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domingo, 29 de novembro de 2020

Franceses protestam contra violência policial e "lei de segurança"

Pelo menos 133 mil pessoas, segundo a polícia, 500 mil, dizem os manifestantes, protestaram ontem em várias cidades da França contra o projeto de uma "lei de segurança" que proíbe filmar policiais em ação a pretexto de não identificá-los para grupos criminosos e terroristas. A nova lei, proposta pelo presidente Emmanuel Macron, é considerada autoritária, contra as tradições de liberdade da França. 

As manifestações ganharam força com a divulgação na quinta-feira passada de imagens de câmeras de segurança que mostraram quatro policiais espancando o jovem produtor musical negro Michel Zecler dentro de seu próprio estúdio. Todos foram afastados do serviço e estão sendo investigados. Três foram presos.

Os policiais declararam que interpelaram produtor musical porque estava sem máscara e exalava um cheiro forte de maconha. Apreenderam meio grama da erva no estúdio.

No sábado, pelo menos 46 mil pessoas marcharam pelas ruas de Paris entre a Praça da República e a Praça da Bastilha. A maior parte do protesto foi tranquila, mas houve choques entre manifestantes e a polícia, e 89 policiais saíram feridos.

O principal alvo é o projeto da Lei de Segurança Global, aprovado em primeira votação pela Assembleia Nacional na terça-feira passada. Sob esta lei, a divulgação das imagens de ações policiais seria proibida. Os outros alvos são o racismo e a violência policial.

"É o povo da liberdade que marchou em toda a França para dizer ao governo que não quer esta lei de 'segurança global', que recusa a vigilância generalizada e os drones, que quer poder filmar e divulgar as intervenções das forças da ordem", declarou a coordenação do movimento Pare a Lei de Segurança Global, organizado por jornalistas e entidades de defesa dos direitos humanos.

"Se não pudermos filmar, quem vai nos proteger contra a violência policial", reclamou Camille, uma manifestante de 23 anos.

"Esta é uma lei que se inscreve numa cadeia de constrangimentos liberticidas", afirmou Kathy ao lado de Camille.

"As leis restritivas da liberdade não param de se multiplicar", denunciou Farid Hamel, diretor da ordem dos advogados de Lyon. "Se um ditador tomar ao poder amanhã na França, terá todas as medidas jurídicas à disposição. Sob pretexto de segurança, constroem um regime que pode resvalar a todo momento para o autoritarismo."

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Segunda onda da pandemia aumenta agitação social na Europa

A segunda onda da doença do coronavírus de 2019 vai aumentar a agitação social na Europa, prevê a empresa de consultoria e análise estratégica Stratfor. À medida que os países impõem novas restrições ao movimento e às atividades econômicas, crescem as manifestações de protesto contra o reconfinamento.

O ritmo de contaminação é muito mais forte do que na primeira onda. A mortalidade é menor, mas está em alta, assim como as hospitalizações. Se tudo der certo, o contágio cai em 2 a 4 semanas, os sistemas de saúde não serão sobrecarregados e as atividades econômicas serão retomadas gradualmente, com todos os cuidados necessários antes da chegada das vacina.

Se o reconfinamento parcial não der certo, os governos serão forçados a adotar medidas mais rigorosas e a tendência dos protestos será aumentar. Isso também vale para os Estados Unidos, que bateram um novo recorde, com mais de 163 mil casos novos na quinta-feira, dia 12. Meu comentário:

terça-feira, 30 de junho de 2020

China acaba com a autonomia de Hong Kong

Por unanimidade, o Congresso Nacional do Povo da China aprovou hoje uma Lei de Segurança Nacional para Hong Kong que acaba com a autonomia administrativa que o território tinha desde que foi devolvido pelo Reino Unido em 1º de julho de 1997.

A nova lei, elaborada sem a menor participação das autoridades locais, criminaliza qualquer ato de "secessão, subversão, terrorismo ou colusão com forças estrangeiras". Ameaça a liberdade de expressão, a independência do Judiciário e as liberdades democráticas. Atacar prédios públicos e bloquear o trânsito são considerados ações terroristas. A pena máxima é prisão perpétua.

Pelo acordo feito em 1984 pelo líder chinês Deng Xiaoping e a então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, o regime comunista se comprometeu a manter as liberdades públicas em Hong Kong com base na fórmula "um país, dois sistemas" durante pelo menos 50 anos.

Desde 9 de junho de 2019, havia uma onda de manifestações de protesto no território, inicialmente contra um projeto de lei que permitia a extradição de cidadãos de Hong Kong para responder a processos na China continental. Evoluiu para exigir eleições diretas para governador e o Conselho Legislativo. O projeto da extradição foi abandonado, mas agora está incluído na nova lei.

A ditadura comunista de Xi Jinping na República Popular da China nunca aceitou os protestos, que acusa de ser um movimento pela independência do território insuflado por potências estrangeiras como os Estados Unidos e o Reino Unido. Na verdade, é uma luta pela democracia.

Como a governadora Carrie Lam, nomeada pelo regime comunista chinês, não conseguiu controlar as manifestações, há muito se esperava uma intervenção de Beijim. Se o Exército Popular de Libertação fosse enviado, a repercussão política seria enorme. Então, veio pela via legislativa.

O fim da autonomia compromete a independência do Judiciário de Hong Kong, um dos principais centros financeiros da Ásia, por onde entrou boa parte do capital estrangeiro que financiou o extraordinário desenvolvimento da China nas últimas décadas. Agora, Cingapura se prepara para ocupar este lugar.

Em resposta, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, ofereceu cidadania para 3 milhões de cidadãos de Hong Kong. A República da China em Taiwan, que a ditadura militar de Beijim considera uma província rebelde, fez a mesma oferta.

Os Estados Unidos vão suspender as preferências comerciais a Hong Kong e impor as tarifas de importação aplicadas na guerra comercial do presidente Donald Trump contra a China.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Trump ignora apelos antirracistas e convoca reunião sobre segurança

Em mais de 350 cidades dos Estados Unidos, houve manifestações contra o racismo e a violência policial ontem e hoje. Indiferente diante da voz das ruas , o presidente Donald Trump desapareceu no fim de semana e ainda fez ironia com o candidato do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos. 

O ex-vice-presidente Joe Biden, se ajoelhou em homenagem ao segurança negro George Floyd, assassinado há uma semana em Mineápolis por um policial branco que pisou no seu pescoço com o joelho por quase nove minutos.

"Os covardes se ajoelham", escreveu o presidente no Twitter.

Nesta segunda-feira, duas semanas depois da morte de Floyd, Trump vai se reunir com ministros para discutir a manutenção da ordem. A onda de protestos provocou mais violência policial. A Casa Branca examina a possibilidade de Trump fazer um pronunciamento público sobre a situação.

O Partido Republicano se opõe a um projeto da oposição democrata para criar um registro nacional dos policiais que cometerem abusos. Derek Chauvin, o policial que pisou no pescoço de Floyd com o joelho, tinha 19 reclamações contra ele.

A punição de policiais é difícil por causa do corporativismo e da força dos sindicatos da categoria, noticiou o jornal The New York Times. Enquanto a participação de trabalhadores em sindicatos caiu pela metade para 10% desde os anos 1980s, em serviços de segurança é de 33,8%. Só um sindicato de Nova York gastou US$ 1 milhão em campanhas desde 2014.

Entre as reivindicações dos manifestantes, está a redução do orçamento das polícias e o uso do dinheiro para financiar projetos sociais para a comunidade negra. A Câmara Municipal de Mineápolis pode dissolver a polícia e recriar o departamento em novas bases.

Trump tenta se apresentar como o presidente da "segurança pública", repetindo o lema de Richard Nixon, que se elegeu no tumultuado ano de 1968, quando foram assassinados o líder do movimento pelos direitos civis dos negros, Martin Luther King Jr., e o favorito para candidato do Partido Democrata na eleição presidencial daquele ano, Robert Kennedy.

Durante o governo de Barack Obama, o primeiro e único presidente negro da história do país, pelo menos 20 departamentos de polícia iniciaram programas de retreinamento dos agentes para combater o racismo institucionalizado. O governo Trump acabou com o programa.

Por ameaçar convocar o Exército para acabar com os protestos, Trump foi duramente criticado por autoridades militares por esta declaração de guerra ao povo americano. Seu próprio secretário da Defesa, Mark Esper, se opôs ao uso de tropas federais nas ruas dos EUA.

O ex-secretário da Defesa James Cachorro Louco Mattis, um general do Corpo de Fuzileiros Navais condecorado por bravura nas guerras do Afeganistão e do Iraque, foi mais duro. Acusou o Trump de ser "o primeiro presidente na minha vida que não uniu nem fingiu tentar unir o povo americano, tenta nos dividir" e comentou que o país "testemunha as consequências de três anos sem uma liderança madura".

Depois que Trump usou a Guarda Nacional para acabar com uma manifestação pacífica diante da Casa Branca para ir até uma igreja posar para fotos com uma Bíblia na mão, Mattis criticou "aqueles que, no poder, fizeram zombaria da nossa Constituição" e declarou estar "irritado e horrorizado" como que viu.

A Emenda nº 1 à Constituição dos EUA garante, entre outras liberdades fundamentais, o direito de livre associação para fins pacíficos.

Outro general, John Kelly, ex-chefe da Casa Civil e ex-secretário da Segurança Interna, concordou com Mattis e acrescentou que "precisamos olhar com mais cuidado com quem elegemos".

O ex-secretário de Estado (ministro do Exterior) e ex-comandante do Estado-Maior da Forças Armadas Colin Powell, que é negro, chamou Trump de "mentiroso e desonesto. Ele anunciou voto no candidato da oposição, o ex-vice-presidente Joe Biden, na eleição presidencial de 3 de novembro.

Em entrevista à rede de televisão americana CNN, Powell afirmou ter concluído que Trump é racista quando o atual presidente questionou se o ex-presidente Barack Obama nasceu mesmo nos EUA. Também o considerou um perigo por insultar aliados dos EUA, colocando em risco a política externa americana.

Sob pressão dos militares, Trump ordenou a retirar da Guarda Nacional do Distrito de Colúmbia.

Na sexta-feira, o Corpo de Fuzileiros Navais, uma das armas das Forças Armadas dos EUA, anunciou que vai retirar todas as apresentações públicas da bandeira dos Estados Confederados do Sul, que lutaram contra o Norte durante a Guerra Civil Americana (1861-65) para manter a escravidão.

domingo, 12 de janeiro de 2020

Iranianos protestam contra abate de avião e mentiras do regime

Pelo segundo dia seguido, estudantes desafiaram a polícia e protestaram em universidades e em outros lugares do Irã contra a ditadura teocrática dos aiatolás, acusando o governo por derrubar um Boeing 737-800 da Ukraine International Airlines, matando 176 pessoas, e de mentir no primeiro momento sobre a tragédia. Só ontem o presidente Hassan Rouhani admitiu o erro.

Numa universidade, centenas de estudantes se recusaram a pisar em bandeiras dos Estados Unidos e de Israel estendidas no chão por milicianos do grupo paramilitar Bassij, braço da Guarda Revolucionária Iraniana para os atos mais sujos da repressão.

"Eles estão mentido que nosso inimigo é os EUA. Nosso inimigo está aqui", gritavam os universitários iraniano, de acordo com a agência de notícias Reuters. Cartazes com o general Kassem Suleimani, o comandante da tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana morto em 3 de janeiro por drones americanos, foram arrancados

Em sessão a portas fechadas, o comandante da Guarda Revolucionária, general Hussein Salami, depôs hoje no Majlis, o Parlamento do Irã, para dar explicações sobre o abate do avião de passageiros. Dos mortos, 82 eram iranianos, 63 canadenses, 11 ucranianos, 10 suecos, quatro afegãos, três alemães e três britânicos.

O Boeing da Ucrânia foi derrubado na quarta-feira, 8 de janeiro de 2020, pouco depois de um ataque simbólico de mísseis iranianos contra bases militares do Iraque onde há forças dos EUA, numa retaliação pela morte do general Kassem Suleimani. A defesa antiaérea do Irã esperava um contra-ataque e abateu o avião ucraniano.

Antes da morte do general, havia uma onda de protestos no Irã, iniciada em 15 de novembro por causa de aumentos de até 50% nos preços dos combustíveis. A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional estima que pelo menos 300 pessoas foram mortes na dura repressão da República Islâmica.

A morte de Suleimani favoreceu a linha-dura do regime, mas o abate do avião e as mentiras do governo reacenderam a revolta popular.

O presidente Donald Trump advertiu as autoridades iranianas de que "não pode haver outro massacre de manifestantes pacíficos nem o desligamento da Internet. O mundo está observando. Estamos acompanhando os protestos de perto e estamos inspirados por sua coragem." Mas seu apoio é ruim para os manifestantes, que serão acusados de traidores da pátria.

Nos programas de televisão de domingo com entrevistas ao vivo, o presidente foi desmentido pelo secretário da Defesa, Mark Esper, que negou haver indícios de um ataque iminente preparado por Suleimani. Em comício da campanha para a reeleição, Trump afirmou que várias embaixadas dos EUA, não só a de Bagdá, seria alvo de ameaças. Mais uma mentira.

Em Teerã, manifestantes a favor do regime fundamentalista xiita protestaram diante da Embaixada do Reino Unido para pedir seu fechamento. O embaixador britânico, Rob Macaire, foi preso ontem sob a acusação de participar de um protesto. Ele estava numa vigília pelas vítimas do avião que se tornou em manifestação antigovernamental.

Hoje, o governo iraniano convocou formalmente o embaixador para dar explicações. Macaire alegou ter ido a uma cerimônia em homenagem aos mortos. A União Europeia e o Reino Unido protestaram oficialmente contra a prisão do embaixador, denunciando-a como uma violação do direito internacional e do Acordo de Viena sobre o tratamento de funcionários diplomáticos.

Houve novos ataques de milícias xiitas iraquianas. Oito foguetes foram disparados hoje contra a base aérea de Balade, ao norte de Bagdá, onde há soldados dos EUA. O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, qualificou os ataques como "uma violação contínua da soberania do Iraque". Porta-vozes militares do Iraque disseram que quatro iraquianos foram feridos.

Como observou Lourival Sant'Anna no jornal O Estado de S. Paulo, o novo ataque no Iraque pode ser uma manobra do Irã para desviar a atenção dos protestos internos e manter a tensão com os EUA para justificar a repressão diante da ameaça externa.

A única medalista olímpica do Irã, Kamia Alizadeh, anunciou hoje que está abandonando a cidadania iraniana para o governo não explorar seu sucesso para fazer propaganda, noticiou a televisão pública britânica BBC. Ela ganhou uma medalha de bronze no taekwondo na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

sábado, 11 de janeiro de 2020

Reeleição mostra que modelo de Hong Kong não serve para Taiwan

A ampla vitória da presidente Tsai Ing-wen na eleição presidencial de hoje em Taiwan para exercer um segundo mandato de quatro anos aumenta a tensão com a República Popular da China. 

Depois de meses de manifestações de protesto em Hong Kong contra a crescente interferência chinesa no território, o resultado mostra que o mesmo modelo não será usado na reintegração de Taiwan.

Além da reeleição de Tsai com 57,1% dos votos contra 38,6% para Han Kuo-yu, do Kuomintang (KMT), mais próximo da China, seu Partido Democrático Progressista (PPD) conquistou maioria absoluta no Parlamento de 113 deputados. A participação do eleitorado chegou a quase 75%.

O regime comunista chinês considera Taiwan uma província rebelde e ameaça intervir militarmente se declarar independência. Para lá, fugiu o governo nacionalista de Chiang Kai-shek quando a revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung tomou o poder em Beijim, em 1º de outubro de 1949.

Até 15 de novembro de 1971, a China Nacionalista (Taiwan) era a representante da China no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Com base na política de que só existe uma China, o regime comunista chinês exigem o rompimento com Taiwan para estabelecer relações diplomáticas com Beijim, isolando diplomaticamente o país, que não tem representação em organizações internacionais.

Quando o então líder chinês Deng Xiaoping negociou com a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, em 1984, a devolução de Hong Kong à China, concretizada em 1997, criou a fórmula um país, dois sistemas. Deng prometeu manter o regime capitalista e a autonomia do território durante pelo menos 50 anos.

A mesma solução deveria ser aplicada na reintegração de Taiwan, uma das metas inegociáveis do regime comunista. Mas Hong Kong está em crise, com manifestações de protesto nas ruas desde 9 de junho.

A revolta popular contra o regime chinês começou contra um projeto de lei que autorizaria a extradição de residentes em Hong Kong para responder a processos na China continental e em Taiwan. Foi proposta porque em 2018 um cidadão de Hong Kong matou sua namorada grávida em Taiwan e voltou para Hong Kong. Ele confessou o crime, mas não foi punido.

Com a repressão das autoridades locais, o movimento pela liberdade e a democracia em Hong Kong cresceu. Chegou a levar 1,7 milhão de pessoas às ruas na maior manifestação e passou a exigir eleições diretas para governador e para o Conselho Legislativo, o parlamento de Hong Kong.

Em Beijim, a linha dura cobra uma repressão mais dura da governadora Carrie Lam. O ditador Xi Jinping decidiu não enviar o Exército Popular de Libertação. Seria o fim da autonomia cada vez menor de Hong Kong e o enterro da fórmula um país com dois sistemas.

O resultado das eleições de Taiwan não deixa dúvidas. A população local não quer saber de uma reintegração nos termos de Hong Kong. Taiwan quer mesmo a independência e isso é inaceitável para o regime comunista, além de mostrar desde 1996 que a democracia não é incompatível com a cultura chinesa.

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Exército do Líbano enfrenta milícias xiitas que atacariam manifestantes

O Exército do Líbano impediu as milícias xiitas Hesbolá (Partido de Deus) e Amal (Esperança) de atacar um acampamento no centro de Beirute de manifestantes que protestam contra o governo, o desemprego e a desigualdade social.

A milícia fundamentalista xiita Hesbolá ameaça os manifestantes para manter sua influência sobre o governo. Vai precisar usar mais força para intimidar seus adversários ou terá de aceitar um peso menor dentro do sistema político do país.

Os protestos paralisam o país e o governo desde outubro, quando renunciou o primeiro-ministro sunita Saad al-Hariri. Desde então, os partidos não conseguiram formar um novo governo para fazer as reformas necessárias para enfrentar a crise econômica.

Com dívida pública equivalente a 150% do produto interno bruto, o Líbano está à beira de um calote capaz de agravar ainda mais a crise.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Novo presidente da Argélia carece de legitimidade

Com 58% dos votos pela contagem oficial, o ex-primeiro-ministro Abdelmajid Tebboune foi eleito ontem presidente da Argélia numa eleição com participação de apenas 41% dos eleitores, a menor da história do maior país da África. Milhares de pessoas saíram às ruas para protestar por desconfiar do resultado oficial.

A Argélia é o país mais rico do Norte da África em renda média por habitante. Rica em petróleo, tem um sistema político controlado até hoje pela Frente de Libertação Nacional (FLN), que liderou a guerra da independência, de 1954 a 1962.

Esta eleição presidencial, realizada sob a pressão das ruas, não muda o equilíbrio de forças dentro do regime nem resolve os problemas econômicos. A Argélia enfrenta uma insatisfação sem precedentes dos jovens, oposicionistas e ativistas, que vão se unir para desafiar o novo governo.

Qualquer dos cinco candidatos autorizados a concorrer seria rejeitado pelo movimento de protesto Hirak, criado em 16 de fevereiro deste ano para lutar contra um quinto mandato para o presidente Abdelaziz Bouteflika, por causa de suas ligações com o regime. O movimento exige um novo processo eleitoral e medidas concretas de combate à corrupção.

Se os argelianos continuarem saindo às ruas, os militares e o governo interino terão de decidir se usam a força para dispersar as manifestações, o que evitaram nos últimos dez meses.

Tebboune cita a prisão de seu filho meses atrás para se apresentar como adversário do sistema político, mas é considerado próximo do comandante das Forças Armadas e homem-forte do regime, general Ahmed Gaid Salah.

Outro desafio do novo governo será recuperar a economia, abalada desde a forte baixa nos preços do petróleo a partir de junho de 2014. As exportações de gás e petróleo caíram 12,5% neste ano.

O presidente eleito prometeu na campanha aumentar os salários baixos e diminuir a carga de impostos para os mais pobres. Para recuperar a economia, vai precisar atrair investimentos e reformar o setor de energia. A abertura ao capital estrangeiro e a promessa de cortar 9% dos gastos públicos em 2020 devem provocar reações negativas.

sábado, 23 de novembro de 2019

Exército sai às ruas para conter manifestações na Colômbia

O presidente conservador Iván Duque decretou toque de recolher noturno ontem em Bogotá a partir das 21 horas (23h em Brasília), convocou o Exército para patrulhar as ruas junto com a polícia para garantir a ordem pública e anunciou um diálogo social, mas não esclareceu que reformas vai propor.

Na quinta-feira, durante uma greve geral, mais de um milhão de pessoas protestaram nas ruas contra as reformas previdenciária e trabalhista. Houve cenas de vandalismo em Bogotá, Cáli e Barranquilla. Pelo menos 146 pessoas foram presas.

Ontem, houve panelaços em parte da capital e confrontos entre manifestantes e a polícia, saques e vandalismo. Ao todo, 76 estações do Transmilênio, um veículo leve sobre pneus que é o principal meio de transporte público da capital colombiana, foram vandalizadas 79 ônibus foram destruídos.

"Temos uma horda de delinquentes que destroem os bens de todos os cidadãos, que saqueiam e roubam, que querem acabar com a cidade. São uma minoria", afirmou o prefeito verde, liberal e radical de Bogotá, Enrique Peñalosa.

O presidente se reuniu com um gabinete de crise, visitou o posto de comando unificado das forças de segurança e pediu aos prefeitos de toda a Colômbia para manter a ordem com decretação de lei seca e e toque de recolher noturno onde for necessário.

"Devemos rechaçar categoricamente qualquer forma de violência", declarou Duque em pronunciamento na televisão sexta-feira à noite. Desde 1977, o Exército não saía às ruas para garantir a lei e a ordem. Lutava contra grupos guerrilheiros.

Em 2016, o governo Juan Manuel Santos assinou um acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). O Exército de Libertação (ELN) ainda está em atividade. Pode cometer atentados isolados, mas não representa uma grande ameaça.

Com a paz, tão rara na história da Colômbia, afloraram as reivindicações sociais em uma sociedade conservadora e oligárquica, com impressionante histórico de violência.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Repressão a protestos deixa mais de 100 mortos no Irã

A ditadura teocrática do Irã matou pelo menos 106 pessoas para conter uma onda de manifestações de protesto. Centenas de pessoas saíram feridas e mais de mil foram presas, denuncia a organização não governamental de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional.

As manifestações irromperam há cinco dias e se espalharam por 21 cidades de quase todas as províncias iranianas. São mais intensas na capital, Teerã, e nas cidades de Isfahan e Ahvaz. As agências oficiais de notícias da República Islâmica confirmam apenas 12 mortes.

As forças de segurança acusam os manifestantes pelas mortes de dois policiais, cinco membros da Guarda Revolucionária Iraniana e um da força paramilitar Bassij, que costuma fazer o trabalho sujo para a Guarda. Meu comentário:

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Revoltas populares contra desigualdade atingem quatro continentes

Uma onda de manifestações de protestos que por fundo o aumento da desigualdade de renda, a miséria e o desemprego, abala governos em quatro continentes. É mais um reflexo da Grande Recessão mundial de 2008 e 2009.

Talvez a situação mais grave no momento seja no Chile, onde pelo menos 11 pessoas morreram, mais de 150 saíram feridas e mil e 500 foram presas desde sexta-feira, quando começou uma violenta onda de protestos contra um aumento de 17 centavos de real no preço do metrô. 

Pela primeira vez desde o fim da ditadura do general Augusto Pinochet, em 1990, o Exército está nas ruas. Sob intensa pressão popular, o presidente conservador Sebastián Piñera cancelou o aumento, decretou estado de emergência e toque de recolher noturno na região metropolitana de Santiago e em mais de dez outras cidades. 

Também houve protestos recentemente no Equador, no Peru, na Nicarágua, na América Central, no Egito, no Iraque, no Líbano, na Catalunha e em Hong Kong. Meu comentário:

Protestos contra aumento do metrô causam dez mortes no Chile

Depois de três dias de protestos violentos e saques, com dez mortes num ataque a supermercado a uma fábrica, o presidente Sebastián Piñera suspendeu um aumento nas passagens do metrô e decretou estado de emergência e toque de recolher noturno na região metropolitana de Santiago do Chile e em outras quatro cidades. Mais de 150 pessoas foram feridas e 1,5 mil foram presas.

"Estamos em guerra contra um inimigo poderoso e implacável, que não respeita nada nem ninguém e que está disposto a usar a violência e a delinquência sem nenhum limite, que está disposto a queimar nossos hospitais, o metrô, os supermercados, com o único objetivo de infligir o maior dano posssível", declarou presidente conservador chileno.

Piñera acusou grupos infiltrados nas manifestações para promover a violência de "estarem em guerra contra todos os chilenos que querem viver na democracia": "Estamos conscientes de que têm um grau de organização e logística que é próprio do crime organizado."

O presidente prometeu um "enorme esforço" para fazer desta segunda-feira um dia normal e pediu "a todos os compatriotas que nos unamos nesta batalha que não podemos perder. Não vamos permitir que os violentos e delinquentes se sintam donos do nosso país."

Diante da vitória com a revogação do aumento nas passagens do metrô de Santiago, os manifestantes exigem agora políticas sociais de combate à miséria.

Manifestantes atiram coquetéis Molotov em Hong Kong

Pela  20ª semana seguida, milhares de manifestantes do movimento pela democracia protestaram contra a crescente interferência do regime comunista chinês em Hong Kong, que tem status de região administrativa especial dentro da República Popular da China.

O protesto começou pacificamente, mas degenerou em violência, com depredação de lojas, bancos e estações. A polícia usou gás lacrimogênio contra a manifestação, não autorizada. Os manifestantes reagiram com coquetéis Molotov.

Outro sinal de uma escalada na violência foi o uso de um robô para desarmar uma bomba de fabricação caseira. Há uma semana, a polícia anunciou que uma bomba caseira havia sido explodida pelos manifestantes usando um telefone celular como detonador. Ninguém foi ferido.

A manifestação começou num bairro comercial da ponta sul da Península de Kowloon e seguiu pela avenida do porto de Vitória aos gritos de "Glória a Hong Kong!" Algumas estações de metrô na rota da marcha de protesto foram fechadas. Filias de bancos e empresas chinesas foram atacadas.

A Frente dos Direitos Humanos e Civis, organizadora de grandes marchas pacíficas no verão de que participaram até 2 milhões de pessoas, pediu autorização para a manifestação de hoje. A polícia negou, alegando que protestos anteriores degeneraram em vandalismo e violência.

Os protestos começaram contra um projeto de lei para autorizar a extradição de residentes no território para responder a processos criminais na China. Evoluíram para exigir a renúncia da governadora Carrie Lam, vista como subserviente a Beijim, e eleições diretas para governador e para o Conselho de Legislativo, o parlamento do território.

Quando o Reino Unido devolveu Hong Kong à China, em 1º de julho de 1997, o regime comunista chinês se comprometeu a manter as liberdades democráticas no território durante 50 anos,. Era fórmula um país, dois sistemas, idealizada pelo então líder Deng Xiaoping para ser usada também numa possível reintegração da Taiwan.

A linha-dura comunista acusa os manifestantes de quererem a independência de Hong Kong, no que seria uma mutilação da grande e poderosa China. Dentro da paranoia comum aos regimes ditatorias, vê influências externas dos Estados Unidos e do Reino Unido no movimento pela democracia.

Os moradores de Hong Kong veem nas atuais manobras do governo chinês, cada vez mais ditatorial sob Xi Jinping, uma ameaça a esta situação especial.

domingo, 20 de outubro de 2019

Catalunha protesta há seis dias contra prisão de nacionalistas

Mais de 500 mil pessoas tomaram as ruas de Barcelona em manifestações paralelas. O movimento nacionalista da Catalunha protesta há seis dias contra condenações de nove de seus líderes a penas de nove a 13 anos de reclusão por sedição e malversação de fundos públicos ao organizarem um plebiscito ilegal sobre a independência em 1º de outubro de 2017.

Quando os independentistas catalães foram condenados, o primeiro-ministro socialista da Espanha, Pedro Sánchez, declarou que o conflito entrava numa "nova fase". Não era exatamente o que ele esperava.

O medo agora é que os líderes separatistas não consigam controlar os elementos mais radicais. Eles exigem a libertação do que consideram "presos políticos".

Na sexta-feira, houve uma greve geral. As autoridades disseram que menos da metade dos funcionários públicos aderiram. Quem é contra a independência se manifestou em homenagem aos policiais feridos durante os protestos.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Protestos na Catalunha têm mais de 800 feridos

A província da Catalunha está em pé de guerra desde que o Tribunal Supremo da Espanha sentenciou, há dois dias, nove líderes do movimento pela independência da região a penas de nove a 13 anos. Só o diálogo pode resolver o problema, mas nenhuma das partes parece disposta a ceder.

Os antigos dirigentes da Generalitat, o nome do governo autônomo regional, foram condenados por sedição, que significa revolta contra uma autoridade constituição, e malversação de fundos, mau uso do dinheiro público ao organizar um plebiscito ilegal sobre a independência em 1º de outubro de 2017.

A maior pena, de 13 anos, foi para o ex-vice-governador Oriol Junqueras. O mandado de prisão pan-europeu contra o ex-governador Carles Puigdemont, que fugiu para a Bélgica, foi renovado.

Logo depois do veredito, centenas de milhares de pessoas tomaram ruas do centro de Barcelona e das principais cidades catalãs para exigir a libertação dos condenados, que consideram presos políticos. Meu comentário:

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Presidente do Equador recua e suspende aumento dos combustíveis

Depois de 12 dias de protestos com confrontos das forças de segurança contra manifestantes indígenas, trabalhadores e estudantes nas ruas da capital, Quito, o presidente Lenín Moreno cancelou o aumento de 120% nos combustíveis, parte de um acordo do Equador com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para eliminar subsídios em troca de um empréstimo de US$ 4 bilhões, mais de R$ 16 bilhões.

Diante do recuo do governo, os líderes das manifestações anunciaram a desmobilização, apesar da exigência das alas mais radicais de uma renúncia do presidente.

Moreno também prometeu revisar as medidas de austeridade econômica prometidas ao FMI para equilibrar as contas públicas do Equador, inclusive planos para diminuir os salários dos funcionários públicos. Seu desafio agora é reduzir o déficit público sem provocar novos distúrbios.

O presidente terá de enfrentar uma dura campanha para se reeleger em 2021 por causa da ameaça de seu antecessor, Rafael Correa, de quem era vice-presidente.

Ao chegar ao poder, Moreno mudou a orientação política de Correa, um discípulo do falecido caudilho venezuelano Hugo Chávez, e adotou políticas mais favoráveis à economia de mercado. Suspeito de ter recebido propina da construtora brasileira Odebrecht, o ex-presidente fugiu para um autoexílio na Bélgica, onde nasceu sua mulher.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Movimento indígena exige queda do presidente do Equador

Ondas de manifestantes enfrentaram a polícia hoje nas ruas de Quito, no sétimo dia de protestos contra o fim do subsídio aos combustíveis, que subiram 120% em função de um acordo para obter um empréstimo de US$ 4 bilhões. 

Os protestos são liderados pelo movimento indígena, que derrubou três presidentes do Equador desde 1997 e agora exige a renúncia do presidente Lenín Moreno. Em uma semana, pelo menos cinco pessoas foram mortas e quase 800 foram presas.

A Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), que se nega a negociar com o governo, liderou a marcha até o centro da capital, paralisada por uma greve geral. Foram seguidos por trabalhadores e estudantes. Estes jogaram pedras na polícia, que reagiu com bombas de gás lacrimogênio.

"Queremos que as medidas sejam revogadas para dar tranquilidade ao povo", declarou o líder indígena César García, de 52 anos, enquanto uma representante da comunidade de Zumbahua, na província de Cotopaxi, Diana Guanatuña, exigia que "o governo se vá porque teve tempo suficiente para mostrar o que pode fazer pelo povo e não fez nada."

A situação econômica do país se agravou nos últimos anos com a queda nos preços do petróleo. O presidente Moreno anunciou a intenção de deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) para escapar dos limites de produção impostos pelos grandes produtores.

Moreno era vice-presidente de Rafael Correa, um presidente de esquerda carismático e popular que seguia a linha do chavismo. No governo, adotou uma postura mais favorável ao mercado e aos empresários. Acusado de corrupção num escândalo envolvendo a construtora brasileira Odebrecht, Correa fugiu para a Bélgica, país de sua mulher.

Na semana passada, Correa esteve em Caracas, onde se reuniu com o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. Moreno, que na segunda-feira transferiu o governo para Guaiaquil, a maior cidade e capital econômica do Equador, responsabiliza os dois pela explosão de violência no Equador. Hoje, voltou a Quito.

Os índios são 4,5 milhões, cerca de 25% da população equatoriana, de 17,7 milhões de habitantes, dos quais 37% vivem na miséria. Entre os indígenas, a pobreza chega a 73%. Eles tiveram participação decisiva em todos os movimentos de protesto. Provocaram a queda dos presidente Abdalá Bucaram, em 1997; Jamil Mahuad, em 2000; e Lucio Gutiérrez, em 2005.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Protestos contra governo do Iraque resultam em 33 mortes

Pelo quarto dia seguido, milhares de iraquianos protestam contra a corrupção, a miséria, o desemprego e a falta de serviços públicos essenciais. O governo reage com gás lacrimogênio e munição real. Ao menos 33 pessoas foram mortas, 40 de acordo com grupos de defesa dos direitos humanos.

Dezesseis anos depois da invasão ordenada pelo presidente George W. Bush para derrubar o ditador Saddam Hussein, o Iraque ainda sofre as pesadas consequências da invasão americana, feita sob o falso pretexto de que o Iraque possuía armas de destruição em massa. 

Há quatro dias, milhares de pessoas, sobretudo jovens, protestam nas ruas de Bagdá e das principais cidades do Sul do país contra a corrupção, a miséria, que afeta a maioria dos 40 milhões de habitantes, o desemprego, que atinge 25% dos jovens, e a falta de serviços básicos como o fornecimento de água e energia elétrica. 

A infraestrutura já apresentava problemas por causa dos oitos anos da guerra contra o Irã nos anos 1980s e das sanções impostas pelas Nações Unidas depois da Guerra do Golfo de 1991, para expulsar os iraquianos do Kuwait. 

Desde que os bombardeios dos Estados Unidos arrasaram a infraestrutura do Iraque, o país com a quinta maior reserva mundial de petróleo não consegue fornecer energia regularmente nem para a capital. Meu comentário:
No quinto dia de protestos, o total de mortos chegou a 93 pessoas. Mais de 4 mil soldados americanos foram mortos desde a invasão de 2003. O sítio Iraq Body County estimou o total de mortos em 288 mil.

domingo, 28 de julho de 2019

Líder da oposição na Rússia é envenenado na prisão

O principal líder da oposição na Rússia, o advogado e blogueiro anticorrupção Alexei Navalny, foi hospitalizado na manhã deste domingo depois de sofrer uma reação alérgica aguda. Uma médica levantou a suspeita de envenenamento, noticiou o jornal The Moscow Times.

Navalny, de 43 anos, foi preso na quarta-feira passada e condenado a 30 dias de reclusão por violar a lei de manifestações públicas ao convocar um protesto não autorizado para ontem em Moscou. A polícia dissolveu o protesto à força e prendeu 1.373 manifestantes.

Ele está "com o rosto inchado e a pele vermelha", descreveu a porta-voz do líder oposicionista, Kira Yarmich. A médica que suspeita de envenenamento já tratou de Navalny no passado e o viu rapidamente desta vez.

"Não podemos descartar danos por intoxicação na pele e em membranas mucosas por uma substância química desconhecida infligida por uma 'terceira parte'", escreveu no Facebook a média Anastassia Vassilieva.

A manifestação de ontem reuniu cerca de 3,5 mil no centro da capital russa para protestar contra a impugnação das candidaturas de mais de dez líderes da oposição às eleições de 8 de setembro para a Câmara Municipal de Moscou, entre eles, Navalny, Ilya Yashin e Liubol Sobol.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Manifestantes invadem Conselho Legislativo de Hong Kong

Uma grande massa de manifestantes tomou ontem mais uma vez as ruas de Hong Kong para protestar contra o domínio crescente da China, no 22º aniversário da devolução da antiga colônia britânica. Alguns jovens mais exaltados invadiram a sede do Conselho Legislativo e foram dispersados pela polícia com cassetetes e bombas de gás lacrimogênio.

No acordo com o Reino Unido, o regime comunista chinês prometeu manter as liberdades democráticas em Hong Kong durante pelo menos 50 anos dentro da fórmula "um país, dois sistemas". Um projeto de lei para autorizar a extradição de cidadãos de Hong Kong para responder a processo na China causou a mobilização popular e a violência policial agravou a situação.

Sob pressão das ruas, a governadora Carrie Lam, subserviente ao governo central de Beijim, suspendeu a tramitação da proposta. Os manifestantes exigem que arquive definitivamente. É difícil imaginar que o ditador, chinês, Xi Jinping, aceite. A democracia ocidental é um de seus grandes fantasmas.

A violência dos protestos pode desmobilizar os manifestantes pacíficos e justificar atitudes ainda mais duras da polícia.

Hong Kong luta pela democracia na China. Será uma longa luta. A mídia oficial do Partido Comunista está pedindo "tolerância zero".