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sábado, 28 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 28 de Março

NASCE FRA BARTOLOMEO

    Em 1472, nasce em Florença Bartolomeo di Paolo di Jacopo del Fattorino ou Baccio della Porta, seu primeiro apelido, um dos grandes expoentes do Renascimento, o pintor conhecido como Fra Bartolomeo.

Aluno da oficina de Cosimo Rosselli, cria seu próprio ateliê com o pintor Mariotto Albertinelli. Em 1499, é contratado para pintar um grande afresco, O Juízo Final, numa das capelas do cemitério de Santa Maria Nova.

Sob influência do religioso dominicano Girolamo Savornarola, em 1500, Fra Bartolomeo vai para um convento. Um ano depois, abandona a pintura. Volta a pintar em 1504 com temas religiosos. Em 1508, visita Veneza e assimila o estilo veneziano, com harmonias de cores mais ricas.

Durante uma visita a Roma, em 1514, Fra Bartolomeo conhece a obra de Rafael e os afrescos de Michelangelo no teto da Capela Sixtina, no Vaticano, e imprime a sua obra maior expressão dramática. Ele morre em Florença aos 45 anos, em 31 de outubro de 1517.

 GUERRA DA CRIMEIA

    Em 1854, a França e o Reino Unido declaram guerra à Rússia e entram na Guerra da Crimeia (1853-56) ao lado do Império Otomano. Ao lado da Guerra da Secessão (1861-65), a guerra civil dos Estados Unidos, é uma das primeiras guerras fotografadas.

Com o declínio do Império Otomano, a Rússia tenta estender sua influência à região dos Bálcãs, ao Mar Negro e ao Mar Mediterrâneo em sua busca eterna por portos que não congelem no inverno.

Em 1853, o czar Nicolau I se declara protetor dos cristãos ortodoxos e de seus lugares sagrados em Jerusalém, que é parte do Império Otomano. Quando as forças russas entram nas províncias otomanas do Rio Danúbio, a Moldávia e a Valáquia, hoje parte da Romênia, o sultão declara guerra à Rússia, em 16 de outubro.

O Império Britânico teme que a Rússia assuma o controle dos estreitos de Bósforo e Dardanelos, que ligam o Mar Mediterrâneo ao Mar Negro, bloqueando o caminho para a Índia. Na França, o imperador Napoleão III quer se apresentar como um legítimo sucessor do tio Napoleão I.

Com a derrota dos turcos numa batalha naval, a França e o Reino Unido decidem entrar na guerra. São seguidos pelo Reino da Sardenha de Vítor Emanuel II, que seria rei da Itália depois da unificação do país em 1861.

Em agosto de 1854, os aliados expulsam os russos dos Bálcãs. Para acabar logo com a guerra, desembarcam na Crimeia em 16 de setembro de 1854 e fazem um bloqueio naval e cerco terrestre à cidade de Sebastopol, base da Frota do Mar Negro da Rússia.

A Rússia vence as batalhas de Balaclava e Inkerman, mas perde outras e o conflito se arrasta pela recusa russa de aceitar os termos da paz imposta pelos inimigos.

A Guerra da Crimeia termina com a assinatura do Tratado de Paris em 30 de março de 1856. O novo czar da Rússia, Alexandre II, devolve a Bessarábia e a foz do Danúbio ao Império Otomano e à Moldávia, renuncia a qualquer pretensão territorial nos Bálcãs e é proibido de manter bases e forças navais no Mar Negro.

Com a derrota, a sociedade russa conclui que para competir com os países da Europa Ocidental precisa se modernizar. Em 1861, acaba a servidão, imposta séculos antes para que os camponeses não abandonassem a terra congelada durante o inverno.

ISTAMBUL REBATIZADA

    Em 1930, Constantinopla, a maior cidade da Turquia, antiga capital do Império Romano do Oriente ou Império Bizantino e do Império Otomano, muda de nome para Istambul.

A cidade nasce como Bizâncio em 657 antes de Cristo e mantém a independência até ser anexada ao Império Persa por Dario I em 512 AC. O domínio persa vai até 478 AC quando os gregos conquistam a cidade no contra-ataque à Segunda Invasão Persa da Grécia. Sem guerra, através de um acordo para pagamento de impostos, Bizâncio entra para o Império Romano em 150 AC.

Bizâncio vira Constantinopla em 11 de maio de 330 depois de Cristo, quando o imperador Constantino a torna capital do Império Romano. Com a divisão entre Império Romano do Ocidente, com capital em Roma, e Império Romano do Oriente, em 395, Constantinopla se torna capital do Império Romano do Oriente ou Império Bizantino.

Com a queda do Império Romano do Ocidente, em 476, é a capital do que resta do império que dominou a Europa na Antiguidade e preserva a cultura greco-romana, base da civilização ocidental, durante a Idade Média. Do século 5 ao início do século 13, Constantinopla é a cidade mais rica da Europa e uma ponte com a Ásia.

A queda de Constantinopla para os turcos do Império Otomano sob a liderança de Mehmet II, em 29 de maio de 1453, é o marco do fim da Idade Média. A cidade se torna capital de mais um império.

Depois da derrota na Primeira Guerra Mundial (1914-18), o Califado do Império Otomano é dissolvido em 3 de março de 1923. Nasce a República da Turquia, com capital em Ancara, e rebatiza Constantinopla como Istambul, que continua sendo a cidade mais importante. O atual presidente e protoditador, Recep Tayyip Erdogan, começou a carreira política como prefeito de Istambul e é chamado de Sultão por sua ambição de restaurar a glória do Império Otomano.

FRANCO TOMA MADRI

    Em 1939, no fim da Guerra Civil Espanhola (1936-39), as forças do generalíssimo Francisco Franco tomam Madri a caminho de derrubar a república democrática. 

A guerra civil é uma revolta de militares conservadores e nacionalistas encorajados por fazendeiros, empresários e a Igreja Católica contra o governo republicano, que tinha mais apoio entre os trabalhadores e a classe média.

Depois do pronunciamento do general Emilio Mola, uma tentativa de golpe não consegue assumir o controle de todo o país em 17 e 18 de julho de 1936 e deflagra uma guerra feroz. 

Os nacionalistas têm o apoio da Alemanha Nazista de Adolf Hitler e da Itália Fascista de Benito Mussolini, enquanto os republicanos têm a ajuda da União Soviética de Josef Stalin e de Brigadas Internacionais formadas por voluntários da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina.

O controle da capital é decisivo para a vitória. Os nacionalistas lançam um ataque a Madri de 8 a 23 de novembro de 1936. Sem sucesso na primeira investida, os franquistas cercam a capital espanhola até tomar a cidade dois anos e quatro meses depois.

ACIDENTE NUCLEAR NOS EUA

    Em 1979, às 4h da madrugada, a válvula de pressão do reator da Unidade 2 da usina nuclear de Three Mile Island não fecha direito e a água de resfriamento do sistema, contaminada pela radiação, vaza para prédios próximos enquanto o núcleo do reator superaquece perigosamente, no pior acidente nuclear da história dos Estados Unidos.

A usina de Three Mile Island é construída em 1974 numa barra do Rio Susquehanna, a 16 quilômetros de Harrisburg, a capital do estado da Pensilvânia. Em 1978, é inaugurado o reator nº 2, apresentado como capaz de gerar energia a preços razoáveis para o consumidor durante a primeira crise do petróleo.

Quando o sistema de arrefecimento começa a vazar, na madrugada do acidente, bombas de água para resfriamento de emergência passam a funcionar automaticamente. São capazes de resolver o problema. Mas, além da falha mecânica da válvula, há o erro humano.

Na confusão, os operadores do reator desligam o sistema d'água de emergência. O reator também é desligado, mas o calor residual da fissão nuclear continua sendo liberado.

De manhã, a temperatura do núcleo do reator chega a 4 mil graus centígrados. Com 5 mil graus, o núcleo do reator derrete e entra terra adentro contaminando toda a região.

Enquanto os operadores tentam entender o que está acontecendo, a água contaminada que escapa pela válvula danificada libera gases radioativos dentro da usina.

Pouco depois das 8h, a notícia se espalha pelo mundo. A empresa dona da usina, Metropolitan Edison, tenta minimizar o problema. Alega que não há aumento da radiação nos arredores da usina, mas no mesmo dia inspetores constatam um nível maior de radiação. O governador da Pensilvânia, Dick Thornburgh, cogita evacuar a região.

Por volta das 20h, os engenheiros responsáveis percebem que precisam religar as bombas de água do sistema de resfriamento do reator. A temperatura começa a cair e a pressão interna no reator baixa.

Faltava menos de uma hora para fusão total. Mais da metade do núcleo do reator está destruída ou fundida, mas a proteção está intacta. A situação parece controlada.

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sexta-feira, 28 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 28 de Março

 GUERRA DA CRIMEIA

    Em 1854, a França e o Reino Unido declaram guerra à Rússia e entram na Guerra da Crimeia (1853-56) ao lado do Império Otomano. Assim como a Guerra da Secessão (1861-65), a guerra civil dos Estados Unidos, é uma das primeiras guerras fotografadas.

Com o declínio do Império Otomano, a Rússia tenta estender sua influência à região dos Bálcãs, ao Mar Negro e ao Mar Mediterrâneo em sua busca eterna por portos que não congelem no inverno.

Em 1853, o czar Nicolau I se declara protetor dos cristãos ortodoxos e de seus lugares sagrados em Jerusalém, que é parte do Império Otomano. Quando as forças russas entram nas províncias otomanas do Rio Danúbio, a Moldávia e a Valáquia, hoje parte da Romênia, o sultão declara guerra à Rússia, em 16 de outubro.

O Império Britânico teme que a Rússia assuma o controle dos estreitos de Bósforo e Dardanelos, que ligam o Mar Mediterrâneo ao Mar Negro, bloqueando o caminho para a Índia. Na França, o imperador Napoleão III quer se apresentar como um legítimo sucessor do tio Napoleão I.

Com a derrota dos turcos numa batalha naval, a França e o Reino Unido decidem entrar na guerra. São seguidos pelo Reino da Sardenha de Vítor Emanuel II, que seria rei da Itália depois da unificação do país em 1861.

Em agosto de 1854, os aliados expulsam os russos dos Bálcãs. Para acabar logo com a guerra, desembarcam na Crimeia em 16 de setembro de 1854 e fazem um bloqueio naval e cerco terrestre à cidade de Sebastopol, base da Frota do Mar Negro da Rússia.

A Rússia vence as batalhas de Balaclava e Inkerman, mas perde outras e o conflito se arrasta pela recusa russa de aceitar os termos da paz imposta pelos inimigos.

A Guerra da Crimeia termina com a assinatura do Tratado de Paris em 30 de março de 1856. O novo czar da Rússia, Alexandre II, devolve a Bessarábia e a foz do Danúbio ao Império Otomano e à Moldávia, renuncia a qualquer pretensão territorial nos Bálcãs e é proibido de manter bases e forças navais no Mar Negro.

Com a derrota, a sociedade russa conclui que para competir com os países da Europa Ocidental precisa se modernizar. Em 1861, acaba a servidão, imposta séculos antes para que os camponeses não abandonassem a terra gelada durante o inverno.

ISTAMBUL REBATIZADA

    Em 1930, Constantinopla, a maior cidade da Turquia, antiga capital do Império Romano do Oriente ou Império Bizantino e do Império Otomano, muda de nome para Istambul.

A cidade nasce como Bizâncio em 657 antes de Cristo e mantém a independência até ser anexada ao Império Persa por Dario I em 512 AC. O domínio persa vai até 478 AC quando os gregos conquistam a cidade no contra-ataque à Segunda Invasão Persa da Grécia. Sem guerra, através de um acordo para pagamento de impostos, Bizâncio entra para o Império Romano em 150 AC.

Bizâncio vira Constantinopla em 11 de maio de 330 depois de Cristo, quando o imperador Constantino a torna capital do Império Romano. Com a divisão entre Império Romano do Ocidente, com capital em Roma, e Império Romano do Oriente, em 395, Constantinopla se torna capital do Império Romano do Oriente ou Império Bizantino.

Com a queda do Império Romano do Ocidente, em 476, é a capital do que resta do império que dominou a Europa na Antiguidade e preserva a cultura greco-romana durante a Idade Média. Do século 5 ao início do século 13, Constantinopla é a cidade mais rica da Europa e uma ponte com a Ásia.

A queda de Constantinopla para os turcos do Império Otomano sob a liderança de Mehmet II, em 29 de maio de 1453, é o marco do fim da Idade Média. A cidade se torna capital de mais um império.

Depois da derrota na Primeira Guerra Mundial (1914-18), o Califado do Império Otomano é dissolvido em 3 de março de 1923. Nasce a República da Turquia, com capital em Ancara, e rebatiza Constantinopla como Istambul, que continua sendo a cidade mais importante. O atual presidente e protoditador, Recep Tayyip Erdogan, começou a carreira política como prefeito de Istambul e é chamado de Sultão por sua ambição de restaurar a glória do Império Otomano.

FRANCO TOMA MADRI

    Em 1939, no fim da Guerra Civil Espanhola (1936-39), as forças do generalíssimo Francisco Franco tomam Madri a caminho de derrubar a república democrática. 

A guerra civil é uma revolta de militares conservadores e nacionalistas encorajados por fazendeiros, empresários e a Igreja Católica contra o governo republicano, que tinha mais apoio entre os trabalhadores e a classe média.

Depois do pronunciamento do general Emilio Mola, uma tentativa de golpe não consegue assumir o controle de todo o país em 17 e 18 de julho de 1936, há uma guerra feroz. 

Os nacionalistas têm o apoio da Alemanha Nazista de Adolf Hitler e da Itália Fascista de Benito Mussolini, enquanto os republicanos tem a ajuda da União Soviética de Josef Stalin e de Brigadas Internacionais formadas por voluntários da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina.

O controle da capital é decisivo para a vitória. Os nacionalistas lançam um ataque a Madri de 8 a 23 de novembro de 1936. Sem sucesso na primeira investida, os franquistas cercam a capital espanhola até tomarem a cidade dois anos e quatro meses depois.

ACIDENTE NUCLEAR NOS EUA

    Em 1979, às 4h da madrugada, a válvula de pressão do reator da Unidade 2 da usina nuclear de Three Mile Island não fecha direito e a água de resfriamento do sistema, contaminada pela radiação, vaza para prédios próximos enquanto o núcleo do reator superaquece perigosamente, no pior acidente nuclear da história dos Estados Unidos.

A usina de Three Mile Island é construída em 1974 numa barra do Rio Susquehanna, a 16 quilômetros de Harrisburg, a capital do estado da Pensilvânia. Em 1978, é inaugurado o reator nº 2, apresentado como capaz de gerar energia a preços razoáveis para o consumidor durante a primeira crise do petróleo.

Quando o sistema de arrefecimento começa a vazar, na madrugada do acidente, bombas de água para resfriamento de emergência passam a funcionar automaticamente. São capazes de resolver o problema. Mas, além da falha mecânica da válvula, há o erro humano.

Na confusão, os operadores do reator desligam o sistema d'água de emergência. O reator também é desligado, mas o calor residual da fissão nuclear continua sendo liberado.

De manhã, a temperatura do núcleo do reator chega a 4 mil graus centígrados. Com 5 mil graus, o núcleo do reator derrete e entra terra adentro contaminando toda a região.

Enquanto os operadores tentam entender o que está acontecendo, a água contaminada que escapa pela válvula danificada libera gases radioativos dentro da usina.

Pouco depois das 8h, a notícia se espalha pelo mundo. A empresa dona da usina, Metropolitan Edison, tenta minimizar o problema. Alega que não há aumento da radiação nos arredores da usina, mas no mesmo dia inspetores constatam um nível maior de radiação. O governador da Pensilvânia, Dick Thornburgh, cogita evacuar a região.

Por volta das 20h, os engenheiros responsáveis percebem que precisam religar as bombas de água do sistema de resfriamento do reator. A temperatura começa a cair e a pressão interna no reator baixa.

Faltava menos de uma hora para fusão total. Mais da metade do núcleo do reator está destruída ou fundida, mas a proteção está intacta. A situação parece controlada.

quinta-feira, 28 de março de 2024

Hoje na História do Mundo: 28 de Março

GUERRA DA CRIMEIA

    Em 1854, a França e o Reino Unido declaram guerra à Rússia e entram na Guerra da Crimeia (1853-56) ao lado do Império Otomano. Ao lado da Guerra da Secessão (1861-65), a guerra civil dos Estados Unidos, é uma das primeiras guerras fotografadas.

Com o declínio do Império Otomano, a Rússia tenta estender sua influência à região dos Bálcãs, ao Mar Negro e ao Mar Mediterrâneo em sua busca eterna por portos que não congelem no inverno.

Em 1853, o czar Nicolau I se declara protetor dos cristãos ortodoxos e de seus lugares sagrados em Jerusalém, que é parte do Império Otomano. Quando as forças russas entram nas províncias otomanas do Rio Danúbio, a Moldávia e a Valáquia, hoje parte da Romênia, o sultão declara guerra à Rússia em 16 de outubro.

O Império Britânico teme que a Rússia assuma o controle dos estreitos de Bósforo e Dardanelos, que ligam o Mar Mediterrâneo ao Mar Negro, bloqueando o caminho para a Índia. Na França, o imperador Napoleão III quer se apresentar como um legítimo sucessor do tio Napoleão I.

Com a derrota dos turcos numa batalha naval, a França e o Reino Unido decidem entrar na guerra. São seguidos pelo Reino da Sardenha de Vítor Emanuel II, que seria rei da Itália depois da unificação do país em 1861.

Em agosto de 1854, os aliados expulsam os russos dos Bálcãs. Para acabar logo com a guerra, desembarcam na Crimeia em 16 de setembro de 1854 e fazem um bloqueio naval e cerco terrestre à cidade de Sebastopol, base da Frota do Mar Negro da Rússia.

A Rússia vence as batalhas de Balaclava e Inkerman, mas perde outras e o conflito se arrasta pela recusa russa de aceitar os termos da paz imposta pelos inimigos.

A Guerra da Crimeia termina com a assinatura do Tratado de Paris em 30 de março de 1856. O novo czar da Rússia, Alexandre II, devolve a Bessarábia e a foz do Danúbio ao Império Otomano e à Moldávia, renuncia a qualquer pretensão territorial nos Bálcãs e é proibida de manter bases e forças navais no Mar Negro.

Com a derrota, a sociedade russa conclui que para competir com os países da Europa Ocidental precisa se modernizar. Em 1861, acaba a servidão, imposta séculos antes para que os camponeses não abandonassem a terra gelada durante o inverno.

ISTAMBUL REBATIZADA

    Em 1930, Constantinopla, a maior cidade da Turquia, antiga capital do Império Romano do Oriente ou Império Bizantino e do Império Otomano, muda de nome para Istambul.

A cidade nasce como Bizâncio em 657 antes de Cristo e mantém a independência até ser anexada ao Império Persa por Dario I em 512 AC. O domínio persa vai até 478 AC quando os gregos conquistam a cidade no contra-ataque à Segunda Invasão Persa da Grécia. Sem guerra, através de um acordo para pagamento de impostos, Bizâncio entra para o Império Romano em 150 AC.

Bizâncio vira Constantinopla em 11 de maio de 330 depois de Cristo, quando o imperador Constantino a torna capital do Império Romano. Com a divisão entre Império Romano do Ocidente, capital em Roma, e Império Romano do Oriente, em 395, Constantinopla se torna capital do Império Romano do Oriente ou Império Bizantino.

Com a queda do Império Romano do Ocidente, em 476, é a capital do que resta do império que dominou a Europa na Antiguidade e preserva a cultura greco-romana durante a Idade Média. Do século 5 ao início do século 13, Constantinopla é a cidade mais rica da Europa e uma ponte com a Ásia.

A queda de Constantinopla para os turcos do Império Otomano sob a liderança de Mehmet II, em 29 de maio de 1453, é o marco do fim da Idade Média. A cidade se torna capital de mais um império.

Depois da derrota na Primeira Guerra Mundial (1914-18), o Califado do Império Otomano é dissolvido em 3 de março de 1923. Nasce a República da Turquia, com capital em Ancara, e rebatiza Constantinopla como Istambul, que continua sendo a cidade mais importante. O atual presidente e protoditador, Recep Tayyip Erdogan, começou a carreira política como prefeito de Istambul e é chamado de Sultão por sua ambição de restaurar a glória do Império Otomano.

FRANCO TOMA MADRI

    Em 1939, no fim da Guerra Civil Espanhola (1936-39), as forças do generalíssimo Francisco Franco tomam Madri a caminho de derrubar a república democrática. 

A guerra civil é uma revolta de militares conservadores e nacionalistas encorajados por fazendeiros, empresários e a Igreja Católica contra o governo republicano, que tinha mais apoio entre os trabalhadores e a classe média.

Depois do pronunciamento do general Emilio Mola, uma tentativa de golpe não consegue assumir o controle de todo o país em 17 e 18 de julho de 1936, há uma guerra feroz. 

Os nacionalistas têm o apoio da Alemanha Nazista de Adolf Hitler e da Itália Fascista de Benito Mussolini, enquanto os republicanos tem a ajuda da União Soviética de Josef Stalin e de Brigadas Internacionais formadas por voluntários da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina.

O controle da capital é decisivo para a vitória. Os nacionalistas lançam um ataque a Madri de 8 a 23 de novembro de 1936. Sem sucesso na primeira investida, os franquistas cercam a capital espanhola até tomarem a cidade dois anos e quatro meses depois.

ACIDENTE NUCLEAR NOS EUA

    Em 1979, às 4h da madrugada, a válvula de pressão do reator da Unidade 2 da usina nuclear de Three Mile Island não fecha direito e a água de resfriamento do sistema, contaminada pela radiação, vaza para prédios próximos enquanto o núcleo do reator superaquece perigosamente, no pior acidente nuclear da história dos Estados Unidos.

A usina de Three Mile Island é construída em 1974 numa barra do Rio Susquehanna, a 16 quilômetros de Harrisburg, a capital do estado da Pensilvânia. Em 1978, é inaugurado o reator nº 2, apresentado como capaz de gerar energia a preços razoáveis para o consumidor durante a primeira crise do petróleo.

Quando o sistema de arrefecimento começa a vazar, na madrugada do acidente, bombas de água para resfriamento de emergência passam a funcionar automaticamente. São capazes de resolver o problema. Mas, além da falha mecânica da válvula, há o erro humano.

Na confusão, os operadores do reator desligam o sistema d'água de emergência. O reator também é desligado, mas o calor residual da fissão nuclear continua sendo liberado.

De manhã, a temperatura do núcleo do reator chega a 4 mil graus centígrados. Com 5 mil graus, o núcleo do reator derrete e entra terra adentro contaminando toda a região.

Enquanto os operadores tentam entender o que está acontecendo, a água contaminada que escapa pela válvula danificada libera gases radioativos dentro da usina.

Pouco depois das 8h, a notícia se espalha pelo mundo. A empresa dona da usina, Metropolitan Edison, tenta minimizar o problema. Alega que não há aumento da radiação nos arredores da usina, mas no mesmo dia inspetores constatam um nível maior de radiação. O governador da Pensilvânia, Dick Thornburgh, cogita evacuar a região.

Por volta das 20h, os engenheiros responsáveis percebem que precisam religar as bombas de água do sistema de resfriamento do reator. A temperatura começa a cair e a pressão interna no reator baixa.

Faltava menos de uma hora para fusão total. Mais da metade do núcleo do reator está destruída ou fundida, mas a proteção está intacta. A situação parece controlada.

domingo, 2 de outubro de 2022

Hoje na História do Mundo: 2 de Outubro

FIM DO LEVANTE DE VARSÓVIA

    Em 1944, os últimos rebeldes poloneses se rendem à Alemanha Nazista, que ocupa a Polônia desde o início da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Dois meses antes, sabendo do avanço do Exército Vermelho, que está derrotando as forças nazistas na frente oriental, a resistência polonesa inicia uma rebelião. 

O Levante de Varsóvia começa em 1º de agosto e dura 63 dias. Durante pelo menos 40 dias. É a maior empreitada militar de uma resistência na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. O Exército Vermelho fica estacionado a 10 quilômetros do centro da capital polonesa e não intervém a favor dos rebeldes.

PRIMEIRO NEGRO NA SUPREMA CORTE

    Em 1967, o presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos, Earl Warren, dá posse a Thurgood Marshall, primeiro juiz negro do supremo tribunal norte-americano.

Como chefe da assessoria jurídica da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP), Marshall defende mais de uma dúzia de causas na Suprema Corte contestando a discriminação racial, especialmente nas escolas. É um dos arquitetos da legislação que acaba com a discriminação legal nos EUA nos anos 1960s.

JAMAL KHASHOGGI ESQUARTEJADO

   Em 2018, o jornalista saudita residente nos Estados Unidos Jamal Khashoggi entra no Consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, para pegar um documento que precisa para se casar. É torturado, esquartejado e morto, ao que tudo indica por seguranças do príncipe herdeiro Mohamed ben Salman, o homem-forte da ditadura teocrática do país.

O corpo nunca é encontrado. Uma tropa de choque saudita chega a Istambul para cometer o crime e volta para a Arábia Saudita no mesmo dia.

A morte de Khashoggi provoca uma reação internacional que isola a monarquia saudita num primeiro momento. O então presidente norte-americano Donald Trump, que fez sua primeira viagem ao exterior como presidente à Arábia Saudita declara acreditar que o príncipe herdeiro é inocente. 

O presidente Joe Biden inicialmente tratou MbS como um pária. Com a Guerra da Ucrânia e a crise energética causada pelas sanções econômicas à Rússia, tentou negociar com o príncipe saudita um aumento na produção de petróleo.

sábado, 2 de outubro de 2021

Hoje na História do Mundo: 2 de Outubro

 FIM DO LEVANTE DE VARSÓVIA

    Em 1944, os últimos rebeldes poloneses se rendem à Alemanha Nazista, que ocupava a Polônia desde o início da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Dois meses antes, sabendo do avanço do Exército Vermelho, que está derrotando as forças nazistas na frente oriental, a resistência polonesa inicia uma rebelião, o Levante de Varsóvia.

PRIMEIRO NEGRO NA SUPREMA CORTE

    Em 1967, o presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos, Earl Warren, dá posse a Thurgood Marshall, primeiro juiz negro do supremo tribunal americano.

Como chefe da assessoria jurídica da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP), Marshall defende mais de uma dúzia de causas na Suprema Corte contestando a discriminação racial, especialmente nas escolas. É um dos arquitetos da legislação que acabou com a discriminação legal nos EUA nos anos 1960s.

JAMAL KHASHOGGI ESQUARTEJADO

   Em 2018, o jornalista saudita residente nos Estados Unidos Jamal Khashoggi entra no Consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, para pegar um documento que precisa para se casar, é torturado, esquartejado e morto, ao que tudo indica por seguranças do príncipe herdeiro Mohamed ben Salman, o homem-forte da ditadura teocrática do país.

O corpo nunca é encontrado. Uma tropa de choque saudita chega a Istambul para cometer o crime e volta para a Arábia Saudita no mesmo dia.

A morte d Khashoggi provoca uma reação internacional que isola a monarquia saudita num primeiro momento. O presidente Donald Trump, que fez sua primeira viagem ao exterior como presidente à Arábia Saudita dcclara acreditar que o príncipe herdeiro é inocente.

domingo, 30 de agosto de 2020

Mais de 60 universidades registram contágios nos EUA

Com o reinício das aulas presenciais, mais de 60 universidades de 36 estados americanos registraram casos da doença do coronavírus de 2019. Em escolas primárias e secundárias, houve pelo menos 7,9 mil casos novos em alunos e funcionários. Em todo o país, sindicatos de professres vão à Justiça contra o reinício das aulas.

O total de casos confirmados da covid-19 ultrapassou hoje os 25 milhões, com 845 mil mortes e 17,7 milhões de pacientes curados. Os Estados Unidos estão perto de 6 milhões de casos e passaram de 183 mil mortes.

No Brasil, houve 15.151 casos novos e mais 398 mortes notificadas nas últimas 24 horas, de acordo com dados das secretarias estaduais da Saúde compilados por um consórcio de empresas jornalísticas. A média diária de mortes dos últimos sete dias caiu para 875. É a menor desde 21 de maio.

Os prefeitos das duas maiores cidades da Turquia, Istambul e Ancara, acusaram o governo central do ditador Recep Tayyip Erdogan de esconder a verdadeira escala da pandemia no país. Oficialmente, o país tem 267 mil casos confirmados e 6,3 mil mortes.

A China fez acordos com 20 países de baixa renda interessados em renegociar suas dívidas, entre eles Angola e Moçambique, duas ex-colônias de Portugal.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Assassinato de jornalista desmascarou príncipe-herdeiro saudita

O assassinato brutal do jornalista Jamal Khashoggi, há exatamente um ano, mostrou a verdadeira face do príncipe-herdeiro e homem-forte da ditadura da Arábia Saudita, Mohamed ben Salman.

Em 2 de outubro de 2018, Jamal Khashoggi entrou no consulado saudita em Istambul, na Turquia. Precisava de um documento para se casar. A noiva ficou esperando do lado de fora. Ele nunca mais saiu. Foi detido, torturado, esquartejado e morto.

A primeira versão saudita foi que Khashoggi havia saído normalmente. Depois, que havia sido morto numa briga dentro do consulado. Logo, apareceu uma gravação atribuída à espionagem da Turquia que desmascarou a farsa, revelando detalhes da tortura e da brutal execução. Khashoggi teve os dados da mão amputados antes de morrer num festival de barbáries.

A responsabilidade pelo crime foi atribuída ao príncipe herdeiro. Afinal, o esquadrão da morte era formado por seus seguranças e chegou a Istambul em dois aviões usados pela equipe de MbS, como o príncipe também é conhecido. Ditador implacável, é impossível que não soubesse de nada. Meu comentário:

domingo, 23 de junho de 2019

Ditador turco perde mais uma vez eleição para prefeito de Istambul

De nada adiantou anular a eleição de 31 de março. Com 54% dos votos, o candidato da oposição, Ekrem Imamoglu, do Partido Popular Republicano (CHP) e da Aliança Nacional, venceu mais uma vez o governista Binali Yildirim, do Partido da Justiça e do Desenvolvimento e da Aliança Popular, do ditador Recep Tayyip Erdogan, que está no poder na Turquia desde 2003, noticiou o jornal turco Hurriyet.

É mais um golpe na liderança de Erdogan. O AKP dominava o governo de Istambul, a maior e mais rica cidade da Turquia, desde 1994. Era uma base importante do ditador, que foi primeiro-ministro de 2003 a 2014, quando se tornou presidente com poderes reforçados.

Depois da tentativa frustrada de golpe militar em 15 de julho de 2016, em que sua vida esteve em perigo, Erdogan se tornou um ditador, a ponto de pressionar o Supremo Conselho Eleitoral a anular a eleição de 31 de março.

O CHP, um partido secularista, segue a tradição do fundador da República Turca depois da dissolução do Império Otomano, Mustafá Kemal Ataturk, que tentou separar a religião da política. Erdogan ascendeu como um islamista moderado. Durante a Primavera Árabe, a Turquia era apontada como exemplo de democracia num país muçulmano.

A oposição acusou o governo de interferir no processo eleitoral, alegando que a eleição só foi anulada por causa da derrota do AKP. Na terça-feira passada, o ditador declarou que Imamoglu poderia ser impedido de assumir a prefeitura se ganhar a eleição e não pedir desculpas ao governador da província de Ordu.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Candidato da oposição é diplomado como prefeito de Istambul

Apesar dos protestos e recursos do governista Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), Ekrem Imamoglu, do oposicionista Partido Popular Republicano (CHP), foi diplomado ontem pelo Supremo Conselho Eleitoral como prefeito eleito de Istambul, a antiga Constantinopla, maior cidade da Turquia.

Há 25 anos, o AKP governava Istambul. É um alerta para o desgaste do partido do presidente Recep Tayyip Erdogan, que assumiu poderes ditatoriais depois de uma tentativa de golpe em 2016.

A eleição para prefeito de Istambul foi uma disputa apertada. Imamoglu ganhou por 13 mil votos num eleitorado de 8 milhões. O AKP ainda contesta o resultado oficial.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Trump exime príncipe saudita pela morte de jornalista dissidente

Em mais uma patética distorção da realidade, o presidente Donald Trump contrariou a análise da Agência Central de Inteligência (CIA) e eximiu hoje o príncipe-herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed ben Salman, de responsabilidade pela morte do jornalista dissidente Jamal Khashoggi, brutalmente assassinado no consulado saudita em Istambul, na Turquia, em 2 de outubro.

Ao justificar sua decisão, Trump acusou o Irã pela guerra civil no Iêmen, por desestabilizar o Iraque, financiar a milícia xiita libanesa Hesbolá, sustentar o ditador sírio, Bachar Assad (que acusou exageradamente por "milhões de mortes'), de ser inimigo dos Estados Unidos e de Israel, e de ser "considerado o maior patrocinador mundial de terrorismo".

Como de costume, o presidente americano ignora a realidade e constrói sua própria versão mentirosa. A Arábia Saudita e as monarquias petroleiras do Golfo Pérsico são os maiores patrocinadoras do terrorismo dos muçulmanos sunitas, inclusive da rede terrorista Al Caeda e do Estado Islâmico.

O governo saudita não financia diretamente esses grupos, que são uma ameaça a seu regime. Como o país tem 6 mil príncipes, não faltam financiadores para o extremismo muçulmano sunita. MbS, como o príncipe é mais conhecido, prometeu combater o jihadismo.

Depois de atacar o Irã, Trump afirmou que sua viagem à Arábia Saudita gerou negócios de US$ 450 bilhões para os EUA, outro exagero, inclusive de US$ 110 bilhões para a indústria bélica americana, o que está mais perto da realidade.

Quando falou do assassinato de Khashoggi, o presidente disse que talvez nunca se saiba o que realmente aconteceu. Trump aceitou as desculpas do rei Salman e do príncipe-herdeiro, que alegaram não ter conhecimento do planejamento e da execução do crime bárbaro.

"Talvez ele soubesse, talvez não", desconversou Trump, referindo-se ao príncipe.

Em uma monarquia absolutista como a Arábia Saudita, é praticamente impossível que um jornalista importante seja assassinado sem que a cúpula do regime saiba, especialmente porque o crime foi cometido por agentes da guarda pessoal de Mohamed ben Salman, como assinalou o relatório da CIA, ignorado por Trump.

"De qualquer maneira", acrescentou Trump, "nosso relacionamento é com o Reino da Arábia Saudita. Tem sido um grande aliado em nossa importante luta contra o Irã. Os EUA pretendem continuar sendo um aliado inabalável da Arábia Saudita para garantir os interesses do nosso país, de Israel e de todos os nossos outros parceiros na região. É nosso objetivo prioritário eliminar totalmente a ameaça do terrorismo através do mundo!"

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

CIA conclui que príncipe-herdeiro mandou matar jornalista saudita

A Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos concluiu que o príncipe-herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed ben Salman, foi o mandante do assassinato do jornalista dissidente Jamal Khashoggi, noticiou o jornal americano The Washington Post. 

Khashoggi foi morto e esquartejado depois de entrar no consulado saudita em Istambul, na Turquia, em 2 de outubro, atrás de um documento para se casar. A Arábia Saudita mudou várias vezes sua versão oficial e denunciou vários agentes. Cinco podem pegar pena de morte.

Um esquadrão da morte de 15 agentes sauditas foi a Istambul naquele dia e voltou à noite para a Arábia Saudita em dois aviões da monarquia absolutista. A conclusão tem base em várias fontes, em gravações realizadas dentro do consulado, num telefonema do embaixador saudita nos EUA para Khashoggi e no fato de que o príncipe manda no país e controla as questões de Estado nos mínimos detalhes.

O embaixador Khaled ben Salman, irmão do príncipe-herdeiro, ligou pessoalmente para o jornalista para orientá-lo a pegar o documento no consulado em Istambul, garantindo que Khashoggi não correria nenhum risco.

Khashoggi foi visto entrando no consulado e nunca mais saiu. Sua noiva ficou esperando do lado de fora. Primeiro, o regime saudita afirmou que ele havia saído com vida. Depois, declarou que o jornalista havia morrido numa briga dentro do consulado. Mais tarde, admitiu que os agentes sauditas haviam "cometido um erro grave", tentando eximir o príncipe de culpa.

Nesta semana, o procurador-geral da Arábia Saudita apresentou outra verão. Os agentes teriam sido enviados a Istambul para prender Khashoggi e levá-lo para o reino. Quando ele "foi detido à força", os agentes "injetaram uma quantidade excessiva de drogas, o que levou à sua morte". Onze agentes foram denunciados. Cinco podem ser condenados à morte.

A análise da CIA descreve MbS, como o príncipe é conhecido, como um "bom tecnocrata", mas intempestivo e arrogando, "alguém que vai de zero a 60 e parece não entende que há coisas que não pode fazer".

Para o serviço secreto americano, "não há como isso ter acontecido sem o conhecimento ou envolvimento" do príncipe-herdeiro. Apesar do escândalo, a CIA entende que MbS não corre risco de perder a posição e não se tornar o próximo sultão da Arábia Saudita.

Juiz manda governo Trump devolver credencial de repórter da CNN

Em uma vitória da liberdade de imprensa, um juiz federal dos Estados Unidos aceitou hoje o pedido da rede de televisão americana CNN para devolver a credencial do setorista da Casa Branca Jim Acosta, cassada depois que ele discutiu com o presidente Donald Trump durante uma entrevista coletiva.

"Quero agradecer a todos os meus colega da imprensa que me apoiaram nesta semana e quero agradecer ao juiz pela decisão de hoje", festejou Acosta diante do tribunal, em Washington, a capital dos EUA. Até a TV Fox News, que apoia Trump, ficou ao lado do repórter neste caso.

No dia seguinte à vitória eleitoral que deu maioria na Câmara dos Representantes ao Partido Democrata, de oposição, Trump se irritou com uma pergunta sobre a caravana de miseráveis da América Central que tentam entrar nos EUA, descrita pela presidente como uma invasão.

Quando Trump pediu a uma estagiária da Casa Branca que tirasse o microfone de Acosta, o repórter perguntou se o presidente temia novas denúncias do procurador especial Robert Mueller, que investiga um possível conluio da campanha de Trump com a Rússia na eleição presidencial de 2016.

Mais tarde, a assessora de imprensa de Trump declarou em nota: "Hoje, o tribunal deixou claro que não existe um direito absoluto de acesso à Casa Branca com base na Primeira Emenda. Em resposta, vamos temporariamente restituir a credencial. Também vamos estabelecer regras e processos para garantir entrevistas coletivas justas e ordeiras no futuro. Precisa haver decoro na Casa Branca."

A ação da CNN se baseia na Emenda nº 1 à Constituição dos EUA, que garante plena liberdade de imprensa, alegando que a credencial foi cassada por causa do conteúdo das reportagens do jornalista. Trump hostiliza constantemente todo repórter e meio de comunicação que divulga notícias críticas a seu governo, chamando-os de "inimigos do povo" e acusando-os de publicar "notícias falsas".

Sua atitude encoraja ditadores ao redor do mundo a atacar jornalistas, como foi o caso do dissidente saudita Jamal Khashoggi, morto e esquartejado no Consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, em 2 de outubro de 2018.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Arábia Saudita muda versão sobre a morte do jornalista Jamal Khashoggi

Depois de dizer que o jornalista Jamal Khashoggi havia saído vivo do consulado em Istambul, na Turquia, em 2 de outubro, há três dias a monarquia absolutista Arábia Saudita reconheceu que ele foi morto numa briga. 

Agora, o ministro do Exterior saudita, Adel al-Jubeir, admite que foi uma operação policial mal feita, "um erro monumental, mas nega que o príncipe-herdeiro, Mohamed ben Salman tivesse conhecimento.

A nova versão não convenceu ninguém. "Descobrimos que ele foi morto no consulado. Não sabemos como. Não sabemos os detalhes. Não sabemos onde está o corpo", declarou Al-Jubeir no domingo em entrevista à televisão americana Fox News diretamente de Riade, a capital saudita.

"Os indivíduos que fizeram aquilo agiram fora de suas responsabilidades. Foi um erro monumental, agravado pela tentativa de escondê-lo", acrescentando que o herdeiro do trono "não havia sido informado".

Até agora, informações vazadas pelo governo turco indicam que Khashoggi foi torturado e esquartejado vivo. Teve os dedos das mãos e os pés cortados e no fim foi decapitado numa execução brutal que teria sido gravada pela espionagem da Turquia.

Em comunicado conjunto, a Alemanha, a França e o Reino Unido exigiram explicações convincentes do regime saudita. A chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, suspendeu a venda de armas à Arábia Saudita, pressionando os aliados a fazer o mesmo.

O grande aliado da Arábia Saudita no Ocidente, o presidente Donald Trump reluta em adotar sanções econômicas ou militares por causa do volume de negócios que o país tem com os Estados Unidos. Só em armas os sauditas querem comprar US$ 110 bilhões nos EUA e um total de US$ 350 bilhões em dez anos.

Na terça-feira, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, ficou de anunciar o resultado das investigações e promete revelar toda a verdade sobre o caso.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Arábia Saudita confirma morte de jornalista em "briga" no sindicato

É o grande acobertamento de um crime bárbaro em marcha. Diante de uma reação internacional sem precedentes, a monarquia absolutista da Arábia Saudita confirmou hoje que o jornalista dissente Jamal Khashoggi foi morto dentro do consulado do país em Istambul, na Turquia. De início, os sauditas alegaram que o jornalista saíra do consulado. Agora, a desculpa oficial é que houve uma "confrontação com pessoas reunidas no consulado".

Dezoito pessoas foram presas. Dois altos funcionários foram presos, o subchefe do serviço secreto, general Ahmed Assiri, e o assessor real Saud al-Kahtani. O sultão Salman ben Abdul Aziz al-Saud mandou uma comissão formada pelo príncipe-herdeiro e homem-forte do reino, Mohamed ben Salman, principal suspeito de ser o mandante do crime, para reestruturar o serviço.

"As pessoas que ele conheceu no consulado do reino em Istambul provocaram uma briga que levou à sua morte", afirmou a agência oficial de notícias saudita. "As investigações estão em andamento e 18 súditos do reino foram presos."

Nenhum esclarecimento sobre o que foi feito do corpo. Ninguém vai comprar esta versão mentirosa ou talvez só o presidente Donald Trump. Ele deixou claro que não pretende cancelar negócios de venda de armas no valor de US$ 110 bilhões nem mudar sua política para o Oriente Médio, de isolar o Irã e defender Israel.

MbS, como o príncipe é conhecido popularmente, prometeu enfrentar o clero ultraconservador, combater o terrorismo, se aproximar de Israel, contribuir para a paz com os palestinos e modernizar o país para prepará-lo para a era pós-petróleo com o programa Arábia Saudita 2030.

Tudo isso e seu próprio futuro como sultão estão ameaçados pela morte de Khashoggi, um ex-assessor da família real que se mudou para os EUA no ano passado e era colunita do jornal The Washington Post. Ele entrou no consulado em 2 de outubro para pegar um documento para se casar e nunca mais saiu.

Gravações vazadas para a imprensa pela inteligência turca revelaram que Jamal foi esquartejado vivo até a morte. Para o jornalista americano Thomas Friedman, que considerava a missão do príncipe quase impossível, agora entende que ele nunca poderá ser rei.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Arábia Saudita deve admitir que jornalista morreu sob tortura

Em conversa telefônica com o presidente Donald Trump, o sultão da Arábia Saudita, Salman ben Abdul Aziz al-Saud, negou hoje ter qualquer conhecimento da morte do jornalista saudita Jamal Khashoggi, assassinado durante uma visita ao Consulado Saudita em Istambul, na Turquia, em 2 de outubro. Horas depois, a CNN noticiou que o reino prepara um relatório para admitir que ele morreu durante o interrogatório.

Desde o início do caso, uma das explicações possíveis é que uma equipe de 15 agentes sauditas foi à Turquia naquele dia para tentar prender Khashoggi e levá-lo para a Arábia Saudita. Como ele resistiu, pode ter sido morto quando era torturado.

Ex-assessor da família real, Khashoggi se tornou um dos maiores críticos do príncipe-herdeiro Mohamed ben Salman. No ano passado, foi para o autoexílio nos Estados Unidos, onde era colaborador do jornal The Washington Post.

Para desculpar a monarquia absolutista saudita, conhecida por ser um reino medieval sem o menor respeito pelos direitos humanos, Trump disse hoje que podem ser "assassinos vagabundos", sem ligação com a Arábia Saudita.

É difícil imaginar como 15 agentes tenham ido a Turquia numa operação desses sem a autorização da família real. A desculpa oficial pode ser que eles não tinham autorização superior para fazer o que fizeram.

Trump enviou o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, a Riade para conversar com o sultão.

sábado, 6 de outubro de 2018

Jornalista saudita pode ter sido morto no consulado em Istambul

As autoridades da Turquia temem que o jornalista saudita Jamal Kashoggi tenha sido assassinado dentro do Consulado da Arábia Saudita em Istambul e que o corpo tenha sido retirado do local, noticiou hoje a agência Reuters citando como fontes funcionários turcos.

Em entrevista à agência Bloomberg, o príncipe-herdeiro saudita, Mohamed ben Salman, declarou que Khashoggi, um de seus maiores críticos, saiu do consulado pouco depois de entrar, em 2 de outubro. Se a morte for confirmada, a condenação internacional da Arábia Saudita será inevitável.

O caso é mais uma tentativa da monarquia absolutista saudita de calar seus críticos dentro do país e no exterior. Khashoggi desapareceu depois de ir ao consulado quatro dias atrás. Sua família acredita que ele tenha sido detido no consulado.

Jamal Khashoggi era um jornalista popular que se impôs um autoexílio. Seus artigos em publicações do exterior, inclusive do jornal americano The Washington Post, faziam críticas duras ao príncipe MbS.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Estado Islâmico reivindica autoria do Massacre do Ano Novo na Turquia

A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante assumiu hoje a responsabilidade pelo ataque a uma casa noturna de Istambul, a maior cidade de Turquia em que 39 pessoas morreram e outras 69 saíram feridas. 

O atirador está foragido. Ele foi descrito pelo grupo como "um soldado heróico do Califado que golpeou uma casa noturna famosa onde os cristãos celebravam suas festas apóstatas".

Antes de entrar no clube Reina, por volta de 1h15 da madrugada de 1º de janeiro (20h15 minutos de 31 de dezembro em Brasília), o atirador matou um policial e um agente de viagem. Lá dentro, onde havia cerca de 600 pessoas, disparou cerca de 120 tiros;

Pelo menos 25 mortos eram estrangeiros. Entre eles, cinco eram sauditas, três indianos, três libaneses, um belga, um kuwatiano, uma israelense, um marroquino, um líbio, um tuisiano e sua mulher franco-tunisiana.

O governo turco suspeita que o autor pertença à mesma célula terrorita responsável pelo ataque ao Aeroporto Mustafá Kemal Ataturk, em Istambul. Na semana passada, a polícia prendeu cerca de 150 suspeitos de ligação com o Estado Islâmico.

De início, foi dito que o terrorista estava fantasiado de Papai Noel. O primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, desmentiu essa versão, mas o atirador pode ter trocado de roupa antes de sair do clube Reina, uma casa noturna muito popular situada na margem do Estreito de Bósforo.

Os Estados Unidos teriam alertado a Turquia sobre o risco de atentados terroristas nas festas de Natal e Ano Novo, repudiadas pelos extremistas muçulmanos como celebrações cristãs.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Estado Islâmico é suspeito de massacre do Ano Novo em Istambul

Um terrorista supostamente disfarçado de Papai Noel matou pelo menos 39 pessoas e deixou outras 69 feridas no clube noturno Reina, em Istambul, a maior cidade de Turquia, num massacre de Ano Novo. A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante é a maior suspeita.

Era 1h15 da madrugada em Istambul (20h15min em Brasília) quando o terrorista abriu fogo. Entre os mortos, há pelo menos 16 estrangeiros da Arábia Saudita, da Bélgica, da França, de Israel, do Marrocos, do Líbano e da Líbia.

As forças de segurança turcas fazem uma caçada humana ao atirador. Pela natureza e o alvo do ataque, acredita-se que seja ligado ao Estado Islâmico. Os outros grupos atacam alvos governamentais. O EI ataca o setor turístico, manifestações de massa e casas noturnas que considera antros do pecado.

Em um ano e meio, o EI cometeu pelo menos seis atentados terroristas na Turquia, matando mais de 240 pessoas. O pior foi contra uma manifestação pela paz em Ancara, em 10 de outubro de 2015, quando mais de 100 pessoas morreram.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, declarou que o ataque visa a "semear o caos no país". O primeiro-ministro Yildirim desmentiu a versão de que o atirador estivesse vestido de Papai Noel.

A Turquia é alvo de terroristas de extrema esquerda, de guerrilheiros curdos e de extremistas muçulmanos. No caso, as maiores suspeitas recaem sobre o Estado Islâmico, responsável pelos maiores atentados ocorridos no país no ano passado.

O clube Reina é uma das casas noturnas mais populares da área próxima ao Estreito de Bósforo. Havia mais de 600 pessoas na casa festejando o Réveillon no momento do atentado.

domingo, 17 de julho de 2016

Turquia busca lições no golpe fracassado

O golpe contra o presidente Recep Tayyip Erdogan e o governo do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) na Turquia começou às 21h30 de ontem pela hora local (17h30) em Brasília, quando as duas pontes que ligam a Europa à Ásia sobre o Estreito de Bósforo e os aeroportos de Ancara e Istambul foram tomados pelos golpistas. 

Ao mesmo tempo, aviões de guerra faziam voos rasantes sobre o palácio presidencial e a Assembleia Nacional. Tanques saíram às ruas em Ancara e Istambul. Helicópteros dos rebeldes atacaram as sedes da polícia e do serviço de inteligência, leais a Erdogan, enquanto outros ocupavam meios de comunicação como a CNN na Turquia e o jornal Hurryiet.

O presidente estava na cidade de Marmaris, uma praia no Mar Egeu. Com os aeroportos das duas maiores cidades turcas em poder dos rebeldes, não tinha como voltar aos centros de poder. De lá mesmo, deu uma entrevista à CNN turca via FaceTime e apelou à população para sair às ruas e resistir ao golpe. Erdogan disse depois que o hotel onde estava foi bombardeado depois que ele saiu.

A conspiração começou a fracassar quando o comandante do 1º Exército, general legalista Ümit Dündar, assumiu o controle do Aeroporto Ataturk, em Istambul.

Quando Erdogan chegou a Istambul, a polícia atacava os militares que haviam ocupado meios de comunicação. Os três principais partidos de oposição e a mídia apoiaram o governo eleito democraticamente, apesar dos abusos e do crescimento autoritarismo do presidente, que autorizou invasão de meios de comunicação e a prisão de jornalistas, intelectuais e oposicionistas simplesmente por criticarem o governo.

Por ironia, foi o grupo de mídia Dogan, atacado no ano passado por partidários do governo, que deu voz à convocação de Erdogan à resistência popular.

A frustrada tentativa de golpe terminou com 265 mortes, na descrição do governo "161 mártires e 104 golpistas", e um expurgo nas Forças Armadas e na Justiça, com a prisão de 2.839 militares, inclusive altos oficiais como o comandante do 2º Exército, e o afastamento de cerca de 2,7 mil juízes.

sábado, 16 de julho de 2016

Golpe na Turquia termina com 265 mortos e 2.839 militares presos

O governo da Turquia reassumiu totalmente hoje o controle do país depois de uma tentativa de golpe militar ontem à noite, quando soldados rebeldes ocuparam o aeroporto de Istambul e as pontes que ligam a Europa à Ásia, e atacaram forças legalistas na capital, Ancara. 

Pelo menos 265 pessoas foram mortas, inclusive 20 líderes golpistas, e 1.440 feridas. Com o colapso do golpe, 2.839 militares foram presos e cerca de 2,7 mil juízes foram demitidos. 

Em pronunciamento à nação, o primeiro-ministro Binali Yildirim declarou que a situação está sob controle e que a tentativa de golpe foi "uma mancha negra na democracia". Ele descreveu os mortos como "161 mártires e 104 golpistas", e chamou os golpistas de "terroristas".

Todos os partidos de oposição apoiaram o governo, que acusa o clérigo muçulmano Fethullah Gülen, exilado nos Estados Unidos, de liderar a conspiração. Ela nega.

Quando os tanques tomaram as ruas de Ancara e Istambul, o presidente Recep Tayyip Erdogan convocou a população a sair às ruas e resistir ao golpe. Foi atendido. Milhares de pessoas cercaram os tanques, bloquearam sua passagem e desarmaram soldados rebeldes.

Ao reaparecer no aeroporto de Istambul durante a madrugada, Erdogan chamou os golpistas de "traidores" e prometeu um duro tratamento do caso pela Justiça.