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sábado, 23 de junho de 2018

México bate novo recorde de assassinatos

A oito dias da eleição presidencial, o México fica sabendo que bateu mais um triste recorde. Em maio, o total de homicídios dolosos, com a intenção de matar, chegou a 2.890, uma média de 93 assassinatos por dia e quatro mortos por hora, revelou ontem o Sistema Nacional de Segurança Pública.

Maio foi o mês com o maior número de homicídios desde que as autoridades federais começaram a compilar estatísticas. Até agora, era março de 2017, com 2.746 assassinatos.

De janeiro a maio de 2018, o total de assassinatos foi de 13.298 mortes, 21% a mais do que no mesmo período no ano passado. Os estados mexicanos com as maiores índice de homicídios são Colima, Baixa Califórnia, Guerreiro, Chihuahua e Guanajuato.

No ritmo atual de violência assassina, este ano deve superar o recorde de 28.710 de 2017. A expectativa do diretor-geral do Observatório Nacional Cidadão, Francisco Rivas, é e um aumento de 5,5% nos homicídios e de 15% nos casos de feminicídio em 2018.

O aumento da violência no México nas últimas décadas está ligado ao poder crescente das máfias do tráfico de drogas para os Estados Unidos, que agem com grande impunidade. "Há uma série de negócios ilícitos que seguem prosperando, uma falta de ações contundentes e uma carência importante de Estado. Um delito que não se pune é um delito destinado a crescer", afirmou Rivas.

Ele não vê no líder das pesquisas, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, do Movimento de Regeneração Nacional (Morena), que hoje tem uma vantagem de 23 pontos percentuais sobre o segundo colocado, Ricardo Anaya, do Partido de Ação Nacional (PAN), "clareza em uma proposta de segurança pública. Sua proposta é extremamente ingênua e contraditória que não leva a pensar que vá melhorar as condições de segurança."

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Assassinos da ditadura militar pegam prisão perpétua na Argentina

O Tribunal Federal Oral da Argentina condenou há dois dias à prisão perpétua por "crimes contra a humanidade" 29 acusados por sequestros, torturas, assassinatos e os "voos de morte" durante a última ditadura militar (1976-83) a desgraçar o país, entre eles os capitães Alfredo Astiz, o Anjo da Morte, e Jorge Tigre Acosta, noticiaram os jornais Clarín e La Nación.

Foi o terceiro grande processo sobre os crimes cometidos na Escola Superior de Mecânica da Armada (ESMA), a academia militar da Marinha argentina, que se tornou no principal centro de detenção, tortura e desaparecimento de presos políticos durante a guerra suja contra a esquerda. E o mais importante julgamento sobre direitos humanos na Argentina desde a condenação, há 32 anos, das juntas militares que desgovernaram o país de 1976 a 1982 e caíram com a derrota na Guerra das Malvinas.

No processo conhecido como ESMA III ou ESMA unificada, iniciado em 2012, 68 réus foram denunciados por crimes cometidos contra 789 pessoas; 14 morreram neste últimos cinco anos. Além dos 29 condenados à prisão perpétua, seis foram absolvidos e 19 pegaram de 8 a 25 anos de reclusão.

Durante a leitura da sentença, o tribunal situado no bairro do Retiro, no centro histórico de Buenos Aires, ficou dividido entre parentes das vítimas e defensores dos direitos humanos, de um lado, e partidários da ditadura, do outro, cantando o hino argentino e ofendendo jornalistas e ativistas.

O juiz David Obligado pediu aos manifestantes que baixassem faixas e cartas. Chegou a ameaçar evacuar a sala. Eram tantos os delitos que a leitura da sentença levou cinco horas. Só foram lidos os nomes dos réus, as acusações e os vereditos. As razões dos três desembargadores serão apresentadas noutro dia.

Mais de 5 mil presos políticos passaram pela ESMA e apenas centenas saíram com vida. Muitos foram drogados e jogados no mar nos sinistros voos da morte. Entre os sentenciados a passar a vida na cadeia, está o ex-piloto Mario Arru, responsável por alguns daqueles voos. Sua condenação foi das mais festejadas.

Arru estava no voo que jogou no Rio da Prata os sequestrados na Igreja de Santa Cruz, em que estavam a primeira presidente da organização das Mães da Praça de Maio, Azucena Villaflor, e as freiras francesas Alice Dumont e Leonis Duquet. Causou indignação a absolvição de Julio Poch, que morava na Holanda e foi extraditado depois de se gabar de ter participado dos voos da morte.

Talvez a figura mais odiada internacionalmente seja o capitão Alfredo Astiz, mais conhecido como Anjo da Morte, porque era jovem, louro e bonito na época da ditadura. Ele fico tristemente famoso por ter matado com um tiro pelas costas uma jovem sueca-argentina de apenas 17 anos, Dagmar Hagelin. Também foi acusado, entre muitos outros crimes, pelo sequestro e morte das freiras argentinas.

Durante a Guerra das Malvinas (1982), Astiz foi nomeado governador das Ilhas Geórgias do Sul, e se rendeu aos britânicos sem disparar um tiro. Preso, teve pedidos de extradição feitos pela França e a Suécia, mas a primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher o entregou à ditadura militar argentina. Amiga do ditador chileno Augusto Pinochet, Thatcher era conivente com caçadores de comunistas.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Mais da metade dos homicídios de mulheres nos EUA é feminicídio

A epidemia de armas de fogo nos Estados Unidos não poupa ninguém. Mais da metade dos assassinatos de mulheres no país são cometidos por seus parceiros, o crime de feminicídio. Todos os meses, 50 mulheres em média são baleadas e mortas por parceiros ou ex-parceiros.

Uma análise dos assassinatos em massa de janeiro de 2009 a dezembro de 2016 revela que em 54% dos casos ao menos uma das vítimas era parceira, ex-parceira ou parente do atirador, informa a revista Washington Monthly.

A cada 16 horas, uma mulher é baleada e morta por um marido, ex-marido, namorado ou ex-namorado. As vítimas de violência doméstica correm cinco vezes mais risco de serem assassinadas quando o agressor tem uma arma de fogo.

As mulheres americanas correm 11 vezes mais risco de serem mortas por uma arma de fogo do que mulheres qualquer outro país desenvolvido.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

ONU denuncia tortura e abuso da força na Venezuela

O Alto Comissariado das Nações Unidas denunciou ontem o regime chavista da Venezuela por uso "generalizado e sistemático" de força excessiva contra manifestantes. Das 124 mortes registradas em manifestações de protesto e saques desde o início da abril, 46 foram atribuídas às forças de segurança e 27 às milícias chavistas conhecidas como coletivos.

Quase 2 mil pessoas saíram feridas e mais de 5 mil foram presas ilegalmente de abril a julho. A Procuradoria-Geral da Venezuela iniciou 450 investigações por violações dos direitos humanos cometidas por autoridades na repressão aos protestos de rua diários nas grandes cidades.

Nestes inquéritos, as forças policiais ou militares são acusadas de 23 mortes e 853 casos de lesões corporais graves. A tortura inclui choques elétricos, golpes com capacetes e cassetetes, ser pendurado pelas mãos amarradas por longos períodos, asfixia com gases, violência sexual e ameaças de morte.

"A responsabilidade por estas violações está nos mais altos níveis do governo", acusou o alto comissário Zeid Raad al-Hussein, "em meio ao colapso do Estado de Direito, com ataques constantes do governo contra a Assembleia Nacional e a Procuradoria-Geral".

Principal voz dissidente do chavismo, a procuradora-geral Luisa Ortega Díaz considerou a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte por Maduro inconstitucional, porque deveria haver um plebiscito sobre o tema, e uma traição à memória de Hugo Chávez, grande articulador da atual Constituição da República Bolivarista da Venezuela.

O Alto Comissariado também manifestou "séria preocupação" com as batidas policiais violentas em residências, muitas vezes sem ordem judicial, e denunciou as ameaças e pressões a jornalistas. "Exorto todas as partes a que renunciem ao uso da violência e tomem medidas para a estabelecer um diálogo político significativo", apelou o secretário-geral da ONU, o português António Guterres, sem esconder o temor de uma "escalada na tensão".

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Franco-atiradores de Maduro matam mais duas pessoas na Venezuela

Mais duas pessoas foram mortas hoje na Venezuela, elevando para pelo menos 41 o total de mortos desde o início de uma onda de protestos contra o presidente Nicolás Maduro no início do mês passado. Dois jovens manifestantes do estado de Táchira foram atingidos por atiradores leais ao regime chavista.

Luis Alvarez, de 17 anos, foi baleado e morte quando participava de manifestação em Palmira, no município de Guássimo, em Táchira. Diego Hernández, de 32 anos, foi atingido no peito no município de Capacho Nuevo.

A Venezuela se orgulha de possuir as maiores reservas mundiais de petróleo. No momento, vive a pior crise econômica de sua história independente, com queda de 20% do produto interno bruto nos últimos dois anos e inflação de 720% ao ano em 2016.

Desde que o Tribunal Supremo de Justiça, subserviente ao regime, tentou cassar os poderes da Assembleia Nacional, controlada pela oposição, os manifestantes saíram às ruas para exigir o fim do regime e a convocação de eleições diretas para tirar o país da crise.

Em resposta, Maduro convocou uma Assembleia Nacional Constituinte a ser formada por representantes de entidades pelegas fiéis ao chavismo. A oposição rejeitou a medida e tenta forçar o regime a ceder com manifestações de protesto diárias. Várias tentativas de mediação, inclusive do Vaticano, fracassaram.

Além da Guarda Nacional Bolivarista, milícias chavistas conhecidas como coletivos reprimem os protestos. Os milicianos são responsáveis pela maioria das mortes. Acuado, Maduro ameaça armar mais 500 mil pessoas. As Forças Armadas não devem aceitar. Seria um desafio a seu poder. Hoje os militares são o principal sustentáculo do regime chavista.

Hugo Chávez era coronel do Exército quando tentou dar o golpe contra o presidente Carlos Andrés Pérez, em 1992. Sua revolução bolivarista sempre teve uma inspiração militar. Chávez perdeu militarmente em 1992 e no golpe contra ele, em 2002, mas venceu politicamente. Seu governo tinha menos de 300 militares nomeados para cargos políticos.

Enfraquecido e sem o carisma do caudilho, que morreu em 5 de março de 2013, seu herdeiro Maduro praticamente entregou o poder às Forças Armadas nomeando mais de 900 militares para cargos político-administrativos.

O homem-forte do regime hoje é o general Vladimir Padrino López, chefe do Estado-Maior do Exército sob Chávez e atual ministro da Defesa e comandante estratégico e operacional das Forças Armadas Nacionais Bolivaristas. Este último cargo foi criado sob medida por Maduro.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Terror em Orlando foi o pior de 32 mil ataques a tiros num ano nos EUA

O ataque do americano de origem afegã Omar Mateen contra uma boate gay de Orlando, na Flórida, que deixou 49 mortos e 53 feridos, foi o pior massacre a tiros da história recente dos Estados Unidos. Mas foi apenas um entre 32 mil ataques a tiros ocorridos no país de 13 de junho de 2015 ao mesmo dia em 2016, informa a revista digital Slate.

A cada 12 meses, 130 mil pessoas são baleadas nos EUA. Em 2013, último ano sobre o qual há estatísticas oficiais consolidadas, menos de 2% das 33 mil mortes foram em ataques em massa. As armas de fogo mataram 3.428 pessoas a mais do que quedas, 4.635 a mais do que o álcool e 30.876 pessoas a mais do que incêndios.

Os dados mais recentes foram compilados pela organização não governamental Gun Violence Archive (Arquivo da Violência com Armas de Fogo). A expectativa é que em 2015 os assassinatos tenham ultrapassado os acidentes de trânsito como principal causa de morte violenta nos EUA.

Em outubro de 2015, em pesquisa do jornal The Washington Post e da rede de televisão ABC, 46% dos entrevistados citaram a redução da violência armada como prioridade.

No Brasil, mais de 56 mil pessoas foram assassinadas em 2013, mais de 150 por dia. A violência é muito pior do que nos EUA.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Tribunal Penal Internacional processa ex-presidente da Costa do Marfim

O ex-presidente da Costa do Marfim Laurent Gbagbo foi apresentado hoje ao Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, na Holanda, onde vai responder por quatro crimes contra a humanidade: assassinatos, violações sexuais, atos desumanos e perseguições políticas, noticiou a televisão pública britânica BBC. É o primeiro chefe de Estado julgado pelo tribunal.

Depois da eleição presidencial de 2010, Gbagbo, que estava no poder desde o ano 2000, se recusou a transferir o poder para Alassane Ouattara, reconhecido como vencedor pelos Estados Unidos e a União Europeia. Sua resistência deflarou uma guerra civil de cinco meses em que mais de 3 mil pessoas foram mortas.

Gbagbo foi preso em abril de 2011 pelo governo Ouattara, com o apoio das Forças Armadas da França. Seus partidários consideram o processo uma afronta e sua prisão "uma tomada de refém". Acusam o tribunal de ser um "instrumento de dominação neocolonial".

Na audiência de hoje, ele e seu ministro da Juventude, Charles Blé Goudé, acusado de chefiar milícias, negaram as acusações. A libertação de Gbagbo poderia desestabilizar a Costa do Marfim. Como a Constituição marfinense fixa em 75 anos a idade limite para concorrer à Presidência e o ex-presidente tem 70, poderia voltar a disputar o poder nas urnas.

O TPI sofre intensa pressão dos líderes da África, que rejeitam denúncias contra presidentes no exercício do cargo, alegando que têm direito à imunidade. No ano passado, o governo da África do Sul ignorou uma determinação da Suprema Corte para prender o ditador do Sudão, Omar Bachir, denunciado por crimes contra a humanidade.

A corte também foi alvo de críticas no processo contra o atual presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, acusado de comandar milícias da tribo kikuyo na onda de violência deflagrada pela contestação do resultado da eleição presidencial de dezembro de 2007. O caso entrou em colapso.

Para os líderes africanos, eles são os únicos alvos do TPI. Um presidente dos Estados Unidos ou da Rússia, países que não aderiram ao tribunal, jamais seria denunciado, alegam os africanos.

Por outro lado, se os chefes de Estado no exercício do poder tiverem imunidade, os ditadores vão resistir ainda mais a entregar o poder. Seria a "justiça dos vencedores". Só os derrotados como Gbagbo chegariam ao banco dos réus.

Está em jogo a credibilidade do TPI, criado justamente para evitar a impunidade de crimes não julgados nos países onde ocorreram. Desde sua instalação, em 2002, só condenou senhores da guerra da República Democrática do Congo.

O processo deve durar três ou quatro anos.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Número de homicídios cresce em várias cidades dos EUA

BOSTON, EUA - Depois de décadas de declínio, o número de assassinatos está em alta em pelo menos 35 grandes cidades dos Estados Unidos, noticiou hoje o jornal The New York Times. O maior aumento foi em Milwaukee, onde 104 pessoas foram mortas nos oito primeiros meses do ano, 76% a mais do que os 59 homicídios registrados no mesmo período em 2014.

São Luís, no estado do Missouri, ficou em segundo lugar, com aumento de 60%, seguida de Baltimore (56%), Washington (44%), Nova Orleans (22%), Chicago (20%), Dallas (17%), Nova York (9%) e Filadélfia (4%).

A rivalidade entre as gangues, em muitos casos na disputa por pontos de tráfico de drogas, e a facilidade em comprar armas de fogo estão entre as principais causas em cidades como Chicago, onde o número de mortes subiu de 244 ano passado para 294 em 2015. Mas a polícia adverte que muitos jovens frustrados da periferia estão recorrendo à violência para "acertos de contas".

Em Milwaukee, a maioria dos assassinos e suas vítimas são negros com menos de 30 anos que livem em bairros pobres da periferia marcados pelo desemprego, a miséria e a retomada de imóveis por falta de pagamento.

Para o chefe de policia de Chicago, Garry McCarthy, a abundância de armas de fogo é um fator central para o aumento no número de assassinatos. Embora haja um movimento para reduzir a massa carcerária, ele defende um aumento de penas para crimes violentos: "Em todo o país, percebemos que não é o indivíduo que nunca cometeu um crime que de repente mata alguém. São os criminosos reincidentes. As mesmas pessoas matam mais de uma vez e continuam matando."

Também há especialistas que falam um "efeito de Ferguson". Os violentos protestos contra a morte de um jovem negro na cidade de Ferguson, no estado do Missouri, teriam colocado a polícia na defensiva, alega o penalista Alfred Blumstein, professor da Universidade Carnegie Mellon.

Outros, como Richard Rosenfeld, da Universidade do Missouri em São Luís, afirma que o número de homicídios começou a subir antes da morte do jovem negro Michael Brown por um policial branco que não foi denunciado.

Em Nova Orleans, o chefe de polícia, Michael Harrison, entende que o aumento no número de assassinatos não se deve ao maior nível de violência das gangues ou de assaltos de rua. A maioria dos casos seria de pessoas mortas em casa ou nos seus carros por poessoas que conhecem suas vítimas pessoalmente.

"Não é uma situação que possa ser resolvida por mais policiamento", disse Harrison. "É uma cultura de violência profundamente arraigada na comunidade - um segmento da população em que as pessoas estão resolvendo seus problemas de maneira violenta."

quarta-feira, 22 de abril de 2015

África do Sul fecha consulado em Lagos por causa de protestos

A África do Sul fechou ontem e hoje seu consulado em Lagos, a maior cidade da Nigéria, por causa dos protestos contra a xenofobia e os ataques a imigrantes. Na Nigéria, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador sul-africano para pedir explicações sobre a onda de violência em que pelo menos sete estrangeiros foram mortos, informou o sítio sul-africano News24.

"O motivo da convocação é registrar o protesto da Nigéria contra os ataques xenofóbicos em andamento contra irmãos africanos na África do Sul", declarou em nota a chancelaria nigeriana.

Com a crise econômica e o desemprego elevado na África do Sul, os imigrantes e refugiados estão sendo alvo de ataques xenofóbicos na periferia de Joanesburgo, a maior cidade sul-africana. Moçambicanos, nigerianos e zimbabuenos estão entre os mais visados. Em resposta, os nigerianos têm protestado regularmente diante da embaixada sul-africana em Abuja e do consulado em Lagos.

Depois de um encontro com líderes civis, empresariais e religiosos, o presidente Jacob Zuma prometeu atacar as causas "subjacentes" da violência: "Os sul-africanos não são xenófobos. Se não lidarmos com as causas subjacantes, vai voltar."

Essas causas são o baixo crescimento, de 1,5% em 2014; o desemprego elevado, de 24,3% no fim de 2014; e a falta de políticas sociais efetivas para resgatar a dívida histórica de séculos de discriminação racial e dominação pela minoria branca.

Corrupto e incompetente, Zuma não se mostra à altura do desafio e da herança de Nelson Mandela. Como todo grande movimento de libertação nacional, talvez tenha chegado a hora de mudar para o Congresso Nacional Africano (CNA). A África do Sul foi ultrapassada pela Nigéria como maior economia da África e apresenta cada vez mais os vícios políticos observados em outros países africanos.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Polícia matou mais de 100 pessoas nos EUA em março

Mais de 100 pessoas foram mortas em encontros com a polícia nos Estados Unidos em março de 2015, uma média de mais de três mortes por dia, denunciou hoje a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU). O padrão de muitas vítimas se repete: são negros pobres desarmados vistos como suspeitos, alguns com problemas mentais.

São casos como o de Charly Keunang, em Los Angeles, na Califórnia; Anthony Hill, no condado de DeKalb, na Geórgia; e Brandon Jones, em Cleveland, em Ohio.

Na opinião da organização de defesa dos direitos humanos, é evidente que há um problema com as polícias dos EUA, que devem limitar o uso da força e tentar desescalar os conflitos. Há um racismo institucionalizado.

Em 9 de agosto de 2014, o jovem negro Michael Brown foi morto pela polícia de Ferguson, no estado do Missouri. Dois meses depois, quando a Justiça decidiu não processar o policial que atirou, houve uma explosão de violência e protestos na Grande São Luís.

O problema se repetiu em Nova York, onde um negro que vendia ilegalmente cigarros a varejo foi esgoelado depois de gritar várias vezes que estava sendo sufocado.

A chegada do primeiro presidente negro à Casa Branca não significa que a questão racial esteja perto da solução nos EUA.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Milícias chavistas se negam a entregar as armas

Cerca de 260 milícias criadas por orientação do falecido presidente Hugo Chávez para defender a Revolução Bolivarista na Venezuela se negaram a aceitar uma ordem do presidente Nicolás Maduro para se desarmar, declarou um porta-voz dos chamados "coletivos", reportou a agência de notícias France Presse (AFP).

Na definição de Chávez, os coletivos são "o braço armado da Revolução Bolivarista", algo como os Comitê de Defesa da Revolução de Cuba, só que com fuzis de assalto, granadas de mão e submetralhadoras. São a tropa de choque do regime chavista. Foram reforçados depois do golpe contra Chávez, em 2002.

Com um índice oficial de 53,7 homicídios para cada 100 mil habitantes em 2012 (extraoficialmente seriam 79), a Venezuela é o segundo país mais violento do mundo fora de zonas de guerras, atrás apenas de Honduras, com 90,4. O índice civilizado é de no máximo 10. O Brasil registrou naquele ano 25,2 assassinatos para cada 100 mil habitantes.

Diante desse horror que atormenta a vida cotidiana de todos os venezuelanos, do assassinato de uma ex-Miss Venezuela e de um jovem deputado do partido do governo, sob pressão das Forças Armadas, o inacreditável Maduro resolveu desarmar os coletivas.

As milícias alegaram que são grupos pacíficos de defesa da revolução e desafiaram o governo a desarmar as gangues do crimes organizado, ignorando a autoridade de Maduro, que enfrenta uma grave crise econômica com inflação de 70% ao ano e desabastecimento, agravada por uma queda nos preços do petróleo, principal riqueza da Venezuela.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

China denuncia violações de direitos humanos nos EUA

Em resposta ao relatório sobre direitos humanos do Departamento de Estado, o governo da China denunciou hoje uma série de violações dos direitos humanos nos Estados Unidos, inclusive práticas regulares da ditadura militar chinesa.

O documento do Conselho de Estado da China afirma que "outra vez convertido em juiz dos direitos humanos no mundo, o governo dos EUAfaz ataques arbitrários e comentários irresponsáveis sobre quase 200 países e regiões", além de espionar seus próprios cidadãos e de outros países em "uma flagrante violação do direito internacional que transgride seriamente os direitos humanos", como se o regime comunista chinês não fizesse o mesmo.

Outros problemas apontados são o racismo, a discriminação sexual, o assassinato de 11 mil pessoas por ano com armas de fogo e o encarceramento de 80 mil pessoas em celas solitárias, esquecendo-se por exemplo da pena de morte aplicada anualmente a milhares de pessoas na China. Os EUA também aplicam a pena de morte, uma punição cruel e irreparável sujeita a erros judiciais como qualquer decisão.

A ditadura chinesa também apontou o desemprego, que atingiria 21% das famílias de baixa renda, como uma violação dos direitos humanos nos EUA.