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terça-feira, 6 de outubro de 2026

Hoje na História do Mundo: 6 de Outubro

PAPA JULGADO APÓS A MORTE

    Em 891, Formoso é eleito papa. Ele seria julgado depois da morte no Sínodo do Cadáver, um dos atos mais bizarros da história da Igreja Católica.

O papa Nicolau I (858-867) o nomeia bispo e cardeal em 864 e o manda converter a Bulgária. Os papas Adriano II (867-872) e João VIII (872-882) o enviam em missões na França, mas Formoso cai em desgraça em 876, provavelmente por causa de um desentendimento em torno da coroação de Carlos II, do Sacro Império Romano-Germânico.

Formoso é reabilitado pelo papa Marinho I (882-884). Nos pontificados de Adriano III (884-885) e Estêvão V (885-891), a influência de Formoso cresce e é eleito sucessor. Para se livrar dos co-imperadores romano-germânicos Guido II de Spoleto e seu filho Lamberto II, Formoso convida Arnulfo da Caríntia, rei dos francos orientais, para invadir Roma.

Em 896, Formoso coroa Arnulfo como imperador do Sacro Império, mas ele tem uma paralisia quando se prepara para atacar Spoleto e volta para a Alemanha. Formoso morre em 4 de abril de 896 deixando o conflito em aberto.

Nove meses após sua morte, o cadáver de Formoso é exumado da cripta papal para ser colocado num trono e julgado no chamado Sínodo do Cadáver, convocado pelo papa Estêvão VI (896-897), com um diácono fazendo sua voz. 

Formoso é condenado por violar a lei canônica ao ser papa (bispo de Roma) já sendo bispo de Porto e perjúrio (mentir sob juramento) entre outros crimes contra a lei da Igreja. Sua eleição para papa é anulada e todos os seus atos como sumo pontífice são revogados. Seu corpo é enterrado e depois jogado no Rio Tibre.

O processo forjado causa uma revolta popular. Estêvão VI é preso e estrangulado, O papa Teodoro II (897), em seu pontificado de apenas 20 dias, restaura todas as ordenações de Formoso. E o papa João IX (898-900) condena o Sínodo do Cadáver e anula todos as seus atos.

MÁRTIRES DE ARAD

    Em 1849, a Áustria executa 13 generais (cinco húngaros, quatro alemães, dois armênios, um sérvio e um croata), os Mártires de Arad, por sua ação na Revolução Húngara (1848-49) contra o império dos Habsburgo, herdeiro do Sacro Império Romano-Germânico, que domina a Hungria desde 1526. Cinco são fuzilados e oito morrem na forca.

Sob a inspiração da Revolução de 1848 na França e do nacionalismo húngaro, em 15 de março daquele ano, uma revolta popular pacífica liderada por poetas e intelectuais defende a independência da Hungria do governo imperial de Viena. Eles abolem a censura em Peste e fazem várias exigências.

Sob a liderança de Lajos Kossuth, líder da oposição nacionalista, o Parlamento aprova as Leis de Março, também chamadas de Leis de Abril, com medidas importantes como a generalização da cobrança de impostos, uma reforma agrária, a reformulação da câmara baixa do Parlamento em bases representativas e a restauração da integridade territorial da Hungria.

É o terceiro país da Europa a adotar eleições democráticas para o Parlamento, depois da França (1791) e da Bélgica (1831)

Mas o novo governo tem inimigos: conservadores contrários à reforma agrária, a elite educada em Viena favorável ao império, e sérvios, romênios e croatas, que não reconhecem a autoridade de Buda e Peste.

Em setembro de 1848, as forças leais a Viena invadem a Hungria, mas um exército improvisado consegue expulsar o invasor. Quando o imperador Francisco José ascende ao trono da Áustria, em 2 de dezembro 1848, renova a ofensiva para subjugar a Revolução Húngara e pede ajuda ao czar Nicolau I, da Rússia, para finalmente derrotar os nacionalistas.

A execução dos Mártires de Arad (na época parte do Reino da Hungria, hoje parte da Romênia) é um marco da derrota final da guerra pela independência e consolida o domínio do Império Austríaco sobre a Hungria. 

Duas décadas depois, diante da derrota para a Prússia em 1866, sob pressão da aristocracia húngara, surge a monarquia dual, o Império Austro-Húngaro para acomodar os interesses da Hungria. No fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18), os impérios Alemão, Austro-Húngaro, Russo e Otomano são dissolvidos.

ÁUSTRIA-HUNGRIA ANEXA BÓSNIA-HERZEGOVINA

    Em 1908, o Império Austro-Húngaro anuncia a anexação da Bósnia-Herzegovina, que formalmente está sob o controle do Império Otomano.

Desde o Congresso de Berlim, em 1878, a Áustria-Hungria controla a região. Uma revolta dos Jovens Turcos contra o Império Otomano cria a oportunidade para a Áustria-Hungria reafirmar seu controle sobre a região dos Bálcãs, sob protesto dos sérvios e do movimento pan-eslavista na Europa.

O assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, em Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, em 28 de junho de 1914, pelo estudante radical sérvio Gavrilo Princip é a causa imediata da Primeira Guerra Mundial (1914-18), que começa um mês depois.

GUERRA DO YOM KIPPUR

    Em 1973, durante o feriado religioso judaico do Dia do Perdão (Yom Kippur), mais de 100 mil soldados do Egito atravessem o Canal de Suez e invadem a Península do Sinai enquanto a Síria ataca em outra frente na maior empreitada militar árabe da era moderna. É o início da Guerra do Yom Kippur, uma tentativa de recuperar os territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Os Estados Unidos fazem então a maior ponte aérea militar da história, a Operação Nickel Grass. Durante 32 dias, entregam 22.325 toneladas de equipamentos, tanques, peças de artilharia, munição e peças de reposição para aviões a Israel diretamente no campo de batalha, a ponto do então ditador do Egito, Anuar Sadat, reclamar para o assessor de segurança nacional da Casa Branca, Henry Kissinger, que pode enfrentar Israel, mas não os EUA.

A confrontação entre as superpotências quase deflagra uma guerra nuclear. Quando Israel domina o espaço aéreo, cerca e ameaça destruir o 3º Exército do Egito no Sinai, a União Soviética entra em alerta nuclear e ameaça ir à guerra. É o único alerta nuclear da URSS durante a Guerra Fria.

Diante da impotência no campo de batalha, os países árabes, liderados pelo rei Faiçal, da Arábia Saudita, iniciam um embargo à venda de petróleo aos aliados de Israel, provocando a primeira crise do petróleo. Os preços do petróleo bruto quadruplicam. Nos países ocidentais, os motoristas fazem fila em postos de gasolina. Acaba a era dos carrões.

Quatro anos depois, seguindo conselho de Kissinger, Sadat rompe a aliança com a URSS, aproxima-se dos EUA, visita Israel e negocia a paz nos Acordos de Camp David como única maneira de recuperar o Sinai. Israel aceita porque o Egito tem o maior exército do mundo árabe e há um adágio no Oriente Médio que diz: "Não há guerra sem o Egito nem paz sem a Síria."

Nunca mais os países árabes realizaram um ataque conjunto contra Israel. Sadat e o primeiro-ministro israelense, Menachem Begin, ganham o Prêmio Nobel da Paz, mas o ditador egípcio paga com a vida.

A crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar brasileira, baseado em energia e mão de obra baratas. É o fim do milagre econômico e a origem da hiperinflação, herança maldita da ditadura militar que só seria debelada pelo Plano Real em 1994.

GANGUE DOS QUATRO PRESA

    Em 1976, depois da morte de Mao Tsé-tung, a Gangue ou Camarilha dos Quatro, da qual sua terceira mulher, Jiang Qing (pronuncia-se Chin), faz parte, cai em desgraça e é presa. É o fim da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76) na China.

Zhang, Wang, Jiang e Yao

Dentro da luta interna pelo poder dentro do regime com líderes como Liu Shaoqi, Deng Xiaoping e Peng Zhen, Mao lança a Revolução Cultural em 16 de maio de 1966. Sob pressão da intervenção militar dos Estados Unidos no vizinho Vietnã e da perseguição e massacre de comunistas na Indonésia, o Grande Timoneiro denuncia a infiltração de elementos burgueses no partido e na sociedade para restaurar o capitalismo por medo que a China seja o próximo alvo..

Mao convoca a juventude a "bombardear os quartéis-generais" porque "se revoltar é justificado". Armados com o Livro Vermelho de Mao, os guardas vermelhos percorrem o país impondo as ideias do livro. Professores, intelectuais e líderes do partido, inclusive o líder das reformas capitalistas iniciadas em 1978, Deng Xiaoping, e o pai do atual ditador, Xi Jinping, são enviados para reeducação pelos camponeses em fazendas coletivas.

Há uma total inversão de valores. Obras de artes e arquitetura são destruídas como símbolos do período imperial. O trânsito anda no sinal vermelho e pare no sinal verde. Jiang Qing cuida do setor cultural, decide o que os chineses podem ler, ver e ouvir.

Lin Biao, um marechal do Exército Popular de Libertação que comandara a guerra revolucionária no Nordeste da China e a intervenção chinesa na Guerra da Coreia (1950-53), é nomeado vice-presidente e sucessor de Mao. Mas também cai em desgraça, sob a acusação de tramar um golpe fracassado contra Mao e morre numa queda de avião suspeita em 13 de setembro de 1971, quando tenta fugir da China. 

A Revolução Cultural perde o ímpeto. Desde os incidentes de fronteira com a União Soviética, em 1969, quase uma guerra entre as duas grandes potências comunistas, os militares pedem ao partido o fim da anarquia interna. 

O risco de conflito com a URSS leva a uma aproximação com os EUA, com as visitas do assessor de segurança nacional Henry Kissinger e do presidente Richard Nixon à China.

Em 1972, a Gangue dos Quatro ascende ao poder e toma conta dos principais órgãos do partido a um nível que não se sabe se cumprem as ordens de Mao ou agem por conta própria. Alem de Madame Mao, fazem parte Zhang Chunqiao, Yao Wenyuan e Wang Hongwen. Todos se descatam em Xangai no início da Revolução Cultural.

Em 1973, o primeiro-ministro Chu Enlai, que aceita a Revolução Cultural mas nunca a apoia totalmente, é nomeado vice-presidente do Partido Comunista e reabilita Deng Xiaoping. A morte de Chu provoca o Incidente da Praça da Paz Celestial, dois dias de protestos, em 4 e 5 de abril de 1976, com 2 milhões de uma população que quer honrar um líder respeitado.

O Comitê Central do PC, dominado pela Gangue dos Quatro, considera as manifestações antirrevolucionárias, Sob a alegação de organizar os protestos, o vice-primeiro-ministro Deng é destituído e posto em prisão domiciliar. 

A morte de Mao, em 9 de setembro, é o golpe final na Gangue dos Quatro. No fim do mês, o novo líder, Hua Guofeng, critica o radicalismo dos meios de comunicação uma reunião do Politburo, o Birô Político do Comitê Central do partido. Madame Mao reage indignada e exige ser nomeada presidente do partido.

Em 4 de outubro, o grupo extremista adverte num jornal que qualquer reformista que interfira nos princípios estabelecidos [por Mao] "não vai terminar bem". A Gangue dos Quatro conta com um apoio militar que não tem.

Uma reunião de emergência do Politburo é convocada para 6 de outubro no Grande Salão do Povo com presença obrigatória. Quando entram pelas portas giratórias no vestíbulo do prédio, os membros da Gangue dos Quatro são presos um a um. Uma unidade especial vai à casa de Madame Mao para prendê-la.

Naquele noite, os propagandistas da Gangue dos Quatro na mídia e na universidade são presos. Os aliados da gangue em Xangai são convocados para uma reunião em Beijim e são presos. A tentativa de chegar ao poder absoluto chega ao fim. Wang Hongwen resiste e mata dois guardas que tentam prendê-lo.

No julgamento da Gangue dos Quatro, realizado em 1980 e 1981, Jiang Qing e Zhang Chunqiao são condenados à morte. Yao Wenyuan e Wang Hongwen pegam 20 anos de prisão.

Com o partido e a sociedade dilacerados pela Revolução Cultural, Deng percebe que a única ideia capaz de unir o partido e a sociedade é modernização. Ele lança o programa das quatro modernizações: agricultura, defesa, indústria, e ciência e tecnologia. Em discurso em 13 de dezembro de 1978, lança as reformas e a abertura econômica que tornam a China na segunda maior economia e na maior potência industrial do mundo.

ASSASSINATO DE SADAT

    Em 1981, durante uma festividade militar para comemorar o aniversário do início da Guerra do Yom Kippur, extremistas muçulmanos do grupo Jihad Islâmica metralham o palanque das autoridades e matam o ditador do Egito, Anuar Sadat, numa vingança porque ele fez a paz com Israel.

Os terroristas, liderados por Khaled el-Islambouli, tenente do Exército do Egito, param em frente ao palanque, dão tiros e jogam granadas contra o ditador e outras autoridades. Sadat leva quatro tiros e morre duas horas depois. Outras 10 pessoas morrem no atentado.

Em novembro, 25 pessoas vão a julgamento. Todos, inclusive o futuro líder da rede terrorista Al Caeda Ayman al-Zawahiri, admitem com orgulho sua participação. Islambouli e outros quatro são condenados à morte e executados. Os outros pegam diferentes penas de prisão.

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sábado, 11 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Julho

QUAKERS CHEGAM A BOSTON

     Em 1656, as inglesas Ann Austin e Mary Fischer, as primeiras quakers a emigrar para as colônias norte-americanas, chegam a Boston, na Baía de Massachusetts. Elas vêm de Barbados, onde criaram um centro missionário.

A Sociedade dos Amigos, uma entidade religiosa, é fundada na Inglaterra por George Fox. O nome deriva do tremor causado pelo fervor religioso de seus membros, que são contra a violência e a guerra, e se dedicam à educação e à caridade. São contra a escravidão e a favor da igualdade entre os sexos.

Sua pregação liberal contraria o puritanismo de Massachusetts. Elas são presas e deportadas para Barbados cinco anos depois. Em 1658, o grupo é banido da colônia sob ameaça de pena de morte. Mais tarde, estas leis são revogadas.

No século 18, o quaker John Woolman viaja pelas colônias americanas pregando a religião e o abolicionismo. Ele promove boicotes aos produtos fabricados por escravos e tenta convencer as comunidades quakers a aderir à campanha abolicionista. 

A quaker Lucretia Mott é uma abolicionista importante no século 19. Trabalha na Estrada de Ferro Subterrânea, um movimento clandestino para ajudar na fuga de escravos para a liberdade. Também é pioneira da luta pelos direitos das mulheres.

HAMILTON MORRE EM DUELO

    Em 1804, o vice-presidente Aaron Burr, acerta seu inimigo político Alexander Hamilton, que foi o primeiro secretário do Tesouro dos Estados Unidos, num dos duelos mais famosos da história do país. O líder do Partido Federalista e o principal arquiteto da ordem da econômica dos EUA morre no dia seguinte.

Hamilton nasce na ilha caribenha de Névis e emigra para os EUA em 1773. Durante a Guerra da Independência dos EUA (1775-83), entra para o Exército Continental e chama a atenção do comandante, general George Washington, que o nomeia assessor.

Dez anos depois, é delegado na Convenção Constitucional que redige a Constituição dos EUA e luta por sua ratificação por criar um um governo central forte como ele queria.

Quando Washington é eleito primeiro presidente dos EUA, em 1788, convida Hamilton para o governo. Em 1789, ele se torna o primeiro secretário do Tesouro.

Burr nasce numa família de elite da colônia de Nova Jérsei em 1756. Adere ao Exército Continental 1775. É deputado estadual e procurador-geral de Nova York. Em 1796, disputa a eleição presidencial na chapa de Thomas Jefferson, quando é atacado por Hamilton. John Adams vence. 

Na época, cada eleitor votava em dois candidatos e o Colégio Eleitoral num só. O segundo mais votado era eleito vice-presidente.

Em 1800, de novo, a chapa Jefferson-Burr concorre pelo Partido Democrata-Republicano, o futuro Partido Democrata. Burr divulga um documento em que Hamilton critica Adams, o que divide os federalistas. Jefferson e Burr vencem.

No Colégio Eleitoral, há  empate em 73 votos. A eleição vai para a Câmara dos Representantes e os federalistas apoiam Burr. Depois de 35 empates, parte dos federalistas muda da lado sob a influência de Hamilton e Jefferson ganha, uma das razões do duelo.

Em 1804, Jefferson não indica Burr para vice. Este tenta entrar no Partido Federalista. É barrado numa campanha inflamada de Hamilton, que continua quando ele se lança como candidato independente. No mesmo ano, o Congresso aprova a 12ª Emenda à Constituição dos EUA, estabelecendo votações distintas para presidente e vice.

ATAQUE À TOCA DO LOBO

Em 1944, o Conde Claus von Stauffenberg, coronel do Exército da Alemanha, vai com uma bomba até o quartel-general de Adolf Hitler em Berchtesgaden, na Baviera, com a intenção de assassinar o Führer.

O atentado seria em 15 de julho, mas Hitler é chamado ao quartel-general de Rastenburg, na Prússia Oriental, hoje parte da Polônia, conhecido como Toca do Lobo.

Desde o início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), as atrocidades do nazismo provocam a indignação de alemães e, com o tempo, de conspirações para derrubar Hitler. A maior reúne cerca de 500 oficiais alemães.

Stauffenberg serve o Exército alemão desde 1926. Durante a guerra, participa da invasão à União Soviética, onde judeus e prisioneiros soviéticos são sumariamente eliminados. Transferido para o Norte da África, perde um olho, a mão direita e dois dedos da mão esquerda. Como comandante das Forças da Reserva, tem acesso direto a Hitler.

Líder da conspiração, chamada de Operação Valquíria, ele recebe a bomba do major Helmuth Stieff em 3 de julho. Com a viagem de Hitler e o adiamento do ataque, ele sabe em 16 de julho, num encontro com o coronel Cæsar von Hofacker, que a Muralha do Atlântico entrara em colapso na Normandia e que a guerra havia mudado na frente ocidental. É chegado o momento de se livrar de Hitler e negociar a paz.

O atentado fica para 20 de julho. Como Hitler vai receber Mussolini, a reunião é antecipada em uma hora. Stauffenberg tem pouco tempo para armar as duas bombas escondidas numa pasta. Ele só consegue preparar uma, a aciona e deixa a reunião. 

O coronel Heinz Brandt chuta acidentalmente a pasta de Stauffenberg, que fica do outro lado do grosso pé da mesa de carvalho. No momento da explosão, Hitler está do outro lado da mesa e não morre.

Do lado de fora da cabana, Stauffenberg e outros conspiradores saem convencidos da morte do Führer. Horas depois, o coronel anuncia que está tomando o poder na Alemanha. 

A proposta da conspiração é assinar um cessar-fogo com os aliados ocidentais, numa rendição incondicional, e concentrar esforços na guerra contra a URSS na frente oriental para impedir o Exército Vermelho de tomar a Europa Oriental e chegar a Berlim.

Com o fracasso do atentado, 5 mil pessoas são presas e 200 executadas, inclusive Stauffenberg.

FIM DO SKYLAB

    Em 1979, a estação espacial norte-americana Skylab cai na Terra, na Austrália e no Oceano Índico, cinco anos do fim da última missão tripulada nela realizada.

A Skylab, lançada em 1973, é a primeira estação espacial bem-sucedida, depois do fracasso da soviética Salyut. Com 36 metros de altura, é cilíndrica e pesa 77 toneladas. É capaz de abrigar até três tripulações de três astronautas.

Os tripulantes a Skylab passam mais de 700 horas observando o Sol e tiram mais de 175 mil fotos da nossa estrela. Realizam estudos para examinar os efeitos biológicos da longa permanência no espaço. Com o desgate prematuro causado por radiação solar acima do esperado, a estação especial é desativada e cai na Terra.

EUA REATAM COM VIETNÃ

    Em 1995, duas décadas depois da queda de Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, e do fim da guerra entre os dois países, os Estados Unidos estabelecem relações diplomáticas com o Vietnã, citando a cooperação do regime comunista vietnamita na busca pelos restos mortais de 2.238 desaparecidos em ação durante a intervenção militar norte-americana (1964-73) na Guerra do Vietnã (1955-75).

A normalização das relações com o inimigo que derrota a superpotência começam em 1994, quando o presidente democrata Bill Clinton suspende o embargo comercial. O senador republicano John McCain, um ex-piloto da Força Aérea que fica cinco anos e meio como prisioneiro de guerra no Vietnã, é importante no reatamento.

O envolvimento dos EUA na guerra aumenta de mil assessores militares em 1959 para pelo menos 2,8 mil na época do assassinato do presidente John Kennedy (1961-63). Depois do Incidente do Golfo de Tonkin, forjado para justificar a entrada direta dos EUA no conflito, em agosto de 1964, o presidente Lyndon Johnson declara guerra ao Vietnã do Norte.

Em abril de 1969, os EUA chegam a um máximo de 543 mil soldados no Vietnã, mas a erosão do apoio político interno por causa das 58.281 mortes minam o esforço de guerra. Cerca de 2 milhões de vietnamitas morrem na Guerra do Vietnã, que deflagra guerras civis no Laos e no Camboja. Em 1975, os três países da antiga Indochina Francesa se tornam comunistas.

MASSACRE DE SREBRENICA

    Em 1995, o exército da autointitulada a não reconhecida República Sérvia da Bósnia-Herzegovina toma a cidade de Srebrenica e mata em duas semanas 8.373 muçulmanos bósnios, praticamente toda a população adulta masculina da cidade.

É o maior massacre nas guerras que destroem a Iugoslávia. Uma força de paz das Nações Unidas formada por militares holandeses não reage. Centenas de homens buscam refúgio no quartel da ONU quando as forças sérvias ocupam Srebrenica, que tinha sido declarada "zona de segurança". As Mães de Srebrenica afirmam que "a Holanda é responsável por todas as mortes".

Os dois principais acusados, o líder sérvio na Bósnia, Radovan Karadzic, e o comandante militar sérvio-bósnio, general Ratko Mladic, são condenados anos mais tarde pelo Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia. Karadzic é sentenciado a 40 anos de prisão e Mladic, o Carniceiro da Bósnia, à prisão perpétua. Em 2004, antes dos dois serem presos, o tribunal considera o massacre um genocídio.

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segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 6 de Outubro

 PAPA JULGADO APÓS A MORTE

    Em 891, Formoso é eleito papa. Ele seria julgado depois da morte no Sínodo do Cadáver, um dos atos mais bizarros da história da Igreja Católica.

O papa Nicolau I (858-867) o nomeia bispo e cardeal em 864 e o manda converter a Bulgária. Os papas Adriano II (867-872) e João VIII (872-882) o enviam em missões na França, mas Formoso cai em desgraça em 876, provavelmente por causa de um desentendimento em torno da coroação de Carlos II, do Sacro Império Romano-Germânico.

Formoso é reabilitado pelo papa Marinho I (882-884). Nos pontificados de Adriano III (884-885) e Estêvão V (885-891), a influência de Formoso cresce e é eleito sucessor. Para se livrar dos co-imperadores romano-germânicos Guido II de Spoleto e seu filho Lamberto II, Formoso convida Arnulfo da Caríntia, rei dos francos orientais, para invadir Roma.

Em 896, Formoso coroa Arnulfo como imperador do Sacro Império, mas ele tem uma paralisia quando se preparava para atacar Spoleto e volta para a Alemanha. Formoso morre em 4 de abril de 896 deixando o conflito em aberto.

Nove meses após sua morte, o cadáver de Formoso é exumado da cripta papal para ser colocado num trono e julgado no chamado Sínodo do Cadáver, convocado pelo papa Estêvão VI (896-897), com um diácono fazendo sua voz. 

Formoso é condenado por violar a lei canônica ao ser papa (bispo de Roma) já sendo bispo de Porto e perjúrio (mentir sob juramento). entre outros crimes contra a lei da Igreja. Sua eleição para papa é anulada e todos os seus atos como sumo pontífice são revogados. Seu corpo é enterrado e depois jogado no Rio Tibre.

O processo forjado causa uma revolta popular. Estêvão VI é preso e estrangulado, O papa Teodoro II (897), em seu pontificado de apenas 20 dias, restaura todas as ordenações de Formoso. E o papa João IX (898-900) condena o Sínodo do Cadáver e anula todas as suas atos.

MÁRTIRES DE ARAD

    Em 1849, a Áustria executa 13 generais (cinco húngaros, quatro alemães, dois armênios, um sérvio e um croata), os Mártires de Arad, por sua ação na Revolução Húngara (1848-49) contra o império dos Habsburgo, herdeiro do Sacro Império Romano Germânico, que domina a Hungria desde 1526. Cinco são fuzilados e oito morrem na forca.

Sob a inspiração da Revolução de 1848 na França e do nacionalismo húngaro, em 15 de março daquele ano, uma revolta popular pacífica liderada por poetas e intelectuais defende a independência da Hungria do governo imperial de Viena. Eles abolem a censura em Peste e fazem várias exigências.

Sob a liderança de Lajos Kossuth, líder da oposição nacionalista, o Parlamento aprova as Leis de Março, também chamadas de Leis de Abril, com medidas importantes como a generalização da cobrança de impostos, uma reforma agrária, a reformulação da câmara baixa do Parlamento em bases representativas e a restauração da integridade territorial da Hungria.

É o terceiro país da Europa a adotar eleições democráticas para o Parlamento, depois da França (1791) e da Bélgica (1831)

Mas o novo governo tem inimigos: conservadores contrários à reforma agrária, a elite educada em Viena favorável ao império, e sérvios, romênios e croatas, que não reconhecem a autoridade de Buda e Peste.

Em setembro de 1848, as forças leais a Viena invadem a Hungria, mas um exército improvisado consegue expulsar o invasor. Quando o imperador Francisco José ascende ao trono da Áustria, em 2 de dezembro 1848, renova a ofensiva para subjugar a Revolução Húngara e pede ajuda ao czar Nicolau I, da Rússia, para finalmente derrotar os nacionalistas.

A execução dos Mártires de Arad (na época parte do Reino da Hungria, hoje parte da Romênia) é um marco da derrota final da guerra pela independência e consolida o domínio do Império Austríaco sobre a Hungria. 

Duas décadas depois, diante da derrota para a Prússia em 1866, sob pressão da aristocracia húngara, surge a monarquia dual, o Império Austro-Húngaro para acomodar os interesses da Hungria. No fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18), os impérios Alemão, Austro-Húngaro, Russo e Otomano são dissolvidos.

ÁUSTRIA-HUNGRIA ANEXA BÓSNIA-HERZEGOVINA

    Em 1908, o Império Austro-Húngaro anuncia a anexação da Bósnia-Herzegovina, que formalmente está sob o controle do Império Otomano.

Desde o Congresso de Berlim, em 1878, a Áustria-Hungria controla a região. Uma revolta dos Jovens Turcos contra o Império Otomano cria a oportunidade para a Áustria-Hungria reafirmar seu controle sobre a região dos Bálcãs, sob protesto dos sérvios e do movimento pan-eslavista na Europa.

O assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, em Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, em 28 de junho de 1914, pelo estudante radical sérvio Gavrilo Princip é a causa imediata da Primeira Guerra Mundial (1914-18), que começa um mês depois.

GUERRA DO YOM KIPPUR

    Em 1973, durante o feriado religioso judaico do Dia do Perdão (Yom Kippur), mais de 100 mil soldados do Egito atravessem o Canal de Suez e invadem a Península do Sinai enquanto a Síria ataca em outra frente na maior empreitada militar árabe da era moderna. É o início da Guerra do Yom Kippur, uma tentativa de recuperar os territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Os Estados Unidos fazem então a maior ponte aérea militar da história, a Operação Nickel Grass. Durante 32 dias, entregam 22.325 toneladas de equipamentos, tanques, peças de artilharia, munição e peças de reposição para aviões a Israel diretamente no campo de batalha, a ponto do então ditador do Egito, Anuar Sadat, reclamar para o assessor de segurança nacional da Casa Branca, Henry Kissinger, que pode enfrentar Israel, mas não os EUA.

A confrontação entre as superpotências quase deflagra uma guerra nuclear. Quando Israel domina o espaço aéreo, cerca e ameaça destruir o 3º Exército do Egito no Sinai, a União Soviética entra em alerta nuclear e ameaça ir à guerra. É o único alerta nuclear da URSS durante a Guerra Fria.

Diante da impotência no campo de batalha, os países árabes, liderados pelo rei Faiçal, da Arábia Saudita, iniciam um embargo à venda de petróleo aos aliados de Israel, provocando a primeira crise do petróleo. Os preços do petróleo bruto quadruplicam. Nos países ocidentais, os motoristas fazem fila em postos de gasolina. Acaba a era dos carrões.

Quatro anos depois, seguindo conselho de Kissinger, Sadat rompe a aliança com a URSS, aproxima-se dos EUA, visita Israel e negocia a paz nos Acordos de Camp David como única maneira de recuperar o Sinai. Israel aceita porque o Egito tem o maior exército do mundo árabe e há um adágio no Oriente Médio que diz: "Não há guerra sem o Egito nem paz sem a Síria."

Nunca mais os países árabes realizaram um ataque conjunto contra Israel. Sadat e o primeiro-ministro israelense, Menachem Begin, ganham o Prêmio Nobel da Paz, mas o ditador egípcio paga com a vida.

A crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar brasileira, baseado em energia e mão de obra baratas. É o fim do milagre econômico e a origem da hiperinflação, herança maldita da ditadura militar que só seria debelada pelo Plano Real em 1994.

GANGUE DOS QUATRO PRESA

    Em 1976, depois da morte de Mao Tsé-tung, a Gangue ou Camarilha dos Quatro, da qual sua terceira mulher, Jiang Qing (pronuncia-se Chin), faz parte, cai em desgraça e é presa. É o fim da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76) na China.

Zhang, Wang, Jiang e Yao
Dentro da luta interna pelo poder dentro do regime com líderes como Liu Shaoqi, Deng Xiaoping e Peng Zhen, Mao lança a Revolução Cultural em 16 de maio de 1966. Sob pressão da intervenção militar dos Estados Unidos no vizinho Vietnã e da perseguição e massacre de comunistas na Indonésia, o Grande Timoneiro denuncia a infiltração de elementos burgueses no partido e na sociedade para restaurar o capitalismo por medo que a China seja o próximo alvo..

Mao convoca a juventude a "bombardear os quartéis-generais" porque "se revoltar é justificado". Armados com o Livro Vermelho de Mao, os guardas vermelhos percorrem o país impondo as ideias do livro. Professores, intelectuais e líderes do partido, inclusive o líder das reformas capitalistas iniciadas em 1978, Deng Xiaoping, e o pai do atual ditador, Xi Jinping, são enviados para reeducação pelos camponeses em fazendas coletivas.

Há uma total inversão de valores. Obras de artes e arquitetura são destruídas como símbolos do período imperial. O trânsito anda no sinal vermelho e pare no sinal verde. Jiang Qing cuida do setor cultural, decide o que os chineses podem ler, ver e ouvir.

Lin Biao, um marechal do Exército Popular de Libertação que comandara a guerra revolucionária no Nordeste da China e a intervenção chinesa na Guerra da Coreia (1950-53), é nomeado vice-presidente e sucessor de Mao. Mas também cai em desgraça, sob a acusação de tramar um golpe fracassado contra Mao e morre numa queda de avião suspeita em 13 de setembro de 1971, quando tenta fugir da China. 

A Revolução Cultural perde o ímpeto. Desde os incidentes de fronteira com a União Soviética, em 1969, quase uma guerra entre as duas grandes potências comunistas, os militares pedem ao partido o fim da anarquia interna. 

O risco de conflito com a URSS leva a uma aproximação com os EUA, com as visitas do assessor de segurança nacional Henry Kissinger e do presidente Richard Nixon à China.

Em 1972, a Gangue dos Quatro ascende ao poder e toma conta dos principais órgãos do partido a um nível que não se sabe se cumprem as ordens de Mao ou agem por conta própria. Alem de Madame Mao, fazem parte Zhang Chunqiao, Yao Wenyuan e Wang Hongwen. Todos se descatam em Xangai no início da Revolução Cultural.

Em 1973, o primeiro-ministro Chu Enlai, que aceita a Revolução Cultural mas nunca a apoia totalmente, é nomeado vice-presidente do Partido Comunista e reabilita Deng Xiaoping. A morte de Chu provoca o Incidente da Praça da Paz Celestial, dois dias de protestos, em 4 e 5 de abril de 1976, com 2 milhões de uma população que quer honrar um líder respeitado.

O Comitê Central do PC, dominado pela Gangue dos Quatro, considera as manifestações antirrevolucionárias, Sob a alegação de organizar os protestos, o vice-primeiro-ministro Deng é destituído e posto em prisão domiciliar. 

A morte de Mao, em 9 de setembro, é o golpe final na Gangue dos Quatro. No fim do mês, o novo líder, Hua Guofeng, critica o radicalismo dos meios de comunicação uma reunião do Politburo, o Birô Político do Comitê Central do partido. Madame Mao reage indignada e exige ser nomeada presidente do partido.

Em 4 de outubro, o grupo extremista adverte num jornal que qualquer reformista que interfira nos princípios estabelecidos [por Mao] "não vai terminar bem". A Gangue dos Quatro conta com um apoio militar que não tem.

Uma reunião de emergência do Politburo é convocada para 6 de outubro no Grande Salão do Povo com presença obrigatória. Quando entram pelas portas giratórias no vestíbulo do prédio, os membros da Gangue dos Quatro são presos um a um. Uma unidade especial vai à casa de Madame Mao para prendê-la.

Naquele noite, os propagandistas da Gangue dos Quatro na mídia e na universidade são presos. Os aliados da gangue em Xangai são convocados para uma reunião em Beijim e são presos. A tentativa de chegar ao poder absoluto chega ao fim. Wang Hongwen resiste e mata dois guardas que tentam prendê-lo.

No julgamento da Gangue dos Quatro, realizado em 1980 e 1981, Jiang Qing e Zhang Chunqiao são condenados à morte. Yao Wenyuan e Wang Hongwen pegam 20 anos de prisão.

Com o partido e a sociedade dilacerados pela Revolução Cultural, Deng percebe que a única ideia capaz de unir o partido e a sociedade é modernização. Ele lança o programa das quatro modernizações: agricultura, defesa, indústria, e ciência e tecnologia. Em discurso em 13 de dezembro de 1978, lança as reformas e a abertura econômica que tornam a China na segunda maior economia e na maior potência industrial do mundo.

ASSASSINATO DE SADAT

    Em 1981, durante uma festividade militar para comemorar o aniversário do início da Guerra do Yom Kippur, extremistas muçulmanos do grupo Jihad Islâmica metralham o palanque das autoridades e matam o ditador do Egito, Anuar Sadat, numa vingança porque ele fez a paz com Israel.

Os terroristas, liderados por Khaled el-Islambouli, tenente do Exército do Egito, param em frente ao palanque, dão tiros e jogam granadas contra o ditador e outras autoridades. Sadat leva quatro tiros e morre duas horas depois. Outras 10 pessoas morrem no atentado.

Em novembro, 25 pessoas vão a julgamento. Todos, inclusive o futuro líder da rede terrorista Al Caeda Ayman al-Zawahiri, admitem com orgulho sua participação. Islambouli e outros quatro são condenados à morte e executados. Os outros pegam diferentes penas de prisão.

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sexta-feira, 11 de julho de 2025

Hoje na História do Mundo: 11 de Julho

 QUAKERS CHEGAM A BOSTON

     Em 1656, as inglesas Ann Austin e Mary Fischer, as primeiras quakers a emigrar para as colônias norte-americanas, chegam a Boston, na Baía de Massachusetts. Elas vêm de Barbados, onde criaram um centro missionário.

A Sociedade dos Amigos, uma entidade religiosa, é fundada na Inglaterra por George Fox. O nome deriva do tremor causado pelo fervor religioso de seus membros, que são contra a violência e a guerra, e se dedicam à educação e à caridade. São contra a escravidão e a favor da igualdade entre os sexos.

Sua pregação liberal contraria o puritanismo de Massachusetts. Elas são presas e deportadas para Barbados cinco anos depois. Em 1658, o grupo é banido da colônia sob ameaça de pena de morte. Mais tarde, estas leis são revogadas.

No século 18, o quaker John Woolman viaja pelas colônias americanas pregando a religião e o abolicionismo. Ele promove boicotes aos produtos fabricados por escravos e tenta convencer as comunidades quakers a aderir à campanha abolicionista. 

A quaker Lucretia Mott é uma abolicionista importante no século 19. Trabalha na Estrada de Ferro Subterrânea, um movimento clandestino para ajudar na fuga de escravos para a liberdade. Também é pioneira da luta pelos direitos das mulheres.

HAMILTON MORRE EM DUELO

    Em 1804, o vice-presidente Aaron Burr, acerta seu inimigo político Alexander Hamilton, que foi o primeiro secretário do Tesouro dos Estados Unidos, num dos duelos mais famosos da história do país. O líder do Partido Federalista e o principal arquiteto da ordem da econômica dos EUA morre no dia seguinte.

Hamilton nasce na ilha caribenha de Névis e emigra para os EUA em 1773. Durante a Guerra da Independência dos EUA (1775-83), entra para o Exército Continental e chama a atenção do comandante, general George Washington, que o nomeia assessor.

Dez anos depois, é delegado na Convenção Constitucional que redige a Constituição dos EUA e luta por sua ratificação por criar um um governo central forte como ele queria.

Quando Washington é eleito primeiro presidente dos EUA, em 1788, convida Hamilton para o governo. Em 1789, ele se torna o primeiro secretário do Tesouro.

Burr nasce numa família de elite da colônia de Nova Jérsei em 1756. Adere ao Exército Continental 1775. É deputado estadual e procurador-geral de Nova York. Em 1796, disputa a eleição presidencial na chapa de Thomas Jefferson, quando é atacado por Hamilton. John Adams vence. 

Na época, cada eleitor votava em dois candidatos e o Colégio Eleitoral num só. O segundo mais votado era eleito vice-presidente.

Em 1800, de novo, a chapa Jefferson-Burr concorre pelo Partido Democrata-Republicano, o futuro Partido Democrata. Burr divulga um documento em que Hamilton critica Adams, o que divide os federalistas. Jefferson e Burr vencem.

No Colégio Eleitoral, há  empate em 73 votos. A eleição vai para a Câmara dos Representantes e os federalistas apoiam Burr. Depois de 35 empates, parte dos federalistas muda da lado sob a influência de Hamilton e Jefferson ganha, uma das razões do duelo.

Em 1804, Jefferson não indica Burr para vice. Este tenta entrar no Partido Federalista. É barrado numa campanha inflamada de Hamilton, que continua quando ele se lança como candidato independente. No mesmo ano, o Congresso aprova a 12ª Emenda à Constituição dos EUA, estabelecendo votações distintas para presidente e vice.

ATAQUE À TOCA DO LOBO

Em 1944, o Conde Claus von Stauffenberg, coronel do Exército da Alemanha, vai com uma bomba até o quartel-general de Adolf Hitler em Berchtesgaden, na Baviera, com a intenção de assassinar o Führer.

O atentado seria em 15 de julho, mas Hitler é chamado ao quartel-general de Rastenburg, na Prússia Oriental, hoje parte da Polônia, conhecido como Toca do Lobo.

Desde o início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), as atrocidades do nazismo provocam a indignação de alemães e, com o tempo, de conspirações para derrubar Hitler. A maior reúne cerca de 500 oficiais alemães.

Stauffenberg serve o Exército alemão desde 1926. Durante a guerra, participa da invasão à União Soviética, onde judeus e prisioneiros soviéticos são sumariamente eliminados. Transferido para o Norte da África, perde um olho, a mão direita e dois dedos da mão esquerda. Como comandante das Forças da Reserva, tem acesso direto a Hitler.

Líder da conspiração, chamada de Operação Valquíria, ele recebe a bomba do major Helmuth Stieff em 3 de julho. Com a viagem de Hitler e o adiamento do ataque, ele sabe em 16 de julho, num encontro com o coronel Cæsar von Hofacker, que a Muralha do Atlântico entrara em colapso na Normandia e que a guerra havia mudado na frente ocidental. É chegado o momento de se livrar de Hitler e negociar a paz.

O atentado fica para 20 de julho. Como Hitler vai receber Mussolini, a reunião é antecipada em uma hora. Stauffenberg tem pouco tempo para armar as duas bombas escondidas numa pasta. Ele só consegue preparar uma, a aciona e deixa a reunião. 

O coronel Heinz Brandt chuta acidentalmente a pasta de Stauffenberg, que fica do outro lado do grosso pé da mesa de carvalho. No momento da explosão, Hitler está do outro lado da mesa e não morre.

Do lado de fora da cabana, Stauffenberg e outros conspiradores saem convencidos da morte do Führer. Horas depois, o coronel anuncia que está tomando o poder na Alemanha. 

A proposta da conspiração é assinar um cessar-fogo com os aliados ocidentais, numa rendição incondicional, e concentrar esforços na guerra contra a URSS na frente oriental para impedir o Exército Vermelho de tomar a Europa Oriental e chegar a Berlim.

Com o fracasso do atentado, 5 mil pessoas são presas e 200 executadas, inclusive Stauffenberg.

FIM DO SKYLAB

    Em 1979, a estação espacial norte-americana Skylab cai na Terra, na Austrália e no Oceano Índico, cinco anos do fim da última missão tripulada nela realizada.

A Skylab, lançada em 1973, é a primeira estação espacial bem-sucedida, depois do fracasso da soviética Salyut. Com 36 metros de altura, é cilíndrica e pesa 77 toneladas. É capaz de abrigar até três tripulações de três astronautas.

Os tripulantes a Skylab passam mais de 700 horas observando o Sol e tiram mais de 175 mil fotos da nossa estrela. Realizam estudos para examinar os efeitos biológicos da longa permanência no espaço. Com o desgate prematuro causado por radiação solar acima do esperado, a estação especial é desativada e cai na Terra.

EUA REATAM COM VIETNÃ

    Em 1995, duas décadas depois da queda de Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, e do fim da guerra entre os dois países, os Estados Unidos estabelecem relações diplomáticas com o Vietnã, citando a cooperação do regime comunista vietnamita na busca pelos restos mortais de 2.238 desaparecidos em ação durante a intervenção militar norte-americana (1964-73) na Guerra do Vietnã (1955-75).

A normalização das relações com o inimigo que derrota a superpotência começam em 1994, quando o presidente democrata Bill Clinton suspende o embargo comercial. O senador republicano John McCain, um ex-piloto da Força Aérea que fica cinco anos e meio como prisioneiro de guerra no Vietnã, é importante no reatamento.

O envolvimento dos EUA na guerra aumenta de mil assessores militares em 1959 para pelo menos 2,8 mil na época do assassinato do presidente John Kennedy (1961-63). Depois do Incidente do Golfo de Tonkin, forjado para justificar a entrada direta dos EUA no conflito, em agosto de 1964, o presidente Lyndon Johnson declara guerra ao Vietnã do Norte.

Em abril de 1969, os EUA chegam a um máximo de 543 mil soldados no Vietnã, mas a erosão do apoio político interno por causa das 58.281 mortes minam o esforço de guerra. Cerca de 2 milhões de vietnamitas morrem na Guerra do Vietnã, que deflagra guerras civis no Laos e no Camboja. Em 1975, os três países da antiga Indochina Francesa se tornam comunistas.

MASSACRE DE SREBRENICA

    Em 1995, o exército da autointitulada a não reconhecida República Sérvia da Bósnia-Herzegovina toma a cidade de Srebrenica e mata em duas semanas 8.373 muçulmanos bósnios, praticamente toda a população adulta masculina da cidade.

É o maior massacre nas guerras que destroem a Iugoslávia. Uma força de paz das Nações Unidas formada por militares holandeses não reage. Centenas de homens buscam refúgio no quartel da ONU quando as forças sérvias ocupam Srebrenica, que tinha sido declarada "zona de segurança". As Mães de Srebrenica afirmam que "a Holanda é responsável por todas as mortes".

Os dois principais acusados, o líder sérvio na Bósnia, Radovan Karadzic, e o comandante militar sérvio-bósnio, general Ratko Mladic, são condenados anos mais tarde pelo Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia. Karadzic é sentenciado a 40 anos de prisão e Mladic, o Carniceiro da Bósnia, à prisão perpétua. Em 2004, antes dos dois serem presos, o tribunal considera o massacre um genocídio.