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segunda-feira, 30 de novembro de 2020

França recua na lei que proibiria filmar ações policiais

Foi mais uma vitória da democracia, depois das manifestações de protesto contra o racismo e a violência policial no mundo inteiro e das derrotas do presidente Donald Trump e dos candidatos apoiados pelo governo Jair Bolsonaro nas eleições municipais no Brasil. Sob pressão das ruas, o governo Emmanuel Macron decidiu "reescrever completamente" o artigo 24 do projeto da Lei de Segurança Global, que proibia a divulgação de imagens de ações policiais.

Nos Estados Unidos, as gravações, especialmente com telefone celular, têm sido fundamentais para denunciar abusos e assassinatos cometidos pela polícia. Leia mais em Quarentena News.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Greve para Hong Kong em protesto contra a interferência da China

Depois do nono fim de semana seguido de manifestações, cerca de 500 mil pessoas de 20 setores da economia aderiram à greve geral convocada para hoje em Hong Kong em protesto contra a interferência crescente do regime comunista chinês na administração do território, considerado uma região administrativa especial dentro da República Popular da China.

Durante a manhã desta segunda-feira, cerca de 230 voos foram cancelados. Com a paralisação dos controladores de voo, uma pista do aeroporto internacional de Hong Kong está fechada até 6h de terça-feira pela horal local (19h de hoje em Brasília). Só 34 voos foram autorizados a decolar, a metade do normal, informou o jornal local South China Morning Post.

As companhias aéreas de Hong Kong (Cathay Pacific, Cathay Dragon, HK Express e Hong Kong Airlines) aconselham os passageiros a se certificar de que seus voos estão confirmados antes de se dirigir ao aeroporto.

Os militantes entraram nas estações de metrô e tentaram impedir o fechamento das portas dos vagões para parar os trens.

Esta é a crise mais greve desde que o Reino Unido devolveu Hong Kong à China, em 1º de julho de 1997. Os protestos começaram contra um projeto de lei para autorizar a extradição de residentes em Hong Kong para responder a processos na China continental.

Agora, os manifestantes também exigem a renúncia da governadora Carrie Lam, indicada por Beijim, e eleições diretas para governador e para o Conselho de Legislativo, o parlamento de Hong Kong. É praticamente impossível que o regime comunista aceite tais demandas. Seria um avanço rumo a uma democracia que não interessa à ditadura militar de Beijim e um sinal para a China, onde não existem liberdade de expressão e de manifestação.

No sábado, houve mais confrontos violentos quando a polícia reprimiu a manifestação popular. Pelo menos 44 pessoas foram presas. Os moradores de Hong Kong travam um duelo com o governo central da China capaz de provocar uma repressão violenta.

A ditadura comunista chinesa não costuma ceder diante de manifestações pela democracia. Hong Kong não quer abrir mão das liberdades democráticas conquistadas como colônia britânica. A China prometeu manter a situação no território durante 50 anos dentro do esquema "um país, dois sistemas", também criado tendo em vista a reintegração de Taiwan, que Beijim considera uma província rebelde.

Se usar a violência e o Exército Popular de Libertação para reprimir os protestos, como pede a linha dura comunista, a China compromete o prestígio de Hong Kong como centro financeiro internacional, muito importante para canalizar dinheiro para o extraordinário desenvolvimento econômico chinês das últimas. E envia um sinal errado para Taiwan.

sábado, 27 de julho de 2019

Polícia da Rússia protesto e prende mais de mil em Moscou

Quase 1,4 mil pessoas foram presas hoje na capital da Rússia por participar de uma manifestação não autorizada de oposição ao ditador Vladimir Putin. O protesto tinha o objetivo de garantir a participação de candidatos da oposição nas eleições para a Câmara Municipal de Moscou, em 8 de setembro, depois que mais de dez foram barrados, informou o jornal The Moscow News.

A manifestação foi convocada pelo advogado e blogueiro anticorrupção Alexei Navalny, hoje o principal líder oposicionista russo, que foi preso na quarta-feira por 30 dias por organizar os protestos. Democrata e nacionalista, ele foi descrito em 2012 pelo jornal americano The Wall Street Journal como o "homem que Putin mais teme".

Além de Navalny, foram proibidos de concorrer, Ilya Yashin, Liubov Sobol e Ivan Jdanov. Diante da falta de candidatos legítimos, a oposição saiu às ruas para lutar pelos princípios básicos da democracia: o direito de votar em quem o represente.

No fim da semana passada, cerca de 22,5 mil pessoas se concentraram no centro de Moscou num protesto autorizado. Foi a maior manifestação dos últimos anos na capital russa. Neste fim de semana, as autoridades decidiram dar um basta no pior estilo autoritário da política do país.

"Tentativas de dar ultimatos e organizar manifestações violentas não vão trazer nada de bom", escreveu na manhã deste sábado no Twitter o prefeito Sergei Sobianov, alinhado com o Kremlin. "A ordem na cidade será garantida de acordo com a lei."

Ontem, a maioria dos candidatos da oposição a vereador em Moscou foi presa. Mesmo assim, cerca de 3,5 mil pessoas participaram do protesto, inclusive 700 jornalistas e blogueiros em luta pela liberdade de expressão.

Antes da hora marcada, 14h em Moscou (8h em Brasília), a polícia isolou a área em frente à Prefeitura Municipal de Moscou e prendeu 200 manifestantes. Até a manhã de domingo, 1.373 oposicionistas foram presos.

A onda de protestos através da Rússia é resultado da crise econômica que diminui a renda e o padrão de vida dos russos, com a forte queda nos preços internacionais do petróleo desde junho de 2014 e as sanções internacionais contra a anexação ilegal da Crimeia, em março do mesmo ano.

Assim, a popularidade de Putin e de seu partido Rússia Unida está em baixa. Não é massacrando a oposição que vai melhorar. Mas o czar da vez não está disposto a tolerar dissidentes.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Israel mata sete palestinos em protesto na fronteira da Faixa de Gaza

O Exército de Israel matou sete palestinos nesta sexta-feira, inclusive dois menores de 12 e 14 anos, durante uma manifestação de protesto que atraiu 20 mil palestinos para a fronteira da Faixa de Gaza, dominada pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), informou o jornal liberal israelense Haaretz.

O Ministério da Saúde de Gaza identificou os menores como Youssef Abu Zarifa, de 12 anos, baleado na cabeça a leste de Khan Younis, e Mohammad Naif al-Hum, de 14 anos, atingido no peito perto do campo de refugiados de Al-Bureij. Dos adultos mortos, dois tinham 18 anos e os demais 24, 26 e 33 anos. Outros 506 palestinos saíram feridos e 210 foram hospitalizados.

A Força de Defesa de Israel declarou ter contra-atacado duas vezes no Norte da Faixa de Gaza, em resposta a granadas e explosivos jogados contra soldados israelenses que patrulhavam a fronteira. Os palestinos conseguiram mandar seis balões incendiários para o território israelense.

Desde o fim de março, o Hamas organiza as "marchas do retorno" toda sexta-feira, a folga religiosa semanal dos muçulmanos, para reivindicar o "direito de retorno" à terra onde foi criado o Estado de Israel, há 70 anos.

Com a retirada de uma ajuda dos Estados Unidos de US$ 300 milhões à agência das Nações Unidas dedicada a ajudar os refugiados palestinos, a tensão aumentou muito em Gaza.

Quatro anos depois da última guerra aberta contra o grupo extremista palestino, a inteligência militar israelense teme um conflito iminente com o Hamas, se não houver ajuda externa para compensar o fim da assistência americano nem uma reconciliação entre o Hamas e a Autoridade Nacional Palestina (ANP), que domina partes da Cisjordânia ocupada.

domingo, 29 de outubro de 2017

Pelo menos 300 mil marcham em Barcelona pela unidade da Espanha

Uma grande manifestação contra a independência da Catalunha reuniu hoje pelo menos 300 mil pessoas em Barcelona, pelos cálculos da Guarda Urbana, um milhão, de acordo com os organizadores da Sociedade Civil Catalã, noticiou o jornal espanhol El País.

"Somos todos catalães!", foi o principal lema da marcha, apoiada pelo conservador Partido Popular (PP), do primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy; o Partido Socialista da Catalunha (PSC), o braço catalão do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), o maior da oposição na Espanha; e o partido de centro-direita Cidadãos, aliado de Rajoy.

Houve gritos de "Espanha, unida, jamais será vencida" e "Puigdemont na prisão". Entre as bandeiras da Espanha e da Catalunha, cartazes diziam "Acabou a festa", "Mais pontes e menos muros" e "Nem anistia nem perdão, golpistas na prisão".

Na frente da marcha, estavam a ministra da Saúde Dolors Montserrat; o líder do Partido Popular da Catalunha (PPC), Xavier García Albiol; o líder nacional do Cidadãos, Albert Rivera; a líder do Cidadãos na região, Inés Arrimadas; e o primeiro-secretário do PSC, Miguel Iceta. No fim, houve um comício com a participação de representantes dos partidos e movimentos sociais a favor da unidade da Espanha.

"Estou aqui porque nossa dignidade é poder votar no queremos, Sr. [vice-governador Oriol] Junqueras. Você é totalitário. Vamos votar, mas não como abutres que comem um cadáver e, sim, como cidadãos que sabem que de seu voto depende o futuro do país", declarou o ex-ministro socialista Josep Borrell.

Em apelo ao voto contra a independência, Rivera pediu à multidão: "Vamos encher não só as ruas, mas as urnas em 21 de dezembro."

As eleições foram convocadas pelo governo central da Espanha como parte da intervenção na Catalunha. O governo regional foi afastado. A vice-primeira-ministra Soraya Sáenz de Santamaría substituiu o governador Carles Puigdemont. Os poderes do Parlament foram limitados.

Agora, a questão é se Puigdemont vai entregar o cargo amanhã ou se vai resistir de alguma forma. O comando da polícia catalã foi entregue ao antigo subchefe, em sinal de respeito de Madri pela hierarquia e a autonomia de uma instituição da Catalunha. Não há clima para a violência, mas tudo depende da reação das ruas, dos movimentos mais radicais pela independência.

domingo, 26 de março de 2017

Rússia prende mais de mil militantes e o líder da oposição

Durante manifestações de protesto de milhares de pessoas contra a corrupção realizadas em várias cidades, a polícia da Rússia prendeu mais de mil ativistas e o principal líder da oposição, Alexei Navalny. Maior ameaça ao presidente e protoditador Vladimir Putin na eleição presidencial de 11 e 18 de março de 2018, Navalny deve ser condenado para se tornar inelegível.

Navalny e cerca de 500 militantes foram presos quando a marcha seguia pela Rua Tverskaya, no centro de Moscou, sob a acusação de participar de uma manifestação não autorizada. Outros foram detidos no interior do país.

Foram os maiores protestos na Rússia desde as manifestações do fim de 2011 e início de 2012 denunciando fraude nas eleições parlamentares. Putin foi eleito presidente pela terceira vez em março de 2012.

O alvo declarado agora é a corrupção no governo do primeiro-ministro Dimitri Medvedev, fiel escudeiro de Putin. Mas o objetivo maior é atingir o homem-forte do Kremlin ao denunciar a corrupção em meio a uma crise econômica.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Dezenas de pessoas morrem em protestos no Congo

Dezenas de civis foram mortos em dois de choques com as forças de segurança durante protestos contra o ditador Joseph Kabila na República Democrática do Congo, noticiou a agência Reuters citando dados da organização não governamental Human Rights Watch.

O Ministério da Informação admite 17 mortes, enquanto as oposições falam em mais de 50 pessoas. Imagens divulgadas na Internet mostraram a polícia atirando nos manifestantes e corpos estendidos no chão.

As manifestações protestam contra o adiamento das eleições previstas para novembro por suposta falta de dinheiro e um sistema de alistamento de eleitores. O segundo mandato de Joseph Kabila termina no fim deste ano, mas o Supremo Tribunal o autorizou a ficar no poder enquanto não houver uma eleição presidencial.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Forças de segurança da Etiópia matam 30 manifestantes

Forças do governo da Etiópia mataram mais de 30 manifestantes na região de Oromia durante o fim de semana, noticiou a agência Reuters citando como fonte a oposição. O protesto era contra planos do governo de distribuir as terras agrícolas da região e ao redor da capital do país, Adis Abeba.

Desde novembro, os manifestantes fazem protestos contra o projeto. Em janeiro, o governo etíope prometeu abandonar os planos de expropriar a terra. As manifestações recomeçaram depois da prisão de oposicionistas.

A resposta do governo nas últimas semanas foi desencadear uma repressão violenta em várias cidades da região. A oposição denuncia novas prisões e espera que o total de mortos aumente. O governo não respondeu às acusações. A mídia oficial não falou em mortos e feridos, mas as informações são de que milhares de pessoas saíram às ruas.

Com cerca de 100 milhões de habitantes, a Etiópia é o segundo maior país da África em população, atrás apenas da Nigéria. É um importante aliado do Ocidente na tentativa de estabilizar a Somália e um dos países que mais forneceram soldados à missão de paz da União Africana.

De acordo como Banco Mundial, de 2004 a 2014, a Etiópia foi um dos países que mais cresceram no mundo, com expansão média de 10,9% ao ano.


sábado, 26 de março de 2016

Bélgica suspende Marcha contra o Medo

A pedido do ministro do Interior da Bélgica, Jan Jambon, e do prefeito de Bruxelas, Yvan Mayeur, uma grande manifestação antiterrorista convocada para amanhã na capital belga foi adiada. As autoridades alegaram que a polícia precisa concentrar esforços na caçada ao terrorista e a Marcha contra o Medo exigiria um grande contingente policial para prevenir atentados contra os manifestantes.

"Tendo em vista a capacidade da polícia e a prioridade à investigação judicial, apelamos a não se manifestarem amanhã", disseram as autoridades durante uma entrevista coletiva. "Nós compartilhamos evidentemente a emoção da população. Mas queremos que as manifestações sejam adiadas por algumas semanas."

Os organizadores da Macha contra o Medo, liderados por Emmanuel Foulon concordaram plenamente: "A segurança dos cidadãos é uma prioridade absoluta. Por isso, nos unimos totalmente à proposta das autoridades de adiar para uma data posterior. Pedimos de nossa aos cidadãos que não venham a Bruxelas neste domingo."

No ano passado, depois dos atentados de 13 de novembro que mataram 130 pessoas em Paris houve uma grande manifestação com um milhão de pessoas nas ruas da capital francesa. A Bélgica terá de esperar um pouco para fazer a sua, que sempre estará ameaçada. O distrito de Molenbeek, na periferia de Bruxelas, é considerado o maior antro de jihadistas da Europa.

O total de vítimas fatais dos atentados de Bruxelas foi reduzido de 31 para 28. Os outros três mortos eram terroristas suicidas.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Incêndio em boate e corrupção derrubam primeiro-ministro da Romênia

No segundo dia de manifestações de massa contra a corrupção depois da morte de 32 pessoas num incêndio numa casa noturna de Bucareste, o primeiro-ministro da Romênia, Victor Ponta, pediu demissão, informou o boletim de notícias Euronews.

Ponta já enfrentava um inquérito do Diretório Nacional Anticorrupção por sonegação de impostos, lavagem de dinheiro e conflito de interesses. Estava sob pressão desde junho, quando a Câmara dos Deputados se negou a suspender sua imunidade parlamentar para que fosse processado.

O incêndio na discoteca Colectiv, na sexta-feira passada, levantou novas suspeitas sobre a emissão de licenças para o funcionamento de boates e a falta de fiscalização de segurança desses estabelecimentos.

Pelo menos 20 mil pessoas saíram às ruas de Bucareste ontem e hoje para exigir a queda de Ponta. Também houve protestos nas cidades de Brassov e Ploiesti.

"Apresento minha demissão e a de todo governo romeno. Faço-o porque durante todos esses anos na política resisti aos conflitos com meus adversários políticos, mas nunca lutei contra o povo", declarou o primeiro-ministro em entrevista coletiva na manhã de hoje.

À tarde, a coalizão de governo, formada pelo Partido Social-Democrata, de Ponta, a União para o Progresso da Romênia, o Partido Conservador e deputados independentes, se reuniu para decidir se vai continuar unida.

Em mensagem nas redes sociais da Internet, o presidente Klaus Iohannis apelou ontem a "uma mudança radical na sociedade romena" para enfrentar a corrupção.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Rússia liberta maior líder da oposição

O advogado e blogueiro oposicionista Alexei Navalny foi solto hoje depois de ficar 15 dias na prisão por distribuir panfletos convocando para uma grande manifestação de protesto que seria realizada em 1º de março em 15 cidades russas para responsabilizar o presidente Vladimir Putin pela guerra na Ucrânia.

Como Navalny foi preso, o ex-vice-primeiro-ministro Boris Nemtsov seria o principal orador, mas foi morto a tiros dois dias antes perto das muralhes do Kremlin, no centro de Moscou. A manifestação acabou virando uma marcha fúnebre de protesto contra Putin.

O governo russo nega qualquer participação no atentado, que descreveu como uma "provocação", ou seja uma morte encomendada para ser atribuída ao Kremlin. Putin disse que é hora de acabar com os assassinatos políticos na Rússia e prometeu supervisionar pessoalmente as investigações, praticamente uma garantia de que os verdadeiros assassinos não serão descobertos.

A oposição culpa Putin e o clima político beligerante criado pela intervenção militar na ex-república soviética da Ucrânia pela morte de Nemtsov.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Dezenas de milhares marcham por líder oposicionista morto na Rússia

Mais de 50 mil manifestantes marcharam ontem pelas ruas de Moscou em protesto contra a morte do líder oposicionista Boris Nemtsov, abatido com quatro tiros na última sexta-feira à noite numa ponte a dezenas de metros das muralhas do Kremlin.

As imagens das câmeras de segurança mostram um homem se aproximando de Nemtsov, que caminhava com a namorada, uma modelo ucraniana, e disparando várias vezes. Em seguida, ele foge num carro branco que passa.

No domingo, Nemtsov seria o principal orador numa manifestação para denunciar o presidente Vladimir Putin, responsabilizando-o pela guerra na Ucrânia. Com o assassinato, o ato de protesto foi transformado num funeral. Entre a multidão, a imensa maioria culpa o governo pela morte do líder da oposição.

"A Rússia nunca mais será a mesma", declarou o ex-primeiro-ministro Mikhail Kassianov durante a manifestação. Outro líder da oposição, Guenadi Gukov, afirmou que "as autoridades são corruptas e não permitem que nenhuma ameaça contra elas emerja. Boris as incomodava."

O governo russo alega que o assassinato foi uma "provocação", um morte sob encomenda para a culpa recair sobre o Kremlin. Só falta dizer que foram agentes estrangeiros. A investigação oficial parte da premissa de que "Nemtsov tinha vários inimigos".

Ele era judeu. Poderia ter sido alvo de extremistas muçulmanos. Apoiou os chargistas do Charlie Hebdo depois do atentado terrorista de 7 de janeiro de 2015. Como era contra a intervenção militar da Rússia na Ucrânia, pode ter sido atacado por um nacionalista exaltado pela propaganda oficial.

A exemplo de assassinatos políticos anteriores na Rússia, esse tem tudo para ser mais um que jamais será resolvido.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Nemtsov ia acusar a Rússia pela guerra, diz presidente da Ucrânia

O ex-vice-primeiro-ministro Boris Nemtsov, um dos princípais líderes da oposição, morto ontem no centro de Moscou, iria denunciar numa grande manifestação neste domingo a intervenção militar da Rússia na Ucrânia, afirmou hoje o presidente ucraniano, Petro Porochenko.

Porochenko declarou ainda que Nemtsov era um amigo do país e estava interessado em melhorar as relações entre a Rússia e a Ucrânia. Liberal politicamente, o líder da oposição assassinado era um crítico contumaz da volta do autoritarismo imposta pelo presidente russo, Vladimir Putin.

Com o assassinato, as manifestações convocadas para amanhã em Moscou e outras 14 cidades russas serão transformadas num grande funeral de Boris Nemtsov.

As maiores suspeitas recaem sobre o próprio Putin e seu regime. Desde que o atual homem-forte do Kremlin chegou ao poder, em 1999, depois de chefiar o Serviço Federal de Segurança, herdeiro do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política da União Soviética, houve vários assassinatos e atentados jamais esclarecidos.

Entre os casos mais notórios, a jornalista defensora dos direitos humanos Anna Politkovskaya foi assassinada no elevador do edifício onde morava, em 7 de abril de 2006, e o ex-agente secreto Alexander Litvinenko foi envenenado em Londres, onde estava exilado, com polônio-210, um elemento altamente radioativo, em 1º de novembro de 2006. Durante três semanas, foi se desfigurando diante das câmaras até morrer.

O preço de fazer oposição a Putin pode ser a morte.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Ex-vice-primeiro-ministro adversário de Putin é morto na Rússia

Dois dias antes de uma grande manifestação de protesto contra a guerra na Ucrânia convocada para Moscou, o ex-vice-primeiro-ministro Boris Nemtsov (1997-98), de 55 anos, um dos maiores adversários do presidente Vladimir Putin, foi assassinado a tiros hoje no centro da capital da Rússia.

Nas últimas semanas, Nemtsov revelou que temia ser morto por se opor à intervenção militar da Rússia na Ucrânia, que garante a popularidade do homem-forte do Kremlin apesar da grave crise econômica causada pelas sanções internacionais e a queda nos preços do petróleo.

Putin declarou que o assassinato foi "uma provocação" e prometeu controlar pessoalmente a investigação, a receita ideal para encobrir o caso. Seu governo e o próprio Putin são os maiores suspeitos.

O ex-vice-primeiro-ministro seria um dos principais oradores da manifestação de domingo contra Putin e a guerra na Ucrânia. Ele foi bastante ativo nas manifestações de 2011-12, durante as campanhas para as últimas eleições parlamentares e presidencial.

Nemtsov levou hoje quatro tiros de atiradores que saíram de um carro numa ponte ao sul da Praça Vermelha. Foi um assassinato profissional. Ninguém mais saiu ferido. Ele caminhava ao lado de uma jovem ucraniana de 24 anos, sem guarda-costas.

Primeiro governador da região de Níjni Novgorod depois do fim da União Soviética, em 1991, Nemtsov ascendeu politicamente nos anos 1990s até chegar a vice-primeiro-ministro. Foi líder de partidos e movimentos liberais democratas como o Partido Republicano da Rússia e o Solidarnost.

Era um dos principais líderes da oposição russa, ao lado do empresário Mikhail Khodorkovsky, preso quando era o homem mais rico do país e hoje exilado; Mikhail Kassianov, da União Democrática Popular; Garry Kasparov, ex-campeão mundial de xadrez, da coligação Outra Rússia; Vladimir Rijkov, do Partido Republicano da Rússia.

Impopular por causa do caos econômico dos governos Boris Yeltsin (1991-99), Nemtsov aderiu ao movimento anticorrupção liderado pelo blogueiro Alexei Navalny, hoje o mais popular dos líderes da oposição.

Navalny e seu movimento articulado nas redes sociais convocaram protestos em Moscou e outras 14 cidades em 1º de março de 2015. Serão as primeiras manifestações de oposição autorizadas pelo Kremlin desde 2012. O objetivo é mobilizar 100 mil pessoas só na capital para protestar contra a guerra na Ucrânia, a crise econômica, a corrupção governamental e a censura e a repressão crescentes.

A morte de Nemtsov visa sobretudo a aterrorizar a população e a esvaziar as manifestações. Pode ter o efeito contrário. Como Navalny, que está em liberdade condicional, foi intimado a se apresentar à Justiça em 1º de março, o ex-vice-primeiro-ministro seria o principal orador em Moscou.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Hollande pede vigilância, unidade e mobilização contra o terrorismo

A tarefa de garantir a segurança do povo francês ainda não está concluída, admitiu há pouco em rede nacional de televisão o presidente François Hollande, convocando o país para a vigilância, unidade e mobilização na luta contra o terrorismo. A rede terrorista Al Caeda na Península Arábica, com sede no Iêmen, reivindicou a autoria do atentado.

Depois de elogiar "a bravura, a coragem e a eficiência" das forças de segurança, o presidente francês repudiou o ataque a um supermercado kosher como um ato antissemita e prometeu ser implacável com o racismo e o nazismo. Em seguida, desvinculou os assassinos da religião que dizem representar: "Esses fanáticos nada tem a ver com a religião muçulmana."

Hollande convocou os franceses a participar de grande passeata convocada para domingo pela democracia e a liberdade, prometendo liderar a manifestação.

"A França enfrenta um desafio sem precedentes", afirmou o primeiro-ministro Manuel Valls, esclarecendo: "Estamos em guerra contra o terrorismo, não contra uma religião nem contra o Islã",

Em entrevista ao telejornal 20 Heures, da TV France 2, o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, descreveu os atos terroristas dos últimos dias como "um ataque ao jornalismo, à liberdade de expressão, ao Estado francês, à tolerância religiosa e à integração social", já que a loja atacada hoje em Paris vendia comida judaica. Foi uma ação antissemita.

Os dois assassinos dos jornalistas do jornal satírico Charlie Hebdo, decididos a morrer como mártires, teriam saído atirando de um escritório da fábrica onde se refugiaram, na cidade de Dammmartin-en-Goële, quando foram mortos pela polícia.

A redação do Charlie Hebdo se instalou hoje no jornal Libération, como já tinha feito quando a sede anterior foi incendiada por extremistas muçulmanos, em 2011.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Militares da Bolívia marcham contra baixos salários

Numa onda de transportes sem precedentes, militares do Exército, da Marinha e da Força Aérea da Bolívia protestaram hoje pelo terceiro dia consecutivo nas ruas de La Paz exigindo aumentos salariais e benefícios sociais. O movimento ainda é pequeno, mas revela desunião e insatisfação nas Forças Armadas seis meses antes da eleição presidencial de outubro de 2014.

Várias centenas de militares fizeram as primeiras marchas no dia 22 de abril em La Paz e Santa Cruz de la Sierra, e grupos menores nos departamentos (equivalentes aos estados no Brasil) de Beni, Chuquisaca, Potosí, Oruro e Tarija.

Os manifestantes exigem a reabilitação de quatro oficiais removidos de seus postos há três por liderar o movimento por salários maiores e melhoria nas condições de habitação, assistência médica, além de oportunidades para estudar e ascender dentro da carreira militar. Também querem uma lei para proibir a discriminação racial nas Forças Armadas da Bolívia.

A Bolívia tem uma história trágica marcada por 192 tentativas de golpe de Estado. Depois do sangrento golpe de 1982, naquele mesmo ano, com a redemocratização do país, foi eleito Hernán Siles Suazo, que não conseguiu completar o mandato por causa da quarta maior hiperinflação da história, de 27.000% ao ano.

No início do século 21, o esgotamento das políticas econômicas liberais usadas para controlar a inflação, que não produziram o desenvolvimento social prometido, levaram a uma onda de manifestações de protesto e à queda, em 2003, do presidente Gonzalo Sánchez de Losada, acusado de fazer um acordo com o Chile para vender gás boliviano para os Estados Unidos. O Chile é o inimigo histórico que tomou a saída da Bolívia para o mar, na Guerra do Pacífico (1879-83).

Desde então, o país viveu uma era de instabilidade até a eleição, em dezembro de 2005, de Evo Morales, o primeiro indígena a governar um país da América Latina desde Benito Juárez, no México (1858-64).

Aliado do então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, Morales estatizou o petróleo e o gás natural bolivianos, chegando a ocupar militarmente instalações da Petrobrás para isso, sem maior reação do governo brasileiro. Sem a riqueza do petróleo da Venezuela, Evo faz uma política econômica austera para manter o equilíbrio das contas públicas. Os militares estão cobrando sua parte.

Diante da repressão ao movimento, os manifestantes exigem a demissão do ministro da Defesa e dos comandantes das três armadas e a abertura de uma negociação direta com o presidente. Não há nenhum sinal de ameaça imediata a Morales, mas ele terá de dar uma resposta antes da eleição de outubro, quando será candidato à reeleição. Até agora, o governo se nega a iniciar um diálogo.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Cerca de 50 mil turcos protestam em Istambul

Cerca de 50 mil pessoas se concentraram hoje na Avenida Halaskargazi, que leva à Praça Taksim, em Istambul, palco de violentos confrontos entre manifestantes e a polícia da Turquia no ano passado. Pelo menos uma pessoa morreu.

Os protestos contra a violência policial se intensificaram ontem, depois da morte de um jovem de 15 anos feridos nove meses atrás pela explosão de uma bomba de gás lacrimogênio.

Na época, o protesto era contra a construção no Parque Guézi, uma das últimas áreas verdes do centro da maior cidade turca. As manifestações recomeçaram com a divulgação de gravações telefônicas clandestinas em que o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan discute com um filho a melhor maneira de esconder dinheiro sujo da corrupção.

Hoje, depois do enterro de Berkin Elvan, a multidão queria deixar cravos na Praça Taksim em homenagem ao adolescente morto. A polícia bloqueou o acesso à praça. Um comitê de campanha do Partido da Justiça e do Desenvolvimento foi incendiado. É o partido islamita moderado liderado por Erdogan.

Em campanha para as eleições municipais de 30 de março de 2014, o primeiro-ministro ignorou a morte e os protestos. A votação está sendo vista como um plebiscito sobre o governo central.

domingo, 2 de setembro de 2012

Promotoria retira acusação a mineiros da África do Sul

Sob pressão do governo, a promotoria da Justiça da África do Sul retirou a denúncia contra 270 mineiros grevistas presos em 16 de agosto e acusados pela morte de 34 colegas que na verdade foram baleados pela polícia durante uma manifestação de protesto.

Uma antiga lei do tempo do apartheid responsabiliza os manifestantes pelas consequências dos protestos de que participam. Seu uso provocou revolta.

O massacre já lembrara os piores dias do regime segragacionista da maioria branca, que acabou em 1994, com a ascensão ao poder de Nelson Mandela depois das primeiras eleições democráticas da História da África do Sul.