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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Vice-presidente dos EUA se retira de jogo de futebol americano

Foi um protesto contra o protesto, uma jogada de marketing político. O vice-presidente Mike Pence se retirou ontem de um jogo da Liga Nacional de Futebol dos Estados Unidos (NFL) entre o Indianapolis Colts e o San Francisco 49ers. Saiu quando vários jogadores do 49ers se ajoelharam na hora da execução do hino nacional, em protesto contra a discriminação racial e a brutalidade policial contra os negros nos EUA.

Na temporada passada, o quarto-zagueiro Colin Kaepernick, do 49ers, se ajoelhou na hora do hino. Seu contrato não foi renovado.

A polêmica voltou quando o melhor jogador do campeonato da Associação Nacional de Basquete dos EUA (NBA) deste ano, Stephen Curry, do Golden State Warriors, declarou não saber se aceitaria o convite para a recepção tradicional dos campeões nacionais na Casa Branca. Tudo por causa das declarações de Trump, especialmente depois das manifestações de neonazistas em Charlottesville, na Virgínia, quando o presidente acusam "os dois lados".

Indignado, o presidente Donald Trump retirou o convite aos campeões da NBA e criticou os donos dos clubes de futebol americano por não demitir imediatamente os "filhos da puta" que se ajoelhem na hora do hino. Nos dias seguintes, mais de 100 jogadores da NFL se ajoelharam ou enlaçaram os braços em solidariedade e em desafio ao presidente.

No Twitter, Trump acusou a NFL de estar falida, perdendo audiência. Criticou até mesmo regras para proibir determinados tipos de choques e assim proteger os atletas por orientação médica.

A segunda maior estrela da NBA, Lebron James, do Cleveland Cavaliers, atacou o presidente, dizendo que "era uma honra ser recebido na Casa Branca até você chegar lá."

Agora, o vice-presidente arquiconservador Mike Pence entra na briga, jogando para a plateia ultranacionalista que elegeu Trump. Pelo Twitter, o presidente revelou ter pedido a seu vice que saísse do estádio, ou seja, tudo não passou de uma jogada de marketing do governo.

"Deixei o jogo do Colts hoje porque o presidente dos EUA e eu não vamos dignificar nenhum evento que desrespeite nossos soldados, nossa bandeira e nosso hino nacional", afirmou Pence no Twitter, o meio de comunicação favorito do governo Trump.

O custo da viagem foi de US$ 250 mil, quase R$ 800 mil.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Trump compra briga com astros do basquete e do futebol americano

O incorrigível Donald Trump entrou em guerra com os astros do basquete e do futebol americano que protestam contra o racismo, a discriminação, a brutalidade policial contra negros e a impunidade de policiais que matam negros.

"Nada une mais os Estados Unidos do que o esporte e nada divide mais do que a política", comentou um dirigente esportivo, criticando a insensibilidade do presidente.

Tudo começou na sexta-feira, quando o melhor jogador da última temporada da Associação Nacional de Basquete (NBA) dos EUA, Steven Curry, confirmou em entrevista que estava em dúvida se iria ou não à Casa Branca, onde o presidente costuma receber os campeões nacionais. Os jogadores do Golden State Warriors decidiriam em votação no fim de semana.

Pelo Twitter, na madrugada de sábado, Trump anunciou a retirada do convite para receber o Golden State Warriors, provocando uma revolta dos jogadores da NBA. O segundo melhor jogador da temporada, Lebron James, rival de Curry, declarou que "era uma honra ir à Casa Branca antes de você chegar lá".

Na sexta-feira, em discurso para apoiar um candidato do Partido Republicano numa eleição suplementar para o Senado, Trump declarou que os jogadores que se ajoelham durante a execução do hino nacional dos EUA antes da partidas da Liga Nacional de Futebol (NFL) devem ser demitidos.

"Vocês não gostariam de ver um desses donos da NFL, quando alguém desrespeita nossa bandeira, dizer: 'Tire este filho da puta do campo agora já. Fora! Ele está demitido! Está demitido!'?", sugeriu o presidente.

Caso contrário, defendeu o boicote da NFL . Trump também acusou a federação de "arruinar o esporte" por impedir certo tipo de choques capazes de causar concussões cerebrais, ignorando como de costume as últimas conclusões da ciência.

A NBA sempre foi mais politizada. Lebron James, do Cleveland Cavaliers, apresentou a candidata democrata Hillary Clinton como "a próxima presidente dos EUA" no comício de encerramento da campanha em Ohio, no ano passado.

Por sua vez, a NFL é tradicionalmente mais conservadora, ligada às Forças Armadas. Um jogador que protestou no ano passado foi praticamente banido em silêncio. Sua história ressurgiu com a briga de Trump.

No fim de semana, houve protestos em todos os grandes jogos da NFL.

Hoje Trump declarou via Twitter: "Não é uma questão racial. É uma questão de respeito ao nosso hino e à nossa bandeira."

À noite, todo o time do Dallas Cowboys, inclusive o dono do clube, Jerry Jones, se ajoelhou durante a execução do hino, informou a agência Reuters.