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segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 6 de Outubro

 PAPA JULGADO APÓS A MORTE

    Em 891, Formoso é eleito papa. Ele seria julgado depois da morte no Sínodo do Cadáver, um dos atos mais bizarros da história da Igreja Católica.

O papa Nicolau I (858-867) o nomeia bispo e cardeal em 864 e o manda converter a Bulgária. Os papas Adriano II (867-872) e João VIII (872-882) o enviam em missões na França, mas Formoso cai em desgraça em 876, provavelmente por causa de um desentendimento em torno da coroação de Carlos II, do Sacro Império Romano-Germânico.

Formoso é reabilitado pelo papa Marinho I (882-884). Nos pontificados de Adriano III (884-885) e Estêvão V (885-891), a influência de Formoso cresce e é eleito sucessor. Para se livrar dos co-imperadores romano-germânicos Guido II de Spoleto e seu filho Lamberto II, Formoso convida Arnulfo da Caríntia, rei dos francos orientais, para invadir Roma.

Em 896, Formoso coroa Arnulfo como imperador do Sacro Império, mas ele tem uma paralisia quando se preparava para atacar Spoleto e volta para a Alemanha. Formoso morre em 4 de abril de 896 deixando o conflito em aberto.

Nove meses após sua morte, o cadáver de Formoso é exumado da cripta papal para ser colocado num trono e julgado no chamado Sínodo do Cadáver, convocado pelo papa Estêvão VI (896-897), com um diácono fazendo sua voz. 

Formoso é condenado por violar a lei canônica ao ser papa (bispo de Roma) já sendo bispo de Porto e perjúrio (mentir sob juramento). entre outros crimes contra a lei da Igreja. Sua eleição para papa é anulada e todos os seus atos como sumo pontífice são revogados. Seu corpo é enterrado e depois jogado no Rio Tibre.

O processo forjado causa uma revolta popular. Estêvão VI é preso e estrangulado, O papa Teodoro II (897), em seu pontificado de apenas 20 dias, restaura todas as ordenações de Formoso. E o papa João IX (898-900) condena o Sínodo do Cadáver e anula todas as suas atos.

MÁRTIRES DE ARAD

    Em 1849, a Áustria executa 13 generais (cinco húngaros, quatro alemães, dois armênios, um sérvio e um croata), os Mártires de Arad, por sua ação na Revolução Húngara (1848-49) contra o império dos Habsburgo, herdeiro do Sacro Império Romano Germânico, que domina a Hungria desde 1526. Cinco são fuzilados e oito morrem na forca.

Sob a inspiração da Revolução de 1848 na França e do nacionalismo húngaro, em 15 de março daquele ano, uma revolta popular pacífica liderada por poetas e intelectuais defende a independência da Hungria do governo imperial de Viena. Eles abolem a censura em Peste e fazem várias exigências.

Sob a liderança de Lajos Kossuth, líder da oposição nacionalista, o Parlamento aprova as Leis de Março, também chamadas de Leis de Abril, com medidas importantes como a generalização da cobrança de impostos, uma reforma agrária, a reformulação da câmara baixa do Parlamento em bases representativas e a restauração da integridade territorial da Hungria.

É o terceiro país da Europa a adotar eleições democráticas para o Parlamento, depois da França (1791) e da Bélgica (1831)

Mas o novo governo tem inimigos: conservadores contrários à reforma agrária, a elite educada em Viena favorável ao império, e sérvios, romênios e croatas, que não reconhecem a autoridade de Buda e Peste.

Em setembro de 1848, as forças leais a Viena invadem a Hungria, mas um exército improvisado consegue expulsar o invasor. Quando o imperador Francisco José ascende ao trono da Áustria, em 2 de dezembro 1848, renova a ofensiva para subjugar a Revolução Húngara e pede ajuda ao czar Nicolau I, da Rússia, para finalmente derrotar os nacionalistas.

A execução dos Mártires de Arad (na época parte do Reino da Hungria, hoje parte da Romênia) é um marco da derrota final da guerra pela independência e consolida o domínio do Império Austríaco sobre a Hungria. 

Duas décadas depois, diante da derrota para a Prússia em 1866, sob pressão da aristocracia húngara, surge a monarquia dual, o Império Austro-Húngaro para acomodar os interesses da Hungria. No fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18), os impérios Alemão, Austro-Húngaro, Russo e Otomano são dissolvidos.

ÁUSTRIA-HUNGRIA ANEXA BÓSNIA-HERZEGOVINA

    Em 1908, o Império Austro-Húngaro anuncia a anexação da Bósnia-Herzegovina, que formalmente está sob o controle do Império Otomano.

Desde o Congresso de Berlim, em 1878, a Áustria-Hungria controla a região. Uma revolta dos Jovens Turcos contra o Império Otomano cria a oportunidade para a Áustria-Hungria reafirmar seu controle sobre a região dos Bálcãs, sob protesto dos sérvios e do movimento pan-eslavista na Europa.

O assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, em Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, em 28 de junho de 1914, pelo estudante radical sérvio Gavrilo Princip é a causa imediata da Primeira Guerra Mundial (1914-18), que começa um mês depois.

GUERRA DO YOM KIPPUR

    Em 1973, durante o feriado religioso judaico do Dia do Perdão (Yom Kippur), mais de 100 mil soldados do Egito atravessem o Canal de Suez e invadem a Península do Sinai enquanto a Síria ataca em outra frente na maior empreitada militar árabe da era moderna. É o início da Guerra do Yom Kippur, uma tentativa de recuperar os territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Os Estados Unidos fazem então a maior ponte aérea militar da história, a Operação Nickel Grass. Durante 32 dias, entregam 22.325 toneladas de equipamentos, tanques, peças de artilharia, munição e peças de reposição para aviões a Israel diretamente no campo de batalha, a ponto do então ditador do Egito, Anuar Sadat, reclamar para o assessor de segurança nacional da Casa Branca, Henry Kissinger, que pode enfrentar Israel, mas não os EUA.

A confrontação entre as superpotências quase deflagra uma guerra nuclear. Quando Israel domina o espaço aéreo, cerca e ameaça destruir o 3º Exército do Egito no Sinai, a União Soviética entra em alerta nuclear e ameaça ir à guerra. É o único alerta nuclear da URSS durante a Guerra Fria.

Diante da impotência no campo de batalha, os países árabes, liderados pelo rei Faiçal, da Arábia Saudita, iniciam um embargo à venda de petróleo aos aliados de Israel, provocando a primeira crise do petróleo. Os preços do petróleo bruto quadruplicam. Nos países ocidentais, os motoristas fazem fila em postos de gasolina. Acaba a era dos carrões.

Quatro anos depois, seguindo conselho de Kissinger, Sadat rompe a aliança com a URSS, aproxima-se dos EUA, visita Israel e negocia a paz nos Acordos de Camp David como única maneira de recuperar o Sinai. Israel aceita porque o Egito tem o maior exército do mundo árabe e há um adágio no Oriente Médio que diz: "Não há guerra sem o Egito nem paz sem a Síria."

Nunca mais os países árabes realizaram um ataque conjunto contra Israel. Sadat e o primeiro-ministro israelense, Menachem Begin, ganham o Prêmio Nobel da Paz, mas o ditador egípcio paga com a vida.

A crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar brasileira, baseado em energia e mão de obra baratas. É o fim do milagre econômico e a origem da hiperinflação, herança maldita da ditadura militar que só seria debelada pelo Plano Real em 1994.

GANGUE DOS QUATRO PRESA

    Em 1976, depois da morte de Mao Tsé-tung, a Gangue ou Camarilha dos Quatro, da qual sua terceira mulher, Jiang Qing (pronuncia-se Chin), faz parte, cai em desgraça e é presa. É o fim da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76) na China.

Zhang, Wang, Jiang e Yao
Dentro da luta interna pelo poder dentro do regime com líderes como Liu Shaoqi, Deng Xiaoping e Peng Zhen, Mao lança a Revolução Cultural em 16 de maio de 1966. Sob pressão da intervenção militar dos Estados Unidos no vizinho Vietnã e da perseguição e massacre de comunistas na Indonésia, o Grande Timoneiro denuncia a infiltração de elementos burgueses no partido e na sociedade para restaurar o capitalismo por medo que a China seja o próximo alvo..

Mao convoca a juventude a "bombardear os quartéis-generais" porque "se revoltar é justificado". Armados com o Livro Vermelho de Mao, os guardas vermelhos percorrem o país impondo as ideias do livro. Professores, intelectuais e líderes do partido, inclusive o líder das reformas capitalistas iniciadas em 1978, Deng Xiaoping, e o pai do atual ditador, Xi Jinping, são enviados para reeducação pelos camponeses em fazendas coletivas.

Há uma total inversão de valores. Obras de artes e arquitetura são destruídas como símbolos do período imperial. O trânsito anda no sinal vermelho e pare no sinal verde. Jiang Qing cuida do setor cultural, decide o que os chineses podem ler, ver e ouvir.

Lin Biao, um marechal do Exército Popular de Libertação que comandara a guerra revolucionária no Nordeste da China e a intervenção chinesa na Guerra da Coreia (1950-53), é nomeado vice-presidente e sucessor de Mao. Mas também cai em desgraça, sob a acusação de tramar um golpe fracassado contra Mao e morre numa queda de avião suspeita em 13 de setembro de 1971, quando tenta fugir da China. 

A Revolução Cultural perde o ímpeto. Desde os incidentes de fronteira com a União Soviética, em 1969, quase uma guerra entre as duas grandes potências comunistas, os militares pedem ao partido o fim da anarquia interna. 

O risco de conflito com a URSS leva a uma aproximação com os EUA, com as visitas do assessor de segurança nacional Henry Kissinger e do presidente Richard Nixon à China.

Em 1972, a Gangue dos Quatro ascende ao poder e toma conta dos principais órgãos do partido a um nível que não se sabe se cumprem as ordens de Mao ou agem por conta própria. Alem de Madame Mao, fazem parte Zhang Chunqiao, Yao Wenyuan e Wang Hongwen. Todos se descatam em Xangai no início da Revolução Cultural.

Em 1973, o primeiro-ministro Chu Enlai, que aceita a Revolução Cultural mas nunca a apoia totalmente, é nomeado vice-presidente do Partido Comunista e reabilita Deng Xiaoping. A morte de Chu provoca o Incidente da Praça da Paz Celestial, dois dias de protestos, em 4 e 5 de abril de 1976, com 2 milhões de uma população que quer honrar um líder respeitado.

O Comitê Central do PC, dominado pela Gangue dos Quatro, considera as manifestações antirrevolucionárias, Sob a alegação de organizar os protestos, o vice-primeiro-ministro Deng é destituído e posto em prisão domiciliar. 

A morte de Mao, em 9 de setembro, é o golpe final na Gangue dos Quatro. No fim do mês, o novo líder, Hua Guofeng, critica o radicalismo dos meios de comunicação uma reunião do Politburo, o Birô Político do Comitê Central do partido. Madame Mao reage indignada e exige ser nomeada presidente do partido.

Em 4 de outubro, o grupo extremista adverte num jornal que qualquer reformista que interfira nos princípios estabelecidos [por Mao] "não vai terminar bem". A Gangue dos Quatro conta com um apoio militar que não tem.

Uma reunião de emergência do Politburo é convocada para 6 de outubro no Grande Salão do Povo com presença obrigatória. Quando entram pelas portas giratórias no vestíbulo do prédio, os membros da Gangue dos Quatro são presos um a um. Uma unidade especial vai à casa de Madame Mao para prendê-la.

Naquele noite, os propagandistas da Gangue dos Quatro na mídia e na universidade são presos. Os aliados da gangue em Xangai são convocados para uma reunião em Beijim e são presos. A tentativa de chegar ao poder absoluto chega ao fim. Wang Hongwen resiste e mata dois guardas que tentam prendê-lo.

No julgamento da Gangue dos Quatro, realizado em 1980 e 1981, Jiang Qing e Zhang Chunqiao são condenados à morte. Yao Wenyuan e Wang Hongwen pegam 20 anos de prisão.

Com o partido e a sociedade dilacerados pela Revolução Cultural, Deng percebe que a única ideia capaz de unir o partido e a sociedade é modernização. Ele lança o programa das quatro modernizações: agricultura, defesa, indústria, e ciência e tecnologia. Em discurso em 13 de dezembro de 1978, lança as reformas e a abertura econômica que tornam a China na segunda maior economia e na maior potência industrial do mundo.

ASSASSINATO DE SADAT

    Em 1981, durante uma festividade militar para comemorar o aniversário do início da Guerra do Yom Kippur, extremistas muçulmanos do grupo Jihad Islâmica metralham o palanque das autoridades e matam o ditador do Egito, Anuar Sadat, numa vingança porque ele fez a paz com Israel.

Os terroristas, liderados por Khaled el-Islambouli, tenente do Exército do Egito, param em frente ao palanque, dão tiros e jogam granadas contra o ditador e outras autoridades. Sadat leva quatro tiros e morre duas horas depois. Outras 10 pessoas morrem no atentado.

Em novembro, 25 pessoas vão a julgamento. Todos, inclusive o futuro líder da rede terrorista Al Caeda Ayman al-Zawahiri, admitem com orgulho sua participação. Islambouli e outros quatro são condenados à morte e executados. Os outros pegam diferentes penas de prisão.

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domingo, 6 de outubro de 2024

Hoje na História do Mundo: 6 de Outubro

 PAPA JULGADO APÓS A MORTE

    Em 891, Formoso é eleito papa. Ele seria julgado depois da morte no Sínodo do Cadáver, um dos atos mais bizarros da história da Igreja Católica.

O papa Nicolau I (858-867) o nomeia bispo e cardeal em 864 e o manda converter a Bulgária. Os papas Adriano II (867-872) e João VIII (872-882) o enviam em missões na França, mas Formoso cai em desgraça em 876, provavelmente por causa de um desentendimento em torno da coroação de Carlos II, do Sacro Império Romano-Germânico.

Formoso é reabilitado pelo papa Marinho I (882-884). Nos pontificados de Adriano III (884-885) e Estêvão V (885-891), a influência de Formoso cresce e é eleito sucessor. Para se livrar dos co-imperadores romano-germânicos Guido II de Spoleto e seu filho Lamberto II, Formoso convida Arnulfo da Caríntia, rei dos francos orientais, para invadir Roma.

Em 896, Formoso coroa Arnulfo como imperador do Sacro Império, mas ele tem uma paralisia quando se preparava para atacar Spoleto e volta para a Alemanha. Formoso morre em 4 de abril de 896 deixando o conflito em aberto.

Nove meses após sua morte, o cadáver de Formoso é exumado da cripta papal para ser colocado num trono e julgado no chamado Sínodo do Cadáver, convocado pelo papa Estêvão VI (896-897), com um diácono fazendo sua voz. 

Formoso é condenado por violar a lei canônica ao ser papa (bispo de Roma) já sendo bispo de Porto e perjúrio (mentir sob juramento). entre outros crimes contra a lei da Igreja. Sua eleição para papa é anulada e todos os seus atos como sumo pontífice são revogados. Seu corpo é enterrado e depois jogado no Rio Tibre.

O processo forjado causa uma revolta popular. Estêvão VI é preso e estrangulado, O papa Teodoro II (897), em seu pontificado de apenas 20 dias, restaura todas as ordenações de Formoso. E o papa João IX (898-900) condena o Sínodo do Cadáver e anula todas as suas atos.

MÁRTIRES DE ARAD

    Em 1849, a Áustria executa 13 generais (cinco húngaros, quatro alemães, dois armênios, um sérvio e um croata), os Mártires de Arad, por sua ação na Revolução Húngara (1848-49) contra o império dos Habsburgo, que domina a Hungria desde 1526. Cinco são fuzilados e oito morrem na forca.

Sob a inspiração da Revolução de 1848 na França e do nacionalismo húngaro, em 15 de março daquele ano, uma revolta popular pacífica liderada por poetas e intelectuais defende a independência da Hungria do governo imperial de Viena. Eles abolem a censura em Peste e fazem várias exigências.

Sob a liderança de Lajos Kossuth, líder da oposição nacionalista, o Parlamento aprova as Leis de Março, também chamadas de Leis de Abril, com medidas importantes como a generalização da cobrança de impostos, uma reforma agrária, a reformulação da câmara baixa do Parlamento em bases representativas e a restauração da integridade territorial da Hungria.

É o terceiro país da Europa a adotar eleições democráticas para o Parlamento, depois da França (1791) e da Bélgica (1831)

Mas o novo governo tem inimigos: conservadores contrários à reforma agrária, a elite educada em Viena favorável ao império e sérvios, romênios e croatas que não reconhecem a autoridade de Buda e Peste.

Em setembro de 1848, as forças leais a Viena invadem a Hungria, mas um exército improvisado consegue expulsar o invasor. Quando o imperador Francisco José ascende ao trono da Áustria, em 2 de dezembro 1848, renova a ofensiva para subjugar a Revolução Húngara e pede ajuda ao czar Nicolau I, da Rússia, para finalmente derrotar os nacionalistas.

A execução dos Mártires de Arad (na época parte do Reino da Hungria, hoje parte da Romênia) é um marco da derrota final da guerra pela independência e consolida o domínio do Império Austríaco sobre a Hungria. 

Duas décadas depois, diante da derrota para a Prússia em 1866, sob pressão da aristocracia húngara, surge a monarquia dual, o Império Austro-Húngaro para acomodar os interesses da Hungria. No fim da Primeira Guerra Mundial, os impérios Alemão, Austro-Húngaro, Russo e Otomano são dissolvidos.

ÁUSTRIA-HUNGRIA ANEXA BÓSNIA-HERZEGOVINA

    Em 1908, o Império Austro-Húngaro anuncia a anexação da Bósnia-Herzegovina, que formalmente estava sob o controle do Império Otomano.

Desde o Congresso de Berlim, em 1878, a Áustria-Hungria controla a região. Uma revolta dos Jovens Turcos contra o Império Otomano cria a oportunidade para a Áustria-Hungria reafirmar seu controle sobre a região dos Bálcãs, sob protesto dos sérvios e do movimento pan-eslavista na Europa.

O assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, em Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, em 28 de junho de 1914, pelo estudante radical sérvio Gavrilo Princip é a causa imediata da Primeira Guerra Mundial (1914-18), que começa um mês depois.

GUERRA DO YOM KIPPUR

    Em 1973, durante o feriado religioso judaico do Dia do Perdão (Yom Kippur), mais de 100 mil soldados do Egito atravessem o Canal de Suez e invadem a Península do Sinai enquanto a Síria ataca em outra frente na maior empreitada militar árabe da era moderna. É o início da Guerra do Yom Kippur, uma tentativa de recuperar os territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Os Estados Unidos fazem então a maior ponte aérea militar da história, a Operação Nickel Grass. Durante 32 dias, entregam 22.325 toneladas de equipamentos, tanques, peças de artilharia, munição e peças de reposição para aviões a Israel diretamente no campo de batalha, a ponto do então ditador do Egito, Anuar Sadat, reclamar que podia enfrentar Israel, mas não os EUA.

A confrontação entre as superpotências quase deflagra uma guerra nuclear. Quando Israel domina o espaço aéreo, cerca e ameaça destruir o 3º Exército do Egito no Sinai, a União Soviética entra em alerta nuclear e ameaça ir à guerra. É o único alerta nuclear da URSS durante a Guerra Fria.

Diante da impotência no campo de batalha, os países árabes, liderados pelo rei Faiçal, da Arábia Saudita, iniciam um embargo à venda de petróleo aos aliados de Israel, provocando a primeira crise do petróleo. Os preços do petróleo bruto quadruplicam. Nos países ocidentais, os motoristas fazem fila em postos de gasolina. Acaba a era dos carrões.

Quatro anos depois, Sadat rompe a aliança com a URSS, aproxima-se dos EUA, visita Israel e negocia a paz nos Acordos de Camp David como única maneira de recuperar o Sinai. Israel aceita porque o Egito tem o maior exército do mundo árabe e há um adágio no Oriente Médio que diz: "Não há guerra sem o Egito nem paz sem a Síria."

Nunca mais os países árabes realizaram um ataque conjunto contra Israel. Sadat e o primeiro-ministro israelense, Menachem Begin, ganham o Prêmio Nobel da Paz, mas o ditador egípcio paga com a vida.

A crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar brasileira, baseado em energia e mão de obra baratas. É o fim do milagre econômico e a origem da hiperinflação, herança maldita da ditadura militar que só seria debelada pelo Plano Real em 1994.

GANGUE DOS QUATRO PRESA

    Em 1976, depois da morte de Mao Tsé-tung, a Gangue ou Camarilha dos Quatro, da qual sua terceira mulher, Jiang Qing (pronuncia-se Chin), faz parte, cai em desgraça e é presa. É o fim da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76) na China.

Zhang, Wang, Jiang e Yao
Dentro da luta interna pelo poder dentro do regime com líderes como Liu Shaoqi, Deng Xiaoping e Peng Zhen, Mao lança a Revolução Cultural em 16 de maio de 1966. Sob pressão da intervenção militar dos Estados Unidos no vizinho Vietnã e da perseguição e massacre de comunistas na Indonésia, o Grande Timoneiro denuncia a infiltração de elementos burgueses no partido e na sociedade para restaurar o capitalismo.

Mao convoca a juventude a "bombardear os quartéis-generais" porque "se revoltar é justificado". Armados com o Livro Vermelho de Mao, os guardas vermelhos  Eles percorrem o país impondo as ideias do livro. Professores, intelectuais e líderes do partido, inclusive o líder das reformas capitalista, Deng Xiaoping, e o pai do atual ditador, Xi Jinping, são enviados para reeducação pelos camponeses em fazendas coletivas.

Há uma total inversão de valores. Obras de artes plásticas e arquitetura são destruídas como símbolos do período imperial. O trânsito anda no sinal vermelho e pare no sinal verde. Jiang Qing cuida do setor cultural, decide o que os chineses podem ler, ver e ouvir.

Lin Biao, um marechal do Exército Popular de Libertação que comandara a guerra revolucionária no Nordeste da China e a intervenção chinesa na Guerra da Coreia (1950-53), é nomeado vice-presidente e sucessor de Mao. Mas também cai em desgraça, sob a acusação de tramar um golpe fracassado contra Mao e morre numa queda de avião suspeita em 13 de setembro de 1971, quando tenta fugir da China. 

A Revolução Cultural perde o ímpeto. Desde os incidentes de fronteira com a União Soviética, em 1969, quase uma guerra entre as duas grandes potências comunistas, os militares pedem ao partido o fim da anarquia interna. 

O risco de conflito com a URSS leva a uma aproximação com os EUA, com as visitas do assessor de segurança nacional Henry Kissinger e do presidente Richard Nixon à China.

Em 1972, a Gangue dos Quatro ascende ao poder e toma conta dos principais órgãos do partido a um nível que não se sabe se cumprem as ordens de Mao ou agem por conta própria. Alem de Madame Mao, fazem parte Zhang Chunqiao, Yao Wenyuan e Wang Hongwen. Todos se descataram em Xangai no início da Revolução Cultural.

Em 1973, o primeiro-ministro Chu Enlai, que aceitou a Revolução Cultural mas nunca apoiou totalmente, é nomeado vice-presidente do Partido Comunista e reabilita Deng Xiaoping. A morte de Chu provoca o Incidente da Praça da Paz Celestial, dois dias de protestos, em 4 e 5 de abril de 1976, com 2 milhões de uma população que queria honrar um líder respeitado.

O Comitê Central do PC, dominado pela Gangue dos Quatro, considera as manifestações antirrevolucionárias, Sob a alegação de organizar os protestos, o vice-primeiro-ministro Deng é destituído e posto em prisão domiciliar. 

A morte de Mao, em 9 de setembro, é o golpe final na Gangue dos Quatro. No fim do mês, o novo líder, Hua Guofeng, critica o radicalismo dos meios de comunicação uma reunião do Politburo, o Birô Político do Comitê Central. Madame Mao reage indignada e exige ser nomeada presidente do partido.

Em 4 de outubro, o grupo extremista adverte num jornal que qualquer reformista que interfira nos principios estabelecidos [por Mao] "não vai terminar bem". A Gangue dos Quatro conta com um apoio militar que não tem.

Uma reunião de emergência do Politburo é convocada para 6 de outubro no Grande Salão do Povo com presença obrigatória. Quando entram pelas portas giratórias no vestíbulo do prédio, os membros da Gangue dos Quatro são presos um a um. Uma unidade especial vai à casa de Madame Mao para prendê-la.

Naquele noite, os propagandistas da Gangue dos Quatro na mídia e na universidade são presos. Os aliados da gangue em Xangai são convocados para uma reunião em Beijim e são presos. A tentativa de chegar ao poder absoluto chega ao fim. Wang Hongwen resiste e mata dois guardas que tentam prendê-lo.

No julgamento da Gangue dos Quatro, realizado em 1980 e 1981, Jiang Qing e Zhang Chunqiao são condenados à morte. Yao Wenyuan e Wang Hongwen pegam 20 anos de prisão.

Com o partido e a sociedade dilacerados pela Revolução Cultural, Deng percebe que a única ideia capaz de unir o partido e a sociedade é modernização. Ele lança o programa das quatro modernizações: agricultura, defesa, indústria, e ciência e tecnologia. Em discurso em 13 de dezembro de 1978, lança as reformas e a abertura econômica que tornam a China na segunda maior economia e na maior potência industrial do mundo.

ASSASSINATO DE SADAT

    Em 1981, durante uma festividade militar para comemorar o aniversário do início da Guerra do Yom Kippur, extremistas muçulmanos do grupo Jihad Islâmica metralham o palanque das autoridades e matam o ditador do Egito, Anuar Sadat, numa vingança porque ele fez a paz com Israel.

Os terroristas, liderados por Khaled el-Islambouli, tenente do Exército do Egito, param em frente ao palanque, dão tiros e jogam granadas contra o ditador e outras autoridades. Sadat leva quatro tiros e morre duas horas depois. Outras 10 pessoas morrem no atentado.

Em novembro, 25 pessoas vão a julgamento. Todos, inclusive o futuro líder da rede terrorista Al Caeda Ayman al-Zawahiri, admitem com orgulho sua participação. Islambouli e outros quatro são condenados à morte e executados. Os outros pegam diferentes penas de prisão.

sexta-feira, 6 de outubro de 2023

Hoje na História do Mundo: 6 de Outubro

PAPA JULGADO APÓS A MORTE

    Em 891, Formoso é eleito papa. Ele seria julgado depois da morte no Sínodo do Cadáver, um dos atos mais bizarros da história da Igreja Católica.

O papa Nicolau I (858-867) o nomeia bispo e cardeal em 864 e o manda converter a Bulgária. Os papas Adriano II (867-872) e João VIII (872-882) o enviam em missões na França, mas Formoso cai em desgraça em 876, provavelmente por causa de um desentendimento em torno da coroação de Carlos II, do Sacro Império Romano-Germânico.

Ele é reabilitado pelo papa Marinho I (882-884). Nos pontificados de Adriano III (884-885) e Estêvão V (885-891), a influência de Formoso cresce e é eleito sucessor. Para se livrar dos co-imperadores romano-germânicos Guido II de Spoleto e seu filho Lamberto II, Formoso convida Arnulfo da Caríntia, rei dos francos orientais, para invadir Roma.

Em 896, Formoso coroa Arnulfo como imperador do Sacro Império, mas ele tem uma paralisia quando se preparava para atacar Spoleto e volta para a Alemanha. Formoso morre em 4 de abril de 896 deixando o conflito em aberto.

Nove meses após sua morte, o cadáver de Formoso é exumado da cripta papal para ser colocado num trono julgado no chamado Sínodo do Cadáver, convocado pelo papa Estêvão VI (896-897), com um diácono fazendo sua voz. 

Formoso é condenado por violar a lei canônica ao ser papa (bispo de Roma) já sendo bispo de Porto e perjúrio (mentir sob juramento). entre outros crimes contra a lei da Igreja. Sua eleição para papa é anulada e todos os seus atos como sumo pontífice são revogados. Seu corpo é enterrado e depois jogado no Rio Tibre.

O processo forjado causa uma revolta popular. Estêvão VI é preso e estrangulado, O papa Teodoro II (897), em seu pontificado de apenas 20 dias, restaura todas as ordenações de Formoso. E o papa João IX (898-900) condena o Sínodo do Cadáver e anula todas as suas atos.

MÁRTIRES DE ARAD

    Em 1849, a Áustria executa 13 generais (cinco húngaros, quatro alemães, dois armênios, um sérvio e um croata), os Mártires de Arad, por sua ação na Revolução Húngara (1848-49) contra o império dos Habsburgo, que domina a Hungria desde 1526. Cinco são fuzilados e oito morrem na forca.

Sob a inspiração da Revolução de 1848 na França e do nacionalismo húngaro, em 15 de março daquele ano, uma revolta popular pacífica liderada por poetas e intelectual defende a independência da Hungria do governo imperial de Viena. Eles abolem a censura em Peste e fazem várias exigências.

Sob a liderança de Lajos Kossuth, líder da oposição nacionalista, o Parlamento aprova as Leis de Março, também chamadas de Leis de Abril, com medidas importantes como a generalização da cobrança de impostos, uma reforma agrária, a reformulação da câmara baixa do Parlamento em bases representativas e a restauração da integridade territorial da Hungria.

É o terceiro país da Europa a adotar eleições democráticas para o Parlamento, depois da França (1791) e da Bélgica (1831)

Mas o novo governo tem inimigos: conservadores contrários à reforma agrária, a elite educada em Viena favorável ao império e sérvios, romênios e croatas que não reconhecem a autoridade de Buda e Peste.

Em setembro de 1848, as forças leais a Viena invadem a Hungria, mas um exército improvisado consegue expulsar o invasor. Quando o imperador Francisco José ascende ao trono da Áustria, em 2 de dezembro 1848, renova a ofensiva para subjugar a Revolução Húngara e pede ajuda ao czar Nicolau I, da Rússia, para finalmente derrotar os nacionalistas.

A execução dos Mártires de Arad (na época parte do Reino da Hungria, hoje parte da Romênia) é um marco da derrota final da guerra pela independência e consolida o domínio do Império Austríaco sobre a Hungria. 

Duas décadas depois, diante da derrota para a Prússia em 1866, sob pressão da aristocracia húngara, surge a monarquia dual, o Império Austro-Húngaro para acomodar os interesses da Hungria. No fim da Primeira Guerra Mundial, os impérios Alemão, Austro-Húngaro, Russo e Otomano são dissolvidos.

ÁUSTRIA-HUNGRIA ANEXA BÓSNIA-HERZEGOVINA

    Em 1908, o Império Austro-Húngaro anuncia a anexação da Bósnia-Herzegovina, que formalmente estava sob o controle do Império Otomano.

Desde o Congresso de Berlim, em 1878, a Áustria-Hungria controla a região. Uma revolta dos Jovens Turcos contra o Império Otomano cria a oportunidade para a Áustria-Hungria reafirmar seu controle sobre a região dos Bálcãs, sob protesto dos sérvios e do movimento pan-eslavista na Europa.

O assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, em Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, em 28 de junho de 1914, pelo estudante radical sérvio Gavrilo Princip é a causa imediata da Primeira Guerra Mundial (1914-18), que começa um mês depois.

GUERRA DO YOM KIPPUR

    Em 1973, durante o feriado religioso do Dia do Perdão (Yom Kippur), mais de 100 mil soldados do Egito atravessem o Canal de Suez e invadem a Península do Sinai enquanto a Síria ataca em outra frente na maior empreitada militar árabe da era moderna, dando início à Guerra do Yom Kippur, numa tentativa de recuperar os territórios ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Os Estados Unidos fazem então a maior ponte aérea militar da história, a Operação Nickel Grass. Durante 32 dias, entregam 22.325 toneladas de equipamentos, tanques, peças de artilharia, munição e peças de reposição para aviões a Israel diretamente no campo de batalha, a ponto do então ditador do Egito, Anuar Sadat, reclamar que podia enfrentar Israel, mas não os EUA.

A confrontação entre as superpotências quase deflagra uma guerra nuclear. Quando Israel domina o espaço aéreo, cerca e ameaça destruir o 3º Exército do Egito no Sinai, a União Soviética entra em alerta nuclear e ameaça ir à guerra. É o único alerta nuclear da URSS durante a Guerra Fria.

Diante da impotência no campo de batalha, os países árabes, liderados pelo rei Faissal, da Arábia Saudita, iniciam um embargo à venda de petróleo aos aliados de Israel, provocando a primeira crise do petróleo. Os preços do petróleo bruto quadruplicam. Nos países ocidentais, os motoristas fazem fila em postos de gasolina. Acaba a era dos carrões.

Quatro anos depois, Sadat rompe a aliança com a URSS, aproxima-se dos EUA, visita Israel e negocia a paz nos Acordos de Camp David como única maneira de recuperar o Sinai. Israel aceita porque o Egito tem o maior exército do mundo árabe e há um adágio no Oriente Médio que diz: "Não há guerra sem o Egito nem paz sem a Síria."

Nunca mais os países árabes realizaram um ataque conjunto contra Israel. Sadat e o primeiro-ministro israelense, Menachem Begin ganham o Prêmio Nobel da Paz, mas o ditador egípcio paga com a vida.

A crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar brasileira, baseado em energia e mão de obra baratas. É o fim do milagre econômico e a origem da hiperinflação, herança maldita da ditadura militar que só seria debelada pelo Plano Real em 1994.

GANGUE DOS QUATRO PRESA

    Em 1976, depois da morte de Mao Tsé-tung, a Gangue ou Camarilha dos Quatro, da qual sua terceira mulher, Jiang Qing (pronuncia-se Chin), faz parte, cai em desgraça e é presa. É o fim da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76) na China.

Zhang, Wang, Jiang e Yao
Dentro da luta interna pelo poder dentro do regime com líderes como Liu Shaoqi, Deng Xiaoping e Peng Zhen, Mao lança a Revolução Cultural em 16 de maio de 1966. Sob pressão da intervenção militar dos Estados Unidos no vizinho Vietnã e da perseguição e massacre de comunistas na Indonésia, o Grande Timoneiro denuncia a infiltração de elementos burgueses no partido e na sociedade para restaurar o capitalismo.

Mao convoca a juventude a "bombardear os quartéis-generais" porque "se revoltar é justificado". Armados com o Livro Vermelho de Mao, os guardas vermelhos  Eles percorrem o país impondo as ideias do livro. Professores, intelectuais e líderes do partido, inclusive o líder das reformas capitalista, Deng Xiaoping, e o pai do atual ditador, Xi Jinping, são enviados para reeducação pelos camponeses em fazendas coletivas.

Há uma total inversão de valores. Obras de artes plásticas e arquitetura são destruídas como símbolos do período imperial. O trânsito anda no sinal vermelho e pare no sinal verde. Jiang Qing cuida do setor cultural, decide o que os chineses podem ler, ver e ouvir.

Lin Biao, um marechal do Exército Popular de Libertação que comandara a guerra revolucionária no Nordeste da China e a intervenção chinesa na Guerra da Coreia (1950-53), é nomeado vice-presidente e sucessor de Mao. Mas também cai em desgraça, sob a acusação de tramar um golpe fracassado contra Mao e morre numa queda de avião suspeita em 13 de setembro de 1971, quando tenta fugir da China. 

A Revolução Cultural perde o ímpeto. Desde os incidentes de fronteira com a União Soviética, em 1969, quase uma guerra entre as duas potências comunistas, os militares pedem ao partido o fim da anarquia interna. 

O risco de conflito com a URSS leva a uma aproximação com os EUA, com as visitas do assessor de segurança nacional Henry Kissinger e do presidente Richard Nixon à China.

Em 1972, a Gangue dos Quatro ascende ao poder e toma conta dos principais órgãos do partido a um nível que não se sabe se cumpriam as ordens de Mao ou agiam por conta própria. Alem de Madame Mao, fazem parte Zhang Chunqiao, Yao Wenyuan e Wang Hongwen. Todos se descataram em Xangai no início da Revolução Cultural.

Em 1973, o primeiro-ministro Chu Enlai, que aceitou a Revolução Cultural mas nunca apoiou totalmente, é nomeado vice-presidente do Partido Comunista e reabilita Deng Xiaoping. A morte de Chu provoca o Incidente da Praça da Paz Celestial, dois dias de protestos, em 4 e 5 de abril de 1976, com 2 milhões de uma população que queria honrar um líder respeitado.

O Comitê Central do PC, dominado pela Gangue dos Quatro, considera as manifestações antirrevolucionárias, Sob a alegação de organizar os protestos, o vice-primeiro-ministro Deng é destituído e posto em prisão domiciliar. 

A morte de Mao, em 9 de setembro, é o golpe final na Gangue dos Quatro. No fim do mês, o novo líder, Hua Guofeng, critica o radicalismo dos meios de comunicação uma reunião do Politburo, o Birô Político do Comitê Central. Madame Mao reage indignada e exige ser nomeada presidente do partido.

Em 4 de outubro, o grupo extremista adverte num jornal que qualquer reformista que interfira nos principios estabelecidos [por Mao] "não vai terminar bem". A Gangue dos Quatro conta com um apoio militar que não tem.

Uma reunião de emergência do Politburo é convocada para 6 de outubro no Grande Salão do Povo com presença obrigatória. Quando entram pelas portas giratórias no vestíbulo do prédio, os membros da Gangue dos Quatro são presos um a um. Uma unidade especial vai à casa de Madame Mao para prendê-la.

Naquele noite, os propagandistas da Gangue dos Quatro na mídia e na universidade são presos. Os aliados da gangue em Xangai são convocados para uma reunião em Beijim e são presos. A tentativa de chegar ao poder absoluto chega ao fim. Wang Hongwen resiste e mata dois guardas que tentam prendê-lo.

No julgamento da Gangue dos Quatro, realizado em 1980 e 1981, Jiang Qing e Zhang Chunqiao são condenados à morte. Yao Wenyuan e Wang Hongwen pegam 20 anos de prisão.

Com o partido e a sociedde dilacerados pela Revolução Cultural, Deng percebe que a única ideia capaz de unir o partido e a sociedade é modernização. Ele lança o programa das quatro modernizações: agricultura, defesa, indústria, e ciência e tecnologia. Em discurso em 13 de dezembro de 1978 lança as reformas e a abertura econômica que tornaram a China na segunda maior economia e na maior potência industrial do mundo.

ASSASSINATO DE SADAT

    Em 1981, durante uma festividade militar para comemorar o aniversário do início da Guerra do Yom Kippur, extremistas muçulmanos do grupo Jihad Islâmica metralham o palanque das autoridades e matam o ditador do Egito, Anuar Sadat, numa vingança porque ele fez a paz com Israel.

Os terroristas, liderados por Khaled el-Islambouli, tenente do Exército do Egito, param em frente ao palanque, dão tiros e jogam granadas contra o ditador e outras autoridades. Sadat leva quatro tiros e morre duas horas depois. Outras 10 pessoas morrem no atentado.

Em novembro, 25 pessoas vão a julgamento. Todos, inclusive o futuro líder da rede terrorista Al Caeda Ayman al-Zawahiri, admitem com orgulho sua participação. Islambouli e outros quatro são condenados à morte e executados. Os outros pegam diferentes penas de prisão.

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Hoje na História do Mundo: 6 de Outubro

 ÁUSTRIA-HUNGRIA ANEXA BÓSNIA-HERZEGOVINA

    Em 1908, o Império Austro-Húngaro anuncia a anexação da Bósnia-Herzegovina, que formalmente estava sob o controle do Império Otomano.

Desde o Congresso de Berlim, em 1878, a Áustria-Hungria controla a região. Uma revolta dos Jovens Turcos contra o Império Otomano cria a oportunidade para a Áustria-Hungria reafirmar seu controle sobre a região dos Bálcãs, sob protesto dos sérvios e do movimento pan-eslavista na Europa.

O assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, em Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, em 28 de junho de 1914, pelo estudante radical sérvio Gavrilo Princip é a causa imediata da Primeira Guerra Mundial (1914-18), que começa um mês depois.

GUERRA DO YOM KIPPUR

    Em 1973, durante o feriado religioso do Dia do Perdão (Yom Kippur), mais de 100 mil soldados do Egito atravessem o Canal de Suez e invadem a Península do Sinai enquanto a Síria ataca em outra frente na maior empreitada militar árabe da era moderna, dando início à Guerra do Yom Kippur, numa tentativa de recuperar os territórios ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Os Estados Unidos fazem então a maior ponte aérea militar da história, a Operação Nickel Grass. Durante 32 dias, entregam 22.325 toneladas de equipamentos, tanques, peças de artilharia, munição e peças de reposição para aviões a Israel diretamente no campo de batalha, a ponto do então ditador do Egito, Anuar Sadat, reclamar que podia enfrentar Israel, mas não os EUA.

A confrontação entre as superpotências quase deflagra uma guerra nuclear. Quando Israel domina o espaço aéreo, cerca e ameaça destruir o 3º Exército do Egito no Sinai, a União Soviética entra em alerta nuclear e ameaça ir à guerra. É o único alerta nuclear da URSS durante a Guerra Fria.

Diante da impotência no campo de batalha, os países árabes, liderados pelo rei Faissal, da Arábia Saudita, iniciam um embargo à venda de petróleo aos aliados de Israel, provocando a primeira crise do petróleo. Os preços do petróleo bruto quadruplicam. Nos países ocidentais, os motoristas fazem fila em postos de gasolina. Acaba a era dos carrões.

Quatro anos depois, Sadat rompe a aliança com a URSS, aproxima-se dos EUA, visita Israel e negocia a paz nos Acordos de Camp David como única maneira de recuperar o Sinai. Israel aceita porque o Egito tem o maior exército do mundo árabe e há um adágio no Oriente Médio que diz: "Não há guerra sem o Egito nem paz sem a Síria."

Nunca mais os países árabes realizaram um ataque conjunto contra Israel. Sadat e o primeiro-ministro israelense, Menachem Begin ganham o Prêmio Nobel da Paz, mas o ditador egípcio paga com a vida.

A crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar brasileira, baseado em energia e mão de obra baratas. É o fim do milagre econômico e a origem da hiperinflação, herança maldita da ditadura militar que só seria debelada pelo Plano Real em 1994.

ASSASSINATO DE SADAT

    Em 1981, durante uma festividade militar para comemorar o aniversário do início da Guerra do Yom Kippur, extremistas muçulmanos do grupo Jihad Islâmica metralham o palanque das autoridades e matam o ditador do Egito, Anuar Sadat, numa vingança porque ele fez a paz com Israel.

Os terroristas, liderados por Khaled el-Islambouli, tenente do Exército do Egito, param em frente ao palanque, dão tiros e jogam granadas contra o ditador e outras autoridades. Sadat leva quatro tiros e morre duas horas depois. Outras 10 pessoas morrem no atentado.

Em novembro, 25 pessoas vão a julgamento. Todos, inclusive o futuro líder da rede terrorista Al Caeda Ayman al-Zawahiri, admitem com orgulho sua participação. Islambouli e outros quatro são condenados à morte e executados. Os outros pegam diferentes penas de prisão.

domingo, 17 de outubro de 2021

Hoje na História do Mundo: 17 de Outubro

AL CAPONE NA CADEIA

    Em 1931, o gângster Al Capone é sentenciado a 11 anos de prisão e multa de US$ 80 mil, no fim de uma carreira de crimes como o mafioso mais famoso da história dos Estados Unidos.

Filho de imigrantes italianos, Alphonse Gabriel Capone nasce no Brooklyn, em Nova York, em 1899. Expulso da escola aos 14 anos, entra para uma gangue e recebe o apelido de Scarface (Cicatriz na face) depois de sofrer um corte no queixo numa briga.

Em 1920, Capone se muda para Chicago, onde administra os negócios do mafioso Johnny Torrio, que incluem , jogo, prostituição e contrabando de álcool durante a Lei Seca (1920-33). Quando Torrio deixa os negócios depois ser alvo de uma tentativa de homicídio, Capone toma conta a organização mafioso.

A Lei Seca, que proíbe a fabricação, distribuição e venda de bebidas alcoólicas, cria um negócio clandestino que rende milhões de dólares de lucro para o crime organizado.

Ao eliminar seus adversários numa série de batalhas de gangues e assassinatos, entre eles o Massacre do Dia de São Valentin, em 14 de fevereiro de 1929, quando seus capangas matam sete rivais, Al Capone torna-se o poderoso chefão da máfia de Chicago.

Em 1930, Capone está no topo da lista de procurados pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, mas consegue ficar livre por subornar policiais, intimidar testemunhas e mudar de esconderijo.

Seu maior inimigo é o policial federal Elliot Ness, líder de um grupo de agentes conhecidos como Intocáveis. Eles acabam com o negócio de bebidas alcoólicas do chefão, mas só conseguem uma condenação por evasão fiscal.

Al Capone começa a cumprir pena numa penitenciária federal de Atlanta, na Geórgia. Sob suspeita de manipular o sistema, é transferido para a prisão de segurança máxima da Ilha de Alcatraz, em São Francisco da Califórnia.

Ele é solto em 1939 por bom comportamento depois de ficar um ano num hospital com sífilis e morre em 1947 aos 48 anos em Palm Islands, na Flórida, sem pagar por todos os seus crimes.

PERÓN VOLTA NOS BRAÇOS DO POVO

    Em 1945, nove dias depois de ser demitido e preso num golpe militar, sob intensa pressão popular liderada pelos sindicatos, o vice-presidente e ministro do Trabalho, coronel Juan Domingo Perón, reassume os cargos e faz seu primeiro discurso na sacada da Casa Rosada, sede do governo da República Argentina, diante de 300 mil pessoas, com transmissão de rádio para todo o país, ao lado de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita

É o Dia da Lealdade, marco inicial do movimento peronista. Quatro meses depois, em 24 de fevereiro de 1946, Perón é eleito com 52,5% dos votos para um mandato de seis anos. Reeleito em 11 de novembro de 1951, quando as mulheres votam pela primeira vez na Argentina, tem o mandato interrompido por um golpe militar em 16 de setembro de 1955.

Perón vai para o exílio e só volta em 20 de junho de 1973 para ser eleito para um terceiro mandato em 23 de setembro, tendo sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita. Toma posse em 12 de outubro e governa até a morte, em 1º de julho de 1974. Deixa o país no caos, à beira da guerra civil, com uma presidente fraca, derrubada pelo golpe de 24 de março de 1976, marco do início da guerra suja em que morreram 30 mil argentinos .

OPEP EMBARGA PETRÓLEO

    Em 1973, sob a liderança da Arábia Saudita, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decide parar de exportar petróleo para os Estados Unidos e outros países que apoiaram Israel na Guerra do Yom Kippur, deflagrando a primeira crise do petróleo.

A proposta era reduzir a venda de  em 5% ao mês até a retirada total d Israel dos territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis, em 1967: a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; a Cisjordânia, da Jordânia; e as Colinas do Golã, da Síria.

Em dezembro, a OPEP impõe um embargo total aos EUA e outros aliados de Israel, agravando a situação dos países dependentes do petróleo importado, inclusive o Brasil.

A OPEP é fundada em 1960 pela Arábia Saudita, o Irã, o Iraque, o Kuwait e a Venezuela para aumentar os preços do petróleo, mas tem pouca influência no preço, que fica entre 2 e 3 dólares por barril. Quando começa a Guerra do Yom Kippur, com uma invasão dos territórios ocupados por Israel e a Síria, a OPEP está reunida em Viena, na Áustria.

Os EUA, principais aliados de Israel, faz então a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22.325 toneladas de equipamento às forças israelenses no campo de batalha. O ditador do Egito, Anuar Sadat, protesta, alegando que pode enfrentar Israel, mas não os EUA.

Com a vitória de Israel praticamente assegurada, os países árabes decidem usar o petróleo como arma de guerra. Em dezembro, impõem um embargo total aos EUA. Os preços do petróleo quadruplicam para US$ 12 por barril, causando escassez, racionamento e fila nos postos de gasolina.

Este aumento de preços viabiliza a exploração de petróleo no mar e a Petrobrás se torna uma das empresas mais eficientes na tecnologia de produção offshore

Mesmo assim, como o Brasil importa 75% do petróleo que consome, a crise do petróleo acaba com o modelo econômica da ditadura militar, com o milagre econômico que faz a economia do país crescer acima de 10% no início dos anos 1970, no período mais duro da repressão.

Em 1974, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "distensão, lenta, gradual e segura", que leva ao fim do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 1978 e à anistia parcial em 1979.

A Revolução Islâmica no Irã, em fevereiro de 1979, gera uma segunda crise do petróleo. As sucessivas crises estão na origem da hiperinflação brasileira, que só é debelada em 1994 com o Plano Real.

FORD EXPLICA PERDÃO A NIXON

    Em 1974, o presidente Gerald Ford justifica perante o Congresso a decisão de perdoar o ex-presidente Richard Nixon por quaisquer crimes cometidos no exercício da Presidência dos Estados Unidos.

Ao assumir a presidência em 9 de agosto daquele ano, no dia seguinte à renúncia de Nixon, Ford declara que "o longo pesadelo nacional acabou". Falava do Escândalo de Watergate, uma invasão da sede do Partido Democrata em Washington pela equipe de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de escuta durante a campanha eleitoral de 1972 que implicou o presidente e seus principais assessores.

Diante da iminência de um processo de impeachment por abuso de poder e obstrução de justiça, depois de perder o apoio do Partido Republicano quando gravações provam as tentativas de atrapalhar as investigações, Nixon renuncia, mas isso não acaba com os inquéritos abertos no Congresso, que podem resultar em processos criminais.

Ford é o único presidente não eleito da história dos EUA. O vice-presidente Spiro Agnew havia renunciado em meio a escândalos de corrupção. Ford era o presidente da Câmara e por isso o primeiro na linha sucessória.

Um mês depois de assumir, em 8 de setembro, Ford perdoa Nixon. Ao se explicar, alegou que era importante para pacificar o país e enterrar de vez Watergate, com o propósito de "mudar o foco nacional... para desviar nossa atenção de um presidente que caiu para as necessidades urgentes da nação".

"As paixões geradas" por um processo contra Nixon, acrescenta Ford, "perturbaria seriamente a cicatrização das feridas do passado".

O novo presidente afirma que, "em geral, o povo americano é poupar o ex-presidente de um processo criminal" e que livrar Nixon "não vai causar o esquecimento do mal dos crimes cometidos em Watergate nem das lições que aprendemos."

TERREMOTO ABALA SÃO FRANCISCO

    Em 1989, o Terremoto de Loma Prieta, de 7,1 graus de magnitude na escala aberta de Richter, um dos mais destrutivos da história dos EUA, atinge a área da Baía de São Francisco, mata 67 pessoas e deixa prejuízos no valor de US$ 5 bilhões.

São Francisco fica perto da Falha de Santo André, que corre ao longo da costa da Califórnia, no encontro das placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte.

Uma das partidas das finais do campeonato nacional de beisebol dos EUA, entre San Francisco Giants e Oakland Athletics, está prestes a começar quando a terra treme, com epicentro nas Montanhas de Santa Cruz. O estádio de Candlestick Park resiste, mas o resto da cidade sofre.

Na Ponte da Baía, entre São Francisco e Oakland, e na Via Expressa Nimitz, uma pista desaba sobre a outra. Das 67 mortes, 41 ocorrem na Via Expressa Nimitz. A destruição também é grande em Watsonville, onde mais de 10% das casas foram totalmente destruídas, Palo Alto e Daly City.

O terremoto contribui para a profunda recessão que atinge a Califórnia, uma das maiores economias do mundo, nos anos 1990. A cidade havia passado pelo Grande Terremoto de São Francisco, de 7,9 graus na escala Richter, em 18 de abril de 1906. Mais de 3 mil pessoas morreram, 80% da cidade foram arrasados e 225 mil ficaram sem teto.