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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 18 de Fevereiro

DESCOBERTA DE PLUTÃO

    Em 1930, o astrônomo norte-americano Clyde Tombaugh, do Laboratório Lowell, de Flagstaff, no Arizona, nos Estados Unidos, descobre o nono planeta do Sistema Solar.

A existência de um planeta desconhecido é proposta por Percival Lowell. Para explicar oscilações na órbita de Netuno e Urano, haveria uma força gravitacional.

Mas, em agosto de 2006, a União Astronômica Internacional decide que Plutão não é realmente um planeta. É um planeta-anão, o maior dos corpos celestes do Cinturão de Culper, que fica depois de Netuno. É uma mistura de rocha e gelo com um terço do volume da Lua.

CRIAÇÃO DA ALALC

    Em 1960, a Argentina, o Brasil, o Chile, o México, o Paraguai, o Peru e o Uruguai fundam a Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC), com o objetivo de criar um mercado comum. Em 1970, entram Bolívia, Colômbia, Equador e Venezuela.

A ideia de uma união da América Latina é tão antigo quando a independência. O libertador Simón Bolívar não era antinorte-americano nem socialista. Sonhava em criar uma confederação, uma espécie de Estados Unidos da América do Sul. Organizou a 1ª Conferência Pan-Americana, em 22 de junho de 1826, na Cidade do Panamá.

A ALALC nasce sob a influência da Comissão Econômica da ONU para a América Latina (Cepal) e a inspiração da Comunidade Econômica Europeia, criada pelo Tratado de Roma em 1957 e instalada em 1958. 

Na época, em plena Guerra Fria, a superpotência dominante do sistema capitalista, os EUA, são contra acordos comerciais regionais para evitar o protecionismo. A CEE é a exceção porque os EUA precisam de uma Europa Ocidental rica e próspera para se contrapor ao comunismo soviético da Europa Oriental.

Em 1980, o ALALC é sucedida pela ALADI (Associação Latino-Americana de Desenvolvimento e Integração), com a participação de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Cuba entra em 1999.

Depois da redemocratização da América do Sul e da aproximação entre Brasil e Argentina, é no marco da ALADI que se negocia o Tratado de Assunção para criar o Mercosul (Mercado Comum do Sul) em 26 de março de 1991. 

VAZAMENTO DO WIKILEAKS

    Em 2010, o sítio WikiLeaks começa a divulgar centenas de milhares de documentos secretos pirateados pelo analista de inteligência do Exército dos Estados Unidos Bradley Manning, que depois muda de sexo e de nome para Chelsea Manning.

Manning entra para o Exército em 2007 e no ano seguinte faz um curso numa escola de inteligência do Arizona. Em outubro de 2009, ele é enviado ao Iraque, onde fica numa estação perto de Bagdá. No mês seguinte, entra em contato com Julian Assange, o fundador do WikiLeaks, para divulgar os arquivos secretos.

Nesta data, o WikiLeaks revela um memorando da Embaixada dos EUA na Islândia. Em abril de 2010, divulga um vídeo em que um helicóptero militar norte-americano ataca um grupo de jornalistas com câmeras no ombro, inclusive dois funcionários da agência de notícias Reuters. As câmeras teriam sido confundidas com lançadores de foguetes. Em novembro de 2010, o WikiLeaks divulga cerca de 250 mil memorandos do Departamento de Estado norte-americano e suas embaixadas.

Em maio de 2010, Manning confessa ao ciberpirata Adrian Lamo que roubou centenas de milhares de documentos secretos. Lamo o denuncia ao Exército. Manning é preso. Depois de mais mil dias preso antes do julgamento, em fevereiro de 2013, Manning admite a culpa em todas as 10 acusações.

Os procuradores do Departamento da Defesa decidem levar o caso adiante. Em julho de 2013, Manning é considerado inocente da acusação mais grave, colaborar com o inimigo, mas é condenado por várias acusações, inclusive espionagem e roubo. Pega 35 anos de prisão.

No dia seguinte à sentença, Manning declara que é mulher e pede autorização para fazer tratamento para mudar de sexo. Depois de 10 dias de greve de fome, em 2016, o Exército aceita que faça tratamento para mudar de sexo, inclusive cirurgia. No fim de seu governo, em janeiro de 2017, o presidente Barack Obama dá o perdão presidencial a Chelsea Manning, talvez por entender que ela revelou crimes cometidos pelas Forças Armadas dos EUA.

Quem pode arcar com a culpa é Assange, o hacker australiano que funda o WikiLeaks em 2006 inspirado pelo caso dos Papéis do Pentágono, em 1971, quando o jornalista Daniel Ellsberg precisou de dois anos para divulgar documentos secretos sobre a Guerra do Vietnã (1955-75). Na era eletrônica, Assange quer acelerar a divulgação de segredos de Estado.

Em novembro de 2010, a Suécia decreta a prisão de Assange por suspeita de crimes sexuais. Transar sem camisinha sem consentimento do parceiro é crime na Suécia. Assange nega as acusações e alega que a prisão na Suécia é o início de uma extradição para os EUA.

Assange se entrega no Reino Unido em 2010 para lutar contra a extradição. Dez dias depois, paga fiança e é libertado. Em junho de 2012, é acusado de violar os termos da fiança. Dois meses depois, ele pede asilo à Embaixada do Equador em Londres, onde fica até ser expulso, em abril de 2019. Ao sair, é preso.

Em 2016, antes da eleição de Donald Trump, o WikiLeaks revela e-mails pirateados da candidata democrata, Hillary Clinton, provavelmente pirateados pelos serviços secretos da Rússia. Assange nega qualquer ligação com a Rússia.

Em 24 de junho de 2024, Assange é libertado da prisão de Belmarsh, no Reino Unido, depois de um acordo com a Justiça dos EUA. Ele se declara culpado num tribunal norte-americano nas Ilhas Marianas do Norte por violar a lei de espionagem dos EUA ao divulgar mais de 700 mil documentos confidenciais, condenado a 5 anos e 2 meses de prisão e liberado por já ter cumprido 1.901 dias de prisão.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 18 de Fevereiro

 DESCOBERTA DE PLUTÃO

    Em 1930, o astrônomo norte-americano Clyde Tombaugh, do Laboratório Lowell, de Flagstaff, no Arizona, nos Estados Unidos, descobre o nono planeta do Sistema Solar.

A existência de um planeta desconhecido é proposta por Percival Lowell. Para explicar oscilações na órbita de Netuno e Urano, haveria uma força gravitacional.

Mas, em agosto de 2006, a União Astronômica Internacional decide que Plutão não é realmente um planeta. É um planeta-anão, o maior dos corpos celestes do Cinturão de Culper, que fica depois de Netuno. É uma mistura de rocha e gelo com um terço do volume da Lua.

CRIAÇÃO DA ALALC

    Em 1960, a Argentina, o Brasil, o Chile, o México, o Paraguai, o Peru e o Uruguai fundam a Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC), com o objetivo de criar um mercado comum. Em 1970, entram Bolívia, Colômbia, Equador e Venezuela.

A ideia de uma união da América Latina é tão antigo quando a independência. O libertador Simón Bolívar não era antinorte-americano nem socialista. Sonhava em criar uma confederação, uma espécie de Estados Unidos da América do Sul. Organizou a 1ª Conferência Pan-Americana, em 22 de junho de 1826, na Cidade do Panamá.

A ALALC nasce sob a influência da Comissão Econômica da ONU para a América Latina (Cepal) e a inspiração da Comunidade Econômica Europeia, criada pelo Tratado de Roma em 1957 e instalada em 1958. 

Na época, em plena Guerra Fria, a superpotência dominante do sistema capitalista, os EUA, são contra acordos comerciais regionais para evitar o protecionismo. A CEE é a exceção porque os EUA precisam de uma Europa Ocidental rica e próspera para se contrapor ao comunismo soviético da Europa Oriental.

Em 1980, o ALALC é sucedida pela ALADI (Associação Latino-Americana de Desenvolvimento e Integração), com a participação de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Cuba entra em 1999.

Depois da redemocratização da América do Sul e da aproximação entre Brasil e Argentina, é no marco da ALADI que se negocia o Tratado de Assunção para criar o Mercosul (Mercado Comum do Sul) em 26 de março de 1991. 

VAZAMENTO DO WIKILEAKS

    Em 2010, o sítio WikiLeaks começa a divulgar centenas de milhares de documentos secretos pirateados pelo analista de inteligência do Exército dos Estados Unidos Bradley Manning, que depois muda de sexo e de nome para Chelsea Manning.

Manning entra para o Exército em 2007 e no ano seguinte faz um curso numa escola de inteligência do Arizona. Em outubro de 2009, ele é enviado ao Iraque, onde fica numa estação perto de Bagdá. No mês seguinte, entra em contato com Julian Assange, o fundador do WikiLeaks, para divulgar os arquivos secretos.

Nesta data, o WikiLeaks revela um memorando da Embaixada dos EUA na Islândia. Em abril de 2010, divulga um vídeo em que um helicóptero militar norte-americano ataca um grupo de jornalistas com câmeras no ombro, inclusive dois funcionários da agência de notícias Reuters. As câmeras teriam sido confundidas com lançadores de foguetes. Em novembro de 2010, o WikiLeaks divulga cerca de 250 mil memorandos do Departamento de Estado norte-americano e suas embaixadas.

Em maio de 2010, Manning confessa ao ciberpirata Adrian Lamo que roubou centenas de milhares de documentos secretos. Lamo o denuncia ao Exército. Manning é preso. Depois de mais mil dias preso antes do julgamento, em fevereiro de 2013, Manning admite a culpa em todas as 10 acusações.

Os procuradores do Departamento da Defesa decidem levar o caso adiante. Em julho de 2013, Manning é considerado inocente da acusação mais grave, colaborar com o inimigo, mas é condenado por várias acusações, inclusive espionagem e roubo. Pega 35 anos de prisão.

No dia seguinte à sentença, Manning declara que é mulher e pede autorização para fazer tratamento para mudar de sexo. Depois de 10 dias de greve de fome, em 2016, o Exército aceita que faça tratamento para mudar de sexo, inclusive cirurgia. No fim de seu governo, em janeiro de 2017, o presidente Barack Obama dá o perdão presidencial a Chelsea Manning, talvez por entender que ela revelou crimes cometidos pelas Forças Armadas dos EUA.

Quem pode arcar com a culpa é Assange, o hacker australiano que funda o WikiLeaks em 2006 inspirado pelo caso dos Papéis do Pentágono, em 1971, quando o jornalista Daniel Ellsberg precisou de dois anos para divulgar documentos secretos sobre a Guerra do Vietnã (1955-75). Na era eletrônica, Assange quer acelerar a divulgação de segredos de Estado.

Em novembro de 2010, a Suécia decreta a prisão de Assange por suspeita de crimes sexuais. Transar sem camisinha sem consentimento do parceiro é crime na Suécia. Assange nega as acusações e alega que a prisão na Suécia é o início de uma extradição para os EUA.

Assange se entrega no Reino Unido em 2010 para lutar contra a extradição. Dez dias depois, paga fiança e é libertado. Em junho de 2012, é acusado de violar os termos da fiança. Dois meses depois, ele pede asilo à Embaixada do Equador em Londres, onde fica até ser expulso, em abril de 2019. Ao sair, é preso.

Em 2016, antes da eleição de Donald Trump, o WikiLeaks revela e-mails pirateados da candidata democrata, Hillary Clinton, provavelmente pirateados pelos serviços secretos da Rússia. Assange nega qualquer ligação com a Rússia.

Em 24 de junho de 2024, Assange é libertado da prisão de Belmarsh, no Reino Unido, depois de um acordo com a Justiça dos EUA. Ele se declara culpado num tribunal norte-americano nas Ilhas Marianas do Norte por violar a lei de espionagem dos EUA ao divulgar mais de 700 mil documentos confidenciais, condenado a 5 anos e 2 meses de prisão e liberado por já ter cumprido 1.901 dias de prisão.

terça-feira, 25 de junho de 2024

Assange faz acordo e recupera liberdade

 O anarquista e ciberpirata australiano Julian Assange fez um acordo com a Justiça dos Estados Unidos para confessar a culpa em uma das acusações que pesavam contra ele em troca da retirada de todas as outras acusações e de sua libertação. É o fim de uma longa batalha judicial para evitar a extradição para os EUA.

Assange é o fundador do WikiLeaks, um site que divulgou em 2010 centenas de milhares de documentos secretos do Departamento da Defesa e do Departamento de Estado norte-americanos, revelando crimes cometidos nas invasões do Afeganistão e do Iraque dentro da guerra do governo George W. Bush contra o terrorismo dos extremistas muçulmanos.

Em novembro de 2010, a Suécia emitiu uma ordem de prisão internacional contra Assange por supostos crimes sexuais. Ele nega as acusações e acredita ser alvo de uma conspiração internacional para levá-lo para os EUA, sob ameaça de pegar prisão perpétua.

Um mês depois, Assange se entrega às autoridades do Reino Unido, que examinam um pedido de extradição feito pelos EUA. Dez dias depois, consegue liberdade mediante pagamento de fiança. 

Depois de perder um recurso contra a extradição, em agosto de 2012, Assange pede asilo à Embaixada do Equador em Londres, onde fica até ter o asilo suspenso e ser preso pela polícia britânica em 11 de abril de 2019. 

Durante a eleição presidencial de 2016 nos EUA o WikiLeaks ajudou a campanha de Donald Trump divulgando e-mails do Partido Democrata e do servidor privado da ex-secretária de Estado, Hillary Clinton, candidata do partido. Em 2017, a Suécia encerra o caso sobre crimes sexuais e cancela o mandado de prisão europeu.

Um movimento internacional se articulou para lutar por sua liberdade em nome da defesa da liberdade de expressão. Assange poderia ser condenado por roubar documentos secretos, não por divulgá-los, já que a Emenda nº 1 à Constituição dos EUA garante plena liberdade de imprensa. E o presidente Barack Obama, no último dia de governo, deu indulto ao ex-soldado Bradley Manning, depois Chelsea Manning, que roubou os documentos quando estava no Exército dos EUA.

Na manhã desta segunda-feira, Assange deixou a prisão de segurança máxima de Belmarsh, perto de Londres, e foi levado até o aeroporto de Stanstead, onde foi libertado. Ele foi para Saipan, nas Ilhas Marianas, onde vai assinar o acordo fechado com o Departamento da Justiça, confessando a culpa por obter e divulgar ilegalmente segredos da segurança nacional dos EUA. Deve ser condenado a 5 anos de prisão, período que cumpriu na Inglaterra, e libertado para seguir para a Austrália.

segunda-feira, 20 de março de 2023

Guerra do Iraque abalou o mundo e criou era da pós-verdade

 Um bombardeio maciço dos Estados Unidos e aliados 20 anos atrás, na madrugada de 20 de março de 2003, deu início à invasão do Iraque sob o falso pretexto de que o país tinha armas de destruição em massa. 

A guerra ilegal e ilegítima matou centenas de milhares de pessoas, acabou com a ordem mundial pós-Guerra Fria, desestabilizou ainda mais o Oriente Médio, desmoralizou o governo, os serviços de inteligência e o jornalismo norte-americanos, e serviu de desculpa para justificar a invasão da Ucrânia pela Rússia.

A revolta sunita gerou o Estado Islâmico, talvez o mais feroz dos grupos extremistas muçulmanos. Quem mais ganhou foi o Irã, que viu o arqui-inimigo Saddam Hussein ser deposto e morto, e a maioria xiita assumir o poder no Iraque.

Nos EUA, a mentira sobre as armas de destruição em massa de Saddam alimentou teorias conspiratórias e o início da era da pós-verdade, em que as pessoas escolhem a versão dos fatos mais de acordo com suas ideias e princípios ideológicos. A mentira sempre foi arma de guerra. A diferença hoje é que as pessoas querem acreditar na narrativa a seu gosto e se convencem de que é verdade.

Isto abriu o caminho para o isolacionismo da direita do Partido Republicano e a ascensão de Donald Trump. Meu comentário:

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Justiça do Reino Unido rejeita pedido de extradição de Assange

 A juíza britânica Vanessa Baraitser negou hoje num tribunal de primeira instância de Londres o pedido dos Estados Unidos para extraditar o anarquista e ciberpirata australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, considerando que "a extradição seria opressiva pelo dano mental que causaria" o rigoroso regime de isolamento a queria submetido, capaz de levá-lo ao suicídio. Cabe recurso da decisão.

Assange é alvo de 18 acusações nos EUA, a maioria com base na Lei de Espionagem, inclusive por roubo de segredos de Estado, conspiração para invadir computadores do governo americano, espionagem e conspiração para espionar.

Através do WikiLeaks, especializado em divulgar ilegalidades cometidas por governos e grandes empresas, Assange divulgou material pirateado pelo soldado Bradley Manning, que depois mudou de sexo para Chelsea Manning. Ela recebeu indulto no fim do governo Barack Obama (2009-17).

Os arquivos incluíam um bombardeio aéreo dos EUA no Iraque que 12 pessoas, inclusive jornalistas, em 2007, despachos sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão, e mais de 250 mil documentos do Departamento de Estado americano, na maior revelação de arquivos confidencias da história.

Em novembro de 2010, a Suécia emitiu uma ordem de prisão pan-europeia para interrogar Assange por alegações de crimes sexuais apresentadas por duas mulheres. Por medo de que a extradição para a Suécia facilitasse uma segunda extradição, para os EUA, em julho de 2012, o australiano se refugiou como "perseguido político" na Embaixada do Equador no Reino Unido, violando os termos de sua liberdade condicional.

O asilo foi cancelado pelo governo equatoriano de Lenín Moreno. Assange teria usado a embaixada para divulgar, durante a campanha eleitoral de 2016 nos EUA, e-mails da candidata democrata, Hillary Clinton, pirateados pela Rússia, violando os termos do asilo.

Em 11 de abril de 2019, a convite do Equador, a polícia britânica entrou na embaixada e prendeu Assange, que foi condenado a 50 semanas de prisão por violar a liberdade condicional. No mês seguinte, os EUA reforçaram as acusações.

A Suécia desistiu do caso de abuso sexual em novembro de 2019. Resta apenas a extradição para os EUA, criticada pelos jornais The New York Times e The Washington Post com base na Emenda nº1 à Constituição americana, que garante irrestrita liberdade de imprensa. Ninguém pode ser processado por divulgar segredos de Estado, a não ser que ameace efetivamente a segurança nacional, e não por revelar crimes de guerra.

Como comentou o jornalista Owen Jones, do jornal inglês The Guardian, foi "a decisão certa pelas razões erradas." A juíza descartou os argumentos de perseguição política e ameaça à liberdade de imprensa.

O caso é semelhante ao dos Papéis do Pentágono, um documento de 14 mil páginas sobre a Guerra do Vietnã  copiado por Daniel Ellsberg, um funcionário do Departamento da Defesa, e entrega ao jornal The New York Times em 1971. The Washington Post também publicou. Por 6 a 3, a Suprema Corte decidiu que o governo não poderia impedir a divulgação. Esta história foi contada no filme The Post, de Steven Spielberg.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Trump ofereceu perdão a Assange se livrasse a Rússia, diz advogado

O presidente Donald Trump ofereceu indulto ao anarquista australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, que pirateia dados de governos e empresas, desde que ele declarasse que a Rússia não teve nada a ver com o ataque aos computadores do Partido Democrata durante a campanha eleitoral de 2016, afirmou um advogado de Assange.

A alegação foi feita num tribunal do Reino Unido, onde Assange luta contra um pedido de extradição feito pelos Estados Unidos, onde ele é acusado de roubar documentos do Pentágono e do Departamento de Estado.

Durante a campanha de 2016, o serviço secreto militar da Rússia (GRU) invadiu servidores do diretório nacional do Partido Democrata e o WikiLeaks divulgou as informações, que abalaram a candidatura da ex-secretária de Estado Hillary Clinton e favoreceram Trump.

O escândalo chamado de Russiagate foi confirmado pela investigação do procurador especial Robert Mueller. O inquérito não encontrou provas de conluio da campanha de Trump com a manobra, apesar de Trump ter pedido em palanques para a Rússia descobrir os e-mails de uma conta privada que Hillary usou irresponsavelmente quando era chefe da diplomacia americana. Trump chegou a dizer que amava o WikiLeaks.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

EUA fazem mais 17 acusações a Julian Assange

A Justiça dos Estados Unidos apresentou hoje mais 17 acusações, inclusive por espionagem, contra o anarquista australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, uma empresa de Internet especializada em vazar documentos sigilosos de governos e empresas. Ele já havia sido denunciado por conspiração para piratear computadores do Departamento da Defesa e roubar segredos militares.

Assange está preso no Reino Unido. Foi condenado por violar os termos de sua liberdade sob fiança ao se refugiar na Embaixada do Equador em Londres, em 2012, para escapar de um pedido de extradição da Suécia, onde é suspeito de estupro. Os EUA também querem sua extradição. A denúncia de hoje reforça o argumento americano.

As novas acusações aceitas pelo tribunal do júri de Alexandria, no estado da Virgínia, alegam que Assange violou a Lei de Espionagem por fazer vários esforços para obter, receber e divulgar "informações sobre a defesa nacional", das guerras no Iraque e no Afeganistão, e outros segredos de Estado.

Será um teste para a democracia americana, tão atacada pelo presidente Donald Trump. Assange afirma ter feito um trabalho jornalístico ao divulgar as informações obtidas pelo soldado americano Bradley Manning, que é transexual e mudou de sexo para Chelsea Manning.

O processo tem várias implicações sobre o direito à liberdade de imprensa garantido pela Emenda nº 1 à Constituição dos EUA, que diz expressamente que o Congresso não legislará sobre liberdade de imprensa. Piratear computadores e roubar informações secretas são crimes, mas a simples divulgação das notícias assim obtidas está protegida.

A denúncia alega que de 2009 até a prisão de Manning, em maio de 2010, Assange "encorajou Manning a roubar documentos classificados dos EUA e ilegalmente revelou essas informações no WikiLeaks."

Com base em mensagens trocadas entre os dois, a procuradoria cita uma frase o australiano quando Manning disse não ter mais material: "Olhos curiosos nunca ficam secos." Em seguida, argumenta que "Assange pretendia com essa declaração encorajar Manning a continuar roubando documentos classificados dos EUA e a continuar a entregá-los ilegalmente para Assange e o WikiLeaks."

Entre os documentos vazados, estavam por exemplo as regras de engajamento para as tropas de combate dos americanos no Iraque e no Afeganistão, quando reagir, em que circunstâncias atacar, quanta força usar e outras normas dos militares, além dos nomes de informantes e colaboradores dos EUA nesses países. Todos foram expostos.

"Estas ações alegadas revelaram nossas informações classificadas sensíveis de uma maneira que as tornou disponíveis para todo grupo terrorista estrangeiro, serviços de inteligência estrangeiros hostis e militares rivais", declarou o procurador-geral adjunto da divisão de segurança nacional do Departamento da Justiça, John Demers.

"Os documentos relativos a estes vazamentos foram encontrados até mesmo no esconderijo de Ossama ben Laden. Essa publicação tornou nossos adversários mais forte, com mais conhecimento, e os EUA menos seguros", acrescentou Demers para justificar a denúncia.

Pela defesa, o advogado Barry Pollack sustentou que Assange está sendo denunciado por "encorajar fontes para lhe fornecer informações confiáveis e por publicar estas informações". Em 2017, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, chamou o WikiLeaks de "serviço secreto hostil".

A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), uma organização não governamental, considerou as acusações "uma escalada extraordinária nos ataques do governo Trump contra o jornalismo e um ataque direto à Primeira Emenda."

O procurador-geral adjunto encarregado do caso defende a tese de que o acusado não é jornalista; "Alguns dizem que Julian Assange é um jornalista, então está imune a processos por essas ações. O departamento leva muito a sério o papel dos jornalistas em nossa democracia. Julian Assange não é jornalista."

A investigação do procurador especial Robert Mueller sobre a interferência indevida da Rússia nas eleições de 2016 nos EUA descreveu o WikiLeaks como um instrumento da inteligência russa para divulgar milhares de mensagens de correio eletrônico pirateadas por seus agentes do serviço secreto militar russo.

O WikiLeaks ficou famoso em 2010, quando divulgou informações sigilosas das Forças Armadas dos EUA, inclusive um vídeo de um incidente em que um helicóptero Apache atacou civis no Iraque, matando dois jornalistas da agência de notícias Reuters em Bagdá, em 2007.

Uma corte marcial condenou Manning em 2013 a 35 anos de prisão, mas ela recebeu indulto presidencial no fim do governo Barack Obama, em 2017. Foi presa de novo por se negar a depor no processo contra o WikiLeaks.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Assange é condenado a 50 semanas de prisão por violar termos da fiança

Um tribunal do Reino Unido condenou hoje o anarquista australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, especializado em vazar segredos empresariais e de Estado, a 50 semanas de prisão por violar os termos de sua liberdade mediante fiança, noticiou o jornal inglês The Guardian.

Assange refugiou-se em 2012 na Embaixada do Equador do Londres para evitar uma extradição para a Suécia, onde era suspeito de crimes sexuais. Ele acreditava que tudo não passava de uma manobra para enviá-lo para os Estados Unidos, onde agora é acusado de piratear computadores para roubar documentos sigilosos.

No mês passado, o Equador autorizou a polícia britânica a entrar na embaixada e prender Assange, acusando-o de violar os termos de seu asilo político. A juíza Deborah Taylor entendeu que o australiano se colocou "deliberadamente fora do alcance" das autoridades do Reino Unido e desde 2012 vinha "explorando sua posição privilegiada para burlar a lei e propagandear internacionalmente seu desdém pela lei deste país".

Suas ações, acrescentou a juíza, foram "uma tentativa deliberada de se evadir da ação da Justiça ou retardá-la". Em carta, Assange pediu desculpas, alegando que se encontrava em "circunstâncias terríveis".

Do lado de fora do tribunal, manifestantes pediam sua libertação.

Na próxima semana, Assange vai participar através de vídeo de uma audiência sobre o processo de extradição para os EUA. O líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, um radical de esquerda, repudia a extradição.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Fundador do WikiLeaks é preso e pode ser extraditado para os EUA

Depois de sete anos asilado na Embaixada do Equador em Londres, o anarquista australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, uma empresa dedicada a piratear segredos de Estado e de grandes empresas, foi preso hoje. Ele pode ser extraditado para os Estados Unidos, onde é acusado de conspiração para invadir computadores e roubar documentos sigilosos.

O Equador suspendeu o asilo e autorizou a polícia britânica a entrar na embaixada e prender Assange, acusado no Reino Unido de violar os termos de sua liberdade condicional. Quando entrou na embaixada, Assange tinha contra si um mandado de prisão pan-europeu emitido pela Procuradoria-Geral da Suécia, que pretendia interrogá-lo por acusação de crimes sexuais.

Mais tarde, a Suécia retirou as acusações, mas Assange não poderia deixar a embaixada sem ser preso pela polícia britânica por violar os termos de sua liberdade condicional enquanto aguardava o julgamento do pedido de extradição para a Suécia.

Nos EUA, Assange é acusado de conspiração para violar computadores e roubar documentos sigilosos no caso que levou à prisão o soldado Bradley Manning, que mudou de sexo e hoje se chama Chelsea Manning. Mais de 250 mil documentos sigilosos do Departamento de Estado foram revelados pelo WikiLeaks.

Durante a campanha eleitoral de 2016, o então candidato Donald Trump pediu publicamente ao WikiLeaks que pirateasse o correio eletrônico da candidata democrata, Hillary Clinton, que usou um servidor privado quando era secretária de Estado.

"Eu amo o WikiLeaks", declarou Trump, que hoje tentou se distanciar de Assange. O WikiLeaks divulgou mensagens de correio eletrônico do Partido Democrata dos EUA pirateados pelo serviço secreto militar da Rússia em suas manobras para favorecer Trump. Assange afirmou que trabalhava contra Hillary para evitar uma nova guerra mundial.

O grande debate é se Assange agiu apenas para divulgar informações. Neste caso, estaria protegido pelo direito à liberdade de expressão garantido pela Constituição americana.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, condenou "energicamente a detenção de Julian Assange e a violação da liberdade de expressão". O australiano se refugiou na embaixada equatoriana quando o país era governado pelo chavista Rafael Correa, aliado de Morales e da ditadura venezuelana. Seu sucessor e ex-aliado Lenin Moreno rompeu com Correa e hoje apoia o autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Ex-advogado de Trump confessa que mentiu ao Congresso sobre Rússia

Michael Cohen, ex-advogado particular do presidente Donald Trump admitiu ontem ter mentido quando depôs sob juramento no Congresso a respeito de um projeto para construir uma Trump Tower em Moscou, em 2016, enquanto fazia campanha para chegar à Casa Branca.

Diante da pergunta do juiz federal de primeira instância Andrew Carter, Cohen confessou: "Culpado, excelência!" Como parte da confisão, admitiu ter mentido para beneficiar o "indivíduo", identificado como o atual presidente dos Estados Unidos.

Em um depoimento de nove páginas, a equipe do procurador especial Robert Mueller, que investiga um possível conluio da campanha com a Rússia, expuseram uma série de mentiras no depoimento de Cohen.

"Estava consciente das repetidas negativas do indivíduo 1 de lações políticos e comerciais entre ele a e Rússia suas repetidas declarações que as investigações desses laços tinham motivação política e não encontraram provas e que qualquer contato de indivíduos da campanha ou as Organizações Trump tinham sido totalmente encerradas antes da convenção de Iowa, em 1º de fevereiro de 2016", declarou o advogado.

Mesmo sabendo de tudo isso, Cohen reconheceu ter dados respostas falas às comissão de inteligência da Câmara e do Senado, em 2017: "Fiz essas declarações falsas para ser coerente com a mensagem política do indivíduo 1", acrescentou o advogado num tribunal de Manhattan.

Foi sua segunda confissão de culpa em quatro meses, complicando ainda mais o presidente no inquérito do procurador especial. Trump negou tudo mais uma vez, alegando que Cohen é "uma pessoa fraca e pouco inteligente", que teria mentido para fechar um acordo de delação premiada e se livrar de uma condenação.

Em outro caso, a equipe de Mueller acusou o ex-diretor da campanha de Trump Paul Manafort de mentir sob juramento. Isso deve provocar a ruptura do acordo de colaboração com a Justiça. Desde a campanha, Trump insistiu que nunca teve negócios na Rússia nem com a Rússia.

O jornal inglês The Guardian revelou que Manafort esteve pelo menos três o anarquista australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, que está refugiado desde 2012 na embaixada do Equador no Reino Unido. O WikiLeakes divulgou centenas de mensagem da campanha democrata iner

Sem saída jurídica, o presidente tenta desqualificar a investigação, que descreve como uma "caça às bruxas" e uma "perseguição política" de "democratas raivosos". Em entrevista ao jornal popular nova-iorqino The Daily Post, o presidente aventou a possibilidade de dar indulto a Manafort.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Diretor da campanha de Trump esteve com Assange

O lobista Paul Manafort, que foi diretor da campanha presidencial de Donald Trump, se encontrou várias vezes em segredo com o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, na Embaixada do Equador em Londres, onde ele está refugiado, noticiou hoje o jornal inglês The Guardian.

Manafort esteve com Assange em 2013, 2015 e 2016, quando se tornou diretor da campanha de Trump, afirmou o jornal. Em nota, ele negou tudo: "Nunca encontrei Julian Assange nem ninguém ligado a ele. Nunca estive em contato com ninguém ligado ao WikiLeaks, direta ou indiretamente. Nunca me dirigi a Assange ou ao WikiLeaks sobre qualquer assunto."

Esses encontros são de interesse do procurador especial Robert Mueller, que investiga a interferência da Rússia nas eleições de 2016 nos Estados Unidos e um possível conluio da campanha de Trump com o Kremlin para derrotar a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, candidata do Partido Democrata à Casa Branca.

Durante a campanha, em outubro de 2016, Trump disse: "Amo o WikiLeaks", uma empresa especializada em divulgar documentos e fatos sigilosos de governos e empresas. Em 2010, o WikiLeaks divulgou mais de 250 mil documentos do Departamento de Estado americano e imagens de ações desastradas dos militares americanos na invasão do Iraque.

Em 2016, o WikiLeaks revelou dezenas de milhares de mensagens de correio eletrônico da campanha de Hillary e do Partido Democrata pirateadas pelo GRU (Departamento de Central de Inteligência), o serviço secreto militar da Rússia, para favorecer Trump.

Ontem, a equipe do procurador especial acusou Manafort de mentir repetidas vezes aos investigadores, violando os termos de seu acordo de delação premiada. Ele perdeu o direito à redução da pena e deve ser sentenciado em breve e pelo menos dez anos de prisão.

Na semana passada, por um erro da equipe de Mueller, vazou a notícia de que há uma denúncia contra Assange, que está sob pressão do atual governo equatoriano para sair da embaixada.

Assange se refugiou na Embaixada do Equador no Reino Unido em 2012 para escapar de um mandado de prisão pan-europeu emitido pela Suécia. A primeira visita de Manafort aconteceu um ano depois, quando o lobista trabalhava para o então presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, aliado de Moscou.

A procuradoria sueca retirou as acusações, mas Assange deve ser preso no Reino Unido quando sair da embaixada por violar os termos de sua liberdade condicional. Aí, poderá ser extraditado para os EUA.

Um informe do serviço secreto do Equador visto pelo Guardian confirma que Manafort visitou Assange, assim como russos. Em março de 2016, Manafort esteve com Assange durante 40 minutos. Só mais tarde os equatorianos perceberam a importância das visitas do assessor de Trump.

De acordo com um dossiê do ex-agente secreto britânico Christopher Steele, Manafort estava no centro de uma conspiração da campanha de Trump com o governo Vladimir Putin para derrotar Hillary Clinton, que o ditador russo "odiava e temia".

Meses atrás, Mueller denunciou 12 agentes russos do GRU pela ciberpirataria da campanha democrata, que começou em março de 2016. Em junho daquele ano, Assange enviou mensagem ao GRU pedindo material sobre o diretório nacional do Partido Democrata. Os documentos foram enviados em meados de julho em arquivos anexados criptografados.

O cerco do procurador especial vai fechando, enquanto o presidente americano o acusa de "caça às bruxas" e de de chefiar uma equipe de "democratas raivosos". Ex-diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), como a maioria dos funcionários dos serviços de segurança, Mueller era ligado ao Partido Republicano.

As acusações não passam de mentiras do presidente, o mais desonesto, antiético e imoral da história recente dos EUA.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Suécia abandona acusação de crimes sexuais contra Assange

Seis meses depois de entrevistar o anarquista australiano Julian Assange na embaixada do Equador em Londres, onde ele estava refugiado, a Procuradoria da Suécia decidiu arquivar o inquérito sobre crimes sexuais supostamente cometidos por ele. Mas as autoridades britânicas advertem que ele pode ser preso por violar os termos de sua liberdade condicional.

Assange era suspeito desde 2010 de ter cometido estupro e outros crimes sexuais na Suécia. Como fundador do sítio de vazamento de documentos de governos e grandes empresas WikiLeaks, ele divulgou provas de crimes de guerra e centenas de milhares de documentos dos departamentos de Estado e da Defesa dos Estados Unidos.

Como temia ser extraditado para a Suécia e de lá para os EUA, depois de perder vários recursos contra o mandado de prisão pan-europeu emitido pela procuradoria sueca, em maio de 2012, Assange se refugiu na Embaixada do Equador no Reino Unido.

Entre seus múltiplos desafios, Assange declarou que aceitaria ser julgado pela Justiça dos EUA se o soldado Bradley Manning, preso por roubar os arquivos secretos, fosse libertado. No fim de seu governo, o presidente Barack Obama reduziu a pena de Chelsea Manning, seu novo nome depois que mudou de um tratamento para mudar de sexo. Ela foi solta nesta semana.

Recentemente, o WikiLeaks ajudou a divulgar documentos pirateados pela Rússia para prejudicar as candidaturas de Hillary Clinton, nos EUA, e Emmanuel Macron, na França.

Na sacada da embaixada equatoriana, hoje Assange fez pose de vencedor: "A guerra propriamente dita está apenas começando."


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

FBI apoia CIA ao acusar ciberpiratas russos de ajudar Trump

A polícia federal dos Estados Unidos, o FBI (Federal Bureau of Investigation), concordou hoje com avaliação do serviço de espionagem, a CIA (Agência Central de Inteligência), de que a Rússia pirateou o correio eletrônico do Partido Democrata para beneficiar a candidatura de Donald Trump.

Até agora, o FBI dizia a deputados e senadores não ter certeza sobre as intenções do ataque cibernético da Rússia. Como o Partido Republicano também foi pirateado, mas o conteúdo não foi distribuído, a conclusão é que o objetivo era ajudar Trump, que elogiou o protoditador russo, Vladimir Putin, como um "grande líder", além de ameaçar não proteger os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

O fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, refugiado há anos na Embaixada do Equador em Londres, prometeu boicotar a candidatura da ex-secretária de Estado Hillary Clinton alegando que sua atitude belicosa provocaria novas guerras,

Hoje o presidente Barack Obama prometeu retaliar a guerra cibernética de Putin. A Rússia também foi acusada de pirataria cibernética para interferir no resultado de eleições em ex-repúblicas soviéticas como a Geórgia e os países bálticos, e em aliados do antigo Bloco Soviético como a Polônia.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Comitê da ONU considera ilegal a detenção de Assange

O Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária das Nações Unidas considerou ilegal a detenção do hacker australiano Julian Assange, exilado há mais de três anos na embaixada do Equador no Reino Unido para escapar de um mandato de prisão europeu a pedido da Suécia, onde ele é acusado de crimes sexuais.

"Só podemos dizer que o grupo chegou a uma conclusão diferente das autoridades judiciais suecas", comentou o Ministério do Exterior da Suécia.

Em Londres, Assange deu entrevista hoje considerando-se perseguido há cinco anos: "Espero que meu passaporte seja devolvido e o fim de tentativas adicionais de prisão."

Ele teme que a extradição para a Suécia seja apenas uma manobra para entregá-lo aos Estados Unidos, onde ele é acusado de roubar segredos de Estado por divulgar documentos sigilosos no WikiLeaks.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Assange será interrogado na embaixada do Equador em Londres

Depois de mais de três anos asilado na Embaixada do Equador no Reino Unido, o australiano Julian Assange, fundador do sítio WikiLeaks, será interrogado, revelou o presidente equatoriano, Rafael Correa. O Equador fez um acordo com a procuradoria da Suécia para ele ser questionado sobre as acusações de abuso sexual.

Correa esclareceu que as autoridades suecas vão encaminhar as perguntas aos funcionários equatorianos, que farão o interrogatório, revelou o jornal britânico The Independent.

Assange vive desde agosto de 2012 na embaixada, situada no bairro londrino de Knightsbridge, onde se refugiou para não ser preso e extraditado para a Suécia com base num mandato de prisão europeu, que foi aceito pelas autoridades britânicas porque em princípio toda pessoa tem direito a um julgamento justo em qualquer país da União Europeia.

Ele é acusado por duas mulheres de abusos sexuais, que nega. Alega que tudo não passa de uma manobra para extraditá-lo para os Estados Unidos, onde é acusado de roubar documentos e revelar segredos de Estado através do WikiLeaks.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

França rejeita pedido de asilo de Julian Assange

A França rejeitou hoje um pedido de asilo político feito pelo fundador do sítio WikiLeaks, Julian Assange, especializado em piratear dados de governo e empresas, que está refugiado na Embaixada do Equador em Londres para não ser extraditado para a Suécia, onde é acusado de crimes sexuais.

Em nota oficial, o Palácio do Eliseu, sede da Presidência da França, declarou que a situação de Assange "não representa um perigo imediato". Na carta em que pediu asilo, ele alegou que sua "vida está em perigo".

Julian Paul Assange, australiano, fez 44 anos hoje. Ele ganhou notoriedade e prêmios de luta pela liberdade de expressão ao revelar documentos sobre as guerras dos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão. Em 2010, deixou vazar na Internet mais de 250 mil documento sigilosos da diplomacia americana.

Em outubro do mesmo ano, então o procurador-geral dos EUA, Eric Holder, abriu uma investigação sobre o caso. Assange é acusado com base na Lei de Espionagem, de 1917, por ter mantido contato Bradley Manning (que mudou de sexo e agora é Chelsea Manning), responsável direto pelo roubo dos documentos dos arquivos do governo americano.

Sob suspeita de ter molestado duas mulheres sexualmente e estuprado uma delas durante visita à Suécia em agosto de 2010, Assange foi detido em Londres com base num mandado de prisão europeu da Justiça sueca. O mandado de prisão europeu pressupõe que o acusado terá direito a ampla defesa em qualquer país da União Europeia (UE).

Depois de perder todos os recursos contra a deportação, em 19 de junho de 2012, Assange pediu asilo à embaixada equatoriana no Reino Unido. Dias depois, o governo do Equador aceitou o pedido e o presidente Rafael Correa afirmou que ele poderia permanecer na embaixada indefinidamente.

Como a representação do Equador fica no primeiro andar, ele não pode nem ir até a garagem pegar um carro oficial da embaixada para ir até o aeroporto sem correr o risco de ser preso.

Assange teme que o processo na Suécia por crimes sexuais seja apenas uma manobra para entregá-lo aos EUA. Mas a França não teria como rejeitar o mesmo pedido de extradição.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Putin confirma que Snowden ainda está em Moscou

O técnico subcontratado pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos que denunciou o programa Prisma, de espionagem via Internet, Edward Snowden, ainda está na Rússia, numa "área de trânsito" do aeroporto de Moscou, confirmou há pouco o presidente Vladimir Putin.

As autoridades russas alegam que Snowden não cometeu nenhum crime pela lei do país que justifique sua extradição para os EUA.

O governo Barack Obama pediu sua extradição a Hong Kong, um território autônomo pertencente à China, mas Snowden, que também tinha acusado os EUA de espionagem cibernética contra o regime comunista chinês, conseguiu sair de lá sem problema.

Sob a alegação de que não terá um julgamento justo nos EUA, Snowden teria pedido asilo político ao Equador, que já abriga, em sua embaixada em Londres, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, que divulgou centenas de milhares de documentos sigilosos do governo americano.

A Suécia emitiu uma "ordem de prisão europeia" para interrogar Assange sobre acusações de crimes sexuais. Ele denuncia uma conspiração para levá-lo para os EUA.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Manning alega querer debate sobre uso da força

Nas alegações iniciais de seu processo em tribunal militar por traição e divulgação de segredos de Estado, o ex-soldado do Exército dos Estados Unidos Bradley Manning admitiu ter copiado documentos sigilosos do governo americano, mas argumentou que queria provocar um debate sobre as invasões do Afeganistão e do Iraque, e não ajudar o inimigo.

Mais de 700 mil documentos furtados por Manning foram divulgados pelo sítio WikiLeaks, fundado pelo australiano Julian Assange. Ao todo, ele é acusado de 22 crimes e admitiu a culpa em 10. Pode pegar uma pena de 154 anos de prisão.

A denúncia afirma que Manning colocou em risco diplomatas e militares americanos, e suas fontes, que passaram informações de interesse das autoridades dos EUA. O advogado de Manning argumentou que ele foi "ingênuo" e não tinha má intenção. Queria apenas provocar um debate sobre as ações das Forças Armadas americanas no exterior.

Manning declarou ter sido torturado, colocado nu diante dos militares que o interrogaram, além de ter seus óculos tirados e de ficar durante meses numa cela solitária de 4 metros quadrados em que a luz ficava ligada permanentemente.

domingo, 19 de agosto de 2012

Assange denuncia "caça às bruxas" contra o WikiLeaks

Em sua primeira aparição pública desde que recebeu asilo político do Equador, o australiano Julian Assange, fundador do sítio de Internet WikiLeaks, dedicado a denunciar abusos de poder de governos e empresas, pediu o fim da "caça às bruxas" movida pelos Estados Unidos contra sua organização.

Assange teve um pedido da extradição feito pela Suécia, onde é acusado de crimes sexuais, aceito pela Justiça do Reino Unido. Sem a possibilidade de interpor novos recursos, em 19 de junho de 2012, o australiano pediu asilo político à Embaixada do Equador em Londres. Na semana passada, o governo equatoriano concedeu o asilo.

O fundador do WikiLeaks nega ter cometido agressões sexuais contra duas suecas. Afirma que tudo não passa de uma manobra para extraditá-lo para os EUA, onde há um processo aberto contra ele há um ano e oito meses por roubo e vazamento de mais de 250 mil documentos sigilosos do Departamento de Estado.

Por várias vezes, ele pediu garantias ao governo americano de que ele e outros denunciantes de abusos dos poderosos não serão alvo de perseguição e injustiças. O Equador concedeu o asilo alegando que ele poderia ser enviado para os EUA, onde poderia ser levado a um tribunal militar e não teria as garantias necessárias para uma ampla defesa.

Ironicamente, na sua declaração de hoje, Assange, pediu o fim da perseguição a jornalistas no mundo inteiro. Ignorou que o presidente do Equador, Rafael Correa, vive em conflito com os meios de comunicação de massa de seu país e já impôs multas milionárias a empresas e jornalistas, a exemplo do que fazem seus aliados Hugo Chávez, na Venezuela, e Cristina Kirchner, na Argentina.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Equador concede asilo político a Assange

Sob a alegação de que ele não teria direito a um julgamento justo, o governo do Equador concedeu hoje asilo político ao australiano Julian Assange, fundador do sítio WikiLeaks, que vazou na Internet mais de 250 mil documentos sigilosos do Departamento de Estado americano, de outros países e de empresas. Ele é acusado de crimes sexuais na Suécia e teve seu pedido de extradição aceito pela Justiça do Reino Unido.

Como acredita que tudo não passa de uma manobra para que a Suécia o entregue aos Estados Unidos, esgotados todos os recursos jurídicos no Reino Unido, em 19 de junho, Assange entrou na Embaixada do Equador em Londres.

Hoje de manhã, o ministro do Exterior equatoriano, Ricardo Patiño, justificou a concessão de asilo alegando que Assange é um defensor dos direitos humanos e da liberdade de expressão, e é vítima de perseguição política. Se for extraditado para os EUA, Assange não será submetido a um julgamento justo, pode ser levado a uma corte marcial e executado.

O problema para Assange é que agora ele precisa de um salvo-conduto para ir da embaixada até o aeroporto, e o governo britânico ameaça prendê-lo se ele deixar a representação diplomática. Ao pedir asilo, o australiano violou os termos de sua liberdade condicional.

Agora há pouco, o ministro do Exterior britânico, William Hague, deixou claro que ele não terá salvo-conduto para sair da embaixada e deixar o Reino Unido.