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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 23 de Janeiro

 PIOR TERREMOTO DA HISTÓRIA

    Em 1556, o terremoto de Xaanxi ou do Condado de Hua mata cerca de 830 mil pessoas na China, o que o torna o mais mortífero da história.

Dez províncias chinesas são abaladas. Uma área de 1,3 mil quilômetros quadrados é arrasada. Em alguns condados, 60% da população morrem. A maioria morava em cavernas naturais que desabam com o tremor de terra.

PRIMEIRA MÉDICA MULHER NOS EUA

  Em 1849, numa cerimônia de formatura realizada numa igreja de Genebra, no estado de Nova York, Elizabeth Blackwell torna-se a primeira mulher a se graduar em medicina nos Estados Unidos.

Seu pai era do movimento abolicionista. O irmão e a mulher dele eram ativistas da luta pelo voto feminino. Boa aluna, Elizabeth decide estudar medicina depois de ouvir de uma amiga que estava morrendo que teria sido mais bem-tratada por uma mulher.

A questão vai para o conselho universitário e é aprovada por estudantes, talvez por troça tão inacreditável é a ideia para a época. Elizabeth recebe sua carta de aceitação e começa a estudar em 1847.

Elizabeth Blackwell monta uma clínica para pobres em Nova York, funda um hospital e uma enfermaria para crianças e mulheres junto com uma irmã mais moça que também se forma em medicina,

Durante a Guerra da Secessão (1861-65), elas treinam enfermeiras para atender os feridos. Em 1868, abrem sua faculdade de medicina. Elizabeth vai então para Londres, onde dá aula de ginecologia na Escola de Medicina para Mulheres.

Blackwell é uma pioneira. Seu exemplo contribui para que as mulheres aos poucos sejam aceitas numa profissão predominantemente masculina. Em 2017, pela primeira vez, há mais mulheres do que homens estudando medicina nos EUA.

MULHER NO PODER

    Em 1997, um dia depois de aprovação unânime no Senado, Madeleine Albright toma posse como a primeira secretária de Estado, a primeira mulher a chefiar a diplomacia dos Estados Unidos.

Albright nasce em 1937 na Tcheco-Eslováquia e é batizada como Madeleine Jana Korbelova. Sua família foge para os EUA em 1948, depois que os comunistas tomam o poder. 

Ela estuda direito e política na Universidade Colúmbia, em Nova York, e vai até o doutorado. Em 1959, casa com Joseph Albright, de uma família de editores. Nos anos 1970, trabalha como funcionária do Conselho de Segurança Nacional nos anos 1970. 

Em janeiro de 1993, no início do governo, o presidente Bill Clinton a nomeia embaixadora junto às Nações Unidas. Em dezembro de 1996, Clinton a indica para secretaria da Estado, tornando-a na primeira mulher a ocupar o cargo e a mais alta funcionária até então do governo dos EUA.

Imigrante da Europa Oriental, fala francês, polonês, russo e tcheco, Madeleine Albright se interessa especialmente pelos países de sua região de origem no mundo pós-Guerra Fria. É uma das principais responsáveis pela intervenção internacional da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Guerra do Kossovo contra o ditador sérvio Slobodan Milosevic, também conhecida como a guerra da Srª Albright.

Madeleine Albright é secretária de Estado até o fim do governo Clinton, em janeiro de 2001. Volta então a lecionar na Universidade Georgetown. Torna-se uma voz importante do antifascismo nos EUA. Ela morre em 23 de março de 2022. Um mês antes, na véspera da invasão da Ucrânia, o jornal The New York Times publica um artigo da ex-secretária advertiu o ditador russo, Vladimir Putin, para o "erro histórico" de ir à guerra.

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Janeiro

 MORTE DA RAINHA VITÓRIA

    Em 1901, depois de 63 anos de reinado e 81 de vida, morre a rainha Vitória, do Reino Unido, imperatriz da Índia, marco do fim de uma era de grande expansão do Império Britânico, onde o Sol nunca se punha.

Vitória nasce em 24 de maio de 1819 e ascende ao trono com 18 anos, em 20 de junho de 1837, com a morte de seu tio Guilherme IV. 

Amiga de seu primeiro primeiro-ministro, Lorde Melbourne, Vitória tenta evitar que seja sucedido pelo conservador Sir Robert Peel em 1839. Dois anos depois, os conservadores vencem a eleição. Ela é obrigada a aceitar Peel. Nunca mais intervém diretamente na política.

Em fevereiro de 1840, ela se casa com o primo Albert, um príncipe alemão. Ele se torna um conselheiro importante e secretário particular da rainha. O casal organiza a primeira exposição internacional, a Grande Exposição, em 1851, para apresentar ao mundo o poder da indústria britânica.

Albert leva Vitória a se afastar dos liberais e se aproximar dos conservadores. A rainha apoia claramente Benjamin Disraeli, líder do Partido Conservador. Quando Disraeli se torna primeiro-ministro, dá a Vitória o título de imperatriz da Índia, em 1876.

DIREITO AO ABORTO

    Em 1973, a Suprema Corte dos Estados Unidos toma uma de suas decisões mais discutidas, criando o direito constitucional ao aborto ao declarar que uma lei do estado do Texas que criminalizava a interrupção da gravidez era inconstitucional por violar o direito da mulher à privacidade com base na Emenda nº 14.

Depois que o então presidente Donald Trump nomeia três juízes conservadores para a Suprema Corte, em 24 de junho de 2022, por 5 a 4, o supremo tribunal dos EUA revoga o direito constitucional ao aborto ao decidir que, como a Constituição não toca no assunto, a competência é dos estados.

Naquele caso, por 6 a 3, a Suprema Corte considera constitucional uma lei do estado do Alabama que proíbe o aborto após 15 semanas de gravidez. O presidente do tribunal, ministro John Roberts, tenta evitar a mudança na jurisprudência firmada em 1973 dando direito ao aborto, mas é atropelado pelos outros juízes conservadores.

Desde então, vários estados decidem em plebiscitos manter o direito ao aborto. A questão favorece os candidatos democratas em eleições recentes, inclusive em 2022, quando os democratas mantêm a maioria no Senado, mas perdem na Câmara. Não evita a vitória de Donald Trump em 2024, quando a vice-presidente Kamala Harris faz do direito ao aborto um ponto central de sua campanha.

SAKHAROV PRESO 

    Em 1980, o físico Andrei Sakharov, o pai da bomba de hidrogênio da União Soviética, é preso por criticar a invasão do Afeganistão, se torna o mais importante dissidente do regime comunista, perde todas as honrarias e é enviado para o exílio interno na cidade de Gorki.

Sakharov nasce em Moscou em 1921 e estuda física na Universidade de Moscou. Em 1948, é recrutado pelo programa nuclear soviético.

Depois de detonar sua primeira bomba atômica, em 29 de agosto de 1949, a URSS entra na corrida nuclear com os Estados Unidos para desenvolver a bomba H. Os EUA conseguem primeiro, em 31 de outubro de 1952. Três anos depois, em 22 de novembro de 1955, a URSS explode sua bomba H.

Diante da potência da nova bomba, milhares de vezes maior do que a das bombas atômicas de urânio e plutônio, Sakharov se arrepende. Num artigo sobre os males da radioatividade, em 1957, pede o fim dos testes nucleares.

A URSS tolera as críticas até 1969, quando o jornal The New York Times publica um artigo de Sakharov atacando a corrida armamentista e o regime comunista soviético, e defende "uma sociedade democrática e pluralista livre da intolerância e do dogmatismo, uma sociedade humanitária que cuide da Terra e de seu futuro."

Afastado do programa nuclear soviético, ele se torna um ativista em defesa dos direitos humanos. Em 1975, ganha o Prêmio Nobel da Paz. Quando denuncia a invasão do Afeganistão, vai para o exílio interno em Gorki.

Com a liberalização do regime promovida por Mikhail Gorbachev a partir de 1985, Sakharov é reabilitado em dezembro de 1986 e é eleito para o Congresso dos Deputados do Povo. Morre de ataque cardíaco em 1989, aos 68 anos.

MAIOR MINORIA

    Em 2003, o Birô do Censo nos Estados Unidos revela que os hispânicos (latino-americanos) se tornam a maior minoria racial do país ultrapassando os negros.

Hoje os hispânicos são 20% da população dos EUA e os negros 12,6%. Os brancos não latinos e não hispânicos são 57,5%. Os brancos, considerando todos, são 71%.

PRESIDENTE INDÍGENA

    Em 2006, Evo Morales, do povo aimará, toma posse como o primeiro presidente indígena da história da Bolívia e o segundo da América Latina, depois do mexicano Benito Juárez (1858-72). Durante seus três governos, o produto interno bruto boliviano cresce 344% e a pobreza extrema cai de 38% para 15%.

Morales nasce em Orinoca em 26 de outubro de 1959. Entra na política como sindicalista dos agricultores produtores da folha de coca, sagrada para os índios da região dos Andes, e se opõe firmemente às tentativas dos Estados Unidos de erradicar as plantações de coca, matéria-prima para fabricação de cocaína.

Depois de ficar em segundo lugar na eleição de 2002, Evo se elege no primeiro turno em 18 de dezembro de 2005, com 54% dos votos, nacionaliza o petróleo e o gás, ocupando militarmente instalações da Petrobrás no país. Consegue aprovar uma nova Constituição que declara que a Bolívia é um Estado plurinacional e reconhece os direitos dos povos indígenas, inclusive a seu próprio sistema de justiça.

Reeleito em 6 de dezembro de 2009 no primeiro turno com 64% dos votos, Evo declara que o limite constitucional de dois mandatos só vale após a aprovação da nova Constituição e concorre a uma segunda reeleição em 12 de outubro de 2014. Vence com 61%.

Como a Constituição só permite uma reeleição, Evo convoca um referendo constitucional para mudar a regra e perde, em 21 de fevereiro de 2016 por 51% a 49%, mas ignora o resultado. Recorre ao Tribunal Constitucional Plurinacional.

Em 28 de novembro de 2017, o supremo tribunal boliviano autoriza nova reeleição com base em decisão Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), o Tribunal de São José da Costa Rica, que considera o direito de ser candidato um direito humano fundamental. 

Evo sai na frente no primeiro turno da eleição de 20 de outubro de 2019, mas denúncias de fraude confirmadas em relatório da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) deflagram uma onda de protestos populares com mortes. Em 10 de novembro, o presidente cede e admite convocar nova eleição. Horas depois, renuncia sob pressão das Forças Armadas, da Polícia Nacional e da Central Operária Boliviana (COB) para evitar mais mortes.

Numa manobra golpista, o presidente, o vice-presidente e os presidentes da Câmara e do Senado, todos do Movimento ao Socialismo (MAS), o partido de Morales, renunciam coletivamente, deixando o Estado boliviano acéfalo para tentar voltar ao poder. Evo foge para o México. A segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Ágnez, assume a Presidência. Hoje, está presa sob a acusação de liderar um golpe de Estado.

O MAS volta ao poder com a vitória de Luis Arce, ministro da Economia de Morales, em 18 de outubro de 2020. Evo se comporta como oposição a seu próprio partido e trama a volta ao poder em 2025, mas é barrado pelo Tribunal Constitucional de 30 de dezembro de 2023, que revoga a decisão de 2017 a favor de Morales.

Em 16 de agosto de 2021, a CIDH decide que "a proibição da reeleição indefinida é compatível com a Convenção Americana de Direitos Humanos", revogando a medida que beneficiara Morales.

Em 17 de janeiro de 2025, a Justiça decreta a prisão de Morales por tráfico de uma menor de idade. Ele não se apresenta à Justiça e não é preso. Seus bens estão congelados e ele está proibido de sair do país. 

O ex-presidente acusa o sucessor, Luis Arce, de perseguição política. Ambos são do mesmo partido, o MAS, que tem uma votação de pouco mais de 3% na eleição presidencial de 17 de agosto de 2025. Rodrigo Paz, de centro-direita, é eleito no segundo turno, em 19 de outubro, marcando o fim de 20 anos de domínio do MAS sobre a política boliviano.

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 15 de Janeiro

 MUSEU BRITÂNICO

    Em 1759, o Museu Britânico, criado seis anos antes por lei do Parlamente Britânico, é aberto ao público no bairro de Bloomsbury, em Londres, com uma formidável coleção de antiguidades e tesouros históricos e arqueológicos, muitos saqueados pelo Império Britânico e hoje reivindicados pelos países de origem como a Pedra da Rosetta, do Egito, e as frisas do Partenon de Atenas, na Grécia Antiga.

É uma das principais atrações turísticas do Reino Unido e não cobra entrada, a não ser para exposições especiais. O prédio atual é construído de 1823 a 1852. A famosa sala de leitura, frequentada por Karl Marx, Virgina Woolf, Peter Kropotkin e Thomas Carlyle, é dos anos 1850.

Em 1881, a coleção de história natural é transferida para o Museu de História Nacional, no bairro de South Kensington. A Biblioteca Britânica é criada em 1973.

Outras relíquias são esculturas gregas do Mausoléu de Halicarnasso e do Templo de Artemísia, em Éfeso, duas das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, os portões de palácios e tempos de Nimrod e Nínive, na Mesopotâmia.

NASCE GENE KRUPA

    Em 1909, nasce em Chicago, no estado de Illinois, o baterista de jazz Gene Krupa, talvez o percussionista mais popular da era do suingue.

Com a morte da mãe quando ele tem 11 anos, Krupa tem de trabalhar e vira menino de recados de uma empresa musical. Logo, junta dinheiro para comprar um instrumento e escolhe uma bateria porque era o mais barato.

No início dos anos 1920, Krupa aprende com grandes músicos de jazz em Chicago. Uma de suas grandes influência é o baterista Baby Dodds, de Nova Orleans. Ele toca com vários grupos de Chicago.

No início dos anos 1930, Gene Krupa é o baterista de orquestra de dois musicais de George Gershwin encenados na Broadway, em Nova York. Em 1934, por indicação do produtor John Hammond, entra para a orquestra de Benny Goodman. 

Depois de uma apresentação histórica no Carnagie Hall, em janeiro de 1938, ele deixa Goodman para formar sua própria banda. No início, ela segue o estilo de Goodman. Em 1941, a banda cresce com a entrada da cantora Anita O'Day e do trumpetista Roy Eldridge, que vai do jazz tradicional de Louis Armstrong ao bebop de Dizzy Gillespie.

O trio Krupa-Eldridge-O'Day produz os melhores discos da banda, como Boogie Blues e Let Me Off Uptownxi, maior sucesso de Krupa.

Em 1943, Krupa é preso por três meses por posse de maconha. Ao sair da cadeia, toca com Goodman e Tommy Dorsey até formar sua própria banda em 1944, desta vez com uma seção de instrumentos de corda, com jovens talentos com influência do movimento bebop. 

Faz sucesso nos anos 1940, com músicas como Leave Us Leap, Disc Jockey Jump e Lemon Drop, com arranjos de George Williams e Gerry Mulligan, mas não resiste ao declínio das grandes bandas de jazz e acaba em 1951.

Nos anos 1950, Krupa lidera pequenos grupos e faz turnê com Norman Gainz e o projeto Jazz na Filarmônica. Em 1954, ele cria com o colega baterista Cozy Cole uma escola da bateria onde Krupa dá aula até o fim da vida.

Ele participa de dois filmes como ele mesmo, The Glenn Miller Story (1953) e The Benny Goodman Story (1955) e é objeto de uma biografia ficcional, The Gene Krupa Story (1959), em que Sal Mineo o representa e o próprio Kupra toca bateria na trilha sonora.

Com problemas de saúde, reduziu as atividades nos anos 1960, mas se uniu com os membros originais do Benny Goodman Quartet para gravar Together Again! (1963) e reuniu seu quarteto para gravar The Great New Gene Krupa Quartet (1964), sua última gravação.

Gene Krupa morre em Yonkers, no estado de Nova York, em 16 de outubro de 1973 aos 64 anos.

MORTE DE ROSA LUXEMBURGO

    Em 1919, a filósofa, economista e revolucionária alemã Rosa Luxemburgo, nascida na Polônia, é presa e assassinada em Berlim por incentivar um levante comunista conhecido como Revolta de Espártacus.

Róza Luksemburg nasce em 5 de março de 1871 em Zamosc, na Polônia, na época parte do Império Russo. É a menor de cinco filhos de uma família judia de classe média baixa. Na juventude, envolve-se no ativismo clandestino. Em 1889, foge do Império Russo para Zurique, na Suíça, onde se forma em economia política em 1898.

Na Suíça, começa a participar do movimento internacional socialista e conhece o social-democrata russo Georgy Plekhanov.

É fundadora do Partido Social-Democrata da Polônia e ativista do Partido Social-Democrata da Alemanha (SDP) e do Partido Social-Democrata Independente da Polônia. Funda a ala comunista do SPD, que se torna o Partido Comunista da Alemanha (KPD).

No livro Reforma ou Revolução, de 1899, ela defende a ortodoxia marxista. Rejeita o parlamento como uma impostura da burguesa.

A Revolução Russa de 1905 é um momento decisivo em sua vida. Até então, ela acredita que a revolução mundial começaria na Alemanha. Vai para a Polônia e é presa.

Em 1915, quando o SPD apoia a participação alemã na Primeira Guerra Mundial (1914-18), Rosa Luxemburgo cria a Liga Espartaquista. Em 1º de janeiro de 1919, a liga se transforma no KPD.

Como teórica política, Rosa Luxemburgo desenvolve uma teoria humanista do marxismo com destaque para a democracia e o papel revolucionário das massas populares. 

Na sua opinião, o nacionalismo e a independência nacional são concessões retrógradas à classe dominante, um dos pontos de suas discordâncias com Vladimir Lenin, líder da Revolução Comunista na Rússia. 

Ao contrário de Lenin ela entende que a revolução não depende de uma estrutura partidária rígida e que a organização é forjada na luta. Lenin acredita que o partido deve ser a vanguarda do proletariado e guiar a revolução. Para Rosa Luxemburgo, todo poder popular deriva das massas.

Libertada na revolução alemã de 1918, ela cria o KPD e tenta limitar a influência bolchevique. No seu livro A Revolução Russa, publicado em 1922, ela critica o partido de Lenin por suas teses de autodeterminação nacional e seus métodos ditatoriais e terroristas. Acreditava na democracia em oposição ao centralismo democrático de Lenin.

Uma de suas frases famosas é "liberdade é o direito que se dá aos outros de fazer e dizer aquilo com que não concordamos."

Por fomentar a Revolta de Espártacus, é presa e morte pelo Freikorps (Corpo da Liberdade), uma aliança de grupos paramilitares de direita.

NASCE LUTHER KING

    Em 1929, nasce em Atlanta, na Geórgia, filho de um pastor batista, Martin Luther King Jr., o grande líder da luta pacífica pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. 

Sob a inspiração do líder pacifista da independência da Índia, o Mahatma Gandhi, Luther King adota a luta pacífica, com a desobediência civil criada por Henry David Thoreau, o naturalista e ativista norte-americano que se negou a pagar impostos para não financiar a Guerra Mexicano-Americana (1846-48). Thoreau foi lido pelo escritor russo Leon Tolstói e suas ideias influenciaram Gandhi, Nelson Mandela e Luther King.

Luther King lidera o boicote dos negros ao sistema de ônibus de Montgomery, no estado do Alabama, em 1955, depois que a ativista Rosa Parker é presa por se negar a ceder o assento para um branco. Leva o movimento contra as leis de discriminação racial a Albany, na Geórgia, e a Birmingham, no Alabama.

Na Marcha sobre Washington, em 28 de agosto de 1963, Luther King faz no Memorial de Lincoln, na capital dos EUA, seu discurso mais importante, Eu Tenho um Sonho: "Eu tenho um sonho que um dia meus filhos não sejam julgados pela cor da pele, mas pela nobreza do caráter."

O Dr. King, que é chamado nos EUA, é investigado pelo FBI, a polícia federal norte-americana, por supostas ligações com grupos esquerdistas. Em 1964, ganha o Prêmio Nobel da Paz e o governo Lyndon Johnson (1963-69), herdeiro de John Kennedy, aprova a Lei de Direitos Civis, dando finalmente igualdade de direitos aos pretos nos EUA.

Às 18h01 de 4 de abril de 1968, James Earl Ray mata Luther King, que está na varanda do segundo andar do hotel onde está hospedado em Memphis, no Tennessee, onde apoia uma greve dos trabalhadores de serviços sanitários negros discriminados.

MILAGRE NO RIO HUDSON

    Em 2009, o piloto Charles Sully Sullenberger consegue a façanha de pousar no Rio Hudson, em Nova York, poucos minutos depois da decolagem do voo 1549 da companhia aérea US Airways, quando gansos entram nas turbinas e paralisam os motores do avião, um Airbus A320. Cinco pessoas saem feridas, mas ninguém morre.

O ex-piloto da Força Aérea está para ser demitido por causa da idade. Vira herói. Ele avisa o centro de controle de Aeroporto La Guardia que está voltando, mas percebe que não terá condições de chegar até a pista de pouso.

Três minutos e meio depois de sugar os pássaros de um bando de gansos do Canará, o avião pousa suavemente no Rio Hudson e flutua, talvez por não estar com os tanques cheios. 

Os passageiros e tripulantes saem pelas esteiras de emergência e caminham sobre as asas ou entram em botes salva-vidas até serem resgatados por lanchas e ferryboats. Alguns têm hipotermia, mas todos se salvam.

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 22 de Janeiro

 MORTE DA RAINHA VITÓRIA

    Em 1901, depois de 63 anos de reinado e 81 de vida, morre a rainha Vitória, do Reino Unido, imperatriz da Índia, marco do fim de uma era de grande expansão do Império Britânico, onde o Sol nunca se punha.

Vitória nasce em 24 de maio de 1819 e ascende ao trono com 18 anos, em 20 de junho de 1837, com a morte de seu tio Guilherme IV. 

Amiga de seu primeiro primeiro-ministro, Lorde Melbourne, Vitória tenta evitar que seja sucedido pelo conservador Sir Robert Peel em 1839. Dois anos depois, os conservadores vencem a eleição. Ela é obrigada a aceitar Peel. Nunca mais intervém diretamente na política.

Em fevereiro de 1840, ela se casa com o primo Albert, um príncipe alemão. Ele se torna um conselheiro importante e secretário particular da rainha. O casal organiza a primeira exposição internacional, a Grande Exposição, em 1851, para apresentar ao mundo o poder da indústria britânica.

Albert leva Vitória a se afastar dos liberais e se aproximar dos conservadores. A rainha apoia claramente Benjamin Disraeli, líder do Partido Conservador. Quando Disraeli se torna primeiro-ministro, dá a Vitória o título de imperatriz da Índia, em 1876.

DIREITO AO ABORTO

    Em 1973, a Suprema Corte dos Estados Unidos toma uma de suas decisões mais discutidas, criando o direito constitucional ao aborto ao declarar que uma lei do estado do Texas que criminalizava a interrupção da gravidez era inconstitucional por violar o direito da mulher à privacidade com base na Emenda nº 14.

Depois que o então presidente Donald Trump nomeia três juízes conservadores para a Suprema Corte, em 24 de junho de 2022, por 5 a 4, o supremo tribunal dos EUA revoga o direito constitucional ao aborto ao decidir que, como a Constituição não toca no assunto, a competência é dos estados.

Naquele caso, por 6 a 3, a Suprema Corte considera constitucional uma lei do estado do Alabama que proíbe o aborto após 15 semanas de gravidez. O presidente do tribunal, ministro John Roberts, tenta evitar a mudança na jurisprudência firmada em 1973 dando direito ao aborto, mas é atropelado pelos outros juízes conservadores.

Desde então, vários estados decidem em plebiscitos manter o direito ao aborto. A questão favorece os candidatos democratas em eleições recentes, inclusive em 2022, quando os democratas mantiveram a maioria no Senado, mas perderam na Câmara, não evitou a vitória de Donald Trump em 2024. A vice-presidente Kamala Harris fez do direito ao aborto um ponto central de sua campanha.

SAKHAROV PRESO 

    Em 1980, o físico Andrei Sakharov, o pai da bomba de hidrogênio da União Soviética, é preso por criticar a invasão do Afeganistão, se torna o mais importante dissidente do regime comunista, perde todas as honrarias e é enviado para o exílio interno na cidade de Gorki.

Sakharov nasce em Moscou em 1921 e estuda física na Universidade de Moscou. Em 1948, é recrutado pelo programa nuclear soviético.

Depois de detonar sua primeira bomba atômica, em 29 de agosto de 1949, a URSS entra na corrida nuclear com os Estados Unidos para desenvolver a bomba H. Os EUA conseguem primeiro, em 31 de outubro de 1952. Três anos depois, em 22 de novembro de 1955, a URSS explode sua bomba H.

Diante da potência da nova bomba, milhares de vezes maior do que a das bombas atômicas de urânio e plutônio, Sakharov se arrepende. Num artigo sobre os males da radioatividade, em 1957, pede o fim dos testes nucleares.

A URSS tolera as críticas até 1969, quando o jornal The New York Times publica um artigo de Sakharov atacando a corrida armamentista e o regime comunista soviético, e defende "uma sociedade democrática e pluralista livre da intolerância e do dogmatismo, uma sociedade humanitária que cuide da Terra e de seu futuro."

Afastado do programa nuclear soviético, ele se torna um ativista em defesa dos direitos humanos. Em 1975, ganha o Prêmio Nobel da Paz. Quando denuncia a invasão do Afeganistão, vai para o exílio interno em Gorki.

Com a liberalização do regime promovida por Mikhail Gorbachev a partir de 1985, Sakharov é reabilitado em dezembro de 1986 e é eleito para o Congresso dos Deputados do Povo. Morre de ataque cardíaco em 1989, aos 68 anos.

MAIOR MINORIA

    Em 2003, o Birô do Censo nos Estados Unidos revela que os hispânicos (latino-americanos) se tornam a maior minoria racial do país ultrapassando os negros.

Hoje os hispânicos são 19,1% da população dos EUA e os negros 13,7%. Os brancos não latinos e não hispânicos são 58%. Os brancos, considerando todos, são 71%.

PRESIDENTE INDÍGENA

    Em 2006, Evo Morales, da tribo aimará, toma posse como o primeiro presidente indígena da história da Bolívia e o segundo da América Latina, depois do mexicano Benito Juárez (1858-72). Durante seus três governos, o produto interno bruto boliviano cresce 344% e a pobreza extrema cai de 38% para 15%.

Morales nasce em Orinoca em 26 de outubro de 1959. Entra na política como sindicalista dos agricultores produtores da folha de coca, sagrada para os índios da região dos Andes, e se opõe firmemente às tentativas dos Estados Unidos de erradicar as plantações de coca, matéria-prima para fabricação de cocaína.

Depois de ficar em segundo lugar na eleição de 2002, Evo se elege no primeiro turno em 18 de dezembro de 2005, com 54% dos votos, nacionaliza o petróleo e o gás, ocupando militarmente instalações da Petrobrás no país. Consegue aprovar uma nova Constituição que declara que a Bolívia é um Estado plurinacional e reconhece os direitos dos povos indígenas, inclusive a seu próprio sistema de justiça.

Reeleito em 6 de dezembro de 2009 no primeiro turno com 64% dos votos, Evo declara que o limite constitucional de dois mandatos só vale após a aprovação da nova Constituição e concorre a uma segunda reeleição em 12 de outubro de 2014. Vence com 61%.

Como a Constituição só permite uma reeleição, Evo convoca um referendo constitucional para mudar a regra e perde, em 21 de fevereiro de 2016 por 51% a 49%, mas ignora o resultado. Recorre ao Tribunal Constitucional Pluriancional.

Em 28 de novembro de 2017, o supremo tribunal boliviano autoriza nova reeleição com base em decisão Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), o Tribunal de São José da Costa Rica que considera o direito de ser candidato um direito humano fundamental. 

Evo sai na frente no primeiro turno da eleição de 20 de outubro de 2019, mas denúncias de fraude confirmadas em relatório da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) deflaglaram uma onda de protestos populares com mortes. Em 10 de novembro, o presidente cede e admite convocar nova eleição. Horas depois, renuncia sob pressão das Forças Armadas, da Polícia Nacional e da Central Operária Boliviana (COB) para evitar mais mortes.

Numa manobra golpista, o presidente, o vice-presidente e os presidentes da Câmara e do Senado, todos do Movimento ao Socialismo (MAS), o partido de Morales, renunciam coletivamente, deixando o Estado boliviano acéfalo para tentar voltar ao poder. Evo foge para o México. A segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Ágnez, assume a Presidência. Hoje, está presa sob a acusação de liderar um golpe de Estado.

O MAS volta ao poder com a vitória de Luis Arce, ministro da Economia de Morales, em 18 de outubro de 2020. Evo se comporta como oposição a seu próprio partido e trama a volta ao poder em 2025, mas é barrado pelo Tribunal Constitucional de 30 de dezembro de 2023, que revoga a decisão de 2017 a favor de Morales.

Em 16 de agosto de 2021, a CIDH decide que "a proibição da reeleição indefinida é compatível com a Convenção Americana de Direitos Humanos", revogando a medida que beneficiara Morales.

Na semana passada, em 17 de janeiro, a Justiça decreta a prisão de Morales por tráfico de uma menor de idade. A ordem de prisão é renovada hoje. Ele está foragido. Seus bens estão congelados e ele está proibido de sair do país. O ex-presidente acusa o atual, Luis Arce de perseguição política. Ambos são do mesmo partido. 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 15 de Janeiro

 MUSEU BRITÂNICO

    Em 1759, o Museu Britânico, criado seis anos antes por lei do Parlamente Britânico, é aberto ao público no bairro de Bloomsbury, em Londres, com uma formidável coleção de antiguidades e tesouros históricos e arqueológicos, muitos saqueados pelo Império Britânico e hoje reivindicados pelos países de origem como a Pedra da Rosetta, do Egito, e as frisas do Partenon de Atenas, na Grécia Antiga.

É uma das principais atrações turísticas do Reino Unido e não cobra entrada, a não ser para exposições especiais. O prédio atual é construído de 1823 a 1852. A famosa sala de leitura, frequentada por Karl Marx, Virgina Woolf, Peter Kropotkin e Thomas Carlyle, é dos anos 1850.

Em 1881, a coleção de história natural é transferida para o Museu de História Nacional, no bairro de South Kensington. A Biblioteca Britânica é criada em 1973.

Outras relíquias são esculturas gregas do Mausoléu de Halicarnasso e do Templo de Artemísia, em Éfeso, duas das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, os portões de palácios e tempos de Nimrod e Nínive, na Mesopotâmia.

NASCE GENE KRUPA

    Em 1909, nasce em Chicago, no estado de Illinois, o baterista de jazz Gene Krupa, talvez o percussionista mais popular da era do suingue.

Com a morte da mãe quando ele tem 11 anos, Krupa tem de trabalhar e vira menino de recados de uma empresa musical. Logo, junta dinheiro para comprar um instrumento e escolhe uma bateria porque era o mais barato.

No início dos anos 1920, Krupa aprende com grandes músicos de jazz em Chicago. Uma de suas grandes influência é o baterista Baby Dodds, de Nova Orleans. Ele toca com vários grupos de Chicago.

No início dos anos 1930, Gene Krupa é o baterista de orquestra de dois musicais de George Gershwin encenados na Broadway, em Nova York. Em 1934, por indicação do produtor John Hammond, entra para a orquestra de Benny Goodman. 

Depois de uma apresentação histórica no Carnagie Hall, em janeiro de 1938, ele deixa Goodman para formar sua própria banda. No início, ela segue o estilo de Goodman. Em 1941, a banda cresce com a entrada da cantora Anita O'Day e do trumpetista Roy Eldridge, que vai do jazz tradicional de Louis Armstrong ao bebop de Dizzy Gillespie.

O trio Krupa-Eldridge-O'Day produz os melhores discos da banda, como Boogie Blues e Let Me Off Uptownxi, maior sucesso de Krupa.

Em 1943, Krupa é preso por três meses por posse de maconha. Ao sair da cadeia, toca com Goodman e Tommy Dorsey até formar sua própria banda em 1944, desta vez com uma seção de instrumentos de corda, com jovens talentos com influência do movimento bebop. 

Faz sucesso nos anos 1940, com músicas como Leave Us Leap, Disc Jockey Jump e Lemon Drop, com arranjos de George Williams e Gerry Mulligan, mas não resiste ao declínio das grandes bandas de jazz e acaba em 1951.

Nos anos 1950, Krupa lidera pequenos grupos e faz turnê com Norman Gainz e o projeto Jazz na Filarmônica. Em 1954, ele cria com o colega baterista Cozy Cole uma escola da bateria onde Krupa dá aula até o fim da vida.

Ele participa de dois filmes como ele mesmo, The Glenn Miller Story (1953) e The Benny Goodman Story (1955) e é objeto de uma biografia ficcional, The Gene Krupa Story (1959), em que Sal Mineo o representa e o próprio Kupra toca bateria na trilha sonora.

Com problemas de saúde, reduziu as atividades nos anos 1960, mas se uniu com os membros originais do Benny Goodman Quartet para gravar Together Again! (1963) e reuniu seu quarteto para gravar The Great New Gene Krupa Quartet (1964), sua última gravação.

Gene Krupa morre em Yonkers, no estado de Nova York, em 16 de outubro de 1973 aos 64 anos.

MORTE DE ROSA LUXEMBURGO

    Em 1919, a filósofa, economista e revolucionária alemã Rosa Luxemburgo, nascida na Polônia, é presa e assassinada em Berlim por incentivar um levante comunista conhecido como Revolta de Espártacus.

Róza Luksemburg nasce em 5 de março de 1871 em Zamosc, na Polônia, na época parte do Império Russo. É a menor de cinco filhos de uma família judia de classe média baixa. Na juventude, envolve-se no ativismo clandestino. Em 1889, foge do Império Russo para Zurique, na Suíça, onde se forma em economia política em 1898.

Na Suíça, começa a participar do movimento internacional socialista e conhece o social-democrata russo Georgy Plekhanov.

É fundadora do Partido Social-Democrata da Polônia e ativista do Partido Social-Democrata da Alemanha (SDP) e do Partido Social-Democrata Independente da Polônia. Funda a ala comunista do SPD, que se torna o Partido Comunista da Alemanha (KPD).

No livro Reforma ou Revolução, de 1899, ela defende a ortodoxia marxista. Rejeita o parlamento como uma impostura da burguesa.

A Revolução Russa de 1905 é um momento decisivo em sua vida. Até então, ela acredita que a revolução mundial começaria na Alemanha. Vai para a Polônia e é presa.

Em 1915, quando o SPD apoia a participação alemã na Primeira Guerra Mundial (1914-18), Rosa Luxemburgo cria a Liga Espartaquista. Em 1º de janeiro de 1919, a liga se transforma no KPD.

Como teórica política, Rosa Luxemburgo desenvolve uma teoria humanista do marxismo com destaque para a democracia e o papel revolucionário das massas populares. 

Na sua opinião, o nacionalismo e a independência nacional são concessões retrógradas à classe dominante, um dos pontos de suas discordâncias com Vladimir Lenin, líder da Revolução Comunista na Rússia. 

Ao contrário de Lenin ela entende que a revolução não depende de uma estrutura partidária rígida e que a organização é forjada na luta. Lenin acredita que o partido deve ser a vanguarda do proletariado e guiar a revolução. Para Rosa Luxemburgo, todo poder popular deriva das massas.

Libertada na revolução alemã de 1918, ela cria o KPD e tenta limitar a influência bolchevique. No seu livro A Revolução Russa, publicado em 1922, ela critica o partido de Lenin por suas teses de autodeterminação nacional e seus métodos ditatoriais e terroristas. Acreditava na democracia em oposição ao centralismo democrático de Lenin.

Uma de suas frases famosas é "liberdade é o direito que se dá aos outros de fazer e dizer aquilo com que não concordamos."

Por fomentar a Revolta de Espártacus, é presa e morte pelo Freikorps (Corpo da Liberdade), uma aliança de grupos paramilitares de direita.

NASCE LUTHER KING

    Em 1929, nasce em Atlanta, na Geórgia, filho de um pastor batista, Martin Luther King Jr., o grande líder da luta pacífica pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. 

Sob a inspiração do líder pacifista da independência da Índia, o Mahatma Gandhi, Luther King adota a luta pacífica, com a desobediência civil criada por Henry David Thoreau, o naturalista e ativista norte-americano que se negou a pagar impostos para não financiar a Guerra Mexicano-Americana (1846-48). Thoreau foi lido pelo escritor russo Leon Tolstói e suas ideias influenciaram Gandhi, Nelson Mandela e Luther King.

Luther King lidera o boicote dos negros ao sistema de ônibus de Montgomery, no estado do Alabama, em 1955, depois que a ativista Rosa Parker é presa por se negar a ceder o assento para um branco. Leva o movimento contra as leis de discriminação racial a Albany, na Geórgia, e a Birmingham, no Alabama.

Na Marcha sobre Washington, em 28 de agosto de 1963, Luther King faz no Memorial de Lincoln, na capital dos EUA, seu discurso mais importante, Eu Tenho um Sonho: "Eu tenho um sonho que um dia meus filhos não sejam julgados pela cor da pele, mas pela nobreza do caráter."

O Dr. King, que é chamado nos EUA, é investigado pelo FBI, a polícia federal norte-americana, por supostas ligações com grupos esquerdistas. Em 1964, ganha o Prêmio Nobel da Paz e o governo Lyndon Johnson (1963-69), herdeiro de John Kennedy, aprova a Lei de Direitos Civis, dando finalmente igualdade de direitos aos pretos nos EUA.

Às 18h01 de 4 de abril de 1968, James Earl Ray mata Luther King, que está na varanda do segundo andar do hotel onde está hospedado em Memphis, no Tennessee, onde apoia uma greve dos trabalhadores de serviços sanitários negros discriminados.

MILAGRE NO RIO HUDSON

    Em 2009, o piloto Charles Sully Sullenberger consegue a façanha de pousar no Rio Hudson, em Nova York, poucos minutos depois da decolagem do voo 1549 da companhia aérea US Airways, quando gansos entram nas turbinas e paralisam os motores do avião, um Airbus A320. Cinco pessoas saem feridas, mas ninguém morre.

O ex-piloto da Força Aérea está para ser demitido por causa da idade. Vira herói. Ele avisa o centro de controle de Aeroporto La Guardia que está voltando, mas percebe que não terá condições de chegar até a pista de pouso.

Três minutos e meio depois de sugar os pássaros de um bando de gansos do Canará, o avião pousa suavemente no Rio Hudson e flutua, talvez por não estar com os tanques cheios. 

Os passageiros e tripulantes saem pelas esteiras de emergência e caminham sobre as asas ou entram em botes salva-vidas até serem resgatados por lanchas e ferryboats. Alguns têm hipotermia, mas todos se salvam.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 22 de Janeiro

 MORTE DA RAINHA VITÓRIA

    Em 1901, depois de 63 anos de reinado e de 81 de vida, morre a rainha Vitória, da Inglaterra, imperatriz da Índia, marco do fim de uma era de grande expansão do Império Britânico, onde o Sol nunca se punha.

Vitória nasce em 24 de maio de 1819 e ascende ao trono com 18 anos, em 20 de junho de 1837, com a morte de seu tio Guilherme IV. 

Amiga de seu primeiro primeiro-ministro, Lorde Melbourne, Vitória tenta evitar que seja sucedido pelo conservador Sir Robert Peel em 1839. Dois anos depois, os conservadores vencem a eleição. Ela é obrigada a aceitar Peel. Nunca mais intervém diretamente na política.

Em fevereiro de 1840, ela se casa com o primo Albert, um príncipe alemão. Ele se torna um conselheiro importante e secretário particular da rainha. O casal organiza a primeira exposição internacional, a Grande Exposição, em 1851, para apresentar ao mundo o poder da indústria britânica.

Albert leva Vitória a se afastar dos liberais e se aproximar dos conservadores. A rainha apoia claramente Benjamin Disraeli, líder do Partido Conservador. Quando Disraeli se torna primeiro-ministro, dá a Vitória o título de imperatriz da Índia, em 1876.

DIREITO AO ABORTO

    Em 1973, a Suprema Corte dos Estados Unidos toma uma de suas decisões mais discutidas, criando o direito constitucional ao aborto ao declarar que uma lei do estado do Texas que criminalizava a interrupção da gravidez era inconstitucional por violar o direito da mulher à privacidade com base na Emenda nº 14.

Depois que o então presidente Donald Trump nomeia três juízes conservadores para a Suprema Corte, em 24 de junho de 2022, por 5 a 4, o supremo tribunal dos EUA revoga o direito constitucional ao aborto ao decidir que, como a Constituição não toca no assunto, a questão é de competência dos estados.

Naquele caso, por 6 a 3, a Suprema Corte considera constitucional uma lei do estado do Alabama que proíbe o aborto após 15 semanas de gravidez. O presidente do tribunal, ministro John Roberts, tenta evitar a mudança na jurisprudência firmada em 1973, mas é atropelado pelos outros juízes conservadores.

Desde então, vários estados decidiram em plebiscitos manter o direito ao aborto. A questão favorece os candidatos democratas em eleições recentes, inclusive em 2022, quando os democratas mantiveram a maioria no Senado, mas perderam na Câmara.

SAKHAVOV PRESO 

    Em 1980, o físico Andrei Sakharov, o pai da bomba de hidrogênio da União Soviética, é preso por criticar a invasão do Afeganistão, se torna o mais importante dissidente do regime comunista, perde todas as honrarias e é enviado para o exílio interno na cidade de Gorki.

Sakharov nasce em Moscou em 1921 e estuda física na Universidade de Moscou. Em 1948, é recrutado pelo programa nuclear soviético.

Depois de detonar sua primeira bomba atômica, em 29 de agosto de 1949, a URSS entra na corrida nuclear com os Estados Unidos para desenvolver a bomba H. Os EUA conseguem primeiro, em 31 de outubro de 1952. Três anos depois, em 22 de novembro de 1955, a URSS explode sua bomba H.

Diante da potência da nova bomba, milhares de vezes maior do que a das bombas atômicas de urânio e plutônio, Sakharov se arrependeu. Num artigo sobre os males da radioatividade, em 1957, pediu o fim dos testes nucleares.

A URSS tolera as críticas até 1969, quando o jornal The New York Times publica um artigo de Sakharov atacando a corrida armamentista e o regime comunista soviético, e defende "uma sociedade democrática e pluralista livre da intolerância e do dogmatismo, uma sociedade humanitária que cuide da Terra e de seu futuro."

Afastado do programa nuclear soviético, ele se torna um ativista em defesa dos direitos humanos. Em 1975, ganha o Prêmio Nobel da Paz. Quando denuncia a invasão do Afeganistão, vai para o exílio interno em Gorki.

Com a liberalização do regime promovida por Mikhail Gorbachev a partir de 1985, Sakharov é reabilitado em dezembro de 1986 e é eleito para o Congresso dos Deputados do Povo. Morre de ataque cardíaco em 1989, aos 68 anos.

MAIOR MINORIA

    Em 2003, o Birô do Censo nos Estados Unidos revela que os hispânicos (latino-americanos) se tornam a maior minoria racial do país ultrapassando os negros.

Hoje os hispânicos são 19,1% da população dos EUA e os negros 13,6%. Os brancos não latinos e não hispânicos são 58,9%. Os brancos, considerando todos, são 75,5%.

PRESIDENTE INDÍGENA

    Em 2006, Evo Morales, da tribo aimara, toma posse como o primeiro presidente indígena da história da Bolívia e o segundo da América Latina, depois do mexicano Benito Juárez (1858-72). Durante seus três governos, o produto interno bruto boliviano cresce 344% e a pobreza extrema cai de 38% para 15%.

Morales nasce em Orinoca em 26 de outubro de 1959. Entra na política como sindicalista dos agricultores produtores da folha de coca, sagrada para os índios da região dos Andes, e se opõe firmemente às tentativas dos Estados Unidos de erradicar as plantações de coca, matéria-prima para fabricação de cocaína.

Depois de ficar em segundo lugar na eleição de 2002, Evo se elege no primeiro turno em 18 de dezembro de 2005, com 54% dos votos, nacionaliza o petróleo e o gás, ocupando militarmente instalações da Petrobrás no país e consegue aprova uma nova Constituição que declara que a Bolívia é um Estado plurinacional e reconhece os direitos dos povos indígenas, inclusive a seu próprio sistema de justiça.

Reeleito em 6 de dezembro de 2009 no primeiro turno com 64% dos votos, Evo declara que o limite constitucional de dois mandatos só vale após a aprovação da nova Constituição e concorre a uma segunda reeleição em 12 de outubro de 2014. Vence com 61%.

Como a Constituição só permite uma reeleição, Evo convoca um referendo constitucional para mudar a regra e perde, em 21 de fevereiro de 2016 por 51% a 49%, mas ignora o resultado. Recorre ao Tribunal Constitucional Pluriancional.

Em 28 de novembro de 2017, o supremo tribunal boliviano autoriza nova reeleição com base em decisão Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), o Tribunal de São José da Costa Rica que considera o direito de ser candidato um direito humano fundamental. 

Evo sai na frente no primeiro turno da eleição de 20 de outubro de 2019, mas denúncias de fraude confirmadas em relatório da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) deflaglaram uma onda de protestos populares com mortes. Em 10 de novembro, o presidente cede e admite convocar nova eleição. Horas depois, renuncia sob pressão das Forças Armadas, da Polícia Nacional e da Central Operária Boliviana (COB) para evitar mais mortes.

Numa manobra golpista, o presidente, o vice-presidente e os presidentes da Câmara e do Senado, todos do Movimento ao Socialismo (MAS), o partido de Morales, renunciam coletivamente, deixando o Estado boliviano acéfalo para tentar voltar ao poder. Evo foge para o México. A segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Ágnez, assume a Presidência. Hoje, está presa sob a acusação de liderar um golpe de Estado.

O MAS volta ao poder com a vitória de Luis Arce, ministro da Economia de Morales, em 18 de outubro de 2020. Evo se comporta como oposição a seu próprio partido e trama a volta ao poder em 2025, mas é barrado pelo Tribunal Constitucional de 30 de dezembro de 2023, que revoga a decisão de 2017 a favor de Morales.

Em 16 de agosto de 2021, a CIDH decide que "a proibição da reeleição indefinida é compatível com a Convenção Americana de Direitos Humanos", revogando a medida que beneficiara Morales. 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 15 de Janeiro

MUSEU BRITÂNICO

    Em 1759, o Museu Britânico, criado seis anos anos por lei aprovada pela Parlamente Britânico, é aberto ao público no bairro de Bloomsbury, em Londres, com uma formidável coleção de antiguidades e tesouros históricos e arqueológicos, muitos saqueados pelo Império Britânico e hoje reivindicados pelos países de origem como a Pedra da Rosetta, do Egito, e as frisas do Partenon de Atenas, na Grécia Antiga.

É uma das principais atrações turísticas do Reino Unido e não cobra entrada, a não ser para exposições especiais. O prédio atual é construído de 1823 a 1852. A famosa sala de leitura, frequentada por Karl Marx, Virginia Woolf, Peter Kropotkin e Thomas Carlyle, é dos anos 1850.

Em 1881, a coleção de história natural é transferida para o Museu de História Nacional, no bairro de South Kensington. A Biblioteca Britânica é criada em 1973.

Outras relíquias são esculturas gregas do Mausoléu de Halicarnasso e do Templo de Artemísia, em Éfeso, duas das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, os portões de palácios e templos de Nimrod e Nínive, na Mesopotâmia.

MORTE DE ROSA LUXEMBURGO

    Em 1919, a filósofa, economista e revolucionária alemã Rosa Luxemburgo, nascida na Polônia, é presa e assassinada em Berlim por incentivar um levante comunista conhecido como Revolta de Espártacus.

Róza Luksemburg nasce em Zamosc, na Polônia, na época parte do Império Russo, em 5 de março de 1871. É a menor de cinco filhos de uma família judia de classe média baixa. Na juventude, é militante clandestina. Em 1889, foge do Império Russo para Zurique, na Suíça, onde se forma em economia política em 1898.

Na Suíça, começa a participar do movimento internacional socialista e conhece o social-democrata russo Georgy Plekhanov.

É fundadora do Partido Social-Democrata da Polônia e ativista do Partido Social-Democrata da Alemanha (SDP) e do Partido Social-Democrata Independente da Polônia. Funda a ala comunista do SPD, que se torna o Partido Comunista da Alemanha (KPD).

No livro Reforma ou Revolução, de 1899, ela defende a ortodoxia marxista. Rejeita o parlamento como uma impostura da burguesa.

A Revolução Russa de 1905 é um momento decisivo em sua vida. Até então, ela acredita que a revolução mundial começaria na Alemanha. Vai para a Polônia e é presa.

Em 1915, quando o SPD apoia a participação alemã na Primeira Guerra Mundial (1914-18), Rosa Luxemburgo cria a Liga Espartaquista. Em 1º de janeiro de 1919, a liga se transforma no KPD.

Como teórica política, desenvolve uma teoria humanista do marxismo com destaque para a democracia e o papel revolucionário das massas populares. 

Na sua opinião, o nacionalismo e a independência nacional são concessões retrógradas à classe dominante, um dos pontos de suas discordâncias com Vladimir Lenin, líder da Revolução Comunista na Rússia. 

Ao contrário de Lenin ele entende que a revolução não depende de uma estrutura partidária rígida e que a organização é forjada na luta.

Libertada na revolução alemã de 1918, ela cria o KPD e tenta limitar a influência bolchevique. No seu livro A Revolução Russa, publicado em 1922, ele critica o partido de Lenin por suas teses de autodeterminação nacional e seus métodos ditatoriais e terroristas. Acredita na democracia em oposição ao centralismo democrático de Lenin.

Uma de suas frases famosas é "liberdade é o direito que se dá aos outros de fazer e dizer aquilo com que não concordamos."

Por fomentar a Revolta de Espártacus, é presa e morta pelo Freikorps (Corpo da Liberdade), uma aliança de grupos paramilitares de direita.

NASCE LUTHER KING

    Em 1929, nasce em Atlanta, na Geórgia, filho de um pastor batista, Martin Luther King Jr., o grande líder da luta pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. 

Sob a inspiração do líder pacifista da independência da Índia, o Mahatma Gandhi, Luther King adota a luta pacífica, com a desobediência civil criada por Henry David Thoreau, o naturalista e ativista norte-americano que se negou a pagar impostos para não financiar a Guerra Mexicano-Americana (1846-48). Thoreau foi lido pelo escrito russo Leon Tolstói e suas ideias influenciaram Gandhi, Nelson Mandela e Luther King.

Ele lidera o boicote dos negros ao sistema de ônibus de Montgomery, no estado do Alabama, em 1955, depois que a ativista Rosa Parker é presa por se negar a ceder o assento para um branco, e leva o movimento contra as leis de discriminação racial a Albany, na Geórgia, e a Birmingham.

Na Marcha sobre Washington, em 28 de agosto de 1963, Luther King faz no Memorial de Lincoln, na capital dos EUA, seu discurso mais importante, Eu Tenho um Sonho: "Eu tenho um sonho que um dia meus filhos não sejam julgados pela cor da pele, mas pela nobreza do caráter."

O Dr. King, que é chamado nos EUA, é investigado pelo FBI, a polícia federal norte-americana, por supostas ligações com grupos esquerdistas. Em 1964, ganha o Prêmio Nobel da Paz e o governo Lyndon Johnson (1963-69), herdeiro de John Kennedy, aprova a Lei de Direitos Civis, dando finalmente igualdade de direitos aos pretos nos EUA.

Às 18h01 de 4 de abril de 1968, James Earl Ray mata Luther King, que está na varanda do segundo andar do hotel onde está hospedado em Memphis, no Tennessee, onde apoia uma greve dos trabalhadores de serviços sanitários negros discriminados.

MILAGRE NO RIO HUDSON

    Em 2009, o piloto Charles Sully Sullenberger consegue a façanha de pousar no Rio Hudson, em Nova York, poucos minutos depois da decolagem do voo 1549 da companhia aérea US Airways, quando gansos entram nas turbinas e paralisam os motores do avião, um Airbus A320. Cinco pessoas saem feridas, mas ninguém morre.

O ex-piloto da Força Aérea está para ser demitido por causa da idade. Vira herói. Ele avisa o centro de controle de Aeroporto La Guardia que está voltando, mas percebe que não terá condições de chegar até a pista de pouco.

Três minutos e meio depois de sugar os pássaros de um bando de gansos do Canará, o avião pousa suavemente no Rio Hudson e flutua, talvez por não estar com os tanques cheios. 

Os passageiros e tripulantes saem pelas esteiras de emergência e caminham sobre as asas ou entram em botes salva-vidas até serem resgatados por lanchas e ferryboats. Alguns têm hipotermia, mas todos se salvam.