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domingo, 3 de março de 2019

Fatah acusa Hamas de prender e torturar ilegalmente seus membros

O partido Fatah (Luta), do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, acusou ontem o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) de prender iegalmente a torturar seus membros na Faixa de Gaza, dominada pelo Hamas.

Pelo menos 100 membros da Fatah foram detidos na semana passada simplesmente por participar de manifestações em apoio a Abbas e à ANP, denunciam seus partidários. As manifestações foram em resposta a protestos do Hamas pedindo a queda de Abbas.

A Fatah responsabiliza o Hamas, a Jihad Islâmica para a Libertação da Palestina e seu ex-dirigente Mohamed Dahlan, crítico de Abbas, pelos protestos contra a ANP. Ossama Kawassmeh, porta-voz da Fatah na Cisjordânia, acusou o Hamas de "sequestrar e torturar brutalmente membros da Fatah de uma maneira que nenhum palestino pode imaginar".

Os presos teriam sido abusados física e verbalmente, jogados em celas frias e escuras, "junto com criminosos e espiões". Alguns tiveram as mãos e os pés acorrentados a cadeiras.Mohamed Labbad foi parar no hospital. Raed Abu al-Hassin, irmão do secretário-geral da Fatah, Hatem Abu al-Hassin, teve as duas pernas quebradas.

A resposta do Hamas foi dizer que as acusações são "fantasiosas".

sexta-feira, 1 de março de 2019

Família Warmbier repudia elogios de Trump ao ditador da Coreia do Norte

A família do estudante americano Otto Warmbier, que morreu depois de ficar preso um ano e cinco meses na Coreia do Norte, onde foi torturado, repudiou a declaração do presidente Donald Trump elogiando Kim Jong Un e alegando que o ditador não sabia de nada.

Fred e Cindy Warmbier, pais do estudante morto, declararam que foram "respeitosos" durante o encontro de cúpula entre os dois líderes, mas "nenhuma desculpa ou elogio vai mudar" o fato de que "Kim e seu regime diabólico" mataram seu filho, noticiou a televisão pública britânica BBC.

Otto Warmbier foi detido em Pyongyang sob a acusação de roubar um cartaz de propaganda da ditadura comunista norte-coreana em janeiro de 2016. Condenado a 15 anos de trabalhos forçados, foi solto em junho de 2017 e devolvido aos Estados Unidos em estado vegetativo. Ele morreu dias depois, em Cincinnati, no estado de Ohio, onde morava.

Durante entrevista em Hanói, no Vietnã, no fim do encontro de cúpula fracassado, Trump afirmou: "Ele me disse que não sabia de nada e acreditei em sua palavra." Em entrevista ao canal de notícias Fox News, que o apoia incondicionalmente, o presidente dos EUA chamou o ditador de "afiado" e "verdadeiro líder".

"Algumas pessoas dizem que eu não deveria gostar dele", disse Trump ao apresentador Sean Hannity, um dos maiores defensores do presidente nos meios de comunicação dos EUA. "Por que eu não deveria gostar dele? Ele é um personagem. Ele é uma verdadeira personalidade. Ele é muito inteligente."

Hannity defendeu a posição de Trump de se retirar das negociações, comparando ao que fez o então presidente Ronald Reagan com o líder soviético Mikhail Gorbachev nos anos 1980s, nas conversações que levaram ao fim da Guerra Fria.

Trump tem uma paixão indiscreta por ditadores sanguinários como Kim, o chinês Xi Jinping, o russo Vladimir Putin e o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed ben Salman, acusado pelo assassinato brutal e cruel do jornalista Jamal Khashoggi, que vivia nos EUA.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Justiça dos EUA mandar Coreia do Norte indenizar família de americano torturado

Um tribunal dos Estados Unidos mandou a ditadura comunista da Coreia do Norte pagar US$ 501 milhões de indenização à família do estudante universitário Otto Warmbier, torturado na prisão, que morreu pouco depois de ser solto, noticiou ontem a agência Reuters.

Warmbier tinha 22 anos quando foi libertado em estado de coma, voltou para os EUA e morreu dias depois. Os médicos-legistas atestaram que a causa da morte foi falta de sangue e oxigênio no cérebro.

"A Coreia do Norte é culpada de tortura, sequestro e morte extrajudicial de Otto Warmbier e de danos psicológicos a seu pai e sua mãe, Fred e Cindy Warmbier", decidiu a juíza Beryl Howell, do tribunal federal da primeira instância do Distrito de Colúmbia.

O regime stalinista de Pyongyang rejeitou as acusações de tortura e culpou o botulismo e a ingestão de soníferos pela morte de Wambier.

"Estamos gratos aos EUA por ter um sistema judicial justo e aberto para que o mundo possa ver que o regime de Kim [Jong Un] é legal e moralmente responsável pela morte de Otto", declarou a família Warmbier.

A condenação foi à revelia, quando o réu não aparece para se defender. "Pusemos a família em grande provação de uma ação judicial e um julgamento público porque prometemos a Otto que não descansaríamos enquanto não houvesse justiça para ele. Hoje a opinião circunstanciada da juíza Howell foi um passo significativo."

O julgamento acontece num momento de impasse nas negociações entre os EUA e a Coreia do Norte para pacificar e desnuclearizar a Península Coreana. Na segunda-feira, o presidente Donald Trump escreveu no Twitter: "Relatório da minha equipe de trabalho sobre a Coreia do Norte. Progresso em andamento. Aguardo meu próximo encontro de cúpula com o dirigente Kim."

Warmbier era estudante da Universidade da Virgínia quando foi preso na Coreia do Norte, em janeiro de 2016, com visto de turista, por tentar roubar um cartaz de propaganda do regime num corredor do hotel. Foi condenado a 15 anos de trabalhos forçados e autorizado a voltar para os EUA um ano e cinco meses depois, em estado comatoso.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Líderes do Khmer Vermelho são condenados por genocídio no Camboja

Pela primeira vez, dois líderes da ditadura comunista do Khmer Vermelho foram condenados por genocídio no Camboja. O vice-líder do ditador Pol Pot, Nuon Chea, de 92 anos, e o presidente do país, Khieu Samphan, de 87 anos, foram sentenciados hoje à prisão perpétua por um tribunal internacional das Nações Unidas de tentar exterminar comunidades muçulmanos e vietnamitas.

A ditadura de Pol Pot aterrorizou o país do Sudeste Asiático de 16 de abril de 1975 a 9 de janeiro de 1979, quando foi deposta por uma invasão vietnamita. Dois milhões de pessoas morreram durante aquele reino do terror.

Em julgamento anteriores, as condenações haviam sido por crimes contra a humanidade: assassinato em massa, extermínio, escravidão e tortura. As sentenças desta sexta-feira são um marco para o tribunal internacional que há dez anos busca responsabilizar os responsáveis por um dos regimes mais terríveis do pós-guerra.

O juiz Nil Nonn leu a longa sentença condenatória num tribunal em Phnon Penh cheio de vítimas do Khmer Vermelho. Entre as arbitrariedades da ditadura comunista, ele citou casamentos forçados e casais obrigados a ter filhos.

Nuon Chea foi considerado culpado de tentar exterminar os muçulmanos do povo cham e os cambojanos de origem vietnamita, enquanto Khieu Samphan foi condenado pelo genocídio dos vietnamitas cambojanos.

Cerca de 36% dos 300 mil muçulmanos da etnia cham foram mortos pelo Khmer Vermelho. Além de assassinados em massa, eles foram proibidos de seguir sua religião e obrigados a comer carne de porco, o que é proibido pelo islamismo.

A maioria dos vietnamitas foi foi deportada. Todos os 20 mil vietnamitas remanescentes foram mortos.

A Convenção da ONU sobre Genocídio define este crime como "a tentativa de destruir, total ou parcialmente, um grupo religioso, racial, étnico ou nacional". O extermínio de toda uma corrente política, o politicídio, ficou de fora porque o ditador soviético Josef Stalin vetou.

O Khmer Vermelho foi um movimento extremista do maoísmo fundada por intelectuais cambojanos educados na França sob a influência do stalinismo do Partido Comunista Francês nos anos 1950s.

Saloth Sar, mais conhecido como Pol Pot, chegou ao poder duas semanas antes da queda de Saigon (hoje Cidade de Ho Chi Minh), no fim da Guerra do Vietnã, em 1975, depondo o regime do general Lon Nol, que derrubara cinco anos antes o governo de Norodom Sikanouk, o Príncipe Vermelho, num golpe apoiado pelos EUA.

Durante a Guerra do Vietnã (1964-75), os EUA bombardearam intensamente o Camboja para atacar os guerrilheiros do Vietnã do Norte, comunista, que usavam a chamada Trilha de Ho Chi Minh, por dentro do território cambojano, para invadir o Vietnã do Sul, aliado dos EUA. O ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger é acusado de crimes de guerra pelos bombardeios.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Arábia Saudita deve admitir que jornalista morreu sob tortura

Em conversa telefônica com o presidente Donald Trump, o sultão da Arábia Saudita, Salman ben Abdul Aziz al-Saud, negou hoje ter qualquer conhecimento da morte do jornalista saudita Jamal Khashoggi, assassinado durante uma visita ao Consulado Saudita em Istambul, na Turquia, em 2 de outubro. Horas depois, a CNN noticiou que o reino prepara um relatório para admitir que ele morreu durante o interrogatório.

Desde o início do caso, uma das explicações possíveis é que uma equipe de 15 agentes sauditas foi à Turquia naquele dia para tentar prender Khashoggi e levá-lo para a Arábia Saudita. Como ele resistiu, pode ter sido morto quando era torturado.

Ex-assessor da família real, Khashoggi se tornou um dos maiores críticos do príncipe-herdeiro Mohamed ben Salman. No ano passado, foi para o autoexílio nos Estados Unidos, onde era colaborador do jornal The Washington Post.

Para desculpar a monarquia absolutista saudita, conhecida por ser um reino medieval sem o menor respeito pelos direitos humanos, Trump disse hoje que podem ser "assassinos vagabundos", sem ligação com a Arábia Saudita.

É difícil imaginar como 15 agentes tenham ido a Turquia numa operação desses sem a autorização da família real. A desculpa oficial pode ser que eles não tinham autorização superior para fazer o que fizeram.

Trump enviou o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, a Riade para conversar com o sultão.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Assassinos da ditadura militar pegam prisão perpétua na Argentina

O Tribunal Federal Oral da Argentina condenou há dois dias à prisão perpétua por "crimes contra a humanidade" 29 acusados por sequestros, torturas, assassinatos e os "voos de morte" durante a última ditadura militar (1976-83) a desgraçar o país, entre eles os capitães Alfredo Astiz, o Anjo da Morte, e Jorge Tigre Acosta, noticiaram os jornais Clarín e La Nación.

Foi o terceiro grande processo sobre os crimes cometidos na Escola Superior de Mecânica da Armada (ESMA), a academia militar da Marinha argentina, que se tornou no principal centro de detenção, tortura e desaparecimento de presos políticos durante a guerra suja contra a esquerda. E o mais importante julgamento sobre direitos humanos na Argentina desde a condenação, há 32 anos, das juntas militares que desgovernaram o país de 1976 a 1982 e caíram com a derrota na Guerra das Malvinas.

No processo conhecido como ESMA III ou ESMA unificada, iniciado em 2012, 68 réus foram denunciados por crimes cometidos contra 789 pessoas; 14 morreram neste últimos cinco anos. Além dos 29 condenados à prisão perpétua, seis foram absolvidos e 19 pegaram de 8 a 25 anos de reclusão.

Durante a leitura da sentença, o tribunal situado no bairro do Retiro, no centro histórico de Buenos Aires, ficou dividido entre parentes das vítimas e defensores dos direitos humanos, de um lado, e partidários da ditadura, do outro, cantando o hino argentino e ofendendo jornalistas e ativistas.

O juiz David Obligado pediu aos manifestantes que baixassem faixas e cartas. Chegou a ameaçar evacuar a sala. Eram tantos os delitos que a leitura da sentença levou cinco horas. Só foram lidos os nomes dos réus, as acusações e os vereditos. As razões dos três desembargadores serão apresentadas noutro dia.

Mais de 5 mil presos políticos passaram pela ESMA e apenas centenas saíram com vida. Muitos foram drogados e jogados no mar nos sinistros voos da morte. Entre os sentenciados a passar a vida na cadeia, está o ex-piloto Mario Arru, responsável por alguns daqueles voos. Sua condenação foi das mais festejadas.

Arru estava no voo que jogou no Rio da Prata os sequestrados na Igreja de Santa Cruz, em que estavam a primeira presidente da organização das Mães da Praça de Maio, Azucena Villaflor, e as freiras francesas Alice Dumont e Leonis Duquet. Causou indignação a absolvição de Julio Poch, que morava na Holanda e foi extraditado depois de se gabar de ter participado dos voos da morte.

Talvez a figura mais odiada internacionalmente seja o capitão Alfredo Astiz, mais conhecido como Anjo da Morte, porque era jovem, louro e bonito na época da ditadura. Ele fico tristemente famoso por ter matado com um tiro pelas costas uma jovem sueca-argentina de apenas 17 anos, Dagmar Hagelin. Também foi acusado, entre muitos outros crimes, pelo sequestro e morte das freiras argentinas.

Durante a Guerra das Malvinas (1982), Astiz foi nomeado governador das Ilhas Geórgias do Sul, e se rendeu aos britânicos sem disparar um tiro. Preso, teve pedidos de extradição feitos pela França e a Suécia, mas a primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher o entregou à ditadura militar argentina. Amiga do ditador chileno Augusto Pinochet, Thatcher era conivente com caçadores de comunistas.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

ONU denuncia tortura e abuso da força na Venezuela

O Alto Comissariado das Nações Unidas denunciou ontem o regime chavista da Venezuela por uso "generalizado e sistemático" de força excessiva contra manifestantes. Das 124 mortes registradas em manifestações de protesto e saques desde o início da abril, 46 foram atribuídas às forças de segurança e 27 às milícias chavistas conhecidas como coletivos.

Quase 2 mil pessoas saíram feridas e mais de 5 mil foram presas ilegalmente de abril a julho. A Procuradoria-Geral da Venezuela iniciou 450 investigações por violações dos direitos humanos cometidas por autoridades na repressão aos protestos de rua diários nas grandes cidades.

Nestes inquéritos, as forças policiais ou militares são acusadas de 23 mortes e 853 casos de lesões corporais graves. A tortura inclui choques elétricos, golpes com capacetes e cassetetes, ser pendurado pelas mãos amarradas por longos períodos, asfixia com gases, violência sexual e ameaças de morte.

"A responsabilidade por estas violações está nos mais altos níveis do governo", acusou o alto comissário Zeid Raad al-Hussein, "em meio ao colapso do Estado de Direito, com ataques constantes do governo contra a Assembleia Nacional e a Procuradoria-Geral".

Principal voz dissidente do chavismo, a procuradora-geral Luisa Ortega Díaz considerou a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte por Maduro inconstitucional, porque deveria haver um plebiscito sobre o tema, e uma traição à memória de Hugo Chávez, grande articulador da atual Constituição da República Bolivarista da Venezuela.

O Alto Comissariado também manifestou "séria preocupação" com as batidas policiais violentas em residências, muitas vezes sem ordem judicial, e denunciou as ameaças e pressões a jornalistas. "Exorto todas as partes a que renunciem ao uso da violência e tomem medidas para a estabelecer um diálogo político significativo", apelou o secretário-geral da ONU, o português António Guterres, sem esconder o temor de uma "escalada na tensão".

terça-feira, 20 de junho de 2017

Estudante americano torturado na Coreia do Norte morre

SÃO FRANCISCO-CA, EUA - O governo Donald Trump cogita proibir viagens à Coreia do Norte depois da morte do estudante Otto Wambier, de 22 anos, preso há um ano e meio e torturado por tentar roubar um cartaz de propaganda do regime stalinista de Pionguiangue.

Na semana passada, o governo norte-coreano devolveu Wambier em estado de coma. Ele estava hospitalizado no Centro Médico da Universidade de Cincinnati, no estado de Ohio.

"Infelizmente, o abominável maltratamento com tortura que nosso filho recebeu das mãos do atual governo norte-coreano garantiu que o resultado só poderia ser a experiência triste que experimentamos hoje", declararam em nota os pais do jovem.

O presidente Trump deplorou a morte e o senador John McCain afirmou que "os Estados Unidos não podem tolerar a morte de seus cidadãos por potências hostis." Tanto a Casa Branca quanto o Congresso podem proibir os americanos a viajar para lá.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Bolívia prende líderes mineiros por morte de vice-ministro

A polícia da Bolívia prendeu hoje 10 líderes mineiros, inclusive o principal dirigente da Federação Nacional das Cooperativas Mineiras da Bolívia (Fencomin), Carlos Mamani, na investigação sobre a morte do vice-ministro do Interior, Rodolfo Illanes, sequestrado, torturado e morto ontem por mineiros em greve, informou a edição digital do jornal boliviano La Razón.

A morte do vice-ministro foi confirmada à meia-noite de quinta-feira pelo ministro do Governo, equivalente a chefe da Casa Civil, Carlos Romero, que hoje à tarde revelou a prisão dos sindicalistas. Várias sedes de sindicatos foram alvo de operações de busca e apreensão.

Illanes tentou dialogar com mineiros em greve que bloqueavam a rodovia La Paz-Ururo. Acabou sendo sequestrado, torturado e morto. Seu cadáver foi encontrado à margem da estrada.

O ministro da Defesa, Reymi Ferreira, declarou que o governo já "identificou plenamente" os responsáveis pelo assassinato. Além de Mamani, líder das manifestações de protesto, estão sendo procurados entre outros os líderes mineiros Albino García e Cecilio Alanes Cruz.

Mineiros em greve matam vice-ministro na Bolívia

Mineiros em greve sequestraram e mataram ontem o vice-ministro do Interior da Bolívia, Rodolfo Illanes em Panduro, a cerca de 160 quilômetros da capital, La Paz, noticiou a agência Reuters citando como fonte o jornalista local Moisés Flores, que viu o corpo.

"Illanes foi golpeado até a morte e não deixam recuperar seu corpo", declarou o ministro da Defesa, Reymi Ferreira, citado pelo jornal boliviano La Razón.

O vice-ministro foi na manhã de ontem à zona de conflito na expectativa de negociar com os grevistas. Logo, foi sequestrado. Antes, os mineiros haviam bloqueado uma estrada. Eles acusam a polícia de atirar nos manifestantes e matar dois grevistas.

Horas depois, o corpo foi encontrado na estrada La Paz-Oruro com marcas de tortura.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Egito condena presidente deposto a 20 anos de prisão

O único presidente eleito democraticamente da história do Egito, Mohamed Mursi, deposto por um golpe militar em 3 de julho de 2013, foi condenado hoje a 20 anos de prisão por sequestro, tortura e incitação à violência na repressão aos protestos contra seu governo em 2012.

Desde dezembro de 2013, seu movimento político, a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico do mundo, é considerado terrorista pela Justiça egípcia. Centenas de militantes foram condenados, inclusive o supremo líder espiritual do grupo, Mohamed Badie, sentenciado à pena de morte. Ainda cabem recursos no seu caso e no de Mursi.

O ex-presidente e outros três partidários da Irmandade estavam numa cela instalada dentro do tribunal. Quando ouviram a sentença, transmitida ao vivo pela televisão, os três gritaram: "Alá é grande!"

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

ONU condena violência em prisões no Brasil

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos condenou hoje a violência registrada durante a semana em várias prisões do Brasil.

Pelo menos cinco presos foram mortos durante um motim na Penitenciária Estadual de Cascavel, no Paraná. Duas vítimas teriam sido decapitadas e outras duas jogadas do telhado da prisão. Em Minas Gerais, duas rebeliões acabaram com um morto e dezenas de feridos.

Outro preso foi morto no complexo penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, um dos mais problemáticos do país. Também houve tumultos em cadeias dos estados do Pará e do Rio de Janeiro.

"Pedimos às autoridades uma apuração rápida, imparcial e efetiva dos fatos e causas das revoltas, e que os responsáveis por estes crimes sejam levados à Justiça", declarou o chefe do escritório regional do alto comissariado para a América do Sul, Amerigo Incalcaterra. "Ficamos consternados com o nível de violência nos presídios brasileiros. Não é admissível que, no Brasil, a violência e as mortes dentro de prisões sejam percebidas como normais e cotidianas."

A ONU reitera sua preocupação com os problemas carcerários do país: "Superlotação, condições inadequadas, torturas e maus-tratos contra detentos são uma realidade em muitos presídios do Brasil, contribuem para a violência e constituem graves violaçoes dos direitos humanos."

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Comissão desclassifica denúncia de tortura contra CIA

A Comissão de Inteligência do Senado dos Estados Unidos aprovou ontem a liberação parcial do relatório de 6,3 mil páginas em que a Agência Central de Inteligência (CIA) é acusada de tentar esconder do governo e da opinião pública o uso sistemático de tortura nos interrogatórios, o sequestro de suspeitos de terrorismo transportados em voos cladestinos e a criação de uma rede de prisões clandestinas no exterior onde a maior parte do trabalho sujo era feito.

Agora, cabe ao presidente Barack Obama liberar ou não os trechos desclassificados pelos senadores.

Os métodos violentos de interrogatório, inclusive espancamento, afogamento e coação com o uso de cães e outros animais, foram adotados com a conivência do governo George W. Bush depois dos atentados terroristas de 11 de setembro. Em 2009, foram proibidos pelo presidente Barack Obama.

No mês passado, a presidente comissão, a senadora democrata Dianne Feinstein, acusou a CIA de invadir o sistema de computadores do Senado para destruir provas que incriminavam a agência pelos crimes cometidos na era Bush.

A maior acusação ao governo Obama é o assassinato de inimigos políticos com ataques de aviões não tripulados, os drones, controlados dos EUA, uma espécie de videogame da guerra muito usada para atacar os talebã no Paquistão e no Afeganistão, assim como extremistas muçulmanos no Yêmen.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

CIA enganou governo e opinião pública sobre tortura

Durante anos, a CIA (Agência Central de Inteligência) enganou o governo e a opinião pública dos Estados Unidos para esconder seus métodos de interrogatório que configuravam tortura, aumentando a importância de conspirações e indivíduos, e atribuindo o sucesso de operações a informações obtidas mediante tortura. As conclusões de uma investigação da Comissão de Inteligência do Senado foram reveladas pelo jornal The Washington Post.

De 2001 a 2008, a partir dos atentados de 11 de setembro de 2001 a ao longo de quase todo o governo George W. Bush e sua Guerra contra o Terror, a tortura foi tolerada e a CIA criou uma rede de prisões clandestinas pelo mundo em países onde a tortura é usada regularmente como método de interrogatório, diz o relatório de 6,3 mil páginas.

O documento conta como agentes deixaram o serviço de espionagem da Presidência dos EUA depois de passarem mal diante do que viram na prisão clandestina da CIA na Tailândia. No Afeganistão, um suspeito de terrorismo foi mergulhado sucessivas vezes num tanque de água gelada. Outros trechos descrevem torturas como bater com a cabeça do preso na parede.

No caso dos líderes da rede terrorista Al Caeda, mesmo quem se dispôs a contar tudo o que sabia foi torturado várias vezes, na expectativa de que tivesse muito mais a dizer, a um nível que caracteriza o sadismo.

Em março de 2014, a presidente da Comissão de Inteligência do Senado, senadora Dianne Feinstein, acusou a CIA de abuso de poder ao invadir o sistema de computadores para apagar provas e retirar documentos comprometedores obtidos durante a investigação.

Logo após tomar posse, em 2009, o presidente Barack Obama desmantelou o programa de prisões clandestinas da CIA e aboliu, ao menos oficialmente, o uso da tortura como método para extrair a verdade de suspeitos de terrorismo.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Guarda Nacional Bolivariana ataca oposição venezuelana

Com uma crise econômica sem precedentes e manifestações concorrentes contra e a favor do governo disputando espaço nas ruas diariamente, a Guarda Nacional Bolivariana ataca, espanca, prende e tortura adversários políticos do regime chavista da Venezuela.

As imagens são eloquentes. Um policial dá um chute na cabeça de um oposicionista caído no chão.

O que acontece atrás das câmeras é ainda pior. O jornalista Teodoro Petkoff, do jornal Tal Cual, denuncia abusos sexuais cometidos contra oposicionistas presos como tortura enfiando o cano de um fuzil no ânus de um jovem na cidade de Valência.

Antes de se entregar ontem, o líder oposicionista Leopoldo López gravou um vídeo pedindo que o movimento não recue diante da onda repressiva cada vez mais violenta. Ele deve ser apresentado hoje à Justiça. A oposição convocou uma marcha até o tribunal.

O governo o acusa por terrorismo, homicídio e incêndios criminosos. Mas até onde se sabe, até agora, a violência partiu principalmente do governo e das seis milícias aliadas ao chavismo, que atiram contra multidões de oposicionistas desarmados. Pelo menos quatro pessoas morreram.
A revolta popular acontece em meio a uma profunda crise econômica gerada pelas políticas desastradas do "socialismo do século 21" propalado pelo falecido caudilho Hugo Chávez, que desgovernou a Venezuela de 1999 até a morte, em 5 de março de 2013. Nas ruas, a oposição diz que luta contra um cadáver, o fantasma de Chávez, que continuaria governando a Venezuela.

Sem o mesmo carisma, seu sucessor, Nicolás Maduro, venceu a eleição presidencial de 14 de abril de 2013 por pouco mais de 1% dos votos, apesar do uso maciço da máquina estatal. O candidato oposicionista derrotado, Henrique Capriles, recorreu, mas a Justiça chavista confirmou o resultado oficial.

Desde então, Capriles adotou uma estratégia de diálogo com o governo, rejeitada por oposicionistas mais radicais como López diante da gravidade da crise.

A inflação chegou a 56% ao ano. O dólar vale 13 vezes mais no mercado paralelo. Cerca de 26% dos produtos normalmente encontrados em supermercados estão em falta, inclusive carne, leite e papel higiênico. Há escassez de energia, apagões e falta de dólares num dos países com as maiores jazidas de petróleo do mundo.

E o que fazem o Brasil e seus aliados no Mercosul? Apoiam o regime chavista, ignorando a cláusula democrática que deveria ser respeitada por todos os países-membros do bloco.

Enquanto o governo brasileiro ignora a matança de mais de 130 mil pessoas na guerra civil da Síria, ficando ao lado da China e da Rússia no bloqueio a qualquer tentativa de interferir no conflito em nome do princípio de não intervenção nos assuntos internos de outros países, não tem o menor pudor de tomar partido na Venezuela.

Quem é o responsável: a presidente Dilma Rousseff, o Itamaraty ou o assessor especial Marco Aurélio Garcia, fã incondicional dos regimes bolivaristas que nada tem a ver com o libertador Simón Bolívar, que não era de esquerda?

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

ONU denuncia crimes da Coreia do Norte

Fome, tortura, escravidão, assassinatos, sequestros, violência sexual e campos de prisioneiros... Os crimes da ditadura comunista da Coreia do Norte foram comparados hoje aos do nazismo por um relatório das Nações Unidas. A denúncia pode ser apresentada ao Tribunal Penal Internacional.

O regime stalinista norte-coreano refutou as acusações, atribuindo-as a uma conspiração dos Estados Unidos, Japão e União Europeia.

A Comissão de Inquérito da ONU sobre os Direitos Humanos na Coreia do Norte não obteve autorização para entrar no país. Ouviu dissidentes que conseguiram fugir.

"No fim da Segunda Guerra Mundial", quando foram libertados os presos nos campos de concentração nazistas, "muita gente disse que não sabia", lembrou o britânico Michael Kirby, principal relator do documento, citado pela televisão american CNN. "Agora, a sociedade internacional não pode alegar que não sabia. O sofrimento e as lágrimas do povo norte-coreano exigem ação."

É difícil que o Conselho de Segurança da ONU encaminhe as acusações ao TPI, que poderia abrir processo contra a alta cúpula norte-coreana, a começar pelo jovem líder Kim Jong Un. A Coreia do Norte é aliada do regime comunista da China, que a vê como parte de sua área de influência.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Assad é acusado de torturar e matar presos em massa

Diante de provas de tortura e assassinatos sistemáticos de pelo menos 11 mil presos durante a guerra civil da Síria, o governo de Bachar Assad está sendo acusado de crimes contra a humanidade por três ex-procuradores dos tribunais especiais das Nações Unidas para a Iugoslávia e Serra Leoa.

Os três juristas de renome internacional examinaram milhares de fotos e dossiês sobre a morte de presos pelas forças de segurança do início da guerra civil, em 15 de março de 2011, até agosto de 2013, e produziram um relatório a que tiveram acesso o jornal inglês The Guardian e a televisão americana CNN.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Norte-coreanos torturaram pescador chinês

O dono de um barco pesqueiro chinês apreendido por mais de duas semanas pela Coreia do Norte acusou seus captores de bater no capitão do navio e roubar combustível. Eles usavam uniforme militar norte-coreano.

A tortura é mais um motivo para desentendimento entre os dois aliados. O regime comunista chinês estaria cada vez mais contrariado com atitudes recentes da Coreia do Norte.

Há duas semanas, o Banco Popular da China rompeu com o banco central norte-coreano, provavelmente em resposta às provocações da ditadura stalinista de Pionguiangue aos Estados Unidos e aliados, que prometeu atacar com armas atômicas.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Governo afegão proíbe forças dos EUA em província

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, proibiu hoje as forças de elite dos Estados Unidos de agir na província de Maidan Wardak, vizinha da capital, Cabul, sob a alegação de que afegãos que atuavam junto são acusados de tortura e assassinato. A medida entra em vigor em duas semanas.

A decisão foi tomada depois que o comando militar americano não prestou esclarecimentos sobre casos de tortura, morte e desaparecimento de pessoas em Maidan Wardak, alegou o porta-voz do governo afegão, Aimal Faizi, citado pelo jornal The New York Times.

Ao ver as primeiras provas do inquérito semanas atrás, os chefes da coalizão liderada pelos EUA  pareciam dispostos a cooperar, acrescentou o assessor do presidente Karzai. Depois, teriam mudado de posição, passando a dizer que os afegãos suspeitos tinham ido embora da região e nunca tinham trabalhado para as Forças Armadas dos EUA.

Para o governo afegão, os abusos de direitos humanos cometidos por soldados americanos e seus aliados na região são evidentes: "Muita gente da província, anciãos das aldeias, foram várias vezes a Cabul com fotos e vídeos de membros de suas famílias que foram torturados". Por isso, foi aberto um inquérito.

"Vamos imaginar que as forças especiais dos EUA não estejam envolvidas", ponderou o porta-voz. "Não sabiam o que estava acontecendo e quem estava fazendo isso? Nunca tinham ouvido falar?"

Faizi concluiu: "É melhor retirar as forças especiais da província e deixar o pessoal entender que a segurança agora será feita pelas forças de segurança do Afeganistão". Ele as considerou capazes de enfrentar a milícia fundamentalista dos Talebã, que governou o país de 1996 até a invertenção militar americana, em outubro de 2001, para vingar os atentados terroristas de 11 de setembro.

A Guerra do Afeganistão é a mais longa da História dos EUA. O presidente Barack Obama promete retirar as tropas americanas até o fim de 2014.

sábado, 4 de agosto de 2012

Comissão da Verdade ressuscita fantasmas da ditadura

A Comissão da Verdade começa a vasculhar os porões da ditadura militar brasileira, e a tortura da então guerrilheira e hoje presidente Dilma Rousseff atrai a atenção internacional sobre o que aconteceu no Brasil no fim dos anos 60 e início dos anos 70, ressuscitando os fantasmas do período mais duro da repressão política.

Durante dois anos, o país terá de repassar a memória de um dos períodos tristes e trágicos de sua história.

Na primeira de uma série de reportagens sobre o assunto, o jornal The New York Times lembra que Dilma não é única presidente torturada no passado de luta armada na América Latina, citando os exemplos de Michele Bachelet, no Chile, e José Mujica, no Uruguai.

Ao contrário de outros países latino-americanos, o Brasil não revogou suas leis de anistia. A Justiça não aceita a abertura de processos contra torturadores, mesmo sendo o Brasil signatário de convenções internacionais que consideram a tortura um crime hediondo e imprescritível. Isso provocou críticas da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.