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segunda-feira, 29 de junho de 2020

Onda verde nas eleições municipais na França

Ao ganhar as eleições municipais em Lyon, Bordéus, Estrasburgo, Poitiers, Besançon, Annecy e Grenoble, e apoiar os candidatos vencedores em Paris, Marselha e Montpellier, os verdes se impõem como uma grande força política na França de oposição ao presidente Emmanuel Macron, noticiou o jornal Le Monde.

O partido Europa Ecologia-Os Verdes (EELV), fundado em 2010 por Daniel Cohn-Bendit, Dani le Rouge, líder da Revolução dos Estudantes de Maio de 1968, sem deputados na Assembleia Nacional, foi o grande vitorioso das eleições municipais francesas, cujo segundo turno foi disputado ontem. Em Paris, apoiou a reeleição da prefeita socialista Anne Hidalgo, com 49% dos votos.

Foi uma derrota para A República em Marcha (LREM), o partido do presidente Macron. Uma aliança de esquerda se reconstitui, pressionando o presidente, que foi ministro das Finanças do presidente socialista François Hollande (2012-17), a se alinhar à centro-direita.

O primeiro-ministro Edouard Philippe, que veio do partido gaullista Os Republicanos (LR), salvou a honra do governo ganhando em Le Havre. Com vitórias em Nice e Toulouse, LR se firma como o partido dominante nas cidades de médio porte, com mais de 9 mil habitantes.

A Reunião Nacional, de extrema direita, conquistou em Perpignan, na fronteira com a Espanha, sua segunda vitória numa grande cidade, de mais de 100 mil habitantes, depois de vencer em Toulon em 1995. No primeiro turno, havia confirmado o controle sobre 7 das 11 cidades onde venceu em 2014. Ganhou mais duas e perdeu duas no domingo.

Havia rumores de que Macron poderia demiti-lo em caso de derrota do governo, mas Philippe se tornou mais popular do que o presidente, considerado arrogante e elitista, durante a quarentena. Se for afastado, pode desafiar Macron na eleição presidencial de 2022. Em pesquisa do jornal direitista Le Figaro, 75% apoiam a manutenção de Philippe na chefia do governo.

"Isto lembra as eleições municipais de 1977", quando a esquerda ganhou, antecipando a vitória do socialista François Mitterrand na eleição presidencial de 1981, festejou o secretário-geral do partido, Julian Bayou.

"Apesar das coalizões anticlima, apesar dos insultos na campanha, os prefeitos ecologistas foram reeleitos e novas vitórias permitem à ecologia se ancorar duradouramente em numerosas cidades e grandes metrópoles - e também em numerosas vilas e bairros populares", acrescentou.

Para o eurodeputado verde Yannick Jadot, uma das estrelas do partido, "é uma virada política em nosso país. A paisagem se recompõe ao redor da ecologia, de um projeto rico. É uma reação à impotência e à falta de escolhas do governo nas questões ecológicas e sociais, à verticalidade de seu poder."

Mesmo com uma abstenção recorde (60%) e um grande intervalo desde o primeiro turno, em 15 de março, o adiamento por causa do confinamento imposto pela pandemia do novo coronavírus não tirou o ímpeto do movimento verde. 

Ao contrário. "A leitura da pandemia se fez ao redor da ecologia, com o questionamento dos estilos de vida e de consumo que metem à prova nossos ecossistemas", analisou o diretor do Departamento de Opnião do Instituto Francês de Opinião Pública (IFOP), Jérôme Fourquet, coautor do livro Em Imersão: uma pesquisa sobre uma sociedade confinada.

Na sua opinião, "o confinamento foi um acelerador. As pessoas querem mais localismo e uma baixa do consumo frenético. Esse período reforçou os temas do EELV."

domingo, 24 de novembro de 2019

Candidatos pró-democracia obtêm ampla vitória em Hong Kong

Os candidatos a favor da democracia conquistaram ampla maioria nas eleições distritais em Hong Kong realizadas neste domingo. Antes do final da apuração, tinham 283 cadeiras contra 42 para candidatos apoiados pelo regime comunista da China, de um total de 452 cadeiras em disputa por 1.104 candidatos. Vão controlar 12 das 18 câmaras distritais do território.

As câmaras distritais tratam de questões locais, como poluição sonora e horário de funcionamento de bares e restaurantes. Mesmo assim, este resultado é interpretado como apoio às manifestações de protestos contra a crescente interferência de Beijim no território. que na prática paralisam Hong Kong desde 9 de junho.

Mais de 2,9 milhões de pessoas votaram. O comparecimento às urnas, de 71,2%, foi recorde para todas as eleições em todo o território.

As eleições distritais são as mais democráticas de Hong Kong, um território considerado uma zona administrativa especial dentro da República Popular da China. No Conselho Legislativa, o parlamento de Hong Kong, metade dos deputados são eleitos pelo voto popular e os outros indicados por grupos de interesse, especialmente empresário. O governador é escolhido por uma assembleia de 1,2 mil pessoas, a maioria leal ao regime comunista chinês.

Os protestos começaram contra um projeto de lei para autorizar a extradição de residentes em Hong Kong para responder a processos na China continental. Logo, cresceram e os manifestantes passaram a exigir eleições diretas para governador e para o Conselho Legislativo.

A governadora Carrie Lam, acusada pelos manifestantes por causa da violência policial, ofereceu sua renúncia, mas o governo chinês não aceitou. Entende que a concessão seria uma vitória dos manifestantes. Com mais de 80% de rejeição, Carrie Lam é a governante mais impopular da história de Hong Kong.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Partido de Putin sofre grandes perdas nas eleições municipais em Moscou

O partido governista Rússia Unida deve eleger 25 dos 45 vereadores da Câmara Municipal de Moscou nas eleições realizadas ontem. Tinha 38 cadeiras. A ditadura de Vladimir Putin ganhou todas as 16 eleições para governadores regionais, mas perdeu espaço na capital da Rússia.

Apesar da vitória, a queda no número de vereadores da Rússia Unida indica que as semanas de protestos de grupos oposicionistas contra o veto a seus candidatos se refletiram nas urnas. Perdeu um terço dos vereadores, que são eleitos por voto distrital, com a cidade dividida em distritos. Cada um elege seu vereador.

Depois de cinco anos de crise e queda de renda, com uma reforma da previdência que aumentou a idade para aposentadoria, o descontentamento popular beneficiou sobretudo o Partido Comunista, que sonha com uma volta ao passado.

O porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov apresentou o resultado geral como vitória do governo, mesmo com o fraco desempenho em Moscou: "O partido mostrou liderança política."

Proibidos de concorrer, o advogado e blogueiro anticorrupção Alexei Naval e outros líderes da oposição indicaram candidatos que serão suas vozes na Câmara Municipal de Moscou. Eles defenderam um voto tático para derrotar os candidatos da Rússia Unida.

domingo, 28 de julho de 2019

Líder da oposição na Rússia é envenenado na prisão

O principal líder da oposição na Rússia, o advogado e blogueiro anticorrupção Alexei Navalny, foi hospitalizado na manhã deste domingo depois de sofrer uma reação alérgica aguda. Uma médica levantou a suspeita de envenenamento, noticiou o jornal The Moscow Times.

Navalny, de 43 anos, foi preso na quarta-feira passada e condenado a 30 dias de reclusão por violar a lei de manifestações públicas ao convocar um protesto não autorizado para ontem em Moscou. A polícia dissolveu o protesto à força e prendeu 1.373 manifestantes.

Ele está "com o rosto inchado e a pele vermelha", descreveu a porta-voz do líder oposicionista, Kira Yarmich. A médica que suspeita de envenenamento já tratou de Navalny no passado e o viu rapidamente desta vez.

"Não podemos descartar danos por intoxicação na pele e em membranas mucosas por uma substância química desconhecida infligida por uma 'terceira parte'", escreveu no Facebook a média Anastassia Vassilieva.

A manifestação de ontem reuniu cerca de 3,5 mil no centro da capital russa para protestar contra a impugnação das candidaturas de mais de dez líderes da oposição às eleições de 8 de setembro para a Câmara Municipal de Moscou, entre eles, Navalny, Ilya Yashin e Liubol Sobol.

sábado, 27 de julho de 2019

Polícia da Rússia protesto e prende mais de mil em Moscou

Quase 1,4 mil pessoas foram presas hoje na capital da Rússia por participar de uma manifestação não autorizada de oposição ao ditador Vladimir Putin. O protesto tinha o objetivo de garantir a participação de candidatos da oposição nas eleições para a Câmara Municipal de Moscou, em 8 de setembro, depois que mais de dez foram barrados, informou o jornal The Moscow News.

A manifestação foi convocada pelo advogado e blogueiro anticorrupção Alexei Navalny, hoje o principal líder oposicionista russo, que foi preso na quarta-feira por 30 dias por organizar os protestos. Democrata e nacionalista, ele foi descrito em 2012 pelo jornal americano The Wall Street Journal como o "homem que Putin mais teme".

Além de Navalny, foram proibidos de concorrer, Ilya Yashin, Liubov Sobol e Ivan Jdanov. Diante da falta de candidatos legítimos, a oposição saiu às ruas para lutar pelos princípios básicos da democracia: o direito de votar em quem o represente.

No fim da semana passada, cerca de 22,5 mil pessoas se concentraram no centro de Moscou num protesto autorizado. Foi a maior manifestação dos últimos anos na capital russa. Neste fim de semana, as autoridades decidiram dar um basta no pior estilo autoritário da política do país.

"Tentativas de dar ultimatos e organizar manifestações violentas não vão trazer nada de bom", escreveu na manhã deste sábado no Twitter o prefeito Sergei Sobianov, alinhado com o Kremlin. "A ordem na cidade será garantida de acordo com a lei."

Ontem, a maioria dos candidatos da oposição a vereador em Moscou foi presa. Mesmo assim, cerca de 3,5 mil pessoas participaram do protesto, inclusive 700 jornalistas e blogueiros em luta pela liberdade de expressão.

Antes da hora marcada, 14h em Moscou (8h em Brasília), a polícia isolou a área em frente à Prefeitura Municipal de Moscou e prendeu 200 manifestantes. Até a manhã de domingo, 1.373 oposicionistas foram presos.

A onda de protestos através da Rússia é resultado da crise econômica que diminui a renda e o padrão de vida dos russos, com a forte queda nos preços internacionais do petróleo desde junho de 2014 e as sanções internacionais contra a anexação ilegal da Crimeia, em março do mesmo ano.

Assim, a popularidade de Putin e de seu partido Rússia Unida está em baixa. Não é massacrando a oposição que vai melhorar. Mas o czar da vez não está disposto a tolerar dissidentes.

sábado, 4 de maio de 2019

Conservadores e trabalhistas perdem eleições municipais no Reino Unido

Os dois maiores partidos do Reino Unido perderam vereadores nas eleições municipais de quinta-feira, 2 de maio de 2019, por causa da indefinição quanto à saída do país da União Europeia (UE). Os liberais-democratas e os verdes, a favor de continuar fazendo parte da Europa unida, foram os maiores vencedores.

A maior derrota foi do Partido Conservador, da primeira-ministra Theresa May, grande responsável pelo plebiscito e toda a confusão em torno das relações com a Europa. Os tories perderam 1.332 nas câmaras municipais de todo o país. Foi seu pior desempenho em eleições municipais desde 1995, quando o Reino Unido se preparava para eleger Tony Blair em 1997.

Com o domínio dos grandes partidos por causa do sistema de eleição distrital em turno único, era de se esperar que a derrota conservadora levasse à vitória do Partido Trabalhista, liderado por Jeremy Corbyn. Ele é considerado um radical de esquerda indeciso em relação à Brexit e à convocação de uma segunda consulta popular. Os trabalhistas elegeram 81 vereadores a menos.

O Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), grande defensor da Brexit, perdeu 145 cadeiras em relação a 2015, seu melhor resultado em eleições municipais anteriores.

Com um ganho de 700 vereadores, o Partido Liberal-Democrata, centrista e pró-europeu, ressurge depois de sofrer uma grande derrota nas eleições gerais de 2015, pagando o preço de ser o parceiro menor da coalizão com o Partido Conservador no primeiro governo David Cameron (2010-15).

Os Verdes ganharam 194 cadeiras e foram eleitos 615 vereadores independentes.

"Foi um voto para barrar a Brexit", declarou o líder liberal-democrata, Vince Cable, punindo conservadores e trabalhistas pela total incapacidade de chegar a um consenso mínimo para sair da UE ou convocar uma segunda consultar popular, um referendo sobre o acordo de divórcio ou a anulação do resultado do plebiscito de 23 de junho de 2016.

Nos dois casos, o desgaste para os grandes partidos será enorme. A questão europeia dividiu o país, provocando sua pior crise política depois da Segunda Guerra Mundial.

Cameron convocou o plebiscito depois de sua segunda vitória na expectativa de pacificar o partido, radicalmente dividido em torno da Europa desde a queda da primeira-ministra Margaret Thatcher, em 1990. Estendeu a divisão interna do partido a todo o país.

Como em tantos outros países, o eleitorado britânico está insatisfeito.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Candidato da oposição é diplomado como prefeito de Istambul

Apesar dos protestos e recursos do governista Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), Ekrem Imamoglu, do oposicionista Partido Popular Republicano (CHP), foi diplomado ontem pelo Supremo Conselho Eleitoral como prefeito eleito de Istambul, a antiga Constantinopla, maior cidade da Turquia.

Há 25 anos, o AKP governava Istambul. É um alerta para o desgaste do partido do presidente Recep Tayyip Erdogan, que assumiu poderes ditatoriais depois de uma tentativa de golpe em 2016.

A eleição para prefeito de Istambul foi uma disputa apertada. Imamoglu ganhou por 13 mil votos num eleitorado de 8 milhões. O AKP ainda contesta o resultado oficial.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

CNA recua nas eleições municipais na África do Sul

O Congresso Nacional Africano (CNA) teve nas eleições municipais de hoje na África do Sul seu pior resultado desde que chegou ao poder, em 1994, com o fim do regime segregacionista do apartheid, a ditadura da minoria branca, que durou 300 anos, informa a televisão pública britânica BBC.

Até agora, a maior derrota deve ser na cidade da Baía Nelson Mandela, na periferia de Porto Elizabeth, onde a Aliança Democrática, maior partido de oposição, está perto da vitória.

O CNA ganha nacionalmente com 54% dos votos, mas perde em grandes cidades como a Cidade do Cabo e Porto Elizabeth. Em Joanesburgo, a maior cidade sul-africana, e em Pretória, a capital, a disputa é apertada.

Depois de 22 anos de monopólio do poder, o CNA sofre com o desgaste de governar, o não cumprimento de promessas de inclusão social e os escândalos de corrupção envolvendo o partido, a começar pelo presidente Jacob Zuma, condenado a devolver aos cofres públicos US$ 23 milhões gastos em obras em sua residência particular.

Os resultados finais serão anunciados neste sexta-feira.

domingo, 19 de junho de 2016

Virginia Raggi é primeira mulher eleita prefeita de Roma

Com uma campanha anticorrupção, a advogada Virginia Raggi, de 37 anos, foi eleita neste domingo pelo Movimento 5 Estrelas para ser a primeira mulher a governar Roma por ampla vantagem, no segundo turno, sobre Roberto Giachetti, do Partido Democrático, do primeiro-ministro Matteo Renzi.

Pelas projeções dos primeiros resultados, a candidata do partido populista criado pelo humorista Beppe Grillo venceu com 67% dos votos. Houve segundo turno em 126 cidades da Itália, com um comparecimento às urnas de pouco mais da metade dos eleitores.

É mais uma derrota dos partidos tradicionais num grande país da Europa. Roma foi governada várias vezes pela direita e pela esquerda. O balanço é um desastre. Com a vitória, o Movimento 5 Estrelas torna-se o principal partido de oposição ao governo Matteo Renzi, de centro-esquerda.

A Prefeitura Municipal acumula uma dívida de 13,5 bilhões de euros. Cerca de 40% das ruas precisam de nova pavimentação. A Linha 3 do metrô, prevista para entrar em funcionamento no ano 2000, ainda está em obras. Em 2014, estourou um escândalo conhecido como Máfia da Capital, envolvendo políticos de vários partidos, empresários e mafiosos.

O Movimento 5 Estrelas, nascido como uma onda de protesto nas redes sociais, governa as cidades de Parma e Livorno, sem grandes mudanças revolucionárias. Roma será um desafio bem maior.

Virginia Raggi baseou sua campanha em três pontos: transporte, lixo e transparência. Ela é contra a candidatura de Roma a sede da Olimpíada de 2024. Seu partido alega que o povo italiano tem outras prioridades. Mas o ex-jogador de rúgbi Andrea Lo Cicero, dado como certo como secretário de Esportes, é a favor.

Ela promete renegociar a dívida da Cidade Eterna e cobrar impostos sobre os imóveis comerciais pertencentes ao Vaticano. Se antes de entrar para o Movimento 5 Estrelas dizia votar na esquerda, Virginia fez seu estágio como advogada no escritório de um dos defensores do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, principal símbolo da corrupção na política italiana depois da Operação Mãos Limpas (1992-94). Esse detalhe ela costuma omitir.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Bolsa de Madri cai com avanço dos partidos indignados

A Bolsa de Valores de Madri caiu 1,2% hoje com a queda no percentual de votação do conservador Partido Popular nas eleições municipais e regionais de ontem na Espanha e o crescimento dos novos partidos formados pelos indignados com a crise financeira que abalou o país nos últimos anos. 

O PP teve 27% dos votos e o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) 25%, mas tiveram os piores resultados da história. A formação da maioria dos governos, especialmente nas grandes cidades, vai depender dos partidos Podemos e Cidadãos.

"A vitória do PP é inquestionável. Foi a lista mais votada", declarou o primeiro-ministro Mariano Rajoy, citado pelo jornal El País, negando-se a promover uma ampla reforma ministerial.

Em Madri, o PP elegeu 21 vereadores, mas o novo partido de esquerda Podemos, contrário às políticas de austeridade fiscal adotadas para combater a crise, tem agora 20 vereadores, o que o coloca em boas condições para formar o novo governo. O mesmo pode ocorrer em La Rioja, Múrcia e Valência.

A queda da bolsa se deve à perspectiva de que nenhum partido tradicional vá conseguir maioria absoluta as eleições nacionais marcadas para 20 de dezembro.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Erdogan quer juros mais baixos e eleições depois

Com a vitória do seu Partido da Justiça e do Desenvolvimento, islamita moderado, nas eleições municipais de 30 de março de 2014, com 45% da votação geral, o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan rejeitou hoje as pressões da oposição para antecipar as eleições parlamentares e pediu ao Banco Central que reduza as taxas de juros.

O partido governista ganhou até mesmo em Istambul, a maior cidade turca, palco de violentos confrontos entre manifestantes e a polícia há dez meses e recentemente.

As taxas básicas de juros foram elevadas de 7,5% para 12,5% ao ano no fim de janeiro para conter a desvalorização da lira turca em meio à fuga de capitais dos mercados emergentes em razão da redução dos estímulos do banco central dos Estados Unidos à economia americana.

Depois da vitória, Erdogan relaxou a censura imposta ao Twitter para dificultar a circulação de denúncias de corrupção vistas pelo primeiro-ministro como uma ameaça durante a campanha eleitoral, mas disse que fazia isso por ordem da Justiça.

O YouTube também foi censurado, desta vez em nome da segurança nacional, por causa da divulgação de uma reunião onde o governo turco discutia uma intervenção militar na guerra civil da Síria.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Cai o primeiro-ministro da França

A derrota do Partido Socialista nas eleições municipais derrubou o primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault. O novo chefe de governo da França será o até agora ministro do Interior, Manuel Valls, da ala mais conservadora do partido.

Ao anunciar uma ampla reforma ministerial em discurso na televisão, o presidente François Hollande reconheceu o descontentamento do eleitorado francês com a crise econômica, o desemprego e a lentidão nas reformas para recuperar o país.

O presidente tentou reforçar a presença dos ecologistas no governo, mas a líder dos Verdes, Cecile Duflot, nega-se a participar de um ministério chefiado por Valls, que considera muito à direita.

domingo, 30 de março de 2014

Direita vence eleições municipais na França

A União por um Movimento Popular (UMP), de centro-direita, principal partido de oposição foi a grande vencedora do segundo turno das eleições municipais na França, realizado hoje, tomando mais de cem prefeituras do Partido Socialista, do presidente François Hollande.

A Frente Nacional, de extrema direita, conquistou onze prefeituras. Outro grupo de ultradireita, a Liga do Sul, ganhou mais três. Os socialistas mantiveram Paris.

Ao todo, a direita e a extrema direita ficaram com 572 prefeituras, contra 349 para o PS e seus aliados. Em 2008, a esquerda elegera 509 prefeitos contra 433 da direita. Não havia governos municipais de extrema direita.

Agora, a direita recebeu 45,9% dos votos, a esquerda 40,6% e a ultradireita 6,8%. A abstenção ficou em 34,8%

O partido do governo perdeu em 155 cidades de mais de 9 mil habitantes. Enquanto Anne Hidalgo se tornava a primeira mulher eleita para governar Paris, o PS perdia Toulouse, Saint-Etienne, Angers, Reims, Amien, Caen, Montpelier e Grenoble.

Em nome do governo, o primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault assumiu a responsabilidade pela derrota. Cabe ao presidente Hollande, com a popularidade baixa de apenas 19%, decidir seu futuro. Uma reforma ministerial é iminente.

As eleições municipais foram vistas como um referendo sobre o governo Hollande. É difícil para um socialista promover cortes de gastos públicos, equilibrar o orçamento, reduzir direitos sociais e fazer as reformas necessárias para recuperar a competitividade da França.

A economia francesa é mais engessada por impostos e gastos obrigatórios, provocando, por exemplo, uma fuga em massa de jovens empresários da França para o Reino Unido.

Com a crise e os resultados eleitoral, a UMP volta a se colocar como alternativa de poder na França. A dúvida é vai haver um renascimento do ex-presidente Nicolas Sarkozy. Ele ainda é o direitista mais bem cotado nas pesquisas de opinião, à frente do atual líder do partido, Jean-François Copé, que sua eleição interna questionada pelo adversário, o ex-primeiro-ministro François Fillon.

Por ironia histórica, o presidente Hollande desmonta o que construiu como líder do PS: uma ampla rede de governos municipais socialistas. Mas talvez o resultado mais significativo destas eleições municipais francesas tenha sido a ascensão da Frente Nacional.

Cada vez mais a ultradireita, que herdou parte do voto operário que um dia foi do Partido Comunista Francês, se estabelece como um grande partido no panorama político do país.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Governo da Turquia agora censura YouTube

Depois de ser obrigado a desbloquear o acesso ao Twitter, o governo da Turquia censurou o YouTube hoje, a apenas três dias das eleições municipais, vistas como um plebiscito sobre o autoritário primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, envolvido em escândalos de corrupção.

Nas últimas semanas, vazaram para as redes sociais gravações de telefonemas de Erdogan com assessores próximos, grandes empresários e com o próprio filho, com quem o primeiro-ministro discutia maneiras de esconder milhões de dólares supostamente oriundos de corrupção.

As últimas gravações revelam um debate interno no governo turco sobre uma possível intervenção na guerra civil da vizinha Síria com tropas e tanques. Erdogan alegou ser uma questão de segurança nacional.

Como o primeiro-ministro está sob investigação, acredita-se que os vazamentos sejam "fogo amigo", gente do próprio governo interessada em abalar Erdogan, envolvido numa disputa de poder com o presidente Abdullah Gul pela liderança do Partido da Justiça e do Desenvolvimento, islamita moderado.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Justiça da Turquia suspende bloqueio ao Twitter

Um tribunal administrativo de Ancara suspendeu hoje o bloqueio de acesso ao Twitter imposto na semana passada a pedido do primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que tenta se safar de um escândalo de corrupção.

Até o presidente turco, Abdullah Gul, que disputa a liderança do partido do governo com Erdogan, criticou a censura. Se dependesse do primeiro-ministro, ela seria mantida até as eleições municipais de 30 de março de 2014.

domingo, 23 de março de 2014

Ultradireita avança nas eleições na França

A Frente Nacional, neofascista, de extrema direita, obteve avanços sem precedentes hoje no primeiro turno das eleições municipais na França. Já ganhou uma prefeitura e vai disputar o segundo turno 229 cidades daqui a uma semana.

O Partido Socialista, do presidente François Hollande, foi o maior derrotado. A União por um Movimento Popular (UMP), de centro-direita, partido neogaullista do ex-presidente Nicolas Sarkozy, reivindica a vitória na contagem geral dos votos. Mas é a ultradireita que cava um espaço permanente entre os grandes partidos políticos franceses.

Na soma total, os partidos de direita ficaram com 46,5% dos votos, a esquerda com 37,7% e a extrema esquerda com 4,65%, anunciou o ministro do Interior, Manuel Valls.

Duas mulheres disputam a prefeitura de Paris. A favorita é a socialista Anne Hidalgo. Nathalie Kosciusko-Morizet, da UMP, ganhou o primeiro turno com 34,8% contra 33,6% de Hidalgo, mas a socialista deve contar com o apoio de toda a esquerda no segundo turno.

Na cidade de Hénin-Beaumont, na região do Passo de Calais, a FN conquistou a prefeitura no primeiro turno, com 50,26%. Também ficou em primeiro lugar no primeiro turno em Perpignan, Avignon, Fréjus, Saint-Gilles, Forbach e Tarascon. E obteve votações expressivas em Estrasburgo, Lille, Lyon, Marselha, Mulhouse, Saint-Etienne, Nîmes e Reims.

A abstenção atingiu o recorde histórico de 38,5%. O porta-voz do PS, David Assouline, fez um apelo a todas as outras forças políticas para que se unam e impeçam os neofascistas de governar cidades importantes da França.

O segundo turno será realizado daqui a uma semana, em 30 de março de 2014.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Turquia bloqueia acesso ao Twitter

A pedido do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, que luta para sobreviver a um escândalo de corrupção, a Justiça da Turquia bloqueou o acesso ao Twitter até as eleições municipais de 30 de março, informa a agência Reuters.

Horas antes, Erdogan ameaçou acabar com o Twitter, um dos principais instrumentos das críticas da oposição, observa o jornal turco T24, reproduzido no jornal francês Courrier International, uma coletânea de artigos da imprensa mundial.

O presidente Abdullah Gul, que disputa o poder com Erdogan dentro do partido do governo, criticou a medida tuitando que proibir o acesso a redes sociais é "inaceitável", noticia a agência Reuters. A Turquia é um dos dez países com mais usuários do Twitter.

Depois de uma onda de manifestações duramente reprimidas no ano passado, o clima político está criado para o crescimento dos protestos antes e depois das eleições.

Uma gravação de um telefonema do primeiro-ministro para o filho em que os dois aparentemente discutiam maneiras de esconder dinheiro sujo deflagrou a indignação nas ruas e nas redes sociais.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Venezuela tem apagão e governo culpa "sabotadores"

A cinco dias das eleições municipais, o sistema elétrico da Venezuela sofreu ontem o segundo grande apagão do ano. Desta vez, foram atingidos 19 dos 23 estados e a capital, Caracas. Como de costume, o governo chavista de Nicolás Maduro culpou "sabotadores" por sua própria incompetência.

Diante do virtual colapso da economia da Venezuela, país com as segundas maiores reservas mundiais de petróleo, o regime chavista atropela a lógica e o que resta de democracia no país. Durante a campanha, Maduro bateu os recordes de abuso de poder.

O governo proibiu voos do avião particular do líder da oposição, Henrique Capriles. Quando a oposição marca um comício, o governo faz liquidação de preços em mercados governamentais na cidade. Os carros oficiais e o funcionalismo público são usados na campanha.

Há mais de 500 denúncias de uso indevido de dinheiro público para favorecer candidatos chavistas. O empresário e deputado oposicionista Miguel Cocchiola, favorito na cidade de Valência, foi afastado sob acusação de especulação. Para seduzir os eleitores mais pobres, Maduro congelou preços e limitou lucros de empresários e aluguéis.

As cinco televisões do governo passam 90% do tempo fazendo propaganda. E o dia da eleição foi declarado Dia da Lealdade e do Amor a Chávez. Em 8 de dezembro de 2012, Hugo Chávez anunciou na TV que iria para Cuba porque era "absolutamente imprescindível" se submeter a uma nova cirurgia e pediu aos venezuelanos que elegessem Maduro se ele não voltasse à Presidência.

Maduro venceu Capriles na eleição presidencial extra realizada em abril de 2013 por 1,5% dos votos válidos, gerando uma onda de denúncias de fraude nunca investigadas. Sem legitimidade, precisa da vitória para afirmar seu poder até mesmo dentro do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

Com inflação anual de 54%, desabastecimento de leite, carne e papel higiênico, falta de dólares e escassez de energia num governo que nada em petróleo, a economia venezuela está à beira do colapso por causa das políticas delirantes do "socialismo do século 21", a utopia chavista. E o discurso oficial não indica qualquer mudança rumo à racionalidade.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Democratas retomam prefeitura de NY após 20 anos

O democrata Bill de Blasio obteve uma expressiva vitória na eleição municipal de Nova York, derrotando o republicano Joe Lhota e recuperando a Prefeitura da maior e mais rica cidade dos Estados Unidos depois de 20 anos. No momento, está 63,5% a 35,1%.

Foram dois governos do republicano Rudolph Giuliani, famoso por coordenar a reação aos atentados de 11 de setembro, e três do bilionário Michael Bloomberg, que se elegeu primeiro como republicano e depois se tornou independente.

De Blasio, que três décadas atrás foi à Nicarágua a Revolução Sandinista, assediada na época por rebeldes contrarrevolucionários apoiados pelo então presidente Ronald Reagan, promete fazer um governo mais à esquerda, aumentar os impostos para os ricos e construir imóveis para reduzir o custo da habitação na cidade.

Com um dos metros quadrados mais caros do mundo, 25% dos habitantes da cidade mais rica do mundo são pobres e a maioria aluga casa ou apartamento por não poder comprar.

sábado, 5 de maio de 2012

Boris Johnson é reeleito prefeito de Londres

Como uma consolação para o Partido Conservador, derrotado nas eleições municipais de 3 de maio de 2012 na Grã-Bretanha (Inglaterra, Escócia e País de Gales), Boris Johnson foi reeleito prefeito de Londres, vencendo o ex-prefeito trabalhista Ken Livingstone, conhecido como o Vermelho por suas posições esquerdistas.

Depois da segunda derrota consecutiva, desta vez por 51,5% a 48,5% dos votos válidos, Ken, o Vermelho, prometeu não concorrer mais. Ele liderava a Câmara Municipal da Grande Londres quando ela foi extinta pela então primeira-ministra Margaret Thatcher nos anos 80 por considerá-la um foco de oposição a suas reformas conservadoras.

Quando o governo Tony Blair introduziu a eleição direta para prefeito de Londres, Ken estava afastado do partido. Foi eleito como independente em 2000 e reeleito em 2004. Seu governo introduziu a taxa de congestionamento, cobrando pedágio de 5 libras por dia de quem transitar no centro de Londres para financiar a melhoria nos transportes públicos, inclusive a renovação da frota dos famosos ônibus de dois andares.

Em 2008, Livingstone perdeu para Johnson, um jornalista conservador carismático e engraçado, um raro político bem-humorado, com fama de não conseguir organizar nem seu próprio cabelo.

No segundo mandato, Johnson promete cortar impostos com o objetivo de reduzir tarifas de serviços básicos. Como observou a revista The Economist, a competência do prefeito é muito limitada e deveria ser ampliada. Afinal, o prefeito de Londres é o segundo mandato popular mais importante da nação.

Com o desgaste do primeiro-ministro David Cameron por causa dos cortes de gastos de 83 bilhões de libras em quatro anos, Johnson já é visto como uma alternativa por conservadores descontentes.