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terça-feira, 28 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 28 de Julho

SAN MARTÍN PROCLAMA INDEPENDÊNCIA DO PERU

    Em 1821, o general argentino José de San Martín, um dos libertadores da América, declara a independência do Peru, o último país da América do Sul a se libertar do domínio da Espanha.

A maioria dos países da América Espanhola se torna independente no início do século 19, quando a França de Napoleão Bonaparte invade a Península Ibérica e ocupa Portugal e Espanha. Conservador, o Peru mantém a lealdade à monarquia espanhola.

A Expedição Libertadora do Exército dos Andes, sob o comando de San Martín, sai do Chile e desembarca no Peru em 1820. Com a fuga da elite monarquista de Lima, San Martín proclama a independência, se torna presidente e convoca o Congresso Constituinte.

Sem chegar a um acordo com o outro grande libertador, o venezuelano Simón Bolívar, que queria criar a Confederação da América Latina, San Martín deixa Lima. A independência peruana é conquistada com a derrota da Espanha nas batalhas de Junín e Ayacucho, em 6 de agosto e 9 de dezembro de 1824.

EUA GARANTEM "PROTEÇÃO IGUAL PERANTE A LEI"

    Em 1868, termina a ratificação da 14ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos, que dá cidadania a todas as pessoas nascidas no país ou naturalizadas, inclusive ex-escravos, e garante "proteção igual perante a lei".

É uma das três emendas aprovadas durante a Reconstrução, depois da Guerra da Secessão, para consolidar a abolição da escravatura.

Com base no direito à privacidade garantido pela emenda, a Suprema Corte reconhece em 1973 o direito ao aborto, revogado em decisão de 2022.

Ao voltar a Casa Branca, em 20 de janeiro de 2025, o presidente Donald Trump tenta ignorar esta emenda para negar cidadania a filhos de imigrantes ilegais. A Suprema Corte considerou ilegal o decreto de Trump. 

COMEÇA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

    Em 1914, o Império Austro-Húngaro declara guerra à Sérvia, dando início à Primeira Guerra Mundial (1914-18), um mês depois do assassinato em Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, do herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, arquiduque Francisco Ferdinando, pelo estudante radical sérvio Gavrilo Princip.

 

No dia seguinte, a Rússia, aliada da Sérvia, ordena uma mobilização geral das Forças Armadas. A Alemanha, aliada da Áustria-Hungria, se mobiliza em 30 de julho para aplicar o Plano Schlieffen, que prevê uma rápida invasão maciça da França para neutralizar o Exército francês, seguida de um ataque à Rússia na frente oriental.

O governo francês resiste à pressão dos militares. Só entra em prontidão máxima em 2 de agosto, quando a Alemanha invade a Bélgica e declara guerra à Rússia. O Reino Unido, aliado da França, da Rússia e da Sérvia, declara guerra à Alemanha em 4 de agosto.

Quando a Grande Guerra, como era chamada na época, começa, a expectativa é de um conflito rápido de meses. A Primeira Guerra Mundial dura quatro anos. É o conflito que molda o século 20. Quatro impérios derrotados – Alemão, Austro-Húngaro, Otomano (turco) e Russo – desaparecem. Os aliados da Rússia vencem, mas este país é derrotado pela Alemanha e faz um acordo de paz separado.

Com as revoluções de 1917 na Rússia, que derrubam o regime czarista e implantam o comunismo, e a entrada dos Estados Unidos na guerra no mesmo ano, entram na cena mundial as duas superpotências que dominam a política internacional na segunda metade do século 20.

Entre as consequências nefastas da Conferência de Versalhes, a "paz para acabar com todas as bases", estão a humilhação da Alemanha e o revanchismo que alimenta o nazifascismo.

NASCE JACKIE KENNEDY 

    Em 1929, nasce Jacqueline Bouvier, futura mulher do presidente John Kennedy, provavelmente a primeira-dama mais charmosa e mais famosa da história.

Depois de se formar na Universidade George Washington, em 1951, Jackie viaja para a Europa com a irmã. Na volta, arruma um emprego como jornalista do Washington Times-Herald's, onde entrevista cidadãos comuns nas ruas da capital dos Estados Unidos.

Naquela época, conhece o jovem senador John Kennedy. Eles se casam em 12 de setembro de 1953, depois de dois anos de namoro.

Quando Kennedy se torna presidente, em 1961, o jovem casal conquista enorme popularidade, a ponto de Kennedy dizer, durante visita à França no mesmo ano, que "sou o homem que acompanha Jacqueline Kennedy em Paris". 

Com as conquistas amorosas do presidente, que teve um caso com a atriz Marylin Monroe, o casamento é abalado, mas a lealdade de Jackie é inquebrantável. A imagem mais dramática da vida dela é a tentativa segurar a cabeça de Kennedy quando ele é baleado mortalmente em Dallas, no Texas, em 22 de novembro de 1963.

Horas depois, Jackie usa o mesmo vestido cor-de-rosa manchado de sangue durante o juramento do vice-presidente Lyndon Johnson como novo presidente dos EUA.

Depois do assassinato do senador Robert Kennedy, irmão de JFK, durante a campanha eleitoral de 1968, Jackie deixa os EUA e se casa com o milionário armador grego Aristóteles Onassis.

HILLARY É PRIMEIRA MULHER CANDIDATA À CASA BRANCA

    Em 2016, a ex-primeira-dama, ex-senadora e ex-secretária de Estado Hillary Clinton aceita a indicação do Partido Democrata e se torna a primeira mulher a disputar a Presidência dos Estados Unidos por um grande partido.


Hillary vence Donald Trump por 2,8 milhões no voto popular, mas perde no Colégio Eleitoral, numa das grandes zebras da história política dos EUA, contrariando as pesquisas de opinião. O jornal The New York Times chega a dar a notícia da primeira mulher presidente, logo desmentida.

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 18 de Fevereiro

DESCOBERTA DE PLUTÃO

    Em 1930, o astrônomo norte-americano Clyde Tombaugh, do Laboratório Lowell, de Flagstaff, no Arizona, nos Estados Unidos, descobre o nono planeta do Sistema Solar.

A existência de um planeta desconhecido é proposta por Percival Lowell. Para explicar oscilações na órbita de Netuno e Urano, haveria uma força gravitacional.

Mas, em agosto de 2006, a União Astronômica Internacional decide que Plutão não é realmente um planeta. É um planeta-anão, o maior dos corpos celestes do Cinturão de Culper, que fica depois de Netuno. É uma mistura de rocha e gelo com um terço do volume da Lua.

CRIAÇÃO DA ALALC

    Em 1960, a Argentina, o Brasil, o Chile, o México, o Paraguai, o Peru e o Uruguai fundam a Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC), com o objetivo de criar um mercado comum. Em 1970, entram Bolívia, Colômbia, Equador e Venezuela.

A ideia de uma união da América Latina é tão antigo quando a independência. O libertador Simón Bolívar não era antinorte-americano nem socialista. Sonhava em criar uma confederação, uma espécie de Estados Unidos da América do Sul. Organizou a 1ª Conferência Pan-Americana, em 22 de junho de 1826, na Cidade do Panamá.

A ALALC nasce sob a influência da Comissão Econômica da ONU para a América Latina (Cepal) e a inspiração da Comunidade Econômica Europeia, criada pelo Tratado de Roma em 1957 e instalada em 1958. 

Na época, em plena Guerra Fria, a superpotência dominante do sistema capitalista, os EUA, são contra acordos comerciais regionais para evitar o protecionismo. A CEE é a exceção porque os EUA precisam de uma Europa Ocidental rica e próspera para se contrapor ao comunismo soviético da Europa Oriental.

Em 1980, o ALALC é sucedida pela ALADI (Associação Latino-Americana de Desenvolvimento e Integração), com a participação de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Cuba entra em 1999.

Depois da redemocratização da América do Sul e da aproximação entre Brasil e Argentina, é no marco da ALADI que se negocia o Tratado de Assunção para criar o Mercosul (Mercado Comum do Sul) em 26 de março de 1991. 

VAZAMENTO DO WIKILEAKS

    Em 2010, o sítio WikiLeaks começa a divulgar centenas de milhares de documentos secretos pirateados pelo analista de inteligência do Exército dos Estados Unidos Bradley Manning, que depois muda de sexo e de nome para Chelsea Manning.

Manning entra para o Exército em 2007 e no ano seguinte faz um curso numa escola de inteligência do Arizona. Em outubro de 2009, ele é enviado ao Iraque, onde fica numa estação perto de Bagdá. No mês seguinte, entra em contato com Julian Assange, o fundador do WikiLeaks, para divulgar os arquivos secretos.

Nesta data, o WikiLeaks revela um memorando da Embaixada dos EUA na Islândia. Em abril de 2010, divulga um vídeo em que um helicóptero militar norte-americano ataca um grupo de jornalistas com câmeras no ombro, inclusive dois funcionários da agência de notícias Reuters. As câmeras teriam sido confundidas com lançadores de foguetes. Em novembro de 2010, o WikiLeaks divulga cerca de 250 mil memorandos do Departamento de Estado norte-americano e suas embaixadas.

Em maio de 2010, Manning confessa ao ciberpirata Adrian Lamo que roubou centenas de milhares de documentos secretos. Lamo o denuncia ao Exército. Manning é preso. Depois de mais mil dias preso antes do julgamento, em fevereiro de 2013, Manning admite a culpa em todas as 10 acusações.

Os procuradores do Departamento da Defesa decidem levar o caso adiante. Em julho de 2013, Manning é considerado inocente da acusação mais grave, colaborar com o inimigo, mas é condenado por várias acusações, inclusive espionagem e roubo. Pega 35 anos de prisão.

No dia seguinte à sentença, Manning declara que é mulher e pede autorização para fazer tratamento para mudar de sexo. Depois de 10 dias de greve de fome, em 2016, o Exército aceita que faça tratamento para mudar de sexo, inclusive cirurgia. No fim de seu governo, em janeiro de 2017, o presidente Barack Obama dá o perdão presidencial a Chelsea Manning, talvez por entender que ela revelou crimes cometidos pelas Forças Armadas dos EUA.

Quem pode arcar com a culpa é Assange, o hacker australiano que funda o WikiLeaks em 2006 inspirado pelo caso dos Papéis do Pentágono, em 1971, quando o jornalista Daniel Ellsberg precisou de dois anos para divulgar documentos secretos sobre a Guerra do Vietnã (1955-75). Na era eletrônica, Assange quer acelerar a divulgação de segredos de Estado.

Em novembro de 2010, a Suécia decreta a prisão de Assange por suspeita de crimes sexuais. Transar sem camisinha sem consentimento do parceiro é crime na Suécia. Assange nega as acusações e alega que a prisão na Suécia é o início de uma extradição para os EUA.

Assange se entrega no Reino Unido em 2010 para lutar contra a extradição. Dez dias depois, paga fiança e é libertado. Em junho de 2012, é acusado de violar os termos da fiança. Dois meses depois, ele pede asilo à Embaixada do Equador em Londres, onde fica até ser expulso, em abril de 2019. Ao sair, é preso.

Em 2016, antes da eleição de Donald Trump, o WikiLeaks revela e-mails pirateados da candidata democrata, Hillary Clinton, provavelmente pirateados pelos serviços secretos da Rússia. Assange nega qualquer ligação com a Rússia.

Em 24 de junho de 2024, Assange é libertado da prisão de Belmarsh, no Reino Unido, depois de um acordo com a Justiça dos EUA. Ele se declara culpado num tribunal norte-americano nas Ilhas Marianas do Norte por violar a lei de espionagem dos EUA ao divulgar mais de 700 mil documentos confidenciais, condenado a 5 anos e 2 meses de prisão e liberado por já ter cumprido 1.901 dias de prisão.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Retrospectiva 2025: Onze meses que abalaram o mundo

    Em pouco menos de um ano, o presidente Donald Trump declarou guerra comercial ao resto do mundo, hostilizou aliados como vassalos recalcitrantes, flertou com ditadores, mobilizou o Exército e a Guarda Nacional para combater a imigração, bombardeou o programa nuclear do Irã, o Estado Islâmico na Síria e na África, os rebeldes hutis no Iêmen, barcos que acusa de tráfico de drogas perto das costas da Venezuela e da Colômbia, e um porto venezuelano com um drone nos últimos dias. Para cercar o ditador Nicolás Maduro, reuniu a maior frota de guerra reunida no Mar do Caribe desde a Crise dos Mísseis em Cuba, em 1962.

A China foi a grande vencedora da guerra comercial, Resistiu à chantagem de Trump, mostrou força e terminou o ano com um saldo comercial recorde de mais de US$ 1 trilhão.

O Japão tem a primeira mulher na chefia do governo. A primeira-ministra de ultradireita Sanae Takaichi, a Margaret Tharcher japonesa, é baterista de heavy metal. Começou ameaçando a China de intervir numa guerra sobre Taiwan.

 A guerra na Faixa de Gaza chegou a uma trégua frágil. Israel ataca quando quer na Faixa de Gaza e no Líbano, enquanto o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) reassume o controle das áreas de onde o Exército de Israel se retirou.

Não há muita chance de paz na Ucrânia. O ditador russo Vladimir Putin exige uma virtual rendição ucraniana, com exigências territoriais que nenhum líder da Ucrânia pode conceder, a não ser à força. Putin aposta na vitória a longo prazo, em conquistar no campo de batalha o que está pedindo.

Na América Latina, a direita se reelegeu no Equador e voltou ao poder na Bolívia e no Chile. É favorita no ano que vem no Peru e na Colômbia.

Com a morte do papa Francisco, o cardeal norte-americano Robert Provost, que morou 10 anos no Peru e tem cidadania peruana, foi eleito papa e assumiu o nome de Leão XIV, homenagem ao papa Leão XIII, que criou o socialismo cristão com a encíclica Rerum Novarum no fim do século 19.


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quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Doutrina Trump quer impor suas políticas ao mundo

A nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, anunciada na semana passada, abandona 80 anos de política externa baseada em alianças e num sistema internacional multilateral e consolida as ideias e visões de mundo do presidente Donald Trump.
A Doutrina Trump quer conciliar a hegemonia dos EUA com um recuo dos compromissos internacionais que o país assumiu desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45), o que é impossível. É uma regressão à Era dos Impérios, a um mundo dividido em esferas de influência das superpotências militares: EUA, China e Rússia.

Em 29 páginas, o documento traz uma lista de desejos, exalta a supremacia dos EUA e cita os instrumentos que o país tem para atingir seus objetivos. Divide o mundo em cinco regiões: América, Ásia, Europa, Oriente Médio e África.

Enquanto na Ásia Trump espera que os países atuem como aliados voluntários de uma ampla aliança informal para conter a China, na Europa e na América, exige uma submissão total aos interesses econômicos e militares dos EUA.

Há um desprezo pela Europa, descrita como uma civilização decadente sob ameaça de extinção, assolada pela imigração de povos não europeus. Isso significa que imigrantes não brancos corrompem os valores das sociedades ocidentais. Este racismo explícito é uma das raízes do trumpismo, causado pelo medo de que em algumas décadas os brancos de origem europeia deixem de ser maioria nos EUA.

Só três parágrafos são dedicados à África, desprezada e discriminada por esta visão racista. À noite, em comício na Pensilvânia em que deveria exaltar a superioridade de sua economia, Trump voltou a se referir a países africanos como "buracos de merda", uma semana depois de chamar os somalianos norte-americanos de "lixo".

Na América Latina, a proposta é resgatar a Doutrina Monroe, enunciada no início do século 19 para evitar intervenções militares europeias e tentativa de recolonizar países do continente. Os objetivos são combater o tráfico de drogas, a imigração ilegal e a crescente influência da China. Mas não diz como pretende fazer isso numa região em que a China é a maior parceira comercial da maioria dos países.

O Corolário Trump da Doutrina Monroe não é doutrina nem estratégia, mas vai aumentar a presença militar dos EUA na América Latina.

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terça-feira, 13 de maio de 2025

Morre Mujica, ex-guerrilheiro que modernizou a esquerda

 O ex-presidente do Uruguai José Pepe Mujica morreu hoje aos 89 de um câncer no esôfago diagnosticado no ano passado. Ex-guerrilheiro que abraçou plenamente a democracia, foi um exemplo de humildade, honestidade e coerência para a modernização da esquerda na América Latina. Criticou os regimes ditatoriais da Nicarágua e da Venezuela. Legalizou o aborto, a maconha e o casamento gay.

José Alberto Mujica Cordano nasceu em Montevidéu em 20 de maio de 1935 numa família de pequenos agricultores. Nos anos 1960, aderiu ao grupo guerrilheiro Movimento de Libertação Nacional os Tupamaros, inspirado pela Revolução Cubana. Foi o único presidente latino-americano que se envolveu diretamente em combate. 

Em 8 de outubro de 1969, participou da Tomada de Pando, quando os tupamaros assumiram o controle da delegacia de polícia, do quartel dos bombeiros e de vários bancos da cidade, situada a cerca de 30 quilômetros da capital.

Mujica foi preso em 1972 como a maioria dos tupamaros, ferozmente perseguidos pela ditadura cívico-militar instalada em 1973. Foi ferido por seis tiros, preso quatro vezes e torturado. Conseguiu fugir duas vezes da prisão de Punta Carretas. Passou 13 anos preso, sete numa solitária. Em entrevista a Pedro Bial, disse que não enlouqueceu na solitária porque "já era um tanto louco". Nunca foi julgado.

Com a redemocratização do Uruguai em 1985, Mujica foi eleito senador em 1989. No primeiro governo da Frente Ampla, de esquerda, de Tabaré Vázquez (2005-10), foi ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca (2005-8). Eleito presidente em 2009, governou o país de 2010 a 2015, tornando-se um exemplo para o mundo.

Como presidente, ganhava 230 mil pesos uruguaios, pouco mais de R$ 22 mil, e doava quase 70% para o partido e para obras sociais, a ponto de ser chamado de "presidente mais pobre do mundo". Não quis morar no palácio. Viveu sempre na sua granja no Rincón del Cerro, na zona rural de Montevidéu, onde cultivava flores e hortaliças. Andava sempre no seu fusquinha.

"Por sorte tenho uma esposa que banca das despesas", declarou na época, num agradecimento à ex-militante e senadora Lucía Topolanski, sua companheira desde os anos 1970.

Depois da Presidência, foi eleito senador por dois mandatos. Deixou o Congresso durante a pandemia da covid-19.

Durante entrevista em 9 de janeiro deste ano, Mujica revelou que mesmo depois de 32 sessões de radioterapia o câncer atingira o fígado, estava morrendo e não daria mais entrevistas. E concluiu: "O guerreiro tem direito a seu descanso."

Algumas frases resumem o pensamento político deste herói da esquerda latino-americana:

"Quando você vai comprar algo, não paga com dinheiro, paga com um tempo de sua vida que teve que gastar para ter esse dinheiro." 

 "O deus mercado organiza a economia, a vida e financia a aparência de felicidade. Parece que nascemos só para consumir e consumir. E quando não podemos, carregamos frustração, pobreza e autoexclusão." 

"Os que comem bem, acham que se gasta demasiado em política social." 

"Os setores proprietários dizem que não se deve dar o peixe, mas ensinar as pessoas a pescar. Mas quando destroçamos seu barco, roubamos sua vara e tiramos seus anzóis, é preciso começar dando-lhes o peixe." 

"A Humanidade precisa trabalhar menos, ter mais tempo livre e ser mais pé no chão."

"Pensávamos que era só chegar ao governo e construir uma sociedade mais justa. Descobrimos que isso é impossível. A verdadeira transformação política deve acontecer de baixo para cima, com a democracia."  ⁠

"Ser de esquerda é ter uma posição filosófica perante a vida onde a solidariedade prevalece sobre o egoísmo." 

"O casamento gay é mais velho do que o mundo. Tivemos de Júlio César a Alexandre, o Grande. Dizem que é moderno e é mais antigo do que todos nós. É uma realidade objetiva. Existe. E não legalizar seria torturar as pessoas desnecessariamente". 

"Me chamam de o presidente mais pobre do mundo, mas eu não sou um presidente pobre. Pessoas pobres são aquelas que sempre precisam de mais, aqueles que nunca têm o suficiente, porque estão num ciclo infinito. Escolhi esse estilo de vida austero, escolhi não ter muitas coisas, para que eu tenha tempo de viver como quero viver." 

"O que uns chamam de crise ecológica é consequência da ambição humana, este é nosso triunfo e nossa derrota." 

⁠"Havia 40 milhões de probabilidades de nascer outro e foi você. Esse é o único milagre que existe lá em cima. Provavelmente viemos do nada e vamos para o nada. É preciso se comprometer com a vida." 

"[A morte] é uma senhora de quem não gostamos, e que não queremos, mas que inevitavelmente vai chegar em algum momento. Portanto, temos que nos resignar. Todos os seres vivos são feitos para lutar pela vida: desde uma erva daninha, um sapo e até nós. Chega-se à conclusão de que isso serve para dar sabor à vida, pois, como dizia o velho Aristóteles: tudo o que a natureza faz é bem feito."

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 18 de Fevereiro

 DESCOBERTA DE PLUTÃO

    Em 1930, o astrônomo norte-americano Clyde Tombaugh, do Laboratório Lowell, de Flagstaff, no Arizona, nos Estados Unidos, descobre o nono planeta do Sistema Solar.

A existência de um planeta desconhecido é proposta por Percival Lowell. Para explicar oscilações na órbita de Netuno e Urano, haveria uma força gravitacional.

Mas, em agosto de 2006, a União Astronômica Internacional decide que Plutão não é realmente um planeta. É um planeta-anão, o maior dos corpos celestes do Cinturão de Culper, que fica depois de Netuno. É uma mistura de rocha e gelo com um terço do volume da Lua.

CRIAÇÃO DA ALALC

    Em 1960, a Argentina, o Brasil, o Chile, o México, o Paraguai, o Peru e o Uruguai fundam a Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC), com o objetivo de criar um mercado comum. Em 1970, entram Bolívia, Colômbia, Equador e Venezuela.

A ideia de uma união da América Latina é tão antigo quando a independência. O libertador Simón Bolívar não era antinorte-americano nem socialista. Sonhava em criar uma confederação, uma espécie de Estados Unidos da América do Sul. Organizou a 1ª Conferência Pan-Americana, em 22 de junho de 1826, na Cidade do Panamá.

A ALALC nasce sob a influência da Comissão Econômica da ONU para a América Latina (Cepal) e a inspiração da Comunidade Econômica Europeia, criada pelo Tratado de Roma em 1957 e instalada em 1958. 

Na época, em plena Guerra Fria, a superpotência dominante do sistema capitalista, os EUA, são contra acordos comerciais regionais para evitar o protecionismo. A CEE é a exceção porque os EUA precisam de uma Europa Ocidental rica e próspera para se contrapor ao comunismo soviético da Europa Oriental.

Em 1980, o ALALC é sucedida pela ALADI (Associação Latino-Americana de Desenvolvimento e Integração), com a participação de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Cuba entra em 1999.

Depois da redemocratização da América do Sul e da aproximação entre Brasil e Argentina, é no marco da ALADI que se negocia o Tratado de Assunção para criar o Mercosul (Mercado Comum do Sul) em 26 de março de 1991. 

VAZAMENTO DO WIKILEAKS

    Em 2010, o sítio WikiLeaks começa a divulgar centenas de milhares de documentos secretos pirateados pelo analista de inteligência do Exército dos Estados Unidos Bradley Manning, que depois muda de sexo e de nome para Chelsea Manning.

Manning entra para o Exército em 2007 e no ano seguinte faz um curso numa escola de inteligência do Arizona. Em outubro de 2009, ele é enviado ao Iraque, onde fica numa estação perto de Bagdá. No mês seguinte, entra em contato com Julian Assange, o fundador do WikiLeaks, para divulgar os arquivos secretos.

Nesta data, o WikiLeaks revela um memorando da Embaixada dos EUA na Islândia. Em abril de 2010, divulga um vídeo em que um helicóptero militar norte-americano ataca um grupo de jornalistas com câmeras no ombro, inclusive dois funcionários da agência de notícias Reuters. As câmeras teriam sido confundidas com lançadores de foguetes. Em novembro de 2010, o WikiLeaks divulga cerca de 250 mil memorandos do Departamento de Estado norte-americano e suas embaixadas.

Em maio de 2010, Manning confessa ao ciberpirata Adrian Lamo que roubou centenas de milhares de documentos secretos. Lamo o denuncia ao Exército. Manning é preso. Depois de mais mil dias preso antes do julgamento, em fevereiro de 2013, Manning admite a culpa em todas as 10 acusações.

Os procuradores do Departamento da Defesa decidem levar o caso adiante. Em julho de 2013, Manning é considerado inocente da acusação mais grave, colaborar com o inimigo, mas é condenado por várias acusações, inclusive espionagem e roubo. Pega 35 anos de prisão.

No dia seguinte à sentença, Manning declara que é mulher e pede autorização para fazer tratamento para mudar de sexo. Depois de 10 dias de greve de fome, em 2016, o Exército aceita que faça tratamento para mudar de sexo, inclusive cirurgia. No fim de seu governo, em janeiro de 2017, o presidente Barack Obama dá o perdão presidencial a Chelsea Manning, talvez por entender que ela revelou crimes cometidos pelas Forças Armadas dos EUA.

Quem pode arcar com a culpa é Assange, o hacker australiano que funda o WikiLeaks em 2006 inspirado pelo caso dos Papéis do Pentágono, em 1971, quando o jornalista Daniel Ellsberg precisou de dois anos para divulgar documentos secretos sobre a Guerra do Vietnã (1955-75). Na era eletrônica, Assange quer acelerar a divulgação de segredos de Estado.

Em novembro de 2010, a Suécia decreta a prisão de Assange por suspeita de crimes sexuais. Transar sem camisinha sem consentimento do parceiro é crime na Suécia. Assange nega as acusações e alega que a prisão na Suécia é o início de uma extradição para os EUA.

Assange se entrega no Reino Unido em 2010 para lutar contra a extradição. Dez dias depois, paga fiança e é libertado. Em junho de 2012, é acusado de violar os termos da fiança. Dois meses depois, ele pede asilo à Embaixada do Equador em Londres, onde fica até ser expulso, em abril de 2019. Ao sair, é preso.

Em 2016, antes da eleição de Donald Trump, o WikiLeaks revela e-mails pirateados da candidata democrata, Hillary Clinton, provavelmente pirateados pelos serviços secretos da Rússia. Assange nega qualquer ligação com a Rússia.

Em 24 de junho de 2024, Assange é libertado da prisão de Belmarsh, no Reino Unido, depois de um acordo com a Justiça dos EUA. Ele se declara culpado num tribunal norte-americano nas Ilhas Marianas do Norte por violar a lei de espionagem dos EUA ao divulgar mais de 700 mil documentos confidenciais, condenado a 5 anos e 2 meses de prisão e liberado por já ter cumprido 1.901 dias de prisão.

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Hoje na História: 8 de Julho

    Em 1853, o almirante William Perry entra na Baía de Tóquio com uma esquadra de quatro navios e ameaça bombardear a cidade para abrir o Japão ao comércio internacional. Depois de dar um tempo para as autoridades japonesas examinarem o assunto, Perry volta em março de 1854 com nove navios.

Sem condições de reagir, os japoneses aceitam certas do presidente Millard Fillmore. Os Estados Unidos se tornam o primeiro país a estabelecer relações com o Japão depois de dois séculos em que o país se fechou para estrangeiros.

Desde 1639, só a China e a Holanda comerciavam com o Japão e apenas da ilha de Dejima, em Nagasaki, a segunda cidade bombardeada com uma bomba atômica, em 9 de agosto de 1945.

Em 31 de março de 1854, o almirante assina o Tratado de Kanagawa, pelo qual o Japão abre os portos de Shimoda e Hakodate, e permite a abertura de um consulado americano no país.

A pressão dos EUA acaba com  o xogunato, acabando com a Idade Média japonesa em 1868, com a Restauração Meiji, que restitui os poderes do imperador. 

Para não ser colonizado pelo Ocidente, o Império do Japão se ocidentaliza e se torna uma potência que venceu a China na Guerra Sino-Japonesa (1894-95), a Rússia na Guerra do Pacífico (1904-5) e enfrentou o colonialismo ocidental na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial.

    Em 1950, o presidente Harry Truman nomeia o general Douglas MacArthur comandante militar dos Estados Unidos na Guerra da Coreia (1950-53), um dia depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas recomendou que as forças internacionais fossem colocadas sob o comando militar americano.

A Coreia era ocupada pelo Japão desde 1910. Com a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, os EUA ocupam o Sul da Península Coreana. A União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia da explosão da bomba atômica em Nagasaki, e invade o Norte da Coreia.

A península é dividida oficialmente em 1948, quando nascem a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Em 25 de junho de 1950, o Norte, comunista, invade o Sul para tentar reunificar a Coreia. Como a União Soviética estava boicotando a ONU por causa da não admissão da República Popular da China, os EUA obtiveram um mandato do Conselho de Segurança, que têm até hoje, para reunificar a Península Coreana.

    Em 1954, o coronel Castillo Armas toma o poder na Guatemala no segundo golpe de Estado articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria, o primeiro na América Latina. A história é contada no livro de ficção Weekend in Guatemala, do escritor guatemalteco Miguel Ángel Asturias, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1967.

O golpe derruba o presidente nacionalista Jacobo Árbenz, que fizera uma reforma agrária e estatizara propriedades da companhia bananeira United Fruit, que mudou de nome para Chiquita Brands para tentar apagar a imagem associada a golpes de Estado.

Depois da Colômbia, a Guatemala foi o país com o maior número de mortos na América Latina durante a Guerra Fria, entre 150 e 200 mil. A democracia só é restaurada plenamente no país em 1984, mas a corrupção é endêmica até hoje.

O primeiro golpe militar apoiado pelos EUA na Guerra Fria foi em 1953, no Irã, contra o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que nacionalizara o petróleo iraniano.

Ao falar sobre o golpe militar de 1964 no Brasil num curso sobre a história da política externa brasileiro, o embaixador Gélson Fonseca disse acreditar que a principal causa do apoio dos EUA foi econômica. Os EUA temeriam especialmente Leonel Brizola, que havia estatizado empresas transnacionais quando era governador do Rio Grande do Sul.

    Em 1994, morre o Grande Líder Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte. Kim luta nos anos 1930 contra a ocupação japonesa e é escolhido pela União Soviética, onde faz treinamento político e militar. Ele luta pelo Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial (1939-45), funda a Coreia do Norte em 1948 e inicia a Guerra da Coreia, em 25 de junho de 1950, tentando reunificar o país sob o regime comunista.

Com a intervenção militar dos Estados Unidos e depois a China, a guerra termina num impasse, sem mudar a divisão da Coreia. Nas próximas quatro décadas, Kim isola o país com sua política de autossuficiência (Juche), causando fome e falta de energia, problemas que o país tem até hoje.

Depois da morte, numa sucessão dinástica num regime comunista, é sucedido pelo filho e Querido Líder Kim Jong Il, que explode a primeira bomba atômica do país em 2006. Ao morrer, em 2011, ascende ao poder seu filho Kim Jong Un, neto do Grande Líder, que acelera os programas de mísseis e de armas nucleares - e ameaça bombardear os EUA.

O presidente Donald Trump fez três encontros de cúpula com o jovem Kim. Legitimou o ditador na expectativa de desnuclearizar a Península Coreana, mas as negociações não avançaram.

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Fim da pandemia na América Latina está num futuro distante, alerta OPAS

A doença do coronavírus de 2019 está declinando na América do Norte, mas o fim da pandemia na América Latina e no Caribe “continua num futuro distante”, advertiu hoje a diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), Carissa Etienne. A OPAS desaconselha viagens de turismo na região.

O Brasil voltou a notificar mais de 2 mil mortes hoje, mas o contágio e os óbitos mantêm a tendência de queda. Foram 2.127 mortes e 47.038 diagnósticos positivos, chegando a 18.559.164 casos novos e 518.246 óbitos.

Com um total de 55.280 mortes, junho foi o quarto pior mês da pandemia no Brasil, atrás de abril, março e maio deste ano. A redução das mortes de idosos é o resultado da campanha de imunização. 

A média diária de mortes dos últimos sete dias caiu 22% em 14 dias para 1.572. A média diária de casos novos dos últimos sete dias baixou 21% para 55.484. Desde 27 de abril, as duas médias não apresentavam tendência de queda no mesmo dia.

Ao todo. no mundo, são 182.151.657 casos confirmados e 3.945.969 mortes. Mais de 167 milhões de pacientes se recuperaram, mais de 11,1 milhões enfrentam casos leves ou médios e 79.221 estão em estado grave.

A Índia registrou nesta quarta-feira um aumento pequeno no número de casos novos (48.786) e de mortes (1.005). O país tem o segundo maior número de casos confirmados (30.411.634) e de óbitos (399.459). Acredita-se que haja uma grande subnotificação.

O Ministério da Saúde do México estimou que o número de mortes de covid-19 no país seja 60% maior do que o anunciado até agora: 233.047, o quarto maior do mundo, depois dos Estados Unidos, do Brasil e da Índia.

Nos EUA, mais 13.775 diagnósticos positivos e 287 mortes foram notificadas nesta quarta-feira. A média diária de casos novos dos últimos sete dias deu uma estabilizada, com queda de 10% em duas semanas para 11.466, enquanto a média diária de mortes mantém a tendência de baixa. Caiu 20% em duas semanas para 256.

Mais de 3,04 bilhões de doses de vacinas foram aplicadas no mundo inteiro; 23,4% da população mundial tomaram ao menos uma dose. Mais de 41 milhões de doses estão seno aplicadas por dia. Só 0,9% dos moradores nos países pobres receberam alguma vacina.

A China lidera, com 1,24 bilhão de doses aplicadas até agora. A Índia ultrapassou os EUA: 335,7 milhões. Nos EUA, foram 335,6 milhões; 180,7 milhões de pessoas tomaram a primeira dose e 154,9 milhões (46,7% estão plenamente vacinados). O Brasil chegou a 99,87 milhões de doses; 73,57 receberam a primeira dose e 26,27 milhões (12,33% da população brasileira) estão plenamente vacinados.

Percentualmente, os países que mais vacinaram plenamente são Israel (60%), Bahrein (58%), Chile (54%), Hungria (51%), Reino Unido (48%), Uruguai (47%) e EUA (46,7%). Meu comentário:

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Alberto Fernández reforça o complexo argentino de Nova Zelândia

 Ao dizer que os mexicanos descendem dos índios, os brasileiros vieram da selva e os argentinos chegaram de barco, citando erradamente o intelectual mexicano Octavio Paz, o presidente Alberto Fernández reforça o que um embaixador chamou de Complexo de Nova Zelândia (ou Austrália). É da música Chegamos nos barcos, do compositor argentino Lito Nebbia.

 Por causa da riqueza que tinham no início do século passado e de uma população majoritariamente branca, a elite argentina se vê como uma ilha branca e europeia perdida nos mares do Sul, cercada por um oceano de negros, índios e mestiços. 

 O racismo de Fernández, um peronista moderado que chegou ao poder indicado pela ex-presidente e atual vice-presidente Cristina Kirchner, ignora a Argentina de Mercedes Sosa, a cantora de voz inigualável que tinha claramente traços indígenas, assim como Diego Armando Maradona, e que os negros eram 30% a 40% da população de Buenos Aires no século passado. Esquece que os espanhóis também chegaram de navio ao México, com pólvora, cavalos e pestes que destruíram o Império Asteca, e rebatizaram o país como Vice-Reino da Nova Espanha.

 O presidente Domingo Faustino Sarmiento, feroz na sua crítica ao caudilhismo de Juan Manuel de Rosas no livro Facundo, incentivou a imigração europeia para branquear a população e é acusado de promover um "genocídio camuflado".

 Sarmiento segregou a população negra, dizimada por doenças como a cólera e a febre amarela, além de servir de bucha de canhão na Guerra do Paraguai e na "conquista do deserto", a campanha militar para assumir o controle do Sul do país, povoado por indígenas. A palavra deserto sugere que eram terras despovoadas. 

 O tango, a marca registrada da cultura argentina, teria origem africana e mestiça, com raízes no reino africano do Kongo. Era desprezado como inferior pela elite portenha até fazer sucesso em Paris. A palavra sol na língua kikongo é ntango. O poeta, compositor e trovador negro Gabino Ezeiza foi uma espécie de tutor de Carlos Gardel, um dos maiores ícones da cultura argentina. Inseriu a milonga no meio de suas trovas. 

 No censo de 2010, pouco menos de 150 mil argentinos (0,37% da população) se identificaram como negros. Eles enfrentam discriminação. Têm grande dificuldade de serem reconhecidos como argentinos. 

 A declaração de Fernández não ajuda em nada a integração latino-americana no momento em que o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, querem esvaziar o Mercosul fazendo acordos comerciais fora do bloco.

sábado, 22 de maio de 2021

OMS estima total de mortes na pandemia em 6 a 8 milhões

O excesso de mortes registrado durante a pandemia o coronavírus de 2019 levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a concluir que há uma grande subnotificação no número oficial de mortes de covid-19. O número real estaria entre 6 e 8 milhões. 

A revista inglesa The Economist estimou o total de casos em 7 a 12 milhões. A América Latina, o continente mais atingido ultrapassou oficialmente as 997 mil mortes, 45% no Brasil.

Com mais 1.764 mortes e 70.345 diagnósticos positivos notificados neste sábado, o Brasil ultrapassa a marca de 16 milhões de casos confirmados. 

O Brasil é o terceiro em número de casos (16.045.501) , atrás de Estados Unidos (33.102.724) e Índia (26.528.846), e o segundo em número absoluto de mortos (448.291), atrás dos EUA (589.664).

A média diária de mortes dos últimos sete dias caiu para 1.920, com queda de 8% em duas semanas. A média diária de casos novos ficou em 65.127, com alta de 6% em duas semanas. Ambas permanecem estáveis em níveis muito elevados.

No mundo inteiro, são 166.436.448 casos confirmados e 3.449.371 mortes. Mais de 147,5 milhões de pacientes se recuperaram, pouco menos de 15,4 milhões enfrentam casos leves ou médios. e 97.540 estão em estado grave.

A Índia, principal foco da pandemia no momento, notificou mais 3.741 mortes e 240.842 contágios em 24 horas. O total de casos confirmados chegou a 26.530.132 e o de mortes a 299.266.

Os EUA, onde a vacinação já dá resultados, foram registrados hoje 25.689 casos novos, 39% a menos do que duas semanas atrás, e 578 mortes, com queda de 14% em duas semanas. A média de diagnósticos positivos é a menor em 11 meses. As hospitalizações caíram 22% em duas semanas para 30.019 pacientes internados.

Mais de 1,624 bilhão de vacinas foram aplicadas até agora no mundo, pouco menos de 500 milhões na China; 291,5 milhões nos EUA, onde 162,5 milhões tomaram a primeira dose e 129 milhões (38,9% da população americana) estão plenamente vacinados; 225 milhões na União Europeia; 190 milhões na Índia; cerca de 60 milhões no Reino Unido; e 62,4 milhões no Brasil, onde 41,8 milhões receberam a primeira dose e 20,6 milhões (9,67% da população brasileira) já tomaram as duas doses necessárias à imunização.

domingo, 9 de maio de 2021

China forneceu mais da metade das vacinas aplicadas na América Latina

Mais da metade das cerca de 150 milhões de doses de vacinas contra a doença do coronavírus de 2019 inoculadas até agora nos 10 países mais populosos da América Latina veio da China, aponta um levantamento do jornal britânico Financial Times. Foram mais de 77 milhões de doses prontas ou o princípio ativo para fabricação. Os laboratórios Pfizer-BioNTech e AstraZeneca forneceram 59 milhões de doses e o Instituto Gamaleya, da Rússia, apenas 8,7 milhões de doses, a maioria para a Argentina.

"Isto espelha uma tendência global. Estamos vendo cada vez mais uma dominância da China como potência na saúde", comentou a pesquisadora Clare Wenham, professora assistente de saúde pública global na London School of Economics.

A China faz uma diplomacia de vacinas em países em desenvolvimento. Nesta semana, o Instituto Butantan pode ficar em o princípio ativo para fabricar a vacina chinesa CoronaVac. As acusações do presidente Jair Bolsonaro, que sugeriu na semana passada que o coronavírus pode ter sido criado dentro de uma guerra biológica da China pela supremacia mundial, não ajudam. Foram alvo de reclamações do diretor do Butantan, Dimas Covas.

O Paraguai, que não mantém relações diplomáticas com a China porque reconhece Taiwan, que o regime comunista chinês considera uma província rebelde, fez um apelo aos Estados Unidos, assim como o presidente da República Dominicana, Luis Abinader, que pediu ajuda ao governo Joe Biden.

Como não vai usar as 60 milhões de doses que comprou da vacina da Universidade de Oxford e do laboratório AstraZeneca, Biden prometeu vender ou permutar estas vacinas nos próximos dois meses. Quatro milhões vão para os vizinhos Canadá e México, com que os EUA têm um acordo de livre comércio. No resto do mundo, a prioridade é a Índia, que enfrenta a pior onda de contaminação no momento.

Os países mais populosos do subcontinente latino-americano, Brasil, México, Colômbia e Argentina, foram duramente atingidos pela segunda onda de contágio. A região toda está atrasada n vacinação, com a exceção do Chile, um país de 19 milhões de habitantes que comprou vacinas com antecedência. Com 8% da população mundial, a América Latina tem 35% das mortes por covid-19.

Cuba inicia vacinação em massa nesta semana e promete imunizar os visitantes para reativar o setor de turismo, importante para a economia da ilha. Duas vacinas cubanas estão prontas: Abdala e Soberana 02. A meta é vacinar 70% da população cubana, de 11 milhões de habitantes, até o fim de agosto.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Banqueiro derrota candidato de Correa e vai presidir Equador

 Numa grande surpresa, com 52,49% a 47,51% dos votos válidos no segundo turno de votação, o banqueiro Guillermo Lasso foi eleito presidente do Equador neste domingo, vencendo Andrés Arauz, apoiado pelo ex-presidente Rafael Correa, que fugiu do país para escapar de processos por corrupção e vive na Bélgica. Ele toma posse em 24 de maio para exercer um mandato de quatro anos.

No discurso da vitória, no Centro de Convenções de Guaiaquil, a maior e mais rica cidade equatoriana, onde nasceu, Lasso afirmou que "é um dia de celebração, a democracia triunfou. Os equatorianos usaram seu direito de eleger e optaram por um novo rumo, um rumo muito diferente dos últimos 14 anos no Equador." Sua principal mensagem na campanha do segundo turno foi atacar o correísmo, a herança política de Rafael Correa.

Lasso, banqueiro, ex-diretor-executivo da Coca-Cola, ex-governador provincial e ex-ministro da Economia e da Energia, venceu na terceira tentativa de se tornar presidente. Liberal em economia e conservador nos costumes, o presidente eleito é católico, contra o aborto, mas aceita o casamento de pessoas do mesmo sexo. Ele assumiu o compromisso defender os direitos da mulher, inclusive igualdade de salários com os homens para a mesma função, e proteger as minorias LGBT.

Por telefone, o candidato vencido reconheceu a derrota. Em discurso a seus correligionários, Arauz, um economista de esquerda, declarou que "é apenas um começo" e prometeu continuar a luta por justiça social, dignidade e cidadania. Sua vitória abriria caminho para a reabilitação de Correa.

Em agosto do ano passado, quatro meses depois de ser condenado a oito anos de cadeia num escândalo de subornos, Correa tentou se candidatar como vice-presidente de Arauz, repetindo a fórmula usada por Cristina Kirchner na Argentina, ao dar a cabeça da chapa a Alberto Fernández. O Conselho Nacional Eleitoral rejeitou a candidatura, alegando que só pode ser feita de forma presencial.

No Twitter, Correa aceitou a vitória de Lasso: "Sinceramente, acreditávamos que ganharíamos, mas nossas projeções estavam erradas. Sorte para Guillermo Lasso, seu êxito será do Equador. Só peço que pare com o lawfare, que destrói vidas e famílias.

Lawfare é o uso político da Justiça, argumento usado políticos latino-americanos processados por corrupção como o ex-presidente Lula, a vice-presidente argentina Cristina Kirchner e o ex-presidente equatoriano para alegar perseguição política.

sexta-feira, 5 de março de 2021

OMS adverte que Brasil é ameaça para a América Latina

 Com o atual ritmo de propagação da doença do coronavírus de 2019 e o risco de novas mutaçõevs perigosas, o Brasil é uma ameaça para os países vizinhos, alertou hoje a Organização Mundial da Saúde. O jornal americano The Washington Post foi além. Em editorial, considerou a situação da pandemia no Brasil uma ameaça para a humanidade.

Pela oitava vez em nove dias, o país bateu hoje o recorde da média diária de mortes dos últimos sete dias, que ficou em 1.423, 52% a mais do que duas semanas atrás. Nesta sexta-feira, foram notificadas mais 1.423 mortes e 75.337 casos novos, elevando o total para 10.871.843 casos confirmados e 262.948 mortes. A média diária de contágios está em 59.150.

Em pelo menos quatro capitais do Nordeste, há demora de até seis horas na fila de espera por uma ambulância, as unidades de terapia intensiva estão lotadas e cadáveres são conservados em contêineres. Em 13 das 18 regiões do estado de São Paulo, a ocupação de leitos de UTI estão no maior nível desde o início da pandemia.

"Esperam o pior, o que nunca viram", alertou o prefeito de Manaus, David Almeida, da cidade onde surgiu uma variante mais contagiosa e mais perigosa que se espalhou pelo Brasil. Meu comentário:

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Brasil apoia candidato de Trump no BID sem ganhar nada em troca

Banco sempre foi presidido por latino-americanos

Em mais um gesto de subserviência em relação aos Estados Unidos, o governo Jair Bolsonaro votou no candidato do presidente Donald Trump à Presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Por um acordo tácito, desde a fundação do banco, em 1959, o presidente era sempre latino-americano. Não mais.

Mauricio Claver Carone é diretor sênior para o Hemisfério Ocidental do Conselho de Segurança Nacional dos EUA. Toma posse em 1º de outubro para um mandato de cinco anos. Foi representante americano junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e assessor sênior da Subsecretaria de Assuntos Internacionais do Departamento do Tesouro. Substitui o colombiano Luis Alberto Moreno.

Leia mais em Quarentena News.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Brasil supera 4 milhões de casos confirmados de covid-19

Com mais 1.218 mortes e 48 mil 632 infecções registradas em 24 horas, Brasil chegou nesta quarta-feira a 4 milhões de casos confirmados e 123 mil 899 mortes pela pandemia do coronavírus de 2019. A média diária de mortes nos últimos sete dias subiu para 878. 

A taxa de infecção calculada pelo Imperial College de Londres é a menor desde o fim de abril. Está em 0,94, o que significa que cada 100 pessoas infectadas transmitem a doença para 94, reduzindo o ritmo de contaminação. 

Seis países da América Latina têm índices abaixo de um, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) adverte que é importante não correr riscos porque a situação não está controlada.


No mundo inteiro, o total de casos confirmados chegou a 26 milhões, com mais de 863 mil mortes e quase 18,5 milhões de pacientes recuperados. 

Os Estados Unidos somam 6,114 milhões de infectados e 185.744 mortos desde o início da pandemia.

Cuba impôs o confinamento mais rigoroso na capital desde o início da pandemia, com toque de recolher das sete da noite às cinco da manhã, proibição de entrar ou sair de Havana.

A África passou de 30 mil mortes em 1,273 milhão de casos confirmados.

A França anuncia nesta quinta-feira o plano de recuperação da economia, de 100 bilhões de euros, quase R$ 635 bilhões, com cortes de impostos de 20 bilhões de euros, cerca de R$ 127 bilhões, para as empresas.

O uso de esteroides reduziu em 20 por cento o número de mortes por covid-19, diz uma análise publicada no Jornal da Associação Médica Americana. 

Dois estudos feitos na Europa consideram a hidroxicloroquina útil no combate ao novo coronavírus. A OMS e a FDA, órgão regulador dos EUA, não veem benefícios no uso deste medicamento. Meu comentário:

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Mortes por covid-19 no mundo caíram 3% em sete dias

O número de mortes nos últimos sete dias caiu 3% em uma semana, quando foram registrados mais 1,8 milhão de casos, 500 mil na Índia. O Peru, o México, a Colômbia e a Argentina apresentaram tendência de alta na contaminação.

No mundo inteiro, houve até hoje 25,75 milhões sw infectados, 857 mil mortes e mais de 18 milhões de pacientes recuperados, embora muitos apresentem sequelas de longo prazo.

Os Estados Unidos registraram na segunda-feira menos de 34 mil novas contaminações, o menor número diário de casos novos desde 22 de junho.

No Brasil, foram mil 1.166 mortes em 24 horas e quase 41,9 mil casos novos, totalizando 122.681 mortes e mais de 3,952 milhões de casos confirmados.

O produto interno bruto do Brasil teve uma perda histórica de 9,7% no segundo trimestre, revelou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, com queda de 12,3% na indústria e 9,7% nos serviços. Só a agricultura cresceu, 0,4%. O consumo das famílias recuou 12,5% e o investimento, 15,1%.

A expectativa é que o PIB só volte ao nível de 2019 no segundo semestre em 2022 e que o déficit público dure mais 13 anos. Meu comentário:

domingo, 16 de agosto de 2020

América Latina tem mais de 6 milhões de casos da covid-1

A América Latina e o Caribe ultrapassaram no fim de semana a marca de 6 milhões de casos confirmados da doença do coronavírus de 2019. Com mais de 241 mil óbitos, tem o maior número absoluto de mortos entre os continentes.

O Brasil tem o maior número de casos confirmados (3.340.197) e de mortes (107.879) no subcontinente. Neste domingo, registrou mais 582 mortes e 22.167 casos novos.

O Peru é o segundo país latino-americano em número de casos confirmados (535.946). Tem menos mortos pela covid-19 (28.281) do que o México (56.757). Mas tem uma população muito menor. É o segundo país em número de mortes por habitante, atrás apenas da Bélgica, excluindo São Marinho, um micropaís montanhoso encravado na Itália.

O México é o terceiro país em número de mortes e sétimo em número de casos confirmados (522.162). Sua economia deve recuar 10% neste ano, minando os planos de combate à pobreza do presidente Andrés Manuel López Obrador, um populista de esquerda.

A Colômbia é o quarto país latino-americano em número de casos confirmados (468.332) e de mortes (15.097), seguido pelo Chile, que soma 385.946 casos confirmados e 10.452 mortes. A Argentina está em sexto em casos confirmados (294.569) e a sétima em mortes (5.703), logo atrás do Equador, onde houve 6.070 mortes atribuídas ao novo coronavírus.

A Bolívia superou os 100 mil casos, com 4.058 mortes e uma crise política. Por causa da pandemia, a eleição presidencial foi adiada pela segunda vez. Em protesto, os partidários do Movimento ao Socialismo (MAS), liderado pelo ex-presidente Evo Morales, bloquearam estradas. Eles acusam a presidente interina, Jeanine Áñez, de aproveitar a covid-19 para prorrogar seu governo.

Áñez era segunda-vice-presidente do Senado quando, sob pressão das ruas e das Forças Armadas, Morales, o vice-presidente Álvaro García Linera e os presidentes da Câmara e do Senado renunciaram. Foi uma manobra para gerar uma crise institucional, deixar um vácuo de poder e forçar a volta de Evo. Não deu certo.

No mundo inteiro, o total de casos confirmados chegou a 21,7 milhões, com mais de 775 mil óbitos e 14,5 milhões de pacientes curados. A taxa de mortalidade dos casos encerrados está em 5% há duas semanas.

Os Estados Unidos lideram em número de casos confirmados (5,4 milhões) e de mortes (170 mil). Em mais uma discordância com os cientistas que o assessoram, o presidente Donald Trump rejeitou a previsão do diretor do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC).

Robert Redfield previu que será o "pior outono" para a saúde pública do país, com o agravamento da emergência de saúde pública. O inverno pode ser ainda pior pelo impacto negativo sobre doenças respiratórias.

Na França, pelo segundo dia consecutivo, mais de 3 mil casos novos foram descobertos. As autoridades responsabilizam a movimentação das férias de verão pelo aumento da circulação do vírus. O país soma 218.536 casos confirmados e 30.410 mortes.

Com um recorde de 25 mortes num dia, todas no estado de Vitória, a Austrália viveu seu pior dia desde o início da pandemia. O país tem mais de 23 mil casos e 396 mortes.

Por causa de um novo surto, com suspeita de origem em comida congelada importada, a Nova Zelândia adiou de setembro para outubro as eleições legislativas. As escolas da Ilha do Norte se preparam para reabrir.

Na Coreia do Sul, depois de um surto na capital, Seul, e numa província próxima, as autoridades estão testando milhares de fiéis de uma igreja presbiteriana, a Igreja Sarang Jeil, crítica feroz do governo do presidente Moon Jae In.

Foram 103 casos novos na sexta-feira, 166 no sábado e 279 neste domingo. Os cultos religiosos são considerados os principais focos de contaminação no país, que já fechou boates gays na noite de Seul.

Na primeira onda de contaminação, houve muitos casos na cidade de Daegu no interior do país, de onde membros de uma igreja protestante haviam viajado a Wuhan, a cidade da China que está na origem da pandemia.

Agora, há 193 casos ligados à Igreja Sarang Jeil. Seu chefe, o reverendo Jun Kwang Hoon, é uma das principais vozes da oposição conservadora. Acusa Moon de querer "comunizar" a Coreia do Sul e prega uma revolta popular para derrubar o presidente.

A Coreia do Sul tem 15.515 casos e 305 mortes.

sábado, 15 de agosto de 2020

Depressão da Pandemia é ameaça secular à economia mundial

Desde a Grande Depressão (1929-39), não havia tantas nações em recessão ao mesmo tempo. O comércio internacional, o desemprego e a desigualdade social dentro dos países e entre os países são indicadores da crise. 

A pandemia do novo coronavírus é uma ameaça secular, comparada à Gripe Espanhola de 1918 e à Grande Depressão de 1929-39, principal causa econômica da Segunda Guerra Mundial. 

Os esforços de mitigação incluíram confinamento e proibições de viagem. Para sustentar a economia, os governos mobilizaram mais de US$ 11 trilhões, cerca de R$ 59 trilhões.

Leia mais em Quarentena News.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

América Latina terá pior recessão do pós-guerra, prevê banco Goldman Sachs

Por causa da pandemia, a América Latina terá sua pior recessão desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A previsão é do banco de desenvolvimento Goldman Sachs. Pelos cálculos do Fundo Monetário Internacional, a economia da região deve encolher 9,4% em 2020. 

Os países mais atingidos pela doença do coronavírus de 2019, Brasil, México, Peru, Colômbia e Chile, sofrerão as maiores perdas na economia. A Argentina, o México e o Peru terão quedas de mais de dez por cento no produto interno bruto. 

Faz sete anos que a economia latino-americana não cresce mais de 2 por cento ao ano. Para 2021, a expectativa do FMI é de um crescimento de 3,7 por cento. A América Latina e o Caribe somam quase 4,86 milhões de casos confirmados e 228 mil mortes.

No Brasil, houve mais 1.164 mortes e 58 mil casos novos nesta quarta-feira. O total subiu para 104.203 óbitos e 3,17 milhões de casos confirmados. No mundo inteiro, são quase 20,5 milhões de casos confirmados, quase 750 mil mortes e mais de 13,5 milhões de pacientes curados. 

O governador de São Paulo, João Dória, testou positivo e está em isolamento em casa. É o décimo-primeiro governador a pegar o vírus

O México está perto de 500 mil casos e 55 mil mortes. No Peru, são quase 500 mil casos confirmados e mais de 21,7 mil mortes. Na Colômbia, houve 422,5 mil casos confirmados e pouco mais de 13,8 mil mortes. O Chile tem 378 mil casos confirmados e pouco mais de 10 mil mortes.

A Maratona de Paris, adiada de 5 de abril para 15 de novembro, foi definitivamente cancelada. O mesmo aconteceu com as maratonas de Berlim, Boston, Chicago e Nova York. A Maratona de Londres será realizada em 4 de outubro. Só vão participar atletas de elite.

O déficit público dos Estados Unidos subiu para US$ 2,81 trilhões, mais de R$ 15,3 trilhões, nos 10 primeiros meses do ano fiscal que termina em 30 de setembro. 

Por fim, a pandemia provocou um aumento da violência doméstica no mundo inteiro. As Nações Unidas estimam que 243 milhões de mulheres de 15 a 49 anos foram vítimas da violência física ou sexual de seus parceiros nos últimos 12 meses. Pelo menos 87 mil foram assassinadas. Meu comentário:

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Brasil deve chegar a 100 mil mortes pela covid-19 neste sábado.

Com mais e 1.058 mortes e 48.895 casos novos, o Brasil soma 99.702 mortes e 2,967 milhões de casos confirmados da doença do coronavírus de 2019. Neste sábado, deve ultrapassar 100 mil mortes e 3 milhões de casos confirmados, uma tragédia anunciada. A média de mortes nos últimos sete dias ficou em 1019.

Há mais de dois meses, o país mantém esta média de mais de mil mortes por dia. Neste ritmo, logo vai chegar às 110 mil mortes, o mínimo previsto num modelo do Imperial College de Londres. O máximo seria 550 mil.

A América Latina foi responsável por 44% das mortes por covid-19 registradas entre 30 de julho e 5 de agosto. O total de mortes na região está em pouco menos de 213 mil.

No mundo inteiro, há mais de 19 milhões de casos, mais de 720 mil mortes e 12,5 milhões de pacientes recuperados. A taxa de mortalidade dos casos encerrados caiu para 5% porque os tratamentos estão melhorando e aumenta o percentual de infecção de adultos jovens, que têm melhores chances de sobreviver.

Os Estados Unidos têm 5 milhões de casos e mais de 160 mil casos. O individualismo e o fracasso e o negacionismo do governo Donald Trump ao subestimar o risco da doença levaram os Estados Unidos a não conseguir controlar o coronavírus depois de 4 meses, indica uma reportagem do jornal The New York Times.

A África passa de 1 milhão de casos. O total de mortes está em pouco mais de 22.500. Meu comentário: