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domingo, 25 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 25 de Janeiro

 IMPERADOR CLÁUDIO

    Em 41 depois de Cristo, Cláudio se torna o quarto imperador romano, sucedendo a seu sobrinho Calígula. No seu reinado, o Império Romano estende seus domínios ao Norte da África e conquista o que hoje é a Inglaterra.

Tibério Cláudio Druso Nero Germânico nasce em Lugdnum, hoje Lyon, na Gália, agora parte da França, em 1º de agosto do ano 10 da era cristã, filho de Nero Cláudio Druso, um importante general do Império Romano. É sobrinho do imperador Tibério.

Manco e gago, ele fica longe da vida pública até o imperador Calígula, seu sobrinho, o nomear cônsul e senador. O historiador Tito Lívio, contratado como seu tutor, o incentiva a estudar história. Quando a guarda pretoriana mata Calígula, o encontra escondido atrás de uma cortina com medo de também ser morto.

Único homem adulto da família, debilitado fisicamente e sem experiência política, Cláudio é proclamado imperador talvez na expectativa de que será facilmente manipulado.

Apesar de estigmatizado pela própria mãe, Cláudio torna-se um aluno brilhante, um bom governante e estrategista militar amado pelo povo. Durante seu reinado o Império Romano tem uma expansão como não vê desde Augusto (27 AC-14 DC). Ele conquista a Trácia, a Nórica, a Panfília, a Lícia, a Judeia e a Britânia, que Júlio César não conseguira quase um século antes. 

Sua terceira mulher, Valéria Messalina, poderosa e influente, passa à história com fama de promíscua. Acusada de conspirar contra o marido, é presa e executada em 48. De acordo com o historiador Tácito, organizou uma cerimônia pública de casamento com seu amante, Caio Sílio. Talvez por um viés político, seu nome vira sinônimo de prostituta.

Cláudio casa então com a sobrinha Agripina, o que contraria a lei romana, alterada para permitir o casamento. Ele é assassinado por envenenamento, possivelmente por cogumelos e supostamente instigado pela mulher, em 13 de agosto de 54. É sucedido por Nero, último imperador da dinastia júlio-claudiana.

ELEITO O ANTIPAPA

    Em 844, um arquidiácono romano chamado João é eleito Antipapa João VIII contra o candidato da nobreza, o papa Sérgio II (844-847).

João tem o apoio popular. Ele se retira para o Palácio de Latrão e Sérgio II é consagrado sem a intervenção do imperador do Sacro Império Romano-Germânico. O novo papa protege João de tentativas de assassinato e o aprisiona em um mosteiro. Nunca mais se ouve falar dele.

Em junho, Sérgio II presta juramento de lealdade a Lotário I (822-855), o terceiro imperador do Sacro Império, e é confirmado como chefe da Igreja Católica Apostólica Romana. Durante seu pontificado, os muçulmanos desembarcam em Óstia, assediam Roma e saqueiam a Basílica de São Pedro.

SEGUNDO CASAMENTO DE HENRIQUE VIII

    Em 1533, Henrique VIII se casa secretamente com Ana Bolena para tentar ter um filho homem depois de se separar de Catarina de Aragão, o que o leva a romper com o Vaticano e criar a Igreja da Inglaterra, com os mesmos rituais católicos, em 1534. É uma decisão mais política do que teológica.

Henrique VIII nasce em Greenwich em 28 de junho de 1991. É filho de Henrique Tudor, que derrota o rei usurpador Ricardo III na Batalha de Bosworth, em 22 de agosto de 1485, e vence a Guerra das Duas Rosas (1455-1487), a guerra entre as dinastias de Lancaster e York, herdeiras de Eduardo III, e se torna Henrique VII, o primeiro rei da dinastia Tudor.

A grande preocupação de Henrique VIII é ter um filho homem para evitar uma guerra de príncipes pela sucessão. Mas Catarina de Aragão, filha dos reis católicos da Espanha, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, lhe dá uma filha mulher, Maria Tudor, futura Maria I.

Ele se divorcia de Catarina de Aragão, motivo do rompimento com a Igreja Católica, para se casar com Ana Bolena, que lhe dá outra filha mulher, Elizabeth I, a mulher mais poderosa da história da Inglaterra. Tem seis mulheres. A terceira, Jane Seymour, lhe dá o filho homem, Eduardo VI.

Ana Bolena é acusada de traição e decapitada na Torre de Londres em 19 de maio de 1536. Quando Henrique VIII morre, em 28 de janeiro de 1547, o único filho legítimo homem, Eduardo VI, ascende ao trono com nove anos. Com a saúde frágil, morre aos 15 nos, em 6 de julho de 1553. É sucedido por Lady Jane Gray, filha de uma irmã de Henrique VIII, a Rainha dos Nove Dias, derrubada e executada.

Quem herda o trono é Maria I, a primeira mulher a reivindicar com sucesso o trono da Inglaterra. Ele se casa com Felipe II, da Espanha, filho de Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico, mas não tem filhos. Católica, tenta reverter a Reforma Protestante na Inglaterra. 

Maria I morre em 17 de novembro de 1558. É sucedida por Elizabeth I, filha de Ana Bolena, que retoma a Reforma Protestante e começa a construir o Império Britânico. Conhecida como a Rainha Virgem, morre sem deixar filhos em 1603. 

Elizabeth I é sucedida por Jaime I da Inglaterra e Jaime VI da Escócia, católico, filho de sua inimiga Maria Stuart, que manda construir um túmulo para a mãe na Abadia de Westminster do mesmo nível do de Elizabeth I.

O conflito entre católicos e protestantes leva à Guerra Civil Inglesa do século 17. Carlos I, filho de Jaime I, é decapitado em 30 de janeiro de 1649, início de um breve período republicano na história da Inglaterra. A guerra civil só termina mesmo com a Revolução Gloriosa (1688-89), que produz a Declaração de Direitos de 1689, estabelece a supremacia do Parlamento e torna a Inglaterra numa monarquia constitucional.

FUNDAÇÃO DE SÃO PAULO

    Em 1554, os padres jesuítas Manuel da Nóbre e José de Anchieta e o cacique Tibiriça fundam uma missão e uma escola que dão origem à cidade de São Paulo no dia da conversão de São Paulo. O Pátio do Colégio é o primeiro assentamento no planalto brasileiro.

No fim do século 16, a povoação em apenas 300 habitantes, na maioria pobres do Sul de Portugal. A prosperidade começa no século 17 com a exploração do interior pelos bandeirantes em busca de ouro, prata, diamantes e indígenas para escravizar.

Em 1711, São Paulo se torna uma cidade. A descoberta de ouro e diamantes na Colônia em Minas Gerais estimula a imigração europeia e muda o eixo econômico do Nordeste para o Sudeste do Brasil.

O imperador Pedro I proclama a independência em 7 de setembro de 1822 às margens do Riacho Ipiranga dando a São Paulo um lugar proeminente na história do Brasil. Em 1840, a cidade tem cerca de 20 mil habitantes concentrados na área do Vale do Anhangabaú. Um mercado municipal é construído em 1867.

A riqueza começa com o ciclo do café, que se torna o principal produto de exportação do Brasil, atraindo imigrantes, principalmente italianos, que são 600 mil dos 900 mil estrangeiros atraídos pelo país entre 1888 e 1900. Também chegam portugueses, espanhóis, alemães, europeus-orientais, sírios, libaneses e japoneses, que transformam São Paulo na potência econômica que é hoje.

O Viaduto do Chá, sobre o Vale do Anhangabaú, é construído em 1892. O prefeito Antônio Prado (1899-1911) alarga ruas, constrói novas praças e conclui a espetacular Estação da Luz, um dos símbolos da cidade. Os barões do café constroem mansões na Avenida Paulista. 

Em 1905, fábricas de tecidos e sapatos ocupam os bairros do Brás, Bom Retiro, Mooca, Água Branca e Ipiranga.

A Semana de Arte Moderna de 1922 é um marco da história do modernismo no Brasil. Consagra São Paulo como o centro cultural que é hoje. 

Em 1960, quando a capital é transferida do Rio de Janeiro para Brasília, São Paulo já é a maior cidade do Brasil e se consolida como um dos maiores centro de desenvolvimento urbano do mundo. Mas o crescimento urbano é caótico. Só em 1972 são aprovadas leis de zoneamento.

Hoje a cidade de São Paulo tem 11,451 milhões de habitantes, o mesmo que 2.534 municípios brasileiros, de acordo com o Censo de 2022. A região metropolitana tem 21,9 milhões de habitantes. 

MADAME MAO CONDENADA

    Em 1981, a viúva de Mao Tsé-tung, Jiang Ching, é condenada à morte por "crimes contrarrevolucionários" cometidos durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76) na China.

A atriz e quarta mulher de Mao, o líder da revolução comunista chinesa, nasce pobre em Zhucheng em 19 de março de 1914, filha natural de um carpinteiro violento e alcoólatra e sua concubina. É batizada Li Shu-meng. Ao longo da vida, adota vários pseudônimos.

Quando criança, começa a fazer teatro comunitário. Ele se casa com um comerciante, se divorcia e aí começa a namorar um membro do Partido Comunista, que é perseguido pelo partido nacionalista Kuomintang (KMT) durante a guerra civil.

Em 1934, a futura Madame Mao vai para Xangai, a maior e mais cosmopolita cidade chinesa, perseguir o sonho de fazer cinema. Presa por ser comunista, fica meses na cadeia. Ao sair, muda o nome para Lan Ping (Maçã Azul).

Jiang consegue um papel de protagonista como Nora na peça A Casa dos Bonecas, do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, mas não impressiona os produtores de cinema. Nessa época, ela se apaixona pelo ator e diretor Tang Na, com quem tem um casamento conturbado. Eles se divorciam em 1937.

De acordo com o historiador australiano Ross Terrill, biógrafo de Madame Mao: o diabo de ossos brancos, nessa época ela levava uma vida burguesa e decadente em Xangai. Fica famosa pelos escândalos, um passado que no futuro tenta apagar.

Numa nova transformação, vira Jiang Ching (Rio Verde), uma recatada militante comunista que seduz o grande líder da revolução. Jiang conhece Mao em Yanan, no Norte da China. Lá os comunistas instalam o quartel-general depois da Longa Marcha, uma fuga do Exército Vermelho do PCC por 9 mil quilômetros percorridos em um ano para escapar dos massacres do KMT.

Quando os japoneses invadem Xangai, em agosto de 1937, a atriz vai para o QG do partido para participar de filmes de propaganda comunista. Mais uma vez, não tem sucesso como atriz.

Ela consegue atrair Mao participando de conferências e palestras do líder. Senta nas primeiras filas e faz comentários entusiasmados. A relação incomoda outros líderes do partido. Ator não é profissão bem vista, Mao é casado e Jiang muito mais moça. Mas ele se separa e o casal se casa em 28 de novembro de 1938.

Com a vitória da revolução, em 1º de outubro de 1949, as mulheres da cúpula do PCC são convidadas para o Comitê Central, mas Jiang é excluída. Ela passa os anos 1950 fazendo várias viagens a Moscou para tratamento médico.

Recuperada, Madame Mao passa a trabalhar nos órgãos governamentais encarregados do controle e da censura das artes, especialmente das artes cênicas, do cinema e do teatro. Um de seus alvos prediletos são as óperas chinesas, que apresentam um mundo de imperadores, concubinas e monstros, sem maior relação com a vida do camponês e a luta revolucionária.

Agressiva e arrogante, Jiang é afastada do cargo. Enquanto isso, o Grande Salto para a Frente, um programa de Mao para acelerar o desenvolvimento industrial da China instalando usinas siderúrgicas em fazendas coletivas e comunidades rurais, fracassa. Entre 15 e 55 milhões de chineses morrem de fome ou em perseguição política entre 1958 e 1962.

Sob pressão de outros dirigentes do PCC, Mao se cerca de um pequeno grupo de radicais, inclusive sua mulher, e lança em a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), uma era do radicalismo político mais extremo, com grande expurgo de altos funcionários e intelectuais, muitos enviados para reeducação em comunidades rurais, em que alunos puniam professores e filhos denunciavam os pais por "desvios burgueses".

Milhões de estudantes deixam as escolas e universidades para se tornar guardas vermelhos, fiéis seguidores e implementadores das políticas expressas no Livro Vermelho de Mao, que brandiam nos ares em histeria coletiva. O trânsito para no sinal verde e anda no sinal vermelho. Obras de arte e de arquitetura são destruídas como resquício de um período imperial a ser varrido da história.

Como mulher mais poderosa da China, Jiang se vinga daqueles que a humilharam. Reinando sobre o setor cultural, cria as "óperas revolucionárias". Os heróis são camponeses que lutam contra grandes proprietários malvados, invasores japoneses e outros inimigos da revolução.

Seu poder vai muito além da cultura. Em 1969, Jiang entra para o Politburo do PCC. Faz parte do núcleo central e da ala mais radical que cerca o Camarada Mao, a Gangue dos Quatro. 

Um mês depois da morte de Mao em 9 de setembro de 1976, a viúva é presa e condenada à morte sob a acusação de ser responsável com a Gangue dos Quatro pelo radicalismo e a violência, quando Mao defenderia apenas a "luta pacífica". Em 1983, a pena é comutada para prisão perpétua. 

Ao sair para fazer tratamento médico, Jiang Ching se suicida em 14 de maio de 1991.

sábado, 25 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 25 de Janeiro

 IMPERADOR CLÁUDIO

    Em 41 depois de Cristo, Cláudio se torna o quarto imperador romano, sucedendo a seu sobrinho Calígula. No seu reinado, o Império Romano estende seus domínios ao Norte da África e conquista o que hoje é a Inglaterra.

Tibério Cláudio Druso Nero Germânico nasce em Lugdnum, hoje Lyon, na Gália, agora parte da França, em 1º de agosto do ano 10 da era cristã, filho de Nero Cláudio Druso, um importante general do Império Romano. É sobrinho do imperador Tibério.

Manco e gago, ele fica longe da vida pública até o imperador Calígula, seu sobrinho, o nomear cônsul e senador. O historiador Tito Lívio, contratado como seu tutor, o incentiva a estudar história. Quando a guarda pretoriana mata Calígula, o encontra escondido atrás de uma cortina com medo de também ser morto.

Único homem adulto da família, debilitado fisicamente e sem experiência política, Cláudio é proclamado imperador talvez na expectativa de que será facilmente manipulado.

Apesar de estigmatizado pela própria mãe, Cláudio torna-se um aluno brilhante, um bom governante e estrategista militar amado pelo povo. Durante seu reinado o Império Romano tem uma expansão como não vê desde Augusto (27 AC-14 DC). Ele conquista a Trácia, a Nórica, a Panfília, a Lícia, a Judeia e a Britânia, que Júlio César não conseguira quase um século antes. 

Sua terceira mulher, Valéria Messalina, poderosa e influente passa à história com fama de promíscua. Acusada de conspirar contra o marido, é presa e executada em 48. De acordo com o historiador Tácito, organizou uma cerimônia pública de casamento com seu amante, Caio Sílio Talvez por um viés político, seu nome vira sinônimo de prostituta.

Cláudio casa então com a sobrinha Agripina, o que contraria a lei romana, alterada para permitir o casamento. Ele é assassinado por envenenamento, possivelmente por cogumelos e supostamente instigado pela mulher, em 13 de agosto de 54. É sucedido por Nero, último imperador da dinastia júlio-claudiana.

ELEITO O ANTIPAPA

    Em 844, um arquidiácono romano chamado João é eleito Antipapa João VIII contra o candidato da nobreza, o papa Sérgio II (844-847).

João tem o apoio popular. Ele se retira para o Palácio de Latrão e Sérgio II é consagrado sem a intervenção do imperador do Sacro Império Romano-Germânico. O novo papa protege João de tentativas de assassinato e o aprisiona em um mosteiro. Nunca mais se ouve falar dele.

Em junho, Sérgio II presta juramento de lealdade a Lotário I (822-855), o terceiro imperador do Sacro Império, e é confirmado como chefe da Igreja Católica Apostólica Romana. Durante seu pontificado, os muçulmanos desembarcam em Óstia, assediam Roma e saqueiam a Basílica de São Pedro.

SEGUNDO CASAMENTO DE HENRIQUE VIII

    Em 1533, Henrique VIII se casa secretamente com Ana Bolena para tentar ter um filho homem depois de se separar de Catarina de Aragão, o que o levoa a romper com o Vaticano e criar a Igreja da Inglaterra, com os mesmos rituais católicos, em 1534. É uma decisão mais política do que teológica.

Henrique VIII nasce em Greenwich em 28 de junho de 1991. É filho de Henrique Tudor, que derrota o rei usurpador Ricardo III na Batalha de Bosworth, em 22 de agosto de 1485, e vence a Guerra das Duas Rosas (1455-1487), a guerra entre as dinastias de Lancaster e York, herdeiras de Eduardo III, e se torna Henrique VII, o primeiro rei da dinastia Tudor.

A grande preocupação de Henrique VIII é ter um filho homem para evitar uma guerra de príncipes pela sucessão. Mas Catarina de Aragão, filha dos reis católicos da Espanha, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, lhe dá uma filha mulher, Maria Tudor, futura Maria I.

Ele se divorcia de Catarina de Aragão, motivo do rompimento com a Igreja Católica, para se casar com Ana Bolena, que lhe dá outra filha mulher, Elizabeth I, a mulher mais poderosa da história da Inglaterra. Tem seis mulheres. A terceira, Jane Seymour, lhe dá o filho homem, Eduardo VI.

Ana Bolena é acusada de traição e decapitada na Torre de Londres em 19 de maio de 1536. Quando Henrique VIII morre, em 28 de janeiro de 1547, o único filho legítimo homem, Eduardo VI, ascende ao trono com nove anos. Com a saúde frágil, morre aos 15 nos, em 6 de julho de 1553. É sucedido por Lady Jane Gray, filha de uma irmã de Henrique VIII, a Rainha dos Nove Dias.

Quem herda o trono é Maria I, a primeira mulher a reivindicar com sucesso o trono da Inglaterra. Ele se casa com Felipe II, da Espanha, filho de Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico, mas não tem filhos. Católica, tenta reverter a Reforma Protestante na Inglaterra. 

Maria I morre em 17 de novembro de 1558. É sucedida por Elizabeth I, filha de Ana Bolena,  que retoma a Reforma Protestante e começa a construir o Império Britânico. Conhecida como a Rainha Virgem, morre sem deixar filhos em 1603. 

Elizabeth I é sucedida por Jaime I da Inglaterra e Jaime VI da Escócia, católico, filho de sua inimiga Maria Stuart, que manda construir um túmulo para a mãe na Abadia de Westminster do mesmo nível do de Elizabeth I.

O conflito entre católicos e protestantes leva à Guerra Civil Inglesa do século 17. Carlos I, filho de Jaime I, é decapitado em 30 de janeiro de 1649, início de um breve período republicano na história da Inglaterra. A guerra só termina a Revolução Gloriosa 1688, que produz a Declaração de Direitos de 1689, estabelece a supremacia do Parlamento e torna a Inglaterra numa monarquia constitucional.

FUNDAÇÃO DE SÃO PAULO

    Em 1554, os padres jesuítas Manuel da Nóbre e José de Anchieta e o cacique Tibiriça fundam uma missão e uma escola que dão origem à cidade de São Paulo no dia da conversão de São Paulo. O Pátio do Colégio é o primeiro assentamento no planalto brasileiro.

No fim do século 16, a povoação em apenas 300 habitantes, na maioria pobres do Sul de Portugal. A prosperidade começa no século 17 com a exploração do interior pelos bandeirantes em busca de ouro, prata, diamantes e índios para escravizar.

Em 1711, São Paulo se torna uma cidade. A descoberta de ouro e diamantes na Colônia em Minas Gerais estimula a imigração europeia e muda o eixo econômico do Nordeste para o Sudeste do Brasil.

O imperador Pedro I proclama a independência em 7 de setembro de 1822 às margens do Riacho Ipiranga dando a São Paulo um lugar proeminente na história do Brasil. Em 1840, a cidade tem cerca de 20 mil habitantes concentrados na área do Vale do Anhangabaú. Um mercado municipal é construído em 1867.

A riqueza começa com o ciclo do café, que se torna o principal produto de exportação do Brasil, atraindo imigrantes, principalmente italianos, que são 600 mil dos 900 mil estrangeiros atraídos pelo país entre 1888 e 1900. Também chegam portugueses, espanhóis, alemães, europeus-orientais, sírios, libaneses e japoneses, que transformam São Paulo na potência econômica que é hoje.

O Viaduto do Chá, sobre o Vale do Anhangabaú, é construído em 1892. O prefeito Antônio Prado (1899-1911) alarga ruas, constrói novas praças e conclui a espetacular Estação da Luz, um dos símbolos da cidade. Os barões do café constroem mansões na Avenida Paulista. 

Em 1905, fábricas de tecidos e sapatos ocupam os bairros do Brás, Bom Retiro, Mooca, Água Branca e Ipiranga.

A Semana de Arte Moderna de 1922 é um marco da história do modernismo no Brasil. Consagra São Paulo como o centro cultural que é hoje. 

Em 1960, quando a capital é transferida do Rio de Janeiro para Brasília, São Paulo já é a maior cidade do Brasil e se consolida como um dos maiores centro de desenvolvimento urbano do mundo. Mas o crescimento urbano é caótico. Só em 1972 são aprovadas leis de zoneamento.

Hoje a cidade de São Paulo tem 11,451 milhões de habitantes, o mesmo que 2.534 municípios brasileiros, de acordo com o Censo de 2022. A região metropolitana tem 21,9 milhões de habitantes. 

MADAME MAO CONDENADA

    Em 1981, a viúva de Mao Tsé-tung, Jiang Ching, é condenada à morte por "crimes contrarrevolucionários" cometidos durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76) na China.

A atriz e quarta mulher de Mao, o líder da revolução comunista chinesa, nasce pobre em Zhucheng em 19 de março de 1914, filha natural de um carpinteiro violento e alcoólatra e sua concubina. É batizada Li Shu-meng. Ao longo da vida, adota vários pseudônimos.

Quando criança, começa a fazer teatro comunitário. Ele se casa com um comerciante, se divorcia e aí começa a namorar um membro do Partido Comunista, que é perseguido pelo partido nacionalista Kuomintang (KMT) durante a guerra civil.

Em 1934, a futura Madame Mao vai para Xangai, a maior e mais cosmopolita cidade chinesa, perseguir o sonho de fazer cinema. Presa por ser comunista, fica meses na cadeia. Ao sair, muda o nome para Lan Ping (Maçã Azul).

Jiang consegue um papel de protagonista como Nora na peça A Casa dos Bonecas, do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, mas não impressiona os produtores de cinema. Nessa época, ela se apaixona pelo ator e diretor Tang Na, com quem tem um casamento conturbado. Eles se divorciam em 1937.

De acordo com o historiador australiano Ross Terrill, biógrafo de Madame Mao: o diabo de ossos brancos, nessa época ela levava uma vida burguesa e decadente em Xangai. Fica famosa pelos escândalos, um passado que no futuro tenta apagar.

Numa nova transformação, vira Jiang Ching (Rio Verde), uma recatada militante comunista que seduz o grande líder da revolução. Jiang conhece Mao em Yanan, no Norte da China. Lá os comunistas instalam o quartel-general depois da Longa Marcha, uma fuga do Exército Vermelho do PCC por 9 mil quilômetros percorridos em um ano para escapar dos massacres do KMT.

Quando os japoneses invadem Xangai, em agosto de 1937, a atriz vai para o QG do partido para participar de filmes de propaganda comunista. Mais uma vez, não tem sucesso como atriz.

Ela consegue atrair Mao participando de conferências e palestras do líder. Senta nas primeiras filas e faz comentários entusiasmados. A relação incomoda outros líderes do partido. Ator não é profissão bem vista, Mao é casado e Jiang muito mais moça. Mas ele se separa e o casal se casa em 28 de novembro de 1938.

Com a vitória da revolução, em 1º de outubro de 1949, as mulheres da cúpula do PCC são convidadas para o Comitê Central, mas Jiang é excluída. Ela passa os anos 1950 fazendo várias viagens a Moscou para tratamento médico.

Recuperada, Madame Mao passa a trabalhar nos órgãos governamentais encarregados do controle e da censura das artes, especialmente das artes cênicas, do cinema e do teatro. Um de seus alvos prediletos são as óperas chinesas, que apresentam um mundo de imperadores, concubinas e monstros, sem maior relação com a vida do camponês e a luta revolucionária.

Agressiva e arrogante, Jiang é afastada do cargo. Enquanto isso, o Grande Salto para a Frente, um programa de Mao para acelerar o desenvolvimento industrial da China instalando usinas siderúrgicas em fazendas coletivas e comunidades rurais, fracassa. Entre 15 e 55 milhões de chineses morrem de fome ou em perseguição política entre 1958 e 1962.

Sob pressão de outros dirigentes do PCC, Mao se cerca de um pequeno grupo de radicais, inclusive sua mulher, e lança em 1966 a Grande Revolução Cultural Proletária, uma era do radicalismo político mais extremo, com grande expurgo de altos funcionários e intelectuais, muitos enviados para reeducação em comunidades rurais, em que alunos puniam professores e filhos denunciavam os pais por "desvios burgueses".

Milhões de estudantes deixam as escolas e universidades para se tornar guardas vermelhos, fiéis seguidores e implementadores das políticas expressas no Livro Vermelho de Mao, que brandiam nos ares em histeria coletiva. O trânsito para no sinal verde e anda no sinal vermelho. Obras de arte e de arquitetura são destruídas como resquício de um período imperial a ser varrido da história.

Como mulher mais poderosa da China, Jiang se vinga daqueles que a humilharam. Reinando sobre o setor cultural, cria as "óperas revolucionárias". Os heróis são camponeses que lutam contra grandes proprietários malvados, invasores japoneses e outros inimigos da revolução.

Seu poder vai muito além da cultura. Em 1969, Jiang entra para o Politburo do PCC. Faz parte do núcleo central e da ala mais radical que cercava o Camarada Mao, a Gangue dos Quatro. 

Um mês depois da morte de Mao em 9 de setembro de 1976, a viúva é presa e condenada à morte sob a acusação de ser responsável com a Gangue dos Quatro pelo radicalismo e a violência, quando Mao defenderia apenas a "luta pacífica". Em 1983, a pena é comutada para prisão perpétua. 

Ao sair para fazer tratamento médico, Jiang Ching se suicida em 14 de maio de 1991.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 25 de Janeiro

IMPERADOR CLÁUDIO

    Em 41 depois de Cristo, Cláudio se torna o quarto imperador romano, sucedendo a seu sobrinho Calígula. No seu reinado, o Império Romano estende seus domínios ao Norte da África e conquista o que hoje é a Inglaterra.

Tibério Cláudio Druso Nero Germânico nasce em Lugdnum, hoje Lyon, na Gália, agora parte da França, em 1º de agosto do ano 10 da era cristã, filho de Nero Cláudio Druso, um importante general do Império Romano. É sobrinho do imperador Tibério.

Manco e gago, ele fica longe da vida pública até o imperador Calígula, seu sobrinho, o nomear cônsul e senador. O historiador Tito Lívio, contratado como seu tutor, o incentiva a estudar história. Quando a guarda pretoriana mata Calígula, o encontra escondido atrás de uma cortina com medo de também ser morto.

Único homem adulto da família, debilitado fisicamente e sem experiência política, Cláudio é proclamado imperador talvez na expectativa de que será facilmente manipulado.

Apesar de estigmatizado pela própria mãe, Cláudio torna-se um aluno brilhante, um bom governante e estrategista militar amado pelo povo. Durante seu reinado o Império Romano tem uma expansão como não vê desde Augusto (27 AC-14 DC). Ele conquista a Trácia, a Nórica, a Panfília, a Lícia, a Judeia e a Britânia, que Júlio César não conseguira quase um século antes. 

Sua terceira mulher, Valéria Messalina, poderosa e influente passa à história com fama de promíscua. Acusada de conspirar contra o marido, é presa e executada em 48. De acordo com o historiador Tácito, organizou uma cerimônia pública de casamento com seu amante, Caio Sílio Talvez por um viés político, seu nome vira sinônimo de prostituta.

Cláudio casa então com a sobrinha Agripina, o que contraria a lei romana, alterada para permitir o casamento. Ele é assassinado por envenenamento, possivelmente por cogumelos e supostamente instigado pela mulher, em 13 de agosto de 54. É sucedido por Nero, último imperador da dinastia júlio-claudiana.

SEGUNDO CASAMENTO DE HENRIQUE VIII

    Em 1533, Henrique VIII se casa secretamente com Ana Bolena para tentar ter um filho homem depois de se separar de Catarina de Aragão, o que o levoa a romper com o Vaticano e criar a Igreja da Inglaterra, com os mesmos rituais católicos, em 1534. É uma decisão mais política do que teológica.

Henrique VIII nasce em Greenwich em 28 de junho de 1991. É filho de Henrique Tudor, que derrota o rei usurpador Ricardo III na Batalha de Bosworth, em 22 de agosto de 1485, e vence a Guerra das Duas Rosas (1455-1487), a guerra entre as dinastias de Lancaster e York, herdeiras de Eduardo III, e se torna Henrique VII, o primeiro rei da dinastia Tudor.

A grande preocupação de Henrique VIII é ter um filho homem para evitar uma guerra de príncipes pela sucessão. Mas Catarina de Aragão, filha dos reis católicos da Espanha, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, lhe dá uma filha mulher, Maria Tudor, futura Maria I.

Ele se divorcia de Catarina de Aragão, motivo do rompimento com a Igreja Católica, para se casar com Ana Bolena, que lhe dá outra filha mulher, Elizabeth I, a mulher mais poderosa da história da Inglaterra. Tem seis mulheres. A terceira, Jane Seymour, lhe dá o filho homem, Eduardo VI.

Ana Bolena é acusada de traição e decapitada na Torre de Londres em 19 de maio de 1536. Quando Henrique VIII morre, em 28 de janeiro de 1547, o único filho legítimo homem, Eduardo VI, ascende ao trono com nove anos. Com a saúde frágil, morre aos 15 nos, em 6 de julho de 1553. É sucedido por Lady Jane Gray, filha de uma irmã de Henrique VIII, a Rainha dos Nove Dias.

Quem herda o trono é Maria I, a primeira mulher a reivindicar com sucesso o trono da Inglaterra. Ele se casa com Felipe II, da Espanha, filho de Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico, mas não tem filhos. Católica, tenta reverter a Reforma Protestante na Inglaterra. 

Maria I morre em 17 de novembro de 1558. É sucedida por Elizabeth I, filha de Ana Bolena,  que retoma a Reforma Protestante e começa a construir o Império Britânico. Conhecida como a Rainha Virgem, morre sem deixar filhos em 1603. 

Elizabeth I é sucedida por Jaime I da Inglaterra e Jaime VI da Escócia, católico, filho de sua inimiga Maria Stuart, que manda construir um túmulo para a mãe na Abadia de Westminster do mesmo nível do de Elizabeth I.

O conflito entre católicos e protestantes leva à Guerra Civil Inglesa do século 17. Carlos I, filho de Jaime I, é decapitado em 30 de janeiro de 1649, início de um breve período republicano na história da Inglaterra. A guerra só termina a Revolução Gloriosa 1688, que produz a Declaração de Direitos de 1689, estabelece a supremacia do Parlamento e torna a Inglaterra numa monarquia constitucional.

FUNDAÇÃO DE SÃO PAULO

    Em 1554, os padres jesuítas Manuel da Nóbre e José de Anchieta e o cacique Tibiriça fundam uma missão e uma escola que dão origem à cidade de São Paulo no dia da conversão de São Paulo. O Pátio do Colégio é o primeiro assentamento no planalto brasileiro.

No fim do século 16, a povoação em apenas 300 habitantes, na maioria pobres do Sul de Portugal. A prosperidade começa no século 17 com a exploração do interior pelos bandeirantes em busca de ouro, prata, diamantes e índios para escravizar.

Em 1711, São Paulo se torna uma cidade. A descoberta de ouro e diamantes na Colônia em Minas Gerais estimula a imigração europeia e muda o eixo econômico do Nordeste para o Sudeste do Brasil.

O imperador Pedro I proclama a independência em 7 de setembro de 1822 às margens do Riacho Ipiranga dando a São Paulo um lugar proeminente na história do Brasil. Em 1840, a cidade tem cerca de 20 mil habitantes concentrados na área do Vale do Anhangabaú. Um mercado municipal é construído em 1867.

A riqueza começa com o ciclo do café, que se torna o principal produto de exportação do Brasil, atraindo imigrantes, principalmente italianos, que são 600 mil dos 900 mil estrangeiros atraídos pelo país entre 1888 e 1900. Também chegam portugueses, espanhóis, alemães, europeus-orientais, sírios, libaneses e japoneses, que transformam São Paulo na potência econômica que é hoje.

O Viaduto do Chá, sobre o Vale do Anhangabaú, é construído em 1892. O prefeito Antônio Prado (1899-1911) alarga ruas, constrói novas praças e conclui a espetacular Estação da Luz, um dos símbolos da cidade. Os barões do café constroem mansões na Avenida Paulista. 

Em 1905, fábricas de tecidos e sapatos ocupam os bairros do Brás, Bom Retiro, Mooca, Água Branca e Ipiranga.

A Semana de Arte Moderna de 1922 é um marco da história do modernismo no Brasil. Consagra São Paulo como o centro cultural que é hoje. 

Em 1960, quando a capital é transferida do Rio de Janeiro para Brasília, São Paulo já é a maior cidade do Brasil e se consolida como um dos maiores centro de desenvolvimento urbano do mundo. Mas o crescimento urbano é caótico. Só em 1972 são aprovadas leis de zoneamento.

Hoje a cidade de São Paulo tem 11,451 milhões de habitantes, o mesmo que 2.534 municípios brasileiros, de acordo com o Censo de 2022. A região metropolitana tem 21,9 milhões de habitantes. 

MADAME MAO CONDENADA

    Em 1981, a viúva de Mao Tsé-tung, Jiang Ching, é condenada à morte por "crimes contrarrevolucionários" cometidos durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76) na China.

A atriz e quarta mulher de Mao, o líder da revolução comunista chinesa, nasce pobre em Zhucheng em 19 de março de 1914, filha natural de um carpinteiro violento e alcoólatra e sua concubina. É batizada Li Shu-meng. Ao longo da vida, adota vários pseudônimos.

Quando criança, começa a fazer teatro comunitário. Ele se casa com um comerciante, se divorcia e aí começa a namorar um membro do Partido Comunista, que é perseguido pelo partido nacionalista Kuomintang (KMT) durante a guerra civil.

Em 1934, a futura Madame Mao vai para Xangai, a maior e mais cosmopolita cidade chinesa, perseguir o sonho de fazer cinema. Presa por ser comunista, fica meses na cadeia. Ao sair, muda o nome para Lan Ping (Maçã Azul).

Jiang consegue um papel de protagonista como Nora na peça A Casa dos Bonecas, do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, mas não impressiona os produtores de cinema. Nessa época, ela se apaixona pelo ator e diretor Tang Na, com quem tem um casamento conturbado. Eles se divorciam em 1937.

De acordo com o historiador australiano Ross Terrill, biógrafo de Madame Mao: o diabo de ossos brancos, nessa época ela levava uma vida burguesa e decadente em Xangai. Fica famosa pelos escândalos, um passado que no futuro tenta apagar.

Numa nova transformação, vira Jiang Ching (Rio Verde), uma recatada militante comunista que seduz o grande líder da revolução. Jiang conhece Mao em Yanan, no Norte da China. Lá os comunistas instalam o quartel-general depois da Longa Marcha, uma fuga do Exército Vermelho do PCC por 9 mil quilômetros percorridos em um ano para escapar dos massacres do KMT.

Quando os japoneses invadem Xangai, em agosto de 1937, a atriz vai para o QG do partido para participar de filmes de propaganda comunista. Mais uma vez, não tem sucesso como atriz.

Ela consegue atrair Mao participando de conferências e palestras do líder. Senta nas primeiras filas e faz comentários entusiasmados. A relação incomoda outros líderes do partido. Ator não é profissão bem vista, Mao é casado e Jiang muito mais moça. Mas ele se separa e o casal se casa em 28 de novembro de 1938.

Com a vitória da revolução, em 1º de outubro de 1949, as mulheres da cúpula do PCC são convidadas para o Comitê Central, mas Jiang é excluída. Ela passa os anos 1950 fazendo várias viagens a Moscou para tratamento médico.

Recuperada, Madame Mao passa a trabalhar nos órgãos governamentais encarregados do controle e da censura das artes, especialmente das artes cênicas, do cinema e do teatro. Um de seus alvos prediletos são as óperas chinesas, que apresentam um mundo de imperadores, concubinas e monstros, sem maior relação com a vida do camponês e a luta revolucionária.

Agressiva e arrogante, Jiang é afastada do cargo. Enquanto isso, o Grande Salto para a Frente, um programa de Mao para acelerar o desenvolvimento industrial da China instalando usinas siderúrgicas em fazendas coletivas e comunidades rurais, fracassa. Entre 15 e 55 milhões de chineses morrem de fome ou em perseguição política entre 1958 e 1962.

Sob pressão de outros dirigentes do PCC, Mao se cerca de um pequeno grupo de radicais, inclusive sua mulher, e lança em 1966 a Grande Revolução Cultural Proletária, uma era do radicalismo político mais extremo, com grande expurgo de altos funcionários e intelectuais, muitos enviados para reeducação em comunidades rurais, em que alunos puniam professores e filhos denunciavam os pais por "desvios burgueses".

Milhões de estudantes deixam as escolas e universidades para se tornar guardas vermelhos, fiéis seguidores e implementadores das políticas expressas no Livro Vermelho de Mao, que brandiam nos ares em histeria coletiva. O trânsito para no sinal verde e anda no sinal vermelho. Obras de arte e de arquitetura são destruídas como resquício de um período imperial e ser varrido da história.

Como mulher mais poderosa da China, Jiang se vinga daqueles que a humilharam. Reinando sobre o setor cultural, cria as "óperas revolucionárias". Os heróis são camponeses que lutam contra grandes proprietários malvados, invasores japoneses e outros inimigos da revolução.

Seu poder vai muito além da cultura. Em 1969, Jiang entra para o Politburo do PCC. Faz parte do núcleo central e da ala mais radical que cercava o Camarada Mao, a Gangue dos Quatro. 

Um mês depois da morte de Mao em 9 de setembro de 1976, a viúva é presa e condenada à morte sob a acusação de ser responsável com a Gangue dos Quatro pelo radicalismo e a violência, quando Mao defenderia apenas a "luta pacífica". Em 1983, a pena é comutada para prisão perpétua. 

Ao sair para fazer tratamento médico, Jiang Ching se suicida em 14 de maio de 1991.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Hoje na História do Mundo: 25 de Janeiro

MADAME MAO CONDENADA

    Em 1981, a viúva de Mao Tsé-tung, Jiang Ching, é condenada à morte por "crimes contrarrevolucionários" cometidos durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76) na China.

A atriz e quarta mulher de Mao, o líder da revolução comunista chinesa, nasce pobre em Zhucheng em 19 de março de 1914, filha natural de um carpinteiro violento e alcoólatra e sua concubina. É batizada Li Shu-meng. Ao longo da vida, adota vários pseudônimos.

Quando criança, começou a fazer teatro comunitário. Ele se casa com um comerciante, se divorcia e aí começa a namorar um membro do Partido Comunista, que é perseguido pelo partido nacionalista Kuomintang (KMT) durante uma guerra civil.

Em 1934, a futura Madame Mao vai para Xangai, a maior e mais cosmopolita cidade chinesa perseguir o sonho de fazer cinema. Presa por ser comunista, fica meses na cadeia. Ao sair, muda o nome para Lan Ping (Maçã Azul).

Jiang consegue um papel de protagonista como Nora na peça A Casa dos Bonecas, do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, mas não impressionou os produtores de cinema. Nessa época, ela se apaixona pelo ator e diretor Tang Na, com quem tem um casamento conturbado. Eles se divorciam em 1937.

De acordo com o historiador australiano Ross Terrill, biógrafo de Madame Mao: o diabo de ossos brancos, nessa época ela levava uma vida burguesa e decadente em Xangai. Fica famosa pelos escândalos, um passado que no futuro tenta apagar.

Numa nova transformação, vira Jiang Ching (Rio Verde), uma recatada militante comunista que seduz o grande líder da revolução. Jiang conhece Mao em Yanan, no Norte da China. Lá os comunistas instalam o quartel-general depois da Longa Marcha, uma fuga do Exército Vermelho do PCC por 9 mil quilômetros percorridos em um ano para escapar dos massacres do KMT.

Quando os japoneses invadem Xangai, em agosto de 1937, a atriz vai para o QG do partido para participar de filmes de propaganda comunista. Mais uma vez, não teve sucesso como atriz.

Ela consegue atrair Mao participando de conferências e palestras do líder. Sentava nas primeiras filas e fazia comentários entusiasmados. A relação incomoda outros líderes do partido. Ator não é profissão bem vista, Mao é casado e Jiang duas vezes mais moça. Mas ele se separa e o casal se casa em 28 de novembro de 1938.

Com a vitória da revolução, em 1º de outubro de 1949, as mulheres da cúpula do PCC são convidadas para o Comitê Central, mas Jiang é excluída. Ela passa os anos 1950 fazendo várias viagens a Moscou para tratamento médico.

Recuperada, Madame Mao passa a trabalhar nos órgãos governamentais encarregados do controle e da censura das artes, especialmente das artes cênicas, do cinema e do teatro. Um de seus alvos prediletos foram as óperas chinesas, que apresentavam um mundo de imperadores, concubinas e monstros, sem maior relação com a vida do camponês e a luta revolucionária.

Agressiva e arrogante, Jiang é afastada do cargo. Enquanto isso, o Grande Salto para a Frente, um programa de Mao para acelerar o desenvolvimento industrial da China instalando usinas siderúrgicas em fazendas coletivas e comunidades rurais, fracassa. Entre 15 e 55 milhões de chineses morrem de fome ou em perseguição política entre 1958 e 1962.

Sob pressão de outros dirigentes do PCC, Mao se cerca de um pequeno grupo de radicais, inclusive sua mulher, e lança em 1966 a Grande Revolução Cultural Proletária, uma era do radicalismo político mais extremo, com grande expurgo de altos funcionários e intelectuais, muitos enviados para reeducação em comunidades rurais, em que alunos puniam professores e filhos denunciavam os pais por "desvios burgueses".

Milhões de estudantes deixam as escolas e universidades para se tornar guardas vermelhos, fiéis seguidores e implementadores das políticas expressas no Livro Vermelho de Mao, que brandiam nos ares em histeria coletiva. O trânsito para no sinal verde e anda no sinal vermelho. Obras de arte e de arquitetura são destruídas como resquício de um período imperial e ser varrido da história.

Como mulher mais poderosa da China, Jiang se vinga daqueles que a humilharam. Reinando sobre o setor cultural, cria as "óperas revolucionárias". Os heróis são camponeses que lutam contra grandes proprietários malvados, invasores japoneses e outros inimigos da revolução.

Seu poder vai muito além da cultura. Em 1969, Jiang entra para o Politburo do PCC. Faz parte do núcleo central e da ala mais radical que cercava o Camarada Mao, a Gangue dos Quatro. 

Um mês depois da morte de Mao em 9 de setembro de 1976, a viúva é presa e condenada à morte sob a acusação de ser responsável com a Gangue dos Quatro pelo radicalismo e a violência, quando Mao defenderia apenas a "luta pacífica". Em 1983, a pena é comutada para prisão perpétua. 

Ao sair para fazer tratamento médico, Jiang Ching se suicida em 14 de maio de 1991.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Ex-ministro da Segurança do Estado pega prisão perpétua na China

O ex-ministro da Segurança do Estado Zhou Yongkang foi condenado à prisão perpétua hoje por corrupção, abuso de poder e revelação de segredos de Estado. Ele teria confessado todos os crimes e não vai recorrer, informou a agência de notícias oficial Nova China. 

Zhou é o mais alto dirigente processado na China desde a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung, em 1º de outubro de 1949. Chegou a ser membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, um dos nove (agora são sete) imperadores que mandam de fato no país.

Seu julgamento foi o mais importante politicamente desde a condenação da Gangue dos Quatro, da qual fazia parte a viúva de Mao, em 1981. Eles foram responsabilizados por crimes cometidos durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), uma era de perseguições políticas em que altos dirigentes foram expurgados e mortos.

Como ex-ministro da Segurança do Estado, Zhou era chefe dos poderosos serviços secretos chineses. É o dirigente mais importante enquadrado na campanha anticorrupção do presidente Xi Jinping, que prometeu "caçar das moscas aos tigres" para moralizar o regime comunista da China no momento em que a desaceleração do crescimento reduz sua legitimidade.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Ex-ministro do serviço secreto chinês vai a julgamento público

O ex-ministro da Segurança do Estado da China Zhou Yongkang, denunciado por corrupção, será submetido a um julgamento público, noticiou hoje a agência Reuters citando como fonte a mídia do regime comunista chinês.

Zhou Yongkang pertencia ao Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunistas, o seleto grupo de na época nove imperadores que realmente governavam a China, hoje reduzido a sete. É o mais alto funcionário atingido pela campanha anticorrupção usada pelo atual presidente do país e secretário-geral do PC, Xi Jinping, para consolidar o poder.

Seu processo será o mais importante politicamente desde o julgamento da Gangue dos Quatro, que incluía a viúva de Mao Tsé-tung, Jiang Ching, e foi condenada em 1981 por abuso de poder e violações dos direitos humanos cometidas durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).

Na prática, Xi tenta destruir a base de poder de Zhou dentro do Ministério da Segurança do Estado, peça essencial no organograma do regime. Ele era aliado de Bo Xilai, o líder da ala neomaoísta que caiu em desgraça em 2012, quando articulava sua ascensão para o Comitê Permanente, foi expurgado e condenado à prisão perpétua. O mesmo destino aguarda Zhou.

terça-feira, 29 de julho de 2014

China investiga ex-ministro da Segurança por corrupção

O ex-ministro da Segurança Pública Zhou Yongkang está sendo investigado por "violações disciplinares sérias", expressão usada pelo regime comunista chinês em denúncias de corrupção. Ele era membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, um dos nove imperadores que governavam a China na presidência de Hu Jintao; hoje, são apenas sete.

Em uma nota curta, a agência oficial de notícias Nova China, citada pela televisão estatal britânica BBC, informou que o inquérito será realizado pela Comissão Central para Inspeção Disciplinar do partido.

Zhou é o mais alto dirigente comunista chinês sob inquérito desde o processo contra a Gangue dos Quatro, que incluía a viúva de Mao Tsé-tung, Jiang Ching, em 1981. O grupo e o ex-expoente da linha dura Lin Piao, falecido num acidente de avião suspeito quando fugia do país, foram acusados pelos excessos da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).

A atual investigação faz parte da campanha de combate à corrupção do presidente Xi Jinping, que promete caçar de "moscas a tigres". Deflagrou uma onda de choque entre a elite dirigente chinesa, em que parentes de altos funcionários do partido fazem fortunas rapidamente sob a proteção da censura e da ditadura militar.

Mais de 300 parentes, sócios, aliados políticos, protegidos e funcionários de Zhou foram presos ou interrogados nos últimos meses. As autoridades chinesas apreenderam US$ 14,5 bilhões em bens e ativos de parentes e sócios de Zhou. Ele fez carreira no partido e no governo dentro do serviço secreto e da Companhia Nacional de Petróleo da China.

Os investigadores congelaram depósitos bancários, confiscaram bônus, ações e outros títulos negociados no mercado financeiro, 300 casas e apartamentos, objetos de arte, antiguidades, bebidas caras, ouro, prata, joias e dinheiro em várias moedas.

Alguns analistas acusam Xi de fazer uma manobra para consolidar seu poder. Ao alvejar dirigentes importantes como Zhou, o presidente quer indicar que desta vez será diferente. O dirigente que caiu em desgraça era ligado a Bo Xilai.

Bo era a estrela em ascensão da linha dura saudosa do maoísmo. Sonhava em ser líder do PC e presidente da China quando foi preso, em março de 2012, expurgado do partido em abril e condenado no mesmo ano por corrupção, abuso de poder e envolvimento no assassinato do empresário britânico Neil Heywood, ordenado por sua mulher Gu Kailai.

terça-feira, 1 de abril de 2014

China toma US$ 14,5 bilhões de família de ex-dirigente

Na campanha anticorrupção deflagrada pelo presidente Xi Jinping, o regime comunista da China apreendeu US$ 14,5 bilhões de parentes e sócios do ex-chefe dos serviços secretos do país e membro do círculo íntimo do poder Zhou Yongkang, num dos maiores escândalos de corrupção no país desde a vitória da revolução comunista, em 1949, revelou a agência de notícias Reuters.

Mais de 300 parentes, sócios, aliados políticos, protegidos e funcionários de Zhou foram presos ou interrogados nos últimos quatro meses. Os investigadores congelaram depósitos bancários, confiscaram bônus, ações e outros títulos negociados no mercado financeiro, 300 casas e apartamentos, objetos de arte, antiguidades, bebidas caras, ouro, prata, joias e dinheiro em várias moedas.

O volume de recursos e o número de suspeitos investigados mostra a escala da campanha anticorrupção, uma jogada de Xi, na presidência há um ano, para consolidar o poder. Ao combater os abusos com dinheiro público, corre o risco de atrair a ira de outros dirigentes beneficiados por negócios escusos.

Hoje com 71 anos, Zhou foi responsável pelo setor de gás e petróleo e presidente da empresa estatal de petróleo antes de se tornar de 2007 a 2012 membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, um dos nove imperadores (hoje são sete) que realmente mandavam na China. É o mais alto dirigente do partido derrubado por corrupção até hoje. Ainda não foi acusado formalmente, mas está em prisão domiciliar desde o fim do ano passado.

Zhou se opôs ao expurgo e condenação à prisão perpétua de Bo Xilai, o líder em ascensão da esquerda neomaoísta que caiu em desgraça há dois anos. Bo ambicionava a liderança do partido e do governo. Seu caso foi o processo de maior peso político na China desde o julgamento da Gangue dos Quatro, liderada por Jiang Ching, a viúva de Mao Tsé-tung, em 1981.

Em dezembro de 2013, Xi criou uma força-tarefa para investigar Zhou. Nem os órgãos de investigação do PC nem a família do ex-dirigente confirma. No regime comunista chinês, às vezes uma investigação leva meses e até anos até ser noticiada.

Zhou Yongkang não admite nada e se nega a colaborar com o inquérito. Considera-se vítima de perseguição política e da luta pelo poder. Há dois anos, era um dos homens mais poderosos da China. Administrava um orçamento de US$ 100 bilhões, maior do que o das Forças Armadas.

Xi Jinping prometeu pegar de "tigres de alto nível até moscas que voam baixo". Pegou um peso-pesado.

No ano passado, o jornal The New York Times publicou reportagens denunciando o enriquecimento ilícito de parentes e associados de altos dirigentes comunistas chineses, a começar pelo então primeiro-ministro Wen Jiabao, com fortuna estimada em US$ 2,7 bilhões.

O ex-presidente Jiang Zemin, um dos hierarcas do regime, criticou a campanha, que estaria afetando veteranos líderes do partido. Jiang, que deixou o poder em 2003, teria mandado um recado no mês passado ao presidente Xi: "As pegadas de sua campanha anticorrupção não podem ser grandes demais." Abalariam as redes de patronagem e apoio político criadas pelos membros da cúpula do partido.

Outro ex-presidente, Hu Jintao, antecessor de Xi, pediu calma ao sucessor.

sábado, 17 de novembro de 2012

Diva casada com novo líder chinês modera o tom

Durante décadas, Peng Liyuan, a cantora pop mais famosa da China, foi muito mais popular do que o marido. Agora, o atual vice-presidente Xi Jinping foi nomeado secretário-geral do Partido Comunista. A partir de março, será presidente da República, provavelmente por um período de dez anos. Só resta à diva e popstar assumir uma postura muito mais discreta.

Desde que a viúva de Mao Tsé-tung, Jiang Ching, foi condenada por corrupção e abuso de poder durante a Revolução Cultural (1966-76), em 1981, as primeiras-damas chinesas eram quase invisíveis e silenciosas. No máximo, apareciam em silêncio atrás ou ao lado do marido. Mas Peng Liyuan está mais para Carla Bruni Sarkozy do que para o modelo de primeira-dama da China da era das reformas econômicas.

Há mais de duas décadas, observa o jornal The New York Times, Peng é destaque do fim de Ano Novo da televisão estatal chinesa. Muitas vezes emerge no centro de um batalhão de bailarinos que coreagrafam as façanhas do Exército Popular de Libertação e da China superpotência emergente.

Com a imagem de principal civil associada às Forças Armadas, Peng tem o prestígio de um general. Ela consolou sobreviventes do terremoto de Sichuã, em 2008, e alerta os jovens para os riscos de fumar e do sexo sem camisinha.

É uma grande oportunidade: "Peng Liyuan pode ser tremendamente positiva para a China, que tem falta de exemplos femininos", declarou Hung Huang, editora de uma revista de moda. "Imagine se ela se transformar numa primeira-dama como Michelle Obama."

Mas é muito improvável, tendo em vista a ampla supremacia masculina na conservadora sociedade chinesa, onde a política do filho único para controlar a natalidade levou a infanticídios de meninas recém-nascidas.

No 18º Congresso do PC, que acaba de eleger Xi como novo líder, os homens eram a imensa maioria dos delegados. O Politburo do Comitê Central passou a ter duas mulheres, mas não há nenhuma no Comitê Permanente, formado pelos agora sete imperadores que mandam na China.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

PC chinês inicia congresso da transição no dia 8/11

O Partido Comunista da China convocou para 8 de novembro o congresso que vai eleger os novos dirigentes do regime numa transição que acontece a cada dez anos, desta vez abalada pela queda espetacular de Bo Xilai, o expoente em ascensão da linha dura expurgado hoje. Isso indica que houve um acordo entre as diferentes facções sobre quem será promovido.

Se não houver surpresas, o vice-presidente Xi Jinping será elevado à liderança do PC e, em março de 2013, deverá assumir a Presidência da China, mas acredita-se que o atual presidente, Hu Jintao, quer ficar na presidência da Comissão Militar do Comitê Central para manter sua influência. Esse era o único cargo oficial de Deng Xiaoping nos anos 70 e 80. Xi desapareceu de 1º a 15 de setembro, gerando especulações sobre seu destino.

Bo era um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central, de onde foi afastado em abril de 2012, depois de ter perdido um mês antes a chefia do partido e do governo na cidade-província de Xunquim, onde adotara políticas estatizantes e resgatara práticas da era de Mao Tsé-tung e da Revolução Cultural, inclusive a música triunfalista do realismo socialista. Sonhava em ascender para o Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central, os nove dirigentes máximos do regime comunista chinês.

Sua queda é o escândalo político mais espetacular desde 1981, quando os membros Gangue dos Quatro, inclusive a viúva de Mao, Jiang Ching, foram condenados por crimes cometidos durante a Revolução Cultural. A Gangue virou o símbolo máximo dos excessos, abusos de poder e brutalidade daquele período que Bo tentou reviver.