzia, na Espanha, formado pelo Partido Popular e os Cidadãos, que precisa ser confirmado pela assembleia regional na próxima semana.

Mesmo ficando em quinto lugar nas eleições regionais de 2 de dezembro de 2018, Vox entrou pela primeira vez na assembleia regional andaluza e se tornou o fiel da balança por causa da fragmentação do sistema político espanhol depois da crise econômica de 2011.

Mas depois de fazer um acordo de 37 pontos com o PP para endossar a candidatura de seu líder, Juan Manuel Moreno, Vox entrou em atrito come Cidadãos, e acusou seu líder nacional, Albert Rivera, de "manobrar para diluir" a proposta de criação de uma Secretaria da Família.

Pela manhã, o líder regional dos Cidadãos, Juan Marín, declarou que, "em nosso pacto programático, não se contempla uma Secretaria da Família independente", respondendo a Javier Ortega, secretário do Vox.

"Cidadãos quer integrar esta pasta em Igualdade. Isso é não entender das coisas nem do jogo democrático. A prepotência de Cidadãos não cabe no jogo democrático", protestou Ortega. A criação da Secretaria de Políticas Sociais, Igualdade, Conciliação e Família é uma proposta dos Cidadãos.

O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) foi o mais votado, mas perdeu a maioria necessária para governar a Andaluzia. Mesmo numa aliança com a Esquerda Unida, não teria o controle do parlamento. A ex-governadora socialista, Susana Díaz, será líder da oposição.

A ultradireita não vai participar do governo andaluz, mas seu apoio será decisivo para aprovar o novo governo regional direitista. Com a fragmentação política do país, Vox pode integrar um governo conservador nacional depois das próximas eleições gerais, podem ser antecipadas porque o primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez lidera um governo de minoria.

A ascensão do Vox é resultado da crise econômica, da onda migratória no Mar Mediterrâneo, que no ano passado chegou mais à Espanha, e do movimento pela independência da Catalunha. Seu programa defende o fim das autonomias regionais e o fortalecimento do governo central, em Madri.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Extrema direita ressurge na política da Espanha

O ultranacionalismo de caráter neofascista que assombra a Europa chegou à Espanha. Pela primeira vez desde a morte do ditador Francisco Franco, em 1975, e da redemocratização do país, um partido de extrema direita entra numa assembleia regional. Com 11% dos votos, o partido Vox elegeu 12 deputados na região da Andaluzia.

Vox será o quinto partido na assembleia regional, de 109 cadeiras, atrás do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), do primeiro-ministro Pedro Sánchez, de centro-esquerda, que elegeu 33 deputados; do conservador Partido Popular (PP), de direita, com 26 cadeiras; do liberal de centro-direita Cidadãos, com 21 deputados; e da aliança esquerdista Avante Andaluzia, formada pelo Podemos e a Esquerda Unida, com 17.

Apesar da derrota, a governadora socialista Susana Díaz pretende formar o novo governo. Para isso, terá de formar uma ampla aliança com o AA e os Cidadãos. Mas o PP e os Cidadãos, que apoiavam o governo nacional do ex-primeiro-ministro Mariano Rajoy, estão dispostos a se aliar ao Vox para derrubar o PSOE, noticiou o jornal El País.

Juan Manuel Moreno, do PP, e Juan Marín, dos Cidadãos, precisam formar uma aliança para afastar Susana Díaz. Até agora, nenhum dos dois quer abrir mão da chefia do governo.

Os Cidadãos não pretendem apoiar o PSOE. Seu líder nacional, Albert Rivera, não repudiou a entrada no parlamento regional do Vox, liderado por Santiago Abascal, mas na política europeia seu partido faz parte da Aliança Liberal. Tem como sócio o presidente da França, Emmanuel Macron, e sua República em Marcha, que com certeza deve rejeitar uma aliança com a extrema direita.

Susana Díaz se aproveitou da situação para se apresentar como um freio à ascensão ao poder dos ultranacionalistas: "Não imagino Macron aceitando a extrema direita." Em seu raciocínio oportunista, "se eliminamos os 12 deputados de Vox, a esquerda teria ganho. Está em suas mãos parar a direita, mas se o que lhes importa é o poder a qualquer custo, ao custo de apoiar a extrema direita, vão em frente."

Se apoiarem o PSOE, os Cidadãos correm o risco de perder os eleitores que deixaram o PP nas últimas eleições nacionais. O PSOE e do PP se alternam no poder desde 1982, mas desde 2015 não conseguem maioria absoluta.

A ascensão da ultradireita é um reflexo da fragmentação da política espanhola depois da grave crise econômica de 2011 e uma reação ao movimento da independência da Catalunha e ao aumento do fluxo de refugiados.

Para conter o separatismo basco e catalão, Vox defende um regime centralizado, em que o governo nacional de Madri assuma o controle da educação, da saúde e da segurança pública. Quer reduzir a entrada de imigrantes, deportar os ilegais e combater as organizações não governamentais a favor da acolher refugiados que chegam da África e do Oriente Médio pelo Mar Mediterrâneo.

É contra a proposta de transformar a União Europeia numa federação. Defende a Europa das Nações. É contra o Acordo de Schengen, que aboliu o controle nas fronteiras internas da UE. Mas, ao contrário dos partidos de extrema direita da França, Reunião Nacional (antiga Frente Nacional), e da Holanda, Partido da Liberdade, abandonar o euro e a UE não estão entre suas prioridades. Seu foco é na política interna espanhola.

A Andaluzia é a região mais populosa e mais pobre da Espanha e uma das mais pobres da Europa. Suas eleições são uma prévia das próximas eleições gerais no país. Como o governo socialista de Pedro Sánchez não tem minoria no Parlamento, as eleições nacionais podem ser realizadas antes do fim do mandato do atual Congresso de Deputados, em 2020.

O próximo teste serão as eleições europeias maio de 2019, quando Vox poderá conquistar suas primeiras cadeiras no Parlamento Europeu, consolidando a posição da extrema direita na quarta maior economia da Zona do Euro e fortalecendo o bloco antifederalista, contrário a uma integração maior do continente.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Líder socialista derruba Rajoy e vira primeiro-ministro da Espanha

Com 180 votos a favor e 169 contra, o Congresso dos Deputados da Espanha aprovou hoje uma moção de censura ao primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy, entregando a chefia do futuro governo ao líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez.

"Foi uma honra chefiar o governo e deixar a Espanha melhor do que encontrei", declarou Rajoy num breve discurso de despedida, citado pelo jornal espanhol El País. "Oxalá meu substituto possa dizer o mesmo."

Pela primeira vez, a mudança de governo através de moção desconfiança aconteceu na Espanha sob a Constituição de 1978, marco da democratização da Espanha depois da ditadura do generalíssimo Francisco Franco (1936-75).

Sánchez apresentou o moção depois da sentença condenatória contra vários membros do Partido Popular (PP) num escândalo de corrupção. O próprio partido foi multado. Ao contrário de outros regimes parlamentaristas, em que a queda do governo leva à convocação de novas eleições, na Espanha o líder da oposição vitorioso assume o poder.

O líder socialista teve o apoio da esquerda e de partidos nacionalistas de várias regiões da Espanha. Os votos decisivos vieram do Partido Nacionalista Basco (PNV), o último a ser convencido de que a era de Rajoy chegara ao fim.

Neste sábado, Sánchez deve prestar juramento e tomar posse perante o rei Felipe VI. Em seguida, poderá nomear seu ministério.

Seu maior desafio será negociar com o movimento pela independência da Catalunha. O líder do PSOE apoiou a intervenção de Rajoy suspendendo a autonomia regional da Catalunha, mas criticou os métodos truculentos do governo deposto.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Itália e Espanha abalam o euro e as bolsas de valores

Com a Itália e a Espanha, terceira e quarta maiores economia da Zona do Euro, em crise, a incerteza volta ao Sul da Europa, abalando o euro e as bolsas de valores do mundo inteiro. 

Em Nova York, o Índice Dow Jones perdeu quase 400 pontos (-1,58%), na maior queda em dois anos. Tóquio caiu 1,78%. Em São Paulo, o Índice Bovespa subiu 0,95% com a recuperação da Petrobrás depois de forte baixa ontem.

No domingo, o primeiro-ministro indicado pelos partidos populistas que ganharam as eleições de 4 de março na Itália, Giuseppe Conte, desistiu de formar o novo governo porque o presidente Sergio Mattarella rejeitou a indicação de Paolo Savona para ministro da Economia, alegando que haveria risco de que a Itália deixe a união monetária europeia.

O temor do mercado é que o veto de Mattarella e a convocação de novas eleições acabem favorecendo o populista Movimento 5 Estrelas e a neofascista Liga, dois partidos ultranacionalistas que farão campanha atacando a União Europeia como uma instituição que tira a soberania da Itália.

As propostas do programa de governo do M5E e da Liga pretendm acabar com a austeridade fiscal, revogar as reformas para cortar gastos, inclusive da Previdência Social, renegociar a dívida pública de 2,351 trilhões de euros, equivalente a 132% do produto interno bruto, de US$ 1,938 bilhão no ano passado, e suspender as sanções à Rússia.

Na Espanha, o Parlamento começa a discutir na quinta-feira uma moção de desconfiança apresentada pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) contra o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy depois da condenação de vários membros do Partido Popular (PP) no escândalo de corrupção conhecido como Caso Gürtel. O próprio partido foi multado em 245 mil euros.

"O tempo do PP acabou", afirmou o líder do PSOE, Pedro Sánchez, acusando Rajoy de ter posto em perigo a integridade social e territorial da Espanha e a credibilidade do país na UE, numa referência à tentativa de independência da Catalunha, quando apoiou Rajoy para evitar a divisão do país.

O partido de extrema esquerda Podemos, o terceiro maior da Espanha, apoia a moção de censura. O quarto maior, Cidadãos, liberal, de centro-direita, quer a antecipação das eleições porque sobe nas pesquisas com o declínio do PP, mas não apoia o voto de desconfiança, que fortaleceria Sánchez. Será uma votação apertada.

A Espanha corre o risco de ter uma terceira eleição indecisiva, com a fragmentação provocada pela ascensão de dois novos partidos, Podemos e Cidadãos, depois da Crise do Euro, em 2011, que levou o país a se submeter a um programa de ajuste fiscal imposto pela Zona do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE). O resultado seria mais um governo fraco.

Naquela época, comentava-se que a Itália é uma economia grande demais, com uma dívida grandes demais para ser resgatada. O presidente indicou um tecnocrata, Carlo Cottarelli, para formar um governo técnico até as próximas eleições. O M5E e a Liga, que têm maioria, pretendem derrubá-lo imediatamente. A Itália pode ter novas eleições em agosto.

Em comum, os dois países tiveram seus partidos tradicionais destroçados pela crise econômica. As semelhanças param por aí. A Liga e o M5E são visceralmente antieuropeu. Vão acusar o presidente, a UE, a Alemanha e a França de barrar a vontade política do eleitorado italiano.

Na Espanha, as eleições serão travadas em torno da corrupção, dos gastos públicos e do movimento pela independência da Catalunha. Até o ultraesquerdista Podemos moderou o tom das críticas à UE e à moeda única. Lá, ao contrário da Itália, não rendem votos. Com um governo fraco, é improvável um avanço das reformas econômicas e a questão catalã vai se arrastar por muito tempo.

A Espanha apresenta uma boa recuperação econômica, com crescimento acima de 3% desde 2015. Na Itália, a retomada é mais modesta. Desde 2010, o pico foi 1,7%, mas a economia avançou nos últimos quatro anos.

Com parlamentos fragmentados e governos fracos, será difícil aprovar as reformas necessárias para sustentar um crescimento mais forte, aumentando o apelo de partidos populistas contrários às medidas de austeridade fiscal.

Por seu tamanho, a Itália representa um risco maior à Eurozona do que a Espanha, mas a crise da Grécia mostrou que mesmo um país pobre e periférico pode gerar problemas que se propagam com facilidade pelos membros do bloco europeu.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Boca de urna dá maioria pela independência no Parlament da Catalunha

O partido liberal de centro-direita Cidadãos, a favor da manter a Espanha unida, foi o mais votado nas eleições regionais convocadas pelo primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, como parte da intervenção do governo central para evitar a independência da Catalunha. Mas os partidos favoráveis à independência devem ter maioria de um deputado, de acordo com pesquisa de boca de urna divulgada pelo jornal catalão La Vanguardia.

Entre os partidos pró-independência, vence a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), liderada pelo ex-vice-governador Oriol Junqueras, preso em Madri. A ERC pode ter de 34 a 36 deputados, enquanto os Cidadãos, liderados por Inés Arrimadas, teriam entre 33 e37, e Juntos pela Catalunha, do ex-governador regional Carles Puigdemont, 28 ou 29.

O Partido Socialista da Catalunha (PSC), braço do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) na província, favorável à união com Madri, ficou em quarto, com 18 a 20 deputados. O Partido Popular, de Rajoy, terá no máximo 5 cadeiras.

Sem uma vitória nítida, o impasse político continua. O movimento pela independência conseguiu uma maioria escassa, que não dá um mandato claro para dividir a Espanha.

domingo, 29 de outubro de 2017

Pelo menos 300 mil marcham em Barcelona pela unidade da Espanha

Uma grande manifestação contra a independência da Catalunha reuniu hoje pelo menos 300 mil pessoas em Barcelona, pelos cálculos da Guarda Urbana, um milhão, de acordo com os organizadores da Sociedade Civil Catalã, noticiou o jornal espanhol El País.

"Somos todos catalães!", foi o principal lema da marcha, apoiada pelo conservador Partido Popular (PP), do primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy; o Partido Socialista da Catalunha (PSC), o braço catalão do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), o maior da oposição na Espanha; e o partido de centro-direita Cidadãos, aliado de Rajoy.

Houve gritos de "Espanha, unida, jamais será vencida" e "Puigdemont na prisão". Entre as bandeiras da Espanha e da Catalunha, cartazes diziam "Acabou a festa", "Mais pontes e menos muros" e "Nem anistia nem perdão, golpistas na prisão".

Na frente da marcha, estavam a ministra da Saúde Dolors Montserrat; o líder do Partido Popular da Catalunha (PPC), Xavier García Albiol; o líder nacional do Cidadãos, Albert Rivera; a líder do Cidadãos na região, Inés Arrimadas; e o primeiro-secretário do PSC, Miguel Iceta. No fim, houve um comício com a participação de representantes dos partidos e movimentos sociais a favor da unidade da Espanha.

"Estou aqui porque nossa dignidade é poder votar no queremos, Sr. [vice-governador Oriol] Junqueras. Você é totalitário. Vamos votar, mas não como abutres que comem um cadáver e, sim, como cidadãos que sabem que de seu voto depende o futuro do país", declarou o ex-ministro socialista Josep Borrell.

Em apelo ao voto contra a independência, Rivera pediu à multidão: "Vamos encher não só as ruas, mas as urnas em 21 de dezembro."

As eleições foram convocadas pelo governo central da Espanha como parte da intervenção na Catalunha. O governo regional foi afastado. A vice-primeira-ministra Soraya Sáenz de Santamaría substituiu o governador Carles Puigdemont. Os poderes do Parlament foram limitados.

Agora, a questão é se Puigdemont vai entregar o cargo amanhã ou se vai resistir de alguma forma. O comando da polícia catalã foi entregue ao antigo subchefe, em sinal de respeito de Madri pela hierarquia e a autonomia de uma instituição da Catalunha. Não há clima para a violência, mas tudo depende da reação das ruas, dos movimentos mais radicais pela independência.

sábado, 21 de outubro de 2017

Governo da Espanha aprova intervenção na Catalunha

O Conselho de Ministros da Espanha aprovou hoje a suspensão da autonomia regional na Catalunha para impedir sua independência. O governador regional Carles Puigdemont, o vice-governador Oriol Junqueras e todos os secretários foram afastados. 

A expectativa é de convocação de eleições regionais dentro de seis meses. Enquanto isso, o Parlament ficará aberto, mas não poderá indicar um governador nem formar um novo govern. Puigdemont ameaça declarar a independência.

A intervenção, prevista no artigo 155 da Constituição da Espanha, precisa ser confirmada pelo Senado, que deve fazer uma reunião extraordinária prevista para a próxima sexta-feira, noticiou o jornal espanhol El País. Na exposição de motivos, o governo alega a necessidade de "voltar à legalidade".

"Não era nosso desejo nem intenção aplicar o artigo 155", declarou o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy. "Fazemos porque nenhum governo, de nenhum país democrático, pode aceitar que se ignore a lei, que se viole a lei, que se mude a lei e que se faça tudo isso pretendendo impor seus critérios aos demais."

O Partido Popular (PP), de Rajoy, tem maioria no Senado e conta com o apoio do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), o maior da oposição, e do centrista Cidadãos. O líder socialista, Pedro Sánchez, afirmou não ter "nenhuma discrepância com Rajoy sobre a integridade territorial" da Espanha.

Já o partido radical de esquerda Podemos lamentou, através de seu secretário de organização, Paulo Echenique: "Estamos em choque com o fim da democracia na Catalunha e na Espanha." Seu líder, Pablo Iglesias, atacou a monarquia espanhola: "O bloco monárquico crê mostrar autoridade, mas só revela sua incapacidade de oferecer soluções e afasta ainda mais a Catalunha da Espanha."

Com a aprovação do Senado, o governo central espanhol vai assumir o controle das finanças da Generalitat, o governo autônomo catalão, e da polícia regional, os Mossos d'Esquadra, em catalão, que ficarão sob o controle do Ministério do Interior. Se Puigdemont declarar a independência, será denunciado pelo Ministério Público por "rebelião", com pena de até 30 anos de prisão.

Rajoy nega que as medidas suspendam a autonomia regional da Catalunha. Argumenta que apenas afastou os dirigentes que estavam agindo ilegalmente ao convocar o plebiscito de 1º de outubro. Pela Constituição espanhola, todo o país deve votar em plebiscitos sobre independência.

A presidente do Parlament, deputada Carme Forcadell, considerou a aplicação do artigo 155 "um golpe de Estado" e advertiu: "Não permitiremos."

Antes da intervenção, o Tribunal Constitucional da Espanha declarou ilegal e inconstitucional a Lei do Plebiscito sobre Autonomia, abrindo o caminho para as medidas de Rajoy.

Neste momento, há uma grande manifestação em Barcelona a favor da independência. Puigdemont já chegou local e deve fazer um pronunciamento, possivelmente para declarar a independência da Catalunha. Os independentistas radicais querem manter a mobilização nas ruas para pressionar Madri a negociar.

A solução racional seria realizar eleições regionais e ver como fica a divisão de forças no Parlament, mas os movimentos sociais mais radicais, a Assembleia Nacional Catalã, Òmnium e a Candidatura da Unidade Popular (CUP) consideram qualquer recuo uma "traição".

O senador Jordi Guillot, eleito pela esquerdista Entesa Catalana, vê "uma forte inércia para o conflito": "Demasiadas vozes, cá e lá, pedem vitórias e derrotas. É evidente que o procés nunca teve força para vergar o Estado, nem para conseguir apoios internacionais.

A aposta radical seria no confronto, acrescenta: "Pode haver a tentação de que, tendo chegado onde chegamos, será melhor fazer uma declaração unilateral de independência esperando que o Estado reaja, intervindo na Generalitat, e forçar uma Maidan [referência à revolução de 2014 na Ucrânia]. Uma mobilização ampla e prolongada a que o governo central responderia com repressão. Agravar o conflito custe o que custar para gerar um descontrole a uma virulência que obrigue a União Europeia a intervir."

Para o escritor catalão Antoni Puigverd, há um "choque de dois sonhos": o da uma Espanha francesa, unitária e socialista, e o da Catalunha independente: "Ambos creem que têm uma oportunidade de ouro para ganhar. Sendo antagônicos, estes dois sonhos coincidem num ponto: quanto pior, melhor. Estão conseguindo."

domingo, 30 de outubro de 2016

Espanha forma governo após 10 meses de impasse

Com a abstenção da maioria do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy conseguiu obter um voto de confiança do Parlamento para formar um governo de minoria e acabar com um impasse político de dez meses.

Na segunda votação, quando bastava maioria simples, o governo Rajoy obteve ontem 170 votos a favor e 111 contra, com 68 abstenções. Apesar da orientação da nova liderança colegiada do PSOE, 15 deputados dissidentes votaram contra o primeiro-ministro conservador, do Partido Popular (PP).

Como o Parlamento tem 350 deputados, será um governo de minoria. Vai ter de negociar com outros partidos para aprovar seus projetos.

Rajoy era presidente interino do Conselho de Ministros (primeiro-ministro) desde as eleições de dezembro de 2015, quando nenhum partido conseguiu formar um governo de maioria. A aprovação do novo governo não acaba com a instabilidade política na Espanha.

A crise econômica deixou 25% dos espanhóis e mais da metade dos jovens sem emprego, minando o bipartidarismo que havia na prática. Desde a eleição do socialista Felipe González, em 1982, o PSOE e o PP se alternavam no poder.

Do Movimento dos Indignados, nasceram dois novos partidos, Podemos, de esquerda, e Cidadãos, de centro-direita. Nas duas últimas eleições, eles ficaram em terceiro e quarto lugares, negando maiorias estáveis aos partidos tradicionais.

O ex-líder socialista Pedro Sánchez se negou a formar uma grande aliança com Rajoy. Tentou ele mesmo se tornar primeiro-ministro com o apoio dos novos partidos depois das eleições de dezembro e junho. Não conseguiu e perdeu a liderança do PSOE, que parou de votar contra um novo governo Rajoy.

domingo, 23 de outubro de 2016

Conservadores devem formar governo de minoria na Espanha

Com a decisão do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) de se abster, o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy poderá formar um governo minoritário, evitando a realização de novas eleições depois que as duas anteriores não levaram à formação de uma maioria parlamentar.

Depois da queda do líder Pedro Sánchez, os socialistas decidiram não se opor a um novo governo Rajoy. Desde dezembro de 2015, a Espanha tem um Parlamento fragmentado e um governo provisório.

A profunda crise econômica, que deixou mais de 25% dos trabalhadores espanhóis sem emprego, minou o apoio aos partidos tradicionais e acabou com o bipartidarismo que vigorava na prática desde 1982, com o PSOE e o Partido Popular, de centro-direita, se revezando na chefia do governo. Surgiram um novo partido de esquerda, Podemos, e um liberal, Cidadãos.

Em dezembro, Sánchez tentou articular um governo de coalizão das oposições, mas Pablo Iglesias, líder do Podemos, se negou a fazer aliança com os Cidadãos e o então líder socialista rejeitou a formação de uma grande coalizão com o PP.

Apesar do impasse político, a economia espanhola está em recuperação, com crescimento acima de 2% ao ano, mas o déficit público continua acima da meta de 3% do produto interno bruto estabelecida pelo pacto de estabilidade para sustentar o euro. Sem um governo central que funcione plenamente, o problema fiscal não será resolvido.

sábado, 1 de outubro de 2016

Líder do Partido Socialista Operário Espanhol cai

O secretário-geral do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, pediu demissão ontem à noite depois que a direção do partido rejeitou, por 132 a 107 votos, sua proposta de convocar um congresso e eleições primárias nas próximas semanas. Ele será substituído por uma direção colegiada até o próximo congresso do partido.

Durante dois anos e três meses, Sánchez liderou o PSOE, que chega dividido e destroçado às próximas eleições, previstas para dezembro, as terceiras desde 20 de dezembro de 2015. Nas duas anteriores, com o Parlamento dividido pelo surgimento de novos partidos nascidos da crise, foi impossível formar um governo de maioria.

Depois das eleições de dezembro do ano passado, Sánchez se recusou a formar uma grande aliança com o Partido Popular, conservador, liderado pelo primeiro-ministro Mariano Rajoy, a quem culpa pelo sofrimento dos espanhóis durante a crise econômica.

O líder do PSOE sonhava em se tornar ele mesmo chefe de governo em aliança com os novos partidos Podemos, de esquerda, e Cidadãos, de centro-direita. Mas o líder do Podemos, Pablo Iglesias, se negou a fazer uma coligação com os Cidadãos.

Diante do impasse, foram realizadas novas eleições em 26 de junho. Sánchez apostou no enfraquecimento dos novos partidos, mas o resultado foi semelhante: PP em primeiro, PSOE em segundo, Podemos em terceiro e Cidadãos em quarto. Com a queda da bancada de 90 para 85 deputados, foi o pior resultado da história do PSOE.

Sem conseguir formar sua própria aliança, Sánchez obrigou os deputados socialistas a votar contra a tentativa de Rajoy de formar um governo minoritário.

A batalha interna na comissão executiva nacional que terminou com sua queda, com a oposição interna liderada pela governadora da região da Andaluzia, Susana Díaz, foi considerada pelo jornal espanhol El País o maior desgaste em 137 anos de existência do PSOE.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Espanha fará terceiras eleições gerais num ano

O primeiro-ministro interino Mariano Rajoy fracassou hoje pela segunda vez na tentativa de obter aprovação do Parlamento da Espanha para formar um novo governo depois das últimas eleições legislativas. Assim, a Espanha deverá realizar suas terceiras eleições num ano, provavelmente em dezembro.

Por 180 a 170 votos, mesmo resultado da votação anterior, um Parlamento dividido frustrou mais uma vez a tentativa do primeiro-ministro conservador de se manter no poder, onde chegou em 2011 em meio à crise da periferia da Zona do Euro, que derrubou o primeiro-ministro socialista José Luis Rodríguez Zapatero.

A crise desmoralizou os partidos tradicionais, o Partido Popular, de Rajoy, e o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que se alternavam no poder em Madri desde a consolidação da remocratização da Espanha, em 1982.

Com desemprego acima de 25% e de 55% entre os jovens, o movimento dos indignados levou ao nascimento de dois novos partidos: Podemos, de esquerda, antiliberal, anticapitalista e antiglobalização; e Cidadãos, liberal, de centro direita.

Nesta nova realidade política, duas eleições levaram a parlamentos fragmentados, onde nenhum partido conseguiu formar um coligação majoritária. O líder do PSOE, Pedro Sánchez, se nega a formar uma grande coalizão com o PP. Uma aliança PSOE-Podemos-Cidadãos teria maioria, mas o líder do Podemos, Pablo Iglesias, recusa qualquer acordo com Cidadãos, de Alberto Rivera. Nem PP-Cidadãos nem PSOE-Podemos formam maiorias.

Nada indica que as próximas eleições rompam o impasse. Só resta à Espanha continuar votando.

domingo, 26 de junho de 2016

PP vence eleições na Espanha sem maioria absoluta

Como em dezembro do ano passado, o conservador Partido Popular (PP) foi o partido mais votado hoje nas eleições parlamentares da Espanha. Com 97% dos votos apurados, o PP do primeiro-ministro Mariano Rajoy elege 137 deputados, abaixo dos 176 necessários para a maioria absoluta no Congresso dos Deputados. 

Até a apuração de 90% das urnas, estava em segundo lugar coligação Unidos Podemos, do novo partido de esquerda Podemos com a Esquerda Unida, que incluiu o Partido Comunista e outros pequenos grupos de esquerda.

Na reta final, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de centro-esquerda, ultrapassou a coalizão Unidos Podemos. O PSOE terá 85 deputados e coalizão Unidos Podemos 71. O novo partido de centro-direita Cidadãos caiu de 40 para 32 deputados.

"Os resultados não são satisfatórios para nós. Esperávemos outros números", declarou Pablo Iglesias, líder do Podemos, nascido do movimento dos indignados com a crise econômica da Espanha e da Zona do Euro. Ele espera ser possível "formar um governo progressista".

Depois das eleições anteriores, o líder socialista, Pedro Sánchez rejeitou a proposta do primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy para formar uma grande aliança entre os dois partidos tradicionais que se alternam no poder em Madri desde 1982. Sánchez tentou formar aliança com os novos partidos, mas Iglesias recusou qualquer acordo com Albert Rivera, dos Cidadãos.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Socialistas caem para terceiro lugar em pesquisa na Espanha

A campanha para as eleições parlamentares de 26 de junho de 2016 começou ontem na Espanha com uma pesquisa indicando uma queda do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) para terceiro lugar, depois do conservador Partido Popular (PP) e da aliança Unidos Podemos, a grande novidade destas eleições, formada pelo novo partido esquerdista Podemos e da coalizão Esquerda Unida, que inclui o Partido Comunista.

Pela pesquisa do Centro de Investigações Sociólogicas (CIS), o PP lidera com 29,2%, seguido pela coalizão Unidos Podemos com 25,6%, 21,2% para o PSOE e 14,6% para o novo partido de centro-direita Cidadãos.

A erosão do apoio aos partidos tradicionais que governaram a Espanha desde 1982, o PP e o PSOE, é consequência da crise econômica que elevou o desemprego acima de 25% para os trabalhadores em geral e acima de 55% entre os jovens.

Com a ascensão dos novos partidos, Podemos e Cidadãos, nas eleições de 20 de dezembro, nenhum partido conseguiu articular uma maioria para formar um novo governo. O líder do PSOE, Pedro Sánchez, que ficou em segundo lugar, rejeitou a proposta de uma grande aliança com o PP do primeiro-ministro Mariano Rajoy e tentou formar governo com os novos partidos. Mas Pablo Iglesias, do Podemos, repudiou uma coligação com os Cidadãos.

No momento, há um declínio da social-democracia e dos partidos de centro-esquerda na União Europeia. Em Portugal, o Partido Socialista está no poder em coligação com grupos mais à esquerda. Na França, o PS corre sério risco de ficar de fora do segundo turno da eleição presidencial de 2017.

No Reino Unido, o Partido Trabalhista foi mais para a esquerda sob a liderança de Jeremy Corbin e tem participação irrelevante no debate sobre o referendo de 23 de junho sobre a permanência do país na União Europeia. Na Alemanha e na Áustria, os sociais-democratas deixaram de ser uma opção de poder.

Como observou o jornal conservador espanhol El Mundo, "o mapa político da esquerda foi reconfigurado" pela emergência de "movimentos de protesto, indignação e revolta". Os partidos tradicionais de esquerda não têm resposta ao surgimento de movimentos como Podemos.

Na opinião do colunista Wolfgang Münchau, do jornal britânico Financial Times, os partidos de centro-esquerda passaram as últimas décadas absorvendo políticas de direita, da liberalização comercial à desregulamentação e à independência dos bancos centrais. Tornaram-se "indistinguíveis" dos partidos de centro-direta. Com a Grande Recessão iniciada em 2008, os eleitores buscaram alternativas à esquerda.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Rei dissolve Parlamento e convoca eleições na Espanha

O rei Felipe VI dissolveu hoje o Parlamento e convocou novas eleições gerais na Espanha para 26 de junho de 2016 depois que os deputados eleitos em dezembro de 2015 não conseguiram formar um novo governo. Estarão em jogo as 350 cadeiras da Câmara e 208 das 226 cadeiras do Senado.

De acordo com a Constituição da Espanha, são necessários 54 dias entre a dissolução das Cortes Gerais e as eleições. Até o momento, não há nenhuma indicação de que o resultado em junho será muito diferente.

A crise provocada pela incapacidade financeira do governo de socorrer o setor bancário espanhol, atingido pela crise financeira internacional, elevou o desemprego no país a 25% e a mais de 50% entre os jovens. Foi a pior crise enfrentada pelos espanhóis desde a morte do generalíssimo Francisco Franco e do fim da ditadura, em 1975.

Com a insatisfação popular e o movimento dos Indignados, houve o desgaste dos tradicionais Partido Popular, conservador pós-franquista, e Partido Socialista Operário Espanhol. Nasceram dois novos partidos, Podemos, de esquerda radical, e Cidadãos, liberal de centro-direita.

Em dezembro do ano passado, foi eleito o Parlamento mais fragmentado desde a redemocratização PP do primeiro-ministro Mariano Rajoy, no poder desde 2011, caiu de 45% para 28,7% dos votos, perdeu 64 deputados e elegeu 123, ficando sem a maioria absoluta que lhe permitia governar sozinho.

Sob a liderança de Pedro Sánchez, o PSOE foi o segundo partido mais votado, mas caiu de 28,8% para 20% da votação. A bancada diminuiu de 110 para 90 e Sánchez se negou a formar uma grande aliança entre direita e esquerda com Rajoy. Tentou se tornar primeiro-ministro em aliança com os novos partidos.

A nova esquerda do Podemos, inspirado pela Coligação de Esquerda Radical (Syriza) da Grécia e financiado pelo regime chavista da Venezuela, estreou levando 20,7% dos votos e 69 cadeiras, mas seu líder Pablo Iglesias se negou a fazer aliança com os Cidadãos, de Albert Rivera, que elegeram 40 deputados com 13,9% dos votos, minando o sonho de poder de Sánchez.

Como quase nada mudou mudou, a economia está crescendo mas o desemprego ainda está em 20,7%, a expectativa é de um resultado parecido. Podemos está tentando consolidar alianças com pequenos partidos de esquerda.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Espanha volta às urnas após fracasso em formar governo

Depois de quatro meses de negociações malsucedidas, o rei Felipe VI, da Espanha, decidiu ontem não indicar mais nenhum líder de partido para tentar formar um novo governo com base nos resultados das eleições de 15 de dezembro de 2015. Um novo Parlamento deve ser eleito em 26 de junho de 2016.

O Partido Popular, conservador, no poder desde 21 de dezembro de 2011, foi o mais votado em dezembro. Conquistou 28,7% dos votos e 123 cadeiras, muito abaixo dos 45% e 187 deputados que permitiam ao primeiro-ministro Mariano Rajoy formar um governo de maioria.

Em segundo lugar, ficou o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), com 22% dos votos e 90 deputados, em comparação com os 28,6% e os 110 deputados nas eleições de 2011. Mas seu líder, Pedro Sánchez, se negou a fazer uma grande aliança com a direita. Preferiu se aliar aos novos partidos.

O partido esquerdista Podemos, uma das grandes novidades da política espanhola, obteve 20,7% dos votos, elegendo 69 deputados, e se negou a formar uma coligação com Cidadãos, o novo partido liberal de centro-direita, que recebeu 13,9% dos votos e elegeu 40 deputados. Ambos são filhos da dura crise econômica que elevou o desemprego na Espanha para mais de 25% e mais de 50% entre os jovens.

Diante dessa divisão e das negativas do PSOE e do Podemos de formar as coalizões possíveis, só restou ao rei devolver a responsabilidade aos eleitores.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Rei da Espanha convida líder socialista a formar governo

O rei Felipe VI pediu hoje ao líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, para formar o próximo governo da Espanha, noticiou o jornal El País. O conservador Partido Popular, do atual primeiro-ministro Mariano Rajoy, foi o mais votado, mas ele disse ao rei que não conseguiria articular uma maioria absoluta no Parlamento.

Com o surgimento de novos partidos como o esquerdista Podemos e o centro-direitista Cidadãos depois da forte crise econômica que elevou o desemprego a mais de 25%, as eleições parlamentares de 20 de dezembro de 2015 produziram um Parlamento fragmentado. Foi o fim do bipartidarismo em vigor na prática. Desde 1982, o PSOE e o PP se alternaram no poder.

O líder socialista prometeu conversar com "a direita e a esquerda", mas descartou a possibilidade de um acordo com o PP, que na sua opinião seria "recompensar a corrupção", e com os partidos a favor da independência da Catalunha.

"A mudança não é patrimônio de nenhum partido nem líder político e, sim, de milhões de cidadãos", afirmou Sánchez, comprometendo-se a formar um "governo de mudança, progressista e reformista".

É um recado em parte dirigido a Pablo Iglesias, líder do Podemos, que colocou a realização de um referendo sobre a independência da Catalunha entre as exigências para participar do governo. Para Sánchez, a integridade da Espanha é inegociável.

Se Podemos e Cidadãos não acabarem com o veto recíproco, o PSOE também não terá condições de formar um novo governo na Espanha.