Na campanha anticorrupção usada pelo presidente Xi Jinping para consolidar seu poder, a Justiça da China condenou dois ex-líderes municipais do Partido Comunista em duas cidades importantes em meio a uma disputa pela indicação de futuros dirigentes.
Wan Qingliang, ex-primeiro-secretário do PC em Cantão, foi condenado à prisão perpétua sob a acusação de receber US$ 16,6 milhões de propina, enquanto Wang Min, ex-chefe do partido em Jinã, pegou 12 anos por ganhar o equivalente a US$ 2,7 milhões.
Nos dois processos, a Justiça concluiu que eles receberam dinheiro para facilitar negócios e carreiras profissionais ilegalmente. Desde que as investigações começaram, em 2014, os dois não foram mais vistos em público.
O Comitê Central do PC se reúne no próximo mês para reexaminar as normas disciplinares a serem seguidas pelos 88,7 milhões de afiliados ao partido. "O código de conduta revisado será mais duro que o anterior. Esses dois casos servem para reforçar isso", comentou James Law, especialista em China da Fundação Jamestown, nos Estados Unidos.
Desde que Xi chegou à liderança do partido, em 2012, centenas de funcionários foram investigados e punidos por corrupção. Antes desta ascensão, o dirigente Bo Xilai, considerado líder da ala neomaoísta do partido, foi expurgado, preso e condenado por corrupção.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador Bo Xilai. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bo Xilai. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
China expurga ex-chefe do serviço secreto por corrupção
Sob acusações de corrupção, o Partido Comunista decidiu hoje expurgar o ex-chefe dos serviços secretos e da segurança interna da China e ex-membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central Zhou Yongkang.
É a primeira vez em décadas que um dirigente da alta cúpula do regime pode ser processado criminalmente, desde o julgamento da Gangue dos Quatro, em 1981, da qual fazia parte a viúva de Mao Tsé-tung, Chiang Ching. A facção foi condenada pelos excessos da Grande Revolução Cultural Proletária
Dentro da grande campanha anticorrupção lançada pelo presidente Xi Jinping para consolidar seu poder, Zhou foi apontado como suspeito em julho de 2014. Um relatório interno do PC o denunciou por "violar a disciplina do partido", a acusação genérica contra a corrupção no discurso do regime, aceitar suborno, dilapidar ativos do Estado, revelar segredos de Estado e do partido, promoção fraudulenta de parentes e atividade pessoal "salaciosa", um eufemismo para adultério.
Sob investigação, Zhou estava em prisão domiciliar há meses. Agora, foi preso formalmente. Era aliado do ex-dirigente Bo Xilai, um neomaoista que caiu em desgraça em março de 2012, foi expurgado, preso e condenado por corrupção, abuso de poder e o assassinado do empresário britânico Neil Heywood, suposto intermediário de seus negócios sujos no exterior.
É a primeira vez em décadas que um dirigente da alta cúpula do regime pode ser processado criminalmente, desde o julgamento da Gangue dos Quatro, em 1981, da qual fazia parte a viúva de Mao Tsé-tung, Chiang Ching. A facção foi condenada pelos excessos da Grande Revolução Cultural Proletária
Dentro da grande campanha anticorrupção lançada pelo presidente Xi Jinping para consolidar seu poder, Zhou foi apontado como suspeito em julho de 2014. Um relatório interno do PC o denunciou por "violar a disciplina do partido", a acusação genérica contra a corrupção no discurso do regime, aceitar suborno, dilapidar ativos do Estado, revelar segredos de Estado e do partido, promoção fraudulenta de parentes e atividade pessoal "salaciosa", um eufemismo para adultério.
Sob investigação, Zhou estava em prisão domiciliar há meses. Agora, foi preso formalmente. Era aliado do ex-dirigente Bo Xilai, um neomaoista que caiu em desgraça em março de 2012, foi expurgado, preso e condenado por corrupção, abuso de poder e o assassinado do empresário britânico Neil Heywood, suposto intermediário de seus negócios sujos no exterior.
Marcadores:
Bo Xilai,
campanha anticorrupção,
China,
Comitê Central,
Corrupção,
Partido Comunista,
Politburo,
Regime Comunista,
Xi Jinping,
Zhou Yongkang
terça-feira, 29 de julho de 2014
China investiga ex-ministro da Segurança por corrupção
O ex-ministro da Segurança Pública Zhou Yongkang está sendo investigado por "violações disciplinares sérias", expressão usada pelo regime comunista chinês em denúncias de corrupção. Ele era membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, um dos nove imperadores que governavam a China na presidência de Hu Jintao; hoje, são apenas sete.
Em uma nota curta, a agência oficial de notícias Nova China, citada pela televisão estatal britânica BBC, informou que o inquérito será realizado pela Comissão Central para Inspeção Disciplinar do partido.
Zhou é o mais alto dirigente comunista chinês sob inquérito desde o processo contra a Gangue dos Quatro, que incluía a viúva de Mao Tsé-tung, Jiang Ching, em 1981. O grupo e o ex-expoente da linha dura Lin Piao, falecido num acidente de avião suspeito quando fugia do país, foram acusados pelos excessos da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).
A atual investigação faz parte da campanha de combate à corrupção do presidente Xi Jinping, que promete caçar de "moscas a tigres". Deflagrou uma onda de choque entre a elite dirigente chinesa, em que parentes de altos funcionários do partido fazem fortunas rapidamente sob a proteção da censura e da ditadura militar.
Mais de 300 parentes, sócios, aliados políticos, protegidos e funcionários de Zhou foram presos ou interrogados nos últimos meses. As autoridades chinesas apreenderam US$ 14,5 bilhões em bens e ativos de parentes e sócios de Zhou. Ele fez carreira no partido e no governo dentro do serviço secreto e da Companhia Nacional de Petróleo da China.
Os investigadores congelaram depósitos bancários, confiscaram bônus, ações e outros títulos negociados no mercado financeiro, 300 casas e apartamentos, objetos de arte, antiguidades, bebidas caras, ouro, prata, joias e dinheiro em várias moedas.
Alguns analistas acusam Xi de fazer uma manobra para consolidar seu poder. Ao alvejar dirigentes importantes como Zhou, o presidente quer indicar que desta vez será diferente. O dirigente que caiu em desgraça era ligado a Bo Xilai.
Bo era a estrela em ascensão da linha dura saudosa do maoísmo. Sonhava em ser líder do PC e presidente da China quando foi preso, em março de 2012, expurgado do partido em abril e condenado no mesmo ano por corrupção, abuso de poder e envolvimento no assassinato do empresário britânico Neil Heywood, ordenado por sua mulher Gu Kailai.
Em uma nota curta, a agência oficial de notícias Nova China, citada pela televisão estatal britânica BBC, informou que o inquérito será realizado pela Comissão Central para Inspeção Disciplinar do partido.
Zhou é o mais alto dirigente comunista chinês sob inquérito desde o processo contra a Gangue dos Quatro, que incluía a viúva de Mao Tsé-tung, Jiang Ching, em 1981. O grupo e o ex-expoente da linha dura Lin Piao, falecido num acidente de avião suspeito quando fugia do país, foram acusados pelos excessos da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).
A atual investigação faz parte da campanha de combate à corrupção do presidente Xi Jinping, que promete caçar de "moscas a tigres". Deflagrou uma onda de choque entre a elite dirigente chinesa, em que parentes de altos funcionários do partido fazem fortunas rapidamente sob a proteção da censura e da ditadura militar.
Mais de 300 parentes, sócios, aliados políticos, protegidos e funcionários de Zhou foram presos ou interrogados nos últimos meses. As autoridades chinesas apreenderam US$ 14,5 bilhões em bens e ativos de parentes e sócios de Zhou. Ele fez carreira no partido e no governo dentro do serviço secreto e da Companhia Nacional de Petróleo da China.
Os investigadores congelaram depósitos bancários, confiscaram bônus, ações e outros títulos negociados no mercado financeiro, 300 casas e apartamentos, objetos de arte, antiguidades, bebidas caras, ouro, prata, joias e dinheiro em várias moedas.
Alguns analistas acusam Xi de fazer uma manobra para consolidar seu poder. Ao alvejar dirigentes importantes como Zhou, o presidente quer indicar que desta vez será diferente. O dirigente que caiu em desgraça era ligado a Bo Xilai.
Bo era a estrela em ascensão da linha dura saudosa do maoísmo. Sonhava em ser líder do PC e presidente da China quando foi preso, em março de 2012, expurgado do partido em abril e condenado no mesmo ano por corrupção, abuso de poder e envolvimento no assassinato do empresário britânico Neil Heywood, ordenado por sua mulher Gu Kailai.
Marcadores:
abuso de poder,
Bo Xilai,
campanha anticorrupção,
China,
Corrupção,
Gangue dos Quatro,
Gu Kailai,
Jiang Ching,
Segurança Pública,
serviço secreto,
Xi Jinping,
Zhou Yongkang
terça-feira, 1 de abril de 2014
China toma US$ 14,5 bilhões de família de ex-dirigente
Na campanha anticorrupção deflagrada pelo presidente Xi Jinping, o regime comunista da China apreendeu US$ 14,5 bilhões de parentes e sócios do ex-chefe dos serviços secretos do país e membro do círculo íntimo do poder Zhou Yongkang, num dos maiores escândalos de corrupção no país desde a vitória da revolução comunista, em 1949, revelou a agência de notícias Reuters.
Mais de 300 parentes, sócios, aliados políticos, protegidos e funcionários de Zhou foram presos ou interrogados nos últimos quatro meses. Os investigadores congelaram depósitos bancários, confiscaram bônus, ações e outros títulos negociados no mercado financeiro, 300 casas e apartamentos, objetos de arte, antiguidades, bebidas caras, ouro, prata, joias e dinheiro em várias moedas.
O volume de recursos e o número de suspeitos investigados mostra a escala da campanha anticorrupção, uma jogada de Xi, na presidência há um ano, para consolidar o poder. Ao combater os abusos com dinheiro público, corre o risco de atrair a ira de outros dirigentes beneficiados por negócios escusos.
Hoje com 71 anos, Zhou foi responsável pelo setor de gás e petróleo e presidente da empresa estatal de petróleo antes de se tornar de 2007 a 2012 membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, um dos nove imperadores (hoje são sete) que realmente mandavam na China. É o mais alto dirigente do partido derrubado por corrupção até hoje. Ainda não foi acusado formalmente, mas está em prisão domiciliar desde o fim do ano passado.
Zhou se opôs ao expurgo e condenação à prisão perpétua de Bo Xilai, o líder em ascensão da esquerda neomaoísta que caiu em desgraça há dois anos. Bo ambicionava a liderança do partido e do governo. Seu caso foi o processo de maior peso político na China desde o julgamento da Gangue dos Quatro, liderada por Jiang Ching, a viúva de Mao Tsé-tung, em 1981.
Em dezembro de 2013, Xi criou uma força-tarefa para investigar Zhou. Nem os órgãos de investigação do PC nem a família do ex-dirigente confirma. No regime comunista chinês, às vezes uma investigação leva meses e até anos até ser noticiada.
Zhou Yongkang não admite nada e se nega a colaborar com o inquérito. Considera-se vítima de perseguição política e da luta pelo poder. Há dois anos, era um dos homens mais poderosos da China. Administrava um orçamento de US$ 100 bilhões, maior do que o das Forças Armadas.
Xi Jinping prometeu pegar de "tigres de alto nível até moscas que voam baixo". Pegou um peso-pesado.
No ano passado, o jornal The New York Times publicou reportagens denunciando o enriquecimento ilícito de parentes e associados de altos dirigentes comunistas chineses, a começar pelo então primeiro-ministro Wen Jiabao, com fortuna estimada em US$ 2,7 bilhões.
O ex-presidente Jiang Zemin, um dos hierarcas do regime, criticou a campanha, que estaria afetando veteranos líderes do partido. Jiang, que deixou o poder em 2003, teria mandado um recado no mês passado ao presidente Xi: "As pegadas de sua campanha anticorrupção não podem ser grandes demais." Abalariam as redes de patronagem e apoio político criadas pelos membros da cúpula do partido.
Outro ex-presidente, Hu Jintao, antecessor de Xi, pediu calma ao sucessor.
Mais de 300 parentes, sócios, aliados políticos, protegidos e funcionários de Zhou foram presos ou interrogados nos últimos quatro meses. Os investigadores congelaram depósitos bancários, confiscaram bônus, ações e outros títulos negociados no mercado financeiro, 300 casas e apartamentos, objetos de arte, antiguidades, bebidas caras, ouro, prata, joias e dinheiro em várias moedas.
O volume de recursos e o número de suspeitos investigados mostra a escala da campanha anticorrupção, uma jogada de Xi, na presidência há um ano, para consolidar o poder. Ao combater os abusos com dinheiro público, corre o risco de atrair a ira de outros dirigentes beneficiados por negócios escusos.
Hoje com 71 anos, Zhou foi responsável pelo setor de gás e petróleo e presidente da empresa estatal de petróleo antes de se tornar de 2007 a 2012 membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, um dos nove imperadores (hoje são sete) que realmente mandavam na China. É o mais alto dirigente do partido derrubado por corrupção até hoje. Ainda não foi acusado formalmente, mas está em prisão domiciliar desde o fim do ano passado.
Zhou se opôs ao expurgo e condenação à prisão perpétua de Bo Xilai, o líder em ascensão da esquerda neomaoísta que caiu em desgraça há dois anos. Bo ambicionava a liderança do partido e do governo. Seu caso foi o processo de maior peso político na China desde o julgamento da Gangue dos Quatro, liderada por Jiang Ching, a viúva de Mao Tsé-tung, em 1981.
Em dezembro de 2013, Xi criou uma força-tarefa para investigar Zhou. Nem os órgãos de investigação do PC nem a família do ex-dirigente confirma. No regime comunista chinês, às vezes uma investigação leva meses e até anos até ser noticiada.
Zhou Yongkang não admite nada e se nega a colaborar com o inquérito. Considera-se vítima de perseguição política e da luta pelo poder. Há dois anos, era um dos homens mais poderosos da China. Administrava um orçamento de US$ 100 bilhões, maior do que o das Forças Armadas.
Xi Jinping prometeu pegar de "tigres de alto nível até moscas que voam baixo". Pegou um peso-pesado.
No ano passado, o jornal The New York Times publicou reportagens denunciando o enriquecimento ilícito de parentes e associados de altos dirigentes comunistas chineses, a começar pelo então primeiro-ministro Wen Jiabao, com fortuna estimada em US$ 2,7 bilhões.
O ex-presidente Jiang Zemin, um dos hierarcas do regime, criticou a campanha, que estaria afetando veteranos líderes do partido. Jiang, que deixou o poder em 2003, teria mandado um recado no mês passado ao presidente Xi: "As pegadas de sua campanha anticorrupção não podem ser grandes demais." Abalariam as redes de patronagem e apoio político criadas pelos membros da cúpula do partido.
Outro ex-presidente, Hu Jintao, antecessor de Xi, pediu calma ao sucessor.
quarta-feira, 5 de março de 2014
China lança grande campanha anticorrupção
Numa demonstração de força política, o presidente Xi Jinping lançou a maior campanha anticorrupção na China desde a época do Grande Timoneiro Mao Tsé-tung, o que o torna um dos líderes mais poderosos do país em décadas, observa a agência de notícias Bloomberg.
Durante a sessão anual do Congresso Nacional do Povo aberta hoje, Xi, no poder há um ano, manda o recado de que ninguém está acima da lei.
O alvo principal agora é o grupo ligado Zhou Yongkang, ex-membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, o seleto grupo que governa a China, ex-diretor da empresa estatal de petróleo e ex-chefe da agência de segurança doméstica, o serviço secreto interno.
A campanha anticorrupção ajuda Xi a consolidar o poder depois da queda espetacular do neomaoísta Bo Xilai, condenado à prisão perpétua por corrupção em 22 de setembro de 2013.
Durante a sessão anual do Congresso Nacional do Povo aberta hoje, Xi, no poder há um ano, manda o recado de que ninguém está acima da lei.
O alvo principal agora é o grupo ligado Zhou Yongkang, ex-membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, o seleto grupo que governa a China, ex-diretor da empresa estatal de petróleo e ex-chefe da agência de segurança doméstica, o serviço secreto interno.
A campanha anticorrupção ajuda Xi a consolidar o poder depois da queda espetacular do neomaoísta Bo Xilai, condenado à prisão perpétua por corrupção em 22 de setembro de 2013.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Justiça da China rejeita recurso de Bo Xilai
Um tribunal de recursos da China negou hoje provimento a um recurso apresentado pelo ex-dirigente comunista Bo Xilai contra sua condenação à prisão perpétua por corrupção, abuso de poder e enriquecimento ilícito, acabando com uma carreira meteórica de estrela em ascensão da linha dura do Partido Comunista. Quando caiu em desgraça, ele era um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central, candidato ao Comitê Permanente do Politburo, os sete imperadores que mandam na China.
Como líder do partido e governador da província de Xunquim, Bo Xilai resgatou métodos, a cultura vermelha do tempo de Mao Tsé-tung e até hinos de propaganda da Revolução Cultural a pretexto de combater a corrupção. Tentou criar uma nova esquerda mais estatizante, alternativa às políticas econômicas liberais adotadas a partir das reformas de Deng Xiaoping, sem abrir mão do investimento estrangeiro. Hoje a China é outra.
Bo Xilai investiu maciçamente em obras públicas, com casas subsidiadas para os pobres, e numa imagem de rigoroso e implacável com a corrupção. Em 2008, nas estatísticas oficiais, Xunquim cresceu 14,3%, acima dos cerca de 8% da China como um todo.
Na luta pelo poder, Bo montou um esquema de espionagem que teria escutado clandestinamente telefonemas do presidente Hu Jintao. Talvez essa infração à disciplina e à hierarquia interna do PC chinês tenha sido fatal para suas ambições.
Sua administração policialesca, marcada por abusos de poder e perseguições políticas, terminou quando seu vice e chefe de polícia pediu asilo num consulado dos Estados Unidos para denunciar Gu Kailai pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood, encontrado morto em 14 de novembro de 2011 num quarto de hotel em Xunquim.
Heywood era intermediário de negócios internacionais ilícitos do casal, que teria US$ 136 milhões no exterior, de acordo com reportagem da agência de notícias Bloomberg na época. Estaria pedindo comissões maiores, sob ameaça de revelar a trilha do dinheiro sujo de Bo Xilai e Gu Kailai. Foi envenenado por ela em cumplicidade com um assessor e o chefe de polícia de Xunquim.
Quando a Comissão Central de Inspeções Disciplinares do PC iniciou investigações na cidade de Xunquim, no início de 2012, um dos alvos eram Wang Lijun, o chefe de polícia e vice-governador que tinha sido o segundo de Bo nas campanhas anticorrupção.
Sob pressão da investigação aberta pelo governo central, em 16 de janeiro de 2012, Wang teria confrontado Bo, dizendo que tinha provas do crime cometido por Gu. No primeiro momento, o chefe teria mandado prosseguir o inquérito mas, a partir daí, começou a obstruir a investigação.
Em 2 de fevereiro de 2012, Wang foi afastado do inquérito, nomeado vice-governador para educação, ciência e meio ambiente, e colocado sob vigilância. Temendo pela vida, em 6 de fevereiro, pediu asilo ao Consulado Americano em Chengdu.
Bo foi afastado do cargo de líder regional do PC e governador provincial em 15 de março de 2012. Teve apenas um voto a favor no Comitê Permanente, na época com nove membros ou nove imperadores.
Em 10 de abril de 2012, Bo foi suspenso temporariamente do Comitê Central e do Politburo por estar sendo investigado por "sérias violações disciplinares". Em 28 de setembro, o Politburo decidiu pediu sua expulsão do partido. Em 26 de outubro, o Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo, retirou-lhe os últimos cargos públicos.
Sua mulher, Gu Kailai, foi condenada à morte em agosto de 2012 pelo assassinato de Heywood, com sentença convertida temporariamente em prisão perpétua, o que dificilmente aconteceria se o marido não tivesse caído em desgraça.
Dias antes do início do 18º Congresso Nacional do PC da China, em 4 de novembro de 2012, Bo foi formalmente expulso do partido. Isso abriu caminho para seu julgamento por corrupção, abuso de poder e enriquecimento ilícito que o condenou, em 23 de setembro de 2013, a ficar preso até o fim da vida.
Foi o processo mais politizado desde que a Gangue dos Quatro, liderada pela viúva de Mao, Jiang Ching, foi condenada por mortes, traição e abuso de poder, em 1981.
No tribunal, Bo rejeitou todas as acusações e alegou ser vítima de perseguição política. Agora, perdeu o último recurso. Acabou ele próprio servindo de exemplo para a campanha anticorrupção lançada pelo novo presidente Xi Jinping.
Como líder do partido e governador da província de Xunquim, Bo Xilai resgatou métodos, a cultura vermelha do tempo de Mao Tsé-tung e até hinos de propaganda da Revolução Cultural a pretexto de combater a corrupção. Tentou criar uma nova esquerda mais estatizante, alternativa às políticas econômicas liberais adotadas a partir das reformas de Deng Xiaoping, sem abrir mão do investimento estrangeiro. Hoje a China é outra.
Bo Xilai investiu maciçamente em obras públicas, com casas subsidiadas para os pobres, e numa imagem de rigoroso e implacável com a corrupção. Em 2008, nas estatísticas oficiais, Xunquim cresceu 14,3%, acima dos cerca de 8% da China como um todo.
Na luta pelo poder, Bo montou um esquema de espionagem que teria escutado clandestinamente telefonemas do presidente Hu Jintao. Talvez essa infração à disciplina e à hierarquia interna do PC chinês tenha sido fatal para suas ambições.
Sua administração policialesca, marcada por abusos de poder e perseguições políticas, terminou quando seu vice e chefe de polícia pediu asilo num consulado dos Estados Unidos para denunciar Gu Kailai pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood, encontrado morto em 14 de novembro de 2011 num quarto de hotel em Xunquim.
Heywood era intermediário de negócios internacionais ilícitos do casal, que teria US$ 136 milhões no exterior, de acordo com reportagem da agência de notícias Bloomberg na época. Estaria pedindo comissões maiores, sob ameaça de revelar a trilha do dinheiro sujo de Bo Xilai e Gu Kailai. Foi envenenado por ela em cumplicidade com um assessor e o chefe de polícia de Xunquim.
Quando a Comissão Central de Inspeções Disciplinares do PC iniciou investigações na cidade de Xunquim, no início de 2012, um dos alvos eram Wang Lijun, o chefe de polícia e vice-governador que tinha sido o segundo de Bo nas campanhas anticorrupção.
Sob pressão da investigação aberta pelo governo central, em 16 de janeiro de 2012, Wang teria confrontado Bo, dizendo que tinha provas do crime cometido por Gu. No primeiro momento, o chefe teria mandado prosseguir o inquérito mas, a partir daí, começou a obstruir a investigação.
Em 2 de fevereiro de 2012, Wang foi afastado do inquérito, nomeado vice-governador para educação, ciência e meio ambiente, e colocado sob vigilância. Temendo pela vida, em 6 de fevereiro, pediu asilo ao Consulado Americano em Chengdu.
Bo foi afastado do cargo de líder regional do PC e governador provincial em 15 de março de 2012. Teve apenas um voto a favor no Comitê Permanente, na época com nove membros ou nove imperadores.
Em 10 de abril de 2012, Bo foi suspenso temporariamente do Comitê Central e do Politburo por estar sendo investigado por "sérias violações disciplinares". Em 28 de setembro, o Politburo decidiu pediu sua expulsão do partido. Em 26 de outubro, o Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo, retirou-lhe os últimos cargos públicos.
Sua mulher, Gu Kailai, foi condenada à morte em agosto de 2012 pelo assassinato de Heywood, com sentença convertida temporariamente em prisão perpétua, o que dificilmente aconteceria se o marido não tivesse caído em desgraça.
Dias antes do início do 18º Congresso Nacional do PC da China, em 4 de novembro de 2012, Bo foi formalmente expulso do partido. Isso abriu caminho para seu julgamento por corrupção, abuso de poder e enriquecimento ilícito que o condenou, em 23 de setembro de 2013, a ficar preso até o fim da vida.
Foi o processo mais politizado desde que a Gangue dos Quatro, liderada pela viúva de Mao, Jiang Ching, foi condenada por mortes, traição e abuso de poder, em 1981.
No tribunal, Bo rejeitou todas as acusações e alegou ser vítima de perseguição política. Agora, perdeu o último recurso. Acabou ele próprio servindo de exemplo para a campanha anticorrupção lançada pelo novo presidente Xi Jinping.
domingo, 22 de setembro de 2013
China condena Bo Xilai à prisão perpétua
Há um ano e meio, ele era a maior estrela em ascensão da linha dura do Partido Comunista da China, saudosa do tempo de Mao Tsé-tung. Hoje, Bo Xilai foi condenado à prisão perpétua por aceitar suborno no valor de US$ 3,6 milhões, desviar US$ 800 mil em dinheiro público e abusar do poder para encobrir o assassinato do empresário britânico Neil Heywood, morto por sua mulher em novembro de 2011.
Foi a queda do poder mais espetacular desde que a Gangue dos Quatro, que incluía a viúva de Mao, Jiang Ching, foi condenada por alta traição, em 1981.
Bo era governador e líder do partido na cidade-estado de Xunquim, onde aplicou os métodos policiais da era maoísta para combater a corrupção e resgatou músicas patrióticas do tempo da Revolução Industrial (1966-76), o período mais conturbado da revolução comunista na China.
Durante todo o processo, Bo desafiou o tribunal, apresentando-se como vítima de perseguição política e de um processo forjado. Ele era membro do Politburo do Comitê Central do PC chinês, de 25 membros, e ambicionava chegar ao Comitê Permanente do Politburo, os agora "sete imperadores" que governam a China, no fim do ano passado.
Foi a queda do poder mais espetacular desde que a Gangue dos Quatro, que incluía a viúva de Mao, Jiang Ching, foi condenada por alta traição, em 1981.
Bo era governador e líder do partido na cidade-estado de Xunquim, onde aplicou os métodos policiais da era maoísta para combater a corrupção e resgatou músicas patrióticas do tempo da Revolução Industrial (1966-76), o período mais conturbado da revolução comunista na China.
Durante todo o processo, Bo desafiou o tribunal, apresentando-se como vítima de perseguição política e de um processo forjado. Ele era membro do Politburo do Comitê Central do PC chinês, de 25 membros, e ambicionava chegar ao Comitê Permanente do Politburo, os agora "sete imperadores" que governam a China, no fim do ano passado.
domingo, 18 de agosto de 2013
Ex-dirigente chinês Bo Xilai começa a ser julgado
Começa nesta quinta-feira o julgamento do ex-dirigente do Partido Comunista da China Bo Xilai, denunciado por suborno, corrupção e abuso de poder. É o mais importante processo com implicações políticas desde que a Gangue dos Quatro, da qual participava a viúva de Mao Tsé-tung, foi condenada por alta traição, em 1981.
Bo era líder do partido na cidade-província de Xunquim, cargo equivalente a governador, membro do Politburo do Comitê Central do PC e estrela em ascensão da esquerda maoísta. Ambicionava chegar ao Comitê Permanente do Politburo, o grupo que realmente manda na China, e a dirigente máximo do país.
Sua mulher Gu Kailai foi condenada à morte com uma sentença suspensa e transformada provisoriamente em prisão perpétua pela morte do empresário britânico Neil Heywood, que seria intermediário nos negócios internacionais do casal. A mãe de Heywood reclamou recentemente que os filhos dele ficaram desamparados.
O caso revelou aos chineses os desmandos e a vida luxuosa levada por altos dirigentes do partido com o enriquecimento do país.
Bo era líder do partido na cidade-província de Xunquim, cargo equivalente a governador, membro do Politburo do Comitê Central do PC e estrela em ascensão da esquerda maoísta. Ambicionava chegar ao Comitê Permanente do Politburo, o grupo que realmente manda na China, e a dirigente máximo do país.
Sua mulher Gu Kailai foi condenada à morte com uma sentença suspensa e transformada provisoriamente em prisão perpétua pela morte do empresário britânico Neil Heywood, que seria intermediário nos negócios internacionais do casal. A mãe de Heywood reclamou recentemente que os filhos dele ficaram desamparados.
O caso revelou aos chineses os desmandos e a vida luxuosa levada por altos dirigentes do partido com o enriquecimento do país.
Marcadores:
abuso de poder,
Bo Xilai,
China,
Corrupção,
Gangue dos Quatro,
Julgamento,
Neil Heywood,
Partido Comunista,
Politburo,
suborno
quinta-feira, 25 de julho de 2013
China denuncia Bo Xilai por corrupção e abuso de poder
O ex-dirigente do Partido Comunista da China Bo Xilai, centro do maior escândalo político do país nas últimas décadas, foi denunciado hoje por suborno, corrupção e abuso de poder.
Até março de 2012, Bo era estrela em ascensão da linha dura saudosa do maoísmo, governador da cidade-estado de Xunquim, um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central do PC e candidato ao Comitê Permanente, o pequeno grupo agora reduzido de nove para sete imperadores que realmente governa a China.
De um dos homens mais poderosos da superpotência ascensão, candidato à líder máximo do partido e do governo, Bo caiu rapidamente em desgraça. Sua mulher, Gu Kailai, foi condenada no passado pelo assassinato em novembro de 2011 de um empresário britânico envolvido nas transações internacionais do casal.
Bo Xilai e Gu Kailai viraram exemplos de uma liderança arrogante e prepotente, de abuso de poder e do estilo de vida sem limites dos altos dirigentes do partido, que se colocam acima da lei. Neste clima, é mais provável uma condenação rápida de Bo, a exemplo do que aconteceu com Gu. Serão apresentados como exemplo de que o PC está realmente interessado em moralizar a política e combater a corrupção.
Até março de 2012, Bo era estrela em ascensão da linha dura saudosa do maoísmo, governador da cidade-estado de Xunquim, um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central do PC e candidato ao Comitê Permanente, o pequeno grupo agora reduzido de nove para sete imperadores que realmente governa a China.
De um dos homens mais poderosos da superpotência ascensão, candidato à líder máximo do partido e do governo, Bo caiu rapidamente em desgraça. Sua mulher, Gu Kailai, foi condenada no passado pelo assassinato em novembro de 2011 de um empresário britânico envolvido nas transações internacionais do casal.
Bo Xilai e Gu Kailai viraram exemplos de uma liderança arrogante e prepotente, de abuso de poder e do estilo de vida sem limites dos altos dirigentes do partido, que se colocam acima da lei. Neste clima, é mais provável uma condenação rápida de Bo, a exemplo do que aconteceu com Gu. Serão apresentados como exemplo de que o PC está realmente interessado em moralizar a política e combater a corrupção.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Bo Xilai é expulso do Congresso na China
O ex-dirigente do Partido Comunista chinês Bo Xilai, que caiu em desgraça em março, depois do envolvimento de sua mulher na morte de um empresário britânico em meio a um escândalo político, foi expulso hoje oficialmente do Congresso Nacional do Povo e será processado.
Bo Xilai perde assim sua imunidade. Hoje mesmo foi aberto um inquérito policial sobre seus crimes.
Seu caso é o maior escândalo político na China desde que a viúva de Mao Tsé-tung, Chiang Ching, foi condenada, em 1981, por crimes cometidos durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).
O PC chinês escolhe novos dirigentes num congresso do partido que começa em 8 de novembro de 2012.
Bo Xilai perde assim sua imunidade. Hoje mesmo foi aberto um inquérito policial sobre seus crimes.
Seu caso é o maior escândalo político na China desde que a viúva de Mao Tsé-tung, Chiang Ching, foi condenada, em 1981, por crimes cometidos durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).
O PC chinês escolhe novos dirigentes num congresso do partido que começa em 8 de novembro de 2012.
Primeiro-ministro da China virou bilionário
O milagre econômico chinês chegou ao primeiro-ministro Wen Jiabao. Desde que ele assumiu a chefia do governo da China, há 10 anos, sua família acumulou uma fortuna de US$ 2,7 bilhões, revela uma reportagem do jornal The New York Times.
Muitos parentes de Wen, inclusive seu filho, sua filha, seu irmão mais moço e seu genro enriqueceram extraordinariamente. Em muitos casos, os nomes dos parentes estão escondidos por parcerias e fundos de investimento. A investigação desvenda uma trama de ligações subterrâneas entre pessoas com padrinhos políticos importantes e os lucros fabulosos obtidos com o espetacular desenvolvimento da China nas três últimas décadas.
A notícia cai como uma bomba às vésperas do Congresso do Partido Comunista que elege, a partir de 8 de novembro, os novos líderes que devem governar a superpotência emergente nos próximos 10 anos.
Na luta interna pelo poder, a estrela em ascensão da linha dura, Bo Xilai, caiu em desgraça. Wen era um de seus principais inimigos. Chegou a acusar indiretamente suas políticas como prefeito e líder do partido em Xunquim de ameaçarem trazer de volta a Revolução Cultural (1966-76), o período mais traumático da história recente da China.
Muitos parentes de Wen, inclusive seu filho, sua filha, seu irmão mais moço e seu genro enriqueceram extraordinariamente. Em muitos casos, os nomes dos parentes estão escondidos por parcerias e fundos de investimento. A investigação desvenda uma trama de ligações subterrâneas entre pessoas com padrinhos políticos importantes e os lucros fabulosos obtidos com o espetacular desenvolvimento da China nas três últimas décadas.
A notícia cai como uma bomba às vésperas do Congresso do Partido Comunista que elege, a partir de 8 de novembro, os novos líderes que devem governar a superpotência emergente nos próximos 10 anos.
Na luta interna pelo poder, a estrela em ascensão da linha dura, Bo Xilai, caiu em desgraça. Wen era um de seus principais inimigos. Chegou a acusar indiretamente suas políticas como prefeito e líder do partido em Xunquim de ameaçarem trazer de volta a Revolução Cultural (1966-76), o período mais traumático da história recente da China.
domingo, 30 de setembro de 2012
Bo Guagua defende o pai expurgado na China
O filho do desgraçado dirigente do Partido Comunista da China Bo Xilai saiu em defesa do pai, que acaba de ser expulso do PC e acusado de vários crime, inclusive abuso de poder, corrupção passiva e manter relações sexuais impróprias com várias mulheres.
"Pessoalmente, é difícil para mim aceitar as acusações anunciadas contra meu pai porque elas contradizem tudo o que aprendi a respeito dele durante toda a minha vida", argumentou Bo Guagua, que acredita-se que esteja nos Estados Unidos, onde estudava na Universidade de Harvard, em Cambridge, Massachusetts, quando o escândalo estourou, em março de 2012.
"Pessoalmente, é difícil para mim aceitar as acusações anunciadas contra meu pai porque elas contradizem tudo o que aprendi a respeito dele durante toda a minha vida", argumentou Bo Guagua, que acredita-se que esteja nos Estados Unidos, onde estudava na Universidade de Harvard, em Cambridge, Massachusetts, quando o escândalo estourou, em março de 2012.
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
PC chinês inicia congresso da transição no dia 8/11
O Partido Comunista da China convocou para 8 de novembro o congresso que vai eleger os novos dirigentes do regime numa transição que acontece a cada dez anos, desta vez abalada pela queda espetacular de Bo Xilai, o expoente em ascensão da linha dura expurgado hoje. Isso indica que houve um acordo entre as diferentes facções sobre quem será promovido.
Se não houver surpresas, o vice-presidente Xi Jinping será elevado à liderança do PC e, em março de 2013, deverá assumir a Presidência da China, mas acredita-se que o atual presidente, Hu Jintao, quer ficar na presidência da Comissão Militar do Comitê Central para manter sua influência. Esse era o único cargo oficial de Deng Xiaoping nos anos 70 e 80. Xi desapareceu de 1º a 15 de setembro, gerando especulações sobre seu destino.
Bo era um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central, de onde foi afastado em abril de 2012, depois de ter perdido um mês antes a chefia do partido e do governo na cidade-província de Xunquim, onde adotara políticas estatizantes e resgatara práticas da era de Mao Tsé-tung e da Revolução Cultural, inclusive a música triunfalista do realismo socialista. Sonhava em ascender para o Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central, os nove dirigentes máximos do regime comunista chinês.
Sua queda é o escândalo político mais espetacular desde 1981, quando os membros Gangue dos Quatro, inclusive a viúva de Mao, Jiang Ching, foram condenados por crimes cometidos durante a Revolução Cultural. A Gangue virou o símbolo máximo dos excessos, abusos de poder e brutalidade daquele período que Bo tentou reviver.
Se não houver surpresas, o vice-presidente Xi Jinping será elevado à liderança do PC e, em março de 2013, deverá assumir a Presidência da China, mas acredita-se que o atual presidente, Hu Jintao, quer ficar na presidência da Comissão Militar do Comitê Central para manter sua influência. Esse era o único cargo oficial de Deng Xiaoping nos anos 70 e 80. Xi desapareceu de 1º a 15 de setembro, gerando especulações sobre seu destino.
Bo era um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central, de onde foi afastado em abril de 2012, depois de ter perdido um mês antes a chefia do partido e do governo na cidade-província de Xunquim, onde adotara políticas estatizantes e resgatara práticas da era de Mao Tsé-tung e da Revolução Cultural, inclusive a música triunfalista do realismo socialista. Sonhava em ascender para o Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central, os nove dirigentes máximos do regime comunista chinês.
Sua queda é o escândalo político mais espetacular desde 1981, quando os membros Gangue dos Quatro, inclusive a viúva de Mao, Jiang Ching, foram condenados por crimes cometidos durante a Revolução Cultural. A Gangue virou o símbolo máximo dos excessos, abusos de poder e brutalidade daquele período que Bo tentou reviver.
Bo Xilai é expulso do Partido Comunista da China
Depois de ser destituído da Prefeitura de Xunquim em março e de todos os cargos que tinha no Partido Comunista da China em abril, Bo Xilai foi expulso do PC e "terá de enfrentar a Justiça", informou hoje a agência oficial de notícias Nova China.
A notícia foi divulgada no dia em que foi anunciada a data de 8 de novembro para início o congresso do partido que vai oficializar a mudança para uma nova geração de líderes. Isso indica que houve um acerto entre as diferentes facções do PC para suavizar uma transição que é sempre difícil num regime fechado e poderoso - e Bo foi sacrificado.
Sua mulher, Gu Kailai, foi condenada à morte com direito a suspensão da pena pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood, que seria responsável pelos negócios internacionais do casal, no maior escândalo político em três décadas na China. Seu vice e chefe de polícia em Xunquim, Wang Lijun, pegou 15 anos de cadeia pelo mesmo crime.
Até hoje, Bo só havia sido acusado por "sérias infraçcões disciplinares". Como expoente da linha dura e por ser um principezinho, filho de um dos líderes da revolução comunista, acreditava-se que ele poderia receber punições menores e não ir para a cadeia. Mas Bo terá de responder por abuso de poder e aceitar grandes propinas, entre outros crimes, informa a agência de notícias Reuters.
"As ações de Bo Xilai tiveram repercussões graves e causaram enorme prejuízo à reputação do partido e do Estado, produzindo efeitos malignos no país e no exterior", acusa a nota distribuída pela liderança do PC, reproduzida pela agência Nova China.
A notícia foi divulgada no dia em que foi anunciada a data de 8 de novembro para início o congresso do partido que vai oficializar a mudança para uma nova geração de líderes. Isso indica que houve um acerto entre as diferentes facções do PC para suavizar uma transição que é sempre difícil num regime fechado e poderoso - e Bo foi sacrificado.
Sua mulher, Gu Kailai, foi condenada à morte com direito a suspensão da pena pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood, que seria responsável pelos negócios internacionais do casal, no maior escândalo político em três décadas na China. Seu vice e chefe de polícia em Xunquim, Wang Lijun, pegou 15 anos de cadeia pelo mesmo crime.
Até hoje, Bo só havia sido acusado por "sérias infraçcões disciplinares". Como expoente da linha dura e por ser um principezinho, filho de um dos líderes da revolução comunista, acreditava-se que ele poderia receber punições menores e não ir para a cadeia. Mas Bo terá de responder por abuso de poder e aceitar grandes propinas, entre outros crimes, informa a agência de notícias Reuters.
"As ações de Bo Xilai tiveram repercussões graves e causaram enorme prejuízo à reputação do partido e do Estado, produzindo efeitos malignos no país e no exterior", acusa a nota distribuída pela liderança do PC, reproduzida pela agência Nova China.
domingo, 23 de setembro de 2012
Ex-chefe de polícia de Bo Xilai pega 15 anos de prisão
O ex-chefe de polícia e ex-vice-prefeito de Bo Xilai na cidade e província de Xunquim, na China, Wang Lijun foi condenado por um tribunal da cidade de Chengdu a 15 anos de prisão por quatro acusações: abuso de poder, corrupção, deserção e conspiração para ocultar o assassinato do empresário britânico Neil Heywood, morto em 13 de novembro do ano passado pela mulher de Bo, Gu Kailai, informou há pouco a agência oficial de notícias Nova China.
Depois do crime, Wang Lijun conseguiu gravar uma confissão da mulher do chefe. Quando Wang comentou o assunto com Bo, no início de fevereiro, diante da reação violenta do então alto dirigente do Partido Comunista, ele se refugiou no Consulado dos Estados Unidos em Chengdu.
Sob pressão das autoridades chinesas, saiu e entregou as provas que tinha à polícia. Isso foi decisivo para a condenação à morte de Gu Kailai, que está com a pena suspensa temporariamente com grande chance de ser convertida em prisão perpétua.
Bo era a grande estrela em ascensão da linha dura maoísta. Como membro do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, era um dos 25 homens mais poderosos da China. Sonhava em ser eleito para o Comitê Permanente do Politburo, os nove imperadores que mandam de fato no país.
Em março de 2012, ele perdeu a liderança do partido e, em abril, todos seus outros cargos, no maior escândalo político em mais de 30 anos na China, desde que a viúva de Mao Tsé-tung e os outros membros da Gangue dos Quatro foram condenados, em 1981.
Depois do crime, Wang Lijun conseguiu gravar uma confissão da mulher do chefe. Quando Wang comentou o assunto com Bo, no início de fevereiro, diante da reação violenta do então alto dirigente do Partido Comunista, ele se refugiou no Consulado dos Estados Unidos em Chengdu.
Sob pressão das autoridades chinesas, saiu e entregou as provas que tinha à polícia. Isso foi decisivo para a condenação à morte de Gu Kailai, que está com a pena suspensa temporariamente com grande chance de ser convertida em prisão perpétua.
Bo era a grande estrela em ascensão da linha dura maoísta. Como membro do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, era um dos 25 homens mais poderosos da China. Sonhava em ser eleito para o Comitê Permanente do Politburo, os nove imperadores que mandam de fato no país.
Em março de 2012, ele perdeu a liderança do partido e, em abril, todos seus outros cargos, no maior escândalo político em mais de 30 anos na China, desde que a viúva de Mao Tsé-tung e os outros membros da Gangue dos Quatro foram condenados, em 1981.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Chefe de polícia de Bo Xilai vai a julgamento na China
Um dos personagens centrais do maior escândalo político dos últimos 30 anos na China começou a ser julgado hoje. Wang Lijun era vice-governador, vice-prefeito e chefe de polícia de Bo Xilai na cidade-província de Xunquim. Em novembro, conspirou com a mulher do chefe para matar um empresário britânico, mas teve o cuidado de gravar uma confissão.
Três meses depois, Wang abandonou o cargo e se refugiou no Consulado dos Estados Unidos em Chengdu, mas acabou se rendendo às autoridades chinesas, a quem entregou a confissão gravada por Gu Kailai, mulher de Bo. Ela foi condenada à morte num julgamento rápido. A sentença está suspensa e deve ser convertida em prisão perpétua.
Bo Xilai caiu espetacularmente. Em março, foi afastado da liderança do partido em Xunquim por "sérias violações disciplinares". Em abril, perdeu sua posição de membro do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista. Ele era a maior estrela em ascensão da linha dura. Sonhava em entrar para o Comitê Permanente do Politburo, formado pelos nove imperadores que governam a China.
Três meses depois, Wang abandonou o cargo e se refugiou no Consulado dos Estados Unidos em Chengdu, mas acabou se rendendo às autoridades chinesas, a quem entregou a confissão gravada por Gu Kailai, mulher de Bo. Ela foi condenada à morte num julgamento rápido. A sentença está suspensa e deve ser convertida em prisão perpétua.
Bo Xilai caiu espetacularmente. Em março, foi afastado da liderança do partido em Xunquim por "sérias violações disciplinares". Em abril, perdeu sua posição de membro do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista. Ele era a maior estrela em ascensão da linha dura. Sonhava em entrar para o Comitê Permanente do Politburo, formado pelos nove imperadores que governam a China.
sábado, 15 de setembro de 2012
Futuro líder chinês reaparece após duas semanas
Depois de um sumiço de duas semanas que gerou uma onda de boatos, o vice-presidente Xi Jinping, apontado como futuro líder do Partido Comunista e próximo presidente da China, reapareceu. Ele não era visto desde 1º de setembro. Hoje foi à Universidade Rural de Beijim para a Jornada Nacional para Popularizar a Ciência.
Os rumores sobre mais um golpe na luta interna pelo poder no regime comunista proliferaram na Internet chinesa quando Xi desmarcou encontros com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e a primeira-ministra da Dinamarca.
No 18º Congresso do partido, em outubro de 2012, Xi Jinping deve ser consagrado como secretário-geral do PC, em substituição ao presidente Hu Jintao, numa mudança da liderança do partido e do governo que acontece a cada dez anos. É uma transição que o regime comunista chinês tenta institucionalizar desde 1992 para evitar as violentas lutas pelo poder que marcam a História da China desde o passado imperial.
A luta continua. Em março de 2012, o alto dirigente Bo Xilai, maior expoente em ascensão da linha dura maoísta, caiu em desgraça. Ele era membro do Politburo do Comitê Central do PC, de 25 membros. Sonhava em ser eleito para o Comitê Permanente, que terá sete de seus nove membros mudados no congresso do partido. Sua mulher foi condenada por assassinato, mas ele não foi processado. Foi uma concessão à linha dura.
Os maoístas se sentem como dissidentes do atual regime. Ganharam com a crise mundial do capitalismo inspirado pelos Estados Unidos. Resistem, por exemplo, às privatizações, que podem ser uma opção para revigorar a economia chinesa e reverter o declínio nas taxas de crescimento.
Com a luta do poder em plena marcha longe do público, sem qualquer transparência, o desaparecimento do vice-líder a caminho do poder intrigou meio mundo. Até quando a China vai aguentar isso? Até a primeira crise econômica séria. Aí o monopólio de poder do PC será questionado.
O caminho para uma mudança suave é uma reforma política que o regime se recusa a fazer para não ceder seu poder absoluto. Mais cedo ou mais tarde, terá de fazer.
Os rumores sobre mais um golpe na luta interna pelo poder no regime comunista proliferaram na Internet chinesa quando Xi desmarcou encontros com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e a primeira-ministra da Dinamarca.
No 18º Congresso do partido, em outubro de 2012, Xi Jinping deve ser consagrado como secretário-geral do PC, em substituição ao presidente Hu Jintao, numa mudança da liderança do partido e do governo que acontece a cada dez anos. É uma transição que o regime comunista chinês tenta institucionalizar desde 1992 para evitar as violentas lutas pelo poder que marcam a História da China desde o passado imperial.
A luta continua. Em março de 2012, o alto dirigente Bo Xilai, maior expoente em ascensão da linha dura maoísta, caiu em desgraça. Ele era membro do Politburo do Comitê Central do PC, de 25 membros. Sonhava em ser eleito para o Comitê Permanente, que terá sete de seus nove membros mudados no congresso do partido. Sua mulher foi condenada por assassinato, mas ele não foi processado. Foi uma concessão à linha dura.
Os maoístas se sentem como dissidentes do atual regime. Ganharam com a crise mundial do capitalismo inspirado pelos Estados Unidos. Resistem, por exemplo, às privatizações, que podem ser uma opção para revigorar a economia chinesa e reverter o declínio nas taxas de crescimento.
Com a luta do poder em plena marcha longe do público, sem qualquer transparência, o desaparecimento do vice-líder a caminho do poder intrigou meio mundo. Até quando a China vai aguentar isso? Até a primeira crise econômica séria. Aí o monopólio de poder do PC será questionado.
O caminho para uma mudança suave é uma reforma política que o regime se recusa a fazer para não ceder seu poder absoluto. Mais cedo ou mais tarde, terá de fazer.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Sumiço de Xi Jinping gera boatos na China
O desaparecimento do vice-presidente Xi Jinping, que deveria suceder Hu Jintao no fim deste ano como líder do Partido Comunista e presidente da China, estimula especulações sobre a luta pelo poder dentro o regime depois da queda espetacular de Bo Xilai, que a maior estrela em ascensão da linha dura saudosa da era maoísta.
A explicação oficial é que ele estaria doente, mas essa sempre foi uma desculpa clássica de regimes comunistas para justificar o afastamento inesperado de altos dirigentes.
Na semana passada, Xi faltou a três compromissos oficiais, inclusive encontros com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e a primeira-ministra da Dinamarca.
Alguns diplomatas ouviram dizer que ele sofreu uma lesão muscular nadando ou jogando futebol. Uma reportagem que chegou a sair na mídia, mas foi retirada, dizia que ele se feriu num acidente de automóvel em que um militar teria tentado matá-lo em vingança. Outra versão fala de um ataque cardíaco suave, informa o jornal The New York Times.
É mais um problema para uma transição que acontece de dez em dez anos na China, um sistema criado pelo ex-líder Jiang Zemin, que ascendeu depois do Massacre da Paz Celestial. Jiang era líder do PC em Xangai, a maior e mais rica cidade chinesa, onde não houve protestos como em Beijim.
Se o objetivo era passar ao povo chinês e ao resto do mundo uma imagem de estabilidade e segurança, esta transição, que envolve a queda espetacular de Bo Xilai e a condenação de sua mulher por assassinato de um empresário britânico, teve o efeito contrário. Revelou uma ditadura com uma cúpula cercada de privilégios e mistérios.
A explicação oficial é que ele estaria doente, mas essa sempre foi uma desculpa clássica de regimes comunistas para justificar o afastamento inesperado de altos dirigentes.
Na semana passada, Xi faltou a três compromissos oficiais, inclusive encontros com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e a primeira-ministra da Dinamarca.
Alguns diplomatas ouviram dizer que ele sofreu uma lesão muscular nadando ou jogando futebol. Uma reportagem que chegou a sair na mídia, mas foi retirada, dizia que ele se feriu num acidente de automóvel em que um militar teria tentado matá-lo em vingança. Outra versão fala de um ataque cardíaco suave, informa o jornal The New York Times.
É mais um problema para uma transição que acontece de dez em dez anos na China, um sistema criado pelo ex-líder Jiang Zemin, que ascendeu depois do Massacre da Paz Celestial. Jiang era líder do PC em Xangai, a maior e mais rica cidade chinesa, onde não houve protestos como em Beijim.
Se o objetivo era passar ao povo chinês e ao resto do mundo uma imagem de estabilidade e segurança, esta transição, que envolve a queda espetacular de Bo Xilai e a condenação de sua mulher por assassinato de um empresário britânico, teve o efeito contrário. Revelou uma ditadura com uma cúpula cercada de privilégios e mistérios.
sábado, 8 de setembro de 2012
Crise política traz de volta velha guarda na China
A queda espetacular de Bo Xilai e a luta pela sucessão do atual grupo dirigente aumentaram o prestígio e a importância de líderes veteranos que foram convocados unir e pacificar o turbulento Partido Comunista da China.
Dez anos depois de passar o poder pacificamente ao atual presidente, Hu Jintao, na primeira transição tranquila do regime comunista chinês, o ex-líder Jiang Zemin, hoje com 86 anos, foi chamado para dar sua opinião sobre o caso de Bo Xilai, o dirigente do partido que resgatou canções e práticas maoístas do tempo da Revolução Cultural (1966-76).
Bo era visto como o maior expoente em ascensão da linha dura quando foi derrubado, em março e abril de 2011, por "graves violações disciplinares". Sua mulher foi condenada por assassinato, mas ele foi poupado até agora de um processo criminal.
Outro veterano, Qiao Shi, de 87, ex-rival de Jiang, também participou das deliberações sobre o futuro de Bo. Teria defendido uma punição mais severa a Bo Xilai, que sonhava em ascender no fim do ano ao Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do PC, o órgão máximo do poder na China, formado pelos chamados nove imperadores que governo o país de fato.
Como o partido ainda não anunciou oficialmente o destino de Bo, acredita-se que ele se transformou em mais um peça da luta política interna do PC chinês. Jiang Zemin, que era próximo do pai de Bo, Bo Yibo, quer um tratamento brando.
A reemergência da velha guarda revela um problema adicional para os dirigentes chineses. Desde que a idade de 68 anos foi introduzida informalmente como limite para ocupar cargos na alta direção do PC, há no país uma série de dirigentes aposentados que usam seu tempo, seu poder e seus contatos para manter um papel ativo no jogo político, muitas vezes através de protegidos que ajudaram a promover.
Ao todo, há 12 antigos membros do Comitê Permanente vivos, 12 ex-imperadores, e imperadores não costumam se aposentar. A maioria participou de um encontro anual informal em Beidaihe, a praia onde a cúpula da ditadura chinesa costuma passar as férias de verão. Sete dos nove membros atuais do comitê também participaram.
O futuro de Bo Xilai certamente foi um dos temas centrais das discussões, dividindo o partido entre as facções de Jiang e de Hu. Na semana passada, um aliado de Hu, Ling Jihua, foi rebaixado depois de um acidente de carro com seu filho, que dirigia uma Ferrari onde foram encontradas duas mulheres seminuas, em mais um sinal dos abusos da elite no poder.
Hu Jintao e o primeiro-ministro Wen Jiabao gostaria de dar uma punição exemplar em Bo. Teriam recuado porque ele tem amigos poderosos, a começar por Jiang Zemin. Uma investigação mais profunda sobre as atividades de Bo poderia respingar em outros dirigentes do partido.
Dez anos depois de passar o poder pacificamente ao atual presidente, Hu Jintao, na primeira transição tranquila do regime comunista chinês, o ex-líder Jiang Zemin, hoje com 86 anos, foi chamado para dar sua opinião sobre o caso de Bo Xilai, o dirigente do partido que resgatou canções e práticas maoístas do tempo da Revolução Cultural (1966-76).
Bo era visto como o maior expoente em ascensão da linha dura quando foi derrubado, em março e abril de 2011, por "graves violações disciplinares". Sua mulher foi condenada por assassinato, mas ele foi poupado até agora de um processo criminal.
Outro veterano, Qiao Shi, de 87, ex-rival de Jiang, também participou das deliberações sobre o futuro de Bo. Teria defendido uma punição mais severa a Bo Xilai, que sonhava em ascender no fim do ano ao Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do PC, o órgão máximo do poder na China, formado pelos chamados nove imperadores que governo o país de fato.
Como o partido ainda não anunciou oficialmente o destino de Bo, acredita-se que ele se transformou em mais um peça da luta política interna do PC chinês. Jiang Zemin, que era próximo do pai de Bo, Bo Yibo, quer um tratamento brando.
A reemergência da velha guarda revela um problema adicional para os dirigentes chineses. Desde que a idade de 68 anos foi introduzida informalmente como limite para ocupar cargos na alta direção do PC, há no país uma série de dirigentes aposentados que usam seu tempo, seu poder e seus contatos para manter um papel ativo no jogo político, muitas vezes através de protegidos que ajudaram a promover.
Ao todo, há 12 antigos membros do Comitê Permanente vivos, 12 ex-imperadores, e imperadores não costumam se aposentar. A maioria participou de um encontro anual informal em Beidaihe, a praia onde a cúpula da ditadura chinesa costuma passar as férias de verão. Sete dos nove membros atuais do comitê também participaram.
O futuro de Bo Xilai certamente foi um dos temas centrais das discussões, dividindo o partido entre as facções de Jiang e de Hu. Na semana passada, um aliado de Hu, Ling Jihua, foi rebaixado depois de um acidente de carro com seu filho, que dirigia uma Ferrari onde foram encontradas duas mulheres seminuas, em mais um sinal dos abusos da elite no poder.
Hu Jintao e o primeiro-ministro Wen Jiabao gostaria de dar uma punição exemplar em Bo. Teriam recuado porque ele tem amigos poderosos, a começar por Jiang Zemin. Uma investigação mais profunda sobre as atividades de Bo poderia respingar em outros dirigentes do partido.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Chefe de polícia de Bo Xilai é acusado na China
O ex-chefe de polícia da cidade e da província de Xunquim sob a liderança do ex-dirigente comunista Bo Xilai, Wang Lijun, que na prática era vice-prefeito e vice-governador, foi denunciado hoje pela Justiça da China de abuso de poder, corrupção e defecção. Não foi acusado de traição, geralmente punida com a pena de morte.
Wang colaborou com a mulher de Bo, Gu Kailai, na conspiração matar o empresário britânico Neil Heywood, em novembro de 2011, mas acabou gravando uma confissão de Gu, que entregou às autoridades chinesas em fevereiro de 2012, depois de se refugiar no Consulado dos Estados Unidos em Chengdu.
Em março deste ano, Bo, estrela em ascensão da linha dura saudosa do maoísmo, foi afastado da liderança do Partido Comunista em Xunquim por "graves violações disciplinares", mas não foi acusado de nenhum crime. Em abril, Bo perdeu todos os outros cargos.
Bo Xilai era membro do Politburo, de 25 membros, o órgão encarregado de formular as políticas do partido. Sonhava em ser elevado para o Comitê Permanente do Politburo, formado por nove líderes, os chamados nove imperadores que governam a China de fato.
"Para manter a unidade do PC" neste ano difícil de escolha dos dirigentes que devem dominar a política chinesa nos próximos dez anos, "porque Bo Xilai tem apoios poderosos, o presidente Hu Jintao teria decidido tratá-lo com leveza", declarou o analista Willy Lam, professor da Universidade Chinesa de Hong Kong, citado pelo jornal The New York Times.
Hu deixa no fim do ano a liderança do partido. Deve ser substituído pelo vice-presidente Xi Jinping, que no próximo ano assume também a Presidência da China. Talvez Hu mantenha a presidência da comissão militar do comitê central, que supervisiona o Exército Popular de Libertação. Era o único cargo de Deng Xiaoping, que era o dirigente máximo do país, mas formalmente não tinha nenhum outro cargo.
Wang colaborou com a mulher de Bo, Gu Kailai, na conspiração matar o empresário britânico Neil Heywood, em novembro de 2011, mas acabou gravando uma confissão de Gu, que entregou às autoridades chinesas em fevereiro de 2012, depois de se refugiar no Consulado dos Estados Unidos em Chengdu.
Em março deste ano, Bo, estrela em ascensão da linha dura saudosa do maoísmo, foi afastado da liderança do Partido Comunista em Xunquim por "graves violações disciplinares", mas não foi acusado de nenhum crime. Em abril, Bo perdeu todos os outros cargos.
Bo Xilai era membro do Politburo, de 25 membros, o órgão encarregado de formular as políticas do partido. Sonhava em ser elevado para o Comitê Permanente do Politburo, formado por nove líderes, os chamados nove imperadores que governam a China de fato.
"Para manter a unidade do PC" neste ano difícil de escolha dos dirigentes que devem dominar a política chinesa nos próximos dez anos, "porque Bo Xilai tem apoios poderosos, o presidente Hu Jintao teria decidido tratá-lo com leveza", declarou o analista Willy Lam, professor da Universidade Chinesa de Hong Kong, citado pelo jornal The New York Times.
Hu deixa no fim do ano a liderança do partido. Deve ser substituído pelo vice-presidente Xi Jinping, que no próximo ano assume também a Presidência da China. Talvez Hu mantenha a presidência da comissão militar do comitê central, que supervisiona o Exército Popular de Libertação. Era o único cargo de Deng Xiaoping, que era o dirigente máximo do país, mas formalmente não tinha nenhum outro cargo.
Assinar:
Comentários (Atom)