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domingo, 25 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 25 de Janeiro

 IMPERADOR CLÁUDIO

    Em 41 depois de Cristo, Cláudio se torna o quarto imperador romano, sucedendo a seu sobrinho Calígula. No seu reinado, o Império Romano estende seus domínios ao Norte da África e conquista o que hoje é a Inglaterra.

Tibério Cláudio Druso Nero Germânico nasce em Lugdnum, hoje Lyon, na Gália, agora parte da França, em 1º de agosto do ano 10 da era cristã, filho de Nero Cláudio Druso, um importante general do Império Romano. É sobrinho do imperador Tibério.

Manco e gago, ele fica longe da vida pública até o imperador Calígula, seu sobrinho, o nomear cônsul e senador. O historiador Tito Lívio, contratado como seu tutor, o incentiva a estudar história. Quando a guarda pretoriana mata Calígula, o encontra escondido atrás de uma cortina com medo de também ser morto.

Único homem adulto da família, debilitado fisicamente e sem experiência política, Cláudio é proclamado imperador talvez na expectativa de que será facilmente manipulado.

Apesar de estigmatizado pela própria mãe, Cláudio torna-se um aluno brilhante, um bom governante e estrategista militar amado pelo povo. Durante seu reinado o Império Romano tem uma expansão como não vê desde Augusto (27 AC-14 DC). Ele conquista a Trácia, a Nórica, a Panfília, a Lícia, a Judeia e a Britânia, que Júlio César não conseguira quase um século antes. 

Sua terceira mulher, Valéria Messalina, poderosa e influente, passa à história com fama de promíscua. Acusada de conspirar contra o marido, é presa e executada em 48. De acordo com o historiador Tácito, organizou uma cerimônia pública de casamento com seu amante, Caio Sílio. Talvez por um viés político, seu nome vira sinônimo de prostituta.

Cláudio casa então com a sobrinha Agripina, o que contraria a lei romana, alterada para permitir o casamento. Ele é assassinado por envenenamento, possivelmente por cogumelos e supostamente instigado pela mulher, em 13 de agosto de 54. É sucedido por Nero, último imperador da dinastia júlio-claudiana.

ELEITO O ANTIPAPA

    Em 844, um arquidiácono romano chamado João é eleito Antipapa João VIII contra o candidato da nobreza, o papa Sérgio II (844-847).

João tem o apoio popular. Ele se retira para o Palácio de Latrão e Sérgio II é consagrado sem a intervenção do imperador do Sacro Império Romano-Germânico. O novo papa protege João de tentativas de assassinato e o aprisiona em um mosteiro. Nunca mais se ouve falar dele.

Em junho, Sérgio II presta juramento de lealdade a Lotário I (822-855), o terceiro imperador do Sacro Império, e é confirmado como chefe da Igreja Católica Apostólica Romana. Durante seu pontificado, os muçulmanos desembarcam em Óstia, assediam Roma e saqueiam a Basílica de São Pedro.

SEGUNDO CASAMENTO DE HENRIQUE VIII

    Em 1533, Henrique VIII se casa secretamente com Ana Bolena para tentar ter um filho homem depois de se separar de Catarina de Aragão, o que o leva a romper com o Vaticano e criar a Igreja da Inglaterra, com os mesmos rituais católicos, em 1534. É uma decisão mais política do que teológica.

Henrique VIII nasce em Greenwich em 28 de junho de 1991. É filho de Henrique Tudor, que derrota o rei usurpador Ricardo III na Batalha de Bosworth, em 22 de agosto de 1485, e vence a Guerra das Duas Rosas (1455-1487), a guerra entre as dinastias de Lancaster e York, herdeiras de Eduardo III, e se torna Henrique VII, o primeiro rei da dinastia Tudor.

A grande preocupação de Henrique VIII é ter um filho homem para evitar uma guerra de príncipes pela sucessão. Mas Catarina de Aragão, filha dos reis católicos da Espanha, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, lhe dá uma filha mulher, Maria Tudor, futura Maria I.

Ele se divorcia de Catarina de Aragão, motivo do rompimento com a Igreja Católica, para se casar com Ana Bolena, que lhe dá outra filha mulher, Elizabeth I, a mulher mais poderosa da história da Inglaterra. Tem seis mulheres. A terceira, Jane Seymour, lhe dá o filho homem, Eduardo VI.

Ana Bolena é acusada de traição e decapitada na Torre de Londres em 19 de maio de 1536. Quando Henrique VIII morre, em 28 de janeiro de 1547, o único filho legítimo homem, Eduardo VI, ascende ao trono com nove anos. Com a saúde frágil, morre aos 15 nos, em 6 de julho de 1553. É sucedido por Lady Jane Gray, filha de uma irmã de Henrique VIII, a Rainha dos Nove Dias, derrubada e executada.

Quem herda o trono é Maria I, a primeira mulher a reivindicar com sucesso o trono da Inglaterra. Ele se casa com Felipe II, da Espanha, filho de Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico, mas não tem filhos. Católica, tenta reverter a Reforma Protestante na Inglaterra. 

Maria I morre em 17 de novembro de 1558. É sucedida por Elizabeth I, filha de Ana Bolena, que retoma a Reforma Protestante e começa a construir o Império Britânico. Conhecida como a Rainha Virgem, morre sem deixar filhos em 1603. 

Elizabeth I é sucedida por Jaime I da Inglaterra e Jaime VI da Escócia, católico, filho de sua inimiga Maria Stuart, que manda construir um túmulo para a mãe na Abadia de Westminster do mesmo nível do de Elizabeth I.

O conflito entre católicos e protestantes leva à Guerra Civil Inglesa do século 17. Carlos I, filho de Jaime I, é decapitado em 30 de janeiro de 1649, início de um breve período republicano na história da Inglaterra. A guerra civil só termina mesmo com a Revolução Gloriosa (1688-89), que produz a Declaração de Direitos de 1689, estabelece a supremacia do Parlamento e torna a Inglaterra numa monarquia constitucional.

FUNDAÇÃO DE SÃO PAULO

    Em 1554, os padres jesuítas Manuel da Nóbre e José de Anchieta e o cacique Tibiriça fundam uma missão e uma escola que dão origem à cidade de São Paulo no dia da conversão de São Paulo. O Pátio do Colégio é o primeiro assentamento no planalto brasileiro.

No fim do século 16, a povoação em apenas 300 habitantes, na maioria pobres do Sul de Portugal. A prosperidade começa no século 17 com a exploração do interior pelos bandeirantes em busca de ouro, prata, diamantes e indígenas para escravizar.

Em 1711, São Paulo se torna uma cidade. A descoberta de ouro e diamantes na Colônia em Minas Gerais estimula a imigração europeia e muda o eixo econômico do Nordeste para o Sudeste do Brasil.

O imperador Pedro I proclama a independência em 7 de setembro de 1822 às margens do Riacho Ipiranga dando a São Paulo um lugar proeminente na história do Brasil. Em 1840, a cidade tem cerca de 20 mil habitantes concentrados na área do Vale do Anhangabaú. Um mercado municipal é construído em 1867.

A riqueza começa com o ciclo do café, que se torna o principal produto de exportação do Brasil, atraindo imigrantes, principalmente italianos, que são 600 mil dos 900 mil estrangeiros atraídos pelo país entre 1888 e 1900. Também chegam portugueses, espanhóis, alemães, europeus-orientais, sírios, libaneses e japoneses, que transformam São Paulo na potência econômica que é hoje.

O Viaduto do Chá, sobre o Vale do Anhangabaú, é construído em 1892. O prefeito Antônio Prado (1899-1911) alarga ruas, constrói novas praças e conclui a espetacular Estação da Luz, um dos símbolos da cidade. Os barões do café constroem mansões na Avenida Paulista. 

Em 1905, fábricas de tecidos e sapatos ocupam os bairros do Brás, Bom Retiro, Mooca, Água Branca e Ipiranga.

A Semana de Arte Moderna de 1922 é um marco da história do modernismo no Brasil. Consagra São Paulo como o centro cultural que é hoje. 

Em 1960, quando a capital é transferida do Rio de Janeiro para Brasília, São Paulo já é a maior cidade do Brasil e se consolida como um dos maiores centro de desenvolvimento urbano do mundo. Mas o crescimento urbano é caótico. Só em 1972 são aprovadas leis de zoneamento.

Hoje a cidade de São Paulo tem 11,451 milhões de habitantes, o mesmo que 2.534 municípios brasileiros, de acordo com o Censo de 2022. A região metropolitana tem 21,9 milhões de habitantes. 

MADAME MAO CONDENADA

    Em 1981, a viúva de Mao Tsé-tung, Jiang Ching, é condenada à morte por "crimes contrarrevolucionários" cometidos durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76) na China.

A atriz e quarta mulher de Mao, o líder da revolução comunista chinesa, nasce pobre em Zhucheng em 19 de março de 1914, filha natural de um carpinteiro violento e alcoólatra e sua concubina. É batizada Li Shu-meng. Ao longo da vida, adota vários pseudônimos.

Quando criança, começa a fazer teatro comunitário. Ele se casa com um comerciante, se divorcia e aí começa a namorar um membro do Partido Comunista, que é perseguido pelo partido nacionalista Kuomintang (KMT) durante a guerra civil.

Em 1934, a futura Madame Mao vai para Xangai, a maior e mais cosmopolita cidade chinesa, perseguir o sonho de fazer cinema. Presa por ser comunista, fica meses na cadeia. Ao sair, muda o nome para Lan Ping (Maçã Azul).

Jiang consegue um papel de protagonista como Nora na peça A Casa dos Bonecas, do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, mas não impressiona os produtores de cinema. Nessa época, ela se apaixona pelo ator e diretor Tang Na, com quem tem um casamento conturbado. Eles se divorciam em 1937.

De acordo com o historiador australiano Ross Terrill, biógrafo de Madame Mao: o diabo de ossos brancos, nessa época ela levava uma vida burguesa e decadente em Xangai. Fica famosa pelos escândalos, um passado que no futuro tenta apagar.

Numa nova transformação, vira Jiang Ching (Rio Verde), uma recatada militante comunista que seduz o grande líder da revolução. Jiang conhece Mao em Yanan, no Norte da China. Lá os comunistas instalam o quartel-general depois da Longa Marcha, uma fuga do Exército Vermelho do PCC por 9 mil quilômetros percorridos em um ano para escapar dos massacres do KMT.

Quando os japoneses invadem Xangai, em agosto de 1937, a atriz vai para o QG do partido para participar de filmes de propaganda comunista. Mais uma vez, não tem sucesso como atriz.

Ela consegue atrair Mao participando de conferências e palestras do líder. Senta nas primeiras filas e faz comentários entusiasmados. A relação incomoda outros líderes do partido. Ator não é profissão bem vista, Mao é casado e Jiang muito mais moça. Mas ele se separa e o casal se casa em 28 de novembro de 1938.

Com a vitória da revolução, em 1º de outubro de 1949, as mulheres da cúpula do PCC são convidadas para o Comitê Central, mas Jiang é excluída. Ela passa os anos 1950 fazendo várias viagens a Moscou para tratamento médico.

Recuperada, Madame Mao passa a trabalhar nos órgãos governamentais encarregados do controle e da censura das artes, especialmente das artes cênicas, do cinema e do teatro. Um de seus alvos prediletos são as óperas chinesas, que apresentam um mundo de imperadores, concubinas e monstros, sem maior relação com a vida do camponês e a luta revolucionária.

Agressiva e arrogante, Jiang é afastada do cargo. Enquanto isso, o Grande Salto para a Frente, um programa de Mao para acelerar o desenvolvimento industrial da China instalando usinas siderúrgicas em fazendas coletivas e comunidades rurais, fracassa. Entre 15 e 55 milhões de chineses morrem de fome ou em perseguição política entre 1958 e 1962.

Sob pressão de outros dirigentes do PCC, Mao se cerca de um pequeno grupo de radicais, inclusive sua mulher, e lança em a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), uma era do radicalismo político mais extremo, com grande expurgo de altos funcionários e intelectuais, muitos enviados para reeducação em comunidades rurais, em que alunos puniam professores e filhos denunciavam os pais por "desvios burgueses".

Milhões de estudantes deixam as escolas e universidades para se tornar guardas vermelhos, fiéis seguidores e implementadores das políticas expressas no Livro Vermelho de Mao, que brandiam nos ares em histeria coletiva. O trânsito para no sinal verde e anda no sinal vermelho. Obras de arte e de arquitetura são destruídas como resquício de um período imperial a ser varrido da história.

Como mulher mais poderosa da China, Jiang se vinga daqueles que a humilharam. Reinando sobre o setor cultural, cria as "óperas revolucionárias". Os heróis são camponeses que lutam contra grandes proprietários malvados, invasores japoneses e outros inimigos da revolução.

Seu poder vai muito além da cultura. Em 1969, Jiang entra para o Politburo do PCC. Faz parte do núcleo central e da ala mais radical que cerca o Camarada Mao, a Gangue dos Quatro. 

Um mês depois da morte de Mao em 9 de setembro de 1976, a viúva é presa e condenada à morte sob a acusação de ser responsável com a Gangue dos Quatro pelo radicalismo e a violência, quando Mao defenderia apenas a "luta pacífica". Em 1983, a pena é comutada para prisão perpétua. 

Ao sair para fazer tratamento médico, Jiang Ching se suicida em 14 de maio de 1991.

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 6 de Outubro

 PAPA JULGADO APÓS A MORTE

    Em 891, Formoso é eleito papa. Ele seria julgado depois da morte no Sínodo do Cadáver, um dos atos mais bizarros da história da Igreja Católica.

O papa Nicolau I (858-867) o nomeia bispo e cardeal em 864 e o manda converter a Bulgária. Os papas Adriano II (867-872) e João VIII (872-882) o enviam em missões na França, mas Formoso cai em desgraça em 876, provavelmente por causa de um desentendimento em torno da coroação de Carlos II, do Sacro Império Romano-Germânico.

Formoso é reabilitado pelo papa Marinho I (882-884). Nos pontificados de Adriano III (884-885) e Estêvão V (885-891), a influência de Formoso cresce e é eleito sucessor. Para se livrar dos co-imperadores romano-germânicos Guido II de Spoleto e seu filho Lamberto II, Formoso convida Arnulfo da Caríntia, rei dos francos orientais, para invadir Roma.

Em 896, Formoso coroa Arnulfo como imperador do Sacro Império, mas ele tem uma paralisia quando se preparava para atacar Spoleto e volta para a Alemanha. Formoso morre em 4 de abril de 896 deixando o conflito em aberto.

Nove meses após sua morte, o cadáver de Formoso é exumado da cripta papal para ser colocado num trono e julgado no chamado Sínodo do Cadáver, convocado pelo papa Estêvão VI (896-897), com um diácono fazendo sua voz. 

Formoso é condenado por violar a lei canônica ao ser papa (bispo de Roma) já sendo bispo de Porto e perjúrio (mentir sob juramento). entre outros crimes contra a lei da Igreja. Sua eleição para papa é anulada e todos os seus atos como sumo pontífice são revogados. Seu corpo é enterrado e depois jogado no Rio Tibre.

O processo forjado causa uma revolta popular. Estêvão VI é preso e estrangulado, O papa Teodoro II (897), em seu pontificado de apenas 20 dias, restaura todas as ordenações de Formoso. E o papa João IX (898-900) condena o Sínodo do Cadáver e anula todas as suas atos.

MÁRTIRES DE ARAD

    Em 1849, a Áustria executa 13 generais (cinco húngaros, quatro alemães, dois armênios, um sérvio e um croata), os Mártires de Arad, por sua ação na Revolução Húngara (1848-49) contra o império dos Habsburgo, herdeiro do Sacro Império Romano Germânico, que domina a Hungria desde 1526. Cinco são fuzilados e oito morrem na forca.

Sob a inspiração da Revolução de 1848 na França e do nacionalismo húngaro, em 15 de março daquele ano, uma revolta popular pacífica liderada por poetas e intelectuais defende a independência da Hungria do governo imperial de Viena. Eles abolem a censura em Peste e fazem várias exigências.

Sob a liderança de Lajos Kossuth, líder da oposição nacionalista, o Parlamento aprova as Leis de Março, também chamadas de Leis de Abril, com medidas importantes como a generalização da cobrança de impostos, uma reforma agrária, a reformulação da câmara baixa do Parlamento em bases representativas e a restauração da integridade territorial da Hungria.

É o terceiro país da Europa a adotar eleições democráticas para o Parlamento, depois da França (1791) e da Bélgica (1831)

Mas o novo governo tem inimigos: conservadores contrários à reforma agrária, a elite educada em Viena favorável ao império, e sérvios, romênios e croatas, que não reconhecem a autoridade de Buda e Peste.

Em setembro de 1848, as forças leais a Viena invadem a Hungria, mas um exército improvisado consegue expulsar o invasor. Quando o imperador Francisco José ascende ao trono da Áustria, em 2 de dezembro 1848, renova a ofensiva para subjugar a Revolução Húngara e pede ajuda ao czar Nicolau I, da Rússia, para finalmente derrotar os nacionalistas.

A execução dos Mártires de Arad (na época parte do Reino da Hungria, hoje parte da Romênia) é um marco da derrota final da guerra pela independência e consolida o domínio do Império Austríaco sobre a Hungria. 

Duas décadas depois, diante da derrota para a Prússia em 1866, sob pressão da aristocracia húngara, surge a monarquia dual, o Império Austro-Húngaro para acomodar os interesses da Hungria. No fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18), os impérios Alemão, Austro-Húngaro, Russo e Otomano são dissolvidos.

ÁUSTRIA-HUNGRIA ANEXA BÓSNIA-HERZEGOVINA

    Em 1908, o Império Austro-Húngaro anuncia a anexação da Bósnia-Herzegovina, que formalmente está sob o controle do Império Otomano.

Desde o Congresso de Berlim, em 1878, a Áustria-Hungria controla a região. Uma revolta dos Jovens Turcos contra o Império Otomano cria a oportunidade para a Áustria-Hungria reafirmar seu controle sobre a região dos Bálcãs, sob protesto dos sérvios e do movimento pan-eslavista na Europa.

O assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, em Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, em 28 de junho de 1914, pelo estudante radical sérvio Gavrilo Princip é a causa imediata da Primeira Guerra Mundial (1914-18), que começa um mês depois.

GUERRA DO YOM KIPPUR

    Em 1973, durante o feriado religioso judaico do Dia do Perdão (Yom Kippur), mais de 100 mil soldados do Egito atravessem o Canal de Suez e invadem a Península do Sinai enquanto a Síria ataca em outra frente na maior empreitada militar árabe da era moderna. É o início da Guerra do Yom Kippur, uma tentativa de recuperar os territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Os Estados Unidos fazem então a maior ponte aérea militar da história, a Operação Nickel Grass. Durante 32 dias, entregam 22.325 toneladas de equipamentos, tanques, peças de artilharia, munição e peças de reposição para aviões a Israel diretamente no campo de batalha, a ponto do então ditador do Egito, Anuar Sadat, reclamar para o assessor de segurança nacional da Casa Branca, Henry Kissinger, que pode enfrentar Israel, mas não os EUA.

A confrontação entre as superpotências quase deflagra uma guerra nuclear. Quando Israel domina o espaço aéreo, cerca e ameaça destruir o 3º Exército do Egito no Sinai, a União Soviética entra em alerta nuclear e ameaça ir à guerra. É o único alerta nuclear da URSS durante a Guerra Fria.

Diante da impotência no campo de batalha, os países árabes, liderados pelo rei Faiçal, da Arábia Saudita, iniciam um embargo à venda de petróleo aos aliados de Israel, provocando a primeira crise do petróleo. Os preços do petróleo bruto quadruplicam. Nos países ocidentais, os motoristas fazem fila em postos de gasolina. Acaba a era dos carrões.

Quatro anos depois, seguindo conselho de Kissinger, Sadat rompe a aliança com a URSS, aproxima-se dos EUA, visita Israel e negocia a paz nos Acordos de Camp David como única maneira de recuperar o Sinai. Israel aceita porque o Egito tem o maior exército do mundo árabe e há um adágio no Oriente Médio que diz: "Não há guerra sem o Egito nem paz sem a Síria."

Nunca mais os países árabes realizaram um ataque conjunto contra Israel. Sadat e o primeiro-ministro israelense, Menachem Begin, ganham o Prêmio Nobel da Paz, mas o ditador egípcio paga com a vida.

A crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar brasileira, baseado em energia e mão de obra baratas. É o fim do milagre econômico e a origem da hiperinflação, herança maldita da ditadura militar que só seria debelada pelo Plano Real em 1994.

GANGUE DOS QUATRO PRESA

    Em 1976, depois da morte de Mao Tsé-tung, a Gangue ou Camarilha dos Quatro, da qual sua terceira mulher, Jiang Qing (pronuncia-se Chin), faz parte, cai em desgraça e é presa. É o fim da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76) na China.

Zhang, Wang, Jiang e Yao
Dentro da luta interna pelo poder dentro do regime com líderes como Liu Shaoqi, Deng Xiaoping e Peng Zhen, Mao lança a Revolução Cultural em 16 de maio de 1966. Sob pressão da intervenção militar dos Estados Unidos no vizinho Vietnã e da perseguição e massacre de comunistas na Indonésia, o Grande Timoneiro denuncia a infiltração de elementos burgueses no partido e na sociedade para restaurar o capitalismo por medo que a China seja o próximo alvo..

Mao convoca a juventude a "bombardear os quartéis-generais" porque "se revoltar é justificado". Armados com o Livro Vermelho de Mao, os guardas vermelhos percorrem o país impondo as ideias do livro. Professores, intelectuais e líderes do partido, inclusive o líder das reformas capitalistas iniciadas em 1978, Deng Xiaoping, e o pai do atual ditador, Xi Jinping, são enviados para reeducação pelos camponeses em fazendas coletivas.

Há uma total inversão de valores. Obras de artes e arquitetura são destruídas como símbolos do período imperial. O trânsito anda no sinal vermelho e pare no sinal verde. Jiang Qing cuida do setor cultural, decide o que os chineses podem ler, ver e ouvir.

Lin Biao, um marechal do Exército Popular de Libertação que comandara a guerra revolucionária no Nordeste da China e a intervenção chinesa na Guerra da Coreia (1950-53), é nomeado vice-presidente e sucessor de Mao. Mas também cai em desgraça, sob a acusação de tramar um golpe fracassado contra Mao e morre numa queda de avião suspeita em 13 de setembro de 1971, quando tenta fugir da China. 

A Revolução Cultural perde o ímpeto. Desde os incidentes de fronteira com a União Soviética, em 1969, quase uma guerra entre as duas grandes potências comunistas, os militares pedem ao partido o fim da anarquia interna. 

O risco de conflito com a URSS leva a uma aproximação com os EUA, com as visitas do assessor de segurança nacional Henry Kissinger e do presidente Richard Nixon à China.

Em 1972, a Gangue dos Quatro ascende ao poder e toma conta dos principais órgãos do partido a um nível que não se sabe se cumprem as ordens de Mao ou agem por conta própria. Alem de Madame Mao, fazem parte Zhang Chunqiao, Yao Wenyuan e Wang Hongwen. Todos se descatam em Xangai no início da Revolução Cultural.

Em 1973, o primeiro-ministro Chu Enlai, que aceita a Revolução Cultural mas nunca a apoia totalmente, é nomeado vice-presidente do Partido Comunista e reabilita Deng Xiaoping. A morte de Chu provoca o Incidente da Praça da Paz Celestial, dois dias de protestos, em 4 e 5 de abril de 1976, com 2 milhões de uma população que quer honrar um líder respeitado.

O Comitê Central do PC, dominado pela Gangue dos Quatro, considera as manifestações antirrevolucionárias, Sob a alegação de organizar os protestos, o vice-primeiro-ministro Deng é destituído e posto em prisão domiciliar. 

A morte de Mao, em 9 de setembro, é o golpe final na Gangue dos Quatro. No fim do mês, o novo líder, Hua Guofeng, critica o radicalismo dos meios de comunicação uma reunião do Politburo, o Birô Político do Comitê Central do partido. Madame Mao reage indignada e exige ser nomeada presidente do partido.

Em 4 de outubro, o grupo extremista adverte num jornal que qualquer reformista que interfira nos princípios estabelecidos [por Mao] "não vai terminar bem". A Gangue dos Quatro conta com um apoio militar que não tem.

Uma reunião de emergência do Politburo é convocada para 6 de outubro no Grande Salão do Povo com presença obrigatória. Quando entram pelas portas giratórias no vestíbulo do prédio, os membros da Gangue dos Quatro são presos um a um. Uma unidade especial vai à casa de Madame Mao para prendê-la.

Naquele noite, os propagandistas da Gangue dos Quatro na mídia e na universidade são presos. Os aliados da gangue em Xangai são convocados para uma reunião em Beijim e são presos. A tentativa de chegar ao poder absoluto chega ao fim. Wang Hongwen resiste e mata dois guardas que tentam prendê-lo.

No julgamento da Gangue dos Quatro, realizado em 1980 e 1981, Jiang Qing e Zhang Chunqiao são condenados à morte. Yao Wenyuan e Wang Hongwen pegam 20 anos de prisão.

Com o partido e a sociedade dilacerados pela Revolução Cultural, Deng percebe que a única ideia capaz de unir o partido e a sociedade é modernização. Ele lança o programa das quatro modernizações: agricultura, defesa, indústria, e ciência e tecnologia. Em discurso em 13 de dezembro de 1978, lança as reformas e a abertura econômica que tornam a China na segunda maior economia e na maior potência industrial do mundo.

ASSASSINATO DE SADAT

    Em 1981, durante uma festividade militar para comemorar o aniversário do início da Guerra do Yom Kippur, extremistas muçulmanos do grupo Jihad Islâmica metralham o palanque das autoridades e matam o ditador do Egito, Anuar Sadat, numa vingança porque ele fez a paz com Israel.

Os terroristas, liderados por Khaled el-Islambouli, tenente do Exército do Egito, param em frente ao palanque, dão tiros e jogam granadas contra o ditador e outras autoridades. Sadat leva quatro tiros e morre duas horas depois. Outras 10 pessoas morrem no atentado.

Em novembro, 25 pessoas vão a julgamento. Todos, inclusive o futuro líder da rede terrorista Al Caeda Ayman al-Zawahiri, admitem com orgulho sua participação. Islambouli e outros quatro são condenados à morte e executados. Os outros pegam diferentes penas de prisão.

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sábado, 25 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 25 de Janeiro

 IMPERADOR CLÁUDIO

    Em 41 depois de Cristo, Cláudio se torna o quarto imperador romano, sucedendo a seu sobrinho Calígula. No seu reinado, o Império Romano estende seus domínios ao Norte da África e conquista o que hoje é a Inglaterra.

Tibério Cláudio Druso Nero Germânico nasce em Lugdnum, hoje Lyon, na Gália, agora parte da França, em 1º de agosto do ano 10 da era cristã, filho de Nero Cláudio Druso, um importante general do Império Romano. É sobrinho do imperador Tibério.

Manco e gago, ele fica longe da vida pública até o imperador Calígula, seu sobrinho, o nomear cônsul e senador. O historiador Tito Lívio, contratado como seu tutor, o incentiva a estudar história. Quando a guarda pretoriana mata Calígula, o encontra escondido atrás de uma cortina com medo de também ser morto.

Único homem adulto da família, debilitado fisicamente e sem experiência política, Cláudio é proclamado imperador talvez na expectativa de que será facilmente manipulado.

Apesar de estigmatizado pela própria mãe, Cláudio torna-se um aluno brilhante, um bom governante e estrategista militar amado pelo povo. Durante seu reinado o Império Romano tem uma expansão como não vê desde Augusto (27 AC-14 DC). Ele conquista a Trácia, a Nórica, a Panfília, a Lícia, a Judeia e a Britânia, que Júlio César não conseguira quase um século antes. 

Sua terceira mulher, Valéria Messalina, poderosa e influente passa à história com fama de promíscua. Acusada de conspirar contra o marido, é presa e executada em 48. De acordo com o historiador Tácito, organizou uma cerimônia pública de casamento com seu amante, Caio Sílio Talvez por um viés político, seu nome vira sinônimo de prostituta.

Cláudio casa então com a sobrinha Agripina, o que contraria a lei romana, alterada para permitir o casamento. Ele é assassinado por envenenamento, possivelmente por cogumelos e supostamente instigado pela mulher, em 13 de agosto de 54. É sucedido por Nero, último imperador da dinastia júlio-claudiana.

ELEITO O ANTIPAPA

    Em 844, um arquidiácono romano chamado João é eleito Antipapa João VIII contra o candidato da nobreza, o papa Sérgio II (844-847).

João tem o apoio popular. Ele se retira para o Palácio de Latrão e Sérgio II é consagrado sem a intervenção do imperador do Sacro Império Romano-Germânico. O novo papa protege João de tentativas de assassinato e o aprisiona em um mosteiro. Nunca mais se ouve falar dele.

Em junho, Sérgio II presta juramento de lealdade a Lotário I (822-855), o terceiro imperador do Sacro Império, e é confirmado como chefe da Igreja Católica Apostólica Romana. Durante seu pontificado, os muçulmanos desembarcam em Óstia, assediam Roma e saqueiam a Basílica de São Pedro.

SEGUNDO CASAMENTO DE HENRIQUE VIII

    Em 1533, Henrique VIII se casa secretamente com Ana Bolena para tentar ter um filho homem depois de se separar de Catarina de Aragão, o que o levoa a romper com o Vaticano e criar a Igreja da Inglaterra, com os mesmos rituais católicos, em 1534. É uma decisão mais política do que teológica.

Henrique VIII nasce em Greenwich em 28 de junho de 1991. É filho de Henrique Tudor, que derrota o rei usurpador Ricardo III na Batalha de Bosworth, em 22 de agosto de 1485, e vence a Guerra das Duas Rosas (1455-1487), a guerra entre as dinastias de Lancaster e York, herdeiras de Eduardo III, e se torna Henrique VII, o primeiro rei da dinastia Tudor.

A grande preocupação de Henrique VIII é ter um filho homem para evitar uma guerra de príncipes pela sucessão. Mas Catarina de Aragão, filha dos reis católicos da Espanha, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, lhe dá uma filha mulher, Maria Tudor, futura Maria I.

Ele se divorcia de Catarina de Aragão, motivo do rompimento com a Igreja Católica, para se casar com Ana Bolena, que lhe dá outra filha mulher, Elizabeth I, a mulher mais poderosa da história da Inglaterra. Tem seis mulheres. A terceira, Jane Seymour, lhe dá o filho homem, Eduardo VI.

Ana Bolena é acusada de traição e decapitada na Torre de Londres em 19 de maio de 1536. Quando Henrique VIII morre, em 28 de janeiro de 1547, o único filho legítimo homem, Eduardo VI, ascende ao trono com nove anos. Com a saúde frágil, morre aos 15 nos, em 6 de julho de 1553. É sucedido por Lady Jane Gray, filha de uma irmã de Henrique VIII, a Rainha dos Nove Dias.

Quem herda o trono é Maria I, a primeira mulher a reivindicar com sucesso o trono da Inglaterra. Ele se casa com Felipe II, da Espanha, filho de Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico, mas não tem filhos. Católica, tenta reverter a Reforma Protestante na Inglaterra. 

Maria I morre em 17 de novembro de 1558. É sucedida por Elizabeth I, filha de Ana Bolena,  que retoma a Reforma Protestante e começa a construir o Império Britânico. Conhecida como a Rainha Virgem, morre sem deixar filhos em 1603. 

Elizabeth I é sucedida por Jaime I da Inglaterra e Jaime VI da Escócia, católico, filho de sua inimiga Maria Stuart, que manda construir um túmulo para a mãe na Abadia de Westminster do mesmo nível do de Elizabeth I.

O conflito entre católicos e protestantes leva à Guerra Civil Inglesa do século 17. Carlos I, filho de Jaime I, é decapitado em 30 de janeiro de 1649, início de um breve período republicano na história da Inglaterra. A guerra só termina a Revolução Gloriosa 1688, que produz a Declaração de Direitos de 1689, estabelece a supremacia do Parlamento e torna a Inglaterra numa monarquia constitucional.

FUNDAÇÃO DE SÃO PAULO

    Em 1554, os padres jesuítas Manuel da Nóbre e José de Anchieta e o cacique Tibiriça fundam uma missão e uma escola que dão origem à cidade de São Paulo no dia da conversão de São Paulo. O Pátio do Colégio é o primeiro assentamento no planalto brasileiro.

No fim do século 16, a povoação em apenas 300 habitantes, na maioria pobres do Sul de Portugal. A prosperidade começa no século 17 com a exploração do interior pelos bandeirantes em busca de ouro, prata, diamantes e índios para escravizar.

Em 1711, São Paulo se torna uma cidade. A descoberta de ouro e diamantes na Colônia em Minas Gerais estimula a imigração europeia e muda o eixo econômico do Nordeste para o Sudeste do Brasil.

O imperador Pedro I proclama a independência em 7 de setembro de 1822 às margens do Riacho Ipiranga dando a São Paulo um lugar proeminente na história do Brasil. Em 1840, a cidade tem cerca de 20 mil habitantes concentrados na área do Vale do Anhangabaú. Um mercado municipal é construído em 1867.

A riqueza começa com o ciclo do café, que se torna o principal produto de exportação do Brasil, atraindo imigrantes, principalmente italianos, que são 600 mil dos 900 mil estrangeiros atraídos pelo país entre 1888 e 1900. Também chegam portugueses, espanhóis, alemães, europeus-orientais, sírios, libaneses e japoneses, que transformam São Paulo na potência econômica que é hoje.

O Viaduto do Chá, sobre o Vale do Anhangabaú, é construído em 1892. O prefeito Antônio Prado (1899-1911) alarga ruas, constrói novas praças e conclui a espetacular Estação da Luz, um dos símbolos da cidade. Os barões do café constroem mansões na Avenida Paulista. 

Em 1905, fábricas de tecidos e sapatos ocupam os bairros do Brás, Bom Retiro, Mooca, Água Branca e Ipiranga.

A Semana de Arte Moderna de 1922 é um marco da história do modernismo no Brasil. Consagra São Paulo como o centro cultural que é hoje. 

Em 1960, quando a capital é transferida do Rio de Janeiro para Brasília, São Paulo já é a maior cidade do Brasil e se consolida como um dos maiores centro de desenvolvimento urbano do mundo. Mas o crescimento urbano é caótico. Só em 1972 são aprovadas leis de zoneamento.

Hoje a cidade de São Paulo tem 11,451 milhões de habitantes, o mesmo que 2.534 municípios brasileiros, de acordo com o Censo de 2022. A região metropolitana tem 21,9 milhões de habitantes. 

MADAME MAO CONDENADA

    Em 1981, a viúva de Mao Tsé-tung, Jiang Ching, é condenada à morte por "crimes contrarrevolucionários" cometidos durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76) na China.

A atriz e quarta mulher de Mao, o líder da revolução comunista chinesa, nasce pobre em Zhucheng em 19 de março de 1914, filha natural de um carpinteiro violento e alcoólatra e sua concubina. É batizada Li Shu-meng. Ao longo da vida, adota vários pseudônimos.

Quando criança, começa a fazer teatro comunitário. Ele se casa com um comerciante, se divorcia e aí começa a namorar um membro do Partido Comunista, que é perseguido pelo partido nacionalista Kuomintang (KMT) durante a guerra civil.

Em 1934, a futura Madame Mao vai para Xangai, a maior e mais cosmopolita cidade chinesa, perseguir o sonho de fazer cinema. Presa por ser comunista, fica meses na cadeia. Ao sair, muda o nome para Lan Ping (Maçã Azul).

Jiang consegue um papel de protagonista como Nora na peça A Casa dos Bonecas, do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, mas não impressiona os produtores de cinema. Nessa época, ela se apaixona pelo ator e diretor Tang Na, com quem tem um casamento conturbado. Eles se divorciam em 1937.

De acordo com o historiador australiano Ross Terrill, biógrafo de Madame Mao: o diabo de ossos brancos, nessa época ela levava uma vida burguesa e decadente em Xangai. Fica famosa pelos escândalos, um passado que no futuro tenta apagar.

Numa nova transformação, vira Jiang Ching (Rio Verde), uma recatada militante comunista que seduz o grande líder da revolução. Jiang conhece Mao em Yanan, no Norte da China. Lá os comunistas instalam o quartel-general depois da Longa Marcha, uma fuga do Exército Vermelho do PCC por 9 mil quilômetros percorridos em um ano para escapar dos massacres do KMT.

Quando os japoneses invadem Xangai, em agosto de 1937, a atriz vai para o QG do partido para participar de filmes de propaganda comunista. Mais uma vez, não tem sucesso como atriz.

Ela consegue atrair Mao participando de conferências e palestras do líder. Senta nas primeiras filas e faz comentários entusiasmados. A relação incomoda outros líderes do partido. Ator não é profissão bem vista, Mao é casado e Jiang muito mais moça. Mas ele se separa e o casal se casa em 28 de novembro de 1938.

Com a vitória da revolução, em 1º de outubro de 1949, as mulheres da cúpula do PCC são convidadas para o Comitê Central, mas Jiang é excluída. Ela passa os anos 1950 fazendo várias viagens a Moscou para tratamento médico.

Recuperada, Madame Mao passa a trabalhar nos órgãos governamentais encarregados do controle e da censura das artes, especialmente das artes cênicas, do cinema e do teatro. Um de seus alvos prediletos são as óperas chinesas, que apresentam um mundo de imperadores, concubinas e monstros, sem maior relação com a vida do camponês e a luta revolucionária.

Agressiva e arrogante, Jiang é afastada do cargo. Enquanto isso, o Grande Salto para a Frente, um programa de Mao para acelerar o desenvolvimento industrial da China instalando usinas siderúrgicas em fazendas coletivas e comunidades rurais, fracassa. Entre 15 e 55 milhões de chineses morrem de fome ou em perseguição política entre 1958 e 1962.

Sob pressão de outros dirigentes do PCC, Mao se cerca de um pequeno grupo de radicais, inclusive sua mulher, e lança em 1966 a Grande Revolução Cultural Proletária, uma era do radicalismo político mais extremo, com grande expurgo de altos funcionários e intelectuais, muitos enviados para reeducação em comunidades rurais, em que alunos puniam professores e filhos denunciavam os pais por "desvios burgueses".

Milhões de estudantes deixam as escolas e universidades para se tornar guardas vermelhos, fiéis seguidores e implementadores das políticas expressas no Livro Vermelho de Mao, que brandiam nos ares em histeria coletiva. O trânsito para no sinal verde e anda no sinal vermelho. Obras de arte e de arquitetura são destruídas como resquício de um período imperial a ser varrido da história.

Como mulher mais poderosa da China, Jiang se vinga daqueles que a humilharam. Reinando sobre o setor cultural, cria as "óperas revolucionárias". Os heróis são camponeses que lutam contra grandes proprietários malvados, invasores japoneses e outros inimigos da revolução.

Seu poder vai muito além da cultura. Em 1969, Jiang entra para o Politburo do PCC. Faz parte do núcleo central e da ala mais radical que cercava o Camarada Mao, a Gangue dos Quatro. 

Um mês depois da morte de Mao em 9 de setembro de 1976, a viúva é presa e condenada à morte sob a acusação de ser responsável com a Gangue dos Quatro pelo radicalismo e a violência, quando Mao defenderia apenas a "luta pacífica". Em 1983, a pena é comutada para prisão perpétua. 

Ao sair para fazer tratamento médico, Jiang Ching se suicida em 14 de maio de 1991.

domingo, 6 de outubro de 2024

Hoje na História do Mundo: 6 de Outubro

 PAPA JULGADO APÓS A MORTE

    Em 891, Formoso é eleito papa. Ele seria julgado depois da morte no Sínodo do Cadáver, um dos atos mais bizarros da história da Igreja Católica.

O papa Nicolau I (858-867) o nomeia bispo e cardeal em 864 e o manda converter a Bulgária. Os papas Adriano II (867-872) e João VIII (872-882) o enviam em missões na França, mas Formoso cai em desgraça em 876, provavelmente por causa de um desentendimento em torno da coroação de Carlos II, do Sacro Império Romano-Germânico.

Formoso é reabilitado pelo papa Marinho I (882-884). Nos pontificados de Adriano III (884-885) e Estêvão V (885-891), a influência de Formoso cresce e é eleito sucessor. Para se livrar dos co-imperadores romano-germânicos Guido II de Spoleto e seu filho Lamberto II, Formoso convida Arnulfo da Caríntia, rei dos francos orientais, para invadir Roma.

Em 896, Formoso coroa Arnulfo como imperador do Sacro Império, mas ele tem uma paralisia quando se preparava para atacar Spoleto e volta para a Alemanha. Formoso morre em 4 de abril de 896 deixando o conflito em aberto.

Nove meses após sua morte, o cadáver de Formoso é exumado da cripta papal para ser colocado num trono e julgado no chamado Sínodo do Cadáver, convocado pelo papa Estêvão VI (896-897), com um diácono fazendo sua voz. 

Formoso é condenado por violar a lei canônica ao ser papa (bispo de Roma) já sendo bispo de Porto e perjúrio (mentir sob juramento). entre outros crimes contra a lei da Igreja. Sua eleição para papa é anulada e todos os seus atos como sumo pontífice são revogados. Seu corpo é enterrado e depois jogado no Rio Tibre.

O processo forjado causa uma revolta popular. Estêvão VI é preso e estrangulado, O papa Teodoro II (897), em seu pontificado de apenas 20 dias, restaura todas as ordenações de Formoso. E o papa João IX (898-900) condena o Sínodo do Cadáver e anula todas as suas atos.

MÁRTIRES DE ARAD

    Em 1849, a Áustria executa 13 generais (cinco húngaros, quatro alemães, dois armênios, um sérvio e um croata), os Mártires de Arad, por sua ação na Revolução Húngara (1848-49) contra o império dos Habsburgo, que domina a Hungria desde 1526. Cinco são fuzilados e oito morrem na forca.

Sob a inspiração da Revolução de 1848 na França e do nacionalismo húngaro, em 15 de março daquele ano, uma revolta popular pacífica liderada por poetas e intelectuais defende a independência da Hungria do governo imperial de Viena. Eles abolem a censura em Peste e fazem várias exigências.

Sob a liderança de Lajos Kossuth, líder da oposição nacionalista, o Parlamento aprova as Leis de Março, também chamadas de Leis de Abril, com medidas importantes como a generalização da cobrança de impostos, uma reforma agrária, a reformulação da câmara baixa do Parlamento em bases representativas e a restauração da integridade territorial da Hungria.

É o terceiro país da Europa a adotar eleições democráticas para o Parlamento, depois da França (1791) e da Bélgica (1831)

Mas o novo governo tem inimigos: conservadores contrários à reforma agrária, a elite educada em Viena favorável ao império e sérvios, romênios e croatas que não reconhecem a autoridade de Buda e Peste.

Em setembro de 1848, as forças leais a Viena invadem a Hungria, mas um exército improvisado consegue expulsar o invasor. Quando o imperador Francisco José ascende ao trono da Áustria, em 2 de dezembro 1848, renova a ofensiva para subjugar a Revolução Húngara e pede ajuda ao czar Nicolau I, da Rússia, para finalmente derrotar os nacionalistas.

A execução dos Mártires de Arad (na época parte do Reino da Hungria, hoje parte da Romênia) é um marco da derrota final da guerra pela independência e consolida o domínio do Império Austríaco sobre a Hungria. 

Duas décadas depois, diante da derrota para a Prússia em 1866, sob pressão da aristocracia húngara, surge a monarquia dual, o Império Austro-Húngaro para acomodar os interesses da Hungria. No fim da Primeira Guerra Mundial, os impérios Alemão, Austro-Húngaro, Russo e Otomano são dissolvidos.

ÁUSTRIA-HUNGRIA ANEXA BÓSNIA-HERZEGOVINA

    Em 1908, o Império Austro-Húngaro anuncia a anexação da Bósnia-Herzegovina, que formalmente estava sob o controle do Império Otomano.

Desde o Congresso de Berlim, em 1878, a Áustria-Hungria controla a região. Uma revolta dos Jovens Turcos contra o Império Otomano cria a oportunidade para a Áustria-Hungria reafirmar seu controle sobre a região dos Bálcãs, sob protesto dos sérvios e do movimento pan-eslavista na Europa.

O assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, em Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, em 28 de junho de 1914, pelo estudante radical sérvio Gavrilo Princip é a causa imediata da Primeira Guerra Mundial (1914-18), que começa um mês depois.

GUERRA DO YOM KIPPUR

    Em 1973, durante o feriado religioso judaico do Dia do Perdão (Yom Kippur), mais de 100 mil soldados do Egito atravessem o Canal de Suez e invadem a Península do Sinai enquanto a Síria ataca em outra frente na maior empreitada militar árabe da era moderna. É o início da Guerra do Yom Kippur, uma tentativa de recuperar os territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Os Estados Unidos fazem então a maior ponte aérea militar da história, a Operação Nickel Grass. Durante 32 dias, entregam 22.325 toneladas de equipamentos, tanques, peças de artilharia, munição e peças de reposição para aviões a Israel diretamente no campo de batalha, a ponto do então ditador do Egito, Anuar Sadat, reclamar que podia enfrentar Israel, mas não os EUA.

A confrontação entre as superpotências quase deflagra uma guerra nuclear. Quando Israel domina o espaço aéreo, cerca e ameaça destruir o 3º Exército do Egito no Sinai, a União Soviética entra em alerta nuclear e ameaça ir à guerra. É o único alerta nuclear da URSS durante a Guerra Fria.

Diante da impotência no campo de batalha, os países árabes, liderados pelo rei Faiçal, da Arábia Saudita, iniciam um embargo à venda de petróleo aos aliados de Israel, provocando a primeira crise do petróleo. Os preços do petróleo bruto quadruplicam. Nos países ocidentais, os motoristas fazem fila em postos de gasolina. Acaba a era dos carrões.

Quatro anos depois, Sadat rompe a aliança com a URSS, aproxima-se dos EUA, visita Israel e negocia a paz nos Acordos de Camp David como única maneira de recuperar o Sinai. Israel aceita porque o Egito tem o maior exército do mundo árabe e há um adágio no Oriente Médio que diz: "Não há guerra sem o Egito nem paz sem a Síria."

Nunca mais os países árabes realizaram um ataque conjunto contra Israel. Sadat e o primeiro-ministro israelense, Menachem Begin, ganham o Prêmio Nobel da Paz, mas o ditador egípcio paga com a vida.

A crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar brasileira, baseado em energia e mão de obra baratas. É o fim do milagre econômico e a origem da hiperinflação, herança maldita da ditadura militar que só seria debelada pelo Plano Real em 1994.

GANGUE DOS QUATRO PRESA

    Em 1976, depois da morte de Mao Tsé-tung, a Gangue ou Camarilha dos Quatro, da qual sua terceira mulher, Jiang Qing (pronuncia-se Chin), faz parte, cai em desgraça e é presa. É o fim da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76) na China.

Zhang, Wang, Jiang e Yao
Dentro da luta interna pelo poder dentro do regime com líderes como Liu Shaoqi, Deng Xiaoping e Peng Zhen, Mao lança a Revolução Cultural em 16 de maio de 1966. Sob pressão da intervenção militar dos Estados Unidos no vizinho Vietnã e da perseguição e massacre de comunistas na Indonésia, o Grande Timoneiro denuncia a infiltração de elementos burgueses no partido e na sociedade para restaurar o capitalismo.

Mao convoca a juventude a "bombardear os quartéis-generais" porque "se revoltar é justificado". Armados com o Livro Vermelho de Mao, os guardas vermelhos  Eles percorrem o país impondo as ideias do livro. Professores, intelectuais e líderes do partido, inclusive o líder das reformas capitalista, Deng Xiaoping, e o pai do atual ditador, Xi Jinping, são enviados para reeducação pelos camponeses em fazendas coletivas.

Há uma total inversão de valores. Obras de artes plásticas e arquitetura são destruídas como símbolos do período imperial. O trânsito anda no sinal vermelho e pare no sinal verde. Jiang Qing cuida do setor cultural, decide o que os chineses podem ler, ver e ouvir.

Lin Biao, um marechal do Exército Popular de Libertação que comandara a guerra revolucionária no Nordeste da China e a intervenção chinesa na Guerra da Coreia (1950-53), é nomeado vice-presidente e sucessor de Mao. Mas também cai em desgraça, sob a acusação de tramar um golpe fracassado contra Mao e morre numa queda de avião suspeita em 13 de setembro de 1971, quando tenta fugir da China. 

A Revolução Cultural perde o ímpeto. Desde os incidentes de fronteira com a União Soviética, em 1969, quase uma guerra entre as duas grandes potências comunistas, os militares pedem ao partido o fim da anarquia interna. 

O risco de conflito com a URSS leva a uma aproximação com os EUA, com as visitas do assessor de segurança nacional Henry Kissinger e do presidente Richard Nixon à China.

Em 1972, a Gangue dos Quatro ascende ao poder e toma conta dos principais órgãos do partido a um nível que não se sabe se cumprem as ordens de Mao ou agem por conta própria. Alem de Madame Mao, fazem parte Zhang Chunqiao, Yao Wenyuan e Wang Hongwen. Todos se descataram em Xangai no início da Revolução Cultural.

Em 1973, o primeiro-ministro Chu Enlai, que aceitou a Revolução Cultural mas nunca apoiou totalmente, é nomeado vice-presidente do Partido Comunista e reabilita Deng Xiaoping. A morte de Chu provoca o Incidente da Praça da Paz Celestial, dois dias de protestos, em 4 e 5 de abril de 1976, com 2 milhões de uma população que queria honrar um líder respeitado.

O Comitê Central do PC, dominado pela Gangue dos Quatro, considera as manifestações antirrevolucionárias, Sob a alegação de organizar os protestos, o vice-primeiro-ministro Deng é destituído e posto em prisão domiciliar. 

A morte de Mao, em 9 de setembro, é o golpe final na Gangue dos Quatro. No fim do mês, o novo líder, Hua Guofeng, critica o radicalismo dos meios de comunicação uma reunião do Politburo, o Birô Político do Comitê Central. Madame Mao reage indignada e exige ser nomeada presidente do partido.

Em 4 de outubro, o grupo extremista adverte num jornal que qualquer reformista que interfira nos principios estabelecidos [por Mao] "não vai terminar bem". A Gangue dos Quatro conta com um apoio militar que não tem.

Uma reunião de emergência do Politburo é convocada para 6 de outubro no Grande Salão do Povo com presença obrigatória. Quando entram pelas portas giratórias no vestíbulo do prédio, os membros da Gangue dos Quatro são presos um a um. Uma unidade especial vai à casa de Madame Mao para prendê-la.

Naquele noite, os propagandistas da Gangue dos Quatro na mídia e na universidade são presos. Os aliados da gangue em Xangai são convocados para uma reunião em Beijim e são presos. A tentativa de chegar ao poder absoluto chega ao fim. Wang Hongwen resiste e mata dois guardas que tentam prendê-lo.

No julgamento da Gangue dos Quatro, realizado em 1980 e 1981, Jiang Qing e Zhang Chunqiao são condenados à morte. Yao Wenyuan e Wang Hongwen pegam 20 anos de prisão.

Com o partido e a sociedade dilacerados pela Revolução Cultural, Deng percebe que a única ideia capaz de unir o partido e a sociedade é modernização. Ele lança o programa das quatro modernizações: agricultura, defesa, indústria, e ciência e tecnologia. Em discurso em 13 de dezembro de 1978, lança as reformas e a abertura econômica que tornam a China na segunda maior economia e na maior potência industrial do mundo.

ASSASSINATO DE SADAT

    Em 1981, durante uma festividade militar para comemorar o aniversário do início da Guerra do Yom Kippur, extremistas muçulmanos do grupo Jihad Islâmica metralham o palanque das autoridades e matam o ditador do Egito, Anuar Sadat, numa vingança porque ele fez a paz com Israel.

Os terroristas, liderados por Khaled el-Islambouli, tenente do Exército do Egito, param em frente ao palanque, dão tiros e jogam granadas contra o ditador e outras autoridades. Sadat leva quatro tiros e morre duas horas depois. Outras 10 pessoas morrem no atentado.

Em novembro, 25 pessoas vão a julgamento. Todos, inclusive o futuro líder da rede terrorista Al Caeda Ayman al-Zawahiri, admitem com orgulho sua participação. Islambouli e outros quatro são condenados à morte e executados. Os outros pegam diferentes penas de prisão.