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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Maioria republicana no Senado absolve Trump no processo de impeachment

Como era esperado, os senadores do Partido Republicano absolveram hoje o presidente Donald Trump no julgamento do processo de impeachment. Só um senador republicano, o ex-candidato a presidente Mitt Romney, condenou Trump por abuso de poder. Eram necessários os votos de pelo menos 20 senadores do partido para afastar o presidente.

O processo começou em setembro na Câmara dos Representantes, dominada pelo Partido Democrata, de oposição. Trump foi investigado por pressionar o novo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a investigar as atividades de Hunter Biden, filho do ex-vice-presidente Joe Biden, principal rival de Trump na eleição deste ano. Hunter dirigia uma empresa de gás no país.

Trump segurou uma ajuda militar de 391 milhões de dólares aprovada pelo Congresso para pressionar o líder ucraniano. Também queria um inquérito para acusar a Ucrânia e não à Rússia pela interferência indevida nas eleições de 2016 nos Estados Unidos.

Um agente secreto que teve acesso ao conteúdo de um telefonema de Trump e Zelensky em 25 de julho deu o alerta. O presidente exigia um anúncio oficial da abertura de investigações sobre Biden e o filho. Usou a máquina pública para conseguir um trunfo na campanha eleitoral deste ano.

Em 17 de dezembro, a maioria democrata na Câmara aprovou a denúncia contra o presidente com duas acusações: abuso de poder ao usar a máquina pública para pressionar o presidente da Ucrânia em benefício próprio e obstrução do Congresso ao se negar a entregar documentos e a autorizar assessores a depor. 

Pela Constituição dos Estados Unidos, basta maioria simples para a Câmara denunciar um presidente num processo de impeachment. Mas a condenação no Senado exige dois terços dos votos. Meu comentário:

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Câmara dos EUA denuncia Trump por abuso de poder e obstrução do Congresso

Os líderes do Partido Democrata na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos formalizaram hoje duas acusações ao presidente Donald Trump num processo de impeachment por "ignorar e ferir os interesses da nação. A votação final na Câmara deve acontecer antes do Natal.

A denúncia tem nove páginas. Acusa Trump de corrupção ao pedir ao governo da Ucrânia que iniciasse investigações para atingir adversários políticos, especialmente o ex-vice-presidente Joe Biden, favorito no momento para ser o principal candidato da oposição na eleição presidencial de novembro de 2020. 

Para pressionar o novo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, Trump usou dois instrumentos de seu poder como presidente dos Estados Unidos: segurou uma ajuda militar de 391 milhões de dólares, mais de 1 bilhão 621 milhões de reais, e barganhou com uma visita oficial de Zelensky à Casa Branca.

“Em tudo isto”, diz a denúncia, “o presidente Trump abusou dos poderes da Presidência ignorando e ferindo a segurança nacional e outros interesses nacionais vitais para obter benefício político pessoal impróprio". Ele também é acusado de trair a nação ao "aliciar uma potência estrangeira a corromper eleições democráticas.” Meu comentário:

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Câmara dos EUA abre inquérito para o impeachment de Trump

Por 232 a 196 votos, uma Câmara de Representantes dividida ao longo de linhas partidárias aprovou hoje a abertura oficial do inquérito sobre possíveis crimes capazes de justificar a abertura de um processo de impeachment do presidente Donald Trump. Todos os republicanos e dois democratas votaram contra.

Dentro de duas semanas, as audiências devem passar a ser televisionadas. A comissão parlamentar de inquérito também poderá divulgar os depoimentos realizados em sessões secretas, motivo de protestos do Partido Republicano. 

Logo depois da votação, o presidente Trump foi para o Twitter alegar que é a maior caça às bruxas da história dos Estados Unidos. A bancada republicana repudiou a decisão, alegando ser uma tentativa de mudar o resultado da eleição de 2016. 

Os deputados governistas chegaram a citar a resistência da presidente da Câmara, a deputada democrata Nancy Pelosi, em abrir o processo de impeachment. Desde o início do ano, a oposição tem maioria na Câmara dos Estados Unidos e a ala mais radical do partido pedia a abertura do processo.

Tudo mudou quando um oficial de informações revelou que Trump havia pressionado o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a investigar os negócios ucranianos de Hunter Biden, filho do ex-vice-presidente Joe Biden, principal adversário de Trump nas eleições do ano que vem. 

O presidente americano segurou uma ajuda militar de 391 milhões de dólares à Ucrânia e abusou do poder, usando a política externa dos Estados Unidos para forçar um chefe de Estado estrangeiro a investigar um adversário político, numa interferência direta na eleição presidencial americana. Meu comentário:

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Todos bispos chilenos pedem demissão em escândalo de pedofilia

Em um documento bombástico, o papa Francisco reconheceu o fracasso coletivo da Igreja Católica do Chile no combate à pedofilia, acobertando "númerosas situações de abuso de poder, abuso de autoridade e abusos sexuais". Os "documentos comprometedores" foram destruídos. Toda a cúpula da Igreja Católica chilena foi convocada para dar explicações no Vaticano e pediu demissão.

"Nós, todos os bispos presentes em Roma, entregamos nossos postos nas mãos do Santo Padre para que ele decida livremente" quem vai chefiar a Igreja chilena, declararam porta-vozes da Conferência Nacional dos Bispos do Chile. "Pedimos perdão pela dor causada às vítimas, ao papa, a Deus e a nosso país pelos graves erros e omissões que cometemos."

O texto, revelado ontem pela televisão chilena T13, se baseia num relatório não divulgado de 2,3 mil páginas redigido por dois investigadores nomeados pelo papa. Denuncia "a existência de gravíssimas negligências na proteção de vulneráveis de parte de bispos e superiores religiosos". Religiosos expulsos por "comportamentos imorais" foram acolhidos por outras dioceses, onde mantinham "contatos cotidianos diretos com menores".

As acusações de pedofilia foram consideradas "inverossímeis" quando apresentavam "graves indícios de delitos efetivos", além da "homossexualidade ativa" de religiosos, em flagrante violação às normas da Igreja.

"Seria irresponsável de nossa parte não escavar para encontrar as raízes e as estruturas que permitiram que esses acontecimentos se produzissem e fossem perpetuados", afirmou o papa Francisco.

Durante visita recente ao Chile, o papa atacou quem denunciava a pedofilia na Igreja, mas voltou atrás, reconheceu o erro e decidiu punir os responsáveis com rigor.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Ex-presidente da Coreia do Sul pega 24 anos de cadeia por corrupção

A ex-presidente da Coreia do Sul Park Geun Hye, afastada há um ano num processo de impeachment, foi condenada hoje a 24 anos de prisão e multa equivalente a R$ 57 milhões por coação, abuso de poder e corrupção. 

Junto com a amiga e confidente Choi Soon Il, ela conspirou para cobrar propina de grandes empresas sul-coreanas, inclusive da Samsung, a maior de todas, num total de US$ 40 milhões, cerca de R$ 135 milhões.

O Ministério Público denunciou Park por 31 crimes e pediu 30 anos de prisão e multa de US$ 120 milhões. Choi foi sentenciada a 20 anos de cadeia em fevereiro de 2018. Park, presa desde março de 2017, depois de uma série de manifestações de rua na Revolução à Luz de Velas, nega todas as acusações contra ela.

Filha do ditador Park Chung Hee (1961-79), Park Geun Hye foi a primeira mulher eleita presidente da Coreia do Sul e a primeira chefe de Estado a ser impedida num julgamento político. Pela lei sul-coreana, o impeachment precisa ser aprovado por dois terços da Assembleia Nacional e confirmado por dois terços da Suprema Corte.

Seu antecessor, Lee Myung Bak, está sendo processado por abuso de poder, aceitar propina, desfalque e evasão fiscal. Dois líderes anteriores foram condenados por traição e corrupção. Um pegou pena de morte, mas no fim ambos foram perdoados.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Trump compra briga com astros do basquete e do futebol americano

O incorrigível Donald Trump entrou em guerra com os astros do basquete e do futebol americano que protestam contra o racismo, a discriminação, a brutalidade policial contra negros e a impunidade de policiais que matam negros.

"Nada une mais os Estados Unidos do que o esporte e nada divide mais do que a política", comentou um dirigente esportivo, criticando a insensibilidade do presidente.

Tudo começou na sexta-feira, quando o melhor jogador da última temporada da Associação Nacional de Basquete (NBA) dos EUA, Steven Curry, confirmou em entrevista que estava em dúvida se iria ou não à Casa Branca, onde o presidente costuma receber os campeões nacionais. Os jogadores do Golden State Warriors decidiriam em votação no fim de semana.

Pelo Twitter, na madrugada de sábado, Trump anunciou a retirada do convite para receber o Golden State Warriors, provocando uma revolta dos jogadores da NBA. O segundo melhor jogador da temporada, Lebron James, rival de Curry, declarou que "era uma honra ir à Casa Branca antes de você chegar lá".

Na sexta-feira, em discurso para apoiar um candidato do Partido Republicano numa eleição suplementar para o Senado, Trump declarou que os jogadores que se ajoelham durante a execução do hino nacional dos EUA antes da partidas da Liga Nacional de Futebol (NFL) devem ser demitidos.

"Vocês não gostariam de ver um desses donos da NFL, quando alguém desrespeita nossa bandeira, dizer: 'Tire este filho da puta do campo agora já. Fora! Ele está demitido! Está demitido!'?", sugeriu o presidente.

Caso contrário, defendeu o boicote da NFL . Trump também acusou a federação de "arruinar o esporte" por impedir certo tipo de choques capazes de causar concussões cerebrais, ignorando como de costume as últimas conclusões da ciência.

A NBA sempre foi mais politizada. Lebron James, do Cleveland Cavaliers, apresentou a candidata democrata Hillary Clinton como "a próxima presidente dos EUA" no comício de encerramento da campanha em Ohio, no ano passado.

Por sua vez, a NFL é tradicionalmente mais conservadora, ligada às Forças Armadas. Um jogador que protestou no ano passado foi praticamente banido em silêncio. Sua história ressurgiu com a briga de Trump.

No fim de semana, houve protestos em todos os grandes jogos da NFL.

Hoje Trump declarou via Twitter: "Não é uma questão racial. É uma questão de respeito ao nosso hino e à nossa bandeira."

À noite, todo o time do Dallas Cowboys, inclusive o dono do clube, Jerry Jones, se ajoelhou durante a execução do hino, informou a agência Reuters.

domingo, 27 de agosto de 2017

Maior jornal do Arizona condena perdão de Trump a xerife linha-dura

Para o maior jornal do estado do Arizona, Arizona Republic, o perdão do presidente Donald Trump ao xerife Joseph Arpaio "foi um tapa na cara dos latinos e de todos os outros". O jornal vê uma prova de que "o racismo institucional é claramente um objetivo de Trump".

Em editorial, o jornal observa que "o perdão de Joe Arpaio eleva o ex-xerife do condado de Maricopa ao status de monumento entre a linha-dura anti-imigração e os nacionalistas da base de Trump. Isso elimina qualquer dúvida de que Trump quis lhes dar poder depois da violência em Charlottesville. Arpaio é seu queridinho. Está de volta agora no seu pedestal graças ao presidente."

A decisão, acrescenta o editorial, agride todos os americanos que acreditam em "justiça, dignidade humana e Estado de Direito": "A ampla maioria dos latinos do Arizona não são indocumentados, mas todos se sentiram sob escrutínio enquanto Arpaio cultivava sua imagem. O perdão é um tapa na cara de quem trabalhou no sistema judicial para fazer Arpaio ser responsabilizado. Tirou a justiça dos que foram atingidos por suas políticas antes mesmo que ele fosse sentenciado."

O jornal concluiu que fica evidente que Trump não tem interesse em ser o presidente de todos os americanos e regride a uma era onde era tolerável discriminar minorias: "Isto deve preocupar todo americano que acredita que nosso dever como nação é continuar trabalhando em favor de uma justiça igual para todos."

quinta-feira, 30 de março de 2017

Presidente impedida é presa por corrupção na Coreia do Sul

Três semanas depois de ser deposta num processo da impeachment referendado pelo Supremo Tribunal da Coreia do Sul, a ex-presidente Park Geun Hye foi presa hoje sob as acusações de receber suborno e abusar do poder.

O escândalo político envolve tráfico de influência de uma amiga íntima que usou a proximidade com a presidente para extorquir dinheiro das maiores empresas sul-coreanas, inclusive a maior de todas a Samsung. O herdeiro e diretor executivo da companhia, Lee Jae Yong, também está preso.

Para o juiz Kang Bu Yeong, do Tribunal Distrital do Centro de Seul, Park, de 65 anos, precisa ficar presa para não destruir provas e obstruir a Justiça. Ela é acusada de ajudar a amiga Choi Soon Il a extorquir doações das grandes empresas do país em troca de favores políticos.

A Samsung, por exemplo, pagou para facilitar a aprovação de uma fusão de duas subsidiárias sem correr risco de ser acusada de monopólio por agentes reguladores da livre concorrência. Tanto o herdeiro da Samsung quanto a ex-presidente negam qualquer culpa.

Park é filha mais velha do ditador Park Chung Hee, o presidente que governou a Coreia do Sul por mais tempo, de 1961 a 1979, quando foi assassinado. Ele foi o pai do milagre econômico que transformou a Coreia do Sul num dos pouquíssimos países a vencer o subdesenvolvimento no século 20.

Neste processo, a Coreia do Sul criou grandes conglomerados industriais de grande poder político (chaebol, no singular), como a Samsung e a Hyundai. Como no Brasil, a corrupção é endêmica no sistema político sul-coreano. O impeachment e o julgamento de Park são um avanço civilizatório da democracia no Leste da Ásia.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Ex-ministro da Segurança do Estado pega prisão perpétua na China

O ex-ministro da Segurança do Estado Zhou Yongkang foi condenado à prisão perpétua hoje por corrupção, abuso de poder e revelação de segredos de Estado. Ele teria confessado todos os crimes e não vai recorrer, informou a agência de notícias oficial Nova China. 

Zhou é o mais alto dirigente processado na China desde a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung, em 1º de outubro de 1949. Chegou a ser membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, um dos nove (agora são sete) imperadores que mandam de fato no país.

Seu julgamento foi o mais importante politicamente desde a condenação da Gangue dos Quatro, da qual fazia parte a viúva de Mao, em 1981. Eles foram responsabilizados por crimes cometidos durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), uma era de perseguições políticas em que altos dirigentes foram expurgados e mortos.

Como ex-ministro da Segurança do Estado, Zhou era chefe dos poderosos serviços secretos chineses. É o dirigente mais importante enquadrado na campanha anticorrupção do presidente Xi Jinping, que prometeu "caçar das moscas aos tigres" para moralizar o regime comunista da China no momento em que a desaceleração do crescimento reduz sua legitimidade.

terça-feira, 29 de julho de 2014

China investiga ex-ministro da Segurança por corrupção

O ex-ministro da Segurança Pública Zhou Yongkang está sendo investigado por "violações disciplinares sérias", expressão usada pelo regime comunista chinês em denúncias de corrupção. Ele era membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista, um dos nove imperadores que governavam a China na presidência de Hu Jintao; hoje, são apenas sete.

Em uma nota curta, a agência oficial de notícias Nova China, citada pela televisão estatal britânica BBC, informou que o inquérito será realizado pela Comissão Central para Inspeção Disciplinar do partido.

Zhou é o mais alto dirigente comunista chinês sob inquérito desde o processo contra a Gangue dos Quatro, que incluía a viúva de Mao Tsé-tung, Jiang Ching, em 1981. O grupo e o ex-expoente da linha dura Lin Piao, falecido num acidente de avião suspeito quando fugia do país, foram acusados pelos excessos da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).

A atual investigação faz parte da campanha de combate à corrupção do presidente Xi Jinping, que promete caçar de "moscas a tigres". Deflagrou uma onda de choque entre a elite dirigente chinesa, em que parentes de altos funcionários do partido fazem fortunas rapidamente sob a proteção da censura e da ditadura militar.

Mais de 300 parentes, sócios, aliados políticos, protegidos e funcionários de Zhou foram presos ou interrogados nos últimos meses. As autoridades chinesas apreenderam US$ 14,5 bilhões em bens e ativos de parentes e sócios de Zhou. Ele fez carreira no partido e no governo dentro do serviço secreto e da Companhia Nacional de Petróleo da China.

Os investigadores congelaram depósitos bancários, confiscaram bônus, ações e outros títulos negociados no mercado financeiro, 300 casas e apartamentos, objetos de arte, antiguidades, bebidas caras, ouro, prata, joias e dinheiro em várias moedas.

Alguns analistas acusam Xi de fazer uma manobra para consolidar seu poder. Ao alvejar dirigentes importantes como Zhou, o presidente quer indicar que desta vez será diferente. O dirigente que caiu em desgraça era ligado a Bo Xilai.

Bo era a estrela em ascensão da linha dura saudosa do maoísmo. Sonhava em ser líder do PC e presidente da China quando foi preso, em março de 2012, expurgado do partido em abril e condenado no mesmo ano por corrupção, abuso de poder e envolvimento no assassinato do empresário britânico Neil Heywood, ordenado por sua mulher Gu Kailai.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Berlusconi é absolvido de prostituição de menor

Um tribunal de recursos de Milão anulou hoje a condenação ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi a sete anos de prisão por prostituição de menor a abuso de poder no chamado Rubygate.

Ruby é uma prostituta que teria mantido relações sexuais com Berlusconi com apenas 16 anos da idade. Além disso, o então primeiro-ministro pressionou a polícia a libertá-la quando ela tinha sido presa sob a acusação de roubo.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Supremo Tribunal condena primeira-ministra da Tailândia

O Supremo Tribunal da Tailândia condenou hoje e suspendeu de suas funções a primeira-ministra Yingluck Shinawatra, acusada de violar a Constituição e abusar do poder ao demitir em 2011 o então chefe da Polícia Nacional, Thawil Pleansri, para nomear um primo em seu lugar.

Depois de meses de protesto da oposição exigindo sua queda, a decisão judicial volta a jogar o país numa grave crise política.

Yingluck é irmã do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que foi derrubado e fugiu da Tailândia em 2006, sob denúncias de corrupção. Os oposicionistas sempre a acusaram de ser apenas um fantoche do irmão.

A classe média urbana monarquista de Bangkok os rejeita, mas eles ganham as eleições com os votos do interior, agrário e mais atrasado.

O chefe de governo interino será o ministro do Comércio, Niwatthamrong Boonsongphaisan. Depois da anulação das eleições de 2 de fevereiro de 2014, boicotadas pela oposição, foram convocadas novas eleições para 20 de julho.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Ucrânia liberta ex-primeira-ministra Timochenko

Por decisão do Parlamento da Ucrânia, a ex-primeira-ministro Yulia Timochenko foi libertada hoje depois de ficar presa durante dois anos e meio.

A Joana d'Arc da Revolução Laranja, em 2004-5, foi eleita primeira-ministra em 2005, mas caiu por causa da divisão dos revolucionários. Ela voltou ao cargo de 2007 e 2010, quando disputou a eleição presidencial com seu inimigo Viktor Yanukovitch e perdeu por pequena margem no segundo turno.

Yanukovitch conseguiu condená-la em 2011 a sete anos de prisão por corrupção e abuso de poder, uma acusação que pode ser feita a qualquer líder político ucraniano, num processo considerado viciado politicamente pela União Europeia. Ontem, o Parlamento anulou os artigos que serviram de base para a condenação.

Ao sair da cadeia depois de dois anos e meio, a Dama de Ferro ucraniana declarou num comício que "os heróis nunca morrem", "a ditadura acabou" e "a Ucrânia se livrou de um câncer". Ela agradeceu à massa concentrada na Praça da Independência, no centro de Kiev, como seus "libertadores".

Em telefonema ao secretário de Estado americano, John Kerry, o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, protestou contra a violência  das ações dos manifestantes antigovernamentais. Na visão do presidente Vladimir Putin a Revolução Laranja e a atual são conspirações do Ocidente para enfraquecer a Rússia.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Parlamento da Ucrânia liberta Yulia Timochenko

O Parlamento da Ucrânia (Rada) aprovou a libertação da ex-primeira-ministra Yulia Timochenko, condenada por corrupção e abuso de poder a sete anos de prisão. Sua libertação depende agora da assinatura do presidente do Parlamento e do presidente Viktor Yanukovitch, seu maior inimigo político.

Na mesma sessão de emergência, 332 dos 283 deputados presentes votaram a favor da destituição do ministro do Interior, Vitali Zakharchenko, responsável pelas forças de segurança que atacaram os manifestantes matando mais de cem pessoas nos últimos dias, e restauraram a Constituição de 2004, reduzindo os poderes do presidente.

A União Europeia sempre considerou o processo contra Timochenko como político e injusto. Por este motivo, nenhum líder europeu foi à Ucrânia durante a realização da Copa da Europa de seleções, disputada em 2012.

A Joana d'Arc da Revolução Laranja é uma líder carismática e populista que usa tranças amarradas sobre a cabeça no estilo da princesa Lea da série Guerra nas Estrelas.

A Revolução Laranja impediu a eleição fraudulenta de Yanukovitch em 2004, Timochenko foi primeira-ministra ucraniana de 24 de janeiro a 8 de setembro de 2005, sob a presidência de Viktor Yuchenko, seu aliado na revolução, e sob Yanukovitch, de 18 de dezembro de 2007 a 4 de março de 2010, quando perdeu a eleição presidencial e foi deposta da chefia de governo. Em 2011, foi condenada a sete anos de cadeia.

Hoje a polícia se retirou da Praça da Libertação, onde os manifestantes permanecem acampados.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Venezuela tem apagão e governo culpa "sabotadores"

A cinco dias das eleições municipais, o sistema elétrico da Venezuela sofreu ontem o segundo grande apagão do ano. Desta vez, foram atingidos 19 dos 23 estados e a capital, Caracas. Como de costume, o governo chavista de Nicolás Maduro culpou "sabotadores" por sua própria incompetência.

Diante do virtual colapso da economia da Venezuela, país com as segundas maiores reservas mundiais de petróleo, o regime chavista atropela a lógica e o que resta de democracia no país. Durante a campanha, Maduro bateu os recordes de abuso de poder.

O governo proibiu voos do avião particular do líder da oposição, Henrique Capriles. Quando a oposição marca um comício, o governo faz liquidação de preços em mercados governamentais na cidade. Os carros oficiais e o funcionalismo público são usados na campanha.

Há mais de 500 denúncias de uso indevido de dinheiro público para favorecer candidatos chavistas. O empresário e deputado oposicionista Miguel Cocchiola, favorito na cidade de Valência, foi afastado sob acusação de especulação. Para seduzir os eleitores mais pobres, Maduro congelou preços e limitou lucros de empresários e aluguéis.

As cinco televisões do governo passam 90% do tempo fazendo propaganda. E o dia da eleição foi declarado Dia da Lealdade e do Amor a Chávez. Em 8 de dezembro de 2012, Hugo Chávez anunciou na TV que iria para Cuba porque era "absolutamente imprescindível" se submeter a uma nova cirurgia e pediu aos venezuelanos que elegessem Maduro se ele não voltasse à Presidência.

Maduro venceu Capriles na eleição presidencial extra realizada em abril de 2013 por 1,5% dos votos válidos, gerando uma onda de denúncias de fraude nunca investigadas. Sem legitimidade, precisa da vitória para afirmar seu poder até mesmo dentro do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

Com inflação anual de 54%, desabastecimento de leite, carne e papel higiênico, falta de dólares e escassez de energia num governo que nada em petróleo, a economia venezuela está à beira do colapso por causa das políticas delirantes do "socialismo do século 21", a utopia chavista. E o discurso oficial não indica qualquer mudança rumo à racionalidade.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Justiça da China rejeita recurso de Bo Xilai

Um tribunal de recursos da China negou hoje provimento a um recurso apresentado pelo ex-dirigente comunista Bo Xilai contra sua condenação à prisão perpétua por corrupção, abuso de poder e enriquecimento ilícito, acabando com uma carreira meteórica de estrela em ascensão da linha dura do Partido Comunista. Quando caiu em desgraça, ele era um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central, candidato ao Comitê Permanente do Politburo, os sete imperadores que mandam na China.

Como líder do partido e governador da província de Xunquim, Bo Xilai resgatou métodos, a cultura vermelha do tempo de Mao Tsé-tung e até hinos de propaganda da Revolução Cultural a pretexto de combater a corrupção. Tentou criar uma nova esquerda mais estatizante, alternativa às políticas econômicas liberais adotadas a partir das reformas de Deng Xiaoping, sem abrir mão do investimento estrangeiro. Hoje a China é outra.

Bo Xilai investiu maciçamente em obras públicas, com casas subsidiadas para os pobres, e numa imagem de rigoroso e implacável com a corrupção. Em 2008, nas estatísticas oficiais, Xunquim cresceu 14,3%, acima dos cerca de 8% da China como um todo.

Na luta pelo poder, Bo montou um esquema de espionagem que teria escutado clandestinamente telefonemas do presidente Hu Jintao. Talvez essa infração à disciplina e à hierarquia interna do PC chinês tenha sido fatal para suas ambições.

Sua administração policialesca, marcada por abusos de poder e perseguições políticas, terminou quando seu vice e chefe de polícia pediu asilo num consulado dos Estados Unidos para denunciar Gu Kailai pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood, encontrado morto em 14 de novembro de 2011 num quarto de hotel em Xunquim.

Heywood era intermediário de negócios internacionais ilícitos do casal, que teria US$ 136 milhões no exterior, de acordo com reportagem da agência de notícias Bloomberg na época. Estaria pedindo comissões maiores, sob ameaça de revelar a trilha do dinheiro sujo de Bo Xilai e Gu Kailai. Foi envenenado por ela em cumplicidade com um assessor e o chefe de polícia de Xunquim.

Quando a Comissão Central de Inspeções Disciplinares do PC iniciou investigações na cidade de Xunquim, no início de 2012, um dos alvos eram Wang Lijun, o chefe de polícia e vice-governador que tinha sido o segundo de Bo nas campanhas anticorrupção.

Sob pressão da investigação aberta pelo governo central, em 16 de janeiro de 2012, Wang teria confrontado Bo, dizendo que tinha provas do crime cometido por Gu. No primeiro momento, o chefe teria mandado prosseguir o inquérito mas, a partir daí, começou a obstruir a investigação.

Em 2 de fevereiro de 2012, Wang foi afastado do inquérito, nomeado vice-governador para educação, ciência e meio ambiente, e colocado sob vigilância. Temendo pela vida, em 6 de fevereiro, pediu asilo ao Consulado Americano em Chengdu.

Bo foi afastado do cargo de líder regional do PC e governador provincial em 15 de março de 2012. Teve apenas um voto a favor no Comitê Permanente, na época com nove membros ou nove imperadores.

Em 10 de abril de 2012, Bo foi suspenso temporariamente do Comitê Central e do Politburo por estar sendo investigado por "sérias violações disciplinares". Em 28 de setembro, o Politburo decidiu pediu sua expulsão do partido. Em 26 de outubro, o Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo, retirou-lhe os últimos cargos públicos.

Sua mulher, Gu Kailai, foi condenada à morte em agosto de 2012 pelo assassinato de Heywood, com sentença convertida temporariamente em prisão perpétua, o que dificilmente aconteceria se o marido não tivesse caído em desgraça.

Dias antes do início do 18º Congresso Nacional do PC da China, em 4 de novembro de 2012, Bo foi formalmente expulso do partido. Isso abriu caminho para seu julgamento por corrupção, abuso de poder e enriquecimento ilícito que o condenou, em 23 de setembro de 2013, a ficar preso até o fim da vida.

Foi o processo mais politizado desde que a Gangue dos Quatro, liderada pela viúva de Mao, Jiang Ching, foi condenada por mortes, traição e abuso de poder, em 1981.

No tribunal, Bo rejeitou todas as acusações e alegou ser vítima de perseguição política. Agora, perdeu o último recurso. Acabou ele próprio servindo de exemplo para a campanha anticorrupção lançada pelo novo presidente Xi Jinping.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Egito julga ex-presidente a partir de 4 de novembro

A Justiça do Egito marcou hoje para 4 de novembro de 2013 o início do julgamento por abuso de poder  e incitar a morte de manifestantes do ex-presidente Mohamed Mursi, deposto por um golpe militar em 3 de julho deste ano.

Mursi, do Partido da Liberdade e da Justiça, ligado à Irmandade Muçulmana, tomou posse em 30 de junho de 2012 como o primeiro presidente eleito democraticamente da História do Egito, mas só durou um ano no cargo. Caiu em um ano, depois de uma onda de manifestações de massa com denúncias de abuso de poder, intolerância religiosa e perseguição de minorias.

domingo, 22 de setembro de 2013

China condena Bo Xilai à prisão perpétua

Há um ano e meio, ele era a maior estrela em ascensão da linha dura do Partido Comunista da China, saudosa do tempo de Mao Tsé-tung. Hoje, Bo Xilai foi condenado à prisão perpétua por aceitar suborno no valor de US$ 3,6 milhões, desviar US$ 800 mil em dinheiro público e abusar do poder para encobrir o assassinato do empresário britânico Neil Heywood, morto por sua mulher em novembro de 2011.

Foi a queda do poder mais espetacular desde que a Gangue dos Quatro, que incluía a viúva de Mao, Jiang Ching, foi condenada por alta traição, em 1981.

Bo era governador e líder do partido na cidade-estado de Xunquim, onde aplicou os métodos policiais da era maoísta para combater a corrupção e resgatou músicas patrióticas do tempo da Revolução Industrial (1966-76), o período mais conturbado da revolução comunista na China.

Durante todo o processo, Bo desafiou o tribunal, apresentando-se como vítima de perseguição política e de um processo forjado. Ele era membro do Politburo do Comitê Central do PC chinês, de 25 membros, e ambicionava chegar ao Comitê Permanente do Politburo, os agora "sete imperadores" que governam a China, no fim do ano passado.

domingo, 18 de agosto de 2013

Ex-dirigente chinês Bo Xilai começa a ser julgado

Começa nesta quinta-feira o julgamento do ex-dirigente do Partido Comunista da China Bo Xilai, denunciado por suborno, corrupção e abuso de poder. É o mais importante processo com implicações políticas desde que a Gangue dos Quatro, da qual participava a viúva de Mao Tsé-tung, foi condenada por alta traição, em 1981.

Bo era líder do partido na cidade-província de Xunquim, cargo equivalente a governador, membro do Politburo do Comitê Central do PC e estrela em ascensão da esquerda maoísta. Ambicionava chegar ao Comitê Permanente do Politburo, o grupo que realmente manda na China, e a dirigente máximo do país.

Sua mulher Gu Kailai foi condenada à morte com uma sentença suspensa e transformada provisoriamente em prisão perpétua pela morte do empresário britânico Neil Heywood, que seria intermediário nos negócios internacionais do casal. A mãe de Heywood reclamou recentemente que os filhos dele ficaram desamparados.

O caso revelou aos chineses os desmandos e a vida luxuosa levada por altos dirigentes do partido com o enriquecimento do país.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

China denuncia Bo Xilai por corrupção e abuso de poder

O ex-dirigente do Partido Comunista da China Bo Xilai, centro do maior escândalo político do país nas últimas décadas, foi denunciado hoje por suborno, corrupção e abuso de poder.

Até março de 2012, Bo era estrela em ascensão da linha dura saudosa do maoísmo, governador da cidade-estado de Xunquim, um dos 25 membros do Politburo do Comitê Central do PC e candidato ao Comitê Permanente, o pequeno grupo agora reduzido de nove para sete imperadores que realmente governa a China.

De um dos homens mais poderosos da superpotência ascensão, candidato à líder máximo do partido e do governo, Bo caiu rapidamente em desgraça. Sua mulher, Gu Kailai, foi condenada no passado pelo assassinato em novembro de 2011 de um empresário britânico envolvido nas transações internacionais do casal.

Bo Xilai e Gu Kailai viraram exemplos de uma liderança arrogante e prepotente, de abuso de poder e do estilo de vida sem limites dos altos dirigentes do partido, que se colocam acima da lei. Neste clima, é mais provável uma condenação rápida de Bo, a exemplo do que aconteceu com Gu. Serão apresentados como exemplo de que o PC está realmente interessado em moralizar a política e combater a corrupção.