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sexta-feira, 9 de junho de 2023

Trump é denunciado por levar documentos secretos para casa

 O Departamento da Justiça denunciou criminalmente ontem o ex-presidente Donald Trump por ficar com documentos secretos e ultrassecretos, inclusive planos de guerra. É o primeiro ex-presidente dos Estados Unidos processado pela Justiça Federal. 

São 37 acusações (quando gravei falavam em apenas sete) do procurador Jack Smith, entre elas conspiração, obstrução de justiça e declarações falsas. Se for condenado, Trump pode ser impedido de ocupar qualquer cargo no governo federal. No momento, ele lidera as pesquisas sobre as eleições primárias para escolher o candidato do Partido Republicano à Casa Branca em 2024.

É um caso muito mais grave do que a denúncia do promotor distrital de Manhattan, Alvin Bragg, por fraudes para esconder um pagamento para comprar o silêncio da atriz pornô Stormy Daniels durante a campanha eleitoral de 2016.

Em 9 de maio, Trump foi condenado na Justiça Civil a pagar US$ 5 milhões à escritora Elizabeth Jean Carroll por abuso sexual e difamação. Seus advogados recorreram. Pelo menos 26 mulheres acusam o ex-presidente de abuso sexual.

No ano passado, a procuradora-geral do estado de Nova York acusou Trump e seus três filhos mais velhos por fraude para supervalorizar os ativos de suas empresas a fim de conseguir empréstimos e de reduzir o valor ao pagar impostos.

O estado da Geórgia investiga Trump por pressionar o então secretário de Estado Brad Raffensperger a "encontrar 11.780 votos", o que precisava para vencer Joe Biden no estado em 2020. Ele insiste que a eleição foi roubada, mas a Justiça rejeitou 61 ações por falta de provas de fraude eleitoral.

Trump sobreviveu a dois processos de impeachment porque quase todos os republicanos  votaram contra. Assim, não houve a maioria de dois terços no Senado para condená-lo e afastá-lo da Presidência.

Também é investigado pelo Departamento de Justiça pelo ataque de seus seguidores de extrema direita ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Pode ser acusado de tentar impedir a certificação da vitória de Biden, fraude eleitoral e sedição, a tentativa de tomar o poder pela força. Mas isto é mais difícil de provar. No caso dos documentos, admitiu ter levado para casa inclusive um memorando do Pentágono sobre um possível ataque ao Irã. É réu confesso. Meu comentário:

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Todos bispos chilenos pedem demissão em escândalo de pedofilia

Em um documento bombástico, o papa Francisco reconheceu o fracasso coletivo da Igreja Católica do Chile no combate à pedofilia, acobertando "númerosas situações de abuso de poder, abuso de autoridade e abusos sexuais". Os "documentos comprometedores" foram destruídos. Toda a cúpula da Igreja Católica chilena foi convocada para dar explicações no Vaticano e pediu demissão.

"Nós, todos os bispos presentes em Roma, entregamos nossos postos nas mãos do Santo Padre para que ele decida livremente" quem vai chefiar a Igreja chilena, declararam porta-vozes da Conferência Nacional dos Bispos do Chile. "Pedimos perdão pela dor causada às vítimas, ao papa, a Deus e a nosso país pelos graves erros e omissões que cometemos."

O texto, revelado ontem pela televisão chilena T13, se baseia num relatório não divulgado de 2,3 mil páginas redigido por dois investigadores nomeados pelo papa. Denuncia "a existência de gravíssimas negligências na proteção de vulneráveis de parte de bispos e superiores religiosos". Religiosos expulsos por "comportamentos imorais" foram acolhidos por outras dioceses, onde mantinham "contatos cotidianos diretos com menores".

As acusações de pedofilia foram consideradas "inverossímeis" quando apresentavam "graves indícios de delitos efetivos", além da "homossexualidade ativa" de religiosos, em flagrante violação às normas da Igreja.

"Seria irresponsável de nossa parte não escavar para encontrar as raízes e as estruturas que permitiram que esses acontecimentos se produzissem e fossem perpetuados", afirmou o papa Francisco.

Durante visita recente ao Chile, o papa atacou quem denunciava a pedofilia na Igreja, mas voltou atrás, reconheceu o erro e decidiu punir os responsáveis com rigor.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Assange será interrogado na embaixada do Equador em Londres

Depois de mais de três anos asilado na Embaixada do Equador no Reino Unido, o australiano Julian Assange, fundador do sítio WikiLeaks, será interrogado, revelou o presidente equatoriano, Rafael Correa. O Equador fez um acordo com a procuradoria da Suécia para ele ser questionado sobre as acusações de abuso sexual.

Correa esclareceu que as autoridades suecas vão encaminhar as perguntas aos funcionários equatorianos, que farão o interrogatório, revelou o jornal britânico The Independent.

Assange vive desde agosto de 2012 na embaixada, situada no bairro londrino de Knightsbridge, onde se refugiou para não ser preso e extraditado para a Suécia com base num mandato de prisão europeu, que foi aceito pelas autoridades britânicas porque em princípio toda pessoa tem direito a um julgamento justo em qualquer país da União Europeia.

Ele é acusado por duas mulheres de abusos sexuais, que nega. Alega que tudo não passa de uma manobra para extraditá-lo para os Estados Unidos, onde é acusado de roubar documentos e revelar segredos de Estado através do WikiLeaks.

sábado, 12 de abril de 2014

Papa Francisco pede desculpas por pedofilia na Igreja

Pela primeira vez, o papa Francisco pediu perdão ontem pelos abusos sexuais cometidos por membros da Igreja Católica. No mês passado, ele nomeou uma comissão de alto nível para atacar o problema.

"Eu se sinto compelido a atacar pessoalmente o mal cometido por padres, poucos se compararmos com o número total de sacerdotes, e de pedir perdão pessoalmente pelo mal que eles fizeram ao abusar sexualmente de menores", declarou o papa diante do Conselho Católico Internacional para a Criança, noticia a agência Reuters.

Francisco acrescentou: "A Igreja está consciente dos danos pessoais e morais causados por esses agentes da Igreja. Não vamos dar um passo atrás na maneira como lidamos com este problema e nas sanções que devem ser impostas. Ao contrário, temos de ser ainda mais duros."

Nas últimas décadas, o Vaticano foi acusado de conivência, de não tomar imediatamente as medidas necessárias para investigar padres, curas e bispos pedófilos e entregá-los à Justiça. Entre as reformas prometidas por Francisco, está a linha dura contra a pedofilia. Mas não se discute, pelo menos não na cúpula da Igreja, o fim do celibato, que permitiria aos padres e bispos ter uma vida sexual normal.

Francisco é um conservador e reformista moderado. Quer moralizar a Igreja e aproximá-la do homem comum, quer uma Igreja mais franciscana, mas está longe de mexer nos grandes tabus que impedem uma verdadeira modernização do catolicismo, enquanto crescem as igrejas evangélicas pentecostais de inspiração americana.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Tarado de Ohio pega prisão perpétua mais mil anos

O tarado que sequestrou três mulheres e as manteve como escravas sexuais durante anos em sua casa em Cleveland, no estado de Ohio, nos Estados Unidos, acaba de ser condenado à prisão perpétua mais mil anos, sem direito a liberdade condicional por sequestro, estupro e assassinato.

Diante da gravidade e da duração dos 937 crimes, o juiz decidiu sentenciar Ariel Castro, de 53 anos, à pena máxima. Ainda está explicando em detalhes sua decisão. As penas já passam de mil anos.

Antes, uma das vítimas, Michele Knight, afirmou: "Vivi 11 anos no inferno. O seu está apenas começando".

Ele alegou: "Não sou um monstro. Sou doente". Não convenceu. Deverá pagar os custos do processo, calculados em US$ 100 mil (R$ 230 mil). Não poderá enviar cartas e dar telefonemas nem através de terceiros. Também não poderá ter qualquer contato com a filha gerada por uma das escravas.

"Sr. Castro, levante-se, por favor. Certamente não há lugar nesta cidade, neste estado, neste país e neste mundo para quem escraviza outras pessoas", concluiu o juiz. Às vítimas, ele disse que hoje elas começam uma nova vida e lhes desejou sucesso.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Berlusconi é condenado a sete anos por sexo com menor

O ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi foi condenado hoje a sete anos de prisão por abuso de poder e corrupção de menores no processo em que é acusado de pagar para manter relações sexuais com Karina al-Maroug, uma prostituta conhecida como Ruby, que na época tinha 17 anos, e de usar a posição de chefe de governo para tentar encobrir o caso.

Quando Ruby foi presa, Berlusconi telefonou pessoalmente para a delegacia de polícia pedindo a libertação de Ruby quando ela foi presa por furto, sob a alegação falsa de que seria neta do então presidente do Egito, Hosni Mubarak.

Além da pena de detenção, a juíza de um tribunal de primeira instância de Milão o declarou inelegível até o fim da vida. A defesa de Berlusconi, de 76 anos, vai recorrer.

sábado, 14 de maio de 2011

Diretor do FMI é preso por abuso sexual

O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, foi preso hoje em Nova York minutos antes de decolar para Paris, sob acusação de abusar sexualmente de uma funcionária do hotel onde estava hospedado.

Strauss-Kahn, possível candidato do Partido Socialista, lidera as pesquisas para a eleição presidencial de daqui a um na França, com 23% das preferências do eleitorado.

Nas últimas semanas, ele acusou o presidente francês, Nicolas Sarkozy, de fazer campanha contra sua candidatura. Mas sua vida pessoal é marcada por escândalos, como mostra esta reportagem do jornal inglês The Guardian.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Arcebispo de Viena admite traição a Deus

Durante missa da Semana Santa, o arcebispo de Viena, cardeal Christoph Schönberg, admitiu nesta quarta-feira que agentes da Igreja Católica traíram Deus e fizeram o mal a quem mais precisava de proteção, as crianças abusadas sexualmente nos escândalos de pedofilia envolvendo padres.

Na frente da Igreja de Santo Estêvão, a Catedral de Viena, um senhor de meia idade declarou que "isso não pode acontecer. Quando acontece, os responsáveis precisam ser levados à Justiça. Não dá para varrer a sujeira para baixo do tapete".

Eva, uma católica que declarou gostar de Jesus Cristo e não da Igreja, que descreveu como "uma associação de homens", criticou o fato de que padres punidos por pedofilia tenham sido simplesmente transferidos de uma escola para outra onde continuaram cometendo os mesmos crimes.

"Nesta hora, diante da cruz, para ouvir acusações, admitir a culpa e pedir perdão", disse o cardeal.

Em seguida, foram ouvidos representantes de vítimas de escândalos sexuais ocorridos no seio da Igreja: "Quando ele tinha 19 anos, decidiu estudar teologia e decidiu mudar de cidade. Conseguiu acomodação num mosteiro e lá foi violentado sexualmente por um padre."

Uma vítima contou ser atormentada até hoje pelo trauma do abuso sexual: "Minhas experiências ruins me atacam. Voltam sempre. Estão sempre diante dos meus olhos."

Em nome da Igreja Católica da Áustria, o cardel Schönberg fez sua confissão de culpa: "Confessamos que traímos Deus, que é amor. Alguns ministros da Igreja falaram do amor a Deus enquanto faziam o mal àqueles que mais precisavam de proteção.

"Admitimos diante do Senhor e de cada um de nós, nossa culpa."