Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Em 1606, Guy Fawkes é executado em Londres por tentar explodir o Parlamento da Inglaterra na Conspiração da Pólvora, que também pretende matar o rei Jaime I por causa da repressão aos católicos.
Fawkes nasce em York em 13 de abril de 1570. Aos 8 anos, o pai morre. A mãe casa de novo com um católico de um movimento chamado Recusa, de pessoas que se negam a aceitar os rituais da Igreja Anglicana.
Ele se converte ao catolicismo e vai para o continente, onde luta ao lado da Espanha católica contra os Países Baixos protestantes na Guerra dos Oitenta Anos (1568-1648). Na Espanha, busca sem sucesso apoio para uma revolta católica na Inglaterra.
Robert e Thomas Wintour o apresentam a Robert Catesby, que planeja matar Jaime I para colocar um rei católico no trono. Eles alugam um espaço no porão do Palácio de Westminter, a sede do Parlamento, para onde levam barris de pólvora.
Uma carta anônima denuncia a Conspiração da Pólvora. Por volta da meia-noite de 4 para 5 de novembro, o juiz de paz Sir Thomas Knyvet encontra Guy Fawkes no porão do Palácio de Westminster em atitude suspeita e manda revistar o local. A polícia encontra 20 barris de pólvora.
Guy Fawkes é preso. Sob tortura, confessa fazer parte de uma conspiração católica e é condenado à morte na forca.
Por ironia da história, os ingleses festejam com fogos o Dia de Guy Fawkes porque ele tentou explodir o Parlamento como uma revolta contra os poderes constituídos. A máscara com a imagem estilizada de Fawkes virou símbolo de movimentos anarquistas.
NASCIMENTO DE SCHUBERT
Em 1797, nasce em Himmelpfortgrund, perto de Viena, a capital da Áustria, o compositor clássico e romântico Franz Schubert, conhecido pela melodia e harmonia de suas músicas e suas composições de música de câmera.
Seu pai, Franz Theodor Schubert, é diretor de escola e chefe de uma família musical que forma um quarteto de cordas em casa. O futuro compositor toca viola e recebe educação musical do pai e do irmão Ignaz. Em 1808, ele ganha uma bolsa e um lugar no coro da capela da corte imperial.
Tímido, Schubert reluta em apresentar suas primeiras composições. Entre elas, está Fantasia para um Dueto de Piano. Talvez sua música mais conhecida seja a Sinfonia nº 8 em Si Menor, a Inacabada.
TRUMAN INVESTE NA BOMBA H
Em 1950, cinco meses depois da explosão da primeira bomba atômica da União Soviética, o presidente Harry Truman anuncia aos Estados Unidos a decisão de desenvolver a bomba de hidrogênio, mil vezes mais poderosa do que as bombas jogadas em Hiroxima e Nagasaki em 6 e 9 de agosto de 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).
Os EUA testam sua primeira bomba de hidrogênio, chamada Mike, em 1º de novembro de 1952 no atol de Eniwetok, nas ilhas Marshall, no Oceano Pacífico.
As primeiras armas atômicas são de fissão nuclear de átomos pesados, o urânio-235 e o plutônio. Sua energia vem da divisão do núcleo de átomos pesados.
A bomba de hidrogênio ou bomba termonuclear é resultado da fusão nuclear de átomos leves. Dois átomos de hidrogênio pesado e mais do que pesado se fundem a uma temperatura altíssima. É a reação que produz a energia do sol e das estrelas. O gatilho da bomba de hidrogênio é uma explosão nuclear de urânio para gerar a temperatura de 100 milhões de graus centígrados necessária à fusão nuclear.
No processo de fusão, as partículas subatômicas perdem 0,63% da massa, que se converte numa enorme quantidade de energia medida pela famosa fórmula de Albert Einstein: E = mc2, em que c é uma constante que representa a velocidade da luz no vácuo: 300 mil quilômetros por segundo.
Houve bombas de hidrogênio de mais de 50 megatons, com o poder de destruição de mais de 50 milhões de toneladas de dinamite. As instaladas em mísseis têm geralmente até 1,5 megaton.
A União Soviética testa sua primeira bomba de hidrogênio em 12 de agosto de 1953, elevando a corrida armamentista nuclear a outro patamar. O Reino Unido (1957), a China (1967) e a França (1968) também fazem a bomba H.
CENTRO POMPIDOU
Em 1977, a França inaugura o Centro Nacional de Arte e Cultura Georges Pompidou, um complexo cultural batizado com o nome do presidente Pompidou (1696-74), que encomenda o projeto aos arquitetos italianos Renzo Piano e Gianfranco Franchini e aos britânicos Richard Rogers e Su Rogers.
O Centro Pompidou fica na área do Beauborg, como também é conhecido. O largo na sua frente é um local de debates políticos. Fica no 4º distrito de Paris, no bairro do Marais, perto de Les Halles, um centro comercial subterrâneo.
No complexo, ficam o Museu Nacional de Arte Moderna, a Biblioteca Pública da Informação, um centro para música e pesquisas acústicas, um centro de desenho industrial, um museu do cinema e o Atelier Brancusi, com esculturas do artista romeno Constantin Brancusi.
BREXIT
Em 2020, três anos e meio depois de um plebiscito, o Reino Unido deixa oficialmente a União Europeia.
O processo de integração europeia começa com o Plano Schuman, anunciado em 9 de maio de 1950 pelo ministro das Relações Exteriores da França, Robert Schuman, para acabar com as guerras na Europa e promover o desenvolvimento econômico e social do continente.
A Comunidade Econômica Europeia é criada pelo Tratado de Roma, assinado em 25 de março de 1957 pela Alemanha Ocidental, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo, que entra em vigor em 1º de janeiro de 1958.
Em 1963 e 1967, o então presidente da França, general Charles de Gaulle, veta a entrada do Reino Unido, que adere ao bloco europeu em 1º de janeiro de 1973. Na época, o Partido Conservador era a favor por representar as classes empresariais. O Partido Trabalhista era contra.
Por causa da insularidade e do passado imperial, o Reino Unido sempre mantém uma relação ambivalente. A primeira-ministra Margaret Thatcher (1979-90) luta pela criação do mercado único europeu, mas é contra a união política, uma das causas de sua queda, um regicídio que divide profundamente o Partido Conservador.
Quando o Tratado de Maastricht cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia, em 1991, o primeiro-ministro John Major (1990-97) deixa o Reino Unido fora da união monetária e econômica. No governo trabalhista de Tony Blair (1997-2007), um europeísta, o país não adere ao euro.
Na campanha de reeleição, o primeiro-ministro conservador David Cameron (2010-16) promete convocar um plebiscito para o eleitorado britânico decidir se quer ou não fazer parte da UE. Seu objetivo é acabar com a guerra civil interna do partido que vem desde a queda de Thatcher. A campanha é marcada por promessas e notícias falsas.
O líder da campanha para sair, o deputado conservador Boris Johnson, faz um manifesto contra e outro a favor. Opta pela saída porque considera melhor para sua pretensão de governar o país. Entre suas mentiras, afirma que os 350 milhões de libras que o país economizaria por semana não tendo de contribuir para o orçamento comunitário seriam investidos no Serviço Nacional de Saúde (NHS), que dá assistência médica de graça a todos os habitantes do Reino Unido.
Em 23 de junho de 2016, por 52% a 48%, o Reino Unido decide sair da UE. Londres, a Escócia e a Irlanda da Norte votam para ficar.
É uma das decisões econômicas mais inconsequentes e estúpidas de qualquer economia moderna. Imaginar que é bom negócio abandonar parceiros comerciais vizinhos e ricos com que se tem um mercado comum há mais de 40 anos e substituí-los por ex-colônias não faz sentido. O Reino Unido acaba de abandonar negociações de livre comércio com o Canadá porque só conseguiu condições piores do que tinha como membro da UE.
Cameron pede demissão e é substituído pela primeira-ministra Theresa May (2016-19), que votou a favor de ficar e nunca é aceita pelos eurocéticos. Suas propostas de acordo de divórcio com a UE são rejeitadas pela Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.
Johnson consegue derrubar May e vence as eleições parlamentares de 12 de dezembro de 2019 com a promessa de concluir a saída da UE.
Em 1556, o terremoto de Xaanxi ou do Condado de Hua mata cerca de 830 mil pessoas na China, o que o torna o mais mortífero da história.
Dez províncias chinesas são abaladas. Uma área de 1,3 mil quilômetros quadrados é arrasada. Em alguns condados, 60% da população morrem. A maioria morava em cavernas naturais que desabam com o tremor de terra.
PRIMEIRA MÉDICA MULHER NOS EUA
Em 1849, numa cerimônia de formatura realizada numa igreja de Genebra, no estado de Nova York, Elizabeth Blackwell torna-se a primeira mulher a se graduar em medicina nos Estados Unidos.
Seu pai era do movimento abolicionista. O irmão e a mulher dele eram ativistas da luta pelo voto feminino.Boa aluna, Elizabeth decide estudar medicina depois de ouvir de uma amiga que estava morrendo que teria sido mais bem-tratada por uma mulher.
A questão vai para o conselho universitário e é aprovada por estudantes, talvez por troça tão inacreditável é a ideia para a época. Elizabeth recebe sua carta de aceitação e começa a estudar em 1847.
Elizabeth Blackwell monta uma clínica para pobres em Nova York, funda um hospital e uma enfermaria para crianças e mulheres junto com uma irmã mais moça que também se forma em medicina,
Durante a Guerra da Secessão (1861-65), elas treinam enfermeiras para atender os feridos. Em 1868, abrem sua faculdade de medicina. Elizabeth vai então para Londres, onde dá aula de ginecologia na Escola de Medicina para Mulheres.
Blackwell é uma pioneira. Seu exemplo contribui para que as mulheres aos poucos sejam aceitas numa profissão predominantemente masculina. Em 2017, pela primeira vez, há mais mulheres do que homens estudando medicina nos EUA.
MULHER NO PODER
Em 1997,um dia depois de aprovação unânime no Senado, Madeleine Albright toma posse como a primeira secretária de Estado, a primeira mulher a chefiar a diplomacia dos Estados Unidos.
Albright nasce em 1937 na Tcheco-Eslováquia e é batizada como Madeleine Jana Korbelova. Sua família foge para os EUA em 1948, depois que os comunistas tomam o poder.
Ela estuda direito e política na Universidade Colúmbia, em Nova York, e vai até o doutorado. Em 1959, casa com Joseph Albright, de uma família de editores. Nos anos 1970, trabalha como funcionária do Conselho de Segurança Nacional nos anos 1970.
Em janeiro de 1993, no início do governo, o presidente Bill Clinton a nomeia embaixadora junto às Nações Unidas. Em dezembro de 1996, Clinton a indica para secretaria da Estado, tornando-a na primeira mulher a ocupar o cargo e a mais alta funcionária até então do governo dos EUA.
Imigrante da Europa Oriental, fala francês, polonês, russo e tcheco, Madeleine Albright se interessa especialmente pelos países de sua região de origem no mundo pós-Guerra Fria. É uma das principais responsáveis pela intervenção internacional da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Guerra do Kossovo contra o ditador sérvio Slobodan Milosevic, também conhecida como a guerra da Srª Albright.
Madeleine Albright é secretária de Estado até o fim do governo Clinton, em janeiro de 2001. Volta então a lecionar na Universidade Georgetown. Torna-se uma voz importante do antifascismo nos EUA. Ela morre em 23 de março de 2022. Um mês antes, na véspera da invasão da Ucrânia, o jornal The New York Times publica um artigo da ex-secretária advertiu o ditador russo, Vladimir Putin, para o "erro histórico" de ir à guerra.
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Em 1901, depois de 63 anos de reinado e 81 de vida, morre a rainha Vitória, do Reino Unido, imperatriz da Índia, marco do fim de uma era de grande expansão do Império Britânico, onde o Sol nunca se punha.
Vitória nasce em 24 de maio de 1819 e ascende ao trono com 18 anos, em 20 de junho de 1837, com a morte de seu tio Guilherme IV.
Amiga de seu primeiro primeiro-ministro, Lorde Melbourne, Vitória tenta evitar que seja sucedido pelo conservador Sir Robert Peel em 1839. Dois anos depois, os conservadores vencem a eleição. Ela é obrigada a aceitar Peel. Nunca mais intervém diretamente na política.
Em fevereiro de 1840, ela se casa com o primo Albert, um príncipe alemão. Ele se torna um conselheiro importante e secretário particular da rainha. O casal organiza a primeira exposição internacional, a Grande Exposição, em 1851, para apresentar ao mundo o poder da indústria britânica.
Albert leva Vitória a se afastar dos liberais e se aproximar dos conservadores. A rainha apoia claramente Benjamin Disraeli, líder do Partido Conservador. Quando Disraeli se torna primeiro-ministro, dá a Vitória o título de imperatriz da Índia, em 1876.
DIREITO AO ABORTO
Em 1973, a Suprema Corte dos Estados Unidos toma uma de suas decisões mais discutidas, criando o direito constitucional ao aborto ao declarar que uma lei do estado do Texas que criminalizava a interrupção da gravidez era inconstitucional por violar o direito da mulher à privacidade com base na Emenda nº 14.
Depois que o então presidente Donald Trump nomeia três juízes conservadores para a Suprema Corte, em 24 de junho de 2022, por 5 a 4, o supremo tribunal dos EUA revoga o direito constitucional ao aborto ao decidir que, como a Constituição não toca no assunto, a competência é dos estados.
Naquele caso, por 6 a 3, a Suprema Corte considera constitucional uma lei do estado do Alabama que proíbe o aborto após 15 semanas de gravidez. O presidente do tribunal, ministro John Roberts, tenta evitar a mudança na jurisprudência firmada em 1973 dando direito ao aborto, mas é atropelado pelos outros juízes conservadores.
Desde então, vários estados decidem em plebiscitos manter o direito ao aborto. A questão favorece os candidatos democratas em eleições recentes, inclusive em 2022, quando os democratas mantêm a maioria no Senado, mas perdem na Câmara. Não evita a vitória de Donald Trump em 2024, quando a vice-presidente Kamala Harris faz do direito ao aborto um ponto central de sua campanha.
SAKHAROV PRESO
Em 1980,o físico Andrei Sakharov, o pai da bomba de hidrogênio da União Soviética, é preso por criticar a invasão do Afeganistão, se torna o mais importante dissidente do regime comunista, perde todas as honrarias e é enviado para o exílio interno na cidade de Gorki.
Sakharov nasce em Moscou em 1921 e estuda física na Universidade de Moscou. Em 1948, é recrutado pelo programa nuclear soviético.
Depois de detonar sua primeira bomba atômica, em 29 de agosto de 1949,a URSS entra na corrida nuclear com os Estados Unidos para desenvolver a bomba H. Os EUA conseguem primeiro, em 31 de outubro de 1952. Três anos depois, em 22 de novembro de 1955, a URSS explode sua bomba H.
Diante da potência da nova bomba, milhares de vezes maior do que a das bombas atômicas de urânio e plutônio, Sakharov se arrepende. Num artigo sobre os males da radioatividade, em 1957, pede o fim dos testes nucleares.
A URSS tolera as críticas até 1969, quando o jornal The New York Times publica um artigo de Sakharov atacando a corrida armamentista e o regime comunista soviético, e defende "uma sociedade democrática e pluralista livre da intolerância e do dogmatismo, uma sociedade humanitária que cuide da Terra e de seu futuro."
Afastado do programa nuclear soviético, ele se torna um ativista em defesa dos direitos humanos. Em 1975, ganha o Prêmio Nobel da Paz. Quando denuncia a invasão do Afeganistão, vai para o exílio interno em Gorki.
Com a liberalização do regime promovida por Mikhail Gorbachev a partir de 1985, Sakharov é reabilitado em dezembro de 1986 e é eleito para o Congresso dos Deputados do Povo. Morre de ataque cardíaco em 1989, aos 68 anos.
MAIOR MINORIA
Em 2003, o Birô do Censo nos Estados Unidos revela que os hispânicos (latino-americanos) se tornam a maior minoria racial do país ultrapassando os negros.
Hoje os hispânicos são 20% da população dos EUA e os negros 12,6%. Os brancos não latinos e não hispânicos são 57,5%. Os brancos, considerando todos, são 71%.
PRESIDENTE INDÍGENA
Em 2006, Evo Morales, do povo aimará, toma posse como o primeiro presidente indígena da história da Bolívia e o segundo da América Latina, depois do mexicano Benito Juárez (1858-72). Durante seus três governos, o produto interno bruto boliviano cresce 344% e a pobreza extrema cai de 38% para 15%.
Morales nasce em Orinoca em 26 de outubro de 1959. Entra na política como sindicalista dos agricultores produtores da folha de coca, sagrada para os índios da região dos Andes, e se opõe firmemente às tentativas dos Estados Unidos de erradicar as plantações de coca, matéria-prima para fabricação de cocaína.
Depois de ficar em segundo lugar na eleição de 2002, Evo se elege no primeiro turno em 18 de dezembro de 2005, com 54% dos votos, nacionaliza o petróleo e o gás, ocupando militarmente instalações da Petrobrás no país. Consegue aprovar uma nova Constituição que declara que a Bolívia é um Estado plurinacional e reconhece os direitos dos povos indígenas, inclusive a seu próprio sistema de justiça.
Reeleito em 6 de dezembro de 2009 no primeiro turno com 64% dos votos, Evo declara que o limite constitucional de dois mandatos só vale após a aprovação da nova Constituição e concorre a uma segunda reeleição em 12 de outubro de 2014. Vence com 61%.
Como a Constituição só permite uma reeleição, Evo convoca um referendo constitucional para mudar a regra e perde, em 21 de fevereiro de 2016 por 51% a 49%, mas ignora o resultado. Recorre ao Tribunal Constitucional Plurinacional.
Em 28 de novembro de 2017, o supremo tribunal boliviano autoriza nova reeleição com base em decisão Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), o Tribunal de São José da Costa Rica, que considera o direito de ser candidato um direito humano fundamental.
Evo sai na frente no primeiro turno da eleição de 20 de outubro de 2019, mas denúncias de fraude confirmadas em relatório da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) deflagram uma onda de protestos populares com mortes. Em 10 de novembro, o presidente cede e admite convocar nova eleição. Horas depois, renuncia sob pressão das Forças Armadas, da Polícia Nacional e da Central Operária Boliviana (COB) para evitar mais mortes.
Numa manobra golpista, o presidente, o vice-presidente e os presidentes da Câmara e do Senado, todos do Movimento ao Socialismo (MAS), o partido de Morales, renunciam coletivamente, deixando o Estado boliviano acéfalo para tentar voltar ao poder. Evo foge para o México. A segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Ágnez, assume a Presidência. Hoje, está presa sob a acusação de liderar um golpe de Estado.
O MAS volta ao poder com a vitória de Luis Arce, ministro da Economia de Morales, em 18 de outubro de 2020. Evo se comporta como oposição a seu próprio partido e trama a volta ao poder em 2025, mas é barrado pelo Tribunal Constitucional de 30 de dezembro de 2023, que revoga a decisão de 2017 a favor de Morales.
Em 16 de agosto de 2021, a CIDH decide que "a proibição da reeleição indefinida é compatível com a Convenção Americana de Direitos Humanos", revogando a medida que beneficiara Morales.
Em 17 de janeiro de 2025, a Justiça decreta a prisão de Morales por tráfico de uma menor de idade. Ele não se apresenta à Justiça e não é preso. Seus bens estão congelados e ele está proibido de sair do país.
O ex-presidente acusa o sucessor, Luis Arce, de perseguição política. Ambos são do mesmo partido, o MAS, que tem uma votação de pouco mais de 3% na eleição presidencial de 17 de agosto de 2025. Rodrigo Paz, de centro-direita, é eleito no segundo turno, em 19 de outubro, marcando o fim de 20 anos de domínio do MAS sobre a política boliviano.
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Em 1512,a Capela Sistina, no Vaticano, é aberta ao público pela primeira vez com o teto pintado por Michelangelo Buonarrotti, um dos maiores artistas do Renascimento.
Michelangelo nasce em Caprese em 6 de março de 1475 e cresce em Florença, um dos berços do Renascimento. Aos 13 anos, torna-se um artista aprendiz. Por seu talento, recebe a proteção de Lorenzo de Medici, o governante da cidade-estado italiana.
Depois de criar algumas das esculturas mais famosas da história, a Pietà (1498) e o David (1504), vai para Roma em 1508 para pintar o teto da Capela Sistina. Ele trabalha até a morte, aos 88 anos, em 1564.
TERREMOTO DE LISBOA
Em 1755,três tremores de terra, o mais forte de 8 a 9 pontos na escala aberta de Richter, seguidos de um maremoto com ondas de 6 metros, arrasa a capital, onde vivem 10% dos 3 milhões de portugueses, e o litoral sul de Portugal, matando de 10 a 90 mil pessoas.
O Terremoto de Lisboa é tema de reflexão de grandes filósofos do Iluminismo como o francês Voltaire, que observa: "Se Deus é misericordioso, não é todo-poderoso; se é todo-poderoso, não é misericordioso." Já Jean-Jacques Rousseau, alega que os pobres não escolheram morar em casebres vulneráveis.
A cidade é reconstruída sob a orientação do Marquês de Pombal, talvez o primeiro-ministro mais poderoso de Portugal, um déspota iluminado que expulsa os jesuítas do reino.
PRESIDENTE NA CASA BRANCA
Em 1800,o segundo presidente dos Estados Unidos, John Adams, se muda para a Casa Branca, em Washington, construída para ser a sede do governo na nova capital do país a um custo de US$ 232 mil.
A pedra fundamental é lançada pelo presidente George Washington em 13 de outubro de 1792. A Casa Branca é queimada pelos britânicos em agosto de 1814 durante a Guerra de 1812, quando o Reino Unido tenta acabar com a independência dos EUA. Em 1817, o presidente James Madison volta a morar lá.
Hoje, depois de muitas reformas, a Casa Branca tem seis andares e 142 peças. O presidente Donald Trump está destruindo toda uma ala para construir um salão de baile.
BOMBA DE HIDROGÊNIO
Em 1952, durante a Guerra Fria, os Estados Unidos explodem no atol de Eniwetok, nas Ilhas Marshall, no Oceano Pacífico, a primeira bomba atômica de hidrogênio, Ivy Mike. A arma reproduz a reação que produz a energia e a luz do sol e das estrelas, com efeitos devastadores, para dar uma superioridade temporária ao país na corrida armamentista depois da explosão da primeira bomba nuclear da União Soviética, em 29 de agosto de 1949.
A primeira bomba H tem o poder de destruição de 10,4 megatons (milhões de toneladas de dinamite).
Mil vezes mais poderosa do que as bombas atômicas de urânio e plutônio, que usa como detonador, a bomba H teve a oposição de Robert Oppenheimer, o pai da bomba nuclear dos EUA.
Uma bomba de urânio de 15 quilotons (15 mil toneladas de dinamite) é jogada em Hiroxima, em 6 de agosto de 1945, e uma bomba de plutônio de 20 quilotons três dias depois em Nagasáki, no Japão, no fim da Segunda Guerra Mundial.
Em 12 de agosto de 1953, a URSS explode sua bomba H elevando a corrida armamentista a um novo patamar. O físico Andrei Sakharov, que depois de tornou um dissidente do regime comunista e ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 1975, é o pai da bomba H soviética.
A maior explosão nuclear até hoje é um teste soviético em 23 de outubro de 1961 com uma bomba H. a Bomba Czar,de 58 megatons.
A fusão de átomos de hidrogênio pesado (deutério) e mais que pesado (trítio), liberando a energia equivalente à massa de um nêutron, gera a energia do sol e das estrelas. Nunca foi controlada. Exige uma temperatura de 100 mil graus.
Com o aquecimento global, aumentam as pesquisas para ver se é possível usar a fusão a frio como uma fonte de energia segura. Até agora, é impossível. A 100 mil graus, tudo derrete.
NASCE A UNIÃO EUROPEIA
Em 1993,depois de um atraso por causa da rejeição em plebiscito na Dinamarca, entra em vigor o Tratado de Maastricht, concluído em dezembro de 1991, para criar a União das Comunidades Europeias, fortalecer o Parlamento Europeu, criar o Banco Central da Europa (BCE) e a política externa e de segurança comum.
A integração europeia começa em 9 de maio de 1950 com o lançamento do Plano Schuman, batizado com o nome do ministro das Relações Exteriores da França, Robert Schuman, para consolidar a paz no continente, especialmente entre a Alemanha e a França, cujo conflito histórico estava na origem das duas guerras mundiais.
Em 1951, surge a Comissão Europeia do Carvão e do Aço para garantir o controle da produção de dois componentes básicos da indústria bélica.
A Comunidade Econômica Europeia é criada pelo Tratado de Roma, em 1957, e instalada em 1958 com seis países: Alemanha Ocidental, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo. A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido entram em 1973.
A Grécia, a Espanha e Portugal se associam nos 1980, depois de se democratizar. Quando é assinado o Tratado de Maastricht, são 12 países-membros. Com o fim da Guerra Fria, a Áustria, a Finlândia e a Suécia, países neutros, aderem em 1995.
Sua maior expansão acontece em 2004, depois das revoluções democráticas de 1989 nos países comunistas da Europa Oriental e da dissolução da União Soviética, em 1991: Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Malta, Polônia e República Tcheca.
A Bulgária e a Romênia entram em 2007 e a Croácia em 2013. Até hoje, só um país deixou o bloco, o Reino Unido, em 31 de janeiro de 2020, depois de um plebiscito realizado em 23 de junho de 2016.
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Em 1940, durante a Batalha da Inglaterra, na Segunda Guerra Mundial, a Luftwaffe, a força aérea da Alemanha Nazista, ataca a Catedral de São Paulo, em Londres. Uma bomba fura o domo da igreja e destrói o altar-mor.
É a única vez em que a catedral do século 17 é avariada pela blitz, o bombardeio intenso da Alemanha.
Quando o Império Romano domina a Inglaterra (43-410), um templo em homenagem a Diana, a deusa da fertilidade, da caça e da Lua, é erguido na Colina de Ludgate.
O rei Etelberto I, de Kent, manda construir a primeira Catedral de São Paulo em 604. A igreja pega fogo e a substituta é destruída pelos vikings em 962. A terceira catedral pega fogo em 1087.
A quarta catedral é uma grande estrutura normanda concluída no século 13, que está deterioriada no século 16, quando pega fogo, e mas ainda com a Guerra Civil Inglesa do século 17.
O arquiteto Christopher Wren é contratado para restaurar a igreja, mas o Grande Incêndio de Londres, em 1666, a destrói. Wren então constrói a catedral que existe até hoje.
NASCE JOHN LENNON
Em 1940, durante a Batalha da Inglaterra, na Segunda Guerra Mundial, nasce em Liverpool o cantor, compositor, músico e ativista da paz John Winston Lennon, o beatle rebelde, que recebe o nome do meio em homenagem ao então primeiro-ministro britânico, Winston Churchill.
Com a separação dos pais, John vai morar com a tia Mimi. Em 1956, forma sua primeira banda, The Quarrymen. No ano seguinte, durante uma apresentação numa festa de música em Liverpool, conhece Paul McCartney, que entra para a banda.
Eles formam The Beatles em 1960 e tocam algumas temporadas em Hamburgo, na Alemanha, antes de serem descobertos em Liverpool pelo empresário Brian Epstein, que passa a gerenciar os negócios do grupo. Em 1962, ele consegue um contrato com a gravadora EMI e os Beatles lançam Love Me Do, um rock simplesinho. Estouram com Please Please Me.
Em 1963, no primeiro show no Royal Albert Hall, Lennon revela seus instintos políticos: "Vocês aí da galeria, se gostarem, aplaudam. Na plateia, basta sacudir as joias."
The Beatles lançam uma série de álbuns de grande sucesso, Beatlemania, Os Reis do Ié-ié-ié, Beatles For Sale, Revolver, Rubber Soul, Sargent Peppers, Abbey Road e Let it Be, entre outros.
Com 500 milhões de cópias, são recordistas mundiais de venda de discos. Dão o último show ao vivo em 19 de fevereiro de 1966 em São Francisco da Califórnia. Em 1970, a banda se separa e eles partem para carreiras solo, quando Lennon emplaca mais uma série de sucessos como Imagine, Instant Karma, Mother e Give Peace a Change.
Algumas de suas canções, como All You Need is Love, Imagine e Give Peace a Chance se tornam hinos. Depois de anos recluso com a mulher, Yoko Ono, criando o filho Sean, depois de não ter dado muita atenção ao primeiro filho, Julian, Lennon é assassinado por um fã com problemas mentais, Mark Chapman, ao chegar com Yoko no seu apartamento no edifício Dakota, em Nova York, em 8 de dezembro de 1980.
EUGENE O'NEILL NA BRODWAY
Em 1946,talvez a melhor peça do dramaturgo Eugene O'Neill, O Homem do Gelo Chega, estreia no Teatro Martin Beck, na Brodway, em Nova York.
É a última produção da Broadway baseada na obra de O'Neill enquanto ele está vivo.
Como em outros trabalhos do autor, os personagens são alcoolistas desesperados reunidos num bar. O'Neill escreve ao todo 39 peças com um estilo da vanguarda, com uso de gíria e da linguagem do dia a dia, cenários de decadência,
CHE GUEVARA EXECUTADO NA BOLÍVIA
Em 1967, um dia depois de ser capturado, o guerrilheiro marxista argentino Ernesto Che Guevara de la Serna, grande símbolo dos movimentos rebeldes dos anos 1960, é executado na Bolívia.
Guevara nasce numa família de classe média alta de Rosário. Enquanto estuda medicina na Universidade de Buenos Aires, faz uma viagem de motocicleta pela América Latina em que vê de perto a miséria e a opressão no subcontinente.
Depois de se formar, em 1953, volta a viajar, se envolve com grupos de esquerda latino-americanos, conhece Fidel Castro no México e se junta aos guerrilheiros para lutar contra a ditadura de Fulgencio Batista.
Che Guevara é uma figura central da Revolução Cubana e contribui para que o comandante Fidel Castro adote o regime comunista.
Depois de ocupar várias posições no governo revolucionário, ele se desentende com Fidel e sai secretamente de Cuba em 1965. Guevara vai para a guerra civil no Congo (antigo Congo Belga), onde o primeiro-ministro socialista Patrice Lumumba havia sido assassinado em 1961, mas a luta guerrilheira não prospera.
O Che afirma ser impossível fazer revolução com Laurent Kabila, que chama de "bêbado e mulherengo". Com o fracasso da guerrilha contra o ditador Joseph Mobutu, aliado do Ocidente na Guerra Fria, Kabila se refugia nas Montanhas da Lua, no centro da África, de onde sai em 1997 para derrubar Mobutu.
Guevara reaparece na Bolívia em 1967, mas comete um erro de avaliação ao levar sua luta guerrilheira para uma região onde houve reforma agrária depois da revolução de 1952 e os pequenos proprietários de terra não querem saber de comunismo.
MORRE SCHINDLER
Em 1974, o empresário alemão Oskar Schindler, que salvou 1,2 mil judeus do Holocausto cometido pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial (1939-45), morre em Hildesheim, na Alemanha aos 66 anos.
Membro do Partido Nazista, dirige uma fábrica em Cracóvia, na Polônia, com mão de obra de um gueto próximo. Quando o gueto é destruído e os trabalhadores são enviados ao centro de extermínio de Auschwitz, Schindler suborna soldados alemães para libertar seus empregados e instala uma fábrica num local seguro da Tcheco-Eslováquia.
Seu gesto humanitário o deixa quebrado. Vira o filme A Lista de Schindler, de Steven Spielberg.
SAKHAROV GANHA NOBEL DA PAZ
Em 1975, o físico Andrei Sakharov, um dos pais da bomba de hidrogênio da União Soviética, que se torna dissidente do regime comunista, ganha o Prêmio Nobel da Paz "pela luta contra o abuso de poder e a violação da dignidade humana de todas as formas".
O governo soviético o proíbe de sair do país para receber o prêmio.
Sakharov nasce em Moscou em 1921 e estuda física na Universidade de Moscou. Em junho de 1948, é recrutado pelo programa nuclear soviético, que explode a bomba atômica em 29 de agosto de 1949.
Começa então a corrida armamentista nuclear para fabricar a bomba de hidrogênio, de fusão nuclear. Os EUA explodem a bomba H em 1º de novembro de 1952. A URSS, em 22 de novembro de 1955.
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Em 1606, Guy Fawkes é executado em Londres por tentar explodir o Parlamento da Inglaterra na Conspiração da Pólvora, que também pretende matar o rei Jaime I por causa da repressão aos católicos.
Fawkes nasce em York em 13 de abril de 1570. Aos 8 anos, o pai morre. A mãe casa de novo com um católico de um movimento chamado Recusa, de pessoas que se negam a aceitar os rituais da Igreja Anglicana.
Ele se converte ao catolicismo e vai para o continente, onde luta ao lado da Espanha católica contra os Países Baixos protestantes na Guerra dos Oitenta Anos (1568-1648). Na Espanha, busca sem sucesso apoio para uma revolta católica na Inglaterra.
Robert e Thomas Wintour o apresentam a Robert Catesby, que planeja matar Jaime I para colocar um rei católico no trono. Eles alugam um espaço no porão do Palácio de Westminter, a sede do Parlamento, para onde levam barris de pólvora.
Uma carta anônima denuncia a Conspiração da Pólvora. Por volta da meia-noite de 4 para 5 de novembro, o juiz de paz Sir Thomas Knyvet encontra Guy Fawkes no porão do Palácio de Westminster em atitude suspeita e manda revistar o local. A polícia encontra 20 barris de pólvora.
Guy Fawkes é preso. Sob tortura, confessa fazer parte de uma conspiração católica e é condenado à morte na forca.
Por ironia da história, os ingleses festejam com fogos o Dia de Guy Fawkes porque ele tentou explodir o Parlamento como uma revolta contra os poderes constituídos. A máscara com a imagem estilizada de Fawkes virou símbolo de movimentos anarquistas.
NASCIMENTO DE SCHUBERT
Em 1797, nasce em Himmelpfortgrund, perto de Viena, a capital da Áustria, o compositor clássico e romântico Franz Schubert, conhecido pela melodia e harmonia de suas músicas e suas composições de música de câmera.
Seu pai, Franz Theodor Schubert, é diretor de escola e chefe de uma família musical que forma um quarteto de cordas em casa. O futuro compositor toca viola e recebe educação musical do pai e do irmão Ignaz. Em 1808, ele ganha uma bolsa e um lugar no coro da capela da corte imperial.
Tímido, Schubert reluta em apresentar suas primeiras composições. Entre elas, está Fantasia para um Dueto de Piano. Talvez sua música mais conhecida seja a Sinfonia nº 8 em Si Menor, a Inacabada.
TRUMAN INVESTE NA BOMBA H
Em 1950, cinco meses depois da explosão da primeira bomba atômica da União Soviética, o presidente Harry Truman anuncia aos Estados Unidos a decisão de desenvolver a bomba de hidrogênio, mil vezes mais poderosa do que as bombas jogadas em Hiroxima e Nagasaki em 6 e 9 de agosto de 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).
Os EUA testam sua primeira bomba de hidrogênio, chamada Mike, em 1º de novembro de 1952 no atol de Eniwetok, nas ilhas Marshall, no Oceano Pacífico.
As primeiras armas atômicas são de fissão nuclear de átomos pesados, o urânio-235 e o plutônio. Sua energia vem da divisão do núcleo de átomos pesados.
A bomba de hidrogênio ou bomba termonuclear é resultado da fusão nuclear de átomos leves. Dois átomos de hidrogênio pesado e mais do que pesado se fundem a uma temperatura altíssima. É a reação que produz a energia do sol e das estrelas. O gatilho da bomba de hidrogênio é uma explosão nuclear de urânio para gerar a temperatura de 100 milhões de graus centígrados necessária à fusão nuclear.
No processo de fusão, as partículas subatômicas perdem 0,63% da massa, que se converte numa enorme quantidade de energia medida pela famosa fórmula de Albert Einstein: E = mc2, em que c é uma constante que representa a velocidade da luz no vácuo: 300 mil quilômetros por segundo.
Houve bombas de hidrogênio de mais de 50 megatons, com o poder de destruição de mais de 50 milhões de toneladas de dinamite. As instaladas em mísseis têm geralmente até 1,5 megaton.
A União Soviética testa sua primeira bomba de hidrogênio em 12 de agosto de 1953, elevando a corrida armamentista nuclear a outro patamar. O Reino Unido (1957), a China (1967) e a França (1968) também fazem a bomba H.
CENTRO POMPIDOU
Em 1977, a França inaugura o Centro Nacional de Arte e Cultura Georges Pompidou, um complexo cultural batizado com o nome do presidente Pompidou (1696-74), que encomenda o projeto aos arquitetos italianos Renzo Piano e Gianfranco Franchini e aos britânicos Richard Rogers e Su Rogers.
O Centro Pompidou fica na área do Beauborg, como também é conhecido. O largo na sua frente é um local de debates políticos. Fica no 4º distrito de Paris, no bairro do Marais, perto de Les Halles, um centro comercial subterrâneo.
No complexo, ficam o Museu Nacional de Arte Moderna, a Biblioteca Pública da Informação, um centro para música e pesquisas acústicas, um centro de desenho industrial, um museu do cinema e o Atelier Brancusi, com esculturas do artista romeno Constantin Brancusi.
BREXIT
Em 2020, três anos e meio depois de um plebiscito, o Reino Unido deixa oficialmente a União Europeia.
O processo de integração europeia começa com o Plano Schuman, anunciado em 9 de maio de 1950 pelo ministro das Relações Exteriores da França, Robert Schuman, para acabar com as guerras na Europa e promover o desenvolvimento econômico e social do continente.
A Comunidade Econômica Europeia é criada pelo Tratado de Roma, assinado em 25 de março de 1957 pela Alemanha Ocidental, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo, que entra em vigor em 1º de janeiro de 1958.
Em 1963 e 1967, o então presidente da França, general Charles de Gaulle, veta a entrada do Reino Unido, que adere ao bloco europeu em 1º de janeiro de 1973. Na época, o Partido Conservador era a favor por representar as classes empresariais. O Partido Trabalhista era contra.
Por causa da insularidade e do passado imperial, o Reino Unido sempre mantém uma relação ambivalente. A primeira-ministra Margaret Thatcher (1979-90) luta pela criação do mercado único europeu, mas é contra a união política, uma das causas de sua queda, um regicídio que divide profundamente o Partido Conservador.
Quando o Tratado de Maastricht cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia, em 1991, o primeiro-ministro John Major (1990-97) deixa o Reino Unido fora da união monetária e econômica. No governo trabalhista de Tony Blair (1997-2007), um europeísta, o país não adere ao euro.
Na campanha de reeleição, o primeiro-ministro conservador David Cameron (2010-16) promete convocar um plebiscito para o eleitorado britânico decidir se quer ou não fazer parte da UE. Seu objetivo é acabar com a guerra civil interna do partido que vem desde a queda de Thatcher. A campanha é marcada por promessas e notícias falsas.
O líder da campanha para sair, o deputado conservador Boris Johnson, faz um manifesto contra e outro a favor. Opta pela saída porque considera melhor para sua pretensão de governar o país. Entre suas mentiras, afirma que os 350 milhões de libras que o país economizaria por semana não tendo de contribuir para o orçamento comunitário seriam investidos no Serviço Nacional de Saúde (NHS), que dá assistência médica de graça a todos os habitantes do Reino Unido.
Em 23 de junho de 2016, por 52% a 48%, o Reino Unido decide sair da UE. Londres, a Escócia e a Irlanda da Norte votam para ficar.
É uma das decisões econômicas mais inconsequentes e estúpidas de qualquer economia moderna. Imaginar que é bom negócio abandonar parceiros comerciais vizinhos e ricos com que se tem um mercado comum há mais de 40 anos e substituí-los por ex-colônias não faz sentido. O Reino Unido acaba de abandonar negociações de livre comércio com o Canadá porque só conseguiu condições piores do que tinha como membro da UE.
Cameron pede demissão e é substituído pela primeira-ministra Theresa May (2016-19), que votou a favor de ficar e nunca é aceita pelos eurocéticos. Suas propostas de acordo de divórcio com a UE são rejeitadas pela Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.
Johnson consegue derrubar May e vence as eleições parlamentares de 12 de dezembro de 2019 com a promessa de concluir a saída da UE.
Em 1901, depois de 63 anos de reinado e 81 de vida, morre a rainha Vitória, do Reino Unido, imperatriz da Índia, marco do fim de uma era de grande expansão do Império Britânico, onde o Sol nunca se punha.
Vitória nasce em 24 de maio de 1819 e ascende ao trono com 18 anos, em 20 de junho de 1837, com a morte de seu tio Guilherme IV.
Amiga de seu primeiro primeiro-ministro, Lorde Melbourne, Vitória tenta evitar que seja sucedido pelo conservador Sir Robert Peel em 1839. Dois anos depois, os conservadores vencem a eleição. Ela é obrigada a aceitar Peel. Nunca mais intervém diretamente na política.
Em fevereiro de 1840, ela se casa com o primo Albert, um príncipe alemão. Ele se torna um conselheiro importante e secretário particular da rainha. O casal organiza a primeira exposição internacional, a Grande Exposição, em 1851, para apresentar ao mundo o poder da indústria britânica.
Albert leva Vitória a se afastar dos liberais e se aproximar dos conservadores. A rainha apoia claramente Benjamin Disraeli, líder do Partido Conservador. Quando Disraeli se torna primeiro-ministro, dá a Vitória o título de imperatriz da Índia, em 1876.
DIREITO AO ABORTO
Em 1973, a Suprema Corte dos Estados Unidos toma uma de suas decisões mais discutidas, criando o direito constitucional ao aborto ao declarar que uma lei do estado do Texas que criminalizava a interrupção da gravidez era inconstitucional por violar o direito da mulher à privacidade com base na Emenda nº 14.
Depois que o então presidente Donald Trump nomeia três juízes conservadores para a Suprema Corte, em 24 de junho de 2022, por 5 a 4, o supremo tribunal dos EUA revoga o direito constitucional ao aborto ao decidir que, como a Constituição não toca no assunto, a competência é dos estados.
Naquele caso, por 6 a 3, a Suprema Corte considera constitucional uma lei do estado do Alabama que proíbe o aborto após 15 semanas de gravidez. O presidente do tribunal, ministro John Roberts, tenta evitar a mudança na jurisprudência firmada em 1973 dando direito ao aborto, mas é atropelado pelos outros juízes conservadores.
Desde então, vários estados decidem em plebiscitos manter o direito ao aborto. A questão favorece os candidatos democratas em eleições recentes, inclusive em 2022, quando os democratas mantiveram a maioria no Senado, mas perderam na Câmara, não evitou a vitória de Donald Trump em 2024. A vice-presidente Kamala Harris fez do direito ao aborto um ponto central de sua campanha.
SAKHAROV PRESO
Em 1980,o físico Andrei Sakharov, o pai da bomba de hidrogênio da União Soviética, é preso por criticar a invasão do Afeganistão, se torna o mais importante dissidente do regime comunista, perde todas as honrarias e é enviado para o exílio interno na cidade de Gorki.
Sakharov nasce em Moscou em 1921 e estuda física na Universidade de Moscou. Em 1948, é recrutado pelo programa nuclear soviético.
Depois de detonar sua primeira bomba atômica, em 29 de agosto de 1949,a URSS entra na corrida nuclear com os Estados Unidos para desenvolver a bomba H. Os EUA conseguem primeiro, em 31 de outubro de 1952. Três anos depois, em 22 de novembro de 1955, a URSS explode sua bomba H.
Diante da potência da nova bomba, milhares de vezes maior do que a das bombas atômicas de urânio e plutônio, Sakharov se arrepende. Num artigo sobre os males da radioatividade, em 1957, pede o fim dos testes nucleares.
A URSS tolera as críticas até 1969, quando o jornal The New York Times publica um artigo de Sakharov atacando a corrida armamentista e o regime comunista soviético, e defende "uma sociedade democrática e pluralista livre da intolerância e do dogmatismo, uma sociedade humanitária que cuide da Terra e de seu futuro."
Afastado do programa nuclear soviético, ele se torna um ativista em defesa dos direitos humanos. Em 1975, ganha o Prêmio Nobel da Paz. Quando denuncia a invasão do Afeganistão, vai para o exílio interno em Gorki.
Com a liberalização do regime promovida por Mikhail Gorbachev a partir de 1985, Sakharov é reabilitado em dezembro de 1986 e é eleito para o Congresso dos Deputados do Povo. Morre de ataque cardíaco em 1989, aos 68 anos.
MAIOR MINORIA
Em 2003, o Birô do Censo nos Estados Unidos revela que os hispânicos (latino-americanos) se tornam a maior minoria racial do país ultrapassando os negros.
Hoje os hispânicos são 19,1% da população dos EUA e os negros 13,7%. Os brancos não latinos e não hispânicos são 58%. Os brancos, considerando todos, são 71%.
PRESIDENTE INDÍGENA
Em 2006, Evo Morales, da tribo aimará, toma posse como o primeiro presidente indígena da história da Bolívia e o segundo da América Latina, depois do mexicano Benito Juárez (1858-72). Durante seus três governos, o produto interno bruto boliviano cresce 344% e a pobreza extrema cai de 38% para 15%.
Morales nasce em Orinoca em 26 de outubro de 1959. Entra na política como sindicalista dos agricultores produtores da folha de coca, sagrada para os índios da região dos Andes, e se opõe firmemente às tentativas dos Estados Unidos de erradicar as plantações de coca, matéria-prima para fabricação de cocaína.
Depois de ficar em segundo lugar na eleição de 2002, Evo se elege no primeiro turno em 18 de dezembro de 2005, com 54% dos votos, nacionaliza o petróleo e o gás, ocupando militarmente instalações da Petrobrás no país. Consegue aprovar uma nova Constituição que declara que a Bolívia é um Estado plurinacional e reconhece os direitos dos povos indígenas, inclusive a seu próprio sistema de justiça.
Reeleito em 6 de dezembro de 2009 no primeiro turno com 64% dos votos, Evo declara que o limite constitucional de dois mandatos só vale após a aprovação da nova Constituição e concorre a uma segunda reeleição em 12 de outubro de 2014. Vence com 61%.
Como a Constituição só permite uma reeleição, Evo convoca um referendo constitucional para mudar a regra e perde, em 21 de fevereiro de 2016 por 51% a 49%, mas ignora o resultado. Recorre ao Tribunal Constitucional Pluriancional.
Em 28 de novembro de 2017, o supremo tribunal boliviano autoriza nova reeleição com base em decisão Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), o Tribunal de São José da Costa Rica que considera o direito de ser candidato um direito humano fundamental.
Evo sai na frente no primeiro turno da eleição de 20 de outubro de 2019, mas denúncias de fraude confirmadas em relatório da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) deflaglaram uma onda de protestos populares com mortes. Em 10 de novembro, o presidente cede e admite convocar nova eleição. Horas depois, renuncia sob pressão das Forças Armadas, da Polícia Nacional e da Central Operária Boliviana (COB) para evitar mais mortes.
Numa manobra golpista, o presidente, o vice-presidente e os presidentes da Câmara e do Senado, todos do Movimento ao Socialismo (MAS), o partido de Morales, renunciam coletivamente, deixando o Estado boliviano acéfalo para tentar voltar ao poder. Evo foge para o México. A segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Ágnez, assume a Presidência. Hoje, está presa sob a acusação de liderar um golpe de Estado.
O MAS volta ao poder com a vitória de Luis Arce, ministro da Economia de Morales, em 18 de outubro de 2020. Evo se comporta como oposição a seu próprio partido e trama a volta ao poder em 2025, mas é barrado pelo Tribunal Constitucional de 30 de dezembro de 2023, que revoga a decisão de 2017 a favor de Morales.
Em 16 de agosto de 2021, a CIDH decide que "a proibição da reeleição indefinida é compatível com a Convenção Americana de Direitos Humanos", revogando a medida que beneficiara Morales.
Na semana passada, em 17 de janeiro, a Justiça decreta a prisão de Morales por tráfico de uma menor de idade. A ordem de prisão é renovada hoje. Ele está foragido. Seus bens estão congelados e ele está proibido de sair do país. O ex-presidente acusa o atual, Luis Arce de perseguição política. Ambos são do mesmo partido.