Mostrando postagens com marcador Batalha do Kossovo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Batalha do Kossovo. Mostrar todas as postagens

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Governo do Kossovo declara independência

O primeiro-ministro do Kossovo, Hashim Thaçi, declarou neste domingo a independência da antiga província autônoma da Sérvia, objeto de uma guerra da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) contra o ditador sérvio Slobodan Milosevic, em 1999.

A União Européia e os Estados Unidos vão reconhecer imediatamente a independência, mas a Rússia deve vetar o reconhecimento no Conselho de Segurança das Nações Unidas, impedindo o ingresso do Kossovo na organização, pelo menos por enquanto.

Na prática, desde 1999, quando a Sérvia abandonou a província depois de ser alvo de 78 dias de bombardeio aéreo da OTAN, o Kossovo tornou-se independente, passando a ser um protetorado da sociedade internacional por força de um mandato da ONU.

Milosevic foi deposto em 5 de outubro de 2000 por uma revolução, após uma tentativa de fraude na eleição presidencial que disputava com o atual primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, hoje um dos maiores adversários da independência do Kossovo.

O argumento central do governo de Belgrado é que a Sérvia é agora um país democrático. Assim, a maioria de origem albanesa do Kossovo, 90% de seus 2 milhões de habitantes, não correria mais risco de ser discriminada e agredida como na era Milosevic.

Foi no Kossovo, num discurso em 1987, ao dizer que os sérvios nunca mais seriam discriminados, que Milosevic deflagrou a onda nacionalista que destruiu a antiga Iugoslávia, causando as guerras da Croácia, em 1991, da Bósnia-Herzegovina, em 1992, e do Kossovo, em 1999.

A Sérvia terminou aceitando a independência da Eslovênia, da Croácia, da Bósnia e da Macedônia nas negociações conduzidas pelos Estados Unidos numa base americana em Dayton, no estado de Ohio, depois de uma intervenção militar da OTAN. Sob intensa pressão dos EUA, os presidente sérvio, Milosevic; croata, Franjo Tudiman; e da Bósnia, Alija Izetbegovic; assinaram um acordo de paz.

Se a independência das repúblicas estava garantida pela Constituição da Iugoslávia, de 1974, o Kossovo era uma província autônoma sérvia e está ligado ao mito de origem do nacionalismo sérvio.

Em 28 de junho de 1389, os sérvios perderam a Batalha do Kossovo para o Império Otomano (turco). Durante quatro séculos e meio, o país foi dominado. É uma derrota que os sérvios festejam até hoje. Isso revela bem o aspecto negativo, a autovitimização, marca registrada do nacionalismo sérvio.

Também em 28 de junho, só que em 1914, um estudante radical sérvio, Gavrilo Princip, matou em Sarajevo o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, provocando a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Com o declínio da ideologia comunista e o fim da Guerra Fria, nos anos 80, esse nacionalismo radical foi ressuscitado por Milosevic, um dirigente comunista, para legitimar seu poder. Ele destruiu a herança do marechal Josip Broz Tito, um comunista croata que recriou a Iugoslávia depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Desde a morte de Tito, em 1980, esperava-se a fragmentação da Iugoslávia. Mas ela foi sobretudo obra de Milosevic, o anti-Tito.

A independência do Kossovo é o último ato desta tragédia na região dos Bálcãs, uma das mais explosivas e violentas da Europa. Ainda não acabou.

Enquanto a multidão festeja nas ruas de Pristina, a capital do mais novo país europeu, na Sérvia, nacionalistas radicais atacaram a Embaixada dos Estados Unidos em Belgrado.

domingo, 2 de setembro de 2007

Comandante britânico acusa Rumsfeld pelo Iraque

O comandante militar britânico durante a Guerra do Iraque, general Michael Jackson, responsabilizou a estratégia dos Estados Unidos pelo fracasso da ocupação, culpando o então secretário da Defesa, Donald Rumsfeld. As mais duras críticas já feitas por uma alta autoridade britânica à atuação dos EUA no Iraque fazem parte de uma biografia do general que está sendo publicada pelo jornal conservador The Daily Telegraph.

Rumsfeld "se negou a enviar forças suficientes para manter a segurança pública depois do desmoronamento do regime de Saddam Hussein e descartou planos detalhados para a administração do Iraque depois do conflito que tinham sido elaboradoos pelo Departamento de Estado", declarou Jackson, que deixou o comando do Estado-Maior das Forças Armadas do Reino Unido em 2006.

"Todo o planejamento do Departamento de Estado foi jogado fora", afirmou o general, considerando uma "questão de fé ideológica" a expectativa de Rumsfeld e de seus aliados neoconservadores de que "os soldados da coalizão seriam aceitos como uma força de libertação".

Ele chamou de "míope" a decisão de dissolver as Forças Armadas e a Polícia do Iraque: "Deveríamos ter mantido as forças de segurança do Iraque e colocado-as sob comando da coalizão."

Michael Jackson, que prefere ser chamado de Mike para não ser confundido com o cantor pop americano, peitou o general americano Wesley Clark, comandante militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), no final da Guerra do Kossovo, em 1999.

Quando os sérvios se renderam, depois de 72 dias de bombardeios aéreos da OTAN, Clark segurou as tropas britânicas para que os americanos fossem os primeiros a entrar na capital da província do Kossovo. Mas os russos foram mais rápidos e tomaram o aeroporto de Pristina.

Ao se dar conta de seu erro, Clark ligou para Jackson, ordenando-o que tomasse o aeroporto, O comandante britânico, que tem fama de ser muito chegado a um uísque, foi seco: "General, não vou começar a Terceira Guerra Mundial só por que você quer."

terça-feira, 12 de junho de 2007

Ex-líder sérvio na Croácia pega 35 anos de prisão

O Tribunal das Nações Unidas para Crimes da Guerra na Antiga Iugoslávia condenou hoje o ex-líder sérvio na Croácia, Milan Martic, a 35 anos de prisão por perseguição, tortura e assassinatos em massa.

Martic foi denunciado por centenas de assassinatos e uma brutal operação de 'purificação' étnica iniciada com a rebelião da maioria sérvia na província croata da Krajina, em abril de 1991, e pelo bombardeio da capital croata, Zagreb, em maio de 1995.

Na Krajina, viviam cerca de 200 mil sérvios, descendentes de refugiados que foram para lá depois da derrota da Sérvia ante o Império Otomano, na Batalha do Kossovo, em 28 de junho de 1389.

A província tornou-se virtualmente um miniEstado sérvio encravado na Croácia, até que uma ofensiva do Exército croata, treinado e armado pelos Estados Unidos, expulsou os sérvios, que denunciam que aquela foi a maior operação de 'purificação' étnica das guerras que destruíram a Iugoslávia.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

OTAN apóia independência do Kossovo

Quase oito anos depois da intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na guerra civil entre a Sérvia e a maioria albanesa da província sérvia do Kossovo, os Estados Unidos e seus aliados europeus decidiram apoiar a independência do Kossovo, sob supervisão internacional, informa hoje o jornal americano The Washington Post.

O novo país pode ser criado nos próximos meses, mas um diplomata estrangeiro supervisionará o processo, com autoridade para vetar a nomeação de funcionários e de revogar leis consideradas prejudiciais à pacificação. As forças da OTAN continuarão patrulhando o Kossovo, devendo ser retiradas gradualmente.

A aliança militar liderada pelos EUA quer encerrar assim um capítulo trágico de guerras que destruíram a antiga Iugoslávia nos anos 90.

Foi no Kossovo, em 1987, que o então novo líder do Partido Comunista iugoslavo, Slobodan Milosevic, trocou a decadente ideologia comunista pelo nacionalismo sérvio. Em visita à província onde 90% da população é de origem albanesa, Milosevic declarou que os sérvios jamais seriam humilhados.

Era a primeira faísca que provocou uma grande explosão. Em 1989, Milosevic tirou a autonomia do Kossovo, entregando sua administração à minoria sérvia. Esse conflito seria abafado, em 1991, pelas guerras de independência de duas outras repúblicas iugoslavas: a Croácia e a Eslovênia.

Pior ainda seria a guerra na Bósnia-Herzegovina, uma província dividida etnicamente, com 44% de bósnios, 31% de sérvios e 21% de croatas. Sarajevo foi sitiada durante três anos. A guerra só acabou, em 1995, com a intervenção militar da Otan.

Os EUA levaram os presidentes da Bósnia-Herzegovina, Alija Izetbegovic, da Croácia, Franjo Tudjman, e da Sérvia, Milosevic, para uma base militar em Dayton, no estado americano de Ohio, e forçou-os a assinar um acordo de paz, em novembro de 1995. Mas a chamada "limpeza étnica", a expulsão de minorias, continuou no Kossovo.

Isto levou ao surgimento do Exército de Libertação do Kossovo, em fevereiro de 1996, do Exército de Libertação do Kossovo, para defender a maioria albanesa, jogando a província numa guerra civil com a cruel repressão sérvia.

Depois de grande pressão internacional, ignorada por Milosevic, em 24 de março de 1999, quando festejava 50 anos, a OTAN iniciou uma campanha aérea de 78 dias para expulsar as forças sérvias do Kossovo.

Em 5 de outubro de 2000, diante de denúncias de fraude na eleição presidencial sérvia, uma revolução derrubou Milosevic, que seria enviado pelo novo governo sérvio para o tribunal das Nações Unidas para os crimes de guerra cometidos na antiga Iugoslávia, em Haia, na Holanda, onde ele morreu no ano passado.

Um problema para a independência é que o Kossovo ocupa uma posição central no mito fundador da nação sérvia. Foi na Batalha do Kossovo, em 28 de junho de 1389, que a Sérvia foi derrotada pelos turcos do Império Otomano, perdendo sua independência até o Congresso de Berlim, em 1878. Como os albaneses são majoritariamente muçulmanos, representam no imaginário sérvia uma herança da dominação otomana.