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domingo, 2 de março de 2008

Guerras de Bush custarão US$ 3 trilhões

As guerras do Iraque e do Afeganistão vão custar US$ 3 trilhões aos Estados Unidos, prevê o ex-vice-presidente do Banco Mundial Joseph Stiglitz, ganhador do Prêmio Nobel de Economia.

Além dos US$ 845 bilhões já autorizados pelo Congresso, o cálculo inclui a reposição das armas utilizadas e os gastos de longo prazo com os veteranos de guerra.

Quando a guerra do Iraque começou, em março de 2003, o então secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, considerou exageradas estimativas de que custaria US$ 200 bilhões. O subsecretário da Defesa na época, Paul Wolfowitz, chegou a afirmar que a guerra se pagaria com a renda da produção de petróleo do Iraque.

Stiglitz e Linda Bilmes, que lançam nesta segunda-feira o livro A Guerra de Três Bilhões de Dólares, temem que o custo total das guerras de Bush supere o da Segunda Guerra Mundial, estimado, em valores atualizados, em US$ 5 trilhões.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Memorandos revelam táticas de Rumsfeld

Numa série de memorandos internos no Pentágono, o então secretário da Defesa Donald Rumsfeld foi preconceituoso com os árabes ao dizer que evitam o "esforço físico no trabalho", defendeu a "manutenção de um nível de ameaça elevado", a "vinculação entre Irã e Iraque", e o uso de slogans simplistas para mobilizar a opinião pública a favor da guerra no Iraque.

Os documentos, chamados de "flocos de neve", revelam o estilo bruso e agressivo de Rumsfeld de 2002 até sua demissão, em novembro de 2006, depois da derrota do Partido Republicano nas eleições intermediárias. Mostram um secretário da Defesa desdenhoso das críticas da imprensa e determinado a mudar a opinião dos americanos em relação à guerra.

Leia mais no jornal The Washington Post.

domingo, 2 de setembro de 2007

Comandante britânico acusa Rumsfeld pelo Iraque

O comandante militar britânico durante a Guerra do Iraque, general Michael Jackson, responsabilizou a estratégia dos Estados Unidos pelo fracasso da ocupação, culpando o então secretário da Defesa, Donald Rumsfeld. As mais duras críticas já feitas por uma alta autoridade britânica à atuação dos EUA no Iraque fazem parte de uma biografia do general que está sendo publicada pelo jornal conservador The Daily Telegraph.

Rumsfeld "se negou a enviar forças suficientes para manter a segurança pública depois do desmoronamento do regime de Saddam Hussein e descartou planos detalhados para a administração do Iraque depois do conflito que tinham sido elaboradoos pelo Departamento de Estado", declarou Jackson, que deixou o comando do Estado-Maior das Forças Armadas do Reino Unido em 2006.

"Todo o planejamento do Departamento de Estado foi jogado fora", afirmou o general, considerando uma "questão de fé ideológica" a expectativa de Rumsfeld e de seus aliados neoconservadores de que "os soldados da coalizão seriam aceitos como uma força de libertação".

Ele chamou de "míope" a decisão de dissolver as Forças Armadas e a Polícia do Iraque: "Deveríamos ter mantido as forças de segurança do Iraque e colocado-as sob comando da coalizão."

Michael Jackson, que prefere ser chamado de Mike para não ser confundido com o cantor pop americano, peitou o general americano Wesley Clark, comandante militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), no final da Guerra do Kossovo, em 1999.

Quando os sérvios se renderam, depois de 72 dias de bombardeios aéreos da OTAN, Clark segurou as tropas britânicas para que os americanos fossem os primeiros a entrar na capital da província do Kossovo. Mas os russos foram mais rápidos e tomaram o aeroporto de Pristina.

Ao se dar conta de seu erro, Clark ligou para Jackson, ordenando-o que tomasse o aeroporto, O comandante britânico, que tem fama de ser muito chegado a um uísque, foi seco: "General, não vou começar a Terceira Guerra Mundial só por que você quer."

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Bush desperdiçou vitória no Afeganistão

Em momentos-chaves da guerra no Afeganistão, o governo George Walker Bush desviou os recursos escassos para a inútil guerra no Iraque, afirma reportagem de David Rhode e David Sanger publicada no domingo, 12 de agosto, no jornal The New York Times.

A guerra para derrubar a ditadura da milícia dos Talebã, no Afeganistão, foi a primeira resposta aos atentados de 11 de setembro de 2001 e o primeiro teste da doutrina militar do então secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, de uma força pequena e de alta mobilidade. Pode servir para ganhar a guerra mas não para ocupar o território conquistado por longo prazo, como ficou evidente no Iraque e no Afeganistão, que assiste hoje ao ressurgimento dos Talebã.

Diante da vitória fácil, Rumsfeld rejeitou os pedidos do então secretário de Estado, Colin Powell, e o presidente afegão, Hamid Karzai, de que uma grande força internacional garantisse a paz no Afeganistão.

Quando a situação se agravou, com a incapacidade do governo Karzai de controlar até mesmo a região da capital, Cabul, os Estados Unidos apelaram aos aliados europeus da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Em 12 de setembro de 2001, os aliados invocaram o princípio da Carta do Atlântico que considera uma agressão contra qualquer país-membro um ataque contra todos, e se ofereceram para lutar ao lado dos EUA contra os autores dos atentados terroristas, no caso a rede terrorista Al Caeda e o regime da milícia dos Talebã, que a acolhia.

A situação mudou com a invasão do Iraque, em março de 2003. Hoje vários aliados europeus temem ser alvo de terrorismo caso se associem a uma guerra americana.

Como Ossama ben Laden e a rede terrorista Al Caeda, seus aliados talebã se reagruparam nas regiões tribais do Paquistão. Além da milícia que governou o Afeganistão, a rede de Ben Laden também se recuperou da derrota sofrida em 2001 enquanto desvia recursos para atacar o Iraque, embora Saddam Hussein não tivesse qualquer relação com os terroristas que atacaram os EUA.

Na semana passada, o presidente Karzai declarou em Washington que a segurança do Afeganistão está "definitivamente deteriorada".

Com sua arrogância imperial, o presidente Bush prometeu um novo Plano Marshall para o Afeganistão, que acabou recebendo menos ajuda internacional por habitante do que a Bósnia-Herzegovina, o Kossovo e o Haiti.

A partir do final do ano passado, os EUA voltaram a reforçar seu contingente no Afeganistão, que tem hoje 23,5 mil soldados, muito menos do que os 160 mil no Iraque.

Os US$ 300 milhões aprovados pelo Congresso para o desenvolvimento de pequenas empresas no Afeganistão nunca saiu do papel. Apesar de 80% da economia afegã serem agrícola, não há engenheiros agrônomos americanos dando assistência técnica.

A realidade é que os EUA fracassaram na reconstrução de países e nações. O sucesso no pós-guerra na Bósnia e no Kossovo se deve muito mais à União Européia, que fracassara ao intervir nas guerras. No Haiti, a força internacional de paz liderada pelo Brasil conseguiu controlar uma situação de segurança dificílima. Mas a pacificação do país a longo prazo depende de um projeto de consolidação institucional e desenvolvimento econômico, ou seja, da construção de um Estado e de uma nação, o que os americanos não conseguiram fazer no Afeganistão e no Iraque.

"Não temos nem dinheiro nem soldados suficientes", admite Robert Finn, ex-embaixador em Cabul em 2002 e 2003. "Tenho repetido a mesma coisa há seis anos". Um verdadeiro Plano Marshall custaria muito caro e não bastariam soldados.

Zalmay Khalilzad, foi embaixador americano no Afeganistão e no Iraque, e que agora está nas Nações Unidas, reconhece que "fomos relutantes na construção do Estado e da nação. Deveríamos ter feito mais no início". Bastava reconstruir o país.

Para Ronald Neuman, que substituiu Khalilzad em Cabul, "a idéia de que deveríamos apenas caçar terroristas, sem nos preocuparmos com a reconstrução nacional, foi um grande erro".

A proposta de Powell para uma força de paz de 40 mil soldados, 20 mil americanos e 20 mil europeus, foi abandonada. Em 2002, os EUA deixaram no Afeganistão uma força de 8 mil homens para caçar Al Caeda e os Talebã, e não para manter a paz ou reconstruir o país. A força de paz internacional de 4 mil soldados ia pouco além da capital, Cabul. O resto do país ficou entregue aos senhores da guerra aliados na luta contra os Talebã.

Nos planos, os EUA treinariam o Exército afegão, de 70 mil homens. A Alemanha prepararia 62 mil policiais. O Japão desarmaria 100 mil milicianos. E a Grã-Bretanha faria um programa antidrogas.

Menos de um ano e meio depois do discurso de Bush de 2002 prometendo um novo Plano Marshall, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional tinha apenas sete funcionários no Afeganistão e outros 35 contratados temporariamente trabalhando em tempo integral.

Em outubro de 2002, um ex-diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), o serviço de contra-espionagem dos EUA, visitou o quartel-general das tropas americanas no Kuwait. Os recursos da guerra contra o terrorismo começavam a ser desviados para o Iraque.

Os comandos de elite, como a Força Delta e as Focas da Marinha, foram para o Iraque, assim como os melhores recursos. Mais uma vez, o Afeganistão foi deixado de lado. Tinha sido abandonado no final da Guerra Fria, após o fim de intervenção soviética, o que levou à ascensão dos Talebã e à instalação das bases da Al Caeda.

Em 1º de maio de 2003, horas antes do discurso do presidente Bush falando em "missão cumprida" no Iraque, o secretário Rumsfeld dava entrevista em Cabul ao lado do presidente Karzai, declarando que "claramente saímos de uma fase de grande combates para um período de estabilidade e reconstrução. A grande maioria do país é segura".

A declaração de Rumsfeld não teve o destaque do discurso de Bush a bordo de um porta-aviões cantando uma vitória que cada vez mais parece uma derrota. Mas ambos são exemplos da visão distorcida da realidade e dos erros de avaliação que arruinaram os governos de George W. Bush.

Só em 2006 Bush pressionou o ditador do Paquistão, general Pervez Musharraf, e admitiu que os laços entre os Talebã e o serviço secreto paquistanês não tinham sido rompidos.

Antes disso, em setembro de 2005, numa reunião da OTAN, os EUA anunciaram a retirada de 3 mil soldados, 20% das tropas americanas. Três meses depois, cortaram a ajuda ao país em um terço.

De 2005 para 2006, a ajuda americana caiu 38%, de US$ 4,3 bilhões para US$ 3,1 bilhões.

Em fevereiro de 2006, o embaixador Neumann mandou um alerta a Washington avisando que os Talebã preparavam uma grande ofensiva para a primavera no Hemisfério Norte. Ao todo, 191 soldados da OTAN foram mortos no Afeganistão em 2006, 20% a mais do que em 2005.

Neumann diz que os terroristas suicidas são paquistaneses mas os talebã são afegãos.

"Destruir as bases da Al Caeda no Afeganistão foi um feito extraordinário", declarou ao NY Times Robert Blackwill, encarregado de Afeganistão e Iraque no Conselho de Segurança Nacional, "mas onde nos encontramos hoje talvez tivesse sido quase inevitável, se os EUA tivessem invadido o Iraque ou não. Teremos de enfrentar uma guerra longa no Afeganistão até que o governo afegão consiga reconstruir o interior do país e os refúgios para os Talebã no Paquistão forem eliminados".

O resultado é essa guerra sem fim. Para os EUA, o fracasso, tanto no Iraque quanto no Afeganistão, dará o recado que os fundamentalistas como Ossama ben Laden querem: a hiperpotência pode ser derrotada, no caso afegão apesar do apoio de 37 países.

Confira a reportagem completa no New York Times.

domingo, 17 de junho de 2007

Governo Bush encobriu tortura no Iraque

O governo dos Estados Unidos tinha conhecimento oficial da tortura na prisão iraquiana de Abu Ghraib pelo menos desde janeiro de 2004, afirma reportagem investigativa de Seymour Hersh publicada hoje na revista The New Yorker. Mas, quando o escândalo veio a público, em maio do mesmo ano, com a divulgação de fotos da tortura, o então secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, declarou ao Congresso que estava surpreso: "Partiu nosso coração. O presidente não sabia. Vocês não sabiam. Eu não sabia".

A explicação é que a tortura foi praticada por oficiais renegados em casos isolados, e não era uma política governamental.

No final de fevereiro e início de março de 2004, o governo americano recebeu informações detalhadas sobre o abuso sistemático e a tortura de presos, garante o jornalista: "Eles receberam emails do campo de batalha denunciando as irregularidades", declarou Hersh ao programa Late Edition da rede de televisão CNN neste domingo. "Eles discutiram a questão intensamente em março".

Diversos "memorandos descreviam o que as fotos mostravam. Você não precisa ver as fotos. Eles entenderam rapidamente que tinham um grande problema nas mãos", acrescentou Hersh, observando ainda: "Se houve um aspecto redentor no caso, foi a amplitude e a paixão da investigação inicial do Exército. O inquérito começou em janeiro, sob a chefia do general Antonio Taguba. Em março, o general Taguba, na época baseado no Kuwait, apresentou seu relatório".

A conclusão é clara: houve "numerosos incidentes de abusos criminosos, brutais, descarados e sádicos em vários presos... um abuso ilegal e sistemático".

Leia a íntegra da reportagem na revista The New Yorker.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Ford era contra a invasão do Iraque

O ex-presidente dos Estados Unidos Gerald Ford (1974-77), que morreu há dois dias, disse numa entrevista gravada em julho de 2004 para ser divulgada depois de sua morte que era contra a invasão do Iraque.

"Não acredito que eu teria ido à guerra", declarou Ford, criticando tanto o presidente George Walker Bush quanto o vice-presidente Dick Cheney pelas razões alegadas para invadir o Iraque. Ele disse que apelaria para sanções mais rigorosas ou outros instrumentos, não a guerra.

"Rumsfeld, Cheney e o presidente cometeram um grande erro ao justificar a guerra do Iraque. Deram ênfase às armas de destruição em massa", comentou Ford. "Nunca disse publicamente que acredito que se enganaram mas sinto que foi um erro".

Ford foi mais além: "Posso entender a teoria de querer libertar outros povos". Mas não acredita que um presidente possa fazer isso sem levar em conta a prioridade máxima, que é o interesse nacional. "Não acredito que se deva ser um fogo libertando pessoas ao redor do planeta, a menos que esteja relacionado com a nossa segurança nacional".

Único presidente não-eleito da História dos EUA, Ford chegou à Casa Branca por causa do escândalo de Watergate, que derrubou Richard Nixon, e de outros escândalos, que provocaram a renúncia do vice-presidente Spiro Agnew.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Senado dos EUA aprova novo secretário da Defesa

Por 95 a 2, o Senado dos Estados Unidos aprovou ontem a indicação do ex-diretor da CIA (Agência Central de Inteligência) Robert Gates para secretário da Defesa. Ele substitui Donald Rumsfeld, responsável pela estratégia da guerra no Iraque, que caiu um dia depois da derrota do Partido Republicano nas eleições parlamentares de 7 de novembro.

Durante as audiências de confirmação, em que foi interrogado pela Comissão de Defesa e Forças Armadas do Senado, Gates declarou que os EUA não estão perdendo nem ganhando a guerra no Iraque.

Este idéia acaba de ser repetida agora, em entrevista ao vivo na CNN, pelo ex-deputado democrata Lee Hamilton, co-presidente do Grupo de Estudos sobre o Iraque, que apresentou ontem seu relatório.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

"EUA não estão ganhando nem perdendo no Iraque"

O ex-diretor da CIA (Agência Central de Inteligência) Robert Gates, nomeado pelo presidente George Walker Bush para substituir Donald Rumsfeld como secretário da Defesa, declarou hoje, durante uma audiência de confirmação no Senado, que os Estados Unidos não estão ganhando nem perdendo a guerra no Iraque. Ele advertiu que uma retirada rápida do Iraque irá estimular a ação de terroristas, a exemplo do que aconteceu com a saída dos americanos da Somália em 1993.

Para o terrorista saudita Ossama ben Laden, líder da rede terrorista Al Caeda, foi um sinal de que a opinião pública americana não agüenta um número elevado de baixas e, nestes casos, pressiona o governo a trazer os soldados dos EUA de volta para casa.

"Nosso curso de ação nos próximos dois anos vai determinar se os povos americano e iraquiano, e o próximo presidente dos Estados Unidos verão uma melhoria lenta e gradual da situação no Iraque e na região, ou se haverá um risco real de confrontação regional, declarou o ex-diretor da CIA (1991-92) no governo do pai de Bush.

Gates considerou contraproducente um ataque contra a Síria, que "provocaria um aumento do antiamericanismo, piorando as relações dos EUA com todo o Oriente Médio". Mas não descartou a possibilidade de uma ação militar contra o programa nuclear do Irã, afirmando que "todas as opções estão sendo avaliadas".

A audiência está em andamento. A nomeação do novo chefe do Pentágono deve ser confirmada sem problemas.

domingo, 3 de dezembro de 2006

Rumsfeld queria mudar plano de guerra no Iraque

Dois dias antes de ser demitido, numa última tentativa de salvar seu cargo, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, apresentou um memorando ao presidente George Walker Bush reconhecendo o fracasso da estratégia americana e propondo uma mudança de planos. O memorando, de 6 de novembro, revelado sábado à noite no site do jornal The New York Times, enterra de uma vez por todas a pretensão de Bush de manter o atual curso de ação.

"Claramente, o que as forças americanas estão fazendo hoje no Iraque não está indo bem ou com a rapidez necessária", admitiu o chefe do Pentágono.

Entre as suas propostas, Rumsfeld sugeriu que qualquer nova abordagem deve ser adotada de forma experimental: "Isto nos dará a possibilidade de reajustar a ação ou mudar de curso, se houver necessidade, e assim não perder". E, mais adiante: "Redefinam a missão militar e as metas dos EUA - sejam minimalistas".

Ao mesmo tempo, o documento defende o estabelecimento de uma série de metas e testes para obrigar o governo do Iraque a assumir responsabilidade pela segurança pública "para forçá-los a se mexer".

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Derrota republicana marca fim da era Bush

Com a aplastante derrota que tirou do Partido Republicano a maioria na Câmara e no Senado dos Estados Unidos, conquistada há 12 anos, começa o fim da era Bush, de triste memória. É marcada pelos atentados de 11 de setembro de 2001, pela desastrada invasão do Iraque, pela doutrina de guerras preventivas, pela erosão dos direitos humanos no combate ao terrorismo, por um aumento impressionante do antiamericanismo em quase todo o mundo mundo e pelo avanço da direita religiosa.

Sob o impacto da crise no Iraque, dos escândalos de corrupção e até sexuais, o Partido Republicano teve em 7 de novembro sua pior eleição para a Câmara dos Representantes desde 1982. Elegeu 196 deputados, contra 229 democratas.

A oposição precisava de um ganho de 15 cadeiras para reassumir o controle da Câmara. Todas as pesquisas previsam que conseguiria.

No Senado, era mais difícil ainda o desafio democrata. Estavam em jogo apenas 33 das 100 cadeiras. A oposição precisava manter todas as suas cadeiras e conquistar mais seis.

Só na manhã do dia 8 foi definida a eleição para o Senado em Montana com a vitória do democrata Jon Tester sobre o senador Conrad Burns. Na noite do mesmo dia, o senador George Allen prometeu não exigir a recontagem a que teria direito na Virgínia por ter sido derrotado por James Webb por menos de 1% do total de votos.

Com 51 a 49, os democratas conquistaram também a maioria no Senado. Dominarão assim as mesas diretoras, as comissões, a pauta e a agenda do Legislativo. O presidente George Walker Bush passa a ser um “pato manco”, um político em fim de mandato, sem força para impor seus projetos, na definição da revista inglesa The Economist, “o incrível presidente que encolheu”.

Resultados imediatos: caiu o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, assumindo a responsabilidade pelo fracasso na ocupação do Iraque, e Bush recebeu na Casa Branca a deputada democrata californiana Nancy Pelosi, que será a próxima presidente da Câmara. Desde já, é a mulher mais poderosa do país, fazendo sombra à senadora Hillary Clinton, reeleita por Nova Iorque e aspirante à presidência.

A derrota do atual presidente e suas políticas deflagram a sucessão presidencial para 2008. Bush não será um grande cabo eleitoral. Do lado republicano, o favorito hoje é o senador John McCain, um veterano que esteve anos preso no Vietnã e combateu vigorosamente a prática da tortura no combate ao terrorismo.

Outros aspirantes republicanos são o ex-prefeito de Nova Iorque Rudolph Giuliani, que posou de presidente enquanto Bush se escondia em 11 de setembro de 2001, e o atual líder da maioria no Senado, Bill Frist, que não concorreu à reeleição.

Entre os democratas, além da ex-primeira-dama Hillary Clinton, a estrela é o senador Barack Obama, filho de imigrantes quenianos. Correndo por fora, o ex-vice-presidente Al Gore, em campanha ecológica contra o aquecimento global, um dos temas negligenciados na era Bush, e o senador John Kerry, o candidato derrotado por Bush em 2004.

Leia a íntegra na minha coluna de política internacional em http://www.baguete.com.br

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Derrota republicana derruba secretário da Defesa

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, o nome mais associado ao fracasso da invasão americana ao Iraque, caiu hoje, por causa da derrota em que o Partido Republicano perdeu a maioria na Câmara dos Representantes depois de 12 anos.

Além de reconquistar a maioria na Câmara, com a vitória em Montana anunciada esta manhã, os democratas ficaram a uma cadeira da maioria no Senado.

No estado da Virgínia, o desafiante James Webb venceu o senador republicano Charles Allen. Mas como a diferença foi inferior a 1% do total de votos, o perdedor tem direito a uma recontagem. Confirmado o resultado inicial, os democratas retomam o controle das duas casas do Congresso, enfraquecendo significativamente os últimos dois anos da presidência de George Walker Bush.

Dias depois de confirmar Rumsfeld no cargo, Bush declarou que "chegou a hora de uma nova liderança no Pentágono". O novo secretáio será Robert Gates, ex-diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), o serviço de contra-espionagem dos EUA. Precisa da aprovação do Senado. É visto como um homem mais ligado ao setor mais pragmático e menos ideológico do Partido Republicano, o que talvez indique uma mudança de rumo mais na linha do que faria o pai de Bush, um moderado.

Com o agravamento da situação no Iraque, onde já morreram 2.839 soldados americanos, a guerra tornou-se o tema central das eleições intermediárias para renovar toda a Câmara e um terço do Senado dos EUA. A deputada federal californiana Nancy Pelosi, que deve ser eleita presidente da Câmara, elogiou a decisão do presidente.

O prestígio de Rumsfeld foi abalado nos primeiros dias da invasão, feita, por sua orientação, com a metade do contingente considerado ideal pelos generais americanos. Com sua estratégia de marchar rapidamente rumo a Bagdá, as forças de apoio que levavam os suprimentos para os soldados dos EUA ficaram desguarnecidas.

A rápida queda de Saddam resgatou o prestígio de Rumsfeld. Numa queda de braço com o secretário de Estado, Colin Powell, o Pentágono acabou sendo encarregado da pacificação do Iraque pós-Saddam. Todo o projeto da diplomacia americana, de 250 páginas, foi substituído pelo voluntarismo castrense de Rumsfeld.

Talvez o pior erro tenha sido desmantelar as forças de segurança do antigo regime. Isto jogou no desemprego centenas de milhares com treinamento para usar armas. Parte desse pessoal constitui o núcleo da insurgência sunita, depois reforçada pela chegada de terroristas internacionais da rede Al Caeda.

Quando estourou o escândalo de tortura de prisioneiros de guerra em Abu Ghraib, no Iraque, Bagram, no Afeganistão, e na base naval americana de Guantânamo, em Cuba, a revista inglesa The Economist pediu a cabeça de Rumsfeld. Mas a troca do secretário da Defesa no ano de sua reeleição equivaleria a confessor um erro na condução da guerra.

Agora, diante da derrota nas eleições de ontem, Bush e Rumsfeld se rendem.

Rumsfeld é conhecido como um operador político inescrupuloso. Durante o governo Ronald Reagan, quando o Iraque estava em guerra com o Irã e apertou a mão de Saddam Hussein. Os EUA contribuíram para o programa de armas químicas do Iraque, inclusive com exportações clandestinas de agrotóxicos.

Antes da guerra, quando a Alemanha e a França se negaram a apoiar a invasão do Iraque, Rumsfeld falou de uma "velha Europa" em contraposição à "nova Europa" formada pelos países da Europa Oriental que saíram da órbita soviética e assim tem interesse numa relação estratégica dos os EUA que os proteja da Rússia e da Alemanha. Aprofundou o fosso na aliança atlântica que foi a base da ordem internacional do pós-guerra.

Quando era secretário da Defesa do governo Gerald Ford (1974-77), Rummy bateu de frente com o então secretário de Estado, Henry Kissinger, que fez o seguinte comentário: "De todos os ditadores que conheci, o mais implacável é Donald Rumsfeld". A lista inclui diversos dirigentes soviéticos, o general Augusto Pinochet, do Chile, as juntas militares que mataram dezenas de milhares de argentinos e o marechal Mobutu, do Zaire.

domingo, 1 de outubro de 2006

Laura Bush quis demissão de Rumsfeld

Por duas vezes, o ex-chefe da Casa Civil da Casa Branca Andrew Card tentou convencer o presidente George Walker Bush a demitir o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, numa delas com o apoio da primeira-dama, Laura Bush, revela no seu próximo livro Bob Woodward, um dos jornalistas que denunciou o Escândalo de Watergate, hoje editor executivo adjunto do jornal The Washington Post. 'State of Denial' (Estado de Negação), terceiro livro de Woodward sobre o governo Bush, será lançado nesta semana.

Card admitiu ter discutido a substituição do chefe do Pentágono mas negou ter falado nisso com a mulher de Bush. Segundo o livro, era teria pedido a cabeça do secretário da Defesa em novembro de 2004, logo após a reeleição de Bush, e de novo um ano depois.

O ex-chefe da Casa Civil de Bush alega que discutiu nomes para todo o ministério depois da eleição de 2004.

Sobre o Iraque, Woodward diz que altos funcionários da Casa Branca e do Pentágono manifestaram preocupação com a condução na guerra em relatórios e memorandos internos. Um relatório secreto de maio adverte que a violência continuaria pelo resto deste ano e no próximo.

Woodward revela ainda que o ex-secretário de Estado Henry Kissinger está assessorando Bush na guerra do Iraque. Já deixou claro "a vitória é a unica estratégia de saída".