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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 5 de Fevereiro

FIM DAS GUERRAS PÚNICAS

    Em 146 antes de Cristo, a República Romana finalmente vence Cartago depois de mais um século de guerra e se torna a potência dominante no Mar Mediterrâneo durante sete séculos.

As Guerras Púnicas são travadas entre Roma e Cartago, uma cidade situada onde hoje é a Tunísia, no Norte da África, entre 264 e 146 AC, num total de 43 anos de guerra.

O império cartaginês domina uma faixa do Norte da África junto ao mar, algumas ilhas do Mediterrâneo, inclusive partes da Sicília, da Córsega e da Sardenha. No momento de maior expansão, controla metade da Península Ibérica. É a maior potência mediterrânea.

A Primeira Guerra Púnica dura 23 anos. É travada em torno das ilhas da Sicília, da Córsega e da Sardenha, por causa do expansionismo romano. Termina com a vitória de Roma, que assume o controle das ilhas do Mediterrâneo.

Na Segunda Guerra Púnica, que começa em 218 AC, o grande general cartaginês Aníbal Barca atravessa a Cordilheira dos Alpes e invade a Itália, onde seu exército luta durante 14 anos até que Roma contra-ataca a cidade de Cartago, forçando Aníbal, que usa até elefantaria, a voltar para defender sua capital. Com a derrota na Batalha de Zama, em 202, Cartago se rende, perde os territórios na Europa e em parte da África, e fica proibido de ir à guerra.

A Terceira Guerra Púnica começa em 149 AC, depois que Cartago se defende invasões de numídios. Roma usa como pretexto para destruir o inimigo. A guerra é travada em território cartaginês, onde hoje é a Tunísia. Cartago é cercada, invadida, saqueada, arrasada e sua população é escravizada. As ruínas da cidade ficam a leste de Túnis.

CONSTITUIÇÃO MEXICANA

    Em 1917, depois da Revolução de 1910, o México adota uma nova Constituição, em vigor até hoje. É a primeira Constituição a reconhecer os direitos sociais.

A Assembleia Constituinte é convocada pelo presidente Venustiano Carranza para institucionalizar a Revolução Mexicana. Reúne-se em Querétaro de 1º de dezembro de 1916 a 31 de janeiro de 2017.

A Constituição Mexicana de 1917 encampa algumas ideias da Revolução. Tem 137 artigos que definem os direitos da cidadania e a estrutura do Estado, manda fazer a reforma agrária e protege os direitos humanos fundamentais dos mexicanos, inclusive direitos trabalhistas (salário mínimo, jornada de trabalho de 8 horas, direito de associação a sindicatos, direito de greve e limitação aos trabalhos feminino e infantil). 

ARMAS DE SADDAM

    Em 2003, numa apresentação patética diante do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o secretário de Estado norte-americano, general Colin Powell, afirma que o ditador do Iraque, Saddam Hussein, tem armas de destruição em massa que representam uma ameaça iminente para justificar a invasão de março do mesmo ano.

A CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) recebe em 18 de outubro de 2001, pouco depois dos atentados terroristas de 11 de setembro, um informe do serviço secreto militar da Itália, na época governada pela primeiro-ministro conservador Silvio Berlusconi, dizendo que o Iraque estava comprando torta amarela de urânio enriquecido do Níger.

Em fevereiro de 2002, os EUA enviam o embaixador Joseph Wilson ao Níger investigar a denúncia. Ele fala com o ex-primeiro-ministro nigerino Ibrahim Hassane Mayaki, que diz não saber de nenhum contato, a não ser de um empresário que recebe uma delegação iraquiana interessada em "expandir" as relações comerciais.

Wilson entrega seu relatório em março de 2002, concluindo que o informe italiano não tem fundamento.

Mesmo assim, em 28 de janeiro de 2003, um ano depois de declarar que o Irã, o Iraque e a Coreia do Norte formam um "eixo do mal", no Discurso sobre o Estado da União perante o Congresso, o presidente George Walker Bush alega que "o governo britânico soube que Saddam Hussein tentou comprar quantidades de urânio significativas na África."

Com a decisão de invadir o Iraque tomada, Colin Powell vai à ONU apresentar as justificativas dos EUA. Em 2016, reconhece que sua apresentação "foi um grande fracasso de inteligência". As alegações vêm do Conselho de Segurança Nacional e a conselheira na época, Condoleezza Rice, as atribui ao escritório do vice-presidente Dick Cheney, o grande defensor da guerra. Era secretário da Defesa em 1991, quando os EUA e aliados expulsam os iraquianos do Kuwait mas não marcham até Bagdá.

Powell declara que a Comissão de Desarmamento da ONU não conseguiu eliminar os programas de armas de destruição em massa de Saddam, que o Iraque amordaça seus cientistas, esconde armas proibidas, inclusive toneladas do agente biológico antraz, abriga terroristas ligados à rede Al Caeda, ainda tenta desenvolver armas nucleares e que Saddam se nega a se desarmar pacificamente.

Os EUA não conseguem convencer nem aliados como a Alemanha e a França, não propõem uma resolução para legalizar a guerra e invadem o Iraque em 20 de março sem a autorização da ONU.

CHANTAGEM À UCRÂNIA

    Em 2020, depois de ser denunciado pela Câmara dos Representantes por chantagear o presidente da Ucrânia, o presidente Donald Trump é absolvido no Senado com os votos da maioria republicana.

O processo é aberto pela maioria democrata na Câmara porque Trump pressiona, em conversa telefônica em 25 de julho de 2019, o presidente Volodymyr Zelenski a acusar Joe Biden e filhos de algum negócio ilícito na Ucrânia para usar isso na campanha eleitoral. Trump ameaça não liberar uma ajuda militar US$ 391 milhões à Ucrânia aprovada pelo Congreso. É denunciado por "abuso de poder" e "obstrução do Congresso".

No fim de seu primeiro governo (2017-21), Trump é submetido a um segundo processo de impeachment pelo assalto de seus partidários ao Capitólio em 6 de janeiro de 2001 para tentar impedir a certificação da vitória de Biden. É absolvido pela segunda vez. De volta à Casa Branca em 2025, usa o Departamento da Justiça para perseguir quem o acusou e investigou.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Trump ignora apelos antirracistas e convoca reunião sobre segurança

Em mais de 350 cidades dos Estados Unidos, houve manifestações contra o racismo e a violência policial ontem e hoje. Indiferente diante da voz das ruas , o presidente Donald Trump desapareceu no fim de semana e ainda fez ironia com o candidato do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos. 

O ex-vice-presidente Joe Biden, se ajoelhou em homenagem ao segurança negro George Floyd, assassinado há uma semana em Mineápolis por um policial branco que pisou no seu pescoço com o joelho por quase nove minutos.

"Os covardes se ajoelham", escreveu o presidente no Twitter.

Nesta segunda-feira, duas semanas depois da morte de Floyd, Trump vai se reunir com ministros para discutir a manutenção da ordem. A onda de protestos provocou mais violência policial. A Casa Branca examina a possibilidade de Trump fazer um pronunciamento público sobre a situação.

O Partido Republicano se opõe a um projeto da oposição democrata para criar um registro nacional dos policiais que cometerem abusos. Derek Chauvin, o policial que pisou no pescoço de Floyd com o joelho, tinha 19 reclamações contra ele.

A punição de policiais é difícil por causa do corporativismo e da força dos sindicatos da categoria, noticiou o jornal The New York Times. Enquanto a participação de trabalhadores em sindicatos caiu pela metade para 10% desde os anos 1980s, em serviços de segurança é de 33,8%. Só um sindicato de Nova York gastou US$ 1 milhão em campanhas desde 2014.

Entre as reivindicações dos manifestantes, está a redução do orçamento das polícias e o uso do dinheiro para financiar projetos sociais para a comunidade negra. A Câmara Municipal de Mineápolis pode dissolver a polícia e recriar o departamento em novas bases.

Trump tenta se apresentar como o presidente da "segurança pública", repetindo o lema de Richard Nixon, que se elegeu no tumultuado ano de 1968, quando foram assassinados o líder do movimento pelos direitos civis dos negros, Martin Luther King Jr., e o favorito para candidato do Partido Democrata na eleição presidencial daquele ano, Robert Kennedy.

Durante o governo de Barack Obama, o primeiro e único presidente negro da história do país, pelo menos 20 departamentos de polícia iniciaram programas de retreinamento dos agentes para combater o racismo institucionalizado. O governo Trump acabou com o programa.

Por ameaçar convocar o Exército para acabar com os protestos, Trump foi duramente criticado por autoridades militares por esta declaração de guerra ao povo americano. Seu próprio secretário da Defesa, Mark Esper, se opôs ao uso de tropas federais nas ruas dos EUA.

O ex-secretário da Defesa James Cachorro Louco Mattis, um general do Corpo de Fuzileiros Navais condecorado por bravura nas guerras do Afeganistão e do Iraque, foi mais duro. Acusou o Trump de ser "o primeiro presidente na minha vida que não uniu nem fingiu tentar unir o povo americano, tenta nos dividir" e comentou que o país "testemunha as consequências de três anos sem uma liderança madura".

Depois que Trump usou a Guarda Nacional para acabar com uma manifestação pacífica diante da Casa Branca para ir até uma igreja posar para fotos com uma Bíblia na mão, Mattis criticou "aqueles que, no poder, fizeram zombaria da nossa Constituição" e declarou estar "irritado e horrorizado" como que viu.

A Emenda nº 1 à Constituição dos EUA garante, entre outras liberdades fundamentais, o direito de livre associação para fins pacíficos.

Outro general, John Kelly, ex-chefe da Casa Civil e ex-secretário da Segurança Interna, concordou com Mattis e acrescentou que "precisamos olhar com mais cuidado com quem elegemos".

O ex-secretário de Estado (ministro do Exterior) e ex-comandante do Estado-Maior da Forças Armadas Colin Powell, que é negro, chamou Trump de "mentiroso e desonesto. Ele anunciou voto no candidato da oposição, o ex-vice-presidente Joe Biden, na eleição presidencial de 3 de novembro.

Em entrevista à rede de televisão americana CNN, Powell afirmou ter concluído que Trump é racista quando o atual presidente questionou se o ex-presidente Barack Obama nasceu mesmo nos EUA. Também o considerou um perigo por insultar aliados dos EUA, colocando em risco a política externa americana.

Sob pressão dos militares, Trump ordenou a retirar da Guarda Nacional do Distrito de Colúmbia.

Na sexta-feira, o Corpo de Fuzileiros Navais, uma das armas das Forças Armadas dos EUA, anunciou que vai retirar todas as apresentações públicas da bandeira dos Estados Confederados do Sul, que lutaram contra o Norte durante a Guerra Civil Americana (1861-65) para manter a escravidão.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Colin Powell chama Trump de "desgraça nacional"

Em mensagens pessoais que vazaram na Internet, o ex-secretário de Estado americano Colin Powell, ex-comandante do Estado-Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos, criticou a arrogância da candidata democrata, Hillary Clinton, e considerou o republicano Donald Trump uma "desgraça nacional" e um "pária internacional".

O vazamento veio de um sítio suspeito de ligações com o serviço secreto da Rússia, que estaria tentando intervir na eleição presidencial americana.

Powell acusou Trump de alimentar um movimento "racista" quando questionou o local de nascimento do presidente Barack Obama. "Todo o movimento em torno do nascimento de Obama era racista. Quando Trump não conseguiu provar o que alegara, disse que queria ver na certidão se ele não é muçulmano."

Sobre Hillary, o ex-secretário comentou que não é uma pessoa "transformadora", é "gananciosa" e "estraga tudo o que toca por arrogância", Ele não gostou de ter sido usado na tentativa de justificar o fato de Hillary ter usado um correio eletrônico privado quando era chefe da diplomacia dos EUA, colocando assim em risco a segurança nacional.

"Eu não disse a Hillary para ter um servidor privado em casa ligado à Fundação Clinton, contratar duas empresas privadas, apagar 60 mil mensagens e ter sua própria domínio", desabafou Powell. Mas ele descreveu a insistência em responsabilizá-lo pelo ataque ao Consulado Americano em Bengázi em 11 de setembro de 2012 como uma "caça às bruxas estúpida".

Na opinião de Powell, expressa em e-mail à também ex-secretária de Estado Condoleezza Rice, o maior responsável foi "um corajoso embaixador que acreditou que os líbios o amavam e que estaria bem num lugar extremamente vulnerável".

O embaixador Christopher Stevens e outros três americanos morreram no ataque de uma milícia jihadista ao consulado em Bengázi.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

EUA encerram invasão do Iraque

Depois de oito anos e nove meses, e das mortes de 4.484 mil soldados americanos, 179 britânicos, 139 de outros países aliados e mais de 100 mil civis iraquianos, os Estados Unidos encerraram hoje a invasão do Iraque, ordenada em março de 2003 pelo então presidente George W. Bush sob a alegação de que a ditadura de Saddam Hussein estaria desenvolvendo armas de destruição em massa.

A ditadora genocida de Saddam caiu em 9 de abril daquele ano, mas as armas químicas, biológicas e nucleares proibidas nunca foram encontradas. Foi uma guerra ilegal, por não ter sido autorizada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, e ilegítima porque o motivo alegado era falso.

Bush esperava uma guerra rápida. Chegou a declarar vitória, em 1º de maio de 2003, a bordo do porta-aviões americano Abraham Lincoln, no Golfo Pérsico.

Com a anarquia desencadeada pela queda da ditadura, logo os EUA precisaram da ajuda da ONU, que haviam humilhado ao ignorar a oposição do Conselho de Segurança à ação militar. Em agosto de 2003, um ataque terrorista suicida contra a sede da ONU em Bagdá matou o chefe da missão, o embaixador brasileiro Sérgio Vieira de Mello.

Diante do vácuo de poder e da desmobilização da polícia e das Forças Armadas do antigo regime, milhares de homens com armas e treinamento militar iniciaram uma revolta contra a ocupação. Ao não opor resistência à invasão, o regime preservou homens e armas para uma longa guerra de guerrilha.

O caos alimentou o conflito sectário entre sunitas e xiitas.

Em 31 de março de 2004, quatro americanos contratados pelo Departamento da Defesa dos EUA foram alvo de uma embosca em Faluja, conhecida como a cidade das mais de 200 mesquitas, à beira do Rio Eufrates. Como represália, os EUA atacaram a cidade, matando mais de 600 pessoas, uma ferida aberta até hoje nas relações americano-iraquianas.

Prisioneiro com fios para tortura
Um mês depois, foram reveladas as fotos de torturas praticadas por americanos na prisão de Abu Ghraib, nos arredores de Bagdá. O centro de detenção e tortura de Saddam tinha se tornado centro de tortura para os EUA.

Quando o então secretário de Estado, general Colin Powell, se opôs à guerra, defendida pelos neoconservadores do governo Bush, disse ao presidente que, ao derrubar Saddam, os EUA se tornariam donos do destino de 25 milhões de habitantes de um país com profundas diferenças culturais.

Soldada Lynndie England arrasta preso
Entre as principais questões sobre o delirante projeto neoconservador de usar a democratização à força do Iraque como modelo para o resto do Oriente Médio, era saber se o Iraque era um produto de Saddam e assim poderia ser democratizado, ou se Saddam era um produto do Iraque.

Neste caso, os EUA seriam o novo Saddam. Teriam de impor sua própria ditadura a um país criado artificialmente pelas potências ocidentais depois da dissolução do Império Otomano, no fim da Segunda Guerra Mundial.

O ditador foi condenado por suas campanhas contra xiitas e curdos e enforcado em 30 de novembro de 2006. Mas o novo Iraque emergiu das urnas profundamente dividido entre suas etnias e religiões.

Enquanto árabes xiitas e curdos, perseguidos por Saddam, apoiavam a nova ordem, os sunitas boicotaram as primeiras votações e formavam o grosso da insurgência, onde logo entrou a rede terrorista Al Caeda, abrindo uma nova frente de batalha para enfrentar seus arqui-inimigos americanos.

A maioria xiita, com sua ligação natural com o vizinho Irã, sabia que dependia dos EUA, mas não mostrava muita confiança no invasor, enquanto os curdos tinham consciência de sua total dependência dos americanos para terem alguma chance.

Diante da impossibilidade de acordo entre os diferentes grupos, Al Caeda, sunita, aliada aos antigos partidários de Saddam, apostou no conflito sectário com os xiitas. Quase levou o país a uma guerra civil capaz de envolver vizinhos poderosos como a Arábia Saudita, sunita, e o Irã, xiita, a partir do ataque à mesquita xiita de Samarra, em 22 de fevereiro de 2006.

Com a violência generalizada, os EUA chegaram a cogitar uma retirada imediata que deixaria o Iraque numa guerra civil e até mesmo a divisão do país entre seus grupos étnicos e religiosos, tese defendida pelo atual vice-presidente, Joe Biden, durante a campanha eleitoral de 2008. Só revelou sua profunda ignorância.

Bush optou por um reforço de tropas. Sob o comando do general David Petraeus, os EUA criaram um perímetro de segurança na superfortificada Zona Verde, no centro de Bagdá, e a partir daí começaram a expandi-la. Tiveram apoio decisivo dos líderes tribais sunitas, que não queriam viver sob o extremismo que os salafistas d'al Caeda queriam impor ao país. Com armas e treinamento americanos, eles derrotaram os seguidores de Ossama ben Laden.

Quando o presidente Barack Obama assumiu, em janeiro de 2009, tinha a preocupação de acabar com uma guerra que ele sempre foi contra, como mostram seus pronunciamentos e votos da época da invasão. Ele anunciou a retirada que está terminando agora.

A Guerra do Iraque derrubou os governos da Espanha, Portugal e Reino Unido, que participaram da invasão. Bush não elegeu seu sucessor muito mais pela crise econômica.

Há poucos dias, Obama recebeu na Casa Branca o primeiro-ministro iraquiano Nuri al-Maliki. Com cautela, Obama afirmou que o Iraque é hoje um país melhor do que na era Saddam, tentando desculpar os EUA pela invasão sem dar munição à direita republicana, que o acusa de ser fraco em defesa e segurança nacional, apesar da morte de Ben Laden e da queda e morte do ditador líbio Muamar Kadafi.

Mas há sérias dúvidas sobre as credenciais democráticas de Maliki. Aliado do Irã, onde viveu exilado, ele não mostrou sinal de dar o menor apoio ao cerco diplomático que os EUA querem impor para pressionar a república islâmica a desistir de fabricar armas atômicas. Também não se manifestou quanto à guerra civil na vizinha Síria, aliada do Irã.

No plano interno, o vice-primeiro-ministro sunita, Saleh al-Mutlaq, deixou claro nos últimos dias que não confia em Maliki, a quem acusa de não querer dividir o poder. Além da proximidade com o Irã, o governo de maioria xiita teria lançado numa nova perseguição aos partidários do antigo regime e do partido Baath, de Saddam Hussein.

Quanto às causas da invasão, o chefe da missão de inspetores da ONU para armas químicas e biológicas no Iraque, o embaixador sueco Hans Blix, está convencido de que o verdadeiro motivo foi o petróleo do Iraque, argumento considerado mais provável ou até evidente por analistas de esquerda.

Talvez a questão seja mais complicada. As armas de destruição em massa foram apenas um pretexto. O senador John Kerry, que perdeu a eleição presidencial de 2004 para Bush, argumentou num debate da campanha, com base nas informações secretas a que tinha acesso, que pelo menos 34 países representavam uma ameaça maior à segurança dos EUA do que o Iraque de Saddam Hussein.

Em 12 de setembro de 2001, um dia depois dos atentados terroristas contra Nova York e o Pentágono, o subsecretário da Defesa Paul Wolfowitz, talvez o principal articulador da guerra, propunha a invasão do Iraque como parte da resposta, embora não houvesse qualquer indício de ligação de Saddam com extremistas muçulmanos.

Os EUA precisavam mostrar ao mundo e aos árabes, e especialmente aos islamitas radicais, que estavam prontos para ir à guerra e matar ou morrer pela pátria, que não eram covardes governados por mulheres como dizia Ben Laden. Queriam dar uma demonstração de força tomando um país árabe.

Até 10 de setembro de 2001, Saddam era o maior inimigo dos EUA no mundo árabe. A possibilidade de uma aliança de Saddam com Al Caeda era remota porque ele sabe que seria engolido pelo jihadismo.

Uma hipótese conjuga a necessidade de reafirmar sua presença militar no Oriente Médio com o interesse em garantir o suprimento de petróleo, motivo da importância geopolítica da região.

Ao escolher sauditas como 15 dos 19 terroristas suicidas do 11 de Setembro, Ben Laden queria abrir uma brecha nas relações entre os EUA e a Arábia Saudita, sua pátria, berço do Islã e sede das cidades sagradas de Meca e Medina, um país conspurcado, na visão salafista, pela presença de forças militares americanas.

A inesperada força d'al Caeda trouxe o fantasma de uma revolução islâmica na Arábia Saudita, que detém mais de 25% das reservas mundiais conhecidas de petróleo. Ao invadir o Iraque, os EUA teriam um novo país para onde remover suas forças sem retirá-las do Oriente Médio e acesso às que eram consideradas na época as segundas maiores reservas mundiais de petróleo.

Os contratos assinados pelo governo do Iraque com a companhias de petróleo da China derrubam a hipótese de que um dos motivos por trás da invasão seria restringir o acesso chinês às fontes de energia de que necessita para manter seu extraordinário crescimento econômico. A Exxon e a Shell têm enfrentado dificuldades. Estão ameaçadas de ter de sair do Iraque, o que indicaria que não há privilégios para empresas dos EUA e do Reino Unido.

Uma cerimônia em Bagdá marcou hoje o fim de uma guerra que custou mais de US$ 1 trilhão ao povo americano, contribuindo para aumentar o déficit e a dívida pública do país.

Com a presença do secretário de Defesa, Leon Panetta, que viajou secretamente a Bagdá, a bandeira americana foi retirada do aeroporto da capital iraquiana como símbolo da retirada final, reporta a TV pública britânica BBC. Ficam apenas cerca de 160 soldados para proteger a Embaixada dos EUA.

Os americanos deixam o Iraque sem honra nem glória, depois de uma guerra desastrosa. Chegaram em 20 de março de 2003, com um bombardeio devastador para chocar e apavorar os iraquianos. Deixam um país arrasado, com um conflito sectário e um sistema político que não funciona, adverte o jornal The New York Times. Saem praticamente em silêncio.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Powell rebate acusações de Cheney a Obama

O ex-secretário de Estado Colin Powell (2001-05) e ex-comandante do Estado-Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos rejeitou hoje as acusações feitas há uma semana pelo ex-vice-presidente Dick Cheney de que o governo Barack Obama tornou o país mais vulnerável ao terrorismo.

Em entrevista ao programa Face the Nation, da rede de televisão CBS, Powell argumentou que as acusações não fazem sentido, já que Obama manteve a maioria dos programas e procedimentos da era Bush, inclusive o secretário da Defesa, Robert Gates.

Cheney critica o atual governo por proibir a tortura, querer fechar o centro de detenção instalado na base naval de Guantânamo, em Cuba, e julgar suspeitos de terrorismo na Justiça civil.

Powell, um republicano que apoiou o atual presidente quando achou que a campanha eleitoral estava ganhando tons racistas, considerou absurda a alegação de que Obama esteja levando os EUA para o socialismo: "Será que perdemos totalmente a fé no nosso país, a ponto de imaginar que um homem sozinho pode de repente mudar todo o sistema?"

Ele aconselhou Obama a concentrar esforços na recuperação da economia e na geração de empregos, onde admitiu que os resultados das políticas do novo governo ainda não apareceram.

domingo, 19 de outubro de 2008

General Colin Powell apóia Obama para presidente

O ex-secretário de Estado e ex-comandante-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Colin Powell, um republicano, apóia o senador democrata Barack Obama para presidente dos Estados Unidos em 4 de novembro.

Em entrevista ao programa Meet the Press (Encontro com a Imprensa) neste domingo, Powell, que chegou a ser cotado para ser o primeiro presidente negro, criticou o negativismo da campanha do senador John McCain e a escolha da governadora do Alasca, Sarah Palin, para vice.

Powell descreveu Obama como "uma figura transformacional", com estilo e conteúdo para resgatar o prestígio internacional dos EUA. Também considerou Palin "despreparada para ser presidente dos EUA, que é a função do vice-presidente".

Como secretário de Estado do primeiro governo George Walker Bush, Powell depôs em reunião ministerial do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em 7 de março de 2003, duas semanas antes da invasão do Iraque.

Mesmo sendo pessoalmente contra a guerra, com disciplina militar, Colin Powell defendeu a posição oficial de que o ditador Saddam Hussein estava desenvolvendo armas de destruição em massa, o principal argumento para a guerra, que se mostrou falso. Ter sido submetido àquele papel ridículo o revoltou profundamente. Ele não quis continuar no cargo no segundo governo George W. Bush, sendo substituído pela assessora de Segurança Nacional, Condoleezza Rice.

A campanha de Obama arrecadou mais de US$ 150 milhões em setembro. Ele deve comprar meia hora em rede nacional em 29 de outubro, aniversário do crash da Bolsa de Nova Iorque em 1929, para apresentar seu plano econômico ao povo americano.

Em outro sinal extremamente positivo para sua campanha, Obama reuniu ontem 130 mil pessoas na cidade de Saint-Louis, no estado do Missouri, no maior comício da campanha, superado apenas pelo público do discurso em Berlim.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Bush admitiu que Blair ficasse fora da guerra

Na última hora, diante de um informe da Embaixada dos Estados Unidos em Londres de que o governo Tony Blair poderia cair, o presidente George Walker Bush disse ao primeiro-ministro britânico que o Reino Unido poderia não participar da invasão do Iraque. Blair declinou, alegando que seria patético, revela um novo livro sobre seu governo.

Bush recebeu o informe poucos antes da votação sobre a guerra na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico. Ficou tão preocupado que ligou pessoalmente para Blair dando-lhe a possibilidade de não ir à guerra.

Nove dias antes da votação decisiva, 139 deputados trabalhistas rebeldes ameaçavam negar a autorização para o Reino Unido entrar na Guerra do Iraque. Para surpresa da então assessora de Segurança Nacional e hoje secretária de Estado, Condoleezza Rice, Bush lhe disse que os britânicos poderiam não participar da invasão e assumir um papel menos controvertido depois.

Os diplomatas americanos ouviram de muitos deputados britânicos que não poderiam aprovar a guerra sem o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde Bush e Blair não conseguir maioria para dar um caráter legal à invasão, nos termos da Carta da ONU

No livro Blair Unbound, de Anthony Seldon, Peter Snowdon e Daniel Collings, dá o seguinte depoimento: "Lembro-me de estar no Salão Oval [da Casa Branca]. O presidente disse: 'Não podemos deixar que o governo britânico caia por causa da decisão de ir à guerra. Tenho de dizer a Tony que ele não precisa fazer isso'."

Rice sugeriu que ela ligasse para David Manning, principal assessor de Blair para política externa. Bush achou que não havia tempo. Resolveu falar pessoalmente com o primeiro-ministro britânico.

- Quero lhe dizer que minha última opção é a queda de seu governo. Não quero que isso aconteça sob quaisquer circunstâncias - disse Bush no telefone.

- Você sabe, George, qualquer que seja sua decisão, estarei com você - respondeu Blair.

A assessores, o primeiro-ministro confidenciou que recuar àquela altura seria "patético".

O livro diz ainda que o então secretário de Estado americano, Colin Powell, e o ministro do Exterior britânico, Jack Straw, tentaram convencer Blair a persuadir Bush a desistir da guerra. "No final, Blair sempre apoiava o presidente", conta Powell.

Leia mais no jornal inglês The Independent.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Bush desperdiçou vitória no Afeganistão

Em momentos-chaves da guerra no Afeganistão, o governo George Walker Bush desviou os recursos escassos para a inútil guerra no Iraque, afirma reportagem de David Rhode e David Sanger publicada no domingo, 12 de agosto, no jornal The New York Times.

A guerra para derrubar a ditadura da milícia dos Talebã, no Afeganistão, foi a primeira resposta aos atentados de 11 de setembro de 2001 e o primeiro teste da doutrina militar do então secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, de uma força pequena e de alta mobilidade. Pode servir para ganhar a guerra mas não para ocupar o território conquistado por longo prazo, como ficou evidente no Iraque e no Afeganistão, que assiste hoje ao ressurgimento dos Talebã.

Diante da vitória fácil, Rumsfeld rejeitou os pedidos do então secretário de Estado, Colin Powell, e o presidente afegão, Hamid Karzai, de que uma grande força internacional garantisse a paz no Afeganistão.

Quando a situação se agravou, com a incapacidade do governo Karzai de controlar até mesmo a região da capital, Cabul, os Estados Unidos apelaram aos aliados europeus da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Em 12 de setembro de 2001, os aliados invocaram o princípio da Carta do Atlântico que considera uma agressão contra qualquer país-membro um ataque contra todos, e se ofereceram para lutar ao lado dos EUA contra os autores dos atentados terroristas, no caso a rede terrorista Al Caeda e o regime da milícia dos Talebã, que a acolhia.

A situação mudou com a invasão do Iraque, em março de 2003. Hoje vários aliados europeus temem ser alvo de terrorismo caso se associem a uma guerra americana.

Como Ossama ben Laden e a rede terrorista Al Caeda, seus aliados talebã se reagruparam nas regiões tribais do Paquistão. Além da milícia que governou o Afeganistão, a rede de Ben Laden também se recuperou da derrota sofrida em 2001 enquanto desvia recursos para atacar o Iraque, embora Saddam Hussein não tivesse qualquer relação com os terroristas que atacaram os EUA.

Na semana passada, o presidente Karzai declarou em Washington que a segurança do Afeganistão está "definitivamente deteriorada".

Com sua arrogância imperial, o presidente Bush prometeu um novo Plano Marshall para o Afeganistão, que acabou recebendo menos ajuda internacional por habitante do que a Bósnia-Herzegovina, o Kossovo e o Haiti.

A partir do final do ano passado, os EUA voltaram a reforçar seu contingente no Afeganistão, que tem hoje 23,5 mil soldados, muito menos do que os 160 mil no Iraque.

Os US$ 300 milhões aprovados pelo Congresso para o desenvolvimento de pequenas empresas no Afeganistão nunca saiu do papel. Apesar de 80% da economia afegã serem agrícola, não há engenheiros agrônomos americanos dando assistência técnica.

A realidade é que os EUA fracassaram na reconstrução de países e nações. O sucesso no pós-guerra na Bósnia e no Kossovo se deve muito mais à União Européia, que fracassara ao intervir nas guerras. No Haiti, a força internacional de paz liderada pelo Brasil conseguiu controlar uma situação de segurança dificílima. Mas a pacificação do país a longo prazo depende de um projeto de consolidação institucional e desenvolvimento econômico, ou seja, da construção de um Estado e de uma nação, o que os americanos não conseguiram fazer no Afeganistão e no Iraque.

"Não temos nem dinheiro nem soldados suficientes", admite Robert Finn, ex-embaixador em Cabul em 2002 e 2003. "Tenho repetido a mesma coisa há seis anos". Um verdadeiro Plano Marshall custaria muito caro e não bastariam soldados.

Zalmay Khalilzad, foi embaixador americano no Afeganistão e no Iraque, e que agora está nas Nações Unidas, reconhece que "fomos relutantes na construção do Estado e da nação. Deveríamos ter feito mais no início". Bastava reconstruir o país.

Para Ronald Neuman, que substituiu Khalilzad em Cabul, "a idéia de que deveríamos apenas caçar terroristas, sem nos preocuparmos com a reconstrução nacional, foi um grande erro".

A proposta de Powell para uma força de paz de 40 mil soldados, 20 mil americanos e 20 mil europeus, foi abandonada. Em 2002, os EUA deixaram no Afeganistão uma força de 8 mil homens para caçar Al Caeda e os Talebã, e não para manter a paz ou reconstruir o país. A força de paz internacional de 4 mil soldados ia pouco além da capital, Cabul. O resto do país ficou entregue aos senhores da guerra aliados na luta contra os Talebã.

Nos planos, os EUA treinariam o Exército afegão, de 70 mil homens. A Alemanha prepararia 62 mil policiais. O Japão desarmaria 100 mil milicianos. E a Grã-Bretanha faria um programa antidrogas.

Menos de um ano e meio depois do discurso de Bush de 2002 prometendo um novo Plano Marshall, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional tinha apenas sete funcionários no Afeganistão e outros 35 contratados temporariamente trabalhando em tempo integral.

Em outubro de 2002, um ex-diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), o serviço de contra-espionagem dos EUA, visitou o quartel-general das tropas americanas no Kuwait. Os recursos da guerra contra o terrorismo começavam a ser desviados para o Iraque.

Os comandos de elite, como a Força Delta e as Focas da Marinha, foram para o Iraque, assim como os melhores recursos. Mais uma vez, o Afeganistão foi deixado de lado. Tinha sido abandonado no final da Guerra Fria, após o fim de intervenção soviética, o que levou à ascensão dos Talebã e à instalação das bases da Al Caeda.

Em 1º de maio de 2003, horas antes do discurso do presidente Bush falando em "missão cumprida" no Iraque, o secretário Rumsfeld dava entrevista em Cabul ao lado do presidente Karzai, declarando que "claramente saímos de uma fase de grande combates para um período de estabilidade e reconstrução. A grande maioria do país é segura".

A declaração de Rumsfeld não teve o destaque do discurso de Bush a bordo de um porta-aviões cantando uma vitória que cada vez mais parece uma derrota. Mas ambos são exemplos da visão distorcida da realidade e dos erros de avaliação que arruinaram os governos de George W. Bush.

Só em 2006 Bush pressionou o ditador do Paquistão, general Pervez Musharraf, e admitiu que os laços entre os Talebã e o serviço secreto paquistanês não tinham sido rompidos.

Antes disso, em setembro de 2005, numa reunião da OTAN, os EUA anunciaram a retirada de 3 mil soldados, 20% das tropas americanas. Três meses depois, cortaram a ajuda ao país em um terço.

De 2005 para 2006, a ajuda americana caiu 38%, de US$ 4,3 bilhões para US$ 3,1 bilhões.

Em fevereiro de 2006, o embaixador Neumann mandou um alerta a Washington avisando que os Talebã preparavam uma grande ofensiva para a primavera no Hemisfério Norte. Ao todo, 191 soldados da OTAN foram mortos no Afeganistão em 2006, 20% a mais do que em 2005.

Neumann diz que os terroristas suicidas são paquistaneses mas os talebã são afegãos.

"Destruir as bases da Al Caeda no Afeganistão foi um feito extraordinário", declarou ao NY Times Robert Blackwill, encarregado de Afeganistão e Iraque no Conselho de Segurança Nacional, "mas onde nos encontramos hoje talvez tivesse sido quase inevitável, se os EUA tivessem invadido o Iraque ou não. Teremos de enfrentar uma guerra longa no Afeganistão até que o governo afegão consiga reconstruir o interior do país e os refúgios para os Talebã no Paquistão forem eliminados".

O resultado é essa guerra sem fim. Para os EUA, o fracasso, tanto no Iraque quanto no Afeganistão, dará o recado que os fundamentalistas como Ossama ben Laden querem: a hiperpotência pode ser derrotada, no caso afegão apesar do apoio de 37 países.

Confira a reportagem completa no New York Times.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Bush descarta Blair para Banco Mundial

O presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush, descartou hoje a possibilidade de convidar o demissionário primeiro-ministro britânico Tony Blair para a Presidência do Banco Mundial, substituindo Paul Wolfowitz, ex-subsecretário da Defesa de Bush, que renunciou diante de denúncias de favorecimento da namorada.

"Não falei com Tony Blair sobre este assunto, mas penso que é melhor ter um americano à frente do banco", declarou Bush. Por uma tradição, os EUA indicam o presidente do Banco Mundial e a Europa o diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Além de Blair, já foram citados como possíveis candidatos o ex-representante comercial dos EUA, Robert Zoellick; o ex-presidente do banco central americano Paul Volcker; o ex-presidente do México Ernesto Zedillo; o presidente do Banco de Israel, Stanley Fischer; o atual secretário do Tesouro, Henry Paulson; e até o ex-secretário de Estado Colin Powell.